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domingo, 8 de fevereiro de 2026

Livro: Os batistas e o resgate da tradição cristã, em direção a uma catolicidade batista, comentário do cap. 9

Comentando: Capítulo 9

Batistas, a ceia do Senhor e a tradição cristã

Ernest A. Payne afirmou que entre os batistas não havia unanimidade quando à Ceia do Senhor, e que não existia uma tradição dominante. Essa afirmação será confrontada por Michael A. G. Haykin, que afirma ser “pouco preciso” a conclusão de Payne e também que tal posição deve ser “seriamente considerada”.

Para nós cristãos católicos, que temos uma tradição milenar, e que essas questões foram debatidas ao longo dos séculos, podendo ser definida no século XIII, ainda que outras tantas divergências tenham surgido após essa definição, nós podemos ficar tranquilos quanto à precisão e veracidade da doutrina clara da eucaristia. Entre nós há unidade e a tradição é clara.

No entanto, para os batistas, que rompem com a tradição no sentido de ter o texto bíblico como autoridade única e final em matéria de fé, lendo os padres da Igreja, concílios e etc., e aceitando somente o que a interpretação vigente na denominação aceita, tem-se que tal opinião de renomados historiadores de que não há unidade de fé entre os batistas ao longo dos séculos de sua existência, que é relativamente recente, do século 17 ao 21, é mais um ponto negativo para essa tradição.

De fato, quanto tempo tivemos para definir questões cruciais para a vida cristã, e uma denominação surge em cena e reinventa a doutrina com intuito de buscar resgatá-la.

À primeira vista isso já parece fora daquilo que Jesus prometeu aos apóstolos, de que o Espírito Santo guiará a Igreja para toda a verdade. Mas no século 17 a questão da eucaristia já havia sido esclarecida satisfatoriamente, pois a Igreja Católica havia trabalhado para isso, em muitas ocasiões, inclusive no Concílio de Trento. Assim, não é prudente abraçar a decisão de um grupo cristão dissidente que destoe da tradição cristã apostólica.

O padre Zwínglio deixou a Igreja e ensinava que a ceia era um memorial. Debates recentes mostraram que na sua opinião a ceia era também algo mais. Disso podemos esperar, já que um padre que cria na transubstanciação e conhecia a grandeza dessa doutrina certamente preservou algo dela.

No entanto, a ideia básica de que a Ceia era um memorial apenas dominou a fé de muitos cristãos dissidentes, e os batistas abraçaram essa doutrina, no século 19. Assim, um padre cristão católico diverge da Igreja e influencia uma tradição cristã protestante surgida no século dezessete.

No século 19 a doutrina batista predominante era zwingliana, ou seja, os elementos da ceia do Senhor eram meramente memoriais.

Haykin mostra que antes dos batistas havia prevalecido no Protestantismo a visão de João Calvino, onde a ceia possui a natureza de sinais e garantia de uma realidade presente. Pela fé é transmitido o que é simbolizado na ceia, o próprio Cristo. Os elementos seriam simbólicos, mas ocorria a realidade espiritual no momento da celebração. Entre os batistas, mais tarde, a opinião de apenas símbolo prevaleceu.

Esse reviver sincero da alma...: Um texto-chave para a compreensão precisa da doutrina batista é a Segunda Confissão de Fé de Londres (1677 e 1689). Assim, temos um testemunho extra-bíblico, uma confissão de fé, um resumo doutrinal, para entender melhor o entendimento de uma doutrina bíblica em determinada denominação. Embora o documento não seja tido como infalível, ele é um testemunho, uma bússola prática, uma expressão da interpretação bíblica ali alcançada.

Assim, para entender como pensam os batistas não basta ler o que o texto bíblico está afirmando, mas ler a confissão denominacional e ver como o texto bíblico é interpretado pelas igrejas batistas. Essa reflexão é importante para entender que a tradição molda a forma de entender a doutrina.

Desse modo, para início de conversa, os cristãos batistas não possuem qualquer vantagem em relação aos cristãos católicos quando esses são criticados por aderirem à tradição. Eles precisariam provar que sua interpretação é melhor, exata e correta para substituir a doutrina católica, e mostrar que a Confissão de Fé acima citada expressa a doutrina fielmente a ponto de suplantar as definições do Concílio de Trento. Se não, deve-se continuar com a definição oficial do Concílio de Trento de 1546.

A declaração de fé batista de 1677 e 1689 tem em consideração confissões de fé presbiteriana e congregacionalista, com concordâncias doutrinárias demonstrando solidariedade fundamental com essas comunidades reformadas, como afirma Haykin.

Assim, os batistas opõem-se à doutrina da Igreja Católica Apostólica Romana em união com a tradição reformada. O corpo e o sangue de Cristo estariam presentes espiritualmente “na fé dos Crentes”.

Outra observação feita por Haykin é que os batistas tratam não mais de sacramento, mas de ordenança. É uma boa observação, já que católicos, luteranos, presbiterianos e congregacionalistas não haviam se oposto ao termo. Os batistas se colocam mais radicalmente nesse sentido. Os batistas negaram até a explanação luterana. Afastam-se da tradição católica e luterana.

Nesse momento, os batistas virtualmente se unem aos reformados, na doutrina desenvolvida por João Calvino. A comunhão com Cristo, que tem o Seu corpo no céu, é feita pelo Espírito, como escreve o pastor batista Hercules Collins, que morreu em 1702.

E é citado o apologeta batista Benjamin Keach, para o qual a ceia transmite ou comunica os méritos de Cristo por meio da fé. E o ensino da Segunda Confissão de Londres é abrangente quanto à ceia: há obrigação de observá-la, ela é uma lembrança perpétua, confirma na fé nos benefícios trazidos por Cristo, nutre e faz crescer espiritualmente, para o compromisso com Cristo e comunhão com ele e uns com os outros, e etc. Isso é apenas um resumo. Vemos que a importância da Ceia é mantida entre as igrejas que se separaram da Igreja Católica, mas depois dos luteranos todos negam a presença física sacramental de Cristo.

Os batistas estavam unidos com os puritanos, e esses contrariavam o pensamento de zwínglio. Assim, os batistas afastaram-se do zwinglianismo nesse ponto, pode-se afirmar. Os batistas ainda criam na doutrina e pensamento reformado, de Calvino. Essa é a doutrina que prevaleceu nos primeiros tempos batistas.

Sua presença, que refrigera a alma. Interessante que Haykin mostra o batista William Mitchel (1662-1705) apresentando a doutrina da ceia em termos calvinistas e enfatizando o caráter memorial. Ele seguia “Calvino e seus antepassados batistas”, onde a ceia é meio de nutrição espiritual e onde há encontro com Cristo. É impressionante como o escritor batista se esforça por enfatizar que a participação do Corpo e Sangue de Jesus não é feita de maneira corporal e carnal, para negar a transubstanciação.

Anne Dutton (1692-1751) escreve que na ceia Jesus se comunica, “tendo seu corpo entregue e seu sangue derramado”, o que tem semelhança com autores católicos e que seria uma frase criticada por batistas se lida fora do contexto. Outros a criticariam de qualquer jeito. Essas observações são feitas para o leitor entender a importância do tema e a profundidade da doutrina cristã católica da eucaristia.

Também é citado o jovem batista Staveley, para o qual, pelas suas palavras, que concordam com a doutrina de Calvino, a ceia do Senhor era mais que um memorial.

Um memorial do Salvador ausente: Os batistas começaram a adotar a doutrina de que a Ceia é primária ou meramente um memorial, um ensino de inspiração zwingliana. Isso se deu no último trimestre do século XIII. Haykin cita Abraham Booth (1734-1086) falando da ceia como memorial.

A visão memorialista da ceia é reconhecida como “mais pobre”. De fato, a visão católica é riquíssima, bíblica, original. As demais vão afastando-se aos poucos, mas há teólogos protestantes que tentam aproximar-se novamente.

A mudança para o memorialismo. Segundo Michael Walker, como reação ao reavivamento do catolicismo inglês os batistas adotaram a visão memorialista, a partir de 1830, reforçando aquilo que iniciara com Stutcliff.

Assim, vemos que a tradição batista tem uma teologia fraca a respeito da ceia do Senhor, e com isso abre-se o apelo ao resgate da tradição cristã, pode-se dizer.

Gledson Meireles.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Livro: OS BATISTAS E O RESGATE DA TRADIÇÃO CRISTÃ, comentário do capítulo 2

Comentário do: 

Capítulo 2

BATISTAS, SOLA SCRIPTURA E O LUGAR DA TRADIÇÃO CRISTÃ

 

O teólogo Rhyne P. Putman apresenta o conceito de tradição que deve ser seguido e crido pelos batistas. É conhecido o pavor que os batistas sempre tiveram, de forma geral, ao conceito de tradição, apelando reiteradas vezes à Escritura de modo a rejeitar todas as demais autoridades. O biblicismo ingênio denunciado por Kevin Vanhoozer é o mesmo que Nuda Scriptura adotado por muitos estudiosos. É o que mostra Rhyne.

E essa atitude batista tem levado muitos a adotar esse erro maior que flui do princípio protestante que virtualmente se desprende do Sola Scriptura, levando à negação radical da Tradição. De fato, os erros também veem principalmente dos teólogos protestantes. Não se trata somente da massa comum dos crentes.

O autor cita Alexander Campbell (1788-1866), clérigo irlandês, que se opôs frontalmente aos credos e confissões, aderindo o que está afirmando explicitamente na Bíblia. Esse clérigo foi batista por dezessete anos, de 1813-1830, afirma Rhyne, liderando um dos maiores cismas da história batista. Trata-se de um problema no interior da tradição batista. E essa atitude de Campbell comprova a crítica acima.

Muitos apelam à Bíblia com o intuito de mostrarem-se mais fieis à mensagem cristã, mas, como afirmam David Dockery e Timothy George, algumas vezes a afirmação “nenhum credo além da Bíblia” significa “nem credos nem Bíblia”.

De fato, essa constatação dos autores protestantes concorda com a crítica católica fundamentada na verdade, pois nesse contexto o intérprete está impondo sua própria opinião ao afirmar a sua interpretação como correta e unicamente baseada na Sagrada Escritura contra igreja, credos, confissões, concílios.

As influências dos batistas moderados e libertários são sinais daquilo que a tradição protestante tem em si e que os batistas, como uma ala mais radical da Reforma, absorvem o conceito mais contundentemente. O equívoco do princípio protestante Sola Scriptura gera esses desvios nas denominações protestantes.

 

Comentário sobre a Natureza da Tradição

Rhyne faz indicações oportunas e bem colocadas da influência do Iluminismo, na teologia protestante, e é algo que o leitor deve considerar. Friedrich Schleiermacher, pai da teologia moderna no Protestantismo, e o batista Walter Rauschendubsch (1861-1918) rejeitaram a tradição. Schleiermacher foi um filósofo protestante liberal.

A afirmação de Rhyne de que “A tradição pode ser falível” é bastante complicada. É o máximo que a teologia protestante consegue alcançar nesse quesito. De fato, para que a tradição seja norma e ao mesmo tempo possa ser falível, há um problema em germe que aqui e ali germina seus erros.

O autor afirma que o completo ceticismo a todas as formas de tradição é insustentável. Isso mostra que há uma tradição que não merece esse completo ceticismo. O autor certamente não tenha afirmado isso. Mas há uma tradição que deve ser abordada com maior reverência. Trata-se da Tradição Apostólica.

O autor mostra que a tradição é a própria fé cristã e a própria Escritura. Essa afirmação é bastante católica, mas pode assustar os protestantes. Assim, Rhyne explica: “Pode parecer estranho, ou até mesmo perturbador, chamar a Escritura de “tradição”, ....”. É óbvio que essa consideração é feita em determinado contexto, para fins de maior conhecimento da questão estudada. Mais uma vez, como sempre, ao aprofundar no entendimento da Palavra de Deus encontramos a verdade cristã católica.

E ao citar um exemplo da tradição, temos um problema imperceptível entre os protestantes, e por isso é necessário apontá-lo. O autor afirma que a tradição preserva a memória corporativa de Israel e da Igreja, e que “a própria formação do cânon” pelo qual a Igreja “reconheceu os sessenta e sei livros da Bíblica como Escritura”, foi um desenvolvimento pós-bíblico da tradição.

O problema central nessa afirmação é que a Igreja reconheceu 73 livros e não 66 livros. É correto que a tradição preserva a memória corporativa, que a formação do cânon, que foi liderada pelo Espírito Santo, foi obra da tradição. Todo o processo ocorreu na Igreja e não fora dela.

Assim, sendo a tradição uma forma de preservação da memória cristã, o cânon um reconhecimento da Igreja em tempos pós-bíblicos, a Igreja “sob a liderança do Espírito Santo”, realizando essa tarefa, resulta que a tradição não pode errar.

Em outras palavras: o cânon é a lista dos livros inspirados. Esses livros foram escritos sob a inspiração do Espírito Santo no tempo dos apóstolos, pelos apóstolos e outros colaboradores cristãos que receberam a inspiração divina. Desse modo, sendo o processo de reconhecimento exato de quais são os livros canônicos da Bíblia levado a cabo sob a liderança do Espírito Santo, a Igreja não pode errar. Trata-se de um dado da tradição, que é o número de livros bíblicos escritos no tempo apostólico, sendo definido para a Igreja, em tempos posteriores, como conhecimento da tradição. Portanto, essa afirmação é certa e infalível. E, ainda, sendo a competência da Igreja a definição de todos os livros inspirados, do Antigo Testamento e do Novo Testamento, tem-se que o cânon é uma decisão infalível, integrante da Tradição Apostólica. Essa constatação é bíblica, teológica e histórica. O protestante não pode fundamentar o cânon de 66 livros pela Bíblia, pela teologia e pela história, como feito acima. E, portanto, esse é o momento de decisão para o estudioso da fé cristã, que é reconhecer a inspiração de todos os 73 livros da Bíblia.

E continuando, afirma que a Escritura contém e transmite a tradição. E nesse ponto, o autor incumbe-se de explicar que os escritores bíblicos não apenas usam a tradição para opôr-se a ela, mas também para descrever a recepção do próprio ensino cristão. Assim, o que é comum na apologética batista, que é a citação de textos como Mt 15, -19 e Mt 7, 1-13 para negar a tradição, o autor mostra os textos citados pelos cristãos católicos para defender a tradição apostólica, como 2 Tm 1, 13-14; 2 Ts 2, 15 e 1 Cor 11, 2. É um avanço no estudo teológico e para a maior unidade cristã.

Como falando da tradição há algo que o autor escreve e que é desconhecido pelos protestantes em geral, ou seja, que as tradições são escritas na Palavra de Deus e a tradição é a única forma de acesso ao passado. Obviamente, essas palavras são entendidas pelos eruditos protestantes como sendo a tradição tudo o que foi escrito na Bíblia, mas pelo contexto geral do assunto podemos ver que a tradição contém algo mais do que isso, pois a mesma não identifica-se totalmente com o texto bíblico, mas contem mais informações, como o cânon bíblico já mencionado.

E, por fim, afirma o autor, a tradição cristã envolve a interpretação e a aplicação da Bíblia. Essa é a mesma doutrina da Igreja Católica, e pode ser lida na constituição Dei Verbum.

E quanto à linguagem para explicar a doutrina, a explicação do autor deixa clara a fidelidade da Igreja na formulação dos credos.

Temos até aqui a autoridade da tradição, como norma para os cristãos, a sua fundamentação bíblica, a autenticidade dos credos antigos, reconhecidos pelos protestantes batistas conservadores.

Há ainda que entender a tradição como infalível, como mostrado acima, e contendo informações que servem para o conhecimentob bíblico, como o próprio cânon, algo que virtualmente já está esboçado na apresentação do autor protestante, mas precisa de certas correções.

Os protestantes afirmam que há duas versões para o entendimento da Tradição na Igreja Católica. Segundo Heiko Oberman, a Tradição I seria apenas uma tradição interpretativa, e seria tacitamente ensinada pelos padres da Igreja. A Tradição II seria a tradição como uma fonte ao lado da Bíblia, e essa seria o ensino de São Basílio (330-379).

Rhyne reconhece que São Vicente de Lérins ensinava a suficiência material da Bíblia e a necessidade da interpretação infalível da Igreja. E isso é verdadeiro, pois reflete o ensino de São Vicente. Também afirma que o Catecismo da Igreja Católilca parece ensinar a mesma posição, onde Tradição e Escritura seriam duas fontes de doutrina.

A posição protestante é que as demais fontes como tradição, razão, cultura ou experiência são ferramentas pálidas em comparação com a autoridade infalível das Escrituras.

Diante disso, é preciso afirmar a posição católica para que o protestante possa avançar em sua reflexão. Os católicos não creem que haja alguém inspirado para ensinar a verdade da revelação divina. Não há um grupo de cristãos inspirados, mas há um magistério, formado por cristãos, em que repousa a promessa de Cristo para ensinar toda a verdade, e nesse sentido podem ensinar a verdade, sem serem individualmente infalíveis. O estudo, a pesquisa, a reflexão teologia, os debates, etc., fazem parte dos concílios, e a ação do Espírito Santo garante a verdade salvífica. Portanto, não se trata de ensinar algo que não seja em favor da salvação, mas apenas questões salvíficas. Assim, são assuntos de fé e moral.

Nesse caso, a tradição é conhecida e a autoridade do magistério não pode ser pálida, mas deve refletir a afirmação bíblica de que a Igreja é coluna e sustentáculo da verdade (1 Tm 3, 15). A nossa fé está em Jesus Cristo, Autor da fé, segundo as Escrituras.

O capítulo 3 da carta a Timóteo começa com a menção do dom do sacerdócio episcopal. Trata daqueles que aspiram ao episcopado. São Paulo afirma que é uma função sublime. E continua a mostrar as características do bispo: ser irrepreensível, pois ensinará a outros. Ser casado uma só vez, ou seja, não pode ter sido casado antes, como um viúvo que casou novamente. Não se trata aqui de uma norma para o casamento dos bispos, pois o próprio apóstolo são Paulo não era casado. Também deve ser sóbrio, prudente, regrado no seu proceder, hospitaleiro, capaz de ensinar.

Caso seja casado, como eram muitos bispos no início da Igreja, devem ser castos também, ou seja, honrosos, dignos. Também não devem ser recém convertidos.

O texto continua a falar dos diáconos. E o verso 15 é uma afirmação geral, que mostra a natureza da Igreja, a qual Timóteo deve saber como portar-se: a Igreja é do Deus vivo, e a coluna e sustentáculo da verdade. Sendo coluna e sustentáculo em essência, não pode ser pálida, não pode falhar de modo geral e na expressão da fé para o ensino de todos.

A Escritura fala da Igreja em 1 Timóteo 3, 15. Agora, na segunda carta, em 2 Tm 3, 16-17, temos que a Escritura agora fala de si mesma: “Toda a Escritura é inspirada por Deus, e útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para formar na justiça. Por ela, o homem de Deus se torna perfeito, capacitado para toda boa obra”.

Temos a afirmação direta de que toda a Escritura é inspirada por Deus. Ela é útil para o ensino, para a correção, para a formação na justiça de Deus. Por meio dela, ou seja, por seu ensino crido e praticado, o homem de Deus é aperfeiçoado e se torna capaz para toda boa obra.

Antes, porém, São Paulo apresenta o seu exemplo de ensino e vida a São Timóteo, no versículo 10: “Tu, pelo contrário, te aplicas a seguir-me de perto na minha doutrina, no meu modo de vida, nos meus planos, na minha fé, na minha paciência, na minha caridade, na minha constância.

Desse modo, temos mais uma vez a autoridade da Bíblia, falando de si mesma, e da Igreja, a qual conserva a Palavra de Deus. As afirmações são categóricas: a Igreja do Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade. E: Toda a Escritura é inspirada por Deus.

Para formular essa doutrina, temos que a Igreja ensina e deve ensinar a Palavra de Deus que está na Sagrada Escritura. E a Escritura não coloca condicional nenhum, mas garante que isso ocorre.

Em Efésios 4, 11-15 a Bíblia ensina que a Igreja possui autoridade que Deus institui para “o aperfeiçoamento dos cristãos”. É isso o mesmo que é dito sobre a utilidade da Escritura. Tornar o homem perfeito. A Igreja é constituída para esse aperfeiçoamento. Portanto, a Igreja ensina o que está na Escritura, ou seja, a Igreja ensina o verdadeiro sentido da Escritura.

A Bíblia é útil para corrigir. Isso inclui a correção dos erros doutrinais e dos pecados (2 Tm 2, 16). E a Igreja tem essa tarefa, pois ensina para a unidade da fé (Ef 4, 14). Como pela Escritura o homem é capacitado para toda boa obra. Essa função é realizada pela Igreja, que por meio de Cristo, para a plena edificação na caridade. Se é plena, não fala coisa alguma. Toda boa obra e plena edificação na caridade. Portanto, Bíblia e Igreja. E também a Tradição Apostólica.

Os versos 15-16 afirmam: Mas, pela prática sincera da caridade, cresçamos em todos os sentidos, naquele que é a Cabeça, Cristo. É por ele que todo o corpo – coordenado e unido por conexões que estão ao seu dispor, trabalhando cada um conforme a atividade que lhe é própria – efetua esse crescimento, visando à sua plena edificação na caridade.

Em nenhum momento o cristão interpreta a Bíblia fora da comunhão da tradição e autoridade da Igreja.

A respeito da suficiência formal, isso não é possível em relação a toda a doutrina da Escritura, mas apenas ao que é mais simples: Jesus é o salvador, e é preciso crer nele e obedecê-lo para ser salvo. Eis um exemplo.

Igreja não tem autoridade para estabelecer novas doutrinas, mas para explicitar o que já está na Bíblia e na tradição. Assim, a Igreja não pode instituir novos artigos de fé contra a fé antiga. A crítica de Lutero estava correta. O problema é entender que a doutrina da Igreja Católica não institui novos artigos de fé.

Quanto à atitude de Lutero ao criticar pontos doutrinais do concílio de Niceia, é preciso saber que isso era feito por Lutero ao ler todas os escritos patrísticos e concílios, a até mesmo livros inspirados. Desse modo, parece certo afirmar que Lutero desrespeitou a Palavra de Deus quanto fez essas distinções do que é evangelho e do que não serve para nada, como fez nos textos conciliares, e certamente na própria epístola de São Tiago, a qual chamou de epístola de palha. De fato, em São Tiago há afirmações contundentes que atingem a doutrina de Lutero na base.

 

O autor reconhece a autoridade da Igreja. Cita John Smith (1570-1612) como o primeiro batista geral. John Smith de fato, deve-se reconhecer, é considerado como fundador da Igreja Batista.

Os batistas procuram fundamentar suas doutrinas com recursos da tradição, embora reconheçam que não tem os elementos da tradição como infalíveis. Assim, Thomas Grantham (1634-1692) é citado como defensor da fé batista ante a Igreja Anglicana.

É certo fazer recortes que reforçam determinada doutrina, usando citações da tradição para a defesa de determinado ponto de vista. Todos os grupos cristãos fazem isso, de alguma forma, mesmo os mais radicais, aqueles que apelam à Escritura sozinha para fundamentar suas doutrinas.

No entanto, deve-se reconhecer que as fontes citadas da patrística possuem no seu tom geral a mesma doutrina católica, e não apenas uma ideia que parece transparecer em determinado texto e favorecer certa interpretação.

Por exemplo, para defender a doutrina da justificação em termos forense não é fácil para um protestante, e isso é reconhecido pelos maiores estudiosos do assunto no Protestantismo. De fato, os santos padres não falam da doutrina como a mesma é entendida no Protestantismo, porque a Bíblia também não ensina a doutrina.

Outro exemplo é santo Agostinho, que pode ter certas expressões não adotadas oficialmente na Igreja Católica, mas o teor geral da sua obra é cristão católico, e por isso o mesmo é um doutor da Igreja. Sua eclesiologia, por exemplo, é contrária à doutrina calvinista. Assim também quando ensina os sacramentos. Sua doutrina da predestinação, embora tenha sido aceita quase totalmente pelos calvinistas, possui pontos de discordância, por isso o doutor da graça permanece fiel à fé católica.

Entre os batistas a tradição tem sido esquecida formalmente, ainda que os teólogos mais cônscios acreditem na importância da tradição em certo sentido. Assim, Rhyne fala da “Amnésia e suspeição” em relação à tradição. Ele reconhece que o leitor da Bíblia a lê pelas lentes da tradição.

Como os batistas se colocam intelectualmente nesse problema todos entre a tensão que há no Protestantismo entre tradição e Bíblia e de forma especial essa recusa prática da tradição no meio batista? O entendimento é que há a Tradição, com T maiúsculo, como ensinam os teólogos católicos, referindo-se à Tradição Apostólica, e as tradições com t minúsculo, que são próprios de cada tempo e lugar, cultura e costumes singulares de uma tradição eclesiástica local, por exemplo. Mas os batistas consideram-se como um grupo que possui uma tradição teologia distintiva, com t minúsculo, que se une à tradição mais ampla e comum da antiguidade. Sendo assim, a teologia batista se firma e pode nutrir seus adeptos de modo a estarem psicologicamente seguros de manterem a ortodoxia da fé cristã. Contudo, há um limite para essa opinião, já que ao desenvolver o princípio é certo que os batistas possuem um problema a ser resolvido.

A tradição batista, assim como a tradição protestante, se firma também na tradição antiga da Igreja, dos primeiros séculos, aceitando a autoridade dos concílios, de certo modo, até o quinto século. Mas, como adeptos do sola Scriptura há um elemento que sempre causa ruptura, pois crendo na Bíblia como única fonte de revelação infalível, não creem na tradição como contendo a Palavra de Deus infalível e não confiam no magistério em suas promulgações infalíveis. Se o sentido da Palavra é explicado pela Igreja e essa pode sempre estar errada, a fé está batista sobre a areia movediça.

A Igreja Católica Apostólica Romana não é um exemplo de tradição com t minúsculo no meio de muitas outras tradições, mas é aquela Igreja que mantém a Tradição com T maiúsculo e comporta em si muitas tradições com t minúsculo. Essa Tradição mais ampla deve ser crida e confessada por todos os cristãos.

A posição de E. Y. Mullins (1860-1928) dá espaço a rupturas entre os batistas, e essas deveriam ser aceitas. Ele afirma a posição batista de nunca permitir que outros credos fossem impostos sobre si. “Se um grupo de homens conhecidos como batistas..” se veem como certos em pontos doutrinais que negam doutrinas da igreja que frequentam, não deveriam ser incomodados e esses poderiam “se unir a outro grupo que concorde com eles”. Essa liberdade de deixar o grupo e se unir a outro todos possuem em todas as denominações. No entanto, como o modelo apostólico sempre foi o de corrigir na fé, alguém que na Igreja Católica se oponha a algum ensino será advertido e caso não se submeta será declarado herege, como faz todo o Novo Testamento.

O autor concorda que a Igreja deve explicar a Bíblia, e cita Neemias 8, 8, como sempre é feito na teologia e apologética católica. Esse avanço no entendimento da tradição e do magistério é benéfico a todos os protestantes. Esse ponto se aproxima da verdade católica. Verdades que os batistas não viam no texto bíblico, e eram desafiados pelos apologistas católicos a partir dos mesmos, são agora apresentados como importantes: os levitas explicaram ao povo o sentido da Palavra lida, o eunuco etíope precisou de explicação da Escritura. E deve-se notar que se tratou de tema importante na Escritura, que tinha a ver com o próprio Senhor Jesus, e “Pedro reconheceu o desafio de entender as cartas de Paulo”. Esse é um grande avanço na teologia dos batistas.

Cabe perceber que se o magistério for sempre falível então sempre haverá possibilidade de ruptura que nasce dessa brecha na teologia batista, ainda que se tenha o cuidado de não negligenciar ou ignorar a tradição. O exemplo da autoridade derivativa da tradição permite mais uma reflexão, pois como a luz do sol que se reflete na lua, deve fazer pensar de outro modo: a luz da lua é necessária na escuridão da noite, como diz o autor, mas é preciso também entender que essa luz que é “refletida” não é outra que a do mesmo Sol infalível que é Deus em Sua Palavra na Bíblia, e sendo ela um reflexo na luz não pode ser senão crida com total reverência. Assim, a Tradição é Palavra de Deus.

É verdade que a única fonte escrita inspirada é a Bíblia. A Tradição precisa ser interpretada. Mas tal interpretação vem pela Igreja que a Bíblia ensina ser a coluna da verdade. Isso deve ser crido por todos os cristãos. O leitor batista deverá estar pronto para crer nesse desdobramento do ensino bíblico.

O leitor protestante deve-se questionar como a Igreja Católica possui esses arrazoados tão corretos, se para a Reforma essa Igreja teria se desviado do evangelho.

sábado, 1 de fevereiro de 2025

Livro: OS BATISTAS E O RESGATE DA TRADIÇÃO CRISTÃ: Em direção a uma catolicidade batista. Estudo

Análise do livro:

 

OS BATISTAS

E O RESGATE DA

TRADIÇÃO CRISTÃ:

Em direção a uma catolicidade batista

 

 

 

A presente análise é feita eminentemente sob a perspectiva bíblica e da teologia católica apostólica romana.

É uma obra endereçada aos irmãos protestantes, principalmente aos da denominação batista, por se tratar de leitura de uma obra batista, para que a partir do estudo das suas doutrinas fundamentais conheçam a doutrina cristã católica que é conservada na Tradição Apostólica na história da Igreja.


 

O livro em apreço é organizado pelos teólogos Matthew Y. Emerson, Christopher W. Morgan e R. Lucas Stamps. É uma obra de estudiosos batistas conservadores. Trata-se de uma apresentação fidedigna da tradição batista. A partir dessa obra serão feitas as contribuições necessárias para o aprofundamento do tema e para a busca da unidade católica que Jesus ensinou em João 17, 20-26. Por meio da presente análise o leitor protestante irá compreender mais sobre a doutrina da santa Igreja Católica Apostólica Romana.


 

As palavras dos eruditos protestantes sobre a obra

 

Nas palavras de Daniel L. Akin vemos que “Tradição, credos, liturgia, resgate e catolicidade” são termos quase desconhecidos entre os batistas. De fato, os protestantes em geral não falam em Igreja, Tradição, Credo, Liturgia, Resgaste e Catolicidade, a não ser quando criticam a Igreja Católica. Assim, o erudito alude ao fato de que esses termos são usados mais comumente em sentido negativo. E afirma que o livro é de necessidade para a teologia batista.

O parecer de Bruce R. Ashford é de que os batistas podem manter suas características denominacionais e encaixar-se na “tradição cristã mais ampla”, com suas doutrinas e liturgia. Aconselha a leitura da obra.

Com Nathan A. Finn sabemos que os batistas são vistos por outros protestantes como sectários, e isso é reconhecido como fato, “Infelizmente, algumas vezes”, afirma Nathan. E fala de uma visão de catolicidade tipicamente batista. Vamos ver como isso será construído ao longo do livro. Também alude à natureza evangélica e ecumênica dessa visão. Deve-se buscar a unidade. E o leitor verá na análise que essa unidade leva naturalmente à aceitação da doutrina cristã católica.

Gavin Ortlund fala que muitos assim a palavra ‘batista’ a uma mentalidade sectária. Portanto, mais um erudito afirmando que os batistas possuem certa fama de sectarismo entre os protestantes. Ele afirma que “em sua maior parte” a tradição batista está conforme a igreja histórica e global. Ou seja, há entre os batistas aqueles que se distanciaram mais da verdade, mesmo sob a perspectiva protestante. Os batistas possuem elementos distintivos, que são formados pelas circunstâncias em que se originaram a denominação. E Gavin afirma que o livro será de ajuda aos que querem ser batistas e ao mesmo tempo manter-se em comunhão com a “tradição cristã mais ampla”. É ser batista e ter sensibilidade católica.

No decorrer do livro esse ponto será debatido. De fato, a Igreja Católica Apostólica Romana tem sua tradição apostólica mantida ao longo dos séculos. O leitor verá como fazer para que os batistas estejam de fato em unidade de fé com a tradição cristã.

As palavras de Amy Peeler mostra que a obra pretende mostrar o que une os batistas a outras denominações e quer reforçar a identidade batista.

Madison N. Pierce, seguindo esse raciocínio, alude ao desejo para que os batistas sem mais ecumênicos, humildes e fieis. Afirma que essa obra, por exemplo, representa o melhor da teologia batista através de seu foco nas Escrituras.

Douglas A. Sweeney fala da catolicidade batista. Os batistas creem na Bíblia como autoridade final, mas são chamados a interpretar e aplicar os conteúdos da Bíblia em comunhão com os santos e as instruções do passado, ou seja, em conformidade com a tradição. No decorrer da análise o modo como isso é feito entre os batistas será evidenciado.

O erudito afirma que a fé batista é parte da igreja católica com c minúsculo. De fato, está falando da igreja em sentido geral, de cristianismo. Mas também pode-se afirmar que os batistas fazem parte da Igreja Católica, por sua fé básica no credo apostólico, por crer em Jesus Cristo, por aceitar a maior parte do cânon bíblico, e ter-se originado a partir de uma reforma radical iniciada por cristãos católicos no século dezesseis, dando origem ao movimento anabatista, que pode ser considerado com raiz mais remota dos modernos batistas.

Depois, Douglas afirma em outras palavras que dispensar a tradição é “receita para heresia e pecado”. O leitor verá que só é possível desenvolver totalmente essa verdade na tradição católica. Os batistas estão se esforçando para isso, para a renovação da sua denominação, mas esse caminho de apropriação “das riquezas da história da igreja”, nas palavras de Douglas, só é completamente possível na aceitação da tradição apostólica conversada no Catolicismo.

Os eruditos David Dockery e Timothy George são os pioneiros da catolicidade batista. Ao mesmo tempo desejam manter a doutrina batista. Esse esforço revela o desejo de serem considerados cristãos católicos “batistas”. A possibilidade disso ser alcançado será objeto de estudo.

Obviamente os autores não estão interessados em inserir-se na comunhão cristã católica romana, mas defender sua fé entre as denominações protestantes históricas, como a luterana, a presbiteriana, a anglicana e a metodista. Também é certo que concebem a tradição batista como mais fiel à doutrina bíblica. Isso será abordado.



Comentário do prefácio à edição em português de Rafael N. Bello

 

A ideia de “suspeição da tradição” é mencionada. De fato, os protestantes em geral suspeitam da tradição, negam a tradição, criticam a tradição, e praticamente baniram o termo de sua doutrina, aparecendo somente nas críticas à tradição católica. Essa atitude nasceu entre os reformadores do século dezesseis, mas atualmente tem sido revista e as igrejas protestantes, como os batistas, desejam aprender com os santos do passado. E para isso, é necessário conscientizar, é dever considerar os santos cristãos católicos. Então começa um grande desafio para um cristão protestante batista.

Para isso não basta negar que tal e tal autor da antiguidade era um católico “romano”. Essa atitude não ajuda muito. É preciso reconhecer a riqueza, profundidade e autoridade dos escritos dos santos padres, que vão até o século oitavo. São muitos os tesouros que a fé apostólica possui e são expressos nessas obras. Então, como afirmado no prefácio, a fé não é imposta, “a fé é também herança”.

Alude também à liberdade de consciência. Os batistas nasceram como grupo perseguido, e esse ponto é muito forte entre eles. Assim, um protestante batista tem grande dificuldade em curvar-se a uma verdade que vem da herança da tradição. É um obstáculo para os protestantes, e especialmente para os batistas.

Também é afirmado que os batistas não podem negligenciar a tradição cristã. Porém, há entre os batistas os que aderem ao que podemos chamar de Nuda Scriptura, onde os padres da Igreja são apenas os apóstolos, e a tradição é apenas o que foi escrito na Bíblia. Obviamente esse se consideram mais fieis à tradição batista do que os que de fato aderem ao Sola Scriptura dos reformadores, com todos os distintivos da denominação.

A Bíblia é a norma normans e a tradição é a norma normata. Porém, na prática essa questão é dificílima e muitas vezes impossível de ser um baluarte da verdade. Os batistas advogam a liberdade de consciência, a Bíblia como autoridade final e não devem negligenciar a tradição cristã. As denominações cristãs devem funcionar assim, mas estão diante de uma dificuldade importante. Para o cristão católico isso funciona bem de profundamente em consonância com a Bíblia.

Um exemplo hipotético. Um protestante batista estuda a Bíblia e decide-se contra a doutrina da trindade. Não encontrará nenhum fundamento na tradição, pois a Igreja Católica afirmou a doutrina em concílios, e mesmo as igrejas orientais e os protestantes, incluindo a confissões batistas. Assim, deverá ser mais prudente em sua posição. Mas, no final, poderá apelar à sua liberdade de consciência individual e à Bíblia como autoridade final e afirmar estar certo de suas conclusões.

Diante disso, o mesmo parece estar conforme o que é ensinado no Protestantismo, em suas últimas consequências. Porém, de modo prudente e humilde, o intérprete deveria alinhar-se à tradição cristã, que com sua sabedoria formulou a doutrina a partir de profundos estudos bíblicos, e defendeu a verdade contra as mais diversas heresias, incluindo a mesma nas orações, na liturgia, nas decisões conciliares, nos catecismos e mesmo nas confissões protestantes históricas. Entretanto, é uma verdade integrante das confissões de fé batistas. O mesmo está estaria seguro assim, mas não se pode negar que sua ideia primeira encontra brecha na teologia protestante. Por sua vez, um cristão católico, nesse caso, não teria qualquer possibilidade de afirmar-se como possuindo direito de sua interpretação. É assim que percebemos o equilíbrio do sistema cristão católico.

Portanto, o protestante, para levar logicamente o exemplo acima, no sistema cristão, à sua correta conclusão, precisa crer que a norma da tradição é mais autoritativa do que ele imagina.

É o mesmo que é dito pelo erudito, que o que está resumido nos credos, por exemplo, mostra que não é preciso fazer de novo a exegese para se extrair a doutrina. O problema para o protestante batista é que a autoridade dos credos “nunca é final” mas deve ser respeitada. Se a exegese foi correta, se o resumo foi feito com base na Escritura, se se deve prosseguir a partir daquele ponto, sem retroceder, pois é algo correto e fechado para ulteriores progressos em novas ações morais, por exemplo, como poderia essa autoridade não ser final? Se ele pudesse ser retocada, mexida, mudada, negada, negligenciada, seria uma autoridade bastante pequena. No entanto, pelo exposto, ela tem revestimento da autoridade bíblica, e, portanto, não pode ser reformada. Desse modo, o cristão batista precisa aderir a ela com respeito e nunca tentar mudá-la. E isso serve para todos os credos e decisões conciliares.

O autor afirma ainda que os batistas não olham para a tradição com desconfiança, mas com alegria. O mesmo cita Matthew Emerson a respeito da sua defesa do credobatismo, reconhecendo que se trata de uma ruptura com a prática tradicional, mas ao mesmo tempo um meio de afirmar a fidelidade da igreja à Bíblia. Esse problema será abordado no aludido capítulo.

O leitor, se for cristão batista, deverá pensar sobre sua tradição e perceber quando ela foi formada. Assim, verá o caminho para reformar sua fé em direção à tradição apostólica.

Aí poderá ver os citados separatismo e biblicismo que são na verdade algo ligado à antropologia iluminista, que baseia-se na capacidade moral e intelectual do ser humano, ainda que afirmando está cativo à Palavra de Deus em sua interpretação, dando origem a ideias que confrontam com a Bíblia e a Tradição.

Para os outros protestantes, das igrejas históricas, talvez a obra irá ser de relevância para o entendimento da tradição batista e sua relação com a tradição mais antiga da Igreja. Para os cristãos católicos, o desejo é ver os batistas caminhando para mais próximo da luz da verdade cristã que está na tradição cristã. E isso exigirá deles muitas rupturas com sua tradição eclesiástica batista.

 


Comentário do prefácio de Timothy George

 

O livro tratará especialmente da natureza da fé e da qualidade da prática dos batistas. Os batistas deverão ser críticos mas indulgentes, com toda a igreja. O autor cita o individualismo, que tem sua fundamentação no Iluminismo e no relativismo pós-moderno. Isso ajuda a pensar nessa ênfase na liberdade de consciência, na liberdade do indivíduo, nas diferentes interpretações da Bíblia e das doutrinas divergentes que são relevadas como não essenciais, o que pode ser uma influência do relativismo. O cristão batista deve continuar sua investigação com precaução, não tendo cada afirmação da sua fé, que alegadamente é toda bíblica, não tendo essas alegações um assentimento pronto é rápido, mas deve pensar se o mesmo não é apenas opinião individual, baseado nesse individualismo mencionado, e se as divergências são passadas como algo de pouca relevância não têm a ver com o citado relativismo pós-moderno. Tudo isso impulsiona o estudioso no caminho da verdade.

É bom lembrar durante o estudo que os batistas são defensores da liberdade religiosa porque foram duramente perseguidos no seu nascedouro, na Inglaterra pré-revolucionária, como afirma Timothy. Esse comportamento tem gerado atitude de pouco diálogo, onde a “verdade” batistas seria bíblica e as demais posições, com maior foco as do Catolicismo são consideradas simplesmente como não-bíblicas.

O Protestantismo tem tendo reivindicar seus fundamentos históricos como ortodoxos. A obra em questão trata especialmente da tradição batista nesse sentido. É mencionado o Movimento de Oxford, feito na Igreja Anglicana. Interessante que o maior intelectual do movimento, John Henry Newman, ficou convencido da verdade cristã católica e tornou-se católico, bispo e foi beatificado.

O “Lutero católico” é tema ensaiado entre os luteranos, os cristãos de Augsburgo. O autor menciona também a obra de Nevin e Schaff, que são luteranos. Entre os metodistas está Thomas C. Oden. Os teólogos Scott Swain e Michael Allen entre os presbiterianos. Entre os batistas é mencionado o Center for Baptist Renewal (Centro para a Renovação Batista), ao lado dos teólogos batistas Curtis Freeman, Steve Harmon e Elizabeth Newman que apelam à catolicidade batista.

Vê-se assim grande tentativa e esforço para renovação da fé por meio de sua reavaliação em relação à tradição. É um eco da verdade cristã católica apostólica romana que ressoa nos arraiais da Reforma Protestante.

As palavras de Timothy mostram que os batistas precisam lembrar-se da tradição. Costumam afirmar que são comunidade de crentes batizados, mas devem lembrar-se da tradição cristã, e isso requer humildade. Humildade pessoal, humildade eclesiológica. O leitor deve estudar com humildade, não pensando na resposta que dará enquanto lê o que o contradiz, mas tentando primeiro entender o que ainda não sabe, estudar seus fundamentos bíblicos, e só depois formular uma resposta.

Encontrando a verdade cristã é uma forma de servir melhor a Jesus Cristo que é o Caminho, a Verdade e a Vida.

Que essa análise seja para a glória de Deus Pai, Filho e Espírito Santo.



Comentário da Introdução

 

Primeiro e preciso que o protestante batista se questione o motivo natural que tem feito crescer “o desejo por um enraizamento mais forte na tradição cristã”. Houve tempos em que isso só era lembrado nos ataques à tradição católica. Os batistas deveriam estar satisfeitos com sua fé “bíblica”, com seus distintivos denominacionais. Nada de credo, nada de confissões, nada de concílios, nada de autoridade extra-bíblica. Obviamente, de maneira virtual, a tradição da Igreja e a própria Igreja mantinham sua autoridade, como prevê o Sola Scriptura,  mas o discurso sempre beirou ou apontou à Nuda Scriptura.

O ser humano organiza-se com rotinas. Assim, é comum que a liturgia chame a atenção naturalmente. Deve haver algum elemento que perturbe essa consonância, levando alguém a não conformar-se com a rotina diária em sua vida particular. O mesmo se diz quando se opõe às formas litúrgicas da vida cristã comunitária. Portanto, é normal o desejo de voltar às formas litúrgicas antigas. E mais uma vez, o desejo sadio dessa renovação leva à unidade com a fé da Igreja Católica.

É bom notar que aquilo que os eruditos evangélicos conservadores estão buscando, como o resgate das fórmulas doutrinárias patrísticas e do modo de interpretar a Bíblia, os métodos pré-críticos, bem como a maior transcendência na adoração e a expressão robusta da fé, são todos elementos que a Igreja Católica Apostólica Romana possui. A Igreja Católica é firme em sua patrística, é profunda na sua interpretação bíblica, é transcendente na adoração, o que é muito perceptível e elogiado pelos que buscam maior espiritualidade, e sua expressão de fé, e a deseja da doutrina de sempre, é muito robusta. Parece mesmo que o que está na Santa Igreja Católica é procurado por esses cristãos protestantes que se propõem a servir a Deus mais firmemente e fielmente. Embora não olhem nessa direção, que possam refletir sobre essa realidade.

Agora, a questão da expressão “multifacetada” da fé uma vez entregue aos santos, essa talvez seja uma área bíblica bastante pouco conhecida pelos protestantes, que vivem de maneira intensa as divisões denominacionais. No Novo Testamento não havia tal divergências. Havia uma Igreja e as heresias, sem comunhão alguma entre as duas alas. No Protestantismo, por sua vez, há certa comunhão e unidade em doutrinas fundamentais nas diversas denominações históricas.

Doutro modo, a situação é diferente na Igreja Católica, pois a mesma é firme em sua dogmática, e ao mesmo tempo permite uma variedade enorme e bem orientada de expressões de fé, de ritos, espiritualidades monásticas, de pastorais, de movimentos, etc.

Muitos não vêem essa realidade, mas optam por focar nas divergências, como o surgimento da Igreja Católica Brasileira, a Velha Igreja Católica, etc., que estão fora da comunhão católica. Deve-se olhar para dentro da Igreja.

Outras vezes falam dos sedevacantistas, que negam a autoridade do papa, o que não está em comunhão com a fé oficial da Igreja. Assim, é preciso reconhecer a diversidade que há na unidade, reconhecida, como entre franciscanos, dominicanos, beneditinos, jesuítas, carismáticos, 24 as igrejas sui juris que estão em comunhão com Igreja Católica. É uma unidade que não há no Protestantismo.

Assim, as divergências católicas existem, e são menores em número e intensidade em comparação com as que existem entre os protestantes. Também, e isso é mais importante, a unidade é maior e essencialmente mais sólida na diversidade católica. A verdade gera unidade.

Os autores citam o grupo de batistas moderados que tentar visualizar a identidade batista no contexto da tradição mais ampla. Mas os moderados não expressam o parecer tradicional dos batistas.

Então, a busca para situar melhor a fé e a prática dos batistas na tradição cristã histórica, da parte dos batistas conservadores, é expressão no livro em análise. Por meio dessa obra pode-se ir às fontes da autêntica identidade dos batistas.

Nessa busca de situar a fé batista na tradição os batistas conservadores irão tentar fundamentar os distintivos batistas como aceitáveis e fundamentalmente bíblicos. Certamente o batismo de crentes é um ponto inegociável, pode-se dizer.

Essa controvérsia lembra o tempo de Tertuliano. Esse grande escritor, enquanto católico, expôs sua opinião teológica de que era prudente batizar apenas aqueles que chegassem à idade de pedir o batismo. E o motivo que o levou a isso era o número de pessoas que abandonavam a fé após batizados na infância. Porém, sua doutrina do batismo conservava a verdade da regeneração batismal.

Entre os batistas a questão é outra. A denominação não crê na regeneração batismal, e assim não batizar crianças se fundamenta na crença de que o batismo, como testemunho público de fé, só pode ser realizado nos crentes. É uma ruptura com a tradição cristã.

Outra questão mencionada é “o desejo de contar com um sacramentalismo mais robusto” nas igrejas batistas. É importante lembrar que o termo sacramento é bastante criticado entre os batistas, que preferem tradicionalmente, na denominação, tratar os mistérios como ordenanças. Pode-se dizer que na apologética aparecem como simples ordenanças. Concebem que são importantes e ordenadas por Cristo, mas negam o efeito da graça por meio dos sacramentos. E a ênfase na fé e no simbolismo levou ao esvaziamento que agora tem levado a muitos a resgatar a antiga fé da Igreja, que sempre considerou os sacramentos sinais sensíveis da graça.

Caso os batistas aceitem essa verdade, de modo oficial, causarão ruptura com a própria tradição, mas se inserirão na tradição apostólica. E muitos batistas têm tentado resgatar a robustez do sacramentalismo. Parece que Wayne Grudem possui uma visão mais espiritual dos sacramentos do que a tradição batista tem permitido observar. Certamente ele faz parte dos precedentes para essa renovação. E muitos batistas atuais creem com fé mais profunda nos sacramentos do que os batistas de antes.

Mais um ponto importante é a natureza da Igreja Católica. Os batistas enfatizam historicamente a comunidade local. Mas, em nota de rodapé, o livro traz a observação de que embora o Novo Testamento fale mais frequentemente da igreja local, também refere-se à Igreja em sentido universal, citando Ef 1,22; 3, 21 e 5, 23. Esse ponto é duramente debatido entre batistas há muito tempo, quando se opõem à Igreja Católica. No entanto, trata-se de uma verdade, pois a Igreja é uma só, e assim é Universal. Portanto, essa constatação mostra um avanço dos teólogos batistas nessa doutrina da Igreja.

O primeiro capítulo do livro lida com a unidade cristã na Bíblia e a forma como os batistas entendem e “receberam” essa doutrina.


Gledson Meireles.

sexta-feira, 20 de setembro de 2024

Rafael Pablo e o react ao Padre José Eduardo

O apologista protestante Rafael Pablo fez um vídeo para refutar a lógica da imaculada conceição apresentada pelo padre José Eduardo no programa Inteligência Ltda.

O presente artigo irá lidar com a argumentação do Rafael. Ele afirma que o padre foi extremamente lógico e extremamente errado, e que é possível uma coisa ser lógica e ir contra as Escrituras, contra o próprio Cristianismo. E afirma que o padre ensinou algo extremamente anti-bíblico e anticristão.

Em primeiro lugar o Rafael afirma que nem tudo o que é lógico está dentro do evangelho. A Bíblia estaria cheia de textos e paradoxos que não se enquadram na lógica humana.

Assim, apresenta 1 Coríntios 1, 18-21, onde a Palavra da cruz é loucura para os que se perdem. O que isso quer dizer? Que o evangelho é anti-lógico? Que a Palavra de Deus possui coisas ilógicas? Que o raciocínio sem lógica é encontrado na Bíblia?

O que o autor quer dizer é que há coisas que não se enquadram na lógica humana, não são levadas segundo o raciocínio humano. No entanto, como explicou, parece que está levando ao irracionalismo.

Sendo adepto do Sola Scriptura, o apologista afirma que a Escritura é que dará os argumentos e não se deve tirar os esquemas filosóficos da razão humana.

 

O paralelo entre Eva e Maria

 

O apologista afirma que a Bíblia não faz nenhum paralelo entre Eva e Maria.

Todo protestante, do leigo ao teólogo, entende bem essa afirmação, que simplesmente quer dizer que não há explicitamente o paralelo entre Eva e Maria como há entre Adão e Jesus. Sendo assim, a Bíblia não faz nenhuma vez esse tipo de comparação.

 

Princípio errado e princípio correto

 

Estudando academicamente a Bíblia, é possível encontrar afirmações, mesmo de católicos, de que a Bíblia não faz o paralelo entre Eva e Maria.  Isso diz respeito a um paralelo direto.

No entanto, o que o protestante precisa entender é que sua posição está fundamentada em um princípio subentendido de que se não há o paralelo explícito esse não existe. Assim, dessa forma, se o princípio é correto ele deve ser usado sistematicamente em toda a teologia.

Contudo, ao analisar outras questões, o próprio protestante irá encontrar inúmeras vezes exemplos de algo que não é diretamente afirmado na Bíblia mas está de um modo velado, em seus princípios, de forma tácita, e é importante para estabelecer uma doutrina. Esse sim é um princípio teológico correto.

Assim, está refutado aquilo que fundamentava a crítica de que a Bíblia não apresenta paralelo entre Eva e Maria.

 

A Bíblia não fala que Maria foi concebida sem pecado

 

Como o próprio apologista afirma, esse argumento está ligado ao anterior. Agora, como foi feita a refutação ao anterior, o mesmo princípio derruba essa tese.

Uma vez que a Bíblia diz expressamente que Jesus não tem pecado, mas não faz o mesmo em relação à virgem Maria, o protestante conclui que a Bíblia não ensina que Maria foi sem pecado.

Como esse princípio que requer uma afirmação explícita da Escritura sobre algo para que o mesmo seja correto não é um princípio correto, está refutada a tese.

 

A lógica de Jesus

O último argumento para destruir por completo a “falácia” do padre José Eduardo. Jesus tiraria conclusões totalmente diferentes daquelas que seriam tiradas pela lógica humana.

O primeiro exemplo é de Mateus 25, da parábola dos talentos. Não haveria lógica para condenar aquele que devolveu o talento recebido ao senhor. Não haveria motivo para punição. Então, pode-se dizer, não haveria justiça. Será mesmo que a lógica usada por Jesus contraria as leis da lógica humana? É possível entender o motivo da condenação do servo mau?

Certamente não é isso que o autor quer passar com sua argumentação, como se ensinasse a irracionalidade, mas é preciso trazer esse pormenor para que o leitor saiba como funciona a lógica de Jesus.

A parábola está em Mateus 25, 14-30. No verso 19 está escrito que o senhor daqueles servos pediu-lhes contas.

Isso supõe que era necessário trabalhar com os talentos, e não apenas devolver o que foi recebido, pois do contrário não é lógico pedir contas aos servos. A tarefa não parece ter sido apenas guardar o dinheiro. Ainda, o contexto mostra que aquele trabalho indicava fidelidade.

Então, no verso 27 aquele senhor afirma que o servo preguiçoso deveria ter levado seu dinheiro ao banco para que o mesmo rendesse juros.

Dessa forma, a parábola mostra o motivo do servo ter sido castigado, o que não fere em nada a lógica humana. E o motivo é atestado por inferência, como mostrado: ele deveria lucrar com o que recebeu do senhor até que o mesmo voltasse.

Assim, se o resumo da parábola é: um senhor viajou e deixou seus servos cuidando dos seus bens, para que lucrassem com seu dinheiro e entregasse o dinheiro e os juros ao senhor na sua vinda. Um dos servos não fez o que era para ser feito. Quando o senhor voltou, o servo foi punido.

De fato, a lógica de Jesus segue as leis da lógica que Deus criou para a inteligência humana. Jesus é o próprio Logos, a Razão. Portanto, mais uma refutação ao argumento protestante.

A outra parábola é a dos trabalhadores da vinha. Os trabalhadores que trabalharam mais recebem mais. Isso é lógico. Isso é justo. Mas Jesus subverte a lógica, diz o apologista.

No entanto, tudo é muito lógico, tanto para Jesus, como para a lógica humana, basta entender o que Jesus disse: O senhor, porém, observou a um deles: ‘Meu amigo, não te faço injustiça. Não contrataste comigo um denário? Toma o que é teu e vai-te. Eu quero dar a este último tanto quanto a ti.

De fato, por esse ângulo, ninguém poderia objetar, porque Jesus usou a lógica: a contratação foi feita com cada um, e o salário contratado foi de um denário. Quando o senhor pagou um denário, estava fazendo que o prometeu.

Assim, não adiantaria olhar para o trabalho dos demais, porque não foi outro o valor que o senhor propôs como salário.

Ainda, a parábola está mostrando a bondade daquele senhor. Isso se refere à bondade de Deus. É justo que quem trabalha mais recebe mais. No entanto, Deus pode fazer o que quiser com seus bens, e dar o mesmo salário a quem trabalhou menos.

Sendo assim, ele garante que até os trabalhadores que entrem no trabalho da vinha na última hora receberão o mesmo salário.

Nesse caso, a salvação está sendo mostrada como o salário igual a todos. A lógica permanece, pois Jesus se baseia na permissão que tem o dono de usar dos bens como lhe apraz, o que é justo e lógico.

Assim, como explicou o padre Eduardo em seu react ao react, Jesus revelou a lógica superior, mas não afirmou nada contra a lógica humana.

Jesus não ensinou que todos devem trabalhar, uns mais e outros menos, e todos devem receber o mesmo salário. Pelo contrário, ele afirmou que naquele momento o senhor estava sendo bom, e assim revolveu dar ao que trabalhou menos o mesmo que tinha pago ao que havia trabalhado desde cedo. Então, continua usando a lógica.

Diante disso, deve-se reconhecer que há lógica na Bíblia para a doutrina da imaculada conceição.

 

Vejamos a lógica bíblica

 

No Gênesis 3, 15, Deus põe inimizade entre a serpente e a mulher. Essa passagem é considerada o proto­-evangelho. Então, ela fala de Jesus, mas ao mesmo tempo a mulher tem aí referência importante.

No Apocalipse 12, o Filho que nasce da mulher é levado para junto de Deus. É fácil identificar o Filho, e por consequência a sua mãe.

De forma geral, a Bíblia permite concluir que há um paralelo implícito entre Eva e Maria.

Assim, está refutada a argumentação protestante.

 Gledson Meireles.