Comentário do Livro: Conselhos de Ellen White..., do autor Davi Caldas.
Conselho
57: O sábado e o Sola Scriptura.
Quando se diz que a Igreja modificou o dia de guarda temos que essa mudança foi
feita pela Igreja no tempo dos apóstolos, pelos próprios apóstolos, que
receberam ordem direta de Cristo e/ou foram instruídos pelo Espírito Santo
quanto a isso. Não se pode pensar que foi uma mudança tardia. Não foi uma ordem
do papa. A guarda do domingo é parte do depósito de fé, da tradição apostólica.
É o mesmo que acontece com outras doutrinas, como a do cânon, da divindade de
Cristo, da trindade e outras. Todas essas doutrinas possuem base bíblica. É
óbvio que em alguns momentos os defensores de uma doutrina exigem que seja-lhes
mostrado um texto bíblico explícito sobre determinada doutrina para que a
aceitem. Mas, como podemos ver, a Bíblia ensina muitas coisas explicitamente e
outras menos claramente, mas por meio de princípios, e etc., de forma que o
estudo bíblico sobre as doutrinas cristãs deve ser meticuloso, sincero, bem
orientado e guiado pelo Espírito Santo, segundo a mente da Igreja, que conserva
o depósito da fé. E a teologia do sábado como dia de repouso é totalmente clara,
e preservada na guarda do domingo cristão. Esse ponto pode ser melhor
compreendido quando pensamos nas doutrinas menos explícitas na Escritura. A
trindade é uma doutrina bíblica, mantida na tradição, crida como doutrina
divina e revelada, definida como tradição apostólica. No entanto, o único Deus
do Antigo Testamento é agora revelado como subsistindo em Três Pessoas iguais e
distintas, o que não é claro por nenhum texto bíblico, não tem o “Assim diz o
Senhor”, como frase literal explicitamente escrita, mas tem o Assim diz o
Senhor em princípio, como doutrina revelada na Sagrada Escritura, não possui
texto explícito afirmando o nome trindade nem uma passagem clara com o conceito
inteiro da doutrina, de modo que um estudioso que crê somente na Bíblia e não
tem em consideração a tradição pode chegar a doutrinas divergentes, como
acontece com alguns grupos. Por outro lado, os que creem na doutrina da trindade
aceitam a autoridade da Igreja Católica. O documento Nisto Cremos afirma: “Embora
o Antigo Testamento não ensine explicitamente que Deus é triúno, ele alude à
pluralidade interna da Divindade”. É verdade, mas outros grupos que leem a
Bíblia, e a aceitam como única regra de fé, discordam dessa “pluralidade
interna da Divindade”, que é um dado bíblico. Isso é o mesmo que está afirmando
os teólogos quando dizem que os guardadores do domingo estão sob a autoridade
da Igreja Católica. Não significa que a doutrina não esteja na Bíblia, mas que,
como dizem alguns, não está no sentido de não haver sido escrita de modo claro
e inequívoco. Assim, crer na trindade, guardar o domingo, não seguir as leis alimentares
do Antigo Testamento é admitir a autoridade da Igreja. Alguns protestantes
aceitam umas doutrinas e divergem em relação a outras. O sábado é uma doutrina
em que os adventistas discordam do catolicismo, não que a doutrina não seja
bíblica, mas porque sua mudança não é explícita como exigem os adventistas nesse
pormenor, e por sua adesão à Bíblia somente como regra de fé, e sua confirmação
sobre o sétimo dia por meio da profetisa Ellen White, tal doutrina tornou-se
dogma para o adventismo. Uma vez que Ellen White a confirma em seus escritos,
não é esperado que a IASD tente mudá-la por meio de estudos bíblicos, nem pense
que isso seja possível, pois tem a doutrina como indiscutível. O modo de
entender o sábado está na Bíblia assim como está o conceito da trindade. Uma
vez crendo na autoridade da santa Igreja Católica, como ensinada nas
Escrituras, essas doutrinas se tornarão claras ao leitor da Bíblia. Para o
cristão católico, a Sagrada Escritura é suficiente para provar a guarda do
domingo. A Tradição confirma essa doutrina e prática.
A
afirmação que “a igreja tinha autoridade acima das Escrituras” não é correta. O
que John Eck estava afirmando a Lutero era que a guarda do domingo não era
clara, e a autoridade da Igreja apostólica é que era responsável pela mudança,
deixando a prática sem um escrito inspirado explícito sobre a mesma. Com isso ele
provava que a autoridade da Igreja era necessária para questões de fé. Nesse
ponto, a Igreja está na mesma altura da Escritura pois ensina uma verdade da
Escritura. O mesmo pode ser dito das palavras de Reggio, citadas, pois Cristo
não disse expressamente para guardar o domingo, mas os apóstolos praticaram
esse mandamento e deixaram a observância. Isso prova que Cristo e o Espírito Santo deixou para eles essa prática. Por isso, as palavras de Jonh O.
Brien são claras: “e não sobre um texto explícito da Bíblia”. Não significa que
não esteja na Bíblia, pois está implicitamente. A citação do livro
Ciência e Religião: ensaio de Apologia do Catolicismo, volume 2, tem o mesmo
sentido. Não se trata de dizer que o domingo não tem base bíblica, mas não a
tem explicitamente, de modo que os protestantes que creem somente na Bíblia não
poderiam mostrar a mudança, pois não há lei clara, direta, sobre esse ponto. O
que o Cardeal Gibbons afirmou é que a Bíblia não contem todas as verdades
necessárias para a salvação e não prescreve explicitamente os deveres, mas ao
mesmo tempo conclui que os apóstolos ensinaram a guarda do domingo, mas as
Escrituras não estavam nas mãos de todos para se certificarem disso e porque
não há clareza em todos os pontos nem as mesmas contem todas as verdades salvíficas. Mas
nesse particular a afirmação do cardeal não é correta, pois implicitamente a
Bíblia contem todas as verdades necessárias para a salvação. A Bíblia ensina a
observância do domingo.
Conselho
58: Os que observam o sábado (repouso) no primeiro dia da semana podem tomar a
Bíblia e mostrar que sua posição é correta. Trata-se apenas de um estudo mais
aprofundado do texto sagrado. Há doutrinas que não são facilmente encontradas
pelo leitor superficial. Assim o é a trindade, a divindade de Cristo, a não
obrigatoriedade da circuncisão, que são doutrinas que podem fomentar discussões
quando leitores não acostumados com a fé cristã vão à Bíblia e se deparam com
textos isolados que podem não levá-los ao entendimento correto da doutrina. As
bases para a guarda do domingo estão na Bíblia e podem ser encontradas por um
estudioso atento das Escrituras. O fato do sábado ser guardado desde a Antiga
Aliança é algo evidente, e está no texto dos 10 mandamentos. Mas a mudança da
Lei no Novo Testamento coloca certas questões no campo de discussão para maior
aprofundamento e compreensão. Uma dessas é referente ao sábado, o dia de
descanso. O Novo Testamento diversas vezes traz o tema, mostrando o Senhor
Jesus Cristo ensinando a verdadeira forma de observar o dia de sábado. Mas,
nesse ínterim há duas possibilidades, a da reforma do sábado, onde Cristo
ensina o modo correto de observar esse dia, e a substituição do dia por outro,
o novo dia, feito por Deus, na Nova Aliança. É um fato que o sábado tem foco
importante na doutrina do evangelho. O motivo para isso deve ser procurado. A
IASD pensa que se trata apenas de uma reforma do sábado não introduzindo
mudança do dia, e a ICAR sempre ensinou que de fato há mudança de dia para a
observância do sábado (shabbat). A
visão de Ellen White é uma confirmação do sábado do sétimo dia para a IASD. Com
isso, temos clara autoridade da profetisa sobre a interpretação oficial dos
adventistas, de modo que não estão abertos à mudança quanto a esse ponto
doutrinal. Há alusão das discussões a respeito do sábado entre os primeiros
adventistas, por volta de 1850. Isso prova o que foi mostrado acima, que a
Bíblia no Novo Testamento traz as doutrinas eternas de modo perfeito, e essa
transição do AT para o NT deve ser compreendida de modo profundo. Não se trata,
portanto, de afirmar que o domingo não tem base bíblica e que o sábado é a
forma correta e clara apresentada no NT, como o era no AT. De fato não é assim,
e o irmão adventista do sétimo dia é convidado e aprofundar-se no tema, ainda
que seja difícil abrir-se para essa jornada. As discussões bíblicas sobre esse
assunto tendem a levar o estudioso a entender a espiritualidade do sábado, que
é cumprida hoje no domingo. Com essa atividade os adventistas poderão ver o
quanto os católicos são bíblicos em suas doutrinas. Essa postura no diálogo
pode mudar o olhar que o cristão adventista tem para com o catolicismo.
Conselho
59: A Bíblia é nosso guia. Isso pode igualmente ser dito pelo cristão católico.
Hoje muitos afirmam na apologética que a Bíblia é território protestante, como
se o católico devesse evitar discussões referentes à Bíblia. Nada mais
contrário à realidade. A Bíblia é terreno católico por excelência. As doutrinas
que dependem da tradição para serem demonstradas estão todas em conformidade
com a Bíblia. E uma vez que o adventista do sétimo dia não aceita a sagrada
tradição apostólica como norma de fé, por meio da Bíblia é possível mostrar
toda a doutrina e prática católica, de forma a fazer entender a profundidade da
Palavra de Deus, e não deter-se apenas em leituras superficiais.
Conselho
60: A ICAR também tem essa visão da história, onde Deus está no controle. Santo
Agostinho escreveu nesse sentido. Podemos dialogar sobre essas questões,
principalmente ao tratarmos eventos escatológicos e ponderarmos o lugar que a
ICAR tem nas profecias. Isso pode ajudar muito no entendimento da doutrina
bíblica.
Conselho
61: Ellen White escreve que somente a Bíblia deve ser o nosso refúgio. É comum
na Igreja Católica afirmar sempre que temos a Bíblia, a Tradição e o Magistério
como fontes de autoridade. E o que a Igreja afirma quando o assunto é
diretamente a Bíblia Sagrada? Para muitos protestantes, talvez a maioria, o
ensino católico coloca a tradição acima da Bíblia, o magistério acima da
Bíblia, e etc., de forma que a Escritura Sagrada seria, nesse caso, a menor em
autoridade. No entanto, o caso não é tão simples assim. Não é como parece para
os desavisados. Nessa tríade importante, quando lemos as afirmações da Igreja
em referência à Bíblia, encontramos algo que os protestantes não compreendem: a
Bíblia é para os católicos a única fonte de fé inspirada. Não há como acessar a
tradição por meio inspirado. Ela não foi registrada por hagiógrafos. Assim, a
autoridade da Igreja, que tem as luzes do Espírito Santo, que é o Senhor que
guia a Igreja a toda a verdade, ela pode interpretar os dados da tradição e
trazê-los à luz. Mas também não é inspirada a escrever. Ela possui a
assistência do Espírito Santo para não afastar-se da Palavra de Deus. Assim, a
tradição aparece nos escritos patrísticos, nos costumes católicos, na liturgia,
na arqueologia, nos documentos dos sínodos e concílios, especialmente nos
concílios ecumênicos, e nos documentos papais. E todas as doutrinas da tradição
estão em conformidade com o texto bíblico, não podendo uma sequer estar em
oposição a uma doutrina revelada. A Sagrada Escritura é a Palavra de Deus. Veja
o que afirma um livro católico sobre a Bíblia: “Não conseguiremos ter “os
mesmos sentimentos de Cristo” (Fl 2, 5) sem ouvir, ler, meditar, estudar e
conhecer a sua santa Palavra.” E, lembrando o que diz São Jerônimo, palavras
que são trazidas, também, no Catecismo, quem não conhece o Evangelho não conhece
a Jesus Cristo (cf. A Sagrada Escritura, coleção escola da fé II, ed. Cléofas. No catecismo está da seguinte forma: “Porquanto
ignorar as Escrituras é ignorar Cristo” (Catecismo da Igreja Católica, número
133). Não é preciso falar mais nada, por é imprescindível para o cristão
católico conhecer a Bíblia.
Gledson Meireles.