Argumentos ateus são
tirados das passagens difíceis da Bíblia, aquelas que mesmo os crentes fieis
têm dificuldade para entender, embora não apresentem nenhuma contradição. E
mais. Não há problema alguma para a fé cristã.
Uma delas é Lucas 23,
43, onde Jesus promete que o ladrão estaria com Ele no paraíso. Se for naquele
mesmo dia (hoje), diriam os ateus, isso é contraditório, já que em João 20, 17
Jesus afirma que não subiu para o Pai, que, podemos dizer, é o paraíso. Ainda,
ele ficou, conforme Atos dos Apóstolos, quarenta dias na terra antes de subir
para o céu. Portanto, a passagem seria uma falha.
Primeiro, o evangelho
de São Lucas foi escrito de forma bastante meticulosa. O autor inspirado
pesquisou as informações que iria escrever. Assim, o ladrão foi ao paraíso
naquele mesmo dia apenas em espírito,
pois o próprio evangelho mostra que Jesus ressuscita apenas três dias depois. O
evangelista sabia disso. Ele não poderia estar falando de ir ressuscitado para
o paraíso no mesmo dia, como fica na argumentação baseada em João 20, 17, pois
é clara a menção da ressurreição no terceiro dia em todos os evangelhos. Outra
versão seria que o paraíso não é o céu, mas o paraíso terrestre após a vinda de
Jesus. Assim, o argumento ateísta não procede, nem conforme o texto do
evangelho de Lucas em si, nem passa pela exegese com outros evangelhos.
Ainda, percorrendo
outros evangelhos, temos que Lucas 16, 25 mostra o hades, chamado na mesma passagem de o Seio de Abraão, onde as almas
salvas já são consoladas. É patente
aqui o conceito de paraíso.
Cristo morre e desce ao
Hades em espírito, conforme as
Escrituras. Tudo está bem claro. Portanto, naquele mesmo dia o ladrão e Cristo
estariam no Hades, no paraíso, o Seio
de Abraão. Mais uma refutação.
Mesmo que o ateu não
creia na Bíblia, precisa notar que há uma coerência textual aqui, tanto no
evangelho quanto nos textos comparados com outros evangelhos.
E quanto à onipresença
de Deus? Subir para o Pai negaria a onipresença de Deus, como se Ele estivesse
só no céu? Nunca.
A Bíblia em passagem
alguma diz que Deus está em toda parte da mesma forma que está no céu. O texto
de João 20, 17 traz um modo mais localizado da presença divina nos altos céus,
e não possui nenhum conflito com a presença de Deus em toda a criação. Doutro
modo, não haveria lugar para falar de ir ao Pai. Então, o conceito bíblico não
é o que o argumento ateísta usa para formular sua fraca objeção.
Portanto, seja como for,
de qualquer forma que o texto de Lucas 23, 43 usar a vírgula, Jesus não mentiu de forma alguma para o
ladrão. Ou ele se referiu ao Paraíso do Hades, como está na Bíblia em Lucas 16,
ou referiu-se ao futuro paraíso, como está descrito em toda a Bíblia sobre a
renovação da terra. E a nossa fé sempre firme em Nosso Senhor Jesus.
Gledson Meireles.
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