domingo, 30 de agosto de 2026

Debate Guilherme vs Daniel

Aqui vão algumas considerações do debate. Em geral foi muito bom, respeitoso, rico em argumentos.

Mas, vamos mais aos pontos em que o ateu expôs.

O Daniel fala das suas primeiras dúvidas com relação à Bíblia. Essas revelam algo importante. Quem escreveu os evangelhos? Tanto tempo depois? É confiável isso? Talvez a radicalidade da dúvida já se expressa aí, e isso é um sinal do empecilho que há na mente para procurar a verdade de fato.

Ou seja, partindo de ideias que são praticamente impossíveis de serem totalmente explicadas e suficientemente satisfeitas ao espírito que duvida, e assim é pensado por quem duvida, essas ideias se tornam o “motivo” da rejeição de tudo aquilo que o indivíduo de fato não pretende ir atrás.

Aqui se faz uma generalização a partir de um caso concreto, que serve para tal. Não é dito que foi assim com o Daniel, mas é uma indicação das coisas que se dão na mente que abraça o ceticismo. E, com isso, se entende as forças que levam ao ateísmo.

Assim, como é impossível que se volte no tempo e veja como as coisas aconteceram de fato, e experimentar certas coisas, como ver Jesus ressuscitando na manhã de domingo, por exemplo, e sendo isso algo poderoso demais para se crer, é preferível ao cético crer que os discípulos, na melhor das hipóteses, foram sinceros mas abraçaram uma fábula, imaginando algo, tendo um delirium, ou algo do tipo, mas não ir além para resolver o que subjaz à própria dúvida e dificuldade parar crer.

Por que Deus se esconde? O Daniel, como outros autores, imagina que a experiência com Deus deveria ser algo bastante “palpável”. A pergunta: por que não responde a todos que te buscam? Revela isso. O indivíduo pretende sentir algo mais, algo que satisfaça sua exigência, que é ter uma experiência tal, e de tal modo material, que não justifique qualquer dúvida em si mesmo. Mas antes disso, deveria pensar que a experiência espiritual não tem qualquer das características exigidas. E, assim, nenhuma das exigências será satisfeita, por se tratar de uma coisa que acontece em um campo diverso daquele que se espera que aconteça: o espiritual. Negando o espírito e exigindo que o mesmo aja como matéria é fechar-se ao diferente.

Uma indicação, que pode ajudar, é começar a aceitar a possibilidade da existência de Deus, um agnosticismo, podemos dizer, que é algo mais inteligente que o ateísmo, e a partir daí procurar entender, a partir dos fenômenos, como é a experiência com o divino na vida de bilhões de seres humanos, a partir daquilo que é relatado, para que se entenda como o espiritual é sentido pelos seres humanos, e não exigir que Deus tenha de ser assim ou de outro modo para que se possa crer em Sua existência. É um ponto de partida interessante.

Por exemplo, as guerras, as brigas, e etc., o mal em geral, é um motivo usado para não crer. Os ateus estão utilizando de exemplos e tentando entender através desses o que é incompatível com a ideia do bom Deus. Certamente estão usando os dados de forma equivocada, mas o que se pretende aqui é mostrar como se deve partir de outros elementos, igualmente presentes na vida de inúmeras pessoas, para certificar-se de como é vivida a espiritualidade na humanidade. Com isso, pensar: você já viveu isso? É possível isso em sua vida? Por que você não teve ou tem essas experiências? Elas são apenas produto da matéria, das operações do cérebro? Que evidências tem para ser dogmático nisso? E etc.

Quando o Guilherme diz que Deus já se revelou bastante ao Daniel, o suficiente, ele acertou em cheio. Obviamente não falta a Deus o revelar-Se. É preciso aceitar o suficiente para ir além.

A liberdade foi citada. O Daniel já havia afirmado não crer no livre arbítrio. Certamente sua noção de livre arbítrio está equivocada. O exemplo dado pelo Daniel, sobre os que nascem em lugares que praticamente impossibilitam ou dificultam o máximo o conhecimento do Deus verdadeiro, causando a danação eterna daqueles indivíduos, usado como motivo contra o livre arbítrio, revela problemas na compreensão do debatedor.

Primeiro, por que o mesmo usa o exemplo para combater a noção de livre-arbítrio? Por acreditar que sendo verdadeiro o Deus da Bíblia e sendo quase impossível que milhões de pessoas que vivem em países não cristãos conheçam esse Deus, único capaz de salvá-los, isso torna certa a condenação dessas pessoas, o que toca no senso de justiça que temos. De fato, seria injusto de assim o fosse. Deus não poderia causar a condenação de ninguém, condenando inocentes que não o conhecem e não tiveram oportunidade de conhecê-lo. Esse argumento está correto.

No entanto, ele está em conformidade com a liberdade e não funciona como pensou o ateu. Deus é único. O mesmo Deus é acessível à inteligência e revela-Se de diversas formas. Assim, os que crerem em Deus e viveram se acordo com essa fé, em sua consciência e liberdade, serão salvos, estejam onde estiverem. Assim, não será necessário conhecer cada detalhe da revelação divina, mas ter a fé mínima em Deus.

Desse modo, na fé cristã a justiça é suficientemente compreendida e a liberdade de cada uma também. Esse argumento ateu perde esses detalhes e equivoca-se bastante.

O Guilherme mostra como se converteu, a bagagem erudita que tem para falar do tema, e a falta de conhecimento que o ateísmo tem do Cristianismo.

O Daniel acredita que há autores ateus mais sofisticados, talvez não lidos pelos Guilherme. Mas o Guilherme afirma que leu Bertrand Russell, David Hume. Só aqui já não há lugar para dizer que se tratam de ateus pouco sofisticados. Mas, com certeza o Daniel não ficou satisfeito, pensando que há melhores: vou te dar umas dicas depois, de outros. Essa frase mostra isso.

Quem escreveu os evangelho?, foi a dúvida que levou o Daniel para fora da Igreja Católica. É algo que mostra o quanto o mesmo está no campo da pesquisa material. Por exemplo, ao dizer que a caridade da Igreja é uma das maiores virtudes, isso mostra o espírito de amor ao próximo. Essa virtude no ateu pode leva-lo à fé, quando bem orientado. Mas ao crer que a fé em Deus é algo ilusório, e que serve para dar uma força à prática da caridade, pensa conforme os ditames ateístas.

A questão da fé e da razão surgiu no debate. E a escravidão também, sem maiores aprofundamentos.

Argumento ateísta mais difícil e forte seria o problema do mal, segundo o Guilherme, considerando o ponto de vista emocional, e não lógico.

E o argumento cristão mais forte ou difícil de ignorar, para o ateu, seria o argumento do motor imóvel, segundo o Daniel. Ele dá o exemplo de uma refutação, pois o motor imóvel pode não ser o Deus que o cristão cultua e pode também não ser um deus, o que validaria o ateísmo.

O ateu que vive fazendo o bem e o mau que se arrepende no fim da vida. Quem é salvo? Certamente ambos.  É impossível fazer o bem sem a graça divina. E a graça comum leva o homem que vive segundo a lei natural ao bem e Deus o salva.

E quanto ao argumento mais forte de ambos os grupos? O argumento metafísico, segundo o Guilherme.

O Daniel acha que a esperança da vida eterna no céu é um consolo, mas não é razoável. Não houve debate sobre esse ponto.

Quando o Daniel diz que “gostaria de estar enganado”, isso mostra a razoabilidade tremenda e maior da fé cristã. De fato, vivendo segundo as suas convicções, e, portanto, realizado nelas, o ateu perderia muito se o Cristianismo estivesse certo. O cristão não perderia praticamente nada se o ateísmo fosse a verdade.

Em resumo, que o leitor peça a graça de Deus e cresça na fé, em Nome de Jesus Cristo, Nosso Senhor e Salvador.

Gledson Meireles.


domingo, 16 de agosto de 2026

A assunção de Maria e a origem do culto a Maria

 

A assunção de Maria e a origem do culto a Maria

A leitura do Apocalipse 12 sugere que algo de extraordinário ocorreu como a virgem Maria. O símbolo dela é visto no céu. Ela é protegida por Deus. De um modo misterioso a mulher foge para o “deserto” com as asas dadas por Deus a ela para que voasse. É um símbolo profundo. O deserto é um lugar “fora do alcance da cabeça da Serpente” (Ap 12, 14), o que indica ser um lugar espiritual, fora da terra. A virgem Maria foi elevada ao céu.

Quando santa Isabel ficou cheia do Espírito Santo em Lucas 1, 41 e exclamou que Maria é bendita e o fruto do ventre dela (Jesus) é bendito, sendo honrada com a visita da mãe de Jesus, ela a saudou com reverência. E mais: essa reverência foi inspirada por Deus.

Mais adiante, a virgem louva a Deus e diz que “todas as gerações” a proclamarão bem-aventurada (v. 48). Desse modo, desde os primeiros dias, os cristãos honraram a virgem Maria.

Gledson Meireles.