sábado, 11 de abril de 2026

Guilherme Freire vs Edson Toshio: a existência do mal

Comentando o livre-arbítrio em uma objeção ateísta


De forma resumida, o ateu acredita que é capaz de raciocinar criticamente na sua interpretação da Bíblia e provar que Deus não existe porque o mal existe. Vejamos um pouco sobre o livre-arbítrio é a falha que está por trás da aparente erudição do argumento ateísta.

Sabemos que o livre-arbítrio explica o mal moral no mundo. No entanto, o debatedor ateu critica o conceito dando o exemplo de alguém cometendo o mal contra outro, uma vez que o mal praticado por aquele estaria sendo respeitado por Deus enquanto que o mal sofrido pela outra pessoa significaria que Deus não estaria respeitando o livre-arbítrio da mesma. Nesse sentido, o livre-arbítrio seria sempre o do mais forte.

A objeção acima é sutil é cheia de problema. O livre-arbítrio é a capacidade moral de agir ou não agir. Nesse caso acima, aquele que age mal teria o livre-arbítrio e a vítima não. Portanto, o livre-arbítrio citado aí não é o mesmo que a doutrina cristã católica ensina. Esse é um problema em debater e usar um termo  com sentido diverso sem saber ao certo o que se está debatendo e contra o que exatamente. De fato, isso não é livre-arbítrio.

Em segundo lugar, a ideia subjacente na consciência do ateu exige que para a existência de Deus, que é o Sumo Bem, não poderia haver o mal na criação. Assim, o livre-arbítrio de uma pessoa deveria ser garantido como o da outra, e assim de todos, segundo o conceito advindo do exemplo acima, e desse modo, é óbvio que a conclusão é a extinção do livre-arbítrio.

Uma vez que alguém deseja fazer algo que ultrapassa a liberdade de outro, ele não poderia fazê-lo, pois estaria limitado a isso pelo poder de Deus que garantiu as leis naturais impedindo que um sofresse a ação advinda da liberdade de outro. Nessa situação, o mal deixaria de existir e somente a Vontade de Deus prevaleceria. É o mundo desejado. Como o ateu não crê em Deus, uma razão para isso seria a existência do mal.

Nesse caso, o ateu está raciocinando segundo as exigências da razão de que a justiça perfeita é condizente com a existência do Bom Deus, e a existência do mal incompatível com a natureza divina.

Com isso, tem-se que no íntimo da consciência o ser humano rejeita totalmente o mal e deseja justiça contra ele. É o instinto natural que diz que o mal deveria ser extinto. Dessa forma, isso é usado pelo ateísmo como argumento contra o Sumo Bem.

Uma vez que a realidade demonstra que há o mal, nessa lógica, por meio de um raciocínio mais complexo, Deus não deveria existir. No entanto, a simples existência do mal não é categoricamente uma prova da não existência de Deus.

De fato, como explica o catecismo, Deus criou o mundo em estado de caminhada, permitindo o mal físico, por exemplo. E, com isso, a existência do mal moral advém da liberdade já tratada acima, o que é plenamente compreensível.

Desse modo, temos que o ateu raciocina segundo a exigência da razão de que haja o bem, na criação como obra de um Deus bom, mas não pode prescindir da realidade de que esse dado da consciência é superior à natureza humana, não é uma opinião individual, mas um apelo da razão universal, de modo que há uma origem desse senso de justiça, que só pode ser Deus, e somente Ele pode dar a resposta.

Nisso, temos que Deus, sendo Bom e Todo-Poderoso pode acabar com o mal, e o fará, de modo a cumprir as exigências da Sua justiça que é refletida na mente humana.

Assim, temos que o desejo de justiça não é algo que meramente existe e não tem outra finalidade, como seria em um mundo sem Deus. Nesse caso, esse senso de justiça seria vão, já que todos esperariam uma vida imanente que terá um fim e toda a injustiça não terá remédio algum. O acaso seriar a explicação e a esperança de algo melhor seria pura ilusão. Mas o acaso não explica nada, e a ilusão não podes ser radicada em um instinto tão forte.

Entretanto, na fé cristã, fundamentada na razão, temos a promessa de que essa exigência da justiça perfeita será cumprida por Deus totalmente, de modo que não é um senso sem sentido, mas que indica sua futura realização. E isso só pode ser realizado por Deus.

Sendo assim, o raciocínio usado contra a existência de Deus por causa da existência do mal é algo que esconde a esperança de que o mal não exista e que o mundo seja bom e a vida feliz, onde todos ajam segundo uma Vontade que não permita o mal em nenhum sentido, e mais, de que isso será possível, o que somente Deus pode fazer. Temos assim a refutação radical da objeção ateísta por meio do problema do mal.

Com efeito, o ateu raciocina segundo as leis naturais do pensamento, onde a bondade de Deus exige a bondade de tudo. Doutro modo, não poderia formular nenhuma objeção pelo problema do mal.

Não pode, porém, entender que Deus, em Sua sabedoria, pode criar um mundo em vias de perfeição, onde a existência do mal é possível e permitida, e somente possível porque é permitida, mas que no fim tudo se conformará à natureza de Deus, o que está refletido nos raciocínios acima, que revelam o desejo último de que somente exista o Bem e a justiça seja plena. Isso é filosofia, pois segue os rumos da razão, e não abraça a desistência de pensar.

A própria existência do ateísmo mostra o livre-arbítrio em ação. O homem decide não crer por certos motivos.

O ateísmo raciocina segundo o senso de justiça.

Acredita-se, talvez, que esse senso seja natural e proveniente do acaso.

Com isso, seria um senso de justiça inexplicável e insaciável, já que a curta existência humana não daria nenhuma expectativa de que o mesmo pudesse ser satisfeito.

O cristianismo, por sua vez, como ensina a Igreja Católica, seguindo os ditames da razão e da revelação, crê em Deus, bom e todo-poderoso.

O senso de justiça é algo que está na natureza criada por Deus.

A justiça de Deus será manifestada no fim, e todos viverão em Deus, quando tudo estiver a Ele submetido.

Isso explica que o mal é passageiro, que a consciência moral não é vã, e que esperamos o fim do mal e a vida eterna em felicidade.

Aquilo que o ateu pensa do que deveria ser a criação é o que está na promessa de Deus para o reino eterno, onde tudo será bom e justo, onde Deus será tudo em todos. Homem busca a Deus.

Gledson Meireles.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Debate: 1 evangélico vs. 25 católicos

O apologista Bruno Lima comentou a respeito do debate "1 evangélico vs. 25 católicos" e fez certas colocações sobre o celibato e a invocação dos santos.

Segue abaixo uma breve reflexão que serve de refutação às colocações feitas.

Celibato obrigatório

Se a Bíblia não oferece uma regra a respeito do celibato ou do matrimônio, isso significa que há liberdade para escolha entre os dois modos de vida. Isso significa também que não há a regra de que deve haver liberdade para a escolha, mas que essa é a situação, sem prescrição nenhuma.

Exposição. Se a Igreja introduzir a disciplina de que os sacerdotes devem ser escolhidos entre homens casados, essa regra é conforme a doutrina bíblica, porque há liberdade para isso. Se a Igreja optar por ordenar homens que tenham a vocação para o celibato, essa também é uma norma bíblica, porque a Igreja tem liberdade para agir assim.

O que os protestantes atuais tentam defender na apologética é algo que não percebem. De fato, o que propõem contra o celibato pressupõe a existência de uma lei que proíbe promulgar lei nesse sentido.

É como se houvesse uma lei da liberdade de escolha entre matrimônio e celibato, e assim não poderia haver qualquer uma das alternativas como lei, pois seria proibido à Igreja optar por uma delas somente. Mas não há lei alguma dessa natureza na Bíblia.

Em outras palavras, a Bíblia não diz que é proibido legislar nesse sentido. Não diz que não se deve impor o celibato nem que não se deve impor o matrimônio nem que se deve deixar o caso aberto para cada candidato escolher. A Igreja tem liberdade para escolher o que parece mais conveniente e de acordo com a participação no único sacerdócio de Cristo.

Assim, a Bíblia não ensina:

1.      É necessário ser celibatário.

2.      É necessário ser casado.

3.      É necessário deixar livre a escolha entre ser celibatário ou ser casado.

Isso tornaria a questão assim:

1.      É proibido ser casado (no caso 1)

2.      É proibido ser celibatário (no caso 2)

3.      É proibido impor uma lei nessa questão (no caso 3)

O protestante não pode provar biblicamente a questão 3.

Portanto, está refutada essa posição.

 

Oração aos santos

Em Ap 5, 8 está escrito: “quando recebeu o livro, os quatro Animais e os vinte e quatro Anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um uma cítara e taças de ouro cheias de perfume (que são as orações dos santos).

Em Ap 8, 3 está escrito: “Adiantou-se outro anjo e pôs-se junto ao altar, com um turíbulo de ouro na mão. Foram-lhe dados muitos perfumes, para que os oferecesse com as orações de todos os santos no altar de ouro, que está adiante do trono”.

O texto afirma que os anciãos e os quatro seres viventes estão com as orações dos santos. Não está revelado que as orações a Deus não poderiam ser por meio da intercessão dos santos do céu. Apenas diz que eles estão com as orações dos santos da terrra.

Depois, o anjo recebe perfumes para que coloque no altar de ouro junto com as orações dos santos.

Deus recebe as orações. No entanto, elas são oferecidas por meio dos santos e anjos no céu. Não está escrito que essas orações não foram feitas através de pedidos de intercessão, mas somente que são orações dos santos.

Dessa forma, qualquer ideia que negue a invocação para intercessão dos santos do céu é algo que não está no texto bíblico. Pelo contrário, toda a cena implica que há essas ações.

Gledson Meireles.