segunda-feira, 4 de maio de 2026

LIVRO: TIMM, Alberto R. O Sábado na Bíblia. A hermenêutica e os métodos de interpretação

Comentário: Princípios de interpretação bíblica

Para Alberto Timm, uma das razões para a observância do sábado do sétimo dia da semana e que em Gênesis 2, 2-3, Deus descansou nesse dia, o santificou e abençoou.

A partir disso, o autor afirma que os debates relacionados à guarda do sábado ou do domingo são em grande parte de natureza hermenêutica, nutridos por métodos de interpretação e tendenciosos filtros pessoas que condicionam o entendimento da doutrina bíblica.

Comentário: Métodos de Interpretação Bíblica

O autor afirma que os “intérpretes cristãos comprometidos com a filosofia grega” começaram a interpretar a Bíblia de forma alegórica, tornando o método predominante na Idade Média.

Com isso, refere-se em nota à obra de São Justino, Diálogo com Trifão, I Apologia, 67, onde o mesmo trata da guarda do domingo.

O texto de São Justino afirma o seguinte sobre esse ponto específico: “Celebramos essa reunião geral no dia do sol, porque foi o primeiro dia em que Deus, transformando as trevas e a matéria, fez o mundo, também o dia em que Jesus Cristo, nosso Salvador, ressuscitou dos mortos.

Nessa passagem, São Justino está apresentado a fé cristã ao imperador pagão, e por isso usa linguagem familiar ao mesmo, chamando o domingo de “dia do Sol”, assim adiante se refere ao sábado como dia de saturno.

Não está fazendo uma alegoria, mas mostrando o motivo dos cristãos observarem o domingo, o primeiro dia da semana. Uma das razões apresentada refere-se à criação. Trata-se do dia da criação da luz. Esse motivo é associado à ressurreição de Cristo. Com base nessa conexão entre a criação da luz e a ressurreição do Senhor, tem-se que o Senhor é a luz da nova e eterna aliança.

Isso não destitui o sábado do seu significado. Ao mesmo tempo, situa o cristão para a compreensão do domingo. É a teologia fundamental para a observância do sábado dominical.

Esse fato já aparece por volta do ano 155 d. C. e não traz sinais de que seja novo, mas expressa a compreensão cristã oficial da Igreja. Os cristãos observavam o primeiro dia da semana pelos motivos citados. Com certeza, São Justino utilizou a denominação dia do sol para apresentar o verdadeiro Sol que é Jesus, e não porque estava fundamentando a teologia cristã no costume pagão. O imperador, por meio dessa apresentação, vislumbrava Jesus Cristo.

São Justino não desenvolve toda a teologia do domingo, mas apenas mostra o motivo da sua observância, que é em última análise a ressureição de Jesus Cristo. Com isso, não há nenhum vestígio de destituição do significado do sábado.

O autor apresenta o alegorismo, o método crítico-histórico, o dispensacionalismo e o leitor como referencial de interpretação considerados nocivos para a compreensão a Bíblia.

O estudo sobre o sábado e o domingo, feito aqui, é fundamentado na Bíblia, em seus dois sentidos, o literal e o espiritual. Todo sentido é baseado no literal, e o espiritual deve acompanhá-lo, para que compreendamos a Lei com o coração circuncidado, entendendo o espírito da lei (cf. Rm 2, 29).

Os outros sentidos estão contidos no espiritual, que são o alegórico, moral e anagógico. No sentido alegórico os fatos são entendidos mais profundamente em Cristo. Portanto, trata-se de uma interpretação plenamente legítima da Sagrada Escritura.

Gledson Meireles.

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