A
Santificação do Domingo
Entendendo
o verdadeiro princípio Sola Scriptura
Para
entender a observância do primeiro dia da semana, temos de recorrer ao
significado do sábado, o sétimo dia. Vejamos um pouco o que diz o evangelho
sobre o sábado.
Jesus
observou o sábado perfeitamente
Em Mateus 12, 1-14
Jesus apresenta o espírito da observância sabática. Os discípulos colhem
espigas de trigo para matar a fome. Jesus os apresenta como inocentes, e
apresenta-Se a Si mesmo como Senhor do sábado. Após isso, Jesus foi à sinagoga
e ensinou que é permitido fazer o bem no dia de sábado. Aí temos o espírito da
nova lei na observância do dia do Senhor.
No evangelho de Marcos,
2, 23-28, o Senhor, que caminha pelos campos com seus discípulos, afirma que o sábado foi feito para o homem, e não o
homem para o sábado (v. 27). Também,
em Lucas 6, 1-5, Jesus mostra que é Senhor do sábado.
Assim, Jesus ensinou
que o espírito da guarda sabática está em harmonia com a prática do bem, e que
o sábado deve servir ao homem, para o seu repouso religioso.
Os fariseus ficavam perplexos
quanto à posição de Jesus referente ao sábado. Afirmavam que não era permitido
colher trigo, nem curar os doentes. Jesus se opôs a esses extremos. “Mas Jesus nunca profana a santidade desse
dia”, afirma o Catecismo da Igreja Católica (n. 2173).
Há uma intenção de
Jesus aos trazer atenção o tema do sábado. Cristo estava levando a lei à
perfeição. Ensinou a verdadeira prática sabática, que deve servir ao homem,
para o descanso, e para a prática do bem. Cumpriu a lei do sábado em sua
perfeição.
A
morte de Jesus na sexta-feira
“Os
judeus temeram que os corpos ficassem na cruz durante o sábado, porque já era a
Preparação e esse sábado era particularmente solene. Rogaram a Pilatos que se
lhes quebrassem as pernas e fossem retirados” (João 19, 31).
Jesus morreu na
sexta-feira e passou o sábado inteiro no sepulcro. É a forma implícita da
Escritura de ensinar o cumprimento do sábado por Cristo.
A
ressurreição no primeiro dia da semana e a reunião dos apóstolos
Jesus ressuscitou no
domingo, o primeiro dia da semana (cf. Mt 28, 1-10; Mc 16, 1-10; Lc 24, 1-12 e
Jo 20, 1-10).
Os discípulos estão
reunidos na tarde de domingo, às portas fechadas, por medo dos judeus (Jo 20,
19).
Os dois discípulos de
Emaús voltaram a Jerusalém, onde se
acharam reunidos os Onze e os que com eles estavam (Lc 24, 33).
Também no domingo, oito
dias depois, no mesmo lugar, os discípulos estavam reunidos (v. 26).
Nos Atos dos Apóstolos
(20, 7), temos que: “No primeiro dia da
semana, estando nós reunidos para partir o pão, Paulo, que havia de viajar no
dia seguinte, conversava com os discípulos e prolongou a palestra até a
meia-noite”.
Aqui os apóstolos estão
reunidos no domingo para partir o pão. Ainda que o episódio tenha sido descrito
para falar da ressureição de Êutico, é um testemunho de que os apóstolos se
reuniam de forma especial para a celebração da eucaristia, e que nesse dia
ocorriam milagres.
Em 1 Coríntios 16, 2
temos: “No primeiro dia da semana, cada
um de vós ponha de parte o que tiver podido poupar, para que não esperem a
minha chegada para fazer as coletas”.
“A coleta se fazia na
reunião litúrgica dominical”, como explica a Bíblia de Estudos Ave Maria. A
explicação para a coleta no primeiro dia é que esse era o dia em que os
cristãos se reuniam para celebrar juntos a eucaristia.
Os
apóstolos iam ao templo
Em Atos 2, 46 está
escrito: “Unidos de coração, frequentavam
todos os dias o templo...”. Isso significa que a prática dos judeus
cristãos em relação ao judaísmo não havia mudado tanto. Assim, Pedro e João iam subindo ao templo para
rezar à hora nona (Atos 3, 1).
No templo, os cristãos
de origem judaica continuavam a rezar, a cumprir os preceitos que eram
acostumados a guardar, e também anunciavam o Nome de Jesus. Eis uma diferença. Também,
fora dos templos, nas casas, eles partiam o pão (cf. Atos 2, 46).
A
fração do pão
Em 1 Coríntios 11,
20-34 temos a reunião dos cristãos em um lugar maior, sugerindo uma igreja, certamente uma casa dos mais
abastados, onde todos podiam se reunir para celebrar a Eucaristia. São Paulo
exorta-os a comer em casa (vv. 22.34), sugerindo que ali, naquele local escolhido,
onde comporta grande número de pessoas, era o lugar para cear, comer do Corpo e
do Sangue de Jesus.
Com isso, temos que a celebração
da eucaristia era feita nas casas, com narrativas claras a respeito de reuniões
feitas aos domingos, e que os apóstolos ainda iam ao templo.
Nenhuma
observância do sábado pelos apóstolos
Em Atos 19, 8 lemos que
São Paulo ensinava nas sinagogas: “Paulo
entrou na sinagoga e falou com desassombro por três meses, disputando e
persuadindo-os a cerca do Reino de Deus”.
No entanto, após a
recusa dos judeus, ele passou a ensinar diariamente em outro lugar: “Mas, como alguns se endurecessem e não
cressem, desacreditando a sua doutrina diante da multidão, apartou-se deles e
reuniu à parte os discípulos, onde os ensinava diariamente na escola de um certo
Tirano”.
A passagem é clara em
mostrar que o objetivo de São Paulo em frequentar a sinagoga não era participar
das suas reuniões na guarda do sábado como cristão, mas ali estava como judeu
cristão anunciando o evangelho do Reino de Deus.
A
santidade do domingo
Os adventistas do sétimo
dia objetam que a ressurreição de Cristo e suas aparições, e mesmo as reuniões
dos cristãos no domingo, não fariam do domingo um dia santificado. Por isso,
rejeitam sua guarda.
No entanto, temos por
certo que os apóstolos não ensinaram a guarda do domingo aos novos convertidos.
Também é claro que nenhum apóstolo guardou o sábado como norma para os
cristãos.
Desse modo, a
preparação de Cristo ao ensinar sobre o sábado, a ressuscitar no domingo, a
aparecer nesse dia e deixar inspiradas passagens na Bíblia sobre essas
aparições, somadas às evidentes reuniões da Igreja para celebrar a eucaristia,
que é uma ordem de Jesus, sugerem que o
dia de observância para a Igreja é o domingo e não o sábado.
Mandamento
do domingo
Os objetores exigem um
mandamento claro para a guarda do domingo. Não o encontrando, recusam-no.
Parece que o princípio
que se encontra subentendido é que uma vez que não houve revogação clara de
cada lei antiga, essas continuam em vigor. Do contrário, haveria mandamento da
nova lei explicitamente escrito.
Como visto, porém, o
caso do sábado e do domingo não é tão obscuro. Há nítida preocupação em
preparar os cristãos quanto à verdadeira guarda do sábado. Depois, vemos a
igreja observando o domingo para celebrar o principal mistério da fé, a morte e
ressurreição de Jesus, ao partir o pão no primeiro dia da semana. Some-se a isso
nenhuma guarda do sábado pelos apóstolos.
Toda
doutrina está na Bíblia
De forma geral, está na
Bíblia, implícita ou explícita, toda a doutrina salvífica. O cardeal James
Gibbons, e outros, ao enfatizar a tradição, afirmaram que a Bíblia não contem
toda as doutrinas necessárias para a salvação. Mas isso é apenas questão de
ênfase, pois pelo contexto temos que isso se refere à coisas explícitas que
podem ser facilmente apreensíveis pelo texto sagrado. Assim, o domingo não
estaria nessa ordem, pois não há mandamento explícito. Dessa forma, é
necessário um estudo, como o que se esboçou acima, para compreender que Cristo
deixou aos apóstolos a guarda do domingo e isso aparece na Bíblia. A Igreja o
ensina de modo claro.
Esse
tipo de Sola Scriptura é insuficiente
A Bíblia não é nesse sentido
a única regra de fé, pois necessita da interpretação legítima da Igreja e da
comprovação da tradição para garantir aos fieis a veracidade da doutrina.
Houve tempo em que a
Bíblia não estava completa. Assim, os primeiros cristãos aprenderam a doutrina sagrada
por meio da pregação da Igreja. E mais. Nem todos eram, ou são, capazes de ler
a Bíblia por si mesmos, necessitando da pregação oral.
A Bíblia contem
passagens difíceis. Dirão os protestantes que essas não são difíceis ou
obscuras no que se refere à salvação. Mas São Pedro (cf. 1 Pedro 3, 16) afirma
que as passagens difíceis que alguns mal interpretação servem para a perdição
deles. Desse modo, os erros de interpretação afetam a salvação.
A Bíblia também, se
fosse única regra de fé, deveria satisfazer a todas as questões de fé e moral e
modo a não necessitar da intervenção e intermediação de ninguém. Mas a pregação
e autoridade da Igreja são necessárias. Portanto, esse Sola Scriptura não pode estar correto.
Com isso, o cardeal
Gibbons provou que a Igreja é regra de fé para a pregação da verdade de
salvação. Ela está ao alcance de todos, é clara e pode esclarecer a todos os
fieis, é capaz de satisfazer em todas as questões relativas à fé e à moral, pois
em seu depósito interpreta na Bíblia e tradição apostólica ensinando toda a
verdade.
Mas
somente através da Bíblia temos acesso ao que foi ensinado por Cristo
De fato. Contudo, uma
vez interpretando-a mal, não há como compreender o que foi verdadeiramente
ensinado por Cristo. É preciso ter exata compreensão e certeza da doutrina. E a
Bíblia ensina que há coisas na Escritura que são difíceis (cf. 1 Pedro 3, 16),
que a Escritura não é de interpretação particular (1 Pedro 1, 20) e que é
necessário guardar as tradições (1 Ts 2, 14-15). Assim, temos que, por meio da
Bíblia, estabelece-se a Tradição e o Magistério da Igreja. Temos, portanto, o
correto princípio Sola Scriptura.
Gledson Meireles.
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