sexta-feira, 13 de setembro de 2024

Testemunho de conversão de Mike Gendrom


Mike Grendrom é um ex-católico, agora protestante, e apologista do protestantismo. Vejamos o que diz no seu testemunho e as razões que o levaram para longe da Igreja Católica.

Em primeiro lugar ele afirma que certa vez abriu a Bíblia e viu o quanto estava enganado.

Ao mesmo tempo, afirma que era de uma família católica romana “muito devota”. Ele foi coroinha durante sete anos, ensinou a doutrina cristã católica e afirma que era muito devoto e religioso.

Afirma, ainda, que ele acreditava que “precisava merecer” seu caminho para o céu, e fazia o que podia para garantir que chegaria céu. Tinha zelo por Deus, mas não baseado no conhecimento bíblico e não tinha “uma relação com o Senhor Jesus Cristo”.

Era um católico sincero, ia às missas todos os dias por pensar que suas boas obras o salvariam.

Então, percebendo o pecado e sua fraqueza para vencê-lo, e achava que indo às missas e confessando seus pecados poderiam suas obras superar seus pecados.

Afirma também que tinha uma Bíblia, “Bíblia católica”, e nunca havia lido porque os padres diziam que era muito difícil de entender, então ele nem tentava lê-la.

Outra afirmação importante é que ele não tinha evidências para crer na fé católica a não ser que o padre havia dito para acreditar. Ele não tinha convicção própria.

Depois de ter sido convencido que a Bíblia é a única regra em assuntos de fé, começou a lê-la.

Foi assim que começou a ver que as coisas que havia aprendido como católico estavam em conflito com a Bíblia. Doutrinas como o purgatório, pecados veniais e mortais, etc.

E quanto perguntou a um padre, que era seu tio, porque havia discordâncias entre a Bíblia e a Igreja Católica, o padre afirmou que não havia tal coisa, mas também não soube responder sua pergunta sobre as obras em Efésios 2, 8-9.

Mike e Lutero

Pois bem. Podemos afirmar que a vida de Mike foi semelhante à de Lutero. Ele não era um verdadeiro cristão católico. Conforme ele mesmo afirma, nasceu em família católica. Certamente, foi batizando, aprendeu o catecismo, ia às missas. No entanto, individualmente, não havia uma conversão pessoal. Portanto, não podia crer de fato o que ensinava a doutrina católica. Nesse sentido, necessitava de conversão.

 

 

Mike era católico?

Para os protestantes, os católicos não são convertidos, não são nascidos de novo, não estão salvos. Segundo essa opinião protestante, aqueles que encontram a Jesus e permanecem na Igreja Católica deverão deixá-la, pois não podem crer na missa, nos santos, em Maria, não podem usar imagens, etc. Assim, Mike, nessa perspectiva protestante, era um verdadeiro católico.

 

Mike não era católico verdadeiramente

No entanto, como vimos, objetivamente, Mike não pode ter sido católico verdadeiramente. Ele não tinha verdadeira vida espiritual unida a Jesus Cristo, como todo católico precisa ter. Ele mesmo confessa isso.

Ele cria que suas obras eram necessárias para ganhar o céu. Essa não é a doutrina católica, mas é aquilo que dizem ser doutrina católica.

Mike afirmava que tinha pecados e cria que suas obras religiosas deveriam superar os pecados, pois não tinha força para vencê-lo.

Isso é justamente o contrário que ensina a Igreja quanto a uma verdadeira vida espiritual.

Dessa forma, todos os católicos nominais que vivem dessa maneira certamente deixam a Igreja e adotam outra fé. Muitos se tornam protestantes.

 

Mike e a cultura religiosa

Mike afirma que era muito devoto. No entanto, ainda que conhecesse o catecismo, nunca tinha lido a Bíblia. De fato, isso é comum para os católicos, já que não há ênfase e nem a ideia protestante de que é necessário ler a Escritura.

Entretanto, seu conhecimento era precário.

Ele não tinha convicção do que cria.

Dessa forma, foi um católico que não havia compreendido bem a sua fé. Isso é o que ele mesmo afirma no seu testemunho, pois o que aprendeu da fé da Igreja foram doutrinas que a mesma igreja não crê, como salvação pelas obras, penitência para alcançar perdão, etc.

 

Os pecados veniais e mortais

Mike não crê na distinção entre pecados mortais e veniais. Certamente, crendo na justificação pela fé, do modo protestante, todos os pecados são “cobertos” pelo manto de Cristo. Então não haveria tal coisa de pecado venial.

No entanto, a Bíblia afirma que há pecado que leva para a morte, o que implica em que há pecado não mortal.

 

Mediadores

Mike afirma que estava passando por muitos mediadores como católico. Ou seja, se referindo à igreja, aos padres, aos santos, à virgem Maria etc.

No entanto, para o verdadeiro católico, que crê tudo isso, ele sabe que nenhum desses pode salvar, pois o Salvador é somente Jesus Cristo.

Não há nenhuma tensão entre as duas verdades sobre o único Mediador e outros mediadores que agem no corpo místico de Cristo. Se Mike tivesse também entendido isso, seria católico.

 

Dúvidas da fé e medo

            Mike afirma que tinha dúvidas e a doutrina católica lhe causava medo. O mesmo que passou Lutero.

 

A justificação pela fé

            O mesmo que Lutero acreditava sobre a justificação. Uma vez salvo a justiça de Cristo é contada em favor do pecador e esse não teme mais a condenação.

No entanto, todo cristão católico crê na salvação em Cristo, mas também que a justiça de Cristo não é apenas imputada, mas infusa no pecador transformando o pecador em santo.

O cristão católico, convertido, crê em tudo isso e não sairia da Igreja ao ler essa verdade na Bíblia, mas permanece firme na fé de sempre.

 

Arrependimento

Para confessar os pecados é necessário arrependimento sincero. Após isso é preciso confessar os pecados.

Mas, Mike afirma que confessava seus pecados, contudo, como uma das obras para ser salvo.

Então, em outras palavras, era uma confissão mecânica, sem verdadeiro arrependimento. Ele diz que somente depois recebeu o dom da fé e teve arrependimento.

De fato, afirmando que arrependeu-se dos seus pecados após ter a fé encontrada em Cristo pela leitura da Bíblia, não antes, isso prova que durante sua vida como católico ele não havia sido convertido e não poderia ser um católico de fato. Portanto, suas confissões não foram feitas como deveriam ter sido. Isso mostra o motivo de ter saído da Igreja Católica.

 

Penitência para perdão dos pecados

Mike continua não entendendo o que é penitência. Ele diz que a Igreja ensina que os católicos devem fazer penitência para que seus pecados sejam perdoados e absolvidos. Isso não está correto. Isso é o que os protestantes ensinam sobre a penitência católica, e não o que a Igreja Católica ensina.

A Igreja ensina que deve haver arrependimento e confissão para o perdão dos pecados. A penitência vem após a confissão, para a satisfação. A penitência é feita pelo pecador já perdoado. Assim, Mike não entende a doutrina católica até hoje.

No entanto, se ele arrependeu-se dos seus pecados após ter entrado no Protestantismo, foi aí a sua conversão, como ele explica, então foi perdoado.

Deve-se deplorar apenas que não tenha sido antes, quando podia ter aprendido a fé completa e acreditado na verdade ensinada na Igreja Católica, pois no Protestantismo há muito da fé cristã que não é ensinado.

Quando ele diz que somente Deus pode ouvir orações, ele confessa que não conhece bem a doutrina católica da intercessão dos santos.

 

Religião controlando as pessoas

Interessante quando Mike cita doutrinas católicas e afirma que o objetivo é controlar as pessoas.

Isso não é a realidade no catolicismo, na qual há liberdade espiritual.

De fato, exemplos de lavagem cerebral e controle de pessoas e tantos exemplos absurdos não vêm do catolicismo. Basta fazer uma pesquisa cursória para se certificar disso.

Salvação

Como bom protestante, Mike afirma que Jesus o salvou.

Depois disso ele procurou uma igreja. Então, como não era salvo antes, não era de fato um verdadeiro católico, mas um católico por tradição, por nascimento, devido ao costume familiar.

De fato, todo verdadeiro católico é salvo.

Tudo isso explica sua saída da Igreja Católica de uma forma bastante clara. É o mesmo que ocorre aos milhares, como ocorreu com Lutero.

A falta de conversão é uma das razões que levam as pessoas a saírem da Igreja Católica.

Para os protestantes, os cristãos católicos que creem em tudo que a Igreja ensina não são salvos. Se creem em Maria, nos santos, e fazem procissões, e rezam o terço, e creem no purgatório, etc., não poderiam ser salvos.

É justamente o contrário, pois quem crê na verdade ensinada na Igreja Católica é salvo por Jesus Cristo.

 

Muitos estudos bíblicos

Depois de ter se tornado protestante Mike sentiu vontade de aprender mais sobre a Palavra de Deus.

Diga-se de passagem, as conversões que ocorrem no interior da Igreja trazem esse mesmo resultado, o amor à Bíblia.

No entanto, esses cristãos católicos não deixam a Igreja Católica, mas crescem na fé em Jesus, na fé na Bíblia, na fé na Igreja.

 

A Bíblia inteira é lida na Igreja

Mike afirma que não é verdade que a cada três anos a Bíblia é praticamente lida inteiramente na Igreja, pois ele não ouviu a leitura Efésio 2, 8-9 e 2 Cor 5, 21, por exemplo.

Mas isso não é verdade. Esses textos são lidos nas santas missas. Algo de errado ocorreu com Mike nesse âmbito também, é óbvio.

 

Contrapondo a missa e o sacrifício de Cristo

Mike tornou-se anticatólico e crê que a missa é uma blasfêmia. Isso mostra que tornou-se protestante ao nível experimentando por Lutero, Calvino, etc.

Pelo contrário, deve-se dizer, a missa é a celebração litúrgica e sacramental do sacrifício de Cristo. É bastante simples.

Por tudo isso, vemos que o real motivo da conversão de Mike Gendrom foi não ter sido realmente cristão católico.

Como Mike, muitos hoje são católicos de nome, vão à igreja mas não creem de fato. Não conhecem bem a doutrina, e não vivem conforme a doutrina ensinada. São muitos que vivem o catolicismo por tradição.

Fonte: vídeo

Gledson Meireles.


domingo, 1 de setembro de 2024

Livro: Teologia e Pratica da Igreja Católica Romana, de Gregg Allison

Refutação:

 

Capítulo10

 

Celebração do Mistério Cristão, Segunda Parte, seção 2, capítulo 3, artigos 6-7

 

É sabido que uma das principais divergências entre a teologia católica e a teologia protestante é referente ao sacramento da ordem.

Gregg afirma que o primeiro lugar a ser avaliado tem a ver com o que chama de interdependência natureza-graça. Assim, homens consagrados pela ordem, que são os homens ordenados ao sacerdócio ministerial, possuem a capacidade de mediar a graça.

Mas isso é a plena doutrina bíblica. Há alguma palavra de Gregg que possa refutar isso? Não.

De fato, essa doutrina é a do Novo Testamento, não havendo possibilidade de contradizê-la. Quando um ministro do evangelho prega a Palavra de Deus e o pecador se converte, é o Espírito Santo que, por meio da pregação ordinária da Igreja, está conferindo a graça da conversão mudando o coração daquele pecador e abrindo-o para que possa crer e receber a salvação.

Nesse exemplo o homem ordenado, o padre, está sendo meio da graça. É óbvio que se outra pessoa não ordenada pregar o evangelho pode ocorrer o mesmo, já que se trata de uma obra do Espírito de Deus. Mas aqui o exemplo é para mostrar que o sacerdote pode mediar a graça. E o faz também em outras funções do seu ofício, que muitas vezes não é compartilhada com os leigos, mas são próprias do clero.

Principalmente, é claro, quando cumpre o que diz o Senhor no evangelho, para que celebrem a eucaristia: Fazei isto em memória de mim. Essa é uma ordem. De fato, essas palavras instituem o sacrametno da ordem.

Não são todos os membros da Igreja que devem realizar a eucaristia e distribui-las aos demais, mas os apóstolos, os seus sucessores, os homens consagrados a Deus pela ordem.

Depois, o motivo que Gregg apresenta para avaliar o sacramento da ordem é a interconexão Cristo-Igreja.  Que Cristo está presente na Igreja é uma verdade do evangelho. Dessa forma, se o padre age em Nome de Jesus, é claro que é o mesmo Jesus que confere a graça. Também, Gregg não pode refutar nada da doutrina.

Quanto à hierarquia, essa é de origem divina. Talvez possa-se dizer que é natural a toda a ordem criada. Jesus mandou os apóstolos ensinar e batizar. Isso é exemplo de hierarquia, pois há os que aprendem e são batizados. É muito simples e toda igreja aceita essa doutrina na prática. Há realmente princípio bíblico para a hierarquia na Igreja.

Por isso, os três graus da ordem são hierárquicos. De fato, esse é o modelo bíblico, ao mostrar a autoridade dos apóstolos, que conferiam a ordem a outros homens capazes de auxiliá-los. Somente depois, por motivos circunstanciais, ordenaram os diáconos que cuidavam de assuntos diversos, não diretamente da responsabilidade dos apóstolos. Entende-se assim que são de fato três categorias hierárquicas.

Dessa forma, a simples afirmação de Gregg de que é equivocado o sistema católicos no qual o sacramento da ordem se baseia é gratuita.

Em primeiro lugar, o leitor percebe que o mesmo não conseguiu apontar motivos contra a doutrina expressa no Catecismo, a não ser lembrar os dois axiomas que entende ser os pilares da doutrina do sacramento. E os aludidos axiomas apenas são expressões da doutrina bíblica, não podendo ser negados quando entendidos corretamente.

Entretanto, como visto antes, tanto a interdependência natureza e graça quanto a interconexão Cristo e Igreja são doutrinas bíblicas. O que houve é que Gregg não conseguiu entender certas nuances do Catolicismo e construiu uma doturina, uma espécie espantalho, que foi o alvo de suas críticas.

 

 

Governo/ofícios da Igreja

 

A teologia protestante também admite os três ofícios, que são o apostolado, o presbiterato e o diaconato. Os apóstolos estão no mesmo fundamento da Igreja. Isso mostra por si o grau hierárquico do apostolado.

Quanto a dizer que o apostolado não está mais em vigor atualmente, trata-se de uma verdade. É justamente isso que ensina a Igreja Católica, e isso está no Catecismo.

Os presbíteros, que os protestantes chamam bispos ou pastores, devem pregar, orar e pastorear o rebanho. São líderes que agem em nome de Jesus. Está correto.

Quando o novo testamento apresenta igrejas locais com muitos presbíteros, isso está testificando do grau hierárquico do presbiterato, que é o que na Igreja Católica comumente se chama padre. Os padres, em maior número, estão sob a liderança dos bispos, que são aqueles presbíteros maiores, para usar o sentido do termo, designados pelos apóstolos, para pastorear a todos, organizando assim a Igreja.

O diaconato é o grau de serviço ou ministério. Também foi instituído pelos apóstolos. Está correto, conforme reconhece a teologia protestante.

É preciso apenas saber que o apostolado dos apóstolos escolhidos por Cristo terminou, mas não o poder hierárquico que os mesmo desempenharam. Assim é que os apóstolos apontavam homens capacitados para fazerem o que eles faziam na Igreja. Isso é o sacramento da ordem, e também exemplo da sucessão apostólica.

Quando se diz que Essa estrutura de presbíteros e diáconos persistiu em algumas igrejas, isso não é exato. Talvez sirva para isso a carta 146 de São Jerônimo, mas parece ser ambígua.

Pelo entendimento geral os apóstolos organizavam a igreja segundo um modelo único em todos os lugares. Portanto, todos possuíam um presbítero-chefe, chamado bispo, que pastoreava o rebanho, incluindo autoridade, quando assim exigisse, de disciplinar membros do grupo dos presbíteros, outra ordem. Isso significa que bispos estavam acima dos presbíteros, segundo modelo deixado pelos apóstolos.

O modelo citado do congregacionalismo não é o modelo apostólico. Basta ver a hierarquia das igrejas que estavam sob a liderança dos apóstolos e notar que o poder não é da congregação, mas dos líderes. Por isso, outras igrejas protestantes, que também leem a Bíblia e procuram segui-la textualmente, seguindo o princípio Sola Scriptura, interpretam esse caso da organização da igreja entendendo que a autoridade dos bispos era maior.

Assim, discordam a doutrina católica, mas não podem negar que a Igreja Católica fundamenta sua doutrina na Sagrada Escritura para a organização hierárquica da Igreja.

O exemplo de São Tiago, bispo de Jerusalém, no concílio, não mostra que o mesmo o conduziu, pois naquele momeneto a revelação que pôs fim à discussão foi dada a São Pedro, que falou celando a discussão.

Quando Santo Inácio cita a tripla hierarquia, não está inovando, mas testemunhando do que já havia naqueles tempos. Talvez seu testemunho, mais antigo, sirva para esclarecer a opinião de São Jerônimo.

São Jerônimo refutou a ideia de que os diáconos são hierarquicamente superiores aos presbíteros e aos bispos. De fato, parece uma ambiguidade, pois ele afirma que bispos e presbíteros são iguais, mas ele questiona retoricamente que função, “exceto a ordem”, diferencia bispo de presbítero. Então, há uma diferença.

Assim, também, quando diz que os bispos e presbíteros são iguais, ele afirma que dentre eles escolhe-se um para presidir sobre os demais para prevenir o cisma e de que alguém dividisse a Igreja.

Na epístola ao papa Damasus, São Jerônimo, tratando de divisões no Oriente, afirma que é dever consultar a sé de Pedro, cuja fé foi louvada pelo apóstolo São Paulo. Ele procurou alimento espiritual e um tesouro em Roma.

Afirma que “vós somente mantem seu patrimônio intacto”. Ele menciona a heresia no Oriente, enquanto o Ocidente está firme. Isso no contexto em que fala da fé de Roma, solo fértil do evangelho.

Depois disso, diz: Minhas palavras são ditas ao sucesso do pescador, ou seja, ao papa, bispo de Roma, sucessor de São Pedro. Depois disso, ele afirma que não segue outro líder a não ser Cristo. E, ao mesmo tempo, como bom católico, por esse motivo, do seguimento de Cristo, ele se dirige à cátedra de Pedro. A pedra onde a Igreja está construída, escreve São Jerônimo.

Então, bispo e presbítero teriam entre si somente a diferença da ordem. E na função prática, os bispos escolhiam um dos bispos para presidir sobre os demais. No fim da carta ele afirma que bispos, presbíteros e diáconos ocupam a posição de Arão e seus filhos e os levitas no templo.

Doutrinalmente tempos que bispos e presbíteros são duas classes distintas, mas ambos são sacerdotes. Talvez aí está a igualdade afirmada por São Jerônimo. Os diáconos são servidores. Em geral concorda com o que apresenta São Jerônimo, onde presbíteros são sacerdotes, e dentre eles escolhe um para bispo.

Também, outros protestantes, solascripturistas, forjaram o modelo do presbiterianismo, mostando que há autoridade dos presbíteros sobre os demais cristãos na igreja. Ess é apenas um exemplo que toca a verdade católica sobre a autoridade do presbítero-bispo. Há de fato evidências de estrutura da igreja acima da igreja local. No entanto, no concílio de Jerusalém é mostrado o modelo católico. Apóstolos e bispos no topo da hierarquia. São Pedro como aquele que recebeu a revelação que auxiliou no entendimento para dirimir a questão da circuncisão.

Quando os protestantes afirmam que não há sucessão apostólica, estão apenas aderindo ao equívoco de que se os apóstolos são em certo ponto insubstituíveis, então não houve ninguém que os sucedeu. Contra tal erro a Escritura mostra os mesmos apóstolos ordenando homens que os sucederam. Assim o fez o apóstolo São Paulo, ordenado a São Timóteo.

Quanto ao poder do papa, isso se deve mais à organização e para manter a unidade, o que tem se mostrando muito mais eficaz que o congregacionalismo, e o presbiterianismo, e mesmo o episcopalismo protestante. A eficácia da hierarquia católica evidência sua origem divina. É a estrutura da igreja fundada por Jesus Cristo. Assim como os apóstolos eram autoridades máximas em suas igrejas, assim foram os bispos, como São Timóteo. Esse modelo episcopal é instituído por Jesus.

Toda essa discussão mostra o seguinte ponto: a doutrina católica é eminentemente bíblica. Primeiro, por sua evidente origem na organização da igreja antiga. Segundo, por seus sinais compartilhados pelas interpretações protestantes, que são baseadas no texto bíblico, segundo o parecer de cada grupo protestante. Uns escolheram a organização com base na autoridade da congregação. Outros na autoridade dos bispos e outros dos presbíteros. São faces da doutrina católica, que é mais completa e equilibrada.

 

 

Sacerdócio levítico da antiga aliança

 

A Bíblia mostra a descontinuidade entre a antiga e a nova aliança. Assim o faz a teologia católica. Parece que Gregg não entendeu esse ponto.

O sacerdócio levítio não é o precursor bíblico do sacerdócio católico. É um tipo, digamos, uma figura. Assim também, como já citado, o sacerdócio de Melquisedeque é um tipo do sacerdócio de Cristo. Desse modo, Cristo é o único sacerdote, e nEle estão os sacerdotes da nova aliança.

O sacerdócio católico não toma como modelo o sacerdócio levítico que falhou. Essa constatação não é a que ensina o Catecismo.

Quando os protestantes negam que o sacerdócio da nova aliança representa o povo diante de Cristo pela oferta de sacrifício, está apenas esquecendo que a eucaristia é o próprio sacrifício de Jesus, que é celebrada em memória dEle, e é feita pelos ministros do novo testamento. Assim, o sacerdócio da nova aliança representa Cristo perante e Igreja, proclamando o evangelho e pelo chamado às pessoas para que sejam fieis à aliança, e pela celebração da eucaristia e dos demais sacramentos. Esse ponto foi perdido na avaliação de Gregg.

A própria doutrina geral do Novo Testamento mostra que a eucaristia é o sacrifício de Jesus. Não se trata de pão e vinho como sacrifício a Deus, mas o próprio Jesus espiritualmente presente, na memória de Sua morte, que é lembrado e representificado, como sacrifício a Deus. Não há como refutar essa verdade, como foi visto na avaliação de Gregg. O mesmo apresentou certas limitações no entendimento da doutrina, e criticou sua própria equivocada opinião. A crítica de que o povo oferece os sacrifícios perante o altar e o padre os recebe e oferece a Deus, em primeiro lugar deve-se entender que o padre, como cristão, também está na mesma posição do povo. No entanto, como ministro, ele age como ministro de Cristo. Assim, é Cristo o sacerdote que abençoa a todos.

Ainda, se todos oferecem os sacrifícios necessários diante do altar, todos estão exercendo o sacerdócio comum dos fieis em Cristo. Desse modo, é mostrada a verdade católica sobre o sacrametno da ordem.

 

 

Dois aspectos do sacerdócio

 

É muito claro que o sacerdócio batismal ou comum é o mesmo que a teologia protestante ensina sobre o sacerdócio de todos os crentes. No entanto, todos os cristãos podem interceder uns pelos outros. No entanto, não é ensino do Novo Testamento que os cristãos em geral devem ouvir confissão de pecados e assegurar aos arrependidos o perdão divino. Esse ponto doutrinal é do ministério ordenado. São os bispos e os presbíteros os responsáveis por essa prática.

A missão, o ensino e admoestação uns aos outros também devem estar em unidade com a hierarquia na mesma fé.

Não se pode negar a diferença entre clérigos e leigos. O oficío de cada um é diverso. É óbvio que o ofício do ministro ordenado é diferente do ofício do leigo. É basicamente a prova do ministério ordenado. Por isso, trata-se de palavras vazias uma tentativa de equiparar clero e leigo.

Gregg critica a diferença de natureza entre clero e leigo. Afirma a distinção de ofício, de responsabilidade. Mas é justamente isso o que ensina o catecismo, apenas observando que essa diferença é de caráter e é indelével, pois não há no Novo Testamento qualquer idiea de que um homem ordenado tenha perdido seu ofício recebido pela ordem.

 

 

Eficácia ministerial

 

Em nenhum momento o Catecismo ensina que a eficácia no ensino, liderança e administração dos sacramentos depende da santidade pessoal. O poder divino é o responsável pela conversão dos pecadores. Em outras palavras, é a mesma noção de que a santidade do ministro não é base para a graça dos sacramentos. O teólogo protestante não percebe isso em sua avaliação.

Quando diz que a validade das ordenanças, que são os sacramentos, depende de que essas sejam palavras do evangelho postas em prática, é o mesmo que dizer que isso constitui a forma do sacramento. As palavras ordenadas por Cristo. São elas que dão poder ao sacramento.

Então, Gregg Allison, a essa altura, lembra que a teologia evangélica difere da teologia católica no que diz respeito aos sacramentos, na doutrina ex opere operato, afirmando que os sacramentos são válidos se ministrados por um padre. De fato, não é bem assim. O batismo é sacramento, o principal deles, o primeiro e porta de entrada na fé, e pode ser ministrado por qualquer pessoa que tenha intenção cristã e pronuncie as palavras de Jesus Cristo no evangelho para aquele sacramento e faça o que Cristo ordenou.

Depois desse ponto, afirma que a teologia protestante concorda que a santidade ou pecaminosidade do pastor não pode impedir a eficácia do sacramento, ao mesmo tempo em que discorda da doutrina ex opere operato. Pelo que parece, é uma discordância em relação às próprias palavras da doutrina católica, pois o autor está sendo obrigado a cada passo a concordar como Catecismo, até mesmo quando pensa discordar.

Se os sacramentos são eficazes pelo evangelho que representam, isso é o mesmo que dizer que são eficazes por sua própria natureza, por serem atos de Cristo, por serem ordenados por Cristo, que recebem dEle mesmo a sustentação e poder. A Palavra de Deus comunica sustentação e poder nos sacramentos. Isso é dizer que não dependem do ministro, pois são ex opere operato. Eles são eficazes porque são feitos conforme a Palavra de Deus.

 

Celebração e recipientes do sacramento

 

O bispo é o conferente dos sacramentos. Percebe-se isso na prática do Novo Testamento. Há variedade da teologia protestante que não exige esse ponto doutrinal, por não aceitarem o episcopalismo. Trata-se de um equívoco.

Quanto à negação da sucessão apostólica, isso é um erro. De fato, é natural que os apóstolos conferissem a outros as responsabilidades que haviam recebido de Cristo. Não se trata de instituir outros apóstolos, mas de instalar autoridades competentes que cumprirão os deveres que os apóstolos inciaram por ordem de Jesus.

A respeito do celibato, que é de origem divina, sua obrigação é estabelecida pela igreja, que escolhe, conforme autoridade de Jesus, o melhor para o clero. A teologia protestante, não submissa à autoridade católica, rejeita tal decisão mas não pode refutá-la. Afirma que está seguindo instruições da Escritura, mas a própria Escritura ensina que o celibato é de maior dignidade e que a Igreja é sustentáculo da verdade. A Igreja tem autoridade para julgar o que é melhor e apropriado, e o celibato tem sido ao longo dos séculos o costume cristão. O clero não celibatário não apresenta vantagem. De fato, São Paulo inspirado pelo Espírito Santo desejou que os homens seguissem seu exemplo de homem celibatário. Então, a suficiência da Escritura garante a plausibilidade dessa interpretação e prática.

Gregg admite que a Igreja Católcia possui bom argumento para o celibato. Afirma que a teologia evangélica discorda do entusiasmo da teologia católica ao acolher essa instrução apostólica. Mas, menciona o ensino apostólico de 1 Tm 3, 2 e Tt, 1,6 sobre o casamento dos clérigos. É óbvio que o celibato é superior, como seguido por São Paulo. Não sendo norma ainda, claramente o clérigo casado devia seguir aquelas exigências.

A indagação sobre o a realidade do dom do celibato em todos os que se colocam a serviço no clero ordenado é válida, mas não se torna argumento. A infidelidade de alguns não pode ser usada contra a exigência de que bispos e padres sejam celibatários.

Esse tipo de desvio há em pessoas casadas, por exemplo, que encontram dificuldade na fidelidade do matrimônio, o que não pode ser usasdo contra a própria instituição monogâmica, assim como as infidelidades de clérigos não podem ser usadas contra a instituição do celibato.

Se alguns não possuem o autocontrole que o celibato exige, isso foi um equívoco individual, certamente, assim como aquele que não possuem autocontrole para serem monogâmicos no seu casamento.

Certamente não teriam o controle adequado permanecendo solteiros. Portanto, as melhores objeções relativas ao celibato não podem refutá-lo em nada, por tratar-se de doutrina bíblica clara.

São Pedro era casado (cf. 1 Cor 9, 5 é citado), mas certamente ficara viúvo ou deixou tudo para seguir o Senhor Jesus. Isso era um costume dos tempos antigos. O próprio evangelho indica que São Pedro não tinha esposa quando exercia seu ministério apostólico seguindo Jesus e após a instituição da Igreja.

O celibato não é devido à continuidade do sacerdócio levítico, como já explicado. Trata-se de um costume cristão, como está em 1 Cor 7, 7-9.

A objeção de que a Igreja tem o objetio de representar e retratar Cristo para a Igreja é negligenciada quando se tem em contra a imagem bíblica do casamento entre Cristo e a Igreja, é o mesmo que dizer que Cristo teria negligenciado essa figura ao menter-se celibatário, ao ensinar que há celibatários pelo reino dos céus, e inspirar apóstolos celibatários. Trata-se de uma objeção bastante falha.

Por sua vez, a teologia protestante tenta oferecer aos membros da igreja imagens da relação entre Cristo e a Igreja por meio do casamento dos pastores, por exemplo, permitindo e até mesmo incentivado o casamento. A Igreja Católica sempre adotou o modelo bíblico superior, com visto na passagem de São Paulo, bastando para isso ler o capítulo interior de 1 Coríntios 7, onde o celibato é favorecido na doutrina cristã. Mais uma vez a teologia católica mostrasse superior em sua doutrina.

Quanto a oferecer a imagem bíblica da relação entre Cristo e a Igreja é vista na vida de milhares de casais cristãos católicos, e mesmo de diáconos, que entendem essa doutrina espirtual bíblica, conforme expressa de modo especial em Efésios.

Desse modo, o sacramento da ordem conforme ensinado na teologia católica é sumamente bíblico. A teologia protestante mantem muito do que a teologia católica ensina, afastando-se em alguns pontos, mostando nisso certos equívocos. Nada do que apresentou Gregg pode refutar um só ponto da doutrina, e expôs as falhas da teologia protestante, em suas outras variedades.

 

Gledson Meireles.

domingo, 25 de agosto de 2024

Livro: Teologia e Prática da Igreja Católica: uma avaliação evangélica, de Gregg R. Allison

 

A liturgia – obra da Santíssima Trindade (seção 1, capítulo 1, artigo 1)

 

Gregg Allison afirma que a teologia evangélica praticamente não tem nada em comum com a teologia católica no que diz respeito ao conceito e à prática dos sacramentos. As semelhanças estariam na adoração a Deus, nos participantes (líderes e congregação), nos ritos, mas não no significado. Assim, no Protestantismo não há os sacramentos. As duas teologias estão separadas na doutrina dos sacramentos, muito longe uma da outra. Se assim o é de fato, então a teologia protestante necessita de reforma.

E o ponto que a teologia protestante nega é a continuidade da salvação em Jesus Cristo, a “representificação”, a atualização da cruz. No entanto, o que a teologia católica está ensinando, em outras palavras, é que Cristo continua a salvar com base no Seu sacrifício, quando o evangelho é ouvido e crido, quando os sacramentos são realizados, como o Espírito Santo age no coração do pecador. Isso está sempre ocorrendo pelo ministério da Igreja, e é inegável. Quando o teólogo protestante afirma que a obra de Cristo como atrelada à atemporalidade não tem garantia alguma, parece não ter entendido bem o conceito. Parece que ele volta a criticar o que anteriormente disse ter entendido.

De fato, a teologia católica ensina que a cruz ocorreu historicamente uma só vez, e está no passado. No entanto, seus efeitos são eternos. Não se pode negar isso. De fato, o Catecismo explica que o efeito da cruz está na eternidade de Deus. Assim, podemos exemplificar que os que morrem antes da Cruz são salvos pelo sacrifício de Jesus, pois esse não é um evento singular, espirutal.

Cristo não morre novamente na cruz, pois isso ocorreu uma única vez. Também o sacrafício não pode ser repetido. Ele é celebrado. Assim, a graça e a bênção que têm por base o sacrifício tornam-se misticamente atuais, salvando. Essa salvação é para todos os que creem.  Assim, afirmar que a economia sacramental católica em geral e da eucaristia em particular não é muito plausível, é algo que sugere esse mal entendimento.

De fato, não há como negar as afirmações do catecismo de que a obra de Cristo na cruz fundamenta toda a obra da Igreja Católica. Cristo nos salvou pela cruz, e enviou a Igreja a pregar e a batizar. É a isso que se refere a obra da Igreja. O Espírito Santo continua a obra de Cristo. Esse é o núcleo de todo o conceito.

Como o axioma Cristo e a Igreja é verdadeiro, tudo está equilibrado. Cristo está presente nos sacramentos. No batismo, por exemplo, somos batizados em Cristo. E como poder dos sacramentos não é humano, e o mesmo não pode ser um mero rito sem sentido, então sua graça é de origem divina e seu significado e efeito são espirituais.

A crítica protestante é a seguinte: “Cristo não está presente agora na igreja como cabeça e corpo”. De fato, a teologia católica afirma o mesmo. Assim, o protestante pensa ter um motivo para negar um ponto da fé católica, mas esse motivo não existe por não existir o aludido ponto doutrinal. A Igreja Católica não ensina que ontologicamente Jesus Cristo está na Igreja como cabeça e corpo, mas está presente de uma forma espiritual, mística. Talvez até seja uma forma metafórica de expressar essa união dos salvos com Cristo.

Afirmar que Cristo está em sua natureza humana no céu é correto. No entanto, negar que Cristo possa estar no sacerdote é um erro. O Espírito Santo está na terra, na Igreja, e Cristo afirmou que Ele mesmo está com a Igreja até o fim dos tempos. Essa doutrina não pode ser negada.

Cristo está na pessoa do sacerdote, que age em Seu nome, como Seu ministro, Ele está presente como disse que está com a Igreja em todos os tempo. Ele também está misticamente presente, de um modo único, literal, vamos dizer, na eucaristia. Isso não significa que todos comem carne e bebem sangue humanos literiais e materiais com efeitos biológicos idênticos aos alimentos. Não se trata disso, já que o alimento é espiritual, nutrindo o salvo com a graça de Deus, esse poder de Deus que age no salvo.

Isso é o mesmo que a teologia protestante está afirmando de outro modo, quando diz que Cristo não está ausente, mas presente na Igreja, pois Ele reveste a Igreja de poder na sua mobilização missional, no exercício da disciplina e para abençoar a ministração da ceia ou julgar sua observação. A presença de Cristo é mediada pela ação do Espírito Santo e pela Escritura, afirma Gregg. O mesmo que a doutrina católica ensina.

Também afirma que a presenta de Cristo é mediada pelas ordenanças da nova aliança, que são o batismo e a ceia. Obviamente, a mesma doutrina ensinada pela teologia católica, mas incompleta, pois ainda faltam os demais sacramentos.

Assim, essa presença espiritual de Cristo na Igreja não é idêntica à Sua presença em corpo humano no céu.

A crítica de Gregg de que o Espírito Santo confecciona os sacramentos é algo um tanto estranho. Não se sabe o que o mesmo está afirmando quando refere-se à confecção dos sacramentos. Certamente está se referindo à afirmação do Catecismo de que o Espírito Santo é o “artífice” das obras-primas de Deus. Esse seria uma afirmação católica não aceita pela teologia evangélica protestante. Deve-se entender o que isso quer dizer.

A presença do sacrifício de Cristo “aqui e agora na igreja” seria outra coisa não de acordo com o Protestantismo. Mas essa presença espiritual com o poder, a graça, o Espírito Santo, etc., já mencionada acima, é fato inegável. Trata-se de um mal entendimento do tema.

Negar que o Espírito Santo estimula “certas disposições” para receber a graça é algo notável. Não há como negar que a conversão, o perdão dos pecados, etc., são obra do Espírito Santo no coração do pecador. É isso que a Igreja Católica está ensinando.

Enfim, negar que a Igreja seja memória viva do mistério da salvação também é inacreditável. De fato, a presença da Igreja está sempre lembrando a presença de Jesus Cristo, agindo em Seu Nome, evangelizando o mundo inteiro. E, como o catecismo ensina, o Espírito Santo lembra toda a verdade à Igreja (cf. João 14, 26).

Quando Cristo disse que o pão e o vinho são Seu corpo e Sangue, isso sugere a ação de Deus que faz desses elementos algo diferente nesse contexto religioso. Antes de usar o termo transubstanciação há a realidade explicada pelo termo.

A teologia católica afirma que há sinergia entre Deus e o Seu povo. A teologia protestante nega veementemente essa ideia. Por outro lado, afirma que há “dupla dimensionalidade” na adoração da Igreja. De um lado Deus, segundo conveniência de sua ação divina, Deus é ativo, e por outro lado, o clero e os leigos são ativos, o que é dizer o mesmo em outras palavras. Mas Gregg afirma que a teologia protestante atribui um papel muito diferente ao clero do que faz a teologia católica.

Quando a Igreja Católica afirma que o Espírito Santo e como Ele concede compreensão da Palavra de Deus, a teologia evangélica teme que isso possa se tornar “um código para interpretações equivocadas que vão além do sentido gramatical-histórico(salvífico)-tipológico da Escritura”. E afirma que há uma dúvida, da afirmação de que o Espírito dá vida à Palavra de Deus. A Palavra é viva e eficaz em Si mesma, mas há esse perigo de torná-la infrutífera, não entendendo corretamente seu sentido. Especificamente o catecismo afirma que o Espírito Santo lembra o sentido  do acontecimento salvífico aos fieis. Então, o Espírito ilumina as mentes para que compreendam a Palavra. A Palavra de Deus que é vida em si mesma, e tem o Espírito que abre o coração dos fieis para que a compreendam. É a isso que a afirmação da teologia católica se refere.

O que o autor explicou mostra que não há esse distanciamente que mencionou, mas há um entendimento errôneo da teologia católica, como o modo de pensar protestante sobre o sentido que o sacrifício de Cristo está presente, não entendo bem o que diz a teologia católica, e sobre os demais elementos analisados acima.

domingo, 18 de agosto de 2024

Livro: Teologia e Prática da Igreja Católica Romana

Refutação  do tópico sobre a natureza e a graça.

 

A interdependência natureza-graça

 

Quando Leonardo De Chirico afirma que o pecado é secundário na teologia católica, e que na teologia protestante ele é mais arrasador, de modo que a natureza deve ser restaurada pela graça, essa explicação está incorreta.

Na teologia católica o pecado é devastador, mas não destrói a natureza.  Esse é o sentido bíblico. Ainda, a natureza não pode pelo esforço próprio querer a Deus e não pode esforçar-se para ir a Deus, mas o pode pela graça. Esse ponto é diverso daquele que os teólogos protestantes imaginam.

De fato, ao pensar que no sistema católico a natureza e a graça são interdependentes, no sentido que a natureza pode querer o bem e desejar fazê-lo (como que supondo que o fizesse sem a graça), essa posição é totalmente alheia ao catolicismo.

No entanto, se a natureza for iluminada pela graça, então toda a questão muda, pois agora a natureza pode mover-se segundo suas funções próprias, dadas na criação, e pela força de Deus recebida na graça.

Então, a natureza se opõe à graça, e somente pode converter-se a Deus através da graça. Ela pode, também, opor-se à graça, de modo que sua maldade continua ali, e é convertida quando abre-se à graça e pervertida quando a nega.

Não é exato que Santo Agostinho tenha sido pessimista e Santo Tomás relativamente otimista em relação à natureza e graça. Ambos possuem a mesma doutrina básica. O protestantismo possui uma doutrina diversa, que diverge da doutrina católica nesse ponto.

O entendimento de Gregg de que o pecado está subordinado ao elemento natureza na doutrina católica está equivocado. De fato, essa negação protestante leva a um erro grave, que é costumeiramente crido pelos reformados, e que mais adiante irá sendo descortinado.

A citação de De Chirico mostra a posição da doutrina protestante geral. Esse chama da doutrina tomista de relativamente otimista, enquanto De Chirico afirma que a doutrina católica é totalmente positiva em relação à natureza e tem um conceito brando de pecado. E qual o motivo que leva a De Chirico a afirmar que no catolicismo a visão sobre a natureza humana é “totalmente positiva” e o conceito de pecado é “brando”? Isso se deve ao fato que, para os reformados a natureza é praticamente destruída, não tendo mais o livre-arbítrio. E isso é o que consideram correto.

Se no catolicismo a graça começa na natureza como explica o teólogo reformado, então a natureza seria um terreno no qual a graça nasce. Isso é totalmente errôneo, e não condiz com a teologia católica.

Da mesma forma, não é necessário pensar que a natureza tenha sido destruída para ser recriada pela graça.

No entanto, quanto a afirmar que a natureza sempre participa da graça, ou melhor, que sempre pode participar da graça, e que a graça pressupõe que a natureza possa participar dela ad intra, isso é correto, mas a teologia reformada nega esse ponto bíblico. Esse modo de entender a relação natureza e graça está totalmente correto.

De fato, quando o reformado tenta conciliar esses dois elementos, de modo a colocar a natureza totalmente em contraposição com a graça, ele está afirmando o mesmo que a doutrina católica.

Contudo, quando afirma que essa total inabilidade significa que a natureza não possui o livre arbítrio e, portanto, não pode cooperar, então o limite foi ultrapassado, e introduzido um erro.

Para isso, a graça deveria transformar a natureza e agir sozinha, de modo que a natureza não tivesse participação real.

Eis que a doutrina reformada afirma que há de fato participação real, há liberdade, há livre-arbítrio, considerado de outra forma, pois que esse é como que produzido pela graça. Obviamente o teólogo reformado talvez não aceite tal modo de explicação, mas é o que mais se aproxima da doutrina nesse ponto discutido.

Agora, vejamos o que a teologia protestante diz sobre o assunto. Gregg Allison afirma que a graça nada tem a operar na natureza porque a criação foi terrivelmente maculada pelo pecado.

Foi isso mencionado acima ao explicar que a natureza foi totalmente destruída. Esse termo parece explicar o termo “terrivelmente” usado pelo teólogo, porque está no contexto em que diz que a graça “nada” opera na natureza assim maculada pelo pecado.

Então, a graça agiria por fora, ad extra. E o motivo disso seria que a natureza “ignora completamente seu estado de depravação”. Esse ponto é o que foi chamado acima de natureza totalmente destruída pelo pecado, ou terrivelmente maculada, de modo que a graça não pode agir nela.

No entanto, ao dizer que a natureza ignora seu estado de pecado, esse ponto é o mesmo que ensina a fé católica. A teologia evangélica ignora esse ponto, e introduz, por essa causa, um erro terrível ao tentar explicar o mesmo por outra via.

De fato, a natureza não conhece seu estado caído em sua complexidade e profundidade, mas não foi completamente destruída no sentido de perder o livre-arbítrio. Ela não tornou-se outra natureza.

Esse livre-arbítrio pode ser iluminado pela graça para que a natureza opere e possa perceber sua necessidade de salvação. O Protestantismo afirma que esse ponto é unilateral, ou seja, Deus teria que agir para que a natureza se converta, de modo a que a não participa de fato, como foi acima aludido, ainda que a doutrina reformada tente resolver essa contradição.

Se nada pode contribuir com a graça, então o pecador não participou realmente. Essa separação ou fosso entre natureza e graça é um erro, ao invés de ser o correto. Ela desconsidera a fé católica, esboça uma estrutura que a Igreja Católica não ensina, tenta fornecer o conceito de graça de Deus que age na natureza, mas introduz esse equivocado conceito de separação radical entre natureza e graça.

O continuum natureza-graça que o autor protestante considera no catolicismo não é o mesmo que impacto menos devastador do pecado sobre a natureza, porque para a teologia católica a natureza está morta no pecado, seu livre-arbítrio existe e está inabilitado de ir a Deus, e sem a graça não há possibilidade de salvação, o que é o mesmo que o reformado pretende ao ensinar o fosso que separa natureza e graça. Ainda que não aceite o livre-arbítrio, sua ênfase é que a natureza está morta.

No entanto, quando a graça vem à natureza, essa é ressuscitada, fortalecida e capacitada para agir, de modo que o livre-arbítrio é habilitado, pois nunca foi destruído, e pode cooperar com a graça.

Se esse livre-arbítrio fosse algo que viesse unilateralmente da parte de Deus pela graça ad extra (de fora), então de fato essa participação seria meramente verbal, uma forma de metáfora, algo que de fato não estivesse participando, cooperando, mas apenas sendo movido por algo externo. Não é isso que a Bíblia ensina. Também, é de se esperar, que não é isso que o reformado entende, pois tal coisa é errônea, e por isso usa termos que parecem estar conforme a doutrina bíblica da natureza e da graça conforme a continuidade que é criticada pela teologia evangélica.

Quando se diz que isso leva a conceber a razão como capaz de compreender a revelação geral e a existência de Deus, isso é o que está na Escritura. Desse modo, a graça é necessária para levar o pecador à salvação, mas a razão humana não perdeu sua capacidade de saber da existência de Deus.

O conceito de que as coisas para as quais a Escritura  aponta (reino da natureza) como trazendo significados ocultos, é algo que o teólogo compreendeu da doutrina católica, mas que não faz parte dela. É um equívoco, ou um modo muito inadequado de ensinar a teologia católica.

Outra vez vem o “otimismo moderado” é citado pelo autor. Quando na teologia católica a natureza necessita da graça para ser elevada, transformada, salva, a teologia protestante afirma que ela deve ser recriada. Certamente se refere ao mesmo processo, mas erra ao vê-la como inabilitada como que perdesse algo dela mesma. Por isso, as afirmações reformadas de que a bondade da criação permanece e que essa mesma é terrivelmente maculada de modo a não poder participar da graça e que a graça não pode agir nela, são afirmações que a Bíblia não traz. A graça pode de fato agir na natureza, por dentro, ad intra, e não somente por fora. Ela pode restaurar a bondade da criação que permaneceu.

Quando se diz que o homem é religioso, é o mesmo que indica sua bondade original, que não foi destruída, mas perdida na natureza que pode ser elevada. A graça não faz parte do homem, mas esse, como criatura de Deus, tem sua natureza reestabelecida por Deus através da Sua graça. De fato, não se pode pensar que a natureza perdeu a capacidade para a graça.

A doutrina da salvação não é totalmente sinergética, como explica Gregg. Um pequeno exemplo é capaz de destruir essa afirmação. Esse exemplo gera outras observações e objeções reformadas, mas pode destruir o que Gregg afirmou. Trata-se do batismo infantil.

Na teologia católica o batismo é o sacramento da salvação, onde Cristo age salvando o pecador. A criança que é batizada, e não chegou ao uso da razão, e recebe o batismo pela fé da Igreja, é salva. Ela não fez nada para ser salva e merecer a vida eterna. A gratuidade da salvação é mostrada nesse caso. Isso mostra que a participação do salvo na salvação, quando o mesmo chega ao uso da razão, não o faz autor da própria salvação, mas verdadeiro participante, conforme Vontade de Deus.

E sobre a “deificação”, essa é uma doutrina bíblica. A natureza deve ser transformada para entrar no reino dos céus. O ser humano não se torna deus, mas de um modo metafórico se diz isso, por estar cheio da graça.

Os elementos da natureza usados nos sacramentos por Jesus e pelos apóstolos (água, óleo, vinho, pão e etc.) estão no âmbito sacramental, e são sinais da graça.

A Igreja é o corpo de Cristo místico, agindo em nome de Cristo. A hierarquia é bíblica e o bom senso a compreende naturalmente.

As virtudes podem ser praticadas por qualquer um, mas não levan a salvação sem a graça e não podem ser praticadas perfeitamente sem a graça.

A doutrina sobre a virgem Maria também é importante para entender os efeitos da graça na natureza.

Não há descontinuidade como a teologia protestante entende. De fato, a linguagem mesma da Escritura mostra que a maldade da natureza, que é assunto onde concordam ambas a teologias católica e protestante, essa maldade é transformada pela graça, sendo a mesma natureza criada por Deus, com aquele bem original arruinado, não totalmente perdido ou destruído, como se fosse outra natureza. É o mesmo ser decaído que é salvo. Esse ponto pode auxiliar no vislumbre do aspecto transformador da graça na natureza.

A natureza possui capacidade para Deus, mas que não age por ela mesma, pois necessita da graça. Isso é diverso da afirmação protestante de que a natureza não possui capacidade para a graça.

A transformação da natureza pela graça supõe a continuidade da mesma natureza decaída. Isso é bíblico. As comparações com a transformação do universo e da descida da Nova Jerusalém estão conformes essa verdade.

O mundo tem seus elementos renovados, e a Nova Jerusalém desce à terra renovada. Portanto, essa separação natureza e graça é o problema. E, como indicado acima, essa separação que traz a teologia protestante acontece por uma má interpretação da teologia católica, que muitas vezes afirma o mesmo que a teologia protestante pretende afirmar em outros termos.

De fato, a teologia protestante procurou adotar termos diversos para ensinar conceitos bíblicos. Em alguns casos desconsiderou o que já havia sido resolvido. Equivocou-se nesses momentos. Uma vez negando esse ponto, da busca por nova terminologia e novos conceitos, surge um conceito errôneo da doutrina original, e é introduzido um equívoco para tentar corrigir o que não está errado.


Gledson Meireles.

 

sábado, 17 de agosto de 2024

Livro: Teologia e Prática da Igreja Católica Romana, de Gregg Allison

Segue refutação do estudo e avaliação de Gregg sobre a doutrina da encarnação e imaculada conceição

A doutrina da encarnação e a doutrina da imaculada conceição: “ele foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da virgem Maria”. (seção 2, capítulo 2, artigo 3).

O autor protestante reconhece que a Igreja Católica fornece a estrutura histórica para a doutrina evangélica da encarnação. No que diz respeito ao lado humano da encarnação há divergência entre a teologia católica e a teologia evangélica, diz Gregg. Os protestantes contestam praticamente todos os ensinos do Catecismo da Igreja Católica sobre a virgem Maria.

Os pontos em comum seriam o reconhecimento e gratidão pelo papel “singular”  (ênfase acrescentada) da virgem Maria na encarnação de Jesus. Reconhecem que Maria é a theotokos (portadora de Deus).

Também, o exemplo por excelência da fé e obediência da virgem Maria, e “sofrimento pessoal associado à vida e ao sofrimento do seu filho”.

E, por fim, os protestantes consideram a virgem Maria bem-aventurada por causa da obra de Deus feita nela e “por meio dela, a favor de todos os seres humanos”.

Essas doutrinas que Gregg afirma que estão em comum entre católicos e evangélicos, e que são a pura verdade da Escritura, certamente não serão aceitas por todos os protestantes, como é de se esperar. Ainda mais, nos termos importantes que Gregg as apresentou. De fato, pela sua leitura do Catecismo há algo que certamente o influenciou e o convenceu a aceitar essas verdades.

O papel singular de Maria, a excelência da sua fé e seu sofrimento associado a Cristo e sua bem-aventurança onde Deus através dela também fez a todos os seres humanos. De fato, é comum que o protestante negue qualquer afirmação do papel singular de Maria na encarnação, que desconheça e que também negue seu sofrimento associado a Cristo e que negue qualquer obra de Deus nela em favor de todos os seres humanos. São doutrinas bíblicas, mas que o ranço antimariano faz o leitor protestante combater as noções que advém atém mesmo dessas palavras. Pois bem. Maria teve fé singular de fato. Maria sofreu com Jesus. Deus pôs Sua graça de forma grandiosa sobre ela, e por meio dela, essa graça atinge a todos os seres humanos, pela graça de Cristo Jesus.

Dificilmente se encontram essas afirmações na teologia protestante. É um passo digno de nota mais próximo da verdade que os protestantes estão dando.

Agora, vejamos as quatro discordâncias. Se há protestante que critica mesmo as concordâncias, estão praticamente unidos quanto às discordâncias que se seguem.

A predestinação de Maria e sua livre cooperação e ao desígnio divino de apresentear Maria como a nova Eva. Então, a doutrina da virgem Maria como segunda Eva é considerada exagerada e sem fundamento. É impressionante.

De fato, o protestante com o seu Sola Scriptura procurará a analogia direta e explícita da virgem Maria como antítipo de Eva. Não a encontrando assim, afirma  que não existe. Também, não consegue encontrar sinais dessa aproximação. Conclui que não tem fundamento.

No entanto, a partir de Cristo é possível entender que a Mulher associada a Ele na graça é coloca virtualmente em toda a Escritura Sagrada como Eva era aproximada a Adão no pecado. Essa simples constatação é compreendida por qualquer estudioso da Escritura. É muito natural, se torna claro e compreensível. Não há nada contrário a esse pensamento na Bíblia, e a razão assim iluminada pela fé, comprova a analogia. Desse modo, caro leitor protestante, repense sua oposição a essa doutrina, pois não há motivo de negá-la.

Tudo o que acontece é por obra de Deus, em Sua soberania, em Sua providência. Maria foi eleita para ser a mãe do Messias. O anjo Gabriel anunciou a encarnação de Jesus e Maria respondeu sim, dizendo: Faça-se em mim segundo a vossa palavra. Por isso, o Catecismo interpreta esse fato como ocorrendo segundo a vontade de Deus, que predestinou Maria. Não se pode negar nada dessa constatação. Ainda assim, o protestante é levado a negá-la, sem fundamento.

Quando se reconhece que Deus predestina indivíduos para a salvação e para um serviço específico, mas nega que haja algo de notável na predestinação de Maria, para que o autor não conseguiu ficar no foco da questão. É o mesmo ato de Deus, o de predestinar, que está sendo observado. É algo de grande importância para a humanidade, a encarnação do Filho de Deus. É uma obra que elege uma virgem para ser a mãe do Filho do Altíssimo. Essa obra por si só é notável. Ao predestinar Maria para tamanho acontecimento, a Bíblia mostra que se trata de algo notável na vida dessa jovem, de modo que a própria ficou surpresa com a saudação do anjo e refletia sobre suas palavras. Negar essa notabilidade na predestinação de Maria, essa importância, é algo gratuito, não tem fundamento bíblico, nem no bom senso.

Entendendo a economia de Deus, a Igreja em todos os séculos, refletino a Sagrada Escritura, afirma que: “Maria “sobressai entre (esses humildes e pobres do Senhor que dele esperam e recebem com confiança a Salvação. Com ela, finalmente, excelça Filha de Sião, depois de uma demorada espera da promessa, completam-se os tempos e se instaura a nova criatura” (CIC, número 489).

Gregg critica que o Catecismo chame Maria de “exaltada Filha de Sião”. Mas isso é muito pueril. De fato, no contexto inteiro, ao comparar Eva, Sara, ana, Débora, e outras santas mulheres, afirmar que Maria se sobressai entre elas, como humilde e pobre do Senhor (entre os humildes e pobres do Senhor), chega-se a Cristo, que nasce dessa “excelsa Filha de Sião”. É algo bíblico, notório, plausível, claro,  racional, e não há nada que fundamente dizer que se trata de exagero afirmar que das santas mulheres a virgem Maria foi excelsa, exaltada. A própria Escritura afirma isso, quando diz que Jesus é o bendito fruto do ventre de Maria, e que a virgem Maria é a bendita entre as mulheres. Portanto, não concordar com essa afimação bíblica do catecismo sobre a exaltação de Maria é algo igualmente que devia ser pensado pelo leitor da Bíblia.

Também, o teólogo mostra que o Catecismo deixa entender que o cumprimento do longo tempo de espera se cumpre em Maria. No entanto, o Catecismo afirma que “com ela” esse tempo chega à sua plenitude. Com ela, diz o Catecismo, completam-se os tempos. Isso é óbvio, pois o parágrafo está falando de Maria, e quando o texto bíblico é citado, a teologia católica entende perfeitamente que se trata da encarnação de Jesus nascido de Mulher, cumprindo a plenitude dos tempos. Assim, em Jesus é que se dá o cumprimento. Com Maria, pois ela é a Mulher da qual nasceu Jesus. É simples o ensino do Catecismo, não tendo nada a ser objetado.

O teólogo protestante tenta conciliar duas coisas: ele concede e admite as verdades do Catecismo, mas ao mesmo tempo apresenta a teologia protestante, ainda que essa não tenha razões para refutada nada do que foi dito.

Por exemplo, ele admite que a predesntinação de Maria foi singular, ou seja, especial, com uma característica muito importante, para um papel sublime, como foi tratado acima. Mas nega que há algo notável. Por um lado, aproxima-se da teologia católica ao reconhecer a verdade, a por outro usa a negação protestante ficando do lado reformado, embora as duas afirmações sejam únicas, pois uma vez que se considera o singular papel de Maria também se reconhece que sua predestinação é notável, é admirável por sua associação na vidad de Jesus como sua mãe. Não é possível negar isso biblicamente nem racionalmente.

O autor então admite que Maria foi profeticamente anunciada etc., mas critica que a teologia católica parece enfatizar algo logo de imediato, colocando em ênfase e associação a condição e Maria e a sua predestinação. E nega a livre cooperação e Maria, por entender que refutou o axioma natureza-graça. Negando o livre-arbítrio, nessa livre cooperação de Maria, o protestante cai em mais erros ainda.

Quando se diz também que não há respaldo bíblico para entender Maria como a segunda Eva, como toda a tradição cristã sempre enfatizou, o leitor protestante está tentando encontrar na Escritura algo explícito, claro, uma comparação feita nas passagens bíblicas, assim como é feito entre Adão e Cristo. No entanto, o que o leitor protestante não está compreendendo, é que essa leitura bíblica é feita em Cristo, nessa mesma analogia de Adão e Cristo. Se no proto-evangelho a semente (Jesus) da mulher (Maria) esmagará a cabeça da serpente (Satanás), então na figura de Eva pode-se vislumbrar Maria. É algo claro, que o teólogo protestante, seguindo a estrutura de pensamento reformado, não consegue entender. E, também, não tem como refutar, não podendo apresentar nenhuma passagem bíblica que torne a leitura católica um erro, ou algo não plausível. De fato, toda a Escritura mostra que a doutrina e bíblica. O mesmo paralelo bíblico de Jesus como segundo Adão é apenas tornado claro, iluminando a figura de Maria, completando o paralelo implícito da mesma como segunda Eva. É algo que vem à luz ao entender essa verdade sobre Jesus Cristo.

Assim, rejeitar a exposição católica da predestinação de Maria e seu consentimento que mostram ser ela a mulher que associou-se ao segundo Adão, e isso pela vontade de Deus, essa rejeição não é uma postura bíblica. Se Cristo é o segundo Adão, fica praticamente inevitável entender em toda a economia divina que Maria é a segunda Eva.

Como o protestante pode crer que não há nada de notável na predestinação de Maria para ser mãe de Jesus.

Quanto ao cumprimento depois do longo período de espera, que se cumpre em Jesus, a teologia católica, à luz dessa verdade, mostra que por essa verdade está também a participação da virgem Maria, mãe de Jesus.

Ao que parece, Gregg Allison entende que a preparação da virgem Maria para que respondesse à missão de ser a mãe do Messias devesse ser pela imaculada conceição. Veja o que teólogo protestante afirma: “Conforme dissemos acima, o consentimento de Maria à predestinação divina a fez cooperar livremente com o plano divino. Contudo, para que Maria concedesse sua aprovação, ela tinha de ser preparada...”. Não é isso que diz a doutrina católica. O Catecismo afirma que ela tinha que ser totalmente movida pela graça de Deus. Não afirma que essa cooperação só seria possível pela imaculada conceição. Mas Gregg afirma que um elemento fundamental nessa preparação foi a imaculada conceição, e afirma que nisso a teologia evangélica discorda. Certo.

No entanto, há três problemas relacionados entre si. O primeiro que é a explicação de Gregg Allison está equivocada. Segundo, que parte desse equívoco leva à negação da doutrina. Terceiro, como bom protestante, ele nega a imaculada conceição de Maria. A capacitação de Maria para dar seu consentimento não exige a imaculada conceição, segundo a doutrina católica. Se o protestante entendeu que há essa exigência, que saiba ser uma interpretação errônea do que ensina o Catecismo.

De fato, a graça capacitou Maria a dar o seu consentimento. O que a doutrina católica ensina, de forma mais ampla, é que Deus preparou Maria sem o pecado porque isso convinha mais à dignidade de Cristo, que é Deus, é que seria no mínimo estranho ser gerado em uma criatura que comete pecado. A natureza de Maria é a mesma de toda a humanidade, em seu direito, e foi salva pelo sangue de Cristo, de modo que nasceu na amizade com Deus, justificada. Não há qualquer dificuldade de entender a doutrina, e está toda conforme a revelação bíblica.

Também, o leitor protestante precisa entender que a Igreja Católica não interpreta Lucas 1, 26-38 como se a passagem se detivesse em Maria. De forma alguma. Ali está a narrativa de como se deu a anunciação, e Maria é um elemento importante nesse conteúdo todo. O que o Catecismo faz é explicar o papel de Maria nessa passagem, e não torná-la o foco da questão. O núcleo é Jesus Cristo. Maria é importante por ser um meio, digamos, em todo esse processo querido por Deus.

A citação de Beverly Gaventa observa que há um contraste entre a apresentação a Maria e aquela apresentação a Isabel e Zacarias. Não diz o texto sobre a retidão de Maria e nem sobre sua fidelidade à Lei ou sua família de origem. Não há qualificações. Cita Joel Green que tem o mesmo raciocínio. Afirma que é digno de nota a falta de menção sobre ser digna de honra como outros personagems de Lucas 1 e 2.

Então, isso significa que não devemos atribuir papel exagerado a Maria? Ou significaria que ela é menor. De fato, de outros personagens é citada sua justiça, sua observância à Lei, sua origem. De Maria não é dito nada. O que concluir, se tivermos essas observações em consideração? Que Maria era até menor que os demais. Talvez não fosse boa observadora da Lei? Não fosse suficientemente digna em termos humanos comos os outros? Parece isso ser a observação dos protestantes citados.

No entanto, essa singularidade, pelo contexto geral, manda a mente cristã iluminada pela Palavra de Deus a outra direção. Essa mulher, da qual não se diz muita coisa, mas o que é dito é de garnde relevância. De fato, a humildade de Maria transparece em toda a cena. A sua fé, a sua entrega, a sua obediência. O modo como é chamada pelo anjo celestial, que não diz seu nome, mas a chama por um título, o que não é encontrado em nenhuma outra passagem em referência a ninguém mais. Portanto, as observações protestantes que tentam evitar “exageros” tendem a levar à minimização de Maria e ofuscar a mensagem bíblica geral sobre a mesma. Os protestantes que quiserem manter-se na estrada reta de compreensão da Bíblia, devem fazer como santa Isabel, curvar-se diante da mãe do Senhor e reconhecer-se honrada demais ao receber sua visita.

O leitor deve estar notando a tentativa de Gregg de mostrar a posição protestante como se a mesma foi correta, mas ao passo que a avaliamos ela se mostra bastante equivocada em todos os pontos de discordância.

Quando Maria diz “cumpra-se em mim”, de fato a teologia católica não diz que essa frase tem caráter imperativo, como se Maria mandasse, não está expressando nenhuma autoridade ao anjo Gabriel nem a Deus, longe disso, mas está totalmente movida pela graça divina, na total submissão da vontade de Deus, na humildade da Sua serva, de modo que ela escolheu o melhor. Também aqui a teologia protestante não compreende bem a teologia católica e equivoca-se ao distanciar-se do catolicismo. O entendimento dessa questão é correto por parte de Gregg, onde Maria expressa seu desejo de se submeter à vontade de Deus. No entanto, ele cria algo como que um espantalho, como se o fiat de Maria fosse sua autoridade, imperativa, no processo, o que não é correto, e o mesmo ataca essa noção, como se fosse católica, e apresenta a interpretação correta, da humildade de Maria na narrativa, que é a posição católica. Outro desequilíbrio na interpretação de Gregg Allison.

Se os protestantes veem Maria como exemplo por excelência de fé e obediência, estão agindo corretamente. É verdade que não se encontram facilmente palavras assim em relação a Maria, escritas por protestantes: exemplo por excelência. Isso já foi explicado acima.

No entanto, quando os católicos consideram Maria como excepcional, grande e bela, e honrada por sua livre cooperação, estão agindo biblicamente. O protestante que não considera essas prerrogativas, que advém de Cristo, que é Deus, e plenamente perfeito, iluminando a humanidade da sua mãe, então os protestantes estão apresentendo a doutrina mariana equivodamente. A santidade de Maria é percebida pelo relato bíblico sobre Seu Filho Jesus Cristo.

Obviamente Deus é que cumpre tudo na vida de Maria. Essa é doutrina católica. Gregg a apresnta como se tivesse afirmando algo novo na sua avaliação.

A teologia católica afirma que “cheia de graça” não é novo nome de Maria, mas apenas há afirmações desse porte no nível místico. Maria tem um nome: Maria. No entanto, ao chamá-la por aquele título, a Escritura mostra que há algo escondido em seu sentido. A Igreja entende que se trata de sua imaculada conceição. Onde há graça total não há pecado. É simples.

Se a criatura e plenamente amiga de Deus, está conforme Sua Vontade, então ela não comete pecado. Estar na comunhão com Deus de forma plena na vida individual, e não apenas de forma forense, não apenas legalmente, não apenas potencialmente, mas de fato, é o mesmo que estar sem pecado. Isso é a imaculada conceição.

A virgem Maria foi preservada do pecado por ser aquela da qual a humanidade de Jesus seria formada, e não porque Deus não possa vir a um mundo pecaminoso, em um mundo indigno da sua presença. As duas coisas são distintas.

Reconhecer a grandeza de Maria, sua elevação sobre todos, sua dignidade, é conhecer melhor a Pessoa de Jesus Cristo. Maria é figura da Igreja. A Igreja que será purificada até tornar-se sem ruga nem mancha, totalmente imaculada, com foi Maria, a primeira que acreditou diretamente em Jesus Cristo. Ela foi formada segundo o modelo de Cristo, e no fim toda a Igreja o será. Essa doutrina é totalmente bíblica.

Maria não está em uma categoria alta a inantingível, mas indica a categoria que os salvos alcançarão. A teologia protestante mais uma vez ignora e nega essa verdade que lhe é apresentada. E o faz por motivos muito desconjuntados. Olhar para Maria e esforçar-se para assemelhar-se a ela, e a Cristo, é humildade. Santa Isabel pô-se menor que Maria, elevou-a. Os cristãos de todos os tempos fazem o mesmo.

A teologia protestante reserva a ideia de Maria como mulher ideal. Porém, como a teologia protestante tem o pecado em grande conta nesse sentido, de forma a torna-lo quase que impossível de ser remido, afirmando que Deus não vê alguém como ideal nem transforma alguém em ideial, o que reflete essa ideia, embora não seja essa a intenção do autor e da autora citada, é preciso mostrar que a Bíblia mostra Maria como exemplo de humildade. Esse exemplo de fé a torna digna de veneração. Com afirma a Escritura, pela escrita de São Paulo: sejam meus imitadores como eu o sou de Cristo. Imitem Maria, como ela é imitadora de Cristo. O texto não diz: passem direto a Cristo, pois ela O está imitando, imite-O também. A ideia é ir a Cristo, mas é preciso cautela aqui: a Escritura ordena a ter exemplos, a imitar os outros. Nessa imitação da virtude dos santos, se vai a Cristo. A doutrina bíblica é mais abrangente. A teologia protestante se equivoca outra vez.

O terceiro lugar citado por Gregg diz respeito a que os protestantes discordam a virgindade perpétua de Maria. Vale lembrar que os reformadores protestantes, ainda que estivesse interpretando a Bíblia por si mesmos, continuaram a crer nessa verdade. A virgindade de Maria depois do parto não é afirmada na Escritura. Não é tampouco negada. De fato, não é assunto da Escritura. A Escritura, porém, pelo seu teor geral, leva a concluir que a virgem Maria permaneceu nesse estado. Isso lembra o conselho bíblico de permanecer no estado em que está. Maria está casada, grávida, virgem. Continuou casa, foi mãe e permaneceu virgem, e não teve mais filhos.

A Sagrada Escritura trata da questão das relações sexuais que não foram realizadas para a concepção de Jesus e nem durante o período de gravidez para deixar claro que não houve interferência humana. Não há intuito de afirmar mais do que isso em Mateus 1, 25.

Jesus é mostrado como filho primogênito de Maria e a Bíblia cita seus irmãos. Contudo, o título primogênito é dado no nascimento, ainda que seja filho único. Ademais, o termo irmãos é usado em sentido amplo e significa, no caso de Jesus, os parentes de Jesus.

A Escritura afirma que todos possuem natureza pecaminosa e pecam a vida toda. Jesus é exceção, pois apesar de ter natureza humana não foi concebido em pecado. Maria possui natureza humana, mas foi limpa na concepção, de modo que Deus a acolheu desde o instante em que a criou. Ela não cometeu pecado a vida toda, pois foi preparada para ser mãe do Salvador, e não podia gerá-lo e carrega-lo no ventre pecando, estando sob o império do pecado. Essa doutrina bíblica é confirmada na tradição.

Como mostrado, toda a doutrina católica sobre a virgem Maria é bíblica. Foi refutado cada argumento protestante apresentado por Gregg.


Gledson Meireles.