segunda-feira, 29 de junho de 2026

Argumentos ateístas sobre a história bíblica

 

Foi publicado um vídeo com ideias ateístas fazendo um resumo da doutrina bíblica sob uma linguagem que torna tudo um mito, uma fábula, uma mentira, uma coisa sem sentido. E todos os adeptos do ateísmo aplaudem, porque consideram essa abordagem a única correta, crítica e erudita, a única coerente, normal, saudável. E nessa leitura chegam a encontrar a paz de espírito que tanto procuram, pois veem nela a expressão da verdade, contra o erro e a “ignorância religiosa”. De fato, o ser humano procura algo que faça sentido à sua busca pela verdade.

Pois bem, vamos analisar as palavras do autor, com sua linguagem interessante, sua imaginação fértil, seu senso de humor, e seu talento para formular esse texto chamativo. No entanto, como a questão é a busca da verdade, tudo isso é apenas adereço. Vamos ao essencial.

O sacrifício humano de Cristo e a posse do salvo pelo Espírito Santo são vistos de maneira estranha. Uma maldição no jardim mágico, onde as duas pessoas eram uma proveniente do pó e a outra da costela. Assim se inicia a história relida pela imaginação do autor.

“Deus não gostou” que os seres humanos pensassem por conta própria, afirma, mas preferia que eles simplesmente obedecessem. Pensar por conta própria, a verdade, e a obediência, o mal. Há algo bem curioso aqui. Quem preferiria obedecer? De fato, o ser humano quer liberdade e não curvar-se em obediência. E assim o discurso é aberto de forma bastante natural e agradável.

Bem. Essa leitura parte do fato de que não há Deus, e de que Deu não é. E depois, entra na história para tentar mostrar as incoerências do texto considerado a revelação de Deus.

Entretanto, apenas outra história humana estaria sendo contada na Bíblia. O homem pensando por si é o bem maior. Nem a Deus deveria obedecer. Ou melhor, para o ateísmo, onde não há divindade, a mente humana deve procurar o “sentido” da vida e as “leis” para o bem viver de modo a encontrarem o fundamento para viver da melhor forma possível, como sendo melhores que quaisquer cristãos, já que estarão fazendo o bem sem esperarem quaisquer recompensas.

Então existe o melhor a ser feito, o bem a buscar para ter uma vida virtuosa e uma felicidade na vida. Esse melhor é o que é, sem fonte espiritual, e as regras e leis que existem são, talvez, a emergência de uma realidade que surge da interação dos seres morais, que, não se sabe como, criam a moral a partir dessas relações. Cada um não tem a moral em si, e essa existiria objetivamente, mas começaria a ser experimentada a partir da relação humana.

Pois bem. O melhor a ser vivido, a positividade da virtude, as leis morais, tudo o que rege a humanidade seria algo que leva o ser humano ao melhor dessa existência, embora cada um individualmente não tenha a possibilidade de trazer a si esse bem de forma certa, infalível e duradoura. É algo bom que flui da humanidade, quando a própria humanidade individual não tem esse bem que lhe faz feliz. Seria como zero + zero + zero e etc. resultasse em muita coisa. O nada criando algo que fundamenta a existência do ser humano e o leva ao melhor que pode existir.

Entretanto, tudo o que existe é imanente, provindo da própria humanidade ou, talvez, de algo que é puramente físico, acima ou anterior à humanidade, mas que não pode de forma alguma ser chamado, considerado, assemelhado, identificado a Deus. Por quê?

Porque há um dogma ateu que diz que tudo é imanente. Não há divindade. Portanto, sinta-se satisfeito com a resposta, e não procure de forma alguma aquilo que a razão pura, segundo o raciocínio mais reto, possa indicar, porque isso será chamado de imaginação.

Mas a própria ideia de Deus criticada pelo ateísmo traz consigo a perfeição. O que é o padrão para o melhor para a vida humana. Obedecer ao que é perfeito é garantia de felicidade plena. Seguir as virtudes, os valores, o bem, para encontrar o equilíbrio suficiente para bem viver.

Pensar por si afastando-se do padrão garantidor da felicidade é um erro, uma fraqueza e um contrassenso. O ateísmo concorda com isso. Mas a razão move a buscar o que é racional, lógico, bom e verdadeiro. Então, a obediência nesse caso é o que a própria razão ensina. Portanto, o que subjaz na história bíblica nada mais é que a própria refutação daquilo que o autor tentou destruir. Obedecer ao que é objetivamente bom para o ser humano é uma atitude inteligente. Justamente o que a Bíblia ensina.

Outra parte interessante da crítica é que Deus não teria pedido o consentimento da jovem Maria para ser a mãe do Salvador. Mas subentende-se da leitura bíblica que Maria deu seu sim de forma plena, voluntária, livre. Então, essa questão é apenas mais uma interpretação ateísta.

E mais. Jesus teria relativizado e bagunçado tudo o que Deus havia estabelecido. Os homens estavam certos ao condenar Jesus. E a lógica que é usada é que os que estavam tentando obedecer às regras do sistema antigo foram considerados errados.

Nessa interpretação ateísta da Bíblia, Jesus estaria errado ao ensinar. O texto antigo deveria continuar como tal, sem quaisquer reformas. Os homens que levaram Jesus à condenação estariam certos. Com essa lógica, muitos aderem às interpretações ateístas da Bíblia, pois a mente humana só considera um raciocínio que faz sentido, e esse faz, ainda que seja um recorte, uma porção da Escritura analisada através de uma crítica limitada.

E, por fim, uma afirmação interessante é que as orações dos cristãos pediriam para Deus mudar a mente das pessoas ao redor, mesmo contra a vontade delas.

Essa afirmação esconde o medo de render-se a outra opinião. Ela tem a pretensão de que não se deve mudar contra a vontade, o que relativamente está correto. Porém, nem sempre a mudança “contra” a vontade é errada, porque sendo o ser humano falível, imperfeito e inclinado a coisas que lhe fazem mal, é surpreendentemente comum encontrar resistência à mudança que lhe faria bem. Mas, o que importa a seguir a própria opinião. Ninguém defende isso de maneira crua, mas é o que subjaz no pensamento criticado acima. É com esse tipo de pensamento que o ateísmo tenta refutar o pensamento religioso, geral, e cristão, em particular.

Nessa crítica foi mostrada a raiz da aceitação desse pensamento ateísta por muitas pessoas. Ela quer ensinar a liberdade, a criticidade, a coerência. Tudo o que o cristão crê, ensina e deseja. Por isso, o ateísmo, por outros caminhos, adere-se aos valores eternos, sem perceber que o faz por meios bem inadequados. Se não fosse assim, por certa coerência interna, ninguém concordaria com seus raciocínios.

sexta-feira, 26 de junho de 2026

A frase ateia "eu não sei"

Há um vídeo curto  publicado por um ateu, onde o mesmo afirma que é honestidade intelectual afirmar: eu não sei, ao invés de aceitar as respostas da religião. Resumindo é isso.

Seria difícil para os que saem da religião aceitar que “não sabem” sobre os mistérios da vida. Ou seja, cada um dizer: “eu não sei”, porque a religião procura ter resposta para tudo.

As questões: “de onde viemos”? “para onde vamos”?,  são respondidas pelo ateísmo, que “não sabe”, sobre elas, ou supostamente ensina a dizer que não sabe, mas afirma: viemos do nada e vamos para o nada.

E cada ateu tem a certeza de que na morte não sobra nada, e não há consciência, nem Deus, nem juízo, etc. Ou seja, ao dizer “não sei” o ateu sabe certamente tudo. Que coisa!

A frase “não sei” não tem o sentido que tem, e não possui o sentido que pretende defender, porque ao dizer que não conhece algo, para refutar a religião, ao mesmo tempo afirma que sabe tudo, e sabe com certeza que aquilo que a religião responde está errado. Ou seja, o ateísmo é dogmático demais. Ou será que a certeza que o ateísmo tem é somente contra a doutrina religiosa? Mas não é justamente contra o dogma religioso que o ateísmo se põe a lutar?

“Por que sofremos”? O mesmo ateísmo que ensina a frase “não sei”, ao mesmo tempo sabe o motivo do sofrimento: não há propósito algum. O sofrimento é apenas o sofrimento. Não há razão, na há justiça futura além do mundo físico. É um dogma. É a resposta.

Mas ao mesmo tempo ensina a afirmar, contra a religião: “não sei”. Se a religião ensina algo sobre isso, e tenta explicar o sofrimento, o ateu, que “não sabe” sobre o assunto, deve dizer: isso que você está dizendo é errado, porque ninguém sabe sobre isso. O certo é admitir a ignorância completa sobre o caso.

Ao mesmo tempo, o ateísmo ensina a certeza de que não há espírito, não há Deus, não há julgamento, não há recompensa, não há ser além da imanência. Mas é bonito afirmar: não sei, ainda que dando a resposta dogmática, que resolve tudo. Que “belo” discurso!

“O que acontece depois da morte”? O ateísmo ensina a dizer “não sei”, porque isso é melhor que todas as respostas religiosas.

É essa a “dúvida honesta”, que, diante desse enigma da morte, o ateísmo ensina enfaticamente: na morte não haverá mais nada. Não há nada. Mas diga: não sei. Isso é uma certeza embutida na frase que não permite certeza alguma. Que lógico isso, não acha?

Ser maduro e honesto intelectualmente é dizer “não sei” diante dessas questões, ao mesmo tempo em que tem toda certeza, como visto acima. Existe o céu, o paraíso? O ateu afirma: não. Mas em que caso o “não sei” pode ser usado pelo ateu?

Quando se concebe que tudo é criação de Deus, para o ateísmo isso não seria suficiente, e o mistério também não resolveria nada. Deus criou! Tal e tal coisa é mistério! O ateísmo diz: não. Deus não criou, e tal coisa não existe. Simples assim.

Mas a afirmação “não sei” não é o mesmo que admitir um mistério ou algo muito próximo disso?

Porém o ateu blinda a sua crença de que “não há Deus” com essas frases, tipo: “não sei”.

Pergunte: Deus existe?

O ateu responde enfaticamente: não.

Ele não diz não sei.

Quando será que essa frase deve ser usada? Quando ela tem sentido?

Crer na realidade mesmo que essa seja desconfortável? Que prova há de que não existe Deus? O ateísmo não tem prova. Mas ainda assim crê no seu dogma.

E no fim, o autor afirma que não há céu prometido, não há final mágico e apoteótico, porque a vida sem ilusão seria a fonte dessa certeza.

Mas, então o ateu sabe que não há nada? Tem certeza que não há o céu a que esperar? De onde vem essa certeza?

Ou prefere usar a frase “não sei” e permitir que essa dúvida guie a sua busca pela verdade. Já encontrou a verdade? Não use a frase: não sei.

Se se quer usá-la, não afirme categoricamente coisas do tipo: não há céu a que esperar, não há Deus, etc. Pense.

Gledson Meireles.

domingo, 21 de junho de 2026

Mais reflexão sobre um argumento do ateísmo

Dizem: Deus não existe, a morte é o fim natural e aniquilação do ser, só isso.

Para o ateísmo a vida não tem sentido. É o que parece pelos argumentos sobre a morte. A morte, e a sua causa, seja ela de que tipo for, é apenas um fato sem explicação metafísica. A justiça praticamente não existe.

É assim que os ateus creem, e parece não perceberem que essa limitação de pensamento não é o que a razão determina.

Pois bem. Em vez de crerem no Deus Soberano que conhece todas as coisas e governa o universo com Seu poder, sabedoria, bondade e justiça, preferem crer nas forças físicas, que seriam eternas, isso mesmo, essas forças sempre existiram sem criador, que agem com regularidade, sem inteligência, o que já não faz sentido, e que por meio da lógica, do modo pelo qual o pensamento humano funciona, com essas leis também eternas do pensamento do ser humano, concluem que não há explicação para a morte, por exemplo, e estão satisfeitos com isso, ou afirma-se até mesmo que não há explicação conhecida para o fato, desde de que a hipótese de Deus esteja longe de qualquer possibilidade de explicação. No fundo há um desejo e uma força agindo contra a ideia de Deus.

Aqui se vê a eternidade de Deus ser colocada na matéria eterna. A inteligência de Deus ser transferida para a inteligência humana, agindo desde a eternidade nos indivíduos, e a partir desses, nos grupos humanos, falíveis, débeis e mortais. Ou seja, o pensamento, que é algo tão sublime, é apenas parte do “deus” homem que, na verdade, é um “deus” sem grande força e fadado ao fim.

O que as leis do pensamento tendem a apontar para o Deus Todo-Poderoso e Eterno, os ateus desviam para o ser humano sem si, o que não é algo que a razão propõe, mas que é uma conclusão que, no fim das contas, e refutada pela própria razão.

Escolher não crer no Ser eterno e todo-poderoso e usar a lógica para fundamentar a ideia de que não existe uma inteligência eterna que é fonte da inteligência humana, é colocar a lógica humana acima de todas as coisas, é algo bastante limitado.

Esse lugar só poderia ser ocupado pelo Deus eterno, e a inteligência humana, na sua vaidade, quer esse espaço. Quando o universo regido por leis físicas naturais, e o pensamento funcionando por leis da lógica e do pensamento, dá espaço à ideia de que não há nada anterior a essa realidade, que faça sentido e lhe dê sentido, quando o próprio pensamento exige esse sentido, que é praticamente intuitivo,  e decidir que deveria calar-se para aceitar a simples ideia de que tudo acabará e não há justiça alguma para ser feita, é realmente crer no “deus” homem tão débil, no lugar do Deus Todo-Poderoso espiritual e eterno. De fato, é essa a única coisa que o pensamento ateu consegue colocar no lugar de Deus, pelo que podemos entender, logicamente, do argumento acima comentado.

Se alguém disser que é assim mesmo e que nada faz sentido e que a matéria e tudo o que existe e no fim, e que o homem é deus, e a morte é nada mais que a aniquilação do ser, pode-se responder: tudo bem, mas não diga que essa conclusão é a melhor. É apenas a que você escolheu e julgou ser a irrefutável verdade. Diante do que se vislumbra do comentário acima, ela é bastante fraca e contradiz a razão que a concebeu. É lastimável. Entretanto, não pode suplantar a verdade sobre Deus.

Gledson Meireles.

domingo, 14 de junho de 2026

Argumento ateu contra o Cristianismo

 Argumento ateu contra o Cristianismo

Se o ateu não crê em Deus, então, seus ataques vão contra a fé daqueles que creem, contra os seus ensinos, os seus escritos, as suas instituições. Assim, quando um ateu não crê na Bíblia é porque afirma que a mesma é palavra humana, falha, limitada, contraditória, etc. Está criticando uma obra humana por não crer que exista uma obra divina.

Então, se Jesus diz em Lucas 9, 59-60 para um homem deixar os mortos enterrar dos seus mortos, isso seria exemplo de um abuso de autoridade. Seria como um chefe que não permite o empregado ir ao enterro do próprio pai e o faz trabalhar.

É assim que o ateísmo ensina a interpretar a Bíblia. Desse modo, lendo a Escritura alguém veria que Jesus é insensível à dor do outro e que estaria fazendo como o exemplo acima. Esse seria Jesus, que nenhum fiel estaria conseguindo encontrar na Bíblia. A interpretação ateia está mostrando. A lição que se teria era de que não haveria espaço nem para o luto do próprio pai. Eis o que o ateísmo aprende ao ler a Bíblia e por isso não a aceita.

Pela argumentação já se vê que a interpretação é fraquíssima.

Aqui não se está tentando refutar o argumento ateu, que já está refutado, como se nota acima, mas apenas mostrar como o argumento funciona.

Gledson Meireles.