Jesus
é o príncipe da paz. Mas, Jesus disse que veio trazer a espada e colocar filho
contra mãe e nora contra sogra (Mt 10, 35). Esse texto é usado como argumento
contra o Cristianismo. O que subjaz pro trás do argumento? Ele afirma que por
essas passagens a Bíblia, e Jesus mesmo, ensina a desunião e a rivalidade, por
exemplo. Ou seja, o ensino bíblico é que Jesus traz a guerra, e sua doutrina é
para desunir as pessoas. Bela interpretação.
Mas,
se não é assim a Bíblia estaria se contradizendo, e Jesus mesmo não saberia o
que estava ensinando. Então, apenas os que não creem na Bíblia estariam com a
interpretação certa. Portanto, quem lê a Bíblia deveria ter ciência de que o
papel de Jesus é trazer a guerra à humanidade, ou já do início perceber que
Jesus ensina a paz e a guerra ao mesmo tempo, pois do contrário não estaria
entendendo a Bíblia.
Já
se vê a pouca força desse argumento.
Em
Lucas 14, 26 o ensinamento seria para odiar
pai, mãe, mulher, filhos, irmãos e a própria vida. Esse seria o ensinamento
claro da Bíblia. Mesmo os cristãos que entendem o grego, os falantes nativos do
grego, antigo e atual, não entenderam que Jesus ensina o ódio e não o amor
nessa passagem.
Por
essa passagem seria impossível entender o contrário, e deveria haver uma explicação
melhor. Se não, há contradição no ensino bíblico, porque o ensino nesse
contexto é para odiar a todos mesmo. O verdadeiro discípulo estaria cheio de
ódio. Quem não entendeu assim ao ler a Bíblia não estaria interpretando bem, pois
os que não creem na Bíblia entendem assim, e o texto não teria nenhuma outra
interpretação.
Outro
argumento evidentemente falso.
E
sobre o livre-arbítrio dizem que, por exemplo, numa agressão o livre-arbítrio
do agressor seria respeitado enquanto não o seria o da vítima. Isso supõe que
Deus poderia livrar a todos de todas as misérias e defenderia de tudo e
qualquer mal a toda a humanidade, defendendo a vítima da agressão, respeitando imediatamente
a liberdade do mais fraco e indefeso, evitando que qualquer atrocidade fosse
cometida. Nesse caso não haveria livre-arbítrio como conhecemos e Deus estaria
a todo momento agindo nas ações humanas, e assim deveria ser.
Caso
contrário, não haveria Deus, pois o mal explicado sem Deus, ainda que
transpareça toda injustiça e nenhuma esperança de justiça futura, seria melhor
que aceitar a existência de Deus, porque o mal em si não poderia existir no
mundo criado por Deus e ponto. Esse é o fundamento do argumento ateísta.
Se
Deus não evita o mal que poderia evitar seja injusto. Se admoesta que punirá
todo pecador impenitente não resolveria o problema dos males e pecados práticos,
porque já teriam sido feitos. Se o pecador se arrepende e recebe o perdão os
males ficariam impunes, o que seria injusto.
Mas
no mundo sem Deus os males impunes são aceitos pelos ateus, como de acordo com
a cosmovisão ateísta, onde não há possiblidade de remediar essa realidade. Ao
mesmo tempo essa realidade é transformada em argumento porque não se admite que
Deus pudesse criar essa realidade que os mesmos defensores do ateísmo aceitam
como natural e compreensível, desde que Deus não exista.
É
interessante e bastante primário.
Sã
esses argumentos que os que não creem em Deus guardam em sua consciência e se
mostram satisfeitos com eles.
Nenhum comentário:
Postar um comentário