No presente comentário o leitor verificará o que o pastor
apresentou para defender sua posição sobre a idolatria, bem como seu
conhecimento sobre a doutrina católica, que se reflete em sua resposta.
No início o pastor explica idolatria como culto àquilo que é
visível. Mas, de fato, mesmo ao invisível pode haver idolatria, pois a latria é
o culto que somente Deus pode receber. Assim, a explicação está incompleta. Entretanto, o que ficou patente foram as incoerências.
1) Imagens para conectar-se com Deus. Isso não é católico
A noção que o pastor apresenta sobre as imagens e seu uso é
que essas são objetos pelos quais se tem conexão com Deus. Sendo objetos não
criados por Deus, mas confeccionados pelo homem, seriam proibidos.
É preciso explicar esse ponto. A doutrina católica não ensina
que as imagens são para se ter contato com Deus, não são usadas para ter
contato com o divino, como o pastor pensa.
Esse problema de compreensão é radical, e formula as
argumentações. Se há alguém que pensa assim das imagens, está errado. O pastor
pensa estar refutando uma doutrina católica, mas está apenas respondendo a algo
que não é católico de forma alguma.
Imagens são representações, e recebem o culto pelo que
representam, e não possuem poder algum e nem são meios de conectar com Deus e
nem com os santos. São objetos de valor religioso por seu símbolo. Esse é o
ponto básico, que o pastor não compreende. Passou despercebido em todo o
debate.
2) Encarnação de Cristo e as imagens
O pastor
parece compreender que a humanidade viu a Deus através de Cristo. Mas acredita
que a encarnação não permite imagens, que a dimensão corporal de Cristo não é
de proveito para a Igreja, e que é preciso crer sem ter visto.
No entanto,
essa argumentação é falha. A fé em Cristo existe mesmo para aqueles que o
viram. Os apóstolos e discípulos viram Cristo e creram, exercendo fé. Assim, a
fé em Cristo não foi invalidada pela presença dEle e também não o é por suas
imagens, aquelas que O representam.
Tomé não
havia visto Cristo ressuscitado, e é disso que a passagem trata quando o Senhor
afirma que felizes os que creram sem terem visto. Todos nós não vimos a Cristo
nem vimos Sua ressurreição, mas cremos. Isso é o que basta.
Desse modo,
argumentar que imagens de Cristo não seriam permitidas porque a Lei continua em
vigor e que as imagens invalidariam a fé é algo sem sentido. Primeiro, a Lei
contra os ídolos é eterna, e por isso está em vigor. Mas não há proibição às
imagens em si. Muito menos às imagens religiosas. É o ponto número um para
entender a questão.
3) Imagens em ambiente de culto
As imagens do Antigo Testamento como a arca e os querubins
estavam no Templo, lugar de culto por excelência. Assim, é permitido o uso de
imagens em ambiente de culto. A argumentação protestante cai aqui.
Quando o pastor argumenta que a confecção das imagens do
Antigo Testamento é tratada na Bíblia em passagens narrativas, ou seja, supondo
que não há ordem para confeccionar imagens e concluindo que as mesmas são
proibidas, é também bastante falha.
Primeiro, o pastor tenta definir as imagens da arca e dos
querubins para refutar as imagens cristãs, dizendo que não são imagens de quem
já morreu.
Mas, quando diz que a arca representa o trono de Deus e os
anjos representam aqueles que protegem a Sua santidade, está mudando de
argumento de forma sutil. Está tentando justificar o uso daquelas imagens
religiosas, que possuem grande significado espiritual, mas não pode negar o
fato de que as mesmas existem no Templo de Deus, lugar de culto. Explicou o
sentido daquelas imagens mas não pode negar que as mesmas estavam em lugar de
culto. É esse o principal ponto da doutrina católica.
Quando diz que não há ordem para se prostrar diante da Arca,
parece que o mesmo não conhece bem a Bíblia, pois é parte integrante da
espiritualidade do povo de Deus reverenciar a arca com a prostração. É uma
tentativa de refutação bastante falha. Todo o povo de Deus venerava a arca de
vários modos, principalmente com a prostração.
Ainda, quando se diz que não se pode justificar algo por uma
passagem narrativa da Escritura, isso é um princípio que não há na própria
Escritura. O apologista católico, Ariel, mostrou bem essa questão quando
apresentou a passagem em que Jesus justifica a Sua atitude por meio de uma
passagem narrativa. O pastor tentou refutar explicando o contexto da passagem,
mas não o fato de que a mesma é narrativa e foi utilizada pelo Senhor Jesus
para justificar Sua autoridade e a permissão que os discípulos tinham para
agirem como agiram.
Ou seja, a explicação do pastor sobre as imagens e a
explicação do mesmo sobre a passagem narrativa foram utilizadas no lugar em que
deveria haver resposta sobre os fatos: 1º - há imagens no lugar de culto e 2º -
passagem narrativa é usada para validar um comportamento. Contra fatos não há argumento.
Outra questão é que o que Deus mandou fazer seria ornamento.
Mas a Arca não é ornamento, mas um símbolo de verdade espiritual sublime. Ela não
foi feita para ornamentar, mas para ensinar uma verdade espiritual. A Arca não
é mero objeto de decoração, mas símbolo do trono de Deus, como o pastor mesmo
acredita. Assim, deve sujeitar-se a mais essa refutação.
Outro ponto é que nem todas as imagens feitas foram ordenadas
diretamente por Deus, mas os artistas tinham a inspiração de Deus para agirem
livremente e enfeitar o templo com imagens sagradas. Imagens que serviam de
ensino de verdades espirituais.
E, por fim, Josué naquele momento, em Josué 7, estava em
momento de frustração, como diz o pastor, mas isso nada tem a ver com sua
prostração diante da arca, ou seja, com o gesto de prostração em si mesmo, já
que era o modo comum do povo de Deus de venerar a Arca da Aliança.
Quando Deus manda que Josué se levante não está ligado ao
fato de que tenha reverenciado a arca, mas manda que o mesmo não fique ali
parado, pois estava ali há horas, mandando-o agir conforme era o seu dever:
tirar o interdito e ir santificar o povo (vv. 11-13).
Até mesmo as palavras do Senhor a Josué mostram isso, pois
não questiona sua atitude para com a Arca, mas pergunta por que estava ele com
o rosto por terra. E depois manda-o fazer o necessário para a santificação do
povo que havia pecado.
Assim como o comportamento de Davi que comeu os pães da
proposição não é norma para todos fazerem isso, mas justificou a ocasião em que
os discípulos colhiam espigas milho no sábado para alimentarem-se, assim os
exemplos citados da Bíblia orientam e mostram a essência do comportamento
cristão de acordo com a doutrina bíblica em todos os assuntos necessários.
Quando a arca saía do templo, carregada em procissão solene,
o povo devia manter certa distância. Não é uma ordem para afastar-se da arca, como
se fosse uma doutrina bíblica para todos os tempos, mas uma medida de
afastamento por reverência bastante profunda. Usar essa passagem simplesmente
como uma ordem para afastar-se da arca é uma explicação bastante frágil. De
fato, a arca era muito reverenciada, com a aprovação de Deus, por todos os
fieis judeus. Desse modo, as imagens no Antigo Testamento estavam no ambiente
de culto e eram veneradas.
4) Sábado e Domingo e as imagens
O
apologista católico mostrou que a autoridade da Igreja apostólica e os indícios
bíblicos fundamentam a guarda do domingo e não do sábado, mas argumentou que
essa mudança não está clara na Bíblia. Por que os protestantes a aceitam?
O pastor
acredita igualmente que o princípio para a guarda do domingo está na Bíblia e
por isso aceita essa observância, mas diz que não guarda um dia apenas, e diz
que não há os princípios em relação às imagens. O argumento católico é que
assim como na questão do domingo há princípios bíblicos, como mostrados acima,
para o uso correto das imagens.
O pastor
defende que não é permitido uso de imagens no culto, que as mesmas não podem
ser usadas para se conectar com Deus, e que a prostração, e qualquer reverência
às imagens constitui idolatria. Contudo, a Bíblia mostra que as primeiras
imagens estavam no Templo, ambiente de culto, e eram muito veneradas. Ainda, em
nenhum lugar há o ensino de que as imagens são usadas para conectar-se com
Deus, e isso é um erro básico que o pastor acredita e que pode ser empecilho
para que o mesmo entenda a verdadeira doutrina, ou seja, de que as imagens na
Bíblia e na Igreja são usadas com fins de ensinar verdades espirituais.
5) A imortalidade da alma
O tema veio
à tona no debate, e o pastor crê que os santos estão no céu, sabe que há
discussão no meio protestante sobre a possibilidade de que os mesmos intercedam
pelos vivos, mas nega que possamos pedir intercessão aos santos. Nega também
que os mesmos estejam em oração, pois crê que há somente descanso no céu para
as almas. Ou seja, nem mesmo oração poderiam fazer, o que redunda na conclusão
que o pastor acredita que a oração dos santos no céu seria para eles algo
cansativo. Há momentos no debate em que há clara alegação de que oração,
combate, etc., é cansativo e por isso os santos estão descansando.
O problema
é que: no céu, junto de Deus, há somente felicidade. Não há cansaço. A alma,
sendo espiritual, não pode se cansar. Para os que não creem na imortalidade da
alma, devem estudar o tema para aprender a doutrina bíblica.
Enfim,
essas foram as considerações sobre o que o debatedor protestante apresentou no
debate sobre a Idolatria.
6) A prostração
Primeiro, o
pastor argumenta que a prostração em si é adoração. O exemplo de Naamã foi
usado para isso. Ele argumenta que se Naamã pediu perdão porque iria com o seu
patrão ao templo e se prostraria diante de um deu falso com ele, então o gesto
em si era adoração. Mas é justamente o contrário.
De fato,
Eliseu permitiu que Naamã continuasse a frequentar o templo a trabalho e ali
prostrar-se. O pastor afirma que seria um gesto civil, social. Mas, essa
explicação não responde, porque não é permitido saudar um ídolo mesmo
civilmente. Assim, o pastor está refutado. Mas continuemos.
A
verdadeira adoração começa no coração e é mostrada no ato. Se Naamã foi
convertido, não mais adorava deus falso, mas apenas o Deus verdadeiro, a sua
prostração, se fosse em si adoração, o tornaria idólatra. Ele não poderia
adorar aquele ídolo em seu íntimo e nem prostrar-se com essa intenção.
Portanto,
Naamã iria prostrar-se com o seu patrão no culto ao deus falso apenas como
acompanhante do patrão, mas sem a
intenção de adorar, o que tornava o gesto um simples gesto, sem sentido.
Desse modo,
o gesto em si pode ter vários sentidos conforme o que é definido no íntimo do
coração daquele que o faz. Naamã não mais servia ao ídolo, e sua prostração não
tinha nada mais a ver com aquele deu falso.
Veja como a
verdade é sublime.
Louvado
seja Nosso Senhor Jesus Cristo.
FONTE: VÍDEO
Gledson
Meireles.