domingo, 21 de julho de 2024

Livro: Nenhum caminho leva a Roma, refutando capítulo 3

Refutação do capítulo 3: A intercessão dos santos


A intercessão da virgem Maria e dos anjos não exige que eles sejam oniscientes e nem onipresentes. De fato, os anjos sabem o que se passa na terra, e os santos também, sem que saibam tudo e de forma imediata. Dessa forma, crer na intercessão dos santos não é crer que eles podem saber tudo e estar em todo lugar ao mesmo tempo, pois não é isso o que fundamenta a intercessão.

Os santos podem interceder porque estão na glória do céu, estão na eternidade, estão no amor de Deus, e por isso possuem um ministério como salvos em favor da Igreja na terra. Somente isso é preciso que seja crido.

A forma com que os santos conhecem os pedidos dos fieis na terra não é revelada. Pensar sobre isso é uma especulação. Também, no entanto, que os anjos sabem o que se passa na terra, pois Jesus afirma que eles se alegram com a conversão dos pecadores. Também é verdade que na ressurreição todos seremos como anjos. Assim, no estado intermediário, no reino dos céus, os salvos já possuem certas prerrogativas que são compartilhadas com os anjos.

Deus não precisa de ajuda. No entanto, tem têm seus ministros, os anjos, e também os santos, que O servem em prol da salvação dos que creem. A Igreja Católica acredita que os santos veem aquilo que está em Deus e que está conforme o plano de Deus revelar. Desse modo, podem interceder pelos santos que estão vivos na terra.

Com isso, refuta-se que ainda sendo criaturas limitadas, não podendo por si saber tudo e nem estar em todos os lugares, os santos estão na eternidade, no amor de Deus, e podem interceder. O modo como isso ocorre é algo que somente Deus conhece. Isso refuta as objeções, e estabelece o fato.

Jesus é o único mediador necessário, de salvação e intercessão. Os santos podem interceder secundariamente, por meio de Cristo. Como estão no Corpo Místico de Cristo, ou seja, na Igreja invisível, todos ligados na graça uns aos outros, há essa possibilidade de intercessão. Portanto, está conforme 1 Tm 2, 5, pois logo a seguir o texto afirma que devemos fazer intercessão por todos. Se os vivos intercedem, suas preces chegam ao céu, por meio de Cristo, sendo uma mediação do mundo físico até o espiritual, por meio do único mediador. O mesmo fazem os santos do céu rogando a Deus pela Igreja na terra. Não há argumento que possa refutar isso.

Em 1 João 2, 1, onde Cristo é o Advogado, esse é o advogado de salvação. Os santos são intercessores, medianeiros, advogados, no sentido de estar ministrando no céu por nós. Os santos não salvam, mas intercedem, como os santos da terra. Mas, estando sem pecado, e mais próximos de Deus, sua intercessão é muito útil.

Em Romanos 8, 34 está escrito que Jesus intercede por nós. Não é dito que é o único intercessor. Essa é uma falha de raciocínio. De fato, o Espírito Santo é intercessor também. Os anjos são intercessores com os santos. A diferença da intercessão de Jesus é que essa é de salvação, o único que intercede pela salvação dos que creem, e que pode salvar. O Espírito Santo vem à fraqueza humana para interceder ao Pai por meio de Cristo, como auxiliador. Os santos participam da intercessão em favor da Igreja.

Em Fl 1, 23 e 2 Tm 4, 7 não há nada contra a intercessão. São Paulo afirma que seu ministério no ensino do evangelho aos cristãos era muito útil para os cristãos, e por isso deveria ficar vivo. Isso não significa nada quanto à intercessão dos santos, que acontece sempre e tem outro significado na Igreja. O ministério de pregar o evangelho é um, o de interceder no céu é outro. Não há nenhuma passagem bíblica que negue a intercessão dos santos no céu. São Paulo encerrou sua carreira como apóstolo das nações, agora está no céu adorando a Deus e servindo a Deus em favor da salvação dos que creem em Jesus.

A implicação de que a morte é apenas “descanso eterno” não condiz com o que a Bíblia afirma dos santos no céu. Assim como os anjos trabalham e estão em ação sempre, e adoram a Deus, afirmar que esse descanso é não fazer nada, nem mesmo interceder, é algo que ultrapassa a doutrina bíblica. É o argumento mais fraco.

Os santos podem estar no tempo kairós, já que estão com Deus. A salvação já coloca os santos na eternidade, e portanto a objeção não é pungente.

Afirmar que os santos estão no tempo chronos e por isso não têm tempo de ficar rezando por todo mundo, é a mesma objeção que poderia ser feita do trabalho dos anjos, que, como criaturas, não poderiam ministram pela salvação dos pecadores, por estarem não poderem realizar o que só Deus poderia. Isso contradiria a revelação bíblica. Refuta-se assim essa objeção. Em 2 Tm 2, 1 é exortado que façamos orações por todas as pessoas. Ainda que ilimitados, podemos fazer isso, em intenção, e aos poucos, oferendo orações pelo mundo inteiro. Deus é conhecedor dos corações e pode atender as orações assim feitas, dentro das limitações dos santos.

O autor afirma que os santos não sabem o que se passa na terra, mas não apresenta nenhum argumento bíblico. É apenas uma afirmação. O caso da onisciência e onipotência, é verdade que somente Deus possui esses atributos. No entanto, para interceder não é necessário que esses tenham tais atributos, mas apenas que estejam conscientes, que estejam na graça de Deus, e conheçam o que se passa na terra.

E, por acaso, o argumento do livro muda. Ao tentar refutar a intercessão dos santos, o autor apresenta Jesus como único mediador, único salvador, único caminho, como se isso fosse uma objeção contra a intercessão dos santos. Mas tais coisas duas diferentes.

Embora saibamos que todos podemos ir a Deus, por meio do único Mediador, e fazer pedidos em favor uns dos outros, isso não quer dizer que cada intercessor se torna salvador e caminho a Deus. Dessa forma, os santos estão orando a Deus, e não sendo outros mediadores de salvação. Podem fazer pedidos, levar os pedidos a Deus, e não salvar, o que é coisa bastante diversa.

Ainda, a intercessão não é comunicação com os mortos, propriamente dita. Não há invocação, não há revelação por parte dos santos, e então essa prática não tem a ver com a necromancia.

A doutrina da intercessão não foi negada no primeiro século. Por isso, não se encontra controvérsia quanto a isso. Quando são Paulo pede aos cristãos que orem por ele, isso não significa que não pedisse aos santos já mortos. A ajuda dos santos do céu não dispensa a oração de intercessão dos santos na terra. É o inverso. A intercessão dos santos da terra é auxiliada pela dos santos do céu, já que a morte não faz separação e não interrompe esse elo entre os que estão no Corpo de Cristo. É uma refutação ao argumento posto no livro sobre a intercessão dos santos mortos.

Quando o autor tenta afirmar que ninguém pode fazer intercessão, só quem está no tempo kairós, agora tem que explicar porque os santos da terrar podem fazer a mesma intercessão, e não entende que um argumento desfaz o outro de forma sutil. A única coisa que é mostrada para invalidade a segunda parte do argumento é a morte, mas essa não é biblicamente o fim da relação entre os santos, pois se todos estão no amor de Deus, então há como um membro espiritualmente pedir a Deus por outro membro, ainda que esteja morto. Quanto à virgem Maria, essa foi ressuscitada e levada ao céu.

E o pedido que um faz ao outro para que ore a Deus em seu favor, e em essência o mesmo que os fieis endereçam ao céu, pedindo intercessão dos santos. Nada mais do que isso.

A oração é feita a Deus, e o pedido é feito aos santos. Se a morte não desliga os membros vivos dos membros mortos, então se podem pedir oração dos santos da glória. Todos irão pedir a Deus em favor uns dos outros. Assim, está estabelecida a oração dos santos.

Não há motivo para exigir que se mostre biblicamente um exemplo de alguém pedido expressamente a intercessão a um santo já morto, já que tal coisa fluiu naturalmente na prática cristã, e não foi objeto de controvérsia, de modo que não há objeções contra isso na Bíblia nem nos primeiros séculos. A arqueologia mostra que os cristãos pediam aos santos sua intercessão.

Novamente, se se coloca a única mediação de Cristo contra a mediação dos santos, de uma forma bastante desequilibrada se está tentando refutando o que já está provado, e parte do que é admitido pelos próprios protestantes, a saber, a intercessão dos santos vivos.

Vejamos como ficaria o argumento, usando o raciocínio do autor, se colocamos a intercessão dos santos na terra: “Temos livre acesso a Deus, e não precisamos que alguém ore por nós. porque a mediação ou intercessão dos santos é desconhecia na Escritura”.

Mas, logo aparece o pedido de São Paulo: ore a Deus por mim. Então, volta-se à estaca zero: de fato, há intercessão, e podemos ir ao Pai em favor dos outros. Essa mediação existe, e isso não atrapalha em nada o acesso livre ao Pai que temos por meio de Jesus, porque se trata apenas de intercessão uns pelos outros na terra.

Portanto, se o leitor entendeu bem, a intercessão não atrapalha em nada a mediação de Cristo. Isso está provado.

Agora, vejamos mais: Mas a intercessão não pode ser feita pelos santos mortos, porque não são oniscientes e onipresentes, e não podem conhecer o que se passa na terra.

A resposta é que os mortos são limitados como criaturas, e o eram enquanto estavam vivos, e ainda assim intercediam pelos cristãos. Dessa forma, não é exigido nenhum atributo a mais para interceder. Ainda, deve-se provar que na morte eles deixam de sentir a necessidade de interceder pelos irmãos que deixaram, e que não podem conhecer o que se passa na terra. Não podendo fazer isso, a intercessão, como visto acima, está estabelecida.

Eis outro exemplo usado contra a intercessão dos santos. É dito que se se pede ao santo para que interceda a Jesus, isso supõe que Jesus não deve saber nada da sua vida.

Parece que o autor não entendeu que seu argumento volta-se outra vez contra a intercessão em si, contra o próprio ato de interceder em si: é o mesmo que usar o pedido de intercessão, como está em Romanos 15, 30, e afirmar que isso não é necessário, pois o apóstolo deveria saber que Jesus conhece a vida dele e sabe do que ele precisa, não necessitando que outros vão a Jesus e diga o que o apóstolo precisa. Isso é biblicamente um absurdo. Que o leitor entenda tal disparate.

Se o autor afirma que o vivo pode fazer isso, então a questão volta novamente à estaca zero, pois a objeção tinha sido quanto a não necessidade de outro interceder, e agora trata de quem é que pode interceder, o que são duas coisas diferentes. As duas objeções já foram refutadas.

Quando o cristão pede intercessão, isso não significa que ele mesmo não se dirija a Cristo diretamente. Não significa que ele não vai a Deus em Nome de Jesus. As duas realidades são bíblicas, pois devemos ir ao Pai, e ir a Cristo, e também pedir intercessão dos santos. E essa intercessão é válida sempre, tanto entre os vivos como entre os santos mortos na glória do céu.

Pedir em nome de Jesus (cf. João 14, 14) não quer dizer que não é necessário pedir a intercessão dos outros. Isso deve ficar bem entendido.

Imagine o argumento: Se Cristo nos dará qualquer coisa que pedirmos, porque precisaríamos da “ajudinha” dos irmãos para orarem por nós?

Está percebendo que essa objeção é usada contra a intercessão, e a intercessão é doutrina bíblica e admitida por todos? E depois que se estabelece a intercessão, então passa-se a dizer que somente os mortos é que não podem interceder, mudando a questão novamente? Ou seja, uma objeção é refutada e logo se cria outra.

Cristo dá qualquer coisa aos que pedem em Seu nome, mas nesse plano Ele inclui a intercessão dos santos. Essa é a doutrina bíblica.

São Paulo pediu que os cristãos de Roma combatessem com ele nas orações por ele a Deus. Ou seja, os cristãos são pedidos a rezarem a Deus pelo apóstolo. Então, é útil que outros orassem por ele a Deus. Não aparece algum pedido de intercessão dos santos já mortos, mas isso não significa que não existisse essa prática. Lembre-se que as epístolas eram escritas para tratar de alguma questão que estava sendo debatida, e os assuntos aparecem nessas circunstâncias. E, aliás, na intercessão dos santos não há qualquer proibição para pedir aos santos que já morreram, nem aos anjos. Assim, como não há qualquer passagem que afirme a intercessão somente dos vivos. Sendo que os argumentos foram refutados, a intercessão dos santos está estabelecida.

Quanto a Apocalipse 5, 8, mesmo não sabendo quem são, esses não são Deus, é óbvio, e portanto são criaturas. Sendo então, anjos ou santos, eles estão com orações dos santos da terra.

Assim, essas orações que estão com eles estão entre os cristãos da terra e Deus. Eles são medianeiros ali. No símbolo, as orações estão nas taças e eles a levam a Deus. Esse símbolo tem o significado de intercessão.

Se eles não sabem o que cada oração diz, se eles não têm ciência de cada caso específico em cada oração, eles apenas as tinham diante de Deus, conforme está na objeção, que o leitor aceite esse ensino: os santos da glória de algum modo recebem as orações e as apresentam diante de Deus.  Isso é o que ensina Ap 5,8, seja quem forem os anciãos apresentados. É uma prática que aparece explicitamente na Bíblia nessa passagem.

E, como é mais provável, os anciãos são salvos que já estão na glória do céu.

E, por final, Ap 6, 9-11 não diz nada contra a intercessão, mas apenas mostra que de alguma forma os santos mártires estão conscientes no céu e esperam a justiça de Deus contra os inimigos, enquanto descansam em Cristo.

Desse modo, nenhum argumento contra a intercessão dos santos conseguiu refutar a doutrina. Pelo contrário, foi mostrado como cada argumento está equivocado. Que o leitor desse capítulo possa continuar com fé em Jesus Cristo a pedir a intercessão de todos, dos santos da terra e dos santos do céu.


Gledson Meireles.

sexta-feira, 19 de julho de 2024

Mediação necessária de Jesus

Um protestante fez uma crítica ao que o padre Júlio Lombarde escreveu sobre a mediação de Maria. Abaixo o leitor encontrará uma explicação mais pormenorizada daquilo que o padre escreveu e de como foi entendida pelo protestante, e onde incorreu em erro o protestante. 

O padre Júlio afirma que Jesus é o único mediador em um sentido que não nega a mediação de Maria.

Depois explica que Jesus é o único mediador entre Deus e os homens, e Maria é medianeira entre Cristo e os homens. Ela tem mediação ministerial e dispositiva.

Isso explica tudo, mas o protestante não aceita. De fato, toda a Igreja é medianeira, tanto na terra como no céu, “todos os Santos são intercessores, Medianeiros junto ao Christo”, escreve o padre Júlio. E afirma logo a seguir, que essa é doutrina muito simples e muito lógica.

E de fato o é. Quem pode negar que somos intercessores? Ninguém pode negar que qualquer cristão pode pedir a Cristo em favor de outra pessoa. Ele não pode ir diretamente a Deus Pai, mas tem o dever de ir a Deus por intermédio do Filho, e por isso reza em Nome de Jesus. Assim, o que o padre está afirmando de Maria é que ela é intercessora como todos os outros santos. Afirma, também, que por ser mãe de Jesus ela é especial. Isso também tem toda a lógica bíblica, daquela que é bendita entre as mulheres. Maria é medianeira “na mesma ordem, que todos os Santos”, é preciso frisar.

Após isso, o padre Júlio explica o que é a mediação necessária e a mediação útil. Ele utiliza  argumentos para mostrar a lógica e o fundamento dessa mediação.

Ele usa de uma comparação, de Carlos de Laet, onde a água é necessária para a vida, e o encanamento que traz a água é útil. Podemos ir à fonte buscar água, mas não dispensamos o encanamento.

É claro que toda a comparação é limitada, mas faz todo sentido. Podemos ir a Cristo diretamente, mas não podemos dispensar a mediação útil de Maria, a mediação útil dos santos, a mediação útil de todos os irmãos na terra e no céu. É isso que o padre Júlio está explicando.

Mas, eis que o protestante raciocina de outro modo. A água é necessária, e nos vem até nossas casas pelo encanamento. Não há como ir buscar água na fonte, e sempre a temos por meio dos canos de água. Então, nunca podemos ir a Jesus, sempre necessitamos de Maria. Então, ao invés desse encanamento nos levar à fonte, ou trazer a fonte a nós, ele nos mantém longe da fonte.

Percebe-se por esse raciocínio que tudo foi mudado, e que a comparação da água com o encanamento tornou-se um modo herético de explicar a doutrina acima.

De fato, essa forma de explicação nega o que foi mostrado antes. De fato, foi dito que a mediação de Jesus é necessária, e que a Mediação de Maria é útil. O que é necessário não pode deixar de ser buscado, mas o que é útil o pode. Assim, em nenhum momento foi dito que a mediação útil de Maria, comparada ao encanamento deve ser sempre buscada, pois desse modo ela se tornaria necessária. Isso é mudar toda a explicação que o padre Júlio forneceu.

Ele utiliza a comparação para afirmar que é bom e mais conveniente, mais confortável, usar do encanamento, e com isso dizer que a mediação de Maria é muito boa, assim com a mediação dos santos. Nada mais do que isso. Não se pode, por meio da crítica, tornar a mediação de Maria necessária, quando a doutrina católica, e o que diz o apologista católico, foi justamente o contrário, pois mostrou que se trata de uma mediação útil, e que por isso pode não ser usada. Portanto, a forma de criticar essa límpida mensagem foi errônea, e por isso não a compreendeu.

Ainda, assim como não se destrói o encanamento por não ser necessário, mas útil, não se pode negar e combater a mediação de Maria e dos santos. Essa é a lição.

Também o caso do ministro que governa entre o presidente e o povo. Caso alguém peça à mãe do ministro um emprego, o ministro não ficaria ofendido por alguém não ter pedido isso diretamente a ele, mas teria o valor de pedido e de intercessão.

Essa comparação serve apenas para mostrar que a intercessão de Maria não ofende Jesus. É limitado o alcance da comparação, mas é útil, faz-nos entender melhor, e não se pode a partir dela tirar conclusões opostas ao que foi intencionado.

De fato, o protestante pensa o seguinte: o ministro não está disponível, é muito distante do povo, mas sua mãe pode fazer o pedido que desejamos. Então, isso torna, na comparação, Jesus alguém distante e difícil de ser encontrado, enquanto sua mãe é próxima e benevolente para interceder. Isso é o que o padre Júlio não disse, pois desse modo a intercessão da mãe seria necessária, pois ninguém poderia ir direto ao ministro, muito menos ao presidente. Dessa forma, a crítica protestante parece não entender a doutrina nem as comparações, e tenta usar as próprias comparações contra a doutrina.

Por fim, o padre Júlio explica que os santos são amigos de Deus e intercedem secundariamente. Isso é bíblico, isso é verdadeiro, isso é lógico. Os cristãos católicos têm o costume de apresentar-se a Jesus, acompanhados de Maria. Assim, o padre afirma que todos os católicos vão a Jesus, e quando o fazem por intercessão de Maria, estão indo a Cristo com Maria, por amarem-na, por crerem na sua intercessão, por quererem assim fazer, por sentirem que assim são muito melhor acolhidos, pois se com ela a fé do crente é aumentada, então essa mediação é muito benéfica. Esse é o ensino. A mediação de Maria e dos santos é útil, não necessária.

Mas, e quando se vai a Jesus sem mediação de Maria e dos santos? Isso já foi respondido, pois é perfeitamente normal, é o ordinário, é o necessário. Tenhamos o bom senso, ensinado nas Escrituras, de interceder por todos, e buscar a intercessão dos santos, o que é lógico, é bíblico, e não fere em nada a doutrina da única mediação de Jesus.

Gledson Meireles.

A descrição da missa na Apologia de São Justino

 

São Justino faz uma apresentação de como era a missa no seu tempo. De fato, é preciso bastante atenção, para não entrar em confusão

Naqueles tempos havia o ósculo da paz. Hoje temos o aperto de mão, no Brasil e em várias partes do mundo. Há momento de oração e, após isso, há a saudação entre os fieis, não sendo necessário, obrigatório, que seja o ósculo. então a cultura modifica esses pormenores.

Então, inicia-se o rito da missa. Apresenta-se ao celebrante “um vaso de água e vinho” e faz-se longa oração de graças. Essa longa oração não foi escrita por São Justino, mas já se tem ideia que se trata do rito eucarístico.

O povo responde Amém após a oração.

Os diáconos entregam aos assistentes, que hoje podem ser os ministros da sagrada comunhão, para que levem “aos ausentes” a eucaristia, que é “parte do pão, do vinho, dá água, sobre os quais se disse a ação de graças”.

Esse particular é importante: sobre os quais se disse ação de graças, ou seja, foram consagrados. Tornaram-se diferentes, santos, sacramentos, e por isso são levados aos ausentes, àqueles que não puderam participar. Esse costume existe na Igreja Católica nos dias atuais, adaptadas as circunstâncias, onde os ministros da eucaristia levam aos doentes e idosos e etc., a comunhão.

E São Justino explica: “Este alimento se chama entre nós Eucaristia”, e afiram que somente os que creem na doutrina ensinada na Igreja e são batizados é que podem participar. E quanto ao batismo, ele o chama de “banho da remissão dos pecados e da regeneração”.

Após isso, ele afirma que os elementos consagrados não são comida comum, e faz referência à encarnação de Jesus, operada pelo Espírito Santo, que é um milagre e escreve: “assim também se nos ensinou que por virtude da oração do verbo, o alimento sobre o qual foi dita a ação de graças”, esse alimento é a carne e o sangue de Jesus. Ou seja, assim como o alimento comum nutre o corpo, agora, após a consagração, esse alimento é o corpo e o sangue de Jesus. É o mesmo que dizer “transubstanciação”, em outras palavras.

Então, alude ao mandamento dado aos apóstolos de celebrar a Eucaristia.

Eis que, de modo explícito, o dia de domingo é apresentado como o dia por excelência, de costume da Igreja, para celebrar os mistérios, onde se leem a memória dos apóstolos ou os escritos dos profetas, que são as leituras da missa.

Depois da leitura, há a pregação, “o presidente faz a exortação”, que é a homilia atual. Depois desse momento há a consagração e a comunhão dos fieis. Há orações, e participação do povo, que responde às palavra do celebrante. Então todos comungam e os diáconos entregam a comunhão para serem levadas aos doentes. Também a oferta, para sustento da Igreja, que é oferecida livremente “os que têm, e querem”, para ajuda dos necessitados.

Tudo isso está na santa missa, em todas a suas particularidades, e não há culto protestante que segue esse ritual, a não ser os das igrejas que conservaram esse rito católico.

No entanto, o que o protestante afirma? Que há simplicidade nesse culto, que não foi falado das imagens, das velas, dos utensílios, do incenso, da oração dos santos, das ladainhas, etc., etc., etc., e não conseguem compreender que tudo isso não á parte essencial do rito da missa, e que São Justino está ali escrevendo o que acontece no principal culto da Igreja Católica, sem falar de como as igrejas eram ornamentadas e outras coisas. Além do mais, o escrito é do ano 165 d. C., aproximadamente meados do segundo século, e não se espera desenvolvimento igual ao que foi posteriormente feito, já que nesse período havia perseguição aos cristãos.

Que o leitor primeiro perceba o que está no texto, e reconheça a equiparação com o culto da Igreja Católica conservado em essência em todos os tempos, celebrado no primeiro dia da semana, seguindo um rito litúrgico, como mandamento dado por Cristo aos apóstolos.

Dessa forma, em linhas gerais, nessa apologia, vemos o dia de domingo como dia de culto cristão, a eucaristia, como transubstanciação, e a liturgia cristã católica essencialmente conservada em toda a história da Igreja. Os cultos protestantes, no geral, não possuem esses elementos assim distribuídos e nem a forma como são apresentados. A simplicidade buscada pelo Protestantismo não só fez mais austero o lugar de culto, mas também modificou a liturgia, de modo que não se parece como que São Justino apresenta, e o que os protestantes  que mais introduziram mudanças litúrgicas ainda conservam, é por motivo de sua origem na Igreja Católica.

Muitos protestantes, ao lerem essa Apologia de São Justino, não percebem o que ele está apresentando. Dessa forma, por causa das muitas árvores, eles não enxergam a floresta.

Gledson Meireles.

quinta-feira, 18 de julho de 2024

Livro: Sola Scriptura: a doutrina reformada das Escrituras, do reverendo Paulo Anglada

 

O autor afirma que a aceitação da Bíblia entre os protestantes evangélicos como regra de fé e prática estava passando por momentos difíceis. Nunca a Bíblia foi tão citada, nunca foi tão divulgada. No entanto, “nunca se desrespeitou tanto a Palavra de Deus como atualmente”, escreve Solano Portela em 1998.

Isso é interessante, pois os ataques à Bíblia no nível acadêmico foi fruto de estudos de teólogos protestantes. Esse uso das Sagradas Escrituras, constante e veementemente reafirmado nas igrejas protestantes, caminha ao lado de desrespeito, desconhecimento e ataques à sua verdade.

Na Igreja Católica não ocorre isso, e os teólogos que enveredaram pelos caminhos da alta crítica foram influenciados por essa onda de estudos protestantes.

É oportuno afirmar que no século 16, entre os protestantes havia grupos que diminuíam o valor da Bíblia, e os apologistas cristãos católicos saíam em sua defesa. De fato, a verdade da Bíblia é constantemente defendida na santa Igreja Católica Apostólica Romana.

Ao se referir ao fato do que acontecia no século dezesseis, o autor escreve que a Igreja Católica tem a tradição oral, os reformadores radicais tinha a palavra interior, outras denominações têm novas revelações do Espírito, e os reformados se fundamentam inteiramente nas Escrituras.

Diante disso, é preciso novamente lembrar que os teólogos e apologistas católicos naqueles tempos defenderam a Bíblia diante daqueles reformadores radicais que baseavam a doutrina na “palavra interior”, e exaltavam a Bíblia de modo máximo, como foi sempre praxe na Igreja Católica.

A diferença que há no Protestantismo oficial é que a Bíblia foi tornada única regra infalível de fé e prática, ao passo que na Igreja Católica a mesma é regra de fé em companhia da tradição e do magistério.

Gledson Meireles.

Livro: Autoridade Bíblica: Sobre a interpretação da Bíblia no Protestantismo: comentário a partir da introdução do livro Autoridade Bíblica pós-Reforma, de Kevin Vanhoozer

As divisões do protestantismo e sua unidade fundamental

O Protestantismo dilacerou a Igreja em incontáveis denominações. Fala-se de 38.000, segundo dados citados por Vanhoozer. É óbvio que tal número é criticado veementemente pelos apologistas protestantes.

Na reforma religiosa iniciada por Martinho Lutero surgiram os luteranos, mas também os calvinistas, os wesleyanos, os zwuinglianos, os menonitas e outros. O que isso tem de importante? Não são todos cristãos? Não estão todos unidos na fé comum em Cristo, nas doutrinas fundamentais? De fato não. Esse pensamento é posterior, e não o do século 16. Vanhoozer tenta resolver esse dilema.

Naqueles tempos as disputas eram acirradas por questões relativas à eucaristia, como ocorreu entre Lutero e Zwínglio, o que não é o mesmo que ocorre hoje entre luteranos e batistas, por exemplo.

No entanto, é um fato que existem hoje protestantes que não consideram luteranos como protestantes, o que é algo formidável, já que os primeiros protestantes são desconsiderados por aqueles que nasceram da reforma radical, que é posterior. Há ainda batistas que não se consideram protestantes.

A verdade é que há desacordo em pontos diversos de fé e prática, como menciona o autor acima. E podemos dizer que são pontos importantes. Mas, eis que a apologética protestante atual frisa a unidade nos pontos fundamentais. Até isso é algo novo, e bastante compreensível. De fato, há certa unidade entre os protestantes nesse âmbito, mas quanto mais se procura uma base comum, mais estamos unidos, todos os cristãos, incluindo os católicos, embora os protestantes em geral não intencionem incluir católicos romanos nessa unidade que defendem.

Por isso, devem tentar entender onde está o erro quando procuram justificar essa unidade nas doutrinas fundamentais, que na verdade não é uma unidade tão satisfatória como parece.

 


A busca da unidade verdadeira


Vanhoozer procura estabelecer o lugar para se encontrar a unidade de fato. Ele faz um estudo onde busca tirar as ideias que dariam a unidade à Igreja nos cinco solas da reforma protestante.

O protestantismo continua com a ideia de alcançou a liberdade em todos os níveis, como a acadêmica, onde a crítica especializada foi alcançada na teologia, o  que possui o antídoto contra o dogmatismo católico romano. Essa ideia é atual e também é o que o protestante procura manter.

Os protestantes certamente pensam que a apologética católica é algo fraco, pueril, sem fundamento, e que não há alguém biblicamente formado que possa dar ouvidos aos argumentos católicos.

Essa é a posição e alguém que de fato entendem o mínimo de catolicismo possível, pois é justamente o oposto: a Igreja Católica possui a doutrina eminente de toda a Cristandade. Em todos os campos, quanto mais se aprofunda em determinado assunto, mais se aproxima da verdade, e assim mais se está próximo da Igreja Católica.

 


Protestantismo luterano


Um fato, já mencionado antes, aparece no livro de Kevin Vanhoozer e pode ser de interesse de muitos.

O luteranismo, que é o protestantismo original, é considerado academicamente como segundo desabrochar do medievalismo que levou indiretamente  ao novo protestantismo.

No Brasil o pentecostalismo e o neopentecostalismo, e também batistas e presbiterianos, e outros, são os crentes conhecidos. O luteranismo passa quase despercebido. É isso apenas um sintoma dessas ideias acima relatadas.

Isso se deve ao fato de que os luteranos, por estarem na proximidade maior no tempo e na doutrina, ao catolicismo, são considerados aqueles que não levaram a reforma tão longe quanto deveriam. São muito parecidos com os católicos em sua espiritualidade.

Dessa forma, se alguém volta às fontes do protestantismo, esse estará mais próximo do luteranismo, e, por sua vez, mais perto do catolicismo. É inevitável.

Os luteranos creem na justificação pela fé, no livre exame, nos solas etc. São eminentemente protestantes. Mas pasmem: admitem uso do crucifixo, creem na virgindade de Maria, etc. E na apologética atual os protestantes acreditam que é algo claro e simples que Maria teve outros filhos, usando o mesmo livre exame. Basta esse fato notório para mostrar que o que não há é a tal simplicidade e clareza quanto a esse assunto na Bíblia.

 


O resultado do livre exame


Os puritanos tentaram moldar uma nova espiritualidade entre os protestantes. No entanto, entre eles surgiram problemas doutrinais e práticos, não alcançado consenso interpretativo. Apareceu entre os protestantes aqueles que defenderam a heresia antinomianista, chamada de “livre graça”.

Certa mulher protestante, em 1636, interpretando a Bíblia, se opôs aos líderes da igreja. Obviamente, foi expulsa. Mas, não estão todos livre para interpretar a Bíblia? Contudo, esse método dificilmente gera unidade. E o resultado: dissensões.

Lutero fez o mesmo em relação ao clero católicos, pois cria que sua interpretação era superior. Logo apareceram outros, como o padre Zwínglio, mais radical, acreditando ter a assistência do Espírito Santo, e chegando a conclusões opostas à de Lutero em determinadas questões.

Tudo isso levou os protestantes à busca de maior preparo teológico acadêmico unido á busca da assistência do Espírito Santo, o que é louvável, razoável, correto. Mas, não é isso mesmo que a Igreja Católica sempre ensinou? Desse modo, vemos o que as controvérsias nas alas protestantes logo dão lugar ao sentimento de reforma, e essas encontram conformidade com s princípios católicos que tinham abandonado.

 


A Igreja Adventista do Sétimo Dia


O adventismo estuda diligentemente as fontes do protestantismo. É um movimento de reforma dentro da reforma. Portanto, é oriundo das alas radicais.

Seguindo o princípio de igreja sempre em reforma, os adventistas chegam a doutrinas nunca antes cridas. No entanto, isso é esperado, já que são adeptos do sola scriptura.

Nesse ponto, adventistas se aproximam mais dos históricos batistas do que dos luteranos. E assim no geral, estão mais longe do catolicismo. No entanto, por serem devotados estudiosos da Bíblia, em muitos pontos estão próximo da doutrina católica, como a questão referente aos dez mandamentos, ao dia de repouso e culto divino, na reforma da saúde, etc.

 


Crise de interpretação entre os protestantes

            É óbvio que os protestantes creem na unidade nos pontos fundamentais. Mas Vanhoozer menciona o fato de que existe proliferação de opiniões e desacordo sobre praticamente o conteúdo inteiro da Bíblia. Isso é uma tremenda desunião.

            Para resolver isso, Vanhoozer acredita que é preciso distinguir entre a pluralidade negativa de interpretações e aquilo que chama de biblicismo ingênuo, colocando em seu lugar uma pluralidade interpretativa de unidade. Isso é o máximo que um protestante consegue fazer, pois já beira à unidade católica, se os equívocos do caminho forem retirados e a via solucionada corretamente.

            Vanhoozer tenta chegar à unidade ao desenvolver corretamente, na perspectiva protestante, as premissas sola scriptura e unidade protestante.

            Lembremos que Lutero chegou, razoavelmente, a entender a necessidade dos líderes religiosos e instituições para a correta interpretação da Bíblia. Ele usou o bom senso. Contudo, não é isso o que a Igreja Católica sempre ensinou, e que foi por ele abandonado?

Então, fica a questão de McGrath citado por Kevin Vanhoozer: quem autorizou essas autoridades? O protestantismo tem esse problema para resolver.

 

De quem é a autoridade teológica?


Se todos são sacerdotes, então todos interpretam bem a Bíblia. Se um membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia, por exemplo, já que estamos estudando o adventismo, se um membro dessa igreja encontra algo na doutrina oficial com o qual não concorda, e apresenta sua interpretação bíblica e os argumentos contrários ao ensino da igreja, e o passa ao pastor, aos líderes, às autoridades da denominação, etc., o que espera com isso? Logicamente, que sua interpretação seja acatada. É o mínimo.

Caso não aconteça, e o mesmo não fique satisfeito com a argumentação oficial, certamente isso causará descontentamento e, possivelmente, futuro desligamento desse membro.

No entanto, o que foi que serviu de autoridade teológica? A Bíblia, diria o leitor crente inconformado. Mas, eis que em última análise foi sua própria autoridade que prevaleceu, a sua leitura individual foi preferida, e a autoridade da denominação, com sua história, tradição e líderes bem preparados, que reunidos em consenso escreveram as doutrinas para apresentá-las aos membros, essa autoridade foi rechaçada. Esse problema é previsto no protestantismo.


A unidade eclesial

Quem detém a interpretação válida? O que torna a interpretação de uma pessoa ou de uma igreja mais autoritativa do que a de outra?

Essas questões que Vanhoozer coloca em seu livro são importantes. Cada igreja tem sua autoridade, e cuida da doutrina e da prática dos seus membros, para que haja unidade.

No entanto, cada uma pensa estar em posição melhor do que a outra. De fato, quem pensaria estar em posição pior e ainda continuaria a defender a doutrina que defende? O luterano pensa estar correto onde diverge do presbiteriano. O batista crê que o seu batismo é o verdadeiro, e não o luterano e presbiteriano. O pentecostal acredita que aquele que nega a continuidade dos dons está em erro. O calvinista crê que não existe o livre-arbítrio, a não ser o livre-arbítrio determinado, é claro. E isso o faz crendo que está correto, e que o arminiano está em erro. O advenstista crer que o sábado é o dia que deve ser observado, e que Ellen White é profetisa, e que há um juízo pré-advento, e que as almas não existem, e que os ímpios serão aniquilados, e nisso acredita que está correto, e que os demais protestantes que creem na imortalidade da alma, no inferno, e etc., estão errados. Qual a interpretação válida? Todas? Não pode ser.

E a tradição

Certamente é isso que no momento preocupa. Vanhoozer tenta olhar para trás para repetir, a fim de reformar. Isso é de certo modo reconsiderar o papel da tradição, que o Protestantismo admite.

Mas, será que ainda assim a tradição protestante garante a unidade e é o correto entendimento em toda a questão da autoridade e intepretação bíblica?

Vanhoozer acredita que a interpretação bíblica no Protestantismo não é anárquica. Olhar para trás para revitalizar a interpretação bíblica. Não seria isso voltar á tradição como Palavra de Deus, infalível, como está na Igreja Católica? De fato, o Protestantismo possui um lugar de estima para a tradição, mas essa é sempre crida como falível, em submissão à Bíblia, que por sua vez será interpretada pelos leitores crentes.

Pode-se vislumbrar aí o problema que Kevin Vanhoozer tem para resolver, ao recolocar a tradição como autoridade nesse sistema de autoridade e interpretação da Bíblia.

Como protestante, o teólogo Vanhoozer buscará a unidade fundamental e tentará justificar as discordâncias secundárias e terciárias. Não seria o mesmo problema de antes, onde a questão: quem define o que é ou não é primário, secundário, terciário? E o problema é difícil para o protestante resolver.

 

Sacerdócio real dos crentes

E os cristãos católicos, não são eles considerados pelos protestantes como também parte do sacerdócio real dos crentes? Sendo assim, a Igreja Católica é, na perspectiva de Vanhoozer, o local onde Cristo atua, governa e concede dons para a construção do Seu Corpo místico? Ou isso é negado pelo teólogo? Se não, então o problema do Protestantismo sobre a autoridade e interpretação da Bíblia continua bastante difícil de resolver.

O protestante está atualmente se inclinando a estudar e entender melhor a catolicidade da Igreja. Deseja ser protestante católico, por assim dizer. Isso também é sinal de maior compreensão bíblica, e assim maior proximidade da Igreja Católica.

 

Importância do Protestantismo

Como Protestantismo a Igreja Católica foi forçada a definir sua doutrina em muitos pontos, a formar melhor o clero, a reconsiderar muitas práticas, a reavivar o espírito do evangelho nos cristãos católicos de então.

Que os protestantes aprendam com as denominações do Protestantismo e conheçam a fé católica da qual todo o Protestantismo brotou.


Gledson Meireles.

quarta-feira, 17 de julho de 2024

Para refletir:

 

Quando alguém pensa estar muito firme na sua fé, como um protestante em relação à fé católica, por exemplo, que não precisa de mais nada, que está bastante confiante e não tem dúvidas daquilo que acredita, tendo estudado e debatido temas, ponderado argumentos pró e contra, de forma a não ter qualquer vestígio de dúvidas quanto ao que crê, essa pessoa dificilmente se abrirá a um verdadeiro diálogo e certamente não estará disposto a lidar com argumentos que, em sua concepção, já está rebatidos. No máximo pode aceitar conversas e levantar argumentações sobre temas, mas não com uma curiosidade para aprender mais.

Se você, leitor protestante, for alguém assim, é possível entrar em diálogo se você esforçar-se para fazê-lo (e é necessário esforço), considerando sua posição, ainda que não tenha dúvida quanto a ela, e abrindo-se verdadeiramente a novas experiências e ideias, tentando entender a forma como o outro entende determinado assunto.

Gledson Meireles.

A interpretação adventista de Apocalipse 14

 Texto será revisado.


Apocalipse 14 – As três mensagens angélicas

 

O capítulo tratará do juízo, a queda a Babilônia e os mandamentos de Deus.

A palavra profética não abandona nas provas e dificuldades. O autor faz alusão do capítulo 13 que ensinaria o decreto apoiado pelo poder supremo da Terra, para adorar a imagem e a besta.

O grupo dos 144.000 de pé com Cristo no monte Sião, no céu. O livro adventista afirma que essa imagem profética dá a certeza de que na hora do conflito há garantia do livramento e não só isso, mas que o livramento será imediatamente concedido.

Isso significa que no momento em que tudo ocorrer, o livramento será dado e o povo de Deus irá para o céu. No entanto, a interpretação é de que os 144.000 são o povo do fim, que estarão vivos quando Cristo voltar, e não passarão pela morte.

Tendo em vista que somente os 144.000 possuem certas prerrogativas no livro do Apocalipse, esse entendimento restritivo é problemático, já que sabemos que esse número indica, diante de uma boa exegese, todo o povo de Deus. Sendo assim, sabemos que desde os tempos dos apóstolos todos os fieis imediatamente recebem o livramento quando passam pela morte e vão habitar com Cristo. Dessa forma, é necessário crer na imortalidade da alma.

Na mensagem os 144.000 mil e a grande multidão são figuras da Igreja universal, composta por judeus e gente de todas as nações. É também a Igreja do fim, pois a profecia abrange toda a era messiânica. Assim, os 144.000 são símbolo da Igreja.

Na interpretação de Uriah Smith, os 144.000 estarão vivos na vinda de Jesus, estão na sexta etapa da Igreja, que é Filadélfia. O autor escreve: “Paulo labutou de todas as maneiras para alcançar a ressurreição dentre os mortos (Fl 3:11).”.

Isso é verdade, mas também é verdadeiro que São Paulo preferia não morrer, e ser encontrado vivo na Parusia, o que está escrito em Filipenses 1. Se a redenção entre os homens é a trasladação, São Paulo deseja participar dela na vinda de Cristo.  Portanto, é preciso entender que o desejo do apóstolo era ser glorificado em vida. Caso não, almejou tanto a ressurreição dos mortos.

São Paulo tinha a certeza de que Cristo seria glorificado (exaltado, tornado grande, em grego: μεγαλυνθήσεται) em seu corpo, quer pela sua vida ou pela sua morte (Fl 1, 20). Para ele, o viver é Cristo e o morrer é lucro (v. 21).

Assim, a vida de São Paulo estava em total união com Cristo, e a morte era tida como algo maior, como lucro. A palavra grega κέρδος significa lucro, ganho, e é realmente usada no sentido de ganho, de vantagem, de lucro. Dessa forma, a morte não significa inexistência, mas presença com Jesus Cristo.

Então, ele afirma que se “viver na carne” (ζῆν ἐν σαρκί), ou seja, no corpo, pois a carne aqui tem o sentido de natureza humana, e não de pecado, e se refere naturalmente ao corpo humano, como em outras passagens, se isso é necessário, então sentiu-se pressionado pelo desejo de desprender-se/partir ou ficar.  Então, se viver na carne, ou seja, estar vivo, é proveitoso, ele persuadiu-se disso e soube que ficaria vivo (v. 24).

Os 144.000 cantam um cântico que somente eles podem cantar. Se o grupo é restrito a alguns, então somente esses seguiriam a Cristo onde quer que ele vá, e outras bênçãos que entrarão em contradição com passagens do Apocalipse.

Se seguem o Cordeiro como sinal do “seu estado redimido”, podemos afirmar que todos os salvos possuem esse mesmo estado. Então, os 144.000 se refere a todos os salvos.

Também, Cristo não somente apascentará e guiará um grupo especial, mas a todos os redimidos. Se são primícias, no sentido de um grupo específico, contradiria a revelação de que os salvos são essas primícias, e o próprio texto citado de Tg 1, 18 prova isso.

Talvez sirva para melhor esclarecer esse tema, que os primeiros frutos, que são as primícias, são os salvos em geral, significando a Igreja inteira, e não somente os últimos que estarão vivos por ocasião da volta de Jesus. São eles também e não somente eles.

Eles são contados a partir da contagem de Israel, que é simbólica, formando com essa, uma grande multidão. Dessa forma, não se pode afirmar que os 144.000 são apenas os que serão trasladados sem passar pela morte, mas que são todos os salvos de todos os tempos.

Também é dito, na mensagem adventista, que esse grupo pode também vir de outras igrejas, que após certo tempo perceberam que seria pecado permanecer nelas.

A primeira mensagem. Deve-se perguntar se isso já não ocorreu, e afirmar que os salvos já estão no monte Sião celestial com Cristo. Desde o início da Igreja, com tantas tribulações, os primeiros cristãos foram confortados com a mensagem apocalíptica, e, por isso, já estão na bem-aventurança. A Igreja de todos os tempos recebe a mensagem.

Não se pode pensar que essa promessa ainda não ocorreu.

No adventismo esses anjos são interpretados como simbólicos. De fato, a pregação do evangelho não foi confiada a anjos literais, mas a seres humanos. Então, cada anjo “simboliza um grupo de mestres religiosos.” É uma interpretação curiosa. E está correta, pois também é interpretação católica de que o anjo dos versos 6 e 7 simboliza os pregadores do evangelho.

Ainda, admite-se que pode haver anjos que supervisionam cada mensagem. Seriam três mensagens. A mensagem deve constituir o grande tema de interesse, as pessoas prestarão a mais ávida atenção.

Os apóstolos não teriam afirmado que a hora do juízo havia chegado, e se o fizessem não seria verdadeiro. Mt 10, 15; 11, 21-24; At 17, 31; At 24, 25; Rm 2, 16; 2 Cor 5, 10; Tg 2, 12; 2 Pd 2, 4; Jd 6; 2 Pd 2, 9. Assim, o adventismo rejeita a ideia de que a pregação sobre o juízo tenha sido pregada no tempo dos apóstolos e pelos reformadores protestantes.

Interpretação da besta “sem sombra de dúvidas, à besta papal”, que irá para o lago de fogo quando Cristo voltar.

Essa interpretação adventista não tem o respaldo bíblico, pois o papado é instituição cristã e não poderia nunca ser simbolizado pela besta.

A interpretação de Guilherme Miller, em 1831, é ratificada pela IASD, e rejeitada somente em um ponto vital em que ele teria errado. Houve despertamentos religiosos nesse tempo nas igrejas protestantes. Os anos de 1840 a 1844 foram de intensa atividade e progresso nessa obra, afirma Uriah.

Os adventistas desse tempo criam que estavam no movimento representado por Ap 14, 6-7 e que estavam proclamando a mensagem ali descrita. Mas, podemos afirmar que a mensagem do juízo é pregada em todos os tempos da Igreja. Pode-se ver isso quando João Batista, o profeta que anunciou a chegada de Jesus, afirma que o machado está posto à raiz das árvores (Lucas 3, 9) e que Jesus limpará a eira e recolherá o trigo (Lucas 3, 17). Trata-se do juízo futuro, mas o machado posto à raiz já indica que teve início.

Se os pregadores da vinda de Cristo em 1844 foram todos do meio protestante, nenhum católico esteve envolvido na mensagem, pois Cristo garantiu que ninguém sabe o dia e a hora da sua vinda, e se a vinda não aconteceu, temos evidências da verdade católica. É mencionado o Dr. Joseph Wolff que pregou a iminente vinda de Jesus ao mundo “a todas as denominações”. Certamente, não à Igreja Católica, que não deu ouvidos a essa mensagem por entendê-la em desacordo com a mensagem do evangelho. E o Protestantismo em geral certamente também não.

A advertência mundial de juízo, a cadeia profética de Dn 2, 7, 8, 11 e 12 e Mt 24, Mc 13 e Lc 21, e Ap 11, 12 e 13, teriam se cumprido nesse tempo de 1844. Mas, afirma-se que a pregação de São João Batista foi breve e limitada em território. E que o anjo, assim como em Ap 10, anuncia o fim dos períodos proféticos e o pouco tempo que resta. Pois bem, o juízo inicia antes. É claro, pois os santos no céu já participam dessa etapa. Ainda, quando Cristo vier para executar o juízo, como afirma Uriah Smith, citando Jd 14-15; Ap 22, 12 e 1 Tm 4, 1, os mortos, todos eles se levantarão. Não se diz que uns ímpios ressuscitam com os salvos, e que outros ímpios ressuscitarão somente no fim do milênio em outra vinda de Jesus e outro juízo.

 

O Pai preside a obra do juízo desde a ascensão de Cristo. Não se pode afirmar que tenha iniciado mais tarde, como em 1844. Esse juízo, que os mártires pedem em Ap 6, 9, está em execução desde o tempo apostólico. Cristo, o Sumo Sacerdote, já foi coroado rei na ascensão.

A purificação do santuário (céu) com o sangue de Cristo, não da terra com o fogo na vinda de Cristo. Simbolizado em Ap 10, 10 com o amargor do livrinho. E Dn 7, 13-14 e Mt 25 é interpretado sendo o início do juízo, e não da vinda de Cristo, pois essa deve preceder as bodas. Então, explica-se assim a parábola de Mt 22, 1-13. Antes das bodas o Rei vem para vem se os convidados estão devidamente trajados com as vestes nupciais. E afirma: “Mas essa questão de estar pronto para o reino só pode ser determinada por meio do juízo investigativo que ocorre no santuário.”.

 

A parábola de Mateus 22, 1-13 é uma comparação do rei que celebra as bodas do seu filho. Envia o convite, mas os convidados não quiseram vir. Trata-se dos judeus que rejeitam o chamado, e dos gentios de todos os tempos que fazem o mesmo.

 

No meio da parábola, verso 7, há um castigo, em que o rei envia suas tropas e mata os assassinos do seus servos e incendeia a sua cidade. Lembra a destruição de Jerusalém em 70 d. C.

 

Então, “maus e bons” entram na festa (v. 10). Isso não pode significa uma entrada literal no céu, pois não entra nada de impuro no reino dos céus. Também não parece com o juízo investigativo, onde não há ninguém, mas apenas os registros nos livros celestiais sendo examinados. Assim, esse é o momento em que todos entram na Igreja terrestre, onde há bons e maus, convertidos e não convertidos, praticantes e não praticantes, fieis e infiéis ao evangelho. Todos podem entrar na Santa Igreja Católica, mas somente os que creem e obedecem estão com as vestes nupciais. Por isso, a chegada do rei para ver os convidados é a vinda de Jesus Cristo para julgar os vivos e os mortos, e nessa ocasião Ele julga os vivos e retira os que são intrusos na Igreja.

 

E a parábola de Mateus 25, afirma no versículo 13, que todos devem vigiar por não saber o dia e a hora, indicando ser assim a vinda de Cristo, e não um juízo investigativo que seria expresso por sinais, pois a vinda de Cristo seria invisível no céu, de um compartimento para outro, para iniciar o trabalho de purificação do santuário. Essa doutrina não pode ser vista na parábola, pois a mesma indica a vinda de Jesus e encerra mostrando que não há conhecimento sobre o dia e a hora sobre o que mostra o conteúdo da parábola.

 

Os dois exemplos, aqueles das bodas e Mt 22, onde entram bons e maus, e esse de Mt 25, onde as virgens preparadas entram, são duas formas de ensinar a mesma mensagem. Ainda, quando o verso 13 de Mateus 25 afirma que não há revelação para o dia e a hora, ninguém saberia quando iniciou-se um juízo de investigação, não podendo afirmar que se deu no dia 22 de outubro de 1844, nem podendo precisar a hora, pois são elementos desconhecidos: Vigai, pois, porque não sabeis nem o dia nem a hora. Na mesma parábola onde se exemplifica a doutrina do juízo de investigação está escrito que ninguém sabe o dia e a hora do mesmo, o que invalida, pelo contexto, a doutrina.

 

Muitos estão na Igreja como as virgens sem o óleo. À espera do Noivo que demora, podem adormecer, com todos o podem, mas ao chegar o noivo devem todos estar preparados com o azeite para as lâmpadas. Dessa forma, não poderão entrar com o Noivo quem estiver com a vela da fé apagada.

 

A segunda mensagem. Essa é a mensagem da queda da Babilônia. A cronologia da mensagem é determinada pela cronologia da primeira.

 

O adventismo entende que Babilônia não pode ser a cidade de Roma, não podendo representar o Império Romano, como ensinam os intérpretes cristãos católicos.

 

Em primeiro lugar, afirma que Babilônio “não se restringe” à Igreja Católica. De fato, não pode nem restringir-se, nem o pode ser. De fato, a Igreja Católica nunca se assemelhou em nada com “confusão”, para lembrar da etimologia da Palavra.

 

Mas, o adventismo afirma que não se restringe, porque a partir da Igreja Católica é entendido que as igrejas protestantes são as filhas, como está em Ap 17. Se Ap 18, 4 afirma que o povo de Deus deve sair da Babilônia, então o adventismo afirma que não pode ser a Igreja Católica, pois do contrário seria a única onde o povo de Deus estaria ali sob sua jurisdicação. O Protestantismo estaria excluído.

 

Também não poderia ser a cidade de Roma. Não seriam os sete montes literais, mas as sete cabeças e a mulher são simbólicos. Se as sete colinas indica que há fluxo temporal, a interpretação católica sobre os imperadores romanos faz sentido. De fato, essa interpretação leva a mensagem e a fez ter sentido para os primeiros cristãos, que viviam no tempo dos apóstolos. Mas, essa não é aceita pelo adventismo.

 

Se cabeça é governo e monte é um reino (cf. Dn 7, 6; Dn 8, 22; Dn 2, 35; Jr 51, 25). Os reis sucessivos seriam “forma de governo”. O trono do Dragão do capítulo 12 foi transferido para o da besta no capítulo 13.

 

Argumento adventista: “Além disso, Roma era o trono do dragão do capítulo 12, e este foi transferido para a besta (Ap 13:2), tornando-se assim o trono da besta. Mas seria uma mistura singular de símbolos pegar o trono, sobre o qual a besta se assenta, e transformá-lo em uma mulher que se assenta sobre a besta.”

 

Babilônia não poderia ser Roma pois depois da destruição seria habitada por demônios, covil de espírito imundo, ave detestável. Mas, de qualquer forma, o argumento não foi feliz, pois é de fato um símbolo do Império Romano a sua capital, onde está a Igreja, que na destruição é convidada a sair dela.

 

A interpretação assumida no adventismo é que “Babilônia significa a igreja apostatada universal”. Se Babilônio são vários corpos eclesiásticos, a interpretação recai de fato contra ao Protestantismo. E, ainda, não pode incluir o Catolicismo.

 

Babilônia e o sangue dos mártires (cf. Ap 18, 24). Trata-se do Império Romano. Essa interpretação da “igreja universal em seu estado de mundanismo”, para incluir o Protestantismo, é de natureza batista, que vê negativamente os governos, lembra com vigor as perseguições, durante a história, e por ser minoritário, o grupo batista não foi religião estatal. Isso é herdado na interpretação adventista.

 

O Dragão seria o paganismo, a besta “a apostasia romana”, a terceira divisão seriam as filhas. Depois há a interpretação da outra besta. Guerra, opressão, conformidade com o mundo, tudo isso é encontrado no Protestantismo, como afirma o autor adventista, assim como vendas de cargos eclesiásticos, etc., com confusão, divisão em credos contraditórios etc. Encontra-se aqui o que o Protestantismo tradicional não admite, e é o mesmo que tende a tratar os adventistas como seita. Nesse ponto, os tradicionais entendem certas doutrinas estranhas no adventismo, e os coloca no rol das heresias, como faria os católicos, para os quais a IASD é apenas mais uma igreja protestante. E do lado dos adventistas, eles percebem os erros tamanhos que o Protestantismo geral contém, como os católicos apologistas muitas vezes apontam com razão. Assim, como o Catolicismo está em uma posição bastante sólida no evangelho, pode perceber o que outros não podem.

 

Afirma o autor adventista, que a Igreja verdadeira é uma virgem casta (cf. 2 Cor 11, 2). De fato, basta ver como a Igreja Católica, com os papas, se põe sempre contra os erros do mundo. Mas, se o Povo de Deus está na Babilônia, se trata de fato da cidade de Roma literal no Império Romano. A queda do Império foi predita, e depois veio sua destruição. Apenas em sentido secundário se pode espiritualizar, como fazem os intérpretes.

 

Interessantemente, ao afirmar que se a Babilônia caiu por ter seduzido as nações com suas falsas doutrinas, e se a Babilônia é o poder o do papa, isso não seria historicamente plausível, pois o poder temporal do papa é conservado pela doutrina que a Igreja ensina a todas as nações. A perda do poder civil de Roma não fez da cidade morada de demônios. E o poder temporal do papa não seria causa adicional para o “povo” sair do seu meio. Então, conclui-se, seriam as falsas doutrinas. É nesse ponto que o adventismo cai, pois em nenhum momento pode provar que o Catolicismo ensine falsa doutrina, embora possa apontar isso em denominações protestantes.

 

São citadas doutrinas como o milenarismo, o batismo por aspersão (essa ênfase é outra herança batista), a mudança do sábado para o domingo, a imortalidade da alma, o céu, a vinda de Cristo literal, rebaixamento do padrão de espiritualidade ao pó. A imortalidade da alma é provada cabalmente no livro A imortalidade da alma não é lenda

 

E afirma: “Há séculos, o catolicismo está no ponto mais baixo possível da escala em que uma igreja pode afundar.” Na perspectiva adventista o nível moral da Igreja Católica estava muito baixo, e o Protestantismo devia ser a parte da Babilônia que devia cair “moralmente”. Dessa forma, como igreja protestante, a IASD deve honrar suas origens, e crer que o trabalho da Reforma foi “nobre”, e por isso o nível moral das denominações protestantes era alto. Assim, paganismo, catolicismo e protestantismo seriam três divisões da Babilônia. Quando houve a queda moral da terceira parte, as igrejas protestantes, houve anúncio da queda.

 

Em 1844 houve proclamações de jejuns e oração pelo “retorno do Espírito Santo”. E menciona que houve reavivamentos em 1858. O padrão de piedade, no entanto, estava afundando.

 

Na Igreja Católica, em 1854 foi proclamada a Imaculada Conceição de Maria, e em 1858 ocorreu a aparição da virgem Maria em Lourdes, na França, que mencionou o dogma. Muitas conversões e a piedade geral crescia entre os cristãos católicos na França.

 

“O Independent, de Nova York, em 3 de dezembro de 1896, publicou um artigo de D. L.           Moody, do qual foi retirado o trecho a seguir: “Em uma edição recente deste jornal, vi páigna 486”

 

A situação das igrejas protestantes era de um torpor muito intenso, segundo mensagem de 1896, do artido de D. L. Moody, onde igrejas congregacionais e presbiterianas, as mais eminentes, não receberam nenhum membro por profissão de fé em 1895, como sinal de que não havia conversões nesse tempo.

A mensagem do anjo seria dirigia à Babilônia, em sua parte protestante, onde haveria mais membros do povo de Deus, “de maneira principal”, como diz o livro adventista. Entende-se que por ter doutrina mais pura, o Protestantismo possui mais pessoas genuinamente cristãs e que são chamadas a sair da Babilônia e se tornarem adventistas, ou seja, receberam a mensagem presente, o evangelho eterno pregado pelos adventistas do sétimo dia. Os protestantes convertidos que se encontram nas igrejas protestantes são convidados a sair da Babilônia, segundo mensagem adventista com base em Ap 18, 1-4. Os adventistas entendem que serão perseguidos por outros protestantes.

As mensagens de Ap 14 estariam completas agora, a primeira, a segunda e a terceira, segundo veiculadas pela Igreja Adventista do Sétimo Dia, onde a mesma afirma que a Babilônia caiu, que o juízo começou, entendendo ser o juízo investigativo de todos os pecadores, enquanto as almas dos santos estão estariam descansando em Deus, não existindo de fato.

Quanto a isso, a Igreja Católica possui mensagem eterna em toda a sua existência, principalmente para o tempo do fim, já que o evangelho tem suas nuances e ênfases que se aplicam a determinadas fases da história da salvação.

Desse modo, deve-se dizer, é preciso crer na doutrina de sempre, onde os santos estão no céu com Cristo e Deus Pai e o Espírito Santo, aguardando o grande dia do juízo e da inauguração do reino, e que acompanham, em suas almas imortais e conscientes na glória do céu, junto com os anjos, a história da Igreja na terra, e conhecem o juízo particular que é realizado na hora da morte (cf. Hb 9, 27) e estão preparando para julgar o mundo com Cristo, até mesmo os anjos que pecaram. Assim, a Igreja que já triunfou está com Jesus no céu e já reina com Ele, de certa forma, na dispensação cristã.

Por isso, o juízo que ocorre no presente, desde a ascensão de Jesus ao céu até a parusia, é o juízo particular das almas, onde cada um recebe salvação ou condenação. Os santos exercem função sacerdotal no céu em Cristo, orando pela igreja na terra e adorando a Deus, com suas vestes brancas, enquanto esperam o dia da feliz ressurreição.

Dessa forma, a mensagem católica deve ser crida, professada, guardada, diante de todos, para que creiam em Jesus Cristo nessa feliz esperança.

Na perspectiva dos adventistas, a igreja protestante precisa ser mais purificada, e deixar os “erros e superstições papais”. A mensagem da vinda de Cristo pregada desde o século 19 pelos adventistas deveria ter corrigido os males entre os protestantes se eles tivessem aceitado a mensagem, mas não aceitando, ouviram a segunda mensagem e caíram moralmente, indo para um caminho pior até a adoração da besta e do recebimento da sua marca.

Isso mostra que na mensagem adventista os protestantes que negaram a tal mensagem poderão ser enganados e cair no erro da babilônia “papal”. Dessa forma, entende-se que é uma doutrina radicalmente anti-católica. No entanto, biblicamente a doutrina católica é pura e sã, de forma que pode-se a partir dessa realidade dialogar com os irmãos adventistas sobre isso. Uma boa forma é ler o livro que prova a imortalidade da alma refutando todas as objeções feitas a essa doutrina.

Para os católicos, a mensagem de Apocalipse 14 é a mensagem da Igreja que será anunciada no tempo do fim, mas que não é algo que historicamente só tenha iniciado em determinada data e que o texto sagrado tenha ali seu cumprimento. De fato, entende que essa mensagem inicia-se no tempo dos apóstolos e perpassa a história em ciclos que vão se desenvolvendo até o dia do juízo final, de modo que seu cumprimento final é o que está exarado na profecia. Esse modo de entender é outro em comparação com a única forma que os adventistas admitem, que é o método historicista. A refutação a esse método, como se pode ver, não é feita diretamente a ele, mas é fundamentada doutrinalmente, mostrando a doutrina católica a cada passo, enquanto se levanta objeções que desqualificam muitas interpretações adventistas.

A primeira mensagem teria sido o movimento adventista de 1840 a 1844, e segunda mensagem foi realizada no último ano, o de 1844. A partir daí viria a mensagem do juízo. Como visto, uma vez que essa mensagem é alheia ao entendimento bíblico que inclui a fé na alma imortal e no papel dos santos que já reinam com Jesus na glória, tal doutrina não pode ser adotada.

Muitos estudiosos protestantes do movimento adventista ficaram confusos com a não realização da profecia e marcaram datas para a vinda de Cristo. Isso serviu de testemunho contra o adventismo, dando escândalo para o movimento e descrédito do seus estudos proféticos. De fato, a Igreja Católica ensina dogmaticamente que o dia e a hora da vinda de Jesus é desconhecida. Mas os cristãos não católicos muitas vezes usaram suas intepretações particulares para marcar datas. Embora a IASD não tenha marcado data, oficialmente, como as aludidas anteriormente, afirma que em 1844 Cristo de fato veio, não à terra, mas ao santo dos santos para inaugurar o juízo. Essa doutrina não pode ser biblicamente provada, pois a ida ao ancião de dias de Daniel 7 ocorre na ascensão de Jesus e o juízo do mundo e das almas inicia-se na dispensação do evangelho, em cada alma particular, que já podem experimentar a salvação na graça, em vida, e na glória, após a morte.

O cumprimento de Apocalipse 11, 19 está relacionado com a assunção da virgem Maria, a mãe de Jesus, que é simbolicamente vista no céu. Ficamos admirados que, assim que o apóstolo São João vislumbra a arca do testamento, a figura da mulher grávida do filho varão aparece, numa junção misteriosa dos dois símbolos. A santíssima virgem Maria é a primícias que Jesus leva ao céu em corpo glorificado, como figura e antecipação da Igreja. Assim, a mulher é Maria e a Igreja em Apocalipse 12.

A arca continha a lei, e Maria é mãe do Legislador, o fim da Lei, que O conteve em seu próprio ventre. Assim, a figura da arca da aliança e da mulher grávida fazem sentido. É também próprio o símbolo da arca com o corpo santo do próprio Cristo.

Dessa forma, o entendimento da arca da aliança no céu como o antítipo da arca que se encontrava na terra está em harmonia com essa interpretação.

Então, a interpretação dos mandamentos que estão escritos no interior da arca não deve levar a um literalismo, já que é o espírito da Lei que está gravado no testamento. Isso é evidenciado em Êxodo 20 e Deuteronômio 5, onde os mandamentos estão escritos e contem diferença textual, principalmente o mandamento do sábado, que possui motivação anexada no segundo texto. Dessa forma, o dia de repouso é moral, e está na Lei eterna, e suas motivações e acréscimos religiosos são cerimoniais, podendo sofrer mudanças. Desse modo, o dia de domingo atual é na semana o dia do Senhor e cumpre a Lei de Deus.

Por tudo isso, a observância do domingo como dia de descanso e adoração nunca poderia ter “destruído” o dia de Jeová, pois o domingo é o próprio sábado espiritualmente e moralmente.

De fato, se o adventismo aprofundou-se no estudo da Lei de Deus e descobriu mais profundamente o seu sentido, aproximou-se da doutrina católica, a única protetora perene da Lei de Deus e do seu correto entendimento. Basta lembrar que os opositores da lei, que apareceram no seio da reforma, na sua anomia herética, foram combatidos com a verdade católica.

Os cristãos adventistas especializaram-se no estudo da lei e por isso concordam, sem o saber, com a verdade católica. Enquanto entendem perfeitamente que há um dia de repouso e adoração a ser guardado, e que esse é moral e cerimonialmente parte do mandamento, da mesma forma como ensina a doutrina católica, os demais protestantes tendem a ensinar que não há dia específico para os cristãos cultuarem a Deus, onde tudo seria conveniência. O erro da interpretação adventista se dá apenas na literalidade do sétimo dia como sábado semanal. De fato, o sétimo dia da semana não pode ser entendido moralmente, mas cerimonialmente. Esse ponto não é compreendo pela doutrina adventista, e aí jaz a seu equívoco.

O estudo adventista serviu para sua reforma religiosa, no âmbito protestante, levando os intérpretes e sua denominação a uma luz maior, mas não atingiram o cerne da questão por se oporem à fé católica.

Por ser fruto do seu tempo, a IASD, assim como a senhora Ellen White, suas interpretações miraram os EUA, identificando-o como a segunda besta. A doutrina católica interpreta a segunda besta como símbolo dos poderes infernais que podem se materializar em muitos lugares e nações, de modo a não identifica-los na história como única forma de cumprimento da profecia.

Dessa forma, a besta é símbolo do Império Romano, da Roma pagã da antiguidade, e tem cumprimento secundário no poder que se opõe à Igreja Católica. Assim, de modo alguma a besta poderia ser a própria igreja, mas um poder que se opõe à santa Igreja.

Basta notar que a grande mestra da Lei de Deus é a santa Igreja Católica, que ensina os mandamentos como nenhuma outra denominação. Verifique a beleza e a verdade que estão exarados no catecismo católico sobre a Lei do Senhor, o dia dedicado a honrá-Lo como Senhor criador e redentor do gênero humano. De modo algum poderia ser isso uma “contrafação, um falso sábado”, mas o verdadeiro sábado instituído por Cristo Senhor. Um estudo da teologia do sábado e do domingo demonstra a verdade católica em toda a sua beleza. E responde com profundidade as objeções adventistas.

Ainda, os poderes governamentais, civis, políticos, etc., estiveram sempre em oposição à Igreja. Mesmo nos melhores momentos, os interesses políticos chocaram-se com os religiosos.

Quando o imperador Constantino se converteu e aceitou a fé cristã, ainda que não batizado, tentou imiscuir-se nos negócios da Igreja Católica, sem sucesso, é claro.

Foi também o imperador de persuasão ariana, uma heresia que considerava Jesus como filho criado por Deus.

O concílio de Niceia foi reunido para tratar dessa heresia. O próprio imperador convocou o concílio, já que nesse tempo o papa não tinha ainda todo o poder temporal que veio da ter depois.

Assim, o concílio foi reunido e aprovado pelo papa. A doutrina ariana foi condenada, e a doutrina bíblica de que Jesus é o Filho eterno de Deus, igual ao Pai e ao Espírito em natureza, foi definida, de modo que os hereges foram condenados, e a opinião errônea do próprio imperador foi refutada. Desse modo, vê-se que a doutrina católica tem o ajuda de Deus em favor dos seus dogmas e não das autoridades humanas.

O empenho evangelístico sincero dos adventistas precisa encontrar a boa vontade dos cristãos católicos em mostrar-lhes essas verdades que poderão iluminá-los na busca da verdade.

Então, a mensagem de Apocalipse é encontrada na Igreja Católica, que se opõe aos poderes do mundo, com seu evangelho, com sua moral, com sua benévola influência ao fundar e formar nações na cristandade. Ela tem a mensagem do primeiro anjos, do segundo e do terceiro. É ela a detentora do poder das chaves do reino dos céus (cf. Mt 16, 16-19), é ela a coluna e sustentáculo da verdade (cf. 1 Tm 3, 15), não sendo a própria verdade, mas aquela que o Senhor colocou para ensinar e garantir a verdade que é o próprio Jesus Cristo (cf. João 14, 6) e sua doutrina salvadora (cf. Mt 28, 19-20).

Portanto, é notório que o poder do mal irá com todas as suas forças opor-se à Igreja Católica e ao poder do papado, que é instituído por Jesus Cristo para o ensino do evangelho a nível mundial.

Desse modo, a marca da besta, um símbolo do apocalipse, não pode ser o domingo, já que esse é parte da doutrina cristã, o dia do Senhor ressuscitado, que cumpre o mandamento de Deus. A marca da besta deve ser por definição algo contrário ao ensino católico.

A doutrina católica a respeito do domingo demonstra que o dia de domingo não foi uma criação da Igreja, mas é um dia bíblico, que é aludido no Antigo Testamento, e sua instituição faz parte do evangelho do Senhor para o cumprimento do repouso exigido pela Lei de Deus aos cristãos, e inauguração da nova criação, enquanto preparação para o sábado do reino dos céus.

Enquanto movimento que afirma estar cumprindo a mensagem do terceiro anjo, os adventistas se assemelham a outros movimentos que afirmam cumprir outras características evocadas pelas imagens apocalípticas, segundo o parecer da denominação em questão. Para entender melhor esse ponto, é necessário um estudo bastante profundo da fé católica, como o que está sendo proposto no presente comentário.

A forma como as mensagem dos anjos de Apocalipse 14 é feita é totalmente conforme a interpretação católica. A interpretação sobre a besta, a imagem e a marca da besta também possui razoáveis conceitos para serem guardados pelos cristãos católicos. Quem poderá negar que a Igreja Católica seja a fiel cumpridora dos mandamentos de Deus?

Se o sábado faz distinção entre os cristãos, entre os que guardam o primeiro dia e os que guardam o sétimo, a doutrina cristã mostra que a introdução o sétimo dia como dia de guarda em contraposição ao domingo não é parte do depósito da fé, e que tal prática não deve ser adotada.

Se o selo de Deus é o dia de guarda em sua honra e adoração, então esse é domingo.

A afirmação que o domingo é o dia mais distante do sétimo, pois é o primeiro, é algo curioso. De fato, é o dia mais distante em sua cronologia. No entanto, teologicamente não há qualquer coisa quanto a isso. Também, é natural que o primeiro dia da criação foi seguido pelo segundo, e assim por diante, até o sexto, com a conclusão de tudo pelo descanso de Deus e santificação do sábado.

E, o que é mais interessante, o dia mais próximo do sábado é o domingo, olhando da perspectiva de que o dia do fechamento da semana é seguido o dia de sua abertura.

Desse modo, o sábado do sétimo dia é apenas uma interpretação de um grupo de cristãos, e não pode se contrapor ao dia de domingo.

É preciso entender que:

1.                  O sábado (como repouso moral e espiritual) foi instituído no fim da primeira semana de tempo. Coincidiu com o sétimo dia, dia de repouso e santificação. No entanto, esse dia no tempo não é marcado moralmente no ser humano, de modo que não há como saber sobre ele pelo bom senso, apenas pela revelação. De fato, isso se dá por ser dia religioso e cerimonial.

2.                  Dessa forma, o sétimo dia não é imutável, de modo que não pudesse haver repouso em outro dia. Também não é exigência bíblica que a mudança seja feita por Deus de maneira “direta e explícita”, pois é uma exigência teológica adventista e não bíblica. Muitas mudanças, revelações, desenvolvimentos na doutrina advém de forma mais sutil, indireta, tacitamente.

3.                  O sábado foi dado antes do pecado, mas também foi sombra das coisas futuras, como está em Cl 2, 16 e é admitido por qualquer estudioso que estude profundamente as Escrituras. O sábado (repouso) é moral, e por isso está nos mandamentos, mas sua situação no dia temporal é cerimonial, e foi cumprido por Jesus Cristo chegando ao fim quando esteve no sepulcro.

4.                  A lei do sábado é primária e original, imutável e eterna, por ser moral. Poderia ter permanecido para sempre no sétimo dia, como poderia ser mudado em dispensações para outros dias, de modo que o repouso sempre fosse cumprido. A doutrina bíblica mostra que o primeiro dia foi o dia que seguiu o dia de sábado no Novo Testamento.

5.                  O sábado e moral e também cerimonial, de modo que está na Bíblia na expressão “meus sábados”.

6.                  O dia de sábado foi definido, mas também é possível que seja apenas proporção e tempo, por não ser moral. Assim, é possível celebrar um fato em qualquer data, desde que se intencione comemorar o verdadeiro acontecimento. O domingo não foi um dia escolhido aleatoriamente, mas aperece no Novo Testamento já sendo guardado pelos cristãos, e isso continuou sem mudança na história da Igreja. Não é verdade que até o ano 150 os cristãos não guardavam o domingo, mas o sábado. Basta ler o Novo Testamento para perceber a prática no primeiro século.

7.                  Jesus cumpriu a lei. O que permanece é sua parte moral.

8.                  O sábado foi cumprido na cruz, fim da criação, e o domingo instituído como dia da nova criação.

9.                  O padrão de julgamento é sempre moral, e o dia definido no tempo não cumpre esse requisito.

10.              O dia do Senhor de Apocalipse 1, 10 é o domingo. Caso fosse o sábado, isso destoaria de toda a interpretação que foi feita depois sobre essa passagem, como se a mesma ficasse desconhecida do segundo século em diante, o que é um contrassenso.

11.              O texto de Isaías 56, 1-2 expressa a guarda do sábado sem profana-lo e não praticar más ações, o que é cumprido fielmente na observância do domingo. E em 1 Pedro 1, 5 é referida a salvação que há de manifestar-se nos últimos dias.

12.              O sábado na nova criação, assim com as nações vindo a Jerusalém, a lua etc., está na linguagem que o antigo testamento utiliza para falar das bênçãos futuras, o que não é prova de que o sábado do sétimo dia permaneceu imutável e assim será eternamente.

Dessa forma, a força da interpretação sobre o sábado está no seu aspecto moral, que é eterno.

O castigo dos adoradores da besta. O aniquilacionista afirma que no início do milênio a besta e o falso profeta serão destruídos. Na interpretação adventista ambos não são pessoas, mas poderes, instituições. Isso já é problemático. Eles são jogados vivos nesse lago de fogo, o que denota que são pessoas. Se são poderes, isso se refere aos ímpios que estão exercendo tais poderes. De alguma forma, há implicação de tormento eterno.

Duração do castigo. O lugar do fogo não se refere à terra inteira em si, mas ao lugar espiritual denominado lago de fogo e enxofre. Portanto, a terra será renovada na vinda de Jesus Cristo pelo fogo, mas não é tal fogo o que queimará os ímpios no castigo eterno no lago de fogo. Um é o fogo da renovação do universo, e outro o do castigo dos ímpios. O da renovação da terra cessa assim que a terra é renovada. O do castigo não cessa. A interpretação adventista erra nesse pormenor.

Que o leitor veja qual Igreja é mais zelosa no ensinamento dos dez mandamentos, e o verdadeiro significado de cada mandamento, principalmente o referente ao dia de guarda em honra do Senhor, em consonância com o ensino bíblico e aquilo que está na teologia em todos os séculos da Igreja.

A promessa de uma bênção. Essa passagem é dificílima para que não acredita na imortalidade da alma. De fato, há uma bênção para os que “desde agora, morrem no Senhor”. Os adventistas entendem que desde o tempo da mensagem recebida no século 19, os que morrem no Senhor são bem aventurados porque serão ressuscitados quando Miguel se levantar, por não passarem pela tribulação com os 144.000, escapando do perigo, tendo a mesma recompensa daqueles que passagem pela grande tribulação. Deverão ressuscitar, com corpos mortais, esperando Cristo vir para glorificar a todos, o que é desconhecido em toda a Escritura. De fato, a Bíblia afirma que todos juntos serão ressuscitados, de uma só vez, quando Jesus Cristo vier para julgar os vivos e os mortos (Dn 12, 7; Ap 1, 7). Não se trata de outro evento, mas do único, o da ressurreição para o juízo final.

Essa engenhosa explicação não condiz com o tema do Apocalipse. De fato, os que desde agora morrem no Senhor, ou seja, desde a vitória de Jesus Cristo, são bem-aventurados, pois já podem participar com Crista no reinado celestial. Esses são, portanto, todos os salvos após Cristo, pois os anteriores não podem ter tal privilégio antes do calvário.

Se os símbolos da besta, do selo, da imagem e da marca da besta são identificados claramente na interpretação adventista, e são símbolos dos poderes do mal, na interpretação católica, o que atrai as mentes, é também claro que a doutrina católica oferece razões que o adventismo não consegue refutar. Que o leitor cresça na fé ao estudar a Bíblia.

Gledson Meireles.