segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Lucas 23, 43 e a promessa de Jesus


Argumentos ateus são tirados das passagens difíceis da Bíblia, aquelas que mesmo os crentes fieis têm dificuldade para entender, embora não apresentem nenhuma contradição. E mais. Não há problema alguma para a fé cristã.

Uma delas é Lucas 23, 43, onde Jesus promete que o ladrão estaria com Ele no paraíso. Se for naquele mesmo dia (hoje), diriam os ateus, isso é contraditório, já que em João 20, 17 Jesus afirma que não subiu para o Pai, que, podemos dizer, é o paraíso. Ainda, ele ficou, conforme Atos dos Apóstolos, quarenta dias na terra antes de subir para o céu. Portanto, a passagem seria uma falha.

Primeiro, o evangelho de São Lucas foi escrito de forma bastante meticulosa. O autor inspirado pesquisou as informações que iria escrever. Assim, o ladrão foi ao paraíso naquele mesmo dia apenas em espírito, pois o próprio evangelho mostra que Jesus ressuscita apenas três dias depois. O evangelista sabia disso. Ele não poderia estar falando de ir ressuscitado para o paraíso no mesmo dia, como fica na argumentação baseada em João 20, 17, pois é clara a menção da ressurreição no terceiro dia em todos os evangelhos. Outra versão seria que o paraíso não é o céu, mas o paraíso terrestre após a vinda de Jesus. Assim, o argumento ateísta não procede, nem conforme o texto do evangelho de Lucas em si, nem passa pela exegese com outros evangelhos.

Ainda, percorrendo outros evangelhos, temos que Lucas 16, 25 mostra o hades, chamado na mesma passagem de o Seio de Abraão, onde as almas salvas já são consoladas. É patente aqui o conceito de paraíso.

Cristo morre e desce ao Hades em espírito, conforme as Escrituras. Tudo está bem claro. Portanto, naquele mesmo dia o ladrão e Cristo estariam no Hades, no paraíso, o Seio de Abraão. Mais uma refutação.

Mesmo que o ateu não creia na Bíblia, precisa notar que há uma coerência textual aqui, tanto no evangelho quanto nos textos comparados com outros evangelhos.

E quanto à onipresença de Deus? Subir para o Pai negaria a onipresença de Deus, como se Ele estivesse só no céu? Nunca.

A Bíblia em passagem alguma diz que Deus está em toda parte da mesma forma que está no céu. O texto de João 20, 17 traz um modo mais localizado da presença divina nos altos céus, e não possui nenhum conflito com a presença de Deus em toda a criação. Doutro modo, não haveria lugar para falar de ir ao Pai. Então, o conceito bíblico não é o que o argumento ateísta usa para formular sua fraca objeção.

Portanto, seja como for, de qualquer forma que o texto de Lucas 23, 43 usar a vírgula, Jesus não mentiu de forma alguma para o ladrão. Ou ele se referiu ao Paraíso do Hades, como está na Bíblia em Lucas 16, ou referiu-se ao futuro paraíso, como está descrito em toda a Bíblia sobre a renovação da terra. E a nossa fé sempre firme em Nosso Senhor Jesus.

Gledson Meireles.

sábado, 5 de setembro de 2026

Argumento ateu sobre a escravidão, que surgiu do debate do Guilherme com o Daniel

 Escravidão

Deus legislou sobre a escravidão, sabendo que isso causaria o problema que culminaria na escravidão moderna.

O contexto cultural e a pedagogia divina explicam isso. Deus ensina o ser humano a partir da realidade em que ele vive. É verdade que o bem e o mal no mundo são ações humanas. O bem é a ação de acordo com o padrão de Deus, e o mal é aquilo que se afasta desse padrão.

O ateu pensa que tudo deveria sair da mente de Deus de um modo pronto e acabado e transcender o tempo e a cultura, de um modo direto, certo, sem interferências e de acordo com as exigências dos ateus, pois os mesmos não acham suficientes as provas da existência de Deus que são apresentadas na realidade. Mas essa totalidade de evidências não se dá nos pormenores, senão nos princípios. Deus é claro em seus princípios. E, nesse caso, é nítida a correção dos princípios da Bíblia que mostra a igualdade espiritual entre os seres humanos e a fraternidade.

Na Bíblia, isso pode ser visto na proibição do sequestro e contra os maus tratos dos escravos, como a lei relativa aos escravos fugitivos (Dt 23, 15-16), que não deveriam ser devolvidos aos senhores, mas deveriam ter a liberdade de escolher onde ficar em Israel, e a lei de não opressão ao escravo fugitivo, o que é claro estar segundo a vontade de Deus, como também na lei de repouso do sábado. É algo sublime e bastante além do espírito da época, e que evoca um dado da mente perfeita de Deus. Então, não é tão simples o argumento ateísta, mas falho em não reconhecer isso.

Se a escravidão fosse correta e aceita na Bíblia, era de se esperar que a mesma contivesse os excessos que aquelas culturas praticavam contra os escravos, e inculcasse isso. Mas não. É justamente o contrário, onde a mensagem do amor prevalece e começa a quebrar a dureza de coração generalizada na antiguidade. Esse é o ponto que o ateísmo perde em suas elucubrações. Ao invés de pensarem que a Bíblia deveria conter a expressa condenação da escravidão nos moldes do século 21, para ser reconhecido como um livro inspirado, eles deveriam ver que as coisas nem sempre se alinham sempre às suas exigências.

Deveriam entrar no assunto e pensar melhor, revendo seus argumentos e as respostas cristãs, com mente aberta, entendendo o problema e vendo como foi a sua solução. E de fato há sinal do poder de Deus nessa questão inteira.

Para Santo Tomás, por exemplo, a escravidão não é natural, como pensam os ateus a respeito da posição cristã sobre o tema. Isso já é outra forte pancada na posição ateísta, que não conhece o tema profundamente.

Outra questão é que Santo Tomás aceitou a escravidão apenas como “instituição” histórica, da humanidade caída, mas mostrou que os homens são iguais e espiritualmente livres perante Deus. Isso criou a base moral para reconhecer a liberdade como direito fundamental, e essa base é fundamentada na Bíblia, de onde Santo Tomás partiu para escrever sobre o assunto e corrigir os erros que a filosofia antiga continha. Assim, na Suma Teologia Questão 96 artigo 4, a escravidão é consequência da queda, e portanto algo negativo. Sendo assim, a escravidão surgiu do pecado, do erro humano, e a partir disso Deus agiu aos poucos para curar essa ferida profunda na natureza humana, assim como fez com outros erros humanos.

É bastante interessante que a Bíblia não possua nenhuma autorização para escravizar, nenhum mandamento para isso, mas apenas transmite o costume daqueles tempos e introduz leis que melhoraram a condição humana já naquela circunstância. Isso é um avanço, o mesmo que o ateu procura enfatizar em seus argumentos, não vendo que já existe avanço em prol da liberdade humana no texto bíblico. Portanto, o ateísmo é refutado aqui.

Existe na Bíblia algum texto onde a escravidão é mostrada como desejada por Deus? Obviamente não. Portanto, tudo o que está acima é um problema para o ateísmo.

Os frutos morais dos cristãos é algo citado na avaliação do debate. Os argumentos dos frutos morais escassos (Paul Draper). Se for bem analisado, de um modo mais objetivo, é verdade sim que os cristãos oferecem exemplos de santidade, frutos morais, em maior escala e mais profundamente, quando comparado o Cristianismo e outras religiões. São valores muito elevados vivido pelos santos. Também os direitos humanos, a caridade e as instituições de apoio ao próximo, que são valores inquestionáveis, são obras cristãs, e se destacam na história universal. Parece que o argumento de Paulo Draper não tem tanta força assim.

A respeito dos males horrendos, é preciso notar que a liberdade do homem explica isso. Por exemplo, um animal que sofre no incêndio florestal até a morte. Seria um mal sem propósito. Como Deus permite isso?

É preciso entender que se trata do desequilíbrio da natureza, um mal, é claro, causado na maioria das vezes pelo ser humano, que põe fogo nas florestas. Dessa ação má sofrem todos ali, e isso será cobrado no juízo. É racional o pensamento de que a desordem não vem da criação, mas de algo que atingiu a criação depois. E a ciência mostra que a ação humana causa desordem na natureza. Sabemos que se trata do pecado, que faz até a criação gemer as dores do parto.

Do ponto de vista ateu, que vê a maldade do sofrimento daquele pobre animal, e a falta de propósito para aquela dor, esse mesmo ateu deverá resignar-se ao pensar que de fato é assim, não há propósito, o mal venceu naquele momento e para sempre, e tudo continua como se nada tivesse ocorrido. E mais, se for um mal causado pela má ação do ser humano, aquele ser que causou o incêndio o fez determinado por inúmeros fatores, pois não era livre. E assim, um mal determinado pela natureza e que não tem propósito algum e ficará impune eternamente. Esse é o credo ateísta aqui delineado nesse argumento.

A fé em Deus garante que tudo será renovado, e a justiça prevalecerá, como a nossa inteligência exige que seja. O ateísmo possui mais essa lacuna.

Gledson Meireles.

domingo, 30 de agosto de 2026

Debate Guilherme vs Daniel

Aqui vão algumas considerações do debate. Em geral foi muito bom, respeitoso, rico em argumentos.

Mas, vamos mais aos pontos em que o ateu expôs.

O Daniel fala das suas primeiras dúvidas com relação à Bíblia. Essas revelam algo importante. Quem escreveu os evangelhos? Tanto tempo depois? É confiável isso? Talvez a radicalidade da dúvida já se expressa aí, e isso é um sinal do empecilho que há na mente para procurar a verdade de fato.

Ou seja, partindo de ideias que são praticamente impossíveis de serem totalmente explicadas e suficientemente satisfeitas ao espírito que duvida, e assim é pensado por quem duvida, essas ideias se tornam o “motivo” da rejeição de tudo aquilo que o indivíduo de fato não pretende ir atrás.

Aqui se faz uma generalização a partir de um caso concreto, que serve para tal. Não é dito que foi assim com o Daniel, mas é uma indicação das coisas que se dão na mente que abraça o ceticismo. E, com isso, se entende as forças que levam ao ateísmo.

Assim, como é impossível que se volte no tempo e veja como as coisas aconteceram de fato, e experimentar certas coisas, como ver Jesus ressuscitando na manhã de domingo, por exemplo, e sendo isso algo poderoso demais para se crer, é preferível ao cético crer que os discípulos, na melhor das hipóteses, foram sinceros mas abraçaram uma fábula, imaginando algo, tendo um delirium, ou algo do tipo, mas não ir além para resolver o que subjaz à própria dúvida e dificuldade parar crer.

Por que Deus se esconde? O Daniel, como outros autores, imagina que a experiência com Deus deveria ser algo bastante “palpável”. A pergunta: por que não responde a todos que te buscam? Revela isso. O indivíduo pretende sentir algo mais, algo que satisfaça sua exigência, que é ter uma experiência tal, e de tal modo material, que não justifique qualquer dúvida em si mesmo. Mas antes disso, deveria pensar que a experiência espiritual não tem qualquer das características exigidas. E, assim, nenhuma das exigências será satisfeita, por se tratar de uma coisa que acontece em um campo diverso daquele que se espera que aconteça: o espiritual. Negando o espírito e exigindo que o mesmo aja como matéria é fechar-se ao diferente.

Uma indicação, que pode ajudar, é começar a aceitar a possibilidade da existência de Deus, um agnosticismo, podemos dizer, que é algo mais inteligente que o ateísmo, e a partir daí procurar entender, a partir dos fenômenos, como é a experiência com o divino na vida de bilhões de seres humanos, a partir daquilo que é relatado, para que se entenda como o espiritual é sentido pelos seres humanos, e não exigir que Deus tenha de ser assim ou de outro modo para que se possa crer em Sua existência. É um ponto de partida interessante.

Por exemplo, as guerras, as brigas, e etc., o mal em geral, é um motivo usado para não crer. Os ateus estão utilizando de exemplos e tentando entender através desses o que é incompatível com a ideia do bom Deus. Certamente estão usando os dados de forma equivocada, mas o que se pretende aqui é mostrar como se deve partir de outros elementos, igualmente presentes na vida de inúmeras pessoas, para certificar-se de como é vivida a espiritualidade na humanidade. Com isso, pensar: você já viveu isso? É possível isso em sua vida? Por que você não teve ou tem essas experiências? Elas são apenas produto da matéria, das operações do cérebro? Que evidências tem para ser dogmático nisso? E etc.

Quando o Guilherme diz que Deus já se revelou bastante ao Daniel, o suficiente, ele acertou em cheio. Obviamente não falta a Deus o revelar-Se. É preciso aceitar o suficiente para ir além.

A liberdade foi citada. O Daniel já havia afirmado não crer no livre arbítrio. Certamente sua noção de livre arbítrio está equivocada. O exemplo dado pelo Daniel, sobre os que nascem em lugares que praticamente impossibilitam ou dificultam o máximo o conhecimento do Deus verdadeiro, causando a danação eterna daqueles indivíduos, usado como motivo contra o livre arbítrio, revela problemas na compreensão do debatedor.

Primeiro, por que o mesmo usa o exemplo para combater a noção de livre-arbítrio? Por acreditar que sendo verdadeiro o Deus da Bíblia e sendo quase impossível que milhões de pessoas que vivem em países não cristãos conheçam esse Deus, único capaz de salvá-los, isso torna certa a condenação dessas pessoas, o que toca no senso de justiça que temos. De fato, seria injusto de assim o fosse. Deus não poderia causar a condenação de ninguém, condenando inocentes que não o conhecem e não tiveram oportunidade de conhecê-lo. Esse argumento está correto.

No entanto, ele está em conformidade com a liberdade e não funciona como pensou o ateu. Deus é único. O mesmo Deus é acessível à inteligência e revela-Se de diversas formas. Assim, os que crerem em Deus e viveram se acordo com essa fé, em sua consciência e liberdade, serão salvos, estejam onde estiverem. Assim, não será necessário conhecer cada detalhe da revelação divina, mas ter a fé mínima em Deus.

Desse modo, na fé cristã a justiça é suficientemente compreendida e a liberdade de cada uma também. Esse argumento ateu perde esses detalhes e equivoca-se bastante.

O Guilherme mostra como se converteu, a bagagem erudita que tem para falar do tema, e a falta de conhecimento que o ateísmo tem do Cristianismo.

O Daniel acredita que há autores ateus mais sofisticados, talvez não lidos pelos Guilherme. Mas o Guilherme afirma que leu Bertrand Russell, David Hume. Só aqui já não há lugar para dizer que se tratam de ateus pouco sofisticados. Mas, com certeza o Daniel não ficou satisfeito, pensando que há melhores: vou te dar umas dicas depois, de outros. Essa frase mostra isso.

Quem escreveu os evangelho?, foi a dúvida que levou o Daniel para fora da Igreja Católica. É algo que mostra o quanto o mesmo está no campo da pesquisa material. Por exemplo, ao dizer que a caridade da Igreja é uma das maiores virtudes, isso mostra o espírito de amor ao próximo. Essa virtude no ateu pode leva-lo à fé, quando bem orientado. Mas ao crer que a fé em Deus é algo ilusório, e que serve para dar uma força à prática da caridade, pensa conforme os ditames ateístas.

A questão da fé e da razão surgiu no debate. E a escravidão também, sem maiores aprofundamentos.

Argumento ateísta mais difícil e forte seria o problema do mal, segundo o Guilherme, considerando o ponto de vista emocional, e não lógico.

E o argumento cristão mais forte ou difícil de ignorar, para o ateu, seria o argumento do motor imóvel, segundo o Daniel. Ele dá o exemplo de uma refutação, pois o motor imóvel pode não ser o Deus que o cristão cultua e pode também não ser um deus, o que validaria o ateísmo.

O ateu que vive fazendo o bem e o mau que se arrepende no fim da vida. Quem é salvo? Certamente ambos.  É impossível fazer o bem sem a graça divina. E a graça comum leva o homem que vive segundo a lei natural ao bem e Deus o salva.

E quanto ao argumento mais forte de ambos os grupos? O argumento metafísico, segundo o Guilherme.

O Daniel acha que a esperança da vida eterna no céu é um consolo, mas não é razoável. Não houve debate sobre esse ponto.

Quando o Daniel diz que “gostaria de estar enganado”, isso mostra a razoabilidade tremenda e maior da fé cristã. De fato, vivendo segundo as suas convicções, e, portanto, realizado nelas, o ateu perderia muito se o Cristianismo estivesse certo. O cristão não perderia praticamente nada se o ateísmo fosse a verdade.

Em resumo, que o leitor peça a graça de Deus e cresça na fé, em Nome de Jesus Cristo, Nosso Senhor e Salvador.

Gledson Meireles.


domingo, 16 de agosto de 2026

A assunção de Maria e a origem do culto a Maria

 

A assunção de Maria e a origem do culto a Maria

A leitura do Apocalipse 12 sugere que algo de extraordinário ocorreu como a virgem Maria. O símbolo dela é visto no céu. Ela é protegida por Deus. De um modo misterioso a mulher foge para o “deserto” com as asas dadas por Deus a ela para que voasse. É um símbolo profundo. O deserto é um lugar “fora do alcance da cabeça da Serpente” (Ap 12, 14), o que indica ser um lugar espiritual, fora da terra. A virgem Maria foi elevada ao céu.

Quando santa Isabel ficou cheia do Espírito Santo em Lucas 1, 41 e exclamou que Maria é bendita e o fruto do ventre dela (Jesus) é bendito, sendo honrada com a visita da mãe de Jesus, ela a saudou com reverência. E mais: essa reverência foi inspirada por Deus.

Mais adiante, a virgem louva a Deus e diz que “todas as gerações” a proclamarão bem-aventurada (v. 48). Desse modo, desde os primeiros dias, os cristãos honraram a virgem Maria.

Gledson Meireles.


domingo, 5 de julho de 2026

A realidade em 10 minutos (Ateísmo), parte 2

A filosofia cética ensina que o universo é natural e indiferente. E o motivo é o Problema do Mal. Na verdade, Matheus Benites qualifica esse problema apontando para a quantidade do mal, e não ao mal em si, o que já é algo diferente do argumento ateísta tradicional.

A realidade apresenta abundante sofrimento e ausência de manifestação sobrenatural.  O que isso significa? Que o mal espalhando em muitos lugares na realidade é incompatível com a existência de Deus, que é perfeitamente bom, perfeitamente sábio, e perfeitamente poderoso.

Isso significa que a evidência aqui retirada da realidade está sendo avaliada pela razão. A existência do mal na realidade é evidente. A ideia de Deus como perfeitamente bom, sábio e poderoso é contraposta a essa evidência. Então, conclui-se que não há Deus.

Mas, vejamos um pouco mais: o filósofo ateu afirma parte do sofrimento pode ter justificativa que nós desconhecemos, mas não todo o sofrimento. Isso quer dizer que a constatação de tanto sofrimento no mundo torna certo que Deus não existe. Então, a existência de pouquíssimo sofrimento não poderia gerar esse sentimento de revolta nem formular argumento contra a existência de Deus.

A admissão de que pode haver explicação para muito do sofrimento existente já é algo fenomenal, um avanço incrível. O que não pode ser concluído com certeza é afirmar que sofrimento em si, todo ele, não pode justificado. Por que um pouco do sofrimento é possível de ser razoavelmente explicado e o sofrimento em si, a sua existência, não pode, por causa da quantidade? Essa questão fica para o filósofo explicar.

A evidência do sofrimento e a existência de Deus aponta para a limitação da razão para entender tudo. Mas esperamos que haja um propósito para tudo o que existe de mal, porque a nossa própria natureza é contrária a essa existência e exige justiça.

De fato, essa mesma exigência natural leva a formular a prova contra a existência de Deus caso o sofrimento seja inexplicável e desnecessário. A lógica é usada aqui como a única forma de conceber esse dado da realidade caso o mesmo seja assim.

Dessa forma, se o mal tem propósito, já não é argumento contra a existência de Deus, mas apenas um problema bastante difícil para ser resolvido no atual nível de conhecimento da humanidade.

O outro problema proposto é o do ocultamento divino, pois se esperaria de Deus ter sua manifestação clara, pública e inequívoca. Essa é a exigência de que Deus seja Material, algo que possa ser experimentando pelos sentidos físicos. Não sendo assim, a prova não é aceita. É colocar regras para a resposta, do contrário não se admite a resposta.

O problema desse argumento é que o mesmo não consegue perceber que a própria existência da realidade exige que concebamos na razão uma causa para tudo o que existe, o que leva inexoravelmente a Deus.

Portanto, quando o ateísmo admite que não tem prova de que Deus não existe, talvez esteja com essa aparente humildade intelectual tentando afirmar que não existe prova para a existência de Deus, e que as provas dessa existência seriam os chamados “juízos de plausibilidade”, tidos, porém, como implausíveis.

Ao longo do vídeo o autor se mostrou como tendo certeza absoluta de que Deus não existe, mas citou algumas vezes, como exemplo de honestidade intelectual, que apenas adere à melhor explicação, a mais plausível, já que a explicação teísta não tem esses sinais e requisitos. Ao mesmo tempo demonstrou certo agnosticismo. Talvez a filosofia esteja levando o Matheus aos poucos ao teísmo, o que é inevitável.

Gledson Meireles.

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Comentando o conteúdo do vídeo "A realidade em 10 minutos (Ateísmo)", de Matheus Benites

 A realidade

Segundo o filósofo ateu Matheus Benites, a tese de que “deuses não existem” está correta. Isso significa que ele acredita que há provas para o ateísmo, que é a mais plausível teoria.

Vamos começar provocando. De fato, “deuses” não existem, existe apenas um Deus.

Obviamente, o que o filósofo está afirmando é que não existe um Deus, mas certamente vale a provocação para começar a refletir.

O jogo que o filósofo está jogando não é o de sentir-se acolhido, ou ter propósito na existência e no fato da morte. Também não se trata de segurança.  Ele admite que a segurança existencial e o conforto sobre a morte é plausível com a crença na existência de Deus.

Nesse ponto, há um lampejo da verdade. A existência de Deus é mais confortável, dá mais segurança. O ateísmo gera desconforto e abre mão da segurança. É isso? Vamos ver.

Então, essa filosofia dispensa qualquer sentimento de segurança e conforto. Acredita que não há necessidade para isso. Crê que não há propósito algum na existência de tudo, nem na existência humana. E na morte não procura nada, pois de fato, coerente com essa visão, na morte não haverá nada.

Aqui temos a negação do espírito. A peremptória negação de Deus. A realidade fundada na materialidade absoluta. A mente como expressão de uma atividade da matéria, surgida acidentalmente.

Essa mesma mente, com a razão, que tanto nos fascina, surgida há pouco tempo na eterna história da realidade, com sua complexidade abstrata, é nada mais nada menos que a ferramenta que o filósofo está usando para construir seu argumento e tentar entender a realidade. Ele usa princípios e recorre à lógica. Nada mais justo.

E então o estudioso coloca as questões: “A que custo você está sacrificando a busca honesta pela verdade da realidade em que você vive, na única vida que você conhece. Você realmente quer sacrificar isso? Você quer mergulhar na auto-ilusão e suicidar-se para a filosofia? Para aquilo que o distingue das bestas e te faz humano? Para o que há de mais interessante na sua condição? Isso seria covardia, além de hipocrisia.” É algo trágico, termina afirmando o filósofo.

Há um valor muito forte, profundo e importante que é vislumbrado aqui nessas palavras. A busca pela verdade, a coerência no viver, o valor de estar conectado à verdade, nessa “única” vida física, nessa vida material que se tem, segundo a doutrina do ateísmo. O valor da honestidade, da verdade, da conexão com a verdade nessa existência. A admissão de que o ser humano é distinto “das bestas” por ter essa capacidade de pensar, de abstração, de planejar, de projetar, de ir além do simples material, pensando em coisas que na realidade tangível não existem, como a moral, que não é vista, não é tocada, nem sentida, nem observada em si, mas existe nas relações humanas, e etc.

O que temos aqui? Tudo o que o cerne do arcabouço doutrinário do cristianismo contém. A Verdade, que é o próprio Deus. Os valores que são imprescindíveis para bem viver e estar em comunhão como Criador. A importância de tudo isso. Tudo aparece nesse arrazoado ateísta.

No entanto, a realidade aqui é eterna, essa materialidade eterna, e está no lugar de Deus. As coisas imateriais, que são pensadas pela mente imaterial, e que mostram ser elas mesmas uma realidade de natureza espiritual, são interpretadas como criações dessa matéria eterna que as fez surgir sem propósito e de modo acidental. Essa Matéria eterna, e fundamento de todas as coisas, está no lugar de Deus na mente do ateu.

O propósito não pode existir sem inteligência. Então o propósito não existe, segundo o dogma ateísta.

A Matéria, com sua regularidade física, com suas regras sem causa, desenvolve por meio de uma força cega e sem finalidade, usando leis e ordem que dão surgimento até a coisas que fogem, ou são sutilíssimas em comparação, à materialidade mesma, como essas coisas não existentes, mas concebíveis na mente e que são vividas, experimentadas, na realidade material, esses conceitos como o da moral. Essa sim é a força da Matéria que “cria” coisas tão portentosas, tão fortes. A mente, a razão, com suas leis, a lógica, os princípios, a capacidade de abstração de coisas que fisicamente não podem ser vistas. Tudo proveniente da matéria que não pensa.

Essa Matéria física e irracional cria realidades abstratas, e, enfim, a mente que age por meio de razão e da lógica, em um funcionamento exigente e coerente, podendo abstrair as leis da realidade física que regem a existência total. A Matéria criando a inteligência.

Entretanto, essa Matéria age como Deus. Ela é eterna, é o fundamento, a arché de tudo, e dela pode surgir o que é “espiritual” e, por que não dizer, que é mais “poderoso” que a própria realidade física. De fato, a mente formula ideias que regem, governam, controlam coisas na realidade. Essa Matéria é de fato Todo-Poderosa.

Contudo, ela cria o que não tem. Ela é irracional e dá surgimento à razão. Essa mesma razão humana que não admite tal tipo de contradição. Portanto, a razão não leva a crer na existência toda como absolutamente material. Eis o primeiro ponto.

Então, como viver? Com sentido, com razão, com lógica, com coerência, na verdade, com o sentir-se integrado ao que melhor existe no mundo. É assim que a vida faz sentido. Negar isso, “sacrificar” a verdade é ser desonesto, é perder o que há de melhor, é, certamente, viver sem sentido.

Com isso, integrado ao aqui e agora, sem pensar no futuro além da morte, morte essa vista como fim da existência desse ser racional, sem ter de dar satisfação da vida a alguém mais, além de si mesmo, sem a necessidade de sentir-se salvo e seguro por outro, é a integração desejada que dá valor ao existir.

É como a satisfação que se tem de estar vivendo bem e integrado, na verdade ou à procura constante dela, ao mesmo tempo em que se tem a consciência de estar no caminho certo, com coerência com as leis naturais, dando o que há de melhor e mostrando para si mesmo que não se está vivendo contra a verdade. Aqui, o ente que toma o lugar da ideia de Deus é a própria Mente Humana Individual. O “deus” é a própria pessoa. Esse “deus” que surge dessa exigência racional, e que, sendo assim, trai a própria razão que requer um Deus Todo-Poderoso e acima da simples materialidade. A própria razão não admite que esse deus seja ela mesma. O segundo ponto.

O propósito está no presente. Aqui e agora é a única esperança nessa visão ateísta. A morte não pode entrar na reflexão por estar ligada ao material que terá fim absoluto quanto ao ser humano individual. Pensar nisso, em existência além da morte, seria contrassenso, na doutrina do ateísmo.

Assim, o acolhimento que existe é o do próprio eu que se sente realizado. Ao invés do acolhimento por uma força superior e além, é o sentir-se acolhido por si mesmo.

Essa realização vem da vida relativamente feliz que se tem. O propósito é também trazido para o presente, e o fato da morte é afastado e admitido como fim da única vida possível.

Nesse coerente sistema, o lugar de Deus está preenchido de algum modo na razão, e assim a mente descansa relativamente tranquila. Essa busca de Deus tem algo nessa doutrina que de alguma forma é satisfeita. Assim, por trazer paz e sentido para a existência, se tem a ilusão, se tem a ideia, de que o sistema é verdadeiro. Mas é essa ideia verdadeira? Ou será de fato ilusória? É o que será abordado adiante. De fato, é o que já se vislumbrou do que foi discutido acima: não pode ser assim. E quem o diz? A própria razão humana.

Enfim, é o bem viver para mostrar a si mesmo que está vivendo o que sua inteligência aponta para como a boa forma de viver, para, no final, desaparecer para sempre. E o que não o fizer, e viver de qualquer jeito, terá suas consequências aqui, certamente nem todas que logicamente se espera que tenha, para chegar no fim e, igualmente, desaparecer para sempre na morte. E para os ignorantes e desafiadores de todas esses princípios e mais outros, esses também, quando chegar o fim, morrerão e deixarão de existir completamente como seres pensantes. E qual a diferença de cada um? A diferença básica da vida que levaram, não tendo nenhuma recompensa nem lucro em comparação com a mais débil existência. Faz isso sentido? Obviamente não. E só observar o fato encontrado no fundo do ser humano da busca por algo maior e mais profundo. Pelo Bem eterno. Não há a busca e conformidade com o fim, a não ser que se esteja em meio ao mal. Ninguém deseja fugir do bem. E assim, há o desejo da eternidade feliz. E onde ele está nesse sistema naturalista-ateísta? Em nenhum lugar. Então tudo isso é um contrassenso. Terceiro ponto.

Essa eternidade do ser como a própria materialidade existente não é o que a razão leva a formular. É apenas um recorte disso. É um ato de colocar a Matéria no lugar de Deus.

Precisamos de invenções e convenções para viver com bem-estar? Por quê? Essa existência é “suportável” e até “desejável” durante o seu curso. Como explicar isso? Essa fala lembra o que foi dito antes, do desejo da eternidade.

Ninguém foge do bem. Como a realidade mostra o definhamento do ser humano, é concebível que haja espaço para querer deixar de ser, preferindo isso do que ver-se em estado lastimável de existência. Não existiria tal desejo se fosse capaz de nunca perder a vitalidade, onde o desejo de desaparecer nunca surgiria. Assim, tal desejo é intelectual, e não imaginário. É racional, e não fantasioso. Desse modo, a filosofia embasa essa verdade espiritual e refuta o materialismo. Estamos aqui no campo da razão.

Mas, afirma-se que o naturalismo, a posição mais parcimoniosa e embasada por evidências? Será, mesmo diante de tudo isso?

Gledson Meireles.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Argumentos ateístas sobre a história bíblica

 

Foi publicado um vídeo com ideias ateístas fazendo um resumo da doutrina bíblica sob uma linguagem que torna tudo um mito, uma fábula, uma mentira, uma coisa sem sentido. E todos os adeptos do ateísmo aplaudem, porque consideram essa abordagem a única correta, crítica e erudita, a única coerente, normal, saudável. E nessa leitura chegam a encontrar a paz de espírito que tanto procuram, pois veem nela a expressão da verdade, contra o erro e a “ignorância religiosa”. De fato, o ser humano procura algo que faça sentido à sua busca pela verdade.

Pois bem, vamos analisar as palavras do autor, com sua linguagem interessante, sua imaginação fértil, seu senso de humor, e seu talento para formular esse texto chamativo. No entanto, como a questão é a busca da verdade, tudo isso é apenas adereço. Vamos ao essencial.

O sacrifício humano de Cristo e a posse do salvo pelo Espírito Santo são vistos de maneira estranha. Uma maldição no jardim mágico, onde as duas pessoas eram uma proveniente do pó e a outra da costela. Assim se inicia a história relida pela imaginação do autor.

“Deus não gostou” que os seres humanos pensassem por conta própria, afirma, mas preferia que eles simplesmente obedecessem. Pensar por conta própria, a verdade, e a obediência, o mal. Há algo bem curioso aqui. Quem preferiria obedecer? De fato, o ser humano quer liberdade e não curvar-se em obediência. E assim o discurso é aberto de forma bastante natural e agradável.

Bem. Essa leitura parte do fato de que não há Deus, e de que Deu não é. E depois, entra na história para tentar mostrar as incoerências do texto considerado a revelação de Deus.

Entretanto, apenas outra história humana estaria sendo contada na Bíblia. O homem pensando por si é o bem maior. Nem a Deus deveria obedecer. Ou melhor, para o ateísmo, onde não há divindade, a mente humana deve procurar o “sentido” da vida e as “leis” para o bem viver de modo a encontrarem o fundamento para viver da melhor forma possível, como sendo melhores que quaisquer cristãos, já que estarão fazendo o bem sem esperarem quaisquer recompensas.

Então existe o melhor a ser feito, o bem a buscar para ter uma vida virtuosa e uma felicidade na vida. Esse melhor é o que é, sem fonte espiritual, e as regras e leis que existem são, talvez, a emergência de uma realidade que surge da interação dos seres morais, que, não se sabe como, criam a moral a partir dessas relações. Cada um não tem a moral em si, e essa existiria objetivamente, mas começaria a ser experimentada a partir da relação humana.

Pois bem. O melhor a ser vivido, a positividade da virtude, as leis morais, tudo o que rege a humanidade seria algo que leva o ser humano ao melhor dessa existência, embora cada um individualmente não tenha a possibilidade de trazer a si esse bem de forma certa, infalível e duradoura. É algo bom que flui da humanidade, quando a própria humanidade individual não tem esse bem que lhe faz feliz. Seria como zero + zero + zero e etc. resultasse em muita coisa. O nada criando algo que fundamenta a existência do ser humano e o leva ao melhor que pode existir.

Entretanto, tudo o que existe é imanente, provindo da própria humanidade ou, talvez, de algo que é puramente físico, acima ou anterior à humanidade, mas que não pode de forma alguma ser chamado, considerado, assemelhado, identificado a Deus. Por quê?

Porque há um dogma ateu que diz que tudo é imanente. Não há divindade. Portanto, sinta-se satisfeito com a resposta, e não procure de forma alguma aquilo que a razão pura, segundo o raciocínio mais reto, possa indicar, porque isso será chamado de imaginação.

Mas a própria ideia de Deus criticada pelo ateísmo traz consigo a perfeição. O que é o padrão para o melhor para a vida humana. Obedecer ao que é perfeito é garantia de felicidade plena. Seguir as virtudes, os valores, o bem, para encontrar o equilíbrio suficiente para bem viver.

Pensar por si afastando-se do padrão garantidor da felicidade é um erro, uma fraqueza e um contrassenso. O ateísmo concorda com isso. Mas a razão move a buscar o que é racional, lógico, bom e verdadeiro. Então, a obediência nesse caso é o que a própria razão ensina. Portanto, o que subjaz na história bíblica nada mais é que a própria refutação daquilo que o autor tentou destruir. Obedecer ao que é objetivamente bom para o ser humano é uma atitude inteligente. Justamente o que a Bíblia ensina.

Outra parte interessante da crítica é que Deus não teria pedido o consentimento da jovem Maria para ser a mãe do Salvador. Mas subentende-se da leitura bíblica que Maria deu seu sim de forma plena, voluntária, livre. Então, essa questão é apenas mais uma interpretação ateísta.

E mais. Jesus teria relativizado e bagunçado tudo o que Deus havia estabelecido. Os homens estavam certos ao condenar Jesus. E a lógica que é usada é que os que estavam tentando obedecer às regras do sistema antigo foram considerados errados.

Nessa interpretação ateísta da Bíblia, Jesus estaria errado ao ensinar. O texto antigo deveria continuar como tal, sem quaisquer reformas. Os homens que levaram Jesus à condenação estariam certos. Com essa lógica, muitos aderem às interpretações ateístas da Bíblia, pois a mente humana só considera um raciocínio que faz sentido, e esse faz, ainda que seja um recorte, uma porção da Escritura analisada através de uma crítica limitada.

E, por fim, uma afirmação interessante é que as orações dos cristãos pediriam para Deus mudar a mente das pessoas ao redor, mesmo contra a vontade delas.

Essa afirmação esconde o medo de render-se a outra opinião. Ela tem a pretensão de que não se deve mudar contra a vontade, o que relativamente está correto. Porém, nem sempre a mudança “contra” a vontade é errada, porque sendo o ser humano falível, imperfeito e inclinado a coisas que lhe fazem mal, é surpreendentemente comum encontrar resistência à mudança que lhe faria bem. Mas, o que importa a seguir a própria opinião. Ninguém defende isso de maneira crua, mas é o que subjaz no pensamento criticado acima. É com esse tipo de pensamento que o ateísmo tenta refutar o pensamento religioso, geral, e cristão, em particular.

Nessa crítica foi mostrada a raiz da aceitação desse pensamento ateísta por muitas pessoas. Ela quer ensinar a liberdade, a criticidade, a coerência. Tudo o que o cristão crê, ensina e deseja. Por isso, o ateísmo, por outros caminhos, adere-se aos valores eternos, sem perceber que o faz por meios bem inadequados. Se não fosse assim, por certa coerência interna, ninguém concordaria com seus raciocínios.

sexta-feira, 26 de junho de 2026

A frase ateia "eu não sei"

Há um vídeo curto  publicado por um ateu, onde o mesmo afirma que é honestidade intelectual afirmar: eu não sei, ao invés de aceitar as respostas da religião. Resumindo é isso.

Seria difícil para os que saem da religião aceitar que “não sabem” sobre os mistérios da vida. Ou seja, cada um dizer: “eu não sei”, porque a religião procura ter resposta para tudo.

As questões: “de onde viemos”? “para onde vamos”?,  são respondidas pelo ateísmo, que “não sabe”, sobre elas, ou supostamente ensina a dizer que não sabe, mas afirma: viemos do nada e vamos para o nada.

E cada ateu tem a certeza de que na morte não sobra nada, e não há consciência, nem Deus, nem juízo, etc. Ou seja, ao dizer “não sei” o ateu sabe certamente tudo. Que coisa!

A frase “não sei” não tem o sentido que tem, e não possui o sentido que pretende defender, porque ao dizer que não conhece algo, para refutar a religião, ao mesmo tempo afirma que sabe tudo, e sabe com certeza que aquilo que a religião responde está errado. Ou seja, o ateísmo é dogmático demais. Ou será que a certeza que o ateísmo tem é somente contra a doutrina religiosa? Mas não é justamente contra o dogma religioso que o ateísmo se põe a lutar?

“Por que sofremos”? O mesmo ateísmo que ensina a frase “não sei”, ao mesmo tempo sabe o motivo do sofrimento: não há propósito algum. O sofrimento é apenas o sofrimento. Não há razão, na há justiça futura além do mundo físico. É um dogma. É a resposta.

Mas ao mesmo tempo ensina a afirmar, contra a religião: “não sei”. Se a religião ensina algo sobre isso, e tenta explicar o sofrimento, o ateu, que “não sabe” sobre o assunto, deve dizer: isso que você está dizendo é errado, porque ninguém sabe sobre isso. O certo é admitir a ignorância completa sobre o caso.

Ao mesmo tempo, o ateísmo ensina a certeza de que não há espírito, não há Deus, não há julgamento, não há recompensa, não há ser além da imanência. Mas é bonito afirmar: não sei, ainda que dando a resposta dogmática, que resolve tudo. Que “belo” discurso!

“O que acontece depois da morte”? O ateísmo ensina a dizer “não sei”, porque isso é melhor que todas as respostas religiosas.

É essa a “dúvida honesta”, que, diante desse enigma da morte, o ateísmo ensina enfaticamente: na morte não haverá mais nada. Não há nada. Mas diga: não sei. Isso é uma certeza embutida na frase que não permite certeza alguma. Que lógico isso, não acha?

Ser maduro e honesto intelectualmente é dizer “não sei” diante dessas questões, ao mesmo tempo em que tem toda certeza, como visto acima. Existe o céu, o paraíso? O ateu afirma: não. Mas em que caso o “não sei” pode ser usado pelo ateu?

Quando se concebe que tudo é criação de Deus, para o ateísmo isso não seria suficiente, e o mistério também não resolveria nada. Deus criou! Tal e tal coisa é mistério! O ateísmo diz: não. Deus não criou, e tal coisa não existe. Simples assim.

Mas a afirmação “não sei” não é o mesmo que admitir um mistério ou algo muito próximo disso?

Porém o ateu blinda a sua crença de que “não há Deus” com essas frases, tipo: “não sei”.

Pergunte: Deus existe?

O ateu responde enfaticamente: não.

Ele não diz não sei.

Quando será que essa frase deve ser usada? Quando ela tem sentido?

Crer na realidade mesmo que essa seja desconfortável? Que prova há de que não existe Deus? O ateísmo não tem prova. Mas ainda assim crê no seu dogma.

E no fim, o autor afirma que não há céu prometido, não há final mágico e apoteótico, porque a vida sem ilusão seria a fonte dessa certeza.

Mas, então o ateu sabe que não há nada? Tem certeza que não há o céu a que esperar? De onde vem essa certeza?

Ou prefere usar a frase “não sei” e permitir que essa dúvida guie a sua busca pela verdade. Já encontrou a verdade? Não use a frase: não sei.

Se se quer usá-la, não afirme categoricamente coisas do tipo: não há céu a que esperar, não há Deus, etc. Pense.

Gledson Meireles.

domingo, 21 de junho de 2026

Mais reflexão sobre um argumento do ateísmo

Dizem: Deus não existe, a morte é o fim natural e aniquilação do ser, só isso.

Para o ateísmo a vida não tem sentido. É o que parece pelos argumentos sobre a morte. A morte, e a sua causa, seja ela de que tipo for, é apenas um fato sem explicação metafísica. A justiça praticamente não existe.

É assim que os ateus creem, e parece não perceberem que essa limitação de pensamento não é o que a razão determina.

Pois bem. Em vez de crerem no Deus Soberano que conhece todas as coisas e governa o universo com Seu poder, sabedoria, bondade e justiça, preferem crer nas forças físicas, que seriam eternas, isso mesmo, essas forças sempre existiram sem criador, que agem com regularidade, sem inteligência, o que já não faz sentido, e que por meio da lógica, do modo pelo qual o pensamento humano funciona, com essas leis também eternas do pensamento do ser humano, concluem que não há explicação para a morte, por exemplo, e estão satisfeitos com isso, ou afirma-se até mesmo que não há explicação conhecida para o fato, desde de que a hipótese de Deus esteja longe de qualquer possibilidade de explicação. No fundo há um desejo e uma força agindo contra a ideia de Deus.

Aqui se vê a eternidade de Deus ser colocada na matéria eterna. A inteligência de Deus ser transferida para a inteligência humana, agindo desde a eternidade nos indivíduos, e a partir desses, nos grupos humanos, falíveis, débeis e mortais. Ou seja, o pensamento, que é algo tão sublime, é apenas parte do “deus” homem que, na verdade, é um “deus” sem grande força e fadado ao fim.

O que as leis do pensamento tendem a apontar para o Deus Todo-Poderoso e Eterno, os ateus desviam para o ser humano sem si, o que não é algo que a razão propõe, mas que é uma conclusão que, no fim das contas, e refutada pela própria razão.

Escolher não crer no Ser eterno e todo-poderoso e usar a lógica para fundamentar a ideia de que não existe uma inteligência eterna que é fonte da inteligência humana, é colocar a lógica humana acima de todas as coisas, é algo bastante limitado.

Esse lugar só poderia ser ocupado pelo Deus eterno, e a inteligência humana, na sua vaidade, quer esse espaço. Quando o universo regido por leis físicas naturais, e o pensamento funcionando por leis da lógica e do pensamento, dá espaço à ideia de que não há nada anterior a essa realidade, que faça sentido e lhe dê sentido, quando o próprio pensamento exige esse sentido, que é praticamente intuitivo,  e decidir que deveria calar-se para aceitar a simples ideia de que tudo acabará e não há justiça alguma para ser feita, é realmente crer no “deus” homem tão débil, no lugar do Deus Todo-Poderoso espiritual e eterno. De fato, é essa a única coisa que o pensamento ateu consegue colocar no lugar de Deus, pelo que podemos entender, logicamente, do argumento acima comentado.

Se alguém disser que é assim mesmo e que nada faz sentido e que a matéria e tudo o que existe e no fim, e que o homem é deus, e a morte é nada mais que a aniquilação do ser, pode-se responder: tudo bem, mas não diga que essa conclusão é a melhor. É apenas a que você escolheu e julgou ser a irrefutável verdade. Diante do que se vislumbra do comentário acima, ela é bastante fraca e contradiz a razão que a concebeu. É lastimável. Entretanto, não pode suplantar a verdade sobre Deus.

Gledson Meireles.

domingo, 14 de junho de 2026

Argumento ateu contra o Cristianismo

 Argumento ateu contra o Cristianismo

Se o ateu não crê em Deus, então, seus ataques vão contra a fé daqueles que creem, contra os seus ensinos, os seus escritos, as suas instituições. Assim, quando um ateu não crê na Bíblia é porque afirma que a mesma é palavra humana, falha, limitada, contraditória, etc. Está criticando uma obra humana por não crer que exista uma obra divina.

Então, se Jesus diz em Lucas 9, 59-60 para um homem deixar os mortos enterrar dos seus mortos, isso seria exemplo de um abuso de autoridade. Seria como um chefe que não permite o empregado ir ao enterro do próprio pai e o faz trabalhar.

É assim que o ateísmo ensina a interpretar a Bíblia. Desse modo, lendo a Escritura alguém veria que Jesus é insensível à dor do outro e que estaria fazendo como o exemplo acima. Esse seria Jesus, que nenhum fiel estaria conseguindo encontrar na Bíblia. A interpretação ateia está mostrando. A lição que se teria era de que não haveria espaço nem para o luto do próprio pai. Eis o que o ateísmo aprende ao ler a Bíblia e por isso não a aceita.

Pela argumentação já se vê que a interpretação é fraquíssima.

Aqui não se está tentando refutar o argumento ateu, que já está refutado, como se nota acima, mas apenas mostrar como o argumento funciona.

Gledson Meireles.