Sola Scriptura
A
Igreja Católica ensina que há três fontes de autoridade, sendo a Bíblia
Sagrada, a Tradição Apostólica e o Magistério da Igreja. Esse ensino é claro,
direto, e unânime.
A
Igreja Adventista do Sétimo Dia ensina que somente a Bíblia Sagrada é fonte de
autoridade de fé e prática.
Como
já estudado em outros artigos no blog, a doutrina adventista tem sua fonte na
interpretação bíblica e há uma instância que serve de autoridade bastante
importante para a confirmação da doutrina, ou de testemunho sobre a mesma.
Esse
é o papel de Ellen Gould White, que para os adventistas, embora não saibam
disso, e ensinem que a profetiza tem uma autoridade menor, que é orientadora
nos pressupostos, confirmadora da doutrina, e não julgadora e nem fonte da
mesma, essa autoridade é, não obstante, semelhante ao lugar que a Tradição
Apostólica tem na Igreja Católica Romana.
Vejamos
nas palavras de um pastor adventista qual a autoridade de Ellen White e
comparemos com o que há na Igreja Católica em relação à Tradição no rol de
autoridade doutrinal.
Já
foi explicado aqui que Ellen White não é como o Magistério eclesiástico, não é também
como o papa. Essa comparação é feita muito comumente quando protestantes
debatem com adventistas do sétimo dia. É uma incompreensão do que é tradição
católica e do que é Ellen White no adventismo.
No
entanto, há a Tradição Apostólica, que é um autoridade para a Igreja Católica
que tem certa semelhança com a autoridade de Ellen White para a Igreja
Adventista do Sétimo Dia.
O
pastor usa a doutrina da imortalidade da alma para mostrar a força de
pressuposições diferentes que levam a lugares diferentes.
A
pressuposição platônica de que a alma é inerentemente imortal seria preciso
forçar o texto bíblico a dizer isso. Mas se se sai do pressuposto de que o
texto bíblico tem que dizer o que a alma é, você chega em lugar diferente. Esse
é o pressuposto bíblico.
Há
um problema grave acima. De fato, nunca se pode partir de um pressuposto
extrabíblico e forçar na exegese para que algo se adeque ao que a Bíblia
ensina. Assim, não se deve partir da doutrina da imortalidade da alma em Platão
e procurar textos na Bíblia que falem de alma imortal ou forçar textos para que
pareçam com o que Platão ensinou.
No
entanto, procurar o ensino da palavra alma na Bíblia e afirmar que o sentido de
alma é totalmente diverso do que o platonismo ensina, como se a Bíblia não
ensinasse nada com algum ponto de contato com a doutrina da alma imortal em
Platão, é um erro fundamental. De fato, o sentido do termo alma na cultura
grega é diferente daquele que tem alma na cultura hebraica. Mas o que a Igreja
Católica ensina a respeito da alma não é platônico, mas bíblico. E o uso do
termo alma, que vem mais comumente do helenismo, apenas descreve o que a Bíblia
ensina sobre a parte imaterial do ser humano.
Desse
modo, a imortalidade da alma é doutrina bíblica, mas não é a mesma doutrina
platônico. O estudante da doutrina católica deve partir desse pressuposto para
entender o catecismo.
Assim,
não é simplesmente dizer que a Igreja Católica tem outras fontes de autoridade
e que a Igreja Adventista somente tem a Bíblia, e que a doutrina sobre a alma
vem da Bíblia somente, como se a doutrina católica sobre a alma viesse de outro
pressuposto que não o bíblico.
Como
afirmado acima, pode-se afirmar que o que a IASD faz é um estudo do termo nephesh na Bíblia de certa forma que
encontra o conceito de que esse termo é geralmente mortal e com isso afirma que
não há dualismo na Bíblia e que a alma morre.
Aqui
não é o lugar para mostrar que isso não é tão simples é está equivocado. Há um
livro que faz um estudo exaustivo desse tema e responde a todas as objeções e
prova cabalmente que a Bíblia tem o ensino sobre a espiritualidade imortal de
parte da natureza humana, a qual sobrevive na morte, o que é semelhante ao que
a alma é no conceito helenístico. O livro é A imortalidade da alma não é lenda.
O texto está sendo revisado para melhor apresentação do tema, mas já pode ser
livro no scribd e no blog.
1º
A Igreja Católica não usa a filosofia de Platão e Aristóteles para provar a
alma. O uso da terminologia ou da linguagem filosófica em alguma parte da teologia
católica não significa que a doutrina seja de origem alheia à Bíblia, mas que a
terminologia serve de ferramenta para veicular conceitos de forma mais exata e
compreensível.
Isso
pode parecer chocante para o protestante adventista. E o leitor é convidado a
estudar o tema. Leia o livro mencionado acima.
2º
Os referenciais bíblicos usados pela IASD são como ditos acima, pois a Igreja
Adventista parte do que o termo alma geralmente significa no texto bíblico
original e conclui que a alma morre. No entanto, não encontra na Bíblia o que
realmente a Igreja Católica fundamenta a doutrina da alma no texto bíblico, por
usar um pressuposto bíblico equivocado, que não se aprofunda no sentido do
texto, como faz a Igreja Católica, mas usa-se mais os termos que o texto
emprega de forma geral e os compara com sentido do mesmo termo em outra cultura,
o que leva a equívocos.
O
livro resolve esse problema, e tantos outros, apresentando uma refutação formal
sobre o tema.
E,
por fim, o que o pastor diz sobre Ellen White é essencialmente o que um apologista
católico responde a um apologista adventista sobre o papel da Tradição.
Vamos
analisar cada afirmação e concluir a partir da mesma.
A
Bíblia é suficiente. Todo protestante concorda. Disso, os protestantes concluem
que não há necessidade de Ellen White para trazer testemunhos proféticos
extracanônicos.
Então,
o pastor afirma:
“Já que a Bíblia é suficiente e nós não
precisaríamos de nada nem ninguém pra desenvolver a exegese, pra dialogar sobre
exegese, para poder apresentar, para ensinar, para corrigir e fazer todas as
outras funções que um profeta tem pra fazer, então nós também não precisaríamos
de nenhum teólogo, não precisaríamos de nenhum pastor, nós não precisaríamos de
nenhum líder de igreja que gosta de estudar e fazer exegese porque no final das
contas a Bíblia é suficiente
A suficiência da Bíblia não nega ou
não minimiza a necessidade ou a vitalidade e a importância de um ministério
profético, e num grau obviamente diferente, de um ministério pastoral, de um
ministério de um teólogo...esses outros agentes usados por Deus ele têm suas
respectivas funções de reforço doutrinário, de reforço de testemunho”.
Pois
bem. A Tradição Apostólica é no catolicismo fonte de doutrina, onde os
apóstolos ensinaram a doutrina cristã. Contudo, a Bíblia é suficiente para
provar toda a doutrina, mas isso não quer dizer que minimiza a autoridade da
Tradição.
A
Igreja Católica também responde que se a Bíblia é suficiente para que servem a autoridade
das igrejas, as tradições respectivas, os teólogos? Então, em primeiro lugar
deve-se afirmar que para os demais protestantes a tradição tem papel semelhante
à tradição apostólica no catolicismo, ainda que ensinem que a tradição é
falível. Para os adventistas a questão que se compara aqui é sobre a autoridade
de Ellen White.
De
fato, aqui o pastor fazer diferenciação do dom profético com os outros
ministérios que possuem grau diferente, como os pastores, os teólogos, etc.
Isso é o mesmo que a Tradição é na Igreja Católica, que tem obviamente grau
diferente das interpretações dos padres e dos teólogos. Algo reconhecidamente como
parte da Tradição é doutrina revelada.
Ellen
White não é fonte de doutrina para os adventistas, e a Tradição é fonte de doutrina
para os católicos. No entanto, vemos que, conforme explicado, com as devidas
qualificações, o ministério profético de Ellen White para o adventismo é
comparável à autoridade da Tradição no catolicismo. De fato, sendo Ellen White
considerada inspirada uma doutrina confirmada com sua autoridade se torna
inquestionável pelos adventistas do sétimo dia.
FONTE: Vídeo. Como as
doutrinas adventistas foram realmente formadas. Foi invenção profética ou
exegese? (Pastor adventista Ricardo Nogarotto).
Gledson Meireles.