segunda-feira, 3 de maio de 2021

A predestinação de Maria

A Igreja vê na figura de Maria aquilo que será realizado em toda a Igreja. Ela é santa, pura, sem ruga nem mancha. Assim será a Igreja, como ensina Efésios 5, 27. Escolhida desde a eternidade para ser mãe de Jesus, porque os decretos de Deus incluíam a encarnação do verbo. Ele nasceu da mulher (Gálatas 4,4). Por isso, quando se fala da Sabedoria nos Provérbios 8, 22-23, a Igreja volta seu pensamento também à virgem Maria, que estava no plano divino. É uma aplicação feita ao contemplar a eternidade de Jesus Cristo, prevendo a encarnação.

Muitos não sabendo dessa profunda teologia, pensam que a Igreja está atribuindo a Maria as coisas da Sabedoria divina, que é Cristo, em Provérbios e outras passagens. No entanto, não é isso o que ocorre. A teologia católica sabe muito bem distinguir essas coisas. É Cristo o Verbo, o Filho, a Segunda Pessoa de Deus. No entanto, ao saber da Sua encarnação, a figura de Maria é vislumbrada desde a eternidade, para ser o canal por onde o Salvador iria vir ao mundo. E lê-se essa verdade nas passagens que tratam de Cristo.

Assim, ler Provérbios 8, 22 tendo em mente a virgem Maria é reconhecer a predestinação de Maria desde tempos eternos, quando Cristo acompanhava o Pai, e era a Palavra do Pai, criando o mundo. Entender a aplicação dos textos da Bíblia que falam de Cristo à pessoa de Maria é entender a profundidade da Palavra de Deus.

Maria precedeu as criaturas no pensamento de Deus. Ela não existiu antes de todos, não estava na eternidade, não veio antes de todas as criaturas, não foi criada antes, mas na ordenação das coisas relativas à salvação, da obra de redenção de Jesus Cristo, a virgem Maria estava no pensamento de Deus, assim como Cristo encarnado. Maria era aquela que iria ser a mãe do Verbo encarnado. Assim, ela precedeu as criaturas, não na existência, mas nos planos eterno de Deus. Cristo é o Primogênito de toda criatura, como nos ensina Colossenses 1, 15, e Maria é a primogênita no sentido acima esclarecido, juntamente com Cristo. É em união com Jesus que entendemos o papel de Maria.

Todas as criaturas foram predestinadas por Deus, previstas de antemão, desde os tempos da eternidade, e com isso em mente, entendemos que Deus predestinou aquela que formaria com Cristo a nova humanidade, redimida por Seu sangue.

Gledson Meireles.

domingo, 2 de maio de 2021

O culto à virgem Maria é vontade de Deus

Para muitos, especialmente nos dias de hoje, o culto de Maria é pecaminoso, errado, supérfluo, indiferente e etc. Há os que demonizam a atitude de cultuar Maria. Outros veem isso como expressão de pensamento e atitude pueris, como falta de conhecimento teológico, algo que Deus não levaria em conta por causa da infantilidade dos fieis, se esses realmente querem fazer Sua vontade santa.

Mas, na verdade, a Igreja desde seus primórdios, encontrou no culto à mãe de Jesus, por esse meio, uma fonte de santificação e de união com Deus. O Senhor Deus deseja que essa união com Maria seja fundada na nossa união com Jesus Cristo. O cristão tem notavelmente um apreço religioso por Maria.

Deus em Sua eterna Sabedoria pensou em criar o mundo e todas as suas criaturas, e vendo no Seu eterno plano de Salvação a encarnação do Verbo, vislumbrou a criação de uma criatura pela qual desceria à terra o Filho do Altíssimo.

Por essa razão, a primeira criatura no olhar de Deus foi a virgem Maria, antes de Adão, antes de Eva, e de todos os seres criados, por ter sido incluída no plano de salvar a raça decaída, como mãe do Salvador. Pensada de maneira especial por Deus, pois dela nasceria o Salvador da Humanidade.

É por isso que Maria está sempre no culto cristão, como uma peça que eleva nossos olhares a Deus e O glorifica.

Deus fez de Maria a primeira fiel, a primeira a crer em Cristo, a primeira membro da Igreja. Cristãos, todos, adoremos a Deus, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, e tenhamos em nossos corações, o amor que Cristo teve por Sua mãe, quando viveu submisso a ela, como bom filho, honrando-a e respeitando-a.

Por tudo isso, o culto de Maria está intrinsecamente ligado à fé cristã. É parte inseparável do patrimônio cristão. É conforme a vontade de Deus.

Gledson Meireles.

quinta-feira, 25 de março de 2021

Santos e canonização

No artigo que pode ser acessado aqui, é feita uma crítica ao conceito de santidade no Catolicismo, como se o mesmo fosse diferente do conceito correto. De fato, o artigo é inócuo no que tange a isso. O que segue abaixo deve servir para melhor entender o que é a canonização e o que entendemos por ser santo.

Não é por obras que se alcança o céu, mas sem elas dificilmente se chega lá. É óbvio que Madre Teresa de Calcutá tinha a fé em Cristo como Salvador, e sua vida estava apenas mostrando que ela vivia a fé que tinha. Portanto, o processo de canonização tem a ver com a questão da vida de obras em união com a fé.

Por isso, o pastor Natanael concorda que sem a santificação não se vê a face de Deus.

A Madre Teresa era serva de Deus em Cristo, conforme João 14, 6.

Ela cria em Jesus como salvador, conforme João 5, 24 e Atos 4, 12

Ela era testemunha de Jesus nos lugares onde vivia, com virtudes heroicas, conforme Atos 1, 8 e Marcos 10, 32-33.

Ela santificava sua vida, conforme Hebreus 10, 10

Ela era santa, no sentido de separada para servir a Cristo (conforme os textos citados de Rm 1.7; ICo 1.2; ICo 6.2; Ef 5.3; Ef 5.27; Fp 4.21; IPe 1.16), mas em sentido mais estrito, foi santa e deixou um exemplo a ser seguido, de forma muito expressiva, e é isso que a canonização significa.

Santos somos todos nós, cristãos que estão na graça de Cristo, mas ainda imperfeitos, até que atinjamos o fim da caminhada na terra. No céu, todos são aperfeiçoados por Cristo. Portanto, os santos do céu são modelos de fé para nós e perfeitos por não terem mais pecado, e muitos são exemplos de vida, por terem vivido heroicamente com a graça de Deus contra o pecado.

Se alguém conhece o evangelho e a verdadeira história da Igreja Católica, saberá que santo não é somente os que são canonizados (isso é desconhecimento da doutrina católica), mas santos são os que estão no céu. Milhares de milhares, incontáveis, são santos e não estão canonizados para o nosso conhecimento.

Ainda, santo não significa impecável na terra (somos santos, mas ainda pecadores). Os santos são os que são perfeitos por terem chegado ao céu e estão servindo a Deus por toda a eternidade. No céu não podem mais pecar, completaram a sua jornada, foram feitos santos.

E, por fim, santo é geralmente alegre, pois vive a alegria da salvação, muitas vezes é divertido e sempre sorridente, como o era São Felipe Neri.

Assim, pegando o exemplo de São Felipe Neri, ele fez como Jesus, gostava das crianças, vivia em ambientes simples e pobres, participava de festividades, como o autor do artigo fala citando atitudes do Senhor Jesus. Tudo isso é encontrado nos santos de alguma forma.

O que o artigo tentou passar foi, entre outras coisas, que o conceito de santidade no catolicismo estaria equivocado, e o sentido da palavra santo distorcido. O que ficou claro, no entanto, é que as críticas não afetam nem a superfície da doutrina, pois critica praticamente o conceito derivado dos meios administrativos, diríamos, que a Igreja dispõe para identificar uma pessoa santa de modo a propor como modelo e exemplo aos fieis cristãos, para ajudá-los na sua vida diária e seguimento de Jesus. Nada atingiu da verdadeira doutrina católica sobre a santidade.

Gledson Meireles.

terça-feira, 23 de março de 2021

A salvação é obra de Deus: comentando um capítulo do livro A Soberania Banida

Refutação ao capítulo 5 do livro A Soberania Banida, R. K. McGregor Wright. A doutrina de Charles Spurgeon.

Deus salva pecadores. O que Spurgeon quis ensinar com essa frase? É óbvio que a mesma não tem todas as informações sobre o que uma determinada corrente teológica ensina ou não, já que ninguém nega a afirmação de que é Deus quem salva os pecadores. Por isso é preciso destrinchar o que o teólogo protestante realmente desejou ensinar com essa afirmação.

A afirmação de que Deus quis salvar alguns dos pecadores que estavam cativos do pecado originado por Adão e Eva não explica muito. De certo, pode já vislumbrar a diferença essencial entre a doutrina católica e a protestante calvinista nesse quesito. Deus intenciona salvar “alguns” dos pecadores, pois o calvinismo, como está sendo tratado aqui, afirma que a cruz não foi para todos.

Até mesmo a afirmação de Wright, de que “Deus interfere na história” para salvar, é um tanto difícil para a doutrina calvinista, pois parece, com essa fraseologia ortodoxa, ter a história como algo autônomo e que Deus passa em determinado momento a intervir no processo histórico, o que não é o que o calvinismo ensina. Mais abaixo veremos outra frase que respira ares ortodoxos.

De fato, quem fez e colocou a história em processo? Daí deve-se dizer que a própria pergunta já naufraga em seu início quando pretende explicar a doutrina reformada nos termos que a mesma de fato não se sustenta, mas pretende sustentar. E é necessário que assim o faça para manter o discurso ortodoxo.

Nesse ponto, a doutrina católica não encontra dificuldades em afirmar ao mesmo tempo que Deus é o Autor da história e que interfere nela para salvar, como é plenamente certa de que Deus salva pecadores, por pura graça, sem ter que explicar esse palavreado perante a crítica como a que se pretende aqui.

A doutrina arminiana tem lá os seus motivos e respostas para a crítica de que o pecador tem neutralidade de resposta ao evangelho. A doutrina católica, como já visto em outros artigos, não está presa a essa dificuldade, e a supera tranquilamente, e pode não ter que tratar dessa questão quando tudo está bem entendido.

A doutrina reformada ensina que Deus faz tudo para a salvação, sendo passiva toda ação do homem nesse aspecto. Os que são salvos são “obrigados” a entrar na salvação. Embora essa seja uma palavra forte, e que parece dizer realmente o que o calvinismo está ensinando, ela está contida nas críticas à doutrina reformada, e tem dela a devida resposta de que Deus não obriga a ninguém contra a vontade a ser salvo, mas que move a vontade a aceitar de bom grado.

Ainda, além de realçar esse aspecto da doutrina calvinista, a parábola citada de Lucas 14, 21.23, contem a mensagem de que os convidados não são salvos. Obviamente dirão que muitos dos convidados possuem apenas o chamado geral, e não o eficaz, e por isso não foram admitidos à festa. Na verdade, aqueles convidados não foram para a festa porque não quiseram, diz o Evangelho de Jesus, e o convite é idêntico, àquele feito aos demais, ou seja, para o mesmo lugar, para a mesma festa, o que torna a posição reformada defeituosa nessa explicação. Deve-se admitir que Deus faz o convite a todos, mas muitos o rejeitam, como aqueles judeus do tempo de Jesus o fizeram.

Enfim, para contrastar a salvação dos gentios, Jesus utiliza a palavra obrigar, para falar do convite à festa, para deixar clara a gravidade da recusa da salvação feita por muitos, e a desfeita que fizeram a Deus.

De fato, não se deve entender cada palavra da parábola literalmente, porque doutro modo diríamos que Deus salva por ira, e ainda que salva muitos por ainda sobrar espaço no céu e para que outros, os que foram convidados primeiro, não entrem. Isso porque a parábola afirma que o servo saiu e levou muitas pessoas para a festa e avisou ao patrão que ainda havia lugar. Nisso, o senhor ordenou que o servo buscasse mais pessoas e enchesse a casa, obrigando todos a entrar. Ainda, haveria espaço para outro mal-entendido, como se os pobres, aleijados, cegos e coxos, e menos ainda, os que vivam entre caminhos e atalhos, não estivessem no primeiro convite! Obviamente não é esse o sentido da parábola, mas se deve fazer essas reflexões para que não se tome uma palavra qualquer e a torne prova para uma doutrina. Por isso, quando se diz que o senhor mandou o servo “obrigar” a entrar na festa, entenda-se o quadro da parábola literalmente, para somente depois entendermos o sentido espiritual dela.

Outros problemas para a teologia reformada haveria se fizéssemos maiores comparações com a parábola no evangelho de São Mateus 22, 1-14, onde os convidados não foram dignos, e, depois da segunda onda de convidados, um deles entrou na festa e não estava com a veste nupcial, sem contar os “maus e bons” que foram convidados .

Voltando à parábola em Lucas 14, tudo isso está no contexto da ira do senhor pela desfeita daqueles primeiros convidados. Essa parábola está ilustrando o amor de Deus em salvar, convidando a todos, mas recebendo a recusa ao seu convite.

Outra passagem muito usada pela teologia reformada, contra o livre-arbítrio, é a de João 15, 16, que Wright afirma não ter resposta da parte arminiana.

Mas, eis que a seguir, mais uma linguagem de Wright soa bem católica, quando diz que Deus “faz o que é necessário para vencer o eleito”. Essa é a frase aludida antes, que tem ares de doutrina católica.

De fato, Deus chama o pecador, estende o Seu poderoso braço para salvar, dá toda a força ao pecador para agarrar em Sua misericordiosa mão salvadora. Mas, muitos não querem. O eleito é pecador, e está agindo contra a revelação de salvação, mas Deus faz de tudo para salvá-lo. No entanto, o que o calvinismo ensina é que mesmo aquela radical aversão à salvação é parte do plano de Deus, para os não-eleitos, e para os eleitos até determinado tempo, o que não faz sentido a ação de Deus para vencer o coração pecaminoso do homem.

A interpretação de 2 Pedro 1, 10, pelo autor reformado, é de que não devemos fazer segura a nossa salvação, mas que devemos nos tornar seguros dela, da vocação e eleição. Ou seja, o crente não deve fazer certa a sua salvação de algum modo, mas já está salvo, e deve estar certo dessa realidade já confirmada.

Vejamos a passagem inteira, para vermos se podemos concordar ou não com essa explicação, e se nesse texto o calvinismo tem ou não alguma base.

Para isso, como de costume, como é correto, como é a verdadeira exegese bíblica, seguindo os dados da sã hermenêutica, não podemos nos esquecer do contexto, principalmente do contexto imediato, aquele mais próximo, que circunda o texto bíblico em apreço.

Então, vejamos que o verso 3 ensina que Deus deu-nos tudo que contribui para nossa vida e piedade, e nos faz conhecê-Lo, que nos chamou através de Sua glória e virtude. Fomos chamados pela glória e virtude de Deus, e recebemos o poder de Deus para O conhecermos.

Assim, entramos nas posses espirituais, para nos afastarmos da corrupção do mundo (v. 4). Aí, no verso 5, há o esforço do cristão, para unir à fé a virtude, etc., para que assim os cristão não fiquem inativos e sem frutos. Ou seja, há uma atividade do crente para garantir que eles sejam ativos e praticantes dos frutos do evangelho. Isso está nos versos 4-8.

A seguir, o v. 9 afirma que sem essas coisas o cristão é míope e cego e esqueceu-se da purificação dos seus pecados. E então? Ele continua bem espiritualmente, continua salvo e com garantia eterna da salvação, ou há algum problema quanto a isso? Vejamos o que segue na Palavra de Deus.

O v. 10 exorta a assegurar a vocação e eleição. Isso concorda com a lembrança, aludida no verso anterior, de que devemos ter sempre a vocação e eleição divinas, da purificação dos nossos pecados. Até aqui, nada há que possa desabonar a tentativa reformada de garantir a sua intepretação da graça contra o livre-arbítrio nessa passagem. Mas, ela continua assim: “Procedendo desse modo, não tropeçareis jamais.” Então, o verso 12 coroa essa verdade: “Assim vos será aberta largamente a entrada no Reino”.

Isso significa que a lembrança da salvação deve estar presente segundo tudo o que foi dito antes: na vida de uma fé ativa e cheia de frutos, para não tropeçar, ou seja, para não pecar, e então será aberta a porta do céu. Vigilância sempre, como está no verso 13. E os cristãos que estavam recebendo aquela carta estavam instruídos e confirmados (v. 12), estavam vivendo retamente. Dessa forma, a passagem não diz que o ato de estar seguros da salvação recebida é o que importa aos cristãos, em contraste com o conceito de tornar segura a salvação, de forma que os cristãos estavam salvos para sempre, mas, ao contrário, que devemos ser obedientes, para participar da natureza divina, ficando longe das corrupções do mundo, esforçando na fé e outras virtudes, praticando as boas obras (porque quem não tiver essas coisas (cf. v. 8) não está reconhecendo a salvação) e assim assegurar a salvação e eleição, da forma ensinada nos versos anteriores, para que agindo assim não caiamos em pecado e tenhamos a porta do céu aberta.

De fato, o conceito de perseverança em resposta do livre-arbítrio à graça recebida de Deus para a salvação está em toda a passagem, assim como a ideia de que é possível tropeçar e perder essa entrada no Reino. Por tudo isso, essas admoestações são necessárias (vv. 13-15). É o evangelho que a santa Igreja Católica anuncia.

Os reformados poderão dizer que a perseverança, os esforços santos dos eleitos, as admoestações, e etc., já estão no plano de salvação, são resultado da eleição, e que isso não nega o que foi dito da gratuidade da salvação.

O problema é que a passagem bíblica não diz isso, mas deixa o crente com o temor de tropeçar. O verdadeiro reformado tem o temor de tropeçar, mas não de perder a salvação, enquanto que o texto bíblico admoesta sobre o temor de tropeçar e não ter aberta a porta do Reino, ou seja, a perda da salvação, se não agirem da forma como foi exposta. O problema é profundo para a teologia calvinista, abordada por Wright, e o autor não pode negar essa conclusão.

Gledson Meireles.

domingo, 21 de março de 2021

Tiago Cavaco: por que protestantes se tornam católicos?

O artigo que segue é para reflexão sobre os motivos de conversão entre os cristãos católicos e protestantes. É um tema que deve ser pensado pelos cristãos, os que estão nessas fileiras referidas.

O pastor batista, de uma Igreja Batista de Portugal, afirma entender a atração que o catolicismo possui, e afirma também o motivo de protestantes tornarem-se católicos.

Segundo o parecer, o catolicismo é abraçado por muitos protestantes por dar credibilidade e estatuto à pessoa que adere a ele, enquanto que o protestantismo seria a fé dos pobres, o que não seria algo vantajoso e atraente. E cita exemplos com fatos que ocorrem em Portugal.

Por ter um coração narcisista, os protestantes que se tornam católicos o fariam, muitas vezes, na procura de ter sua vaidade apoiada, encontrando aprovação onde está, o que não seria possível no protestantismo.

Com isso, procuram encontrar razões de sua conversão, como a imutabilidade da Igreja, que segundo o pastor não é real, pois é a instituição que mais mudou na História.

Então, as pessoas procurariam a religião mais credível, onde podem pecar, como fumar e falar palavrão, o que não seria possível no meio protestante. Dessa forma, muitos ex-protestantes seriam pessoas que se tornaram católicos porque sabiam que poderiam pecar e ser perdoados, já que na confissão há perdão de pecados.

Esse assunto é bastante complexo, profundo e amplo, e exige acuidade e destreza na sua abordagem. Certamente o pastor Tiago Cavaco tem uma visão abrangente e mais lúcida que grande parte dos pastores que lidam com o tema, assim como exposto acima, mas é de se acreditar que ele não tocou o âmago da questão e por isso há coisas que deveria responder.

Será mesmo que os protestantes se tornam católicos porque encontram ambiente mais propício para continuarem a serem vaidosos e intelectualmente defendidos, e onde poderiam cometer pecados que o Protestantismo proibia de fazer?

Fonte: ARAME FARPADO NO PARAÍSO | BAIXO CLERO #28 - YouTube - Clique no ponto: 1 hora e 34 minutos.

Gledson Meireles.

sexta-feira, 19 de março de 2021

Onisciência e predestinação

O pastor adventista Leandro Quadros trata do assunto da Onisciência de Deus e da Predestinação no seu canal do youtube. Uma boa abordagem, que ajuda a entender esse mistério, e em essência concorda com a teologia católica.

É bom tratarmos dessas realidades espirituais.

Gledson Meireles.

segunda-feira, 15 de março de 2021

Crer em Jesus e na autoridade do papa

Os primeiros cristãos, dos tempos apostólicos, viviam conforme a fé em Jesus Cristo, o Salvador. Para isso, precisavam mudar de vida, adotar nova postura diante de tantas coisas, e crer em muitos ensinamentos que antes não conheciam e não criam.

Podemos afirmar que os cristãos criam em Jesus, e por isso, em primeiro lugar, criam naqueles que anunciavam a Palavra do Evangelho como verdadeiras testemunhas de Jesus, e tinham suas palavras como inspiradas por Deus, como verdadeiros servos de Deus, ministros de Cristo. Por isso, não é exagero afirmar que os primeiros cristãos criam nos apóstolos, porque eram eles os anunciadores da Palavra da vida, do evangelho cristão.

Assim, é nesse sentido que cremos nas autoridades da Igreja, por serem os representantes de Jesus. Do mesmo modo, pode-se afirmar que naturalmente o cristão deveria aceitar a mensagem pregada por São Pedro, São João, São Tiago, São Paulo e etc. Para ser cristão devia crer nos apóstolos.

Nos dias de hoje, transpondo essa mesma realidade, devemos crer nas autoridades que continuam a anunciar o evangelho, no ministério do papa e dos bispos, que são os que continuam a missão iniciada pelos apóstolos. Por tudo isso, a fé em Jesus exige o pertencimento à Igreja e a submissão às autoridades estabelecidas, no espírito do serviço. No entanto, não se confunde o Autor da Fé, Jesus Cristo, com sua obra, a Igreja. Cremos no anúncio da verdade feito pela Igreja por causa de Cristo.

Dessa forma, quando alguém disser que para ser católico é preciso crer no papa, e que isso é crer em homens, e que os outros cristãos não possuem figura alguma humana em que devem crer, e que isso seria uma característica de "seita", deve-se responder conforme acima. É o começo da resposta, o suficiente talvez para boa reflexão.

A Paz de Cristo.

Gledson Meireles.

sábado, 16 de janeiro de 2021

Uma pregação sobre a virgem Maria

Em vídeo recente tratando sobre a pessoa da virgem Maria, o reverendo Augustus Nicodemus, entre outras coisas, afirma que os protestantes devem ser anti-católicos, que o povo católico é mariólatra, que a virgem Maria é pecadora como todos nós, que a oração da Ave- Maria é toda invenção da Igreja, que aquele que já rezou essa oração, ou que ainda faz tal oração, deve saber que ela é totalmente fora da Palavra de Deus, e que Maria não é mais agraciada do que aqueles que ouvem a Palavra de Deus, e que é o Espírito Santo que gera Jesus, e não Maria, que apenas empresta seu útero.

É esse o resumo daquilo que será comentado abaixo. Na pregação há muitas outras coisas, positivas e boas de serem aprendidas, muito conhecimento e valores evangélicos que devem ser preservados. Apenas essas afirmações acima serão dadas alguma atenção, porque não são bíblicas nem cristãs, mas são entendimentos mais recentes que os protestantes tendem a conservar. Aos que desejarem, assistam à pregação inteira.

Ser anti-católico: certamente trata-se de uma forma consciente e respeitadora de discordar veementemente da doutrina católica. Talvez seja somente isso que o pastor tenha afirmado.

Mariolatria: não existe na Igreja Católica, na sua doutrina, mas pode haver nos abusos e desentendimentos relativos à doutrina.

O reverendo esqueceu-se de afirmar que a frase inspirada “Bendita és tu entre as mulheres” é totalmente bíblica, está na Escritura, e não é invenção alguma. Pode não estar no versículo que o pastor leu, mas está em outro, basta continuar a leitura bíblica.

Maria pecadora?: o certo é que Maria é filha de Adão e Eva, mas foi salva, purificada, no momento em que foi concebida, para ser mãe do Salvador. Isso é fé cristã desde o início da Igreja. Quando Santo Agostinho tratava da questão do pecado, afirmou que não ousaria afirmar, quanto a isso, nada em relação à virgem Maria. Grande sabedoria de um grande e reconhecido doutor da Igreja.

A oração da Ave-Maria: é toda bíblica. São apenas versículos bíblicos rezados com muita fé e devoção, seguidos de um pedido de intercessão.

Os bem-aventurados: todos os bem-aventurados reconhecem a grandeza da Maria. Seria oportuno que os leitores refletissem sobre a grandeza de Maria como aquela que viveu na prática da Palavra de Deus. Assim, certamente ela tem o status maior. Imagina que o Jesus afirma que João Batista era o maior dos nascidos até então, e era menor no Reino dos Céus. Agora, pense na virgem Maria, que está toda envolvida no mistério do Reino dos Céus e foi toda obediente ao Senhor.

Sobre o título “portadora de Deus” ao invés do correto Mãe de Deus: a Bíblia afirma que Maria é mãe de Deus. O Espírito Santo veio sobre Maria e gerou Jesus a partir da humanidade de Maria. Não foi um milagre que operou um corpo dentro de Maria e não a partir dela, pois isso seria afirmar que Jesus não tinha verdadeira humanidade. Também, isso seria pressupor que o corpo de Jesus poderia ter sido criado à parte sem necessitar de encarnar-se no ventre de uma mulher. A Bíblia afirma que Jesus foi feito da Mulher, nascido na mulher, em Gálatas 4,4. Assim, negar o título de Mãe de Deus e afirmar que ela apenas emprestou o útero para carregar Deus feito homem, não é ensinar o que está no evangelho. A portadora de Deus é o mesmo que mãe de Deus, pois o título ensina que Maria é mãe de Deus feito homem. É compreensível que faltou no pregador conhecimento da mariologia.

Gledson Meireles.

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Identificando a Igreja: a Igreja nos primeiros dias

Durante quarenta dias, Jesus ressuscitado ensinou aos apóstolos, falando sobre o reino de Deus. Isso mostra, em continuação aos evangelhos, que o colégio apostólico mantem a missão de anunciar a doutrina de Jesus.

O batismo no Espírito Santo, ou melhor, o batismo com o Espírito Santo, foi cumprido no dia de pentecostes, quando o dom do Espírito encheu todos os que estavam esperando essa realização. Os apóstolos e discípulos de Jesus, com a virgem Maria e os parentes de Jesus.

Os apóstolos foram fortalecidos com o poder do Espírito e foram aos confins da terra espalhar a mensagem de Jesus, fazendo crescer a Igreja.

Pedro então inicia o processo de escolha do apóstolo que substituiu Judas Iscariotes. Pedro aparece como líder, como fora posto por Jesus, levantando-se entre os irmãos, da mesma maneira como sua figura é proeminente nos evangelhos.

A escolha da Igreja, sob a liderança de Pedro, de dois discípulos, com o fim de eleger um deles para apóstolo, fez com que todos conhecessem a escolha de Deus. Matias foi o escolhido. Isso mostra que a ação da Igreja, fundada na doutrina de Jesus, conforme ensinada pelos apóstolos, está sob a liderança de Deus. Será importante notar sempre a autoridade dos apóstolos. É o modo estabelecido para o agir de Deus.

É assim que Pedro, como em Atos 1, 15, “levantou-se no meio dos irmãos”, ele “então, de pé, junto com os Onze” profere o primeiro sermão da Igreja. Todos na Igreja receberão o Espírito Santo, para profetizar, ter visões e sonhos. Isso mostra que os dons do Espírito Santo que estão na Igreja fazem todos caminhar diante de Deus para a formação do Corpo de Cristo Espiritual, sob a liderança que Ele colocou, que são os apóstolos, e em especial o apóstolo Pedro, que estava falando naquele momento (cf. Atos 2,1).

Então, falando dos fins dos tempos, quando da Grande Tribulação, ensina que quem invocar o Nome do Senhor será salvo (Atos 2, 21). Isso não significa outro modo de para encontrar a salvação, como se não fosse mais necessária a fé, nem a obediência, nem a profissão de fé.

Não se trata de outra dispensação, na qual haveria para a salvação uma só exigência: invocar o nome do Senhor. Na verdade, a invocação do nome de Jesus sempre é necessária. Quem invoca o Nome de Deus sem fé? Quem invoca o Nome de Jesus verdadeiramente sem a disposição de segui-lo verdadeiramente? Não se pode imaginar essa situação sem imediatamente notar que tal não é ensino bíblico.

Tanto hoje como nos dias finais é necessário invocar o Nome de Jesus para ser salvo. De fato, São Paulo invocou o Nome do Senhor no dia do seu batismo. Afirmou que devemos crer com o coração e professar com a boca para alcançar salvação. Pois, quem crê será salvo. Basta isso? De certa forma sim. Mas a Escritura ainda prossegue ensinando que devemos crer com o coração, no mais íntimo da nossa alma, para obter a justiça, e confessar com a boca para a salvação. Ainda, invocar o Nome de Jesus para ser salvo.

De fato, a invocação do nome do Senhor é para a salvação, desde os dias de Cristo, até o fim dos tempos. Isso está ensinado em Romanos 10, 10-13. Ninguém pode afirmar o que está em um versículo sem considerar o que está em outro. Aliás, essa passagem ensina a fé e a profissão de fé para a salvação, e a invocação do nome do Senhor. É como a fonte que transborda do coração, a partir do momento em que se crê.

Por isso, em Atos 3, 19 está escrito: “Arrependei-vos e convertei-vos, a fim de que sejam apagados os vossos pecados”. Não se diz aí que deve-se ter fé. Não está escrito que devemos crer e confessar para receber a justiça e a salvação. Afirma apenas, nesse verso, que devemos nos arrepender dos pecados e converter-nos, ou seja, mudar de vida, para que tenhamos os pecados perdoados.

Seria uma ignorância terrível ler o versículo isoladamente e ensinar que não seria mais necessária nem a fé, nem a profissão de fé, nem a invocação do nome de Jesus, mas apenas o arrependimento e a conversão!

O leitor deve ter compreendido que a Bíblia ensina em seu todo, e não podemos isolar passagens para ensinar uma doutrina. Por isso, sabemos que é necessário crer para a salvação, também é necessário confessar o nome de Jesus para a salvação, que é necessário invocar o nome de Jesus para ser salvo, que é necessário também arrepender-se dos pecados e de converter-se para termos os pecados perdoados, portanto, para a salvação, mudar de caminho de vida, passar para o caminho de Jesus. É assim que devemos entender o evangelho, em sua inteireza.

Assim, quando alguém afirma que em um tempo basta a fé, noutro são necessárias as obras, noutro será apenas a invocação do nome do Senhor, está dividindo a palavra de Deus, de forma errônea, anti-bíblica. A mesma doutrina que está em Mateus inteiro, também está em Atos e está no Apocalipse, como está em toda a Bíblia. Onde há mudança, a própria Escritura deixa isso bastante claro. Portanto, na dispensação última na qual estamos, somos salvos por Cristo pela fé e boas obras.

O derramamento do Espírito Santo profetizado pelo rei Davi aconteceu no dia de Pentecostes. É o que a Escritura mostra, como São Pedro fala aos judeus ali presentes (cf. Atos 2, 33).

As conversões aconteceram em quantidade naquele dia. O que deveriam fazer? Deverão converter-se e ser batizado em nome de Jesus para o perdão dos pecados, para então receber o Espírito Santo (vv. 37-38). Todos deveriam crer no Cristo, e receber o batismo por meio dos apóstolos. Fé, batismo, dom do Espírito, tudo em harmonia, tudo na sequência estabelecida, onde só Deus pode milagrosamente, e com motivos fundados, fazer de outra forma. Assim é que Cornélio e o seus receberam o Espírito antes do batismo, como algo extraordinário, para mostrar aos judeus convertidos que os gentios são chamados à mesma aliança. No entanto, a forma ordinária do evangelho é fé e conversão, batismo e recebimento do Espírito Santo.

O livre-arbítrio na aceitação do Evangelho é patente. “Salvai-vos desta geração perversa”. E, assim, os que acolheram a Palavra foram batizados (vv. 40-41).

A partir daí, todos obedeciam aos “ensinamentos dos apóstolos”, estavam na comunhão fraterna e partiam o pão diariamente, em ação de graças a Deus, na Eucaristia. Vemos aí que a primeira comunidade formada a partir de Pentecostes, com os dons do Espírito, estava unida e obediente aos apóstolos.

O verso 43 é tremendo. O Senhor mostra a autoridade dos apóstolos, diante da Igreja, e todos estavam tomados de temor. Os apóstolos realizavam prodígios numerosos e imensa quantidade de sinais. Os que seriam salvos eram colocados na Igreja pelo Senhor, ensina a Escritura no verso 47. Eis a soberania de Deus, que já havia incluído o livre-arbítrio nesse mistério salvífico.

Não há aí autonomia de membros, como se todos os cristãos fossem mestres e pudessem por si tomar autoridade, nem dons que dividem, contra a autoridade estabelecida, nem livre-exame para escolher e julgar a pregação apostólica.

Temos a liderança dos apóstolos, a obediência da igreja, os dons carismáticos, distribuídos na igreja, e de forma especial os dons confirmatórios da autoridade dos apóstolos (cf. Atos, 2, 43). Tudo isso é fruto do evangelho de Jesus.

Jesus veio para abençoar e salvar. O homem livre deve afastar-se da maldade, arrepender-se, converter-se, crer em Jesus, ser batizado (cf. dentre os textos citados, ler ainda Atos 3, 26).

Em Atos 4, 32-33 vemos a Igreja crescendo, sob o impulso do Espírito Santo. Era o Senhor liderando através dos apóstolos. A Igreja era unida de coração e alma, e os apóstolos testemunhavam a ressurreição de Jesus, e tratavam, até aquele momento, das administrações econômicas da Igreja, distribuindo e repartindo conforme as necessidades de cada um, os valores e bens que recebiam de doações voluntárias. Eram chefes espirituais, e já tratavam de questões temporais, as que tocam o evangelho, pois se tratava de vestir o nu, dar comida aos famintos, colaborar para a vida digna dos cristãos.

Todos podem constatar que havia uma só Igreja, sob o comando dos apóstolos, guiada pelo Espírito Santo. Em cada localidade será fundada uma comunidade cristã que estará unida na fé e obediência apostólica. Isso ficará claro ao passo em que continuamos a refletir sobre a Igreja, sua autoridade e sua posição ante às divisões e doutrinas diversas e sobre a sua disciplina.

Gledson Meireles.

domingo, 3 de janeiro de 2021

Adão e o livre-arbítrio

O Senhor Deus colocou, de forma especial, duas árvores no Éden. Uma era a árvore da vida. A outra, a do conhecimento do bem e do mal. De todas as árvores podiam o homem e a mulher comerem, exceto de uma: a que estava no meio do jardim, a saber, a do conhecimento do bem e do mal. Deus a criou para testar a obediência das suas criaturas racionais, aquelas que Ele havia criado à sua imagem.

A narrativa é bastante natural. O homem podia agir normalmente, vivendo as delícias do paraíso, governando as criaturas, servindo-se da criação, como mordomo de Deus. Ele deveria cuidar do jardim, alimentar-se, recrear, viver de forma abundante e perfeita, e repousar de seu labor.

Havia, porém, uma limitação, dada por Deus, pelo mandamento. Não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal. Isso pressupõe a possibilidade de obedecer e de desobedecer. Ninguém duvida disso. O homem podia não comer, como também poderia comer a desobedecer a ordem de Deus, pois a árvore estava ali, à sua disposição, e ao seu alcance.

Buscando uma explicação mais profunda, no plano metafísico, alguns apresentaram a teoria de que Deus havia determinado que o homem desobedecesse a sua Lei e caísse no pecado. Isso porque não haveria outra fonte de energia e origem de todo agir que não fosse o próprio Deus. Assim, a criação não poderia estar fora da total soberania de Deus.

Dessa forma, explicam que o pecado foi determinado. No entanto, sabemos que pela narrativa não há necessariamente apenas esse tipo de explicação. Pelo contrário, ela de alguma forma infringe leis da racionalidade humana.

Portanto, sabemos que Deus deu liberdade ao homem, que é o livre-arbítrio, ou seja, a liberdade da vontade, para agir por si mesmo, fazendo ou deixando de fazer. No entanto, essa ação não escapa do conhecimento de Deus, e do Seu exaustivo controle, pois não há realidade fora de Deus. Temos aqui o mistério da relação entre a soberania e o livre-arbítrio.

Que toda a realidade é conhecida por Deus não há como negar. Presente, passado e futuro são para Deus simples de conhecer. Assim, todos os eventos são conhecidos nos seus mínimos detalhes. Se são conhecidos, como isso ocorre? Isso significa que estão determinados e não podem mais mudar? Significa que foi Deus quem determinou todas as ações livres das criaturas racionais?

Essas questões são profundas e difíceis, mas felizmente encontram resposta na Bíblia. Há o sistema que aceita os dados da revelação, como estão desde as primeiras páginas da Bíblia, que mostram o homem e a mulher criados livres, dotados de livre-arbítrio, e responsáveis por suas ações. Esse é o posicionamento da Igreja Católica.

E há o sistema que nega o livre-arbítrio e constrói toda a sua teologia em cima dessa negação, aceitando todas as demais premissas da revelação que relacionam-se com esse tema, exceto o próprio livre-arbítrio. Esse sistema nasceu principalmente por causa da doutrina dos reformadores protestantes, em especial pelo trabalho de João Calvino, por isso conhecido como Calvinismo.

Desse modo, essa teologia precisa explicar inúmeras passagens da Bíblia, que naturalmente contradizem suas afirmações, e, precisa também, tentar harmonizá-las com seus princípios, que procuram a manter afastada doutrina do livre-arbítrio.

Tradicionalmente o calvinismo, também chamado de fé reformada, aceita que Adão possuía o livre-arbítrio. Ensina isso porque define o livre-arbítrio como capacidade de escolher igualmente opções contrárias. Adão podia comer do fruto da árvore da vida como também podia não comê-lo, com a mesma facilidade. Tudo estava em seu poder de escolha. Mas, antes disso, afirma a mesma teologia, estava determinado, no decreto divino, que Adão comeria do fruto da árvore, pecaria, e perderia a graça.

Dessa forma, Adão agiu livremente, mas sem saber estava obedecendo ao decreto divino que determinava que ele comesse do fruto da árvore da vida e fosse causa de perdição para toda a sua descendência.

No entanto, essa explicação não está na Bíblia, nem amolda-se no contexto do Gênesis que revela a criação do mundo. Por isso, o pecado original não estava determinado.

Por isso, antes de pensar em determinação de todos os eventos, Deus criou o mundo e suas criaturas livres sabendo como se comportariam, e incluiu isso no decreto de salvação. Isso quer dizer que Deus viu o pecado de Adão, e não que o determinou. Não que dizer que quis o pecado, nem que determinou que o mesmo ocorresse, nem que viu algo que fugia do Seu controle, como vindo de outra fonte que não o Seu próprio poder e criação, mas que pela criação de criaturas livres, sabia como agiriam, livres como são, e quis assim decretar, levando em conta o livre-arbítrio.

Dessa forma, Adão agiu livremente sem que fosse determinado por isso, e Deus sabia da resposta de Adão, e já havia previsto isso no seu decreto eterno.

O Senhor Deus colocou, de forma especial, duas árvores no Éden. Uma era a árvore da vida. A outra, a do conhecimento do bem e do mal. De todas as árvores podiam o homem e a mulher comerem, exceto de uma: a que estava no meio do jardim, a saber, a do conhecimento do bem e do mal. Deus a criou para testar a obediência das suas criaturas racionais, aquelas que Ele havia criado à sua imagem.

A narrativa é bastante natural. O homem podia agir normalmente, vivendo as delícias do paraíso, governando as criaturas, servindo-se da criação, como mordomo de Deus. Ele deveria cuidar do jardim, alimentar-se, recrear, viver de forma abundante e perfeita, e repousar de seu labor.

Havia, porém, uma limitação, dada por Deus, pelo mandamento. Não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal. Isso pressupõe a possibilidade de obedecer e de desobedecer. Ninguém duvida disso. O homem podia não comer, como também poderia comer a desobedecer a ordem de Deus, pois a árvore estava ali, à sua disposição, e ao seu alcance.

Buscando uma explicação mais profunda, no plano metafísico, alguns apresentaram a teoria de que Deus havia determinado que o homem desobedecesse a sua Lei e caísse no pecado. Isso porque não haveria outra fonte de energia e origem de todo agir que não fosse o próprio Deus. Assim, a criação não poderia estar fora da total soberania de Deus.

Dessa forma, explicam que o pecado foi determinado. No entanto, sabemos que pela narrativa não há necessariamente apenas esse tipo de explicação. Pelo contrário, ela de alguma forma infringe leis da racionalidade humana.

Portanto, sabemos que Deus deu liberdade ao homem, que é o livre-arbítrio, ou seja, a liberdade da vontade, para agir por si mesmo, fazendo ou deixando de fazer. No entanto, essa ação não escapa do conhecimento de Deus, e do Seu exaustivo controle, pois não há realidade fora de Deus. Temos aqui o mistério da relação entre a soberania e o livre-arbítrio.

Que toda a realidade é conhecida por Deus não há como negar. Presente, passado e futuro são para Deus simples de conhecer. Assim, todos os eventos são conhecidos nos seus mínimos detalhes. Se são conhecidos, como isso ocorre? Isso significa que estão determinados e não podem mais mudar? Significa que foi Deus quem determinou todas as ações livres das criaturas racionais?

Essas questões são profundas e difíceis, mas felizmente encontram resposta na Bíblia. Há o sistema que aceita os dados da revelação, como estão desde as primeiras páginas da Bíblia, que mostram o homem e a mulher criados livres, dotados de livre-arbítrio, e responsáveis por suas ações. Esse é o posicionamento da Igreja Católica.

E há o sistema que nega o livre-arbítrio e constrói toda a sua teologia em cima dessa negação, aceitando todas as demais premissas da revelação que relacionam-se com esse tema, exceto o próprio livre-arbítrio. Esse sistema nasceu principalmente por causa da doutrina dos reformadores protestantes, em especial pelo trabalho de João Calvino, por isso conhecido como Calvinismo.

Desse modo, essa teologia precisa explicar inúmeras passagens da Bíblia, que naturalmente contradizem suas afirmações, e, precisa também, tentar harmonizá-las com seus princípios, que procuram a manter afastada doutrina do livre-arbítrio.

Tradicionalmente o calvinismo, também chamado de fé reformada, aceita que Adão possuía o livre-arbítrio. Ensina isso porque define o livre-arbítrio como capacidade de escolher igualmente opções contrárias. Adão podia comer do fruto da árvore da vida como também podia não comê-lo, com a mesma facilidade. Tudo estava em seu poder de escolha. Mas, antes disso, afirma a mesma teologia, estava determinado, no decreto divino, que Adão comeria do fruto da árvore, pecaria, e perderia a graça.

Dessa forma, Adão agiu livremente, mas sem saber estava obedecendo ao decreto divino que determinava que ele comesse do fruto da árvore da vida e fosse causa de perdição para toda a sua descendência.

No entanto, essa explicação não está na Bíblia, nem amolda-se no contexto do Gênesis que revela a criação do mundo. Por isso, o pecado original não estava determinado.

Por isso, antes de pensar em determinação de todos os eventos, Deus criou o mundo e suas criaturas livres sabendo como se comportariam, e incluiu isso no decreto de salvação. Isso quer dizer que Deus viu o pecado de Adão, e não que o determinou. Não que dizer que quis o pecado, nem que determinou que o mesmo ocorresse, nem que viu algo que fugia do Seu controle, como vindo de outra fonte que não o Seu próprio poder e criação, mas que pela criação de criaturas livres, sabia como agiriam, livres como são, e quis assim decretar, levando em conta o livre-arbítrio.

Dessa forma, Adão agiu livremente sem que fosse determinado por isso, e Deus sabia da resposta de Adão, e já havia previsto isso no seu decreto eterno.

Por isso, Adão não perdeu o livre-arbítrio quando pecou. Ele não perdeu a capacidade de fazer escolhas livres. Perdeu a justiça e santidade originais, perdeu aquela neutralidade nas escolhas, perdeu a santidade e ficou sujeito ou pecado, à concupiscência. O livre-arbítrio não é neutralidade nas escolhas, mas a própria capacidade de escolher, sem coerção, de forma livre, por meio de motivos.

Assim, após a queda, o homem continua a poder escolher, mas poderá escolher a salvação somente quando for capacidade para isso pelo auxílio da graça de Deus.

Gledson Meireles.