sexta-feira, 29 de maio de 2026

Para pensar em alguns argumentos ateus

 

Jesus é o príncipe da paz. Mas, Jesus disse que veio trazer a espada e colocar filho contra mãe e nora contra sogra (Mt 10, 35). Esse texto é usado como argumento contra o Cristianismo. O que subjaz pro trás do argumento? Ele afirma que por essas passagens a Bíblia, e Jesus mesmo, ensina a desunião e a rivalidade, por exemplo. Ou seja, o ensino bíblico é que Jesus traz a guerra, e sua doutrina é para desunir as pessoas. Bela interpretação.

Mas, se não é assim a Bíblia estaria se contradizendo, e Jesus mesmo não saberia o que estava ensinando. Então, apenas os que não creem na Bíblia estariam com a interpretação certa. Portanto, quem lê a Bíblia deveria ter ciência de que o papel de Jesus é trazer a guerra à humanidade, ou já do início perceber que Jesus ensina a paz e a guerra ao mesmo tempo, pois do contrário não estaria entendendo a Bíblia.

Já se vê a pouca força desse argumento.

 

Em Lucas 14, 26 o ensinamento seria para odiar pai, mãe, mulher, filhos, irmãos e a própria vida. Esse seria o ensinamento claro da Bíblia. Mesmo os cristãos que entendem o grego, os falantes nativos do grego, antigo e atual, não entenderam que Jesus ensina o ódio e não o amor nessa passagem.

Por essa passagem seria impossível entender o contrário, e deveria haver uma explicação melhor. Se não, há contradição no ensino bíblico, porque o ensino nesse contexto é para odiar a todos mesmo. O verdadeiro discípulo estaria cheio de ódio. Quem não entendeu assim ao ler a Bíblia não estaria interpretando bem, pois os que não creem na Bíblia entendem assim, e o texto não teria nenhuma outra interpretação.

Outro argumento evidentemente falso.

 

E sobre o livre-arbítrio dizem que, por exemplo, numa agressão o livre-arbítrio do agressor seria respeitado enquanto não o seria o da vítima. Isso supõe que Deus poderia livrar a todos de todas as misérias e defenderia de tudo e qualquer mal a toda a humanidade, defendendo a vítima da agressão, respeitando imediatamente a liberdade do mais fraco e indefeso, evitando que qualquer atrocidade fosse cometida. Nesse caso não haveria livre-arbítrio como conhecemos e Deus estaria a todo momento agindo nas ações humanas, e assim deveria ser.

Caso contrário, não haveria Deus, pois o mal explicado sem Deus, ainda que transpareça toda injustiça e nenhuma esperança de justiça futura, seria melhor que aceitar a existência de Deus, porque o mal em si não poderia existir no mundo criado por Deus e ponto. Esse é o fundamento do argumento ateísta.

Se Deus não evita o mal que poderia evitar seja injusto. Se admoesta que punirá todo pecador impenitente não resolveria o problema dos males e pecados práticos, porque já teriam sido feitos. Se o pecador se arrepende e recebe o perdão os males ficariam impunes, o que seria injusto.

Mas no mundo sem Deus os males impunes são aceitos pelos ateus, como de acordo com a cosmovisão ateísta, onde não há possiblidade de remediar essa realidade. Ao mesmo tempo essa realidade é transformada em argumento porque não se admite que Deus pudesse criar essa realidade que os mesmos defensores do ateísmo aceitam como natural e compreensível, desde que Deus não exista.

É interessante e bastante primário.

Sã esses argumentos que os que não creem em Deus guardam em sua consciência e se mostram satisfeitos com eles.

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