domingo, 17 de maio de 2026

LIVRO: Do sábado para o domingo, de Carlyle Haynes, estudo dos capítulos 2 e 3

 Estudo dos capítulos 2 e 3.

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Comentário: O sábado bíblico

 

O sábado criado na primeira semana da criação é o repouso (Gn 2, 1-3), e não em primeiro lugar o dia. O tempo em que o sábado foi criado foi o fim da primeira semana da criação, afirma Carlyle. No entanto, o mesmo se refere ao “sétimo dia”, como se somente nesse dia a bênção de Deus é derramada na humanidade que observa o repouso. Assim, somente o sétimo dia seria estabelecido por Deus para repousar, abençoar e santificar.

Uma vez criado o tempo, o dia sucede naturalmente, sendo o primeiro, o segundo e assim por diante. No entanto, como Deus não necessita de descanso, fazendo-Se repousar, deu à humanidade o exemplo e a bênção para repousar do trabalho, e o fez dentro de um período de sete dias, estabelecendo o descanso de um dia em sete.

Comentário: O sábado é um dia, não uma instituição

Carlyle entende que o “material” do qual Deus fez o sábado foi o sétimo dia. Essa separação do sétimo dia seria imutável, apenas sendo observado o descanso semanal naquele dia. Assim, seria o tempo do sétimo dia separado para o repouso. Mas, tal não parece ser o que a Bíblia está ensinando. Não há essa ênfase radical no dia.

Para provar essa asserção, Carlyle afirma que “Não nos é mandado “lembrar do sábado, para santifica-lo”, mas o mandamento diz: “Lembra-te do dia de sábado, para o santificar”. O dia seria o ponto importante aqui.

No entanto, como visto antes, o dia não é parte da lei moral, mas apenas o descanso. Essa necessidade moral está na lei de Deus, e o dia é parte cerimonial.

Tal compreensão de que o dia e o sábado são inseparáveis não parece estar nas palavras de Jesus: O sábado foi estabelecido por causa do homem (Mc 2, 27). De fato, o dia já havia sido criado, mas não o descanso.

Assim, o sábado no sétimo dia estabeleceu o descanso de um dia em sete. Não se trata da criação de um dia somente como possível para descansar e receber a benção divina. Por isso, a Bíblia afirma que o sábado é uma sombra (cf. Cl 2, 16).

Lembra-te de santificar o dia de sábado (Ex 20, 8).

O Senhor disse a Moisés: “Dize aos israelitas o seguinte: Eis as festas do Senhor que anunciareis como devendo ser santas assembleias: essas são as minhas solenidades:  Trabalhareis seis dias, mas no sétimo dia, sábado, dia de repouso, haverá uma santa assembleia. Nele não fareis trabalho algum. É o repouso consagrado ao Senhor, em todos os lugares em que habitardes (Lv 23, 1-3).

Embora seja conhecida a contagem do tempo desde o início da criação, a Bíblia ordena trabalhar seis dias e descansar no sétimo, como modelo desse descanso. Ainda, o texto sagrado afirma do repouso (sábado) consagrado ao Senhor, não se limitando à referência do dia. Ambos estão interligados, pelo modelo criado por Deus, mas o repouso é o fim desse mandamento, e não o dia em si.

O texto bíblico afirma que “o sábado é do Senhor em todos os lugares que habitardes” e não o sétimo dia é do Senhor em todos os lugares em que habitardes. O repouso é consagrado ao Senhor, o que inclui o dia, mas o sétimo dia é o resultado da contagem do tempo para o repouso.

Carlyle afirma que “O sétimo dia é o sábado; o sábado é o sétimo dia”, como dogma fixo de que o sábado não poderá ser feito em nenhum outro dia. Mas a Bíblia não fornece essa fixação referente ao dia.

De fato, em Levítico 23 os demais sábados continuam a ser promulgados. Desse modo, na Páscoa há o primeiro dia de santa assembleia, assim como no sétimo dia. Todos de igual importância na Lei.

Aliás, sobre o Pentecostes, em Lv 23, 21, está escrito: Nesse mesmo dia, anunciareis a festa e convocareis uma santa assembleia: não fareis nenhum trabalho servil. Essa é uma lei perpétua para vossos descendentes, em qualquer lugar onde habitardes. Então, o repouso é enfatizado, enquanto o dia o é dentro da contagem. Assim, nessas assembleias o primeiro e o sétimo dia são sábado.

Dessa forma, lê-se em Dt 5, 12: “Guardarás o dia de sábado e o santificarás, como te ordenou o Senhor teu Deus”, e no verso 15: “Lembra-te que foste escravo no Egito, de onde a mão forte e o braço poderoso do teu Senhor te tirou. É por isso que o Senhor, teu Deus, te ordenou observasses o dia do sábado”.

Trata-se do dia de descanso. O dia em que Deus descansou e também o dia em que Deus libertou o povo da escravidão do Egito. Esses dois motivos substanciam a guarda do repouso sabático. Dessa forma, o repouso é ligado ao dia, mas não de forma fixa e imutável, como se vê nas Escrituras mencionadas, sendo o dia de sábado a menção de Deus enfatiza o sábado, que no Novo Testamento é visto sendo celebrado em outro dia.

E “Este é o dia que o Senhor fez: seja para nós dia de alegria e de felicidade (Salmo 117, 24). Essa profecia sugere um dia criado por Deus, de descanso para os fieis do NT, para celebrar o dia que o Senhor fez. Com isso, vemos que as celebrações estão atreladas ao dia, mas são elas mesmas a ênfase do Senhor.

Com isso, temos o sábado como repouso em honra de Deus no sétimo dia, sendo o repouso o ponto principal da doutrina, e um novo dia feito pelo Senhor.

 

Comentário: O sábado é de duração eterna

 

Citando o Salmo 111, 7-8, Carlyle tenta fazer do sétimo dia o único sábado, de duração eterna, pois está escrito que os mandamentos permanecem firmes para todo o sempre. No entanto, como visto, estão entre os mandamentos que são a lei perpétua os demais sábados, como o de Pentecostes. Dessa forma, não se pode afirmar que da perpetuidade da Lei de Deus não se possa esperar alguma alteração.

“Essas são as solenidades do Senhor nas quais anunciareis santas assembleias, para oferecer ao Senhor sacrifícios queimados pelo fogo, holocaustos e oblações, vítimas e libações, cada coisa em seu dia, sem falar dos sábados do Senhor, de vossos dons votos e de todas as ofertas espontâneas que fizerdes ao Senhor” (Lv 23, 37-38).

Essas festas são o sábado, a páscoa, a primeira paveia, o pentecostes, o sétimo mês e a festa dos tabernáculos, e ainda os sacrifícios, holocaustos, oblações, vítimas, libações, votos e ofertas. Portanto, há que seguir o princípio bíblico para discernir a respeito do que foi cumprido e do que permanece na lei da liberdade (Tg cf. 2,10).

Quando o autor afirma que mesmo na Nova Terra o sábado será observado, incluiria também a festa da Lua Nova, o sacerdócio levítico, pois é algo citado em Isaías 66, 21-23:

Escolherei mesmo entre eles sacerdotes e levitas, diz o Senhor. Pois assim como os novos céus e a nova terra que vou criar devem subsistir diante de mim, declara o Senhor, assim devem subsistir vossa raça e vosso nome. E assim, cada mês, à lua nova, e cada semana, aos sábados, todos virão prostrar-se diante de mim, diz o Senhor.

A leitura literal sugere a aliança eterna com o povo judeu, a continuidade do sacerdócio levita, a festa da lua nova e o sábado, o que introduziria princípio que fere a totalidade da Escritura. Dessa forma, o texto tem cumprimento espiritual, pois é clara a introdução das nações em Israel, enxertados na mesma oliveira santa (cf. Rm 11), como é o fim do sacerdócio levítico, com o único sacerdócio de Cristo segundo a ordem de Melquisedeque, como também o cumprimento das festas, luas novas e sábados (cf. Cl 2, 16). Em sentido geral tem-se que a leitura descontextualizada, procurando estabelecer o sétimo dia como o sábado perpétuo não é o ensino bíblico.

A razão do sábado antigo é o repouso de Deus (Ex 20, 11), porque o sétimo dia é um repouso em honra do Senhor (Ex 20, 10), é o repouso do Senhor (Dt, 5, 14), e por causa da criação (Ex 20, 11) e pela razão da libertação do Egito foi dada a observância do sábado: “É por isso que o Senhor, teu Deus te ordenou observasses o dia do sábado” (Dt, 5, 15).

Por meio desse mandamento se recorda de Deus, o Criador. Entretanto, também, é lembrado de Deus, o Libertador. Os dois memorais se cumprem no primeiro dia, o dia da ressurreição de Cristo.

 

Comentário: Sinal de santificação

Carlyle afirma: “O poder criador de Deus foi exercido a segunda vez na obra da redenção, a qual é, na realidade, uma nova criação”. Isso confirma o significado do domingo. Cristo é a nossa páscoa.

O domingo sinaliza o repouso em Cristo que nos santifica. Ele santificou a Igreja no domingo, quando soprou o Espírito Santo sobre os apóstolos, como também no domingo de Pentecostes, quando o Espírito Santo desceu sobre a Igreja reunida em Jerusalém. É o memorial da santificação do Espírito Santo no Novo Testamento.

 

Comentário: Sinal de libertação do pecado

O sinal do poder criador de Cristo seria o sábado, segundo Carlyle. A guarda do repouso do sábado faz entrar no repouso divino, como está em Hb 4, 10. Nisso o autor tem razão. No entanto, tal coisa não diz que o sétimo dia não poderia ser substituído pelo domingo, pois o repouso no primeiro dia cumpre a ordem moral e espiritual do repouso em Cristo, em vista do repouso divino no reino anunciado em Hebreus 4.

Se Josué lhes houvesse dado repouso, não teria depois disso falado dum outro dia”.

De fato, Hebreus quatro ensina algo profundo. Há uma promessa para entrar no descanso de Deus (v.1). A boa nova foi dada aos antigos e a nós, mas aqueles entraram na descrença (v. 2). Pela fé entraremos no descanso (v. 3).

 “Ele disse: Eu jurei na minha ira: não entrarão no lugar do meu descanso.” Tratava-se da terra prometida. Hoje é o reino espiritual que os salvos esperam.

O versículo 6 afirma que outros são chamados a entrar no descanso de Deus.  É anunciado o repouso de Deus no qual devem entrar os que têm fé. Esse descanso deve ser atual (v. 11).

Lembrando que o dia de pentecostes ocorreu em dia de repouso, um domingo, esse repouso na fé do NT anuncia do sábado futuro. O sábado, portanto, não é o do sétimo dia, como no AT, mas no primeiro dia, conforma a prática da igreja apostólica.

Comentário: Começo e fim do sábado

A contagem dos judeus, do pôr do sol de um dia ao pô do sol do outro não é um padrão imutável no NT, que muitas vezes reflete a contagem da meia noite como início do novo dia.

Aliás, o texto de Lv 23, 32, citado por Carlyle para ilustrar desde a tarde do dia nove do mês até à tarde do dia seguinte, refere-se ao sábado do sétimo mês, no dia da expiação.

Esse tempo santo do sábado antigo está ligado ao tempo santo do domingo no NT, santificado pela ressureição do Senhor.

 

Comentário: O propósito da observância do sábado

O sábado era o culto público para os judeus. O sábado (repouso) é para o homem. Cristo o cumpriu com excelência.  Entretanto, após a ressurreição de Jesus os cristãos cumprem o mandamento do primeiro dia da semana. Esse é o novo sábado.

Esse novo dia que o Senhor fez anuncia do reino eterno (cf. Sl 117, 24). Nele são cumpridos os requisitos morais e espirituais, o descanso físico e espiritual, o culto a Deus, e etc.

 

Comentário: Fundamental para os ideais edênicos

O sábado lembra a criação e repouso de Deus. O domingo lembra a libertação do pecado e da morte. O mandamento moral do sábado é cumprido no domingo, o primeiro dia da semana.

 

Comentário: O sábado no Novo Testamento

Carlyle afirma que o NT não modificou em nada a obrigação do sábado no sétimo dia. Mas não cita qualquer texto, pois não há texto obrigando o sétimo dia antigo na Nova Lei.

Antes da páscoa, Cristo e os apóstolos guardavam o sábado no sétimo dia. Após a ressurreição de Jesus, as Escrituras mostram os apóstolos e discípulos observando o primeiro dia da semana. Nesse dia, celebravam a fração do pão, que é outro termo para falar da eucaristia.

Quando o autor afirma que no NT não há registro de guarda do domingo como sábado, ou seja, para o descanso, está se esquecendo das ocasiões em que os apóstolos estavam reunidos no primeiro dia da semana com fins litúrgicos, sugerindo o repouso para tal fim.

3

Comentário: Ausência de autoridade divina para a mudança

 

Afirma-se que Jesus Cristo não mudou o sábado. Mas Jesus fez várias pregações para aperfeiçoar o sábado. E nessas ocasiões, afirmou que é Senhor do sábado. Com isso, temos princípio de que preparava algo especial relativo a esse dia.

O sábado foi memorial da criação e da redenção. No entanto, como o NT apresenta, o domingo é mostrado nesse sentido espiritual, pois é o dia em que é cumprido o mandamento de celebrar a ceia em memória de Cristo.

Afirmar que os discípulos de Cristo e as primitivas igrejas cristãs não ouviram jamais falar da mudança do dia de observância do sábado é extrapolar os dados bíblicos. De fato, os apóstolos não introduziram mudanças por suas próprias autoridades, mas as receberam de Cristo e por inspiração do Espírito Santo. Desse modo, as suas reuniões litúrgicas no primeiro dia da semana expressam a ordem divina para essa prática.

Dessa forma, a origem da guarda do domingo é apostólica, e não “posterior aos tempos da Bíblia”, como afirma o autor adventista do sétimo dia.

As passagens evangélicas sobre o ensino e trabalho de Cristo sobre o sábado tiveram por objetivo aperfeiçoá-lo. No entanto, como demonstrado, esse sentido está primeiramente conectado ao repouso, à forma de observar esse dia, e não limitado ao dia em si. De fato, o dia está conectado ao repouso, o que é um dado da doutrina católica, e por isso admite-se que Cristo tenha ordenado aos apóstolos a prática dominical como novo dia de observância cristã. Sendo assim, há autoridade divina para essa mudança.

É importante que o sábado foi feito para o homem e Cristo é o Senhor do sábado. Está escrito que o sábado foi feito para o homem, e não que o dia de sábado foi feito para o homem, e que Cristo é o Senhor do sábado, e não do dia do sábado, para lembrar da ênfase adventista. Com isso, deve-se pensar na literalidade do texto, usada para argumentar da ligação imutável do sábado ao sétimo dia.

Pelo evangelho, vemos que não há tal correlação rígida. Jesus afirma ser o Senhor dessa instituição do descanso sabático. Com isso, Ele pode mudá-lo para outro dia, como de fato o fez, pois do contrário a Igreja não observaria o domingo como fez desse o início.

Não se trata de uma contraposição aos sétimo dia, como também nenhuma recusa dos apóstolos e primeiros discípulos em cumprir outros mandamentos da lei antiga. De fato, é apenas a nova obrigação da eterna aliança que começou a ser praticada. Os ensinos de Jesus para a guarda do sábado são cumpridos na observância dominical.

 

Comentário: milagres no sábado

Curiosamente, Carlyle argumenta que Cristo criou as oportunidades propositalmente escolhendo o sábado para realizar milagres e obras de misericórdia. Isso é verdadeiro. Jesus sempre criou oportunidades para ensinar o evangelho.

Do mesmo modo, de propósito Jesus escolheu o domingo para ensinar a Igreja, aparecendo aos discípulos e confirmando-os na fé, conferindo o dom do Espírito Santo, realizando milagres. Esse padrão ocorre após a ressurreição.

Foram momentos que o Senhor utilizou para reformar o sábado. Esse princípio espiritual é guardado no descanso dominical.

 

Comentário: Cristo arriscou a vida para libertar o sábado

De fato, Jesus arriscou a vida para ensinar a verdadeira observância do sábado.

 

Comentário: Libertando o sábado de restrições molestas

Jesus reformou o sábado. Não foi uma abolição, mas o cumprimento do sábado. Hoje, essa prática é realizada no primeiro dia da semana.

 

Comentário: O primeiro dia mencionado seis vezes nos evangelhos

Essas passagens dos evangelhos (Mt 28, 1; Mc 16, 1.2.9; Lc 23, 56; 24, 1; Jo 20; 1.19) indicam a guarda do domingo. As aparições de Cristo quando os discípulos estavam reunidos.

De fato, os textos não tratam da mudança do sábado, e não enfatizam o domingo com algum título especial, como também não dão ao sábado nenhum título novo. Esse não é o intuído das passagens. Elas mostram a nova concepção cristã, e expressam uma prática que a Igreja adotou desde os primeiros dias, a reunião litúrgica aos domingos. Essa prática teve a presença de Cristo, que propositadamente apareceu no primeiro dia da semana aos discípulos.

 

Comentário: Nenhuma autoridade para a santificação do domingo

De fato, não é encontrada no NT uma discussão a respeito de uma nova instituição apostólica a respeito do dia de observância sabática. Tal não foi um assunto controverso.

O domingo surgiu na prática, mostrando a nova concepção cristã, mas não como oposto ao sábado, mas como um cumprimento do mesmo. Assim, os apóstolos muitas vezes praticavam o que é próprio do evangelho bem como o que é da tradição judaica sem ver nisso uma contraposição.

O assunto maior foi o do sacrifício. Uma vez que o sacrifício de Cristo cumpre os tipos da Lei, não é mais necessária a realização dos sacrifícios no templo. O véu foi rasgado de alto a baixo.

Ainda assim, coisas relacionadas à lei eram guardadas, como orações em determinadas horas do dia no Templo, votos, esmolas, jejuns, alimentos, sábado, circuncisão. Não obstante, essas práticas não foram ensinadas aos cristãos em seu conjunto, pois foram reformuladas. Os votos, as esmolas e os jejuns foram ensinados Jesus no evangelho. Os alimentos foram declarados puros, no contexto em que tratava das purificações antes de comer, e o sábado não aparece nenhuma vez sendo cumprido por algum cristão. Pelo contrário, é mostrado como uma sombra (Cl 2, 16).

A observância do domingo está nos princípios que são percebidos no Novo Testamento relativo à prática cristã nesse dia.

Comentário: O primeiro dia mencionado uma única vez no livro de Atos

O texto de Atos 20, 7-8 menciona explicitamente uma reunião cristã. Essa menção concorda em essência com o que os textos dos evangelhos sugerem, ou seja, os cristãos reuniam-se aos domingos com fins litúrgicos.

Certamente, essa reunião na noite de domingo reflete a contagem do tempo ao modo romano, onde o dia vai até à meia noite. De qualquer forma, a ocasião se deu no primeiro dia da semana.

A noite pode ter sido no sábado à noite, afirma Carlyle, mas também é provável que a reunião se deu no domingo à noite. A questão da contagem do tempo não é clara.

De qualquer forma, São Paulo passa uma semana em Trôade e celebra a eucaristia no domingo, o que é por si sugestivo dessa prática cristã.

A análise do argumento do Dr. Horatio B. Hackett, em 1882, de que São Paulo esperou o sábado para celebrar o serviço religioso é curioso. Por que deveria ter deixado passar o sábado para celebrar com os irmãos?

E a observação de Carlyle de que não há nenhuma menção ao caráter sagrado do domingo, mas apenas é referido como um dos sete dias da semana, o mesmo pode ser dito do sábado, que não possui nenhum título especial nos evangelhos e epístolas, sendo mencionado normalmente como sábado. O dia do Senhor, que é encontrado no Ap 1, 10, é a nova referência do domingo, que começou a ser usada na última década do século primeiro, como aparece nesse texto do Apocalipse.

Comentário: A última menção ao primeiro dia

Aqui, Carlyle não tenta uma refutação, afirmando apenas que essa passagem de 1 Cor 16, 2 é a única que menciona o primeiro dia em conexão com outra coisas, e que presumir que fosse o dia de culto público em Corinto e na Galácia é ir além do que o texto quer dizer.

O texto afirma: “No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte o que tiver podido poupar, para que não esperem a minha chegada para fazer as coletas”.

São Paulo havia dado diretrizes na Galácia e em Corinto. Não era necessário reunir o dinheiro e esperar a chegada do apóstolo, mas em cada semana, no primeiro dia, cada um deveria reservar uma quantia. Essa diretriz sugere de fato uma reunião religiosa no primeiro dia da semana, o que está em consonância com os demais textos citados anteriormente.

O versículo 3 diz o seguinte: “Quando chegar, enviarei, com uma carte, os que tiverdes escolhido para levar a Jerusalém a vossa oferta”.

O texto deixa claro que o apóstolo não iria fazer a coleta em todas as casas quando chegasse, mas havia pessoas escolhidas para reunir a quantia e levá-la a Jerusalém quando ele chegasse. Eles não deveriam esperar o apóstolo para fazer as coletas. Isso significa que todas as semanas essas pessoas recebiam as coletas que eram provavelmente levadas aos lugares de reunião litúrgica, no primeiro dia da semana, e, assim que São Paulo chegasse esses iriam a Jerusalém levar a oferta. O contexto de fato sugere uma reunião litúrgica geral.

E, com isso, é provado que o sábado não mais era observado pelo apóstolo? Não necessariamente, pois não era o assunto e nem havia tensão sobre isso. O apóstolo poderia ir à sinagoga no sábado, como judeu cristão, mas usava dessas ocasiões para falar de Jesus Cristo. Da mesma forma, em 1 Cor 16, 8 é citada a festa de Pentecostes, onde o apóstolo certamente fazia questão de participar, embora não obrigasse os cristãos gentios a isso: “Ficarei em Éfeso até Pentecostes”. De modo especial, as reuniões cristãs não eram realizadas aos sábados, mas aos domingos.

 

Comentário: Nenhuma reunião dominical

Nesse tópico, o autor tenta refutar a ideia de que havia reuniões dominicais. Mas, o contexto não afirma que cada cristão deveria fazer sua própria acumulação, pois São Paulo afirma que isso não deveria ser feito, mas que no primeiro dia a oferta deveria ser separada. Essa separação da oferta implica que a mesma era recolhida. O primeiro dia da semana para isso sugere o costume de reunir-se para a fração do pão. As pessoas escolhidas receberiam a oferta e acumulariam para levar a mesma até Jerusalém.

Por de parte o dinheiro no primeiro dia da semana leva a inferir o motivo de ser esse dia. Não dever esperar a chegada para entregar a oferta é algo que fortalece a leitura acima demonstrada. É, portanto, na reunião dominical que deveria ser coletada a oferta.

Isso pode ser demonstrado da seguinte forma: São Paulo deu instruções gerais para que o dinheiro fosse separado no primeiro dia da semana. Ele instruiu a não deixar para ofertar quando ele chegasse. Então, as ofertas não eram guardadas em casa até que o apóstolo chegasse, mas deviam ser separadas e, certamente entregues, no primeiro dia da semana, ao responsável pelas ofertas.

De fato, havia os escolhidos pela comunidade para levar a oferta a Jerusalém. O apóstolo não iria fazer a coleta quando chegasse, como ficou evidente. Também, a coleta semanal não implica que alguém faria o recolhimento das ofertas quando o apóstolo chegasse, pois isso iria contra o que o mesmo desejava evitar, o acúmulo até aquele dia para que fossem buscadas as ofertas nas casas. Então, as ofertas eram feitas no culto litúrgico do domingo. Os coletores já estariam com as ofertas preparadas quando da chegada do apóstolo, e seriam enviados a Jerusalém com a carta apostólica.

Caso contrário, os lucros da semana deveriam ser separados na sexta, ou mesmo no sábado, pois descansando no sábado, já teriam o acumulado da semana. O primeiro dia seria o menos apropriado para guardar os lucros semanais.

Ainda, o texto bíblico original não possui a palavra “casa” para a tradução “por de parte em casa”, e mesmo que a tradução seja permitida, essa coleta separada deveria nesse dia ser entregue, pois o acúmulo total em casa era o que deveria ser evitado.

Entretanto, como os cristãos guardavam o domingo, ao trabalharem durante a semana e já estando com a oferta pronta até o sábado, deviam separar o valor para entregarem na reunião dominical.

 

Comentário: Os sábados cerimoniais cessaram

Talvez esse seja até agora o principal texto bíblico estudado. Trata-se de Colossenses 2, 16. De fato, essa passagem é evidente de que o sábado foi uma sombra.

Carlyle interpreta o texto como se referindo apenas às festividades, dias santificados e sábados anuais, e não ao sábado semanal. Aqueles teriam durado até ao tempo da correção (Hb 9, 10), mas o sábado semanal continuaria.

E afirma: “O crente em Cristo não devia, portanto, voltar a esses tipos e sombras”. Também, nessa ocasião, o autor cita Lv 23, 38, afirmando que os sete sábados eram guardados “além dos sábados do Senhor”.

Esse texto já foi referido nas refutações anteriores. Mas, aqui o autor adventista do sétimo dia usa do texto destacando o sábado semanal dos demais sábados do calendário judaico. No entanto, a leitura do texto bíblico contraria a interpretação do autor adventista.

Façamos a comparação das conclusões de cada texto, o da interpretação de Carlyle e do texto sagrado.

 

Não precisava ele observar seus sete sábados anuais (Levítico 23:4, 24, 32, 29), todos os quais deviam ser guardados juntamente com ou “além dos sábados do Senhor” (Levítico 23, 38).

“Essas são as solenidades do Senhor nas quais anunciareis santas assembleias, para oferecer ao Senhor sacrifícios queimados pelo fogo, holocaustos e oblações, vítimas e libações, cada coisa em seu dia, sem falar dos sábados do Senhor, de vossos dons votos e de todas as ofertas espontâneas que fizerdes ao Senhor” (Lv 23, 37-38).

 

 

O intérprete adventista compara os sete sábados anuais “juntamente” com o sábado semanal. Contudo o texto bíblico compara “sacrifícios queimados, holocaustos, oblações, vítimas, libações” juntamente com “os sábados do Senhor”, e etc. O texto bíblico não faz a diferenciação como tentou fazer o autor adventista do sétimo dia.

“Essas são as solenidades do Senhor nas quais anunciareis santas assembleias, para oferecer ao Senhor sacrifícios queimados pelo fogo, holocaustos e oblações, vítimas e libações, cada coisa em seu dia, sem falar dos sábados do Senhor, de vossos dons votos e de todas as ofertas espontâneas que fizerdes ao Senhor” (Lv 23, 37-38).

O interessante é que, no mais, o autor admite que essas observâncias não são mais obrigatórias para os cristãos. O problema foi não reconhecer que esses sábados incluem o sétimo dia, ou melhor, são primordialmente os sábados do sétimo dia.

A interpretação citada do Dr. Adam Clarke, de que o sabbaton poderia ser as festas das semanas não é convincente e trai o contexto, já que em Cl 2, 16 são separadas as festas e os sábados.

A observação do Dr. Albert Barnes é também importante, já que não vêm em Cl 2, 16 uma abolição do sábado como abolindo um dos mandamentos do decálogo. Argumenta sobre o uso do plural “sábados” e da lei moral não poder ser dita “sombra” das coisas futuras.

O problema com essa intepretação presbiteriana é que os demais textos bíblicos correlatos tratam os sábados incluindo o sábado semanal, como o de Ezequiel 20, 22. Também, é equivocado não reconhecer que o sábado (como repouso) é um princípio moral, mas o dia, o sétimo, contem significado cerimonial.

Assim, o uso dos sábados no plural, bem como sua acepção moral nos Dez Mandamentos e seu caráter figurativo em Colossenses são fatos compatíveis com o sábado do sétimo dia.

A tese de Ron du Preez, em 2008, defende a interpretação tradicional da IASD de que os sábados são somente os cerimoniais em Cl 2, 16, embora eruditos adventistas dos sétimo dia, como o Dr. Bacchiocchi, tenham admitido que o texto se refere realmente ao sábado semanal.

De fato, o apóstolo não pretende provar que não exista sábado para os cristãos, nem tenha a intenção de negar a santidade do antigo sábado, pois o mesmo cria na significância espiritual da circuncisão e da lei, e ele mesmo se utiliza de várias práticas judaicas em sua evangelização. A questão gira em torno da não obrigatoriedade da lei, incluindo o sábado do sétimo dia, visto que o domingo já cumpre esse papel no NT.

Outra leitura seria que o apóstolo apenas estaria se referindo ao modo de guardar a Lei e não à prática em si. Ele estaria guardando a Lei, confirmando os colossenses nessa guarda, e apenas afirmando que não deveriam preocupar-se com aqueles que julgam-nos por guardar a lei de uma forma diferente.

Mas isso levaria à conclusão de que os cristãos continuaram a observar toda a Torah, como parte da fé cristã, menos o sistema sacrificial, o que não é provado em nenhuma parte do NT, e contradiz diversas passagens, como o próprio contexto de Colossenses, bem como a proibição da circuncisão encontrada em Gálatas 5, 2.

De fato, os cristãos não são obrigados a guardar essas leis, de forma alguma, especialmente os de origem gentia, e em certas circunstâncias, como da heresia judaizante em voga no século primeiro, estão proibidos de praticá-las.

As sombras da lei são belas em si, cumpriram seu papel, estão revogadas, como a circuncisão, não mais obrigatória, mas útil aos judeus: “Em que, então, se avantaja o judeu? Ou qual é a utilidade da circuncisão? Muita, em todos os aspectos. Principalmente porque lhes foram confiados os oráculos de Deus” (Rm 3, 1-2), mas podem tornar-se prejudiciais quando praticadas como obrigatórias na lei do evangelho: “se vos circuncidardes, de nada vos servirá Cristo” (Gl 5, 2). Isso significa, evidentemente, que a Igreja apostólica não observava o sábado do sétimo dia, como não observada a circuncisão.

Vemos que Romanos 3 afirma a vantagem espiritual da circuncisão, ao mesmo tempo em que ensina aos gentios convertidos que não devem circuncidar. Descontextualizando Romanos 3 poderia ser ensinado que a circuncisão continuava em vigor, o que entraria em contradição com Gl 5. Portanto, o mesmo deve ser afirmando do sábado, que é parte da antiga lei, e que é cumprido no primeiro dia da semana na nova lei.

A conclusão, portanto, é que o NT indica a mudança do sábado para o domingo, sem qualquer tensão com o sábado, já que a Igreja continuou a respeitar o sábado, como toda a Lei antiga, sem obrigação para os cristãos, e que pelos princípios demonstrados há autoridade divina para a mudança do sábado para o primeiro dia da semana, e base sólida para a observância do domingo.

 Gledson Meireles.

sábado, 16 de maio de 2026

LIVRO: Do Sábado para o Domingo, de Carlyle B. Haynes, capítulo 1

Estudo do capítulo 1 do livro:

Do Sábado para o Domingo: a mudança indevida do dia de adoração

do escritor adventista do sétimo dia Carlyle B. Haynes.

1

Comentário: A mudança da observância do sábado

 

Já nos dias dos apóstolos foi instituída a observância do domingo. O sábado antigo era também guardado com zelo e amor pelos antigos judeus que abraçaram a fé em Cristo. Em nenhum momento houve uma contraposição radical entre sábado e domingo, nessa circunstância dos primeiro dias, embora os cristãos observassem as práticas próprias do evangelho no primeiro dia da semana e não mais no sábado.

Dessa forma, não foi após o tempo apostólico que o domingo começou a ser guardado, mas foi instituição seguida pelos próprios apóstolos e primeiros cristãos.

“No primeiro dia que se seguia ao sábado, Maria Madalena foi ao sepulcro, de manhã cedo, quando ainda estava escuro. Viu a pedra removida do sepulcro” (João 20, 1).

“Na tarde do mesmo dia, que era o primeiro da semana, os discípulos tinham fechado as portas do lugar onde se achavam, por medo dos judeus. Jesus veio e pôs-se no meio deles. Disse-lhes eles: “A paz esteja convosco!” (João 20,19).

“Oito dias depois estavam os seus discípulos outra vez no mesmo lugar e Tomé com eles. Estando trancadas as portas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco!” (João 20, 26).

“Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar” (Atos 2, 1).

Desde o dia da ressurreição os textos sagrados dos evangelhos indicam os discípulos reunidos. Jesus aparece a eles. Na primeira semana, a passagem indica que os apóstolos reuniram-se de novo no segundo domingo, quando São Tomé viu Jesus.

Esse fato é importante, pois sugere uma reunião dominical no dia da ressurreição, e oito dias depois, no mesmo lugar, inferindo que, ainda que os discípulos tenham repousado no sábado, conforme o costume judaico, estavam nas sinagogas com os demais judeus que não criam no evangelho. Somente no domingo, Cristo veio até eles em sua assembleia cristã.

Naquela primeira semana não haviam se reunido entre a segunda e a sexta-feira, mas o fizeram o primeiro dia, quando Jesus apareceu a Tomé, pois no primeiro domingo esse discípulo, ainda duvidando da ressurreição, não estava presente: “Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus” (João 20, 24).

Essas passagens mostram o costume cristão de reunir-se para celebrar a fé em Cristo no primeiro dia da semana, e a confirmação de Jesus ao aparecer nessas primeiras reuniões. Se no primeiro sábado após a ressurreição de Cristo os discípulos estavam temerosos, é certo que não foram à sinagoga, embora possam ter observado o descanso sábado em outro lugar.

Certamente, já cheios de fé, os discípulos, ainda com exceção de Tomé, almejavam que os demais irmãos judeus e prosélitos ouvissem o evangelho. Mas, não é certo que pregassem nas sinagogas nesses primeiros dias, pois temiam a reação dos judeus. Não se sabe onde passaram o primeiro sábado.

Assim, é forte a passagem da Escritura que revela a aparição de Jesus desde o primeiro domingo, dia em que os apóstolos estavam todos reunidos. Eles não se reuniram em outros dias, e o Senhor não escolheu os outros dias para ir até eles. Essas passagens, então, sugerem a observância dominical pelos apóstolos.

Contudo, veremos o que os discípulos pensavam a respeito do mandamento do sábado em Êxodo 20, 8-11: Lembra-te do dia de sábado, para o santificar (...). Não há expressamente uma ordem de Cristo para que os mesmos não observassem mais o sétimo dia. Ao mesmo tempo, a prática cristã evidentemente mostra a observância do domingo, com a presença de Jesus Cristo ressuscitado entre eles.

Por isso, o sábado do sétimo dia não é renovado no Novo Testamento, não havendo passagem onde os cristãos se reúnam nesse dia para fins litúrgicos. A ordem para a guarda do sábado no sétimo dia, dada no Antigo Testamento, não foi continuada no Novo Testamento. Os primeiros cristãos observavam o domingo.

É certamente claro que passando os dias depois de Pentecostes, e vencido o medo que tinham, os cristãos voltaram a frequentar o Templo e a sinagoga, como judeus cristãos devotos: “Pedro e João iam subindo ao templo para rezar à hora nona” (Atos 3, 1). Muitos desses costumes permanecem na Igreja Católica, como essa oração das três da tarde, a hora nona, na contagem dos judeus.

Então, como no templo, os mesmos também voltaram às sinagogas, e ali começaram a anunciar Jesus ressuscitado, o Messias, o único Salvador. Sem medo, São Pedro disse a eles que é preciso obedecer a Deus antes que aos homens (cf. Atos 4). Fizeram isso por um tempo, enquanto possível, até que a ruptura com a sinagoga foi necessária, uma vez que muitos não aceitavam a fé cristã.

Por essa razão, as igrejas apostólicas observavam o primeiro dia da semana, e podiam conservar observâncias judaicas, como o sábado, as orações no templo, e outras. No entanto, não há registros bíblicos de que o sétimo dia continuou a ser o dia de descanso dos cristãos. E as razões teológicas serão delineadas neste estudo, como também serão analisadas as informações de fundo histórico que os adventistas apontam como responsável pela mudança da observância do sábado.

O escritor adventista Carlyle se pôs a investigar a origem da observância do sábado para provar que o mesmo não poderia ser substituído pelo domingo, pois acredita que Deus deu razões para ordenar apenas o sétimo dia para observância do descanso como exigido nos Dez Mandamentos.

Com visto acima, nenhuma passagem mostra os cristãos ensinando a observância do sábado, ao mesmo tempo em que há evidentes reuniões cristãs no domingo. Esse fato será investigado no presente estudo, e as objeções de Carlyle Haynes serão devidamente analisadas.

Comentário: A lei proferida e escrita por Jeová

É interessante que o nome de Deus usado pelos cristãos católicos é Javé ou Iavé, e não Jeová. Pois bem. O argumento é que o sábado está entre os dez mandamentos, a lei escrita pelo dedo de Deus, a lei perfeita. Assim, não poderia ser mudada. Sendo o sábado um dos deveres do ser humano, não poderia ser mudado.

No entanto, é preciso entender que o sábado (repouso) é um mandamento divino, e ainda que estando atrelado ao sétimo dia, não é o dia sétimo que faz parte do mandamento, mas o repouso necessário no período de sete dias, para adoração a Deus e descanso do ser humano. Dessa forma, o sétimo dia foi abençoado porque nele Deus descansou (cf. Gn 2, 3).

Isso sugere que após seis dias de trabalho deve-se descansar por um dia, pois na lei eterna não há o dia fixo para essa observância, pois não é possível conhecer tal dia pela lei natural inscrita por Deus no coração do ser humano. O sábado como descanso é, portanto, moral, e é cerimonial quanto ao dia em que é observado.

 

Comentário: Cristo não mudou a lei

Cristo cumpriu a Lei e a levou à perfeição (cf. Mt 5, 17). O que é moral na Lei permanece para sempre, sendo cumprido e não mais necessário o que é cerimonial. Assim, a lei grande e magnífica (cf. Is 42, 21) é a do evangelho, a Lei da liberdade. O sábado (repouso) foi aperfeiçoado por Jesus, por deve servir ao homem. Portanto, há uma mudança em relação a essa lei, como indicado acima.

Cristo não mudou a lei em sua acepção moral, e por isso os cristãos devem observar o sábado (descanso). E o fazem. No entanto, os cristãos descansam e celebram a liturgia cristã especialmente no domingo. A parte moral do sábado permanece.

Quando São Paulo afirma que a lei é espiritual, santa, justa e boa, e essa lei contem o sábado (cf. Rm 7, 12.14), isso não implica que nenhuma mudança tenha ocorrido em questões cerimoniais. Assim, da mesma forma, ele afirma que a circuncisão é proveitosa em todos os sentidos (Rm 3, 1), embora não deva ser mais praticada (cf. Gl 5, 1-2).

Quando se cumprem os Dez Mandamentos, o repouso sabático é observado no primeiro dia da semana, após seis dias de trabalho, embora muitas vezes o sábado também seja tomado como descanso semanal. Esse costume tem sua origem na fé bíblica judaica e cristã.

Comentário: A lei permanece em vigor

O autor adventista afirma ser estranho que o preceito do sábado tenha sido mudado, por não entender essa distinção feita acima. Ele afirma: “Essa lei requer a observância do sétimo dia da semana”. Mas não é um mandamento bíblico no Novo Testamento para que o sétimo dia seja preservado para o descanso semanal. O que se nota é que a Igreja sempre reuniu-se no primeiro dia, desde o domingo de Páscoa.

Por que a Igreja celebra o domingo especialmente e não o sábado? Por que a maioria das denominações aceita o domingo como dia de culto? A resposta é que o domingo é o dia da ressurreição, a nova criação, e aponta para o sábado futuro no reino (cf. Hb 4), enquanto o sábado da primeira criação foi uma sombra que durou até o repouso de Cristo no sepulcro. A Luz de Cristo ressuscitado brilhou no primeiro dia da semana. E é evidente que o sábado não mais foi obrigatório aos cristãos no NT. Por essa razão, mesmo igrejas que creem somente no Sola Scriptura observam, de algum modo, o domingo e não o sábado.

Por sua vez, os adventistas do sétimo dia apegaram-se às passagens do Antigo Testamento sobre a Lei eterna de Deus, contendo o sábado, como se o dia não pudesse ser mudado. Pelo exposto anteriormente, já se viu que o sábado moral é o descanso e não o dia em si. E, também, o dia em que os cristãos se reuniram desde a ressurreição de Jesus é o primeiro dia da semana. Esse fato será importante para compreender a verdade bíblica sobre a observância dominical.

 

Gledson Meireles.

sábado, 9 de maio de 2026

Católico, cisma, primeiras igrejas locais, sábado, domingo

Os seguintes temas foram discutidos em um vídeo com o pastor Sezar Cavalcante. Abaixo seguinte um breve comentário.

Os primórdios da Igreja Católica Romana


As primeiras igrejas particulares do tempo apostólicos são, aproximadamente na ordem cronológica: Jerusalém, Samaria, Antioquia da Síria, Damasco, Éfeso, Corinto, Filipos, Tessalônica, Bereia, Roma. A fé de Jerusalém, por exemplo, é a mesma de Roma, já que os apóstolos que mudaram-se para a capital do Império pregaram ali a Palavra de Deus e confirmaram e estabeleceram a comunidade cristã naquela cidade.


A palavra católico

O termo católico vem do grego Kata holos, segundo todo. Isso mostra a abrangência da Igreja bem como do pensamento católico. Alguns assuntos foram tratados na conversa, e que serão brevemente comentados aqui, para maior orientação de quem pretende entender melhor o assunto.

 

O cisma

Não houve separação imediata em 1054 entre a Igreja do Ocidente e a Igreja do Oriente. Isso foi um longo processo histórico culminando em 1054. Dessa forma, para entender que parte da Igreja ficou com a doutrina correta, basta uma profunda análise histórica. Por exemplo, comece pelo cânon da Bíblia.

É necessário o protestante admitir, para início de conversa, que a Igreja Romana é de origem apostólica. Trata-se de um ponto básico.

 

Disparidade gigantesa entre padres apologistas e pastores, e os padres deixam a desejar

Certamente, no debate entre protestantes e católicos, os protestantes mostram-se mais preparados para o embate de ideias. Isso se dá pela maior existência de debates no meio protestante que no católico referente às doutrinas.

Tal coisa não significa despreparo teológico, já que grandes teólogos, com doutrina ortodoxa, podem não se sair bem na exposição da doutrina em uma disputa apologética.

 

O sábado e o domingo

Os adventistas do sétimo dia ensinam que os dez mandamentos estão em vigor, e o sábado do sétimo dia é o dia de observância.

Nisso, concordam com a Igreja Católica sobre a perpetuidade do Decálogo e da obrigação de um dia de guarda, mas diferem quanto ao dia. Os católicos guardam o domingo.

Os demais protestantes geralmente ensinam que o repouso é espiritual, em Cristo, não havendo dia santo para ser observando no decálogo. No entanto, por tradição guardam o domingo.

Esses protestantes mantem o ensino do repouso em Cristo, que também é ensino católico, mas negam a obrigatoriedade de um dia para cumprir o preceito do mandamento. Por outro lado, na prática observam o domingo para cultuar a Deus, mas negam que seja o dia de repouso.

Com isso, temos que os adventistas conservam uma parte do ensino católico e os outros protestantes preservam outra parte. É necessário um estudo aprofundado para desfazer os mal entendidos e chegar ao ensino católico sobre o repouso sabático.


Gledson Meireles.

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Como entender o sábado na era cristã e na eternidade? Permaneceu imutável no sétimo dia?

O adventismo do sétimo dia advoga que Isaías 56, 1-8 e 58, 13-14 são textos que tratam da universalidade do sábado e da sua abrangência na vida humana (Timm, 2023). Além disso, o texto de Isaías 66, 22-23 reconheceria a perpetuidade do sábado. Dessa forma, o profeta Isaías teria apresentado a tríplice aplicação do sábado, que se destina a Israel, a toda a humanidade e aos remidos na eternidade, nos novos céus e na nova terra.

Essa é a mesma opinião de Charlyle B. Raynes, no livro Do Sábado para o Domingo, que afirma que o sábado será observados pelos salvos, com base no texto de Isaías 66, 23.

Assim, os que forem leais a Deus nos últimos dias antes da vinda de Cristo seriam observadores do sábado do sétimo dia. Essa leitura de Isaías 56, 1 mostraria a guarda do sábado nos últimos dias. Para entender bem essa questão, vejamos o que a Bíblia afirma.

O profeta Isaías é considerado o profeta messiânico, e falando dos dias de Cristo revelou muitos cumprimentos proféticos. Esses cumprimentos são espirituais na era messiânica.

Dessa forma, Is 56, 7 afirma: “eu os conduzirei ao meu monte santo e os cumularei de alegria na minha casa de oração; seus holocaustos e sacrifícios serão aceitos sobre meu altar, pois minha casa se chamará casa de oração para todos os povos”.

Nosso Senhor Jesus Cristo cumpriu essa palavra em Mateus 21, 13, quando a citou: Minha casa é uma casa de oração. Ele Se referia ao Templo, que havia se tornado lugar de comércio, e expulsou os vendilhões com seu zelo e autoridade santa.

Do mesmo modo, em Isaías 56, 6 está escrito: “Quanto aos estrangeiros que desejam unir-se ao Senhor, para servi-lo e amar seu nome, para serem seus servos, e se observarem o sábado sem profana-lo, e se afeiçoarem à minha aliança”.

O versículo 6 menciona o sábado na profecia que se refere aos tempos do Messias, e o verso 7, como mostrado por Jesus, referiu-se ao tempo, a casa de oração do Senhor.

No entanto, sabemos que Jesus em João 2, 19.21 afirmou que o Templo é o Seu próprio corpo, e disse à mulher samaritana que vem a hora em que os adoradores verdadeiros adoração a Deus em espírito e em verdade, não mais necessitando do templo de Jerusalém.

Assim, entende-se que o zelo pelo templo é o ensino espiritual de Jesus que não inclui o templo literal como duradouro na era messiânica, no templo da Igreja, como se fosse obrigatório aos cristãos frequentar o templo em Jerusalém.

Também, em Isaías 58, 1-12 o profeta trata do jejum, mostrando o verdadeiro sentido do jejum, algo que foi aperfeiçoado por Jesus no Sermão da Montanha (cf. Mateus 6, 16-18). Não é mais costume cristão deitar sobre o saco e a cinza no jejum, como em Is 58, 5.

Então, o sábado em Is 58, 13-14, e em 66, 22-23, está em contexto de sua realização espiritual no cumprimento da Lei realizado por Cristo. Desse modo, assim como a lua nova não é mais observada no Novo Testamento, o sábado igualmente é mencionado sem ter sua permanência literal pressuposta:

“E assim, cada mês, à lua nova, e cada semana, aos sábados, todos virão prostrar-se diante de mim, diz o Senhor” (Is 66, 23).

Caso se tratasse de cumprimento literal, essas palavras estabeleceriam a diferença entre judeus e gentios, e ensinaria a continuidade do serviço do templo, como sacrifícios, luas novas e sábados.

Assim, quando trata dos eunucos e estrangeiros reunidos no povo de Deus, são mencionados o sábado, a casa de oração, ou seja, o templo, e o atar com os holocaustos e sacrifícios (cf. Is 56, 6-7). Da mesma forma, na profecia que remete aos novos céus e nova terra são citados a lua nova e o sábado.

Com isso, está provado que o Senhor Jesus tratou dessas passagens realidades levando-as ao cumprimento espiritual, pois doutro modo estaria estabelecida no Novo Testamento a perpetuidade do templo com o altar de holocaustos e sacrifícios, assim como o sábado. No entanto, pelo Evangelho é evidente que nenhuma dessas realidades está em vigor depois que o véu do templo foi rasgado.

Sendo assim, a interpretação adventista do sétimo dia, que tem a menção do sábado no contexto profético dos tempos da Igreja e da eternidade como prova de que o mesmo continua imutável não tem o respaldo bíblico, pois todas as realidades citadas foram levadas à perfeição pelo Senhor, sendo o templo, o sábado, o jejum, os sacrifícios, os holocaustos, as luas novas. Nada disso permaneceu como antes, mas forma cumpridos em Cristo.

Portanto, a Igreja em toda parte, com as construções de igrejas, substitui o Templo, que estava em um único lugar. O jejum foi levado à perfeição, como está na profecia de Isaías 58, assim como o sábado. E os holocaustos e sacrifícios chegaram ao fim no sacrifício de Cristo na cruz. Dessa forma, a interpretação da IASD não está de acordo com a totalidade da Escritura. Nenhuma dessas passagens indicaram que o sábado do sétimo dia deveria continuar, assim como não continuaram os demais elementos indicados acima.