Estudo do capítulo 1 do livro:
Do Sábado para o Domingo: a mudança
indevida do dia de adoração
do escritor adventista do sétimo dia Carlyle B. Haynes.
1
Comentário: A mudança da observância do
sábado
Já
nos dias dos apóstolos foi instituída a observância do domingo. O sábado antigo
era também guardado com zelo e amor pelos antigos judeus que abraçaram a fé em
Cristo. Em nenhum momento houve uma contraposição radical entre sábado e
domingo, nessa circunstância dos primeiro dias, embora os cristãos observassem
as práticas próprias do evangelho no primeiro dia da semana e não mais no
sábado.
Dessa
forma, não foi após o tempo apostólico que o domingo começou a ser guardado,
mas foi instituição seguida pelos próprios apóstolos e primeiros cristãos.
“No primeiro dia que se seguia ao
sábado, Maria Madalena foi ao sepulcro, de manhã cedo, quando ainda estava
escuro. Viu a pedra removida do sepulcro” (João 20, 1).
“Na tarde do mesmo dia, que era o
primeiro da semana, os discípulos tinham fechado as portas do lugar onde se
achavam, por medo dos judeus. Jesus veio e pôs-se no meio deles. Disse-lhes
eles: “A paz esteja convosco!” (João 20,19).
“Oito dias depois estavam os seus
discípulos outra vez no mesmo lugar e Tomé com eles. Estando trancadas as
portas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco!” (João
20, 26).
“Chegando o dia de Pentecostes,
estavam todos reunidos no mesmo lugar” (Atos 2, 1).
Desde
o dia da ressurreição os textos sagrados dos evangelhos indicam os discípulos
reunidos. Jesus aparece a eles. Na primeira semana, a passagem indica que os
apóstolos reuniram-se de novo no segundo domingo, quando São Tomé viu Jesus.
Esse
fato é importante, pois sugere uma reunião dominical no dia da ressurreição, e
oito dias depois, no mesmo lugar,
inferindo que, ainda que os discípulos tenham repousado no sábado, conforme o
costume judaico, estavam nas sinagogas com os demais judeus que não criam no
evangelho. Somente no domingo, Cristo veio até eles em sua assembleia cristã.
Naquela
primeira semana não haviam se reunido entre a segunda e a sexta-feira, mas o
fizeram o primeiro dia, quando Jesus apareceu a Tomé, pois no primeiro domingo
esse discípulo, ainda duvidando da ressurreição, não estava presente: “Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não
estava com eles quando veio Jesus” (João 20, 24).
Essas
passagens mostram o costume cristão de reunir-se para celebrar a fé em Cristo
no primeiro dia da semana, e a confirmação de Jesus ao aparecer nessas primeiras
reuniões. Se no primeiro sábado após a ressurreição de Cristo os discípulos
estavam temerosos, é certo que não foram à sinagoga, embora possam ter
observado o descanso sábado em outro lugar.
Certamente,
já cheios de fé, os discípulos, ainda com exceção de Tomé, almejavam que os
demais irmãos judeus e prosélitos ouvissem o evangelho. Mas, não é certo que
pregassem nas sinagogas nesses primeiros dias, pois temiam a reação dos judeus.
Não se sabe onde passaram o primeiro sábado.
Assim,
é forte a passagem da Escritura que revela a aparição de Jesus desde o primeiro
domingo, dia em que os apóstolos estavam todos reunidos. Eles não se reuniram
em outros dias, e o Senhor não escolheu os outros dias para ir até eles. Essas
passagens, então, sugerem a observância dominical pelos apóstolos.
Contudo,
veremos o que os discípulos pensavam a respeito do mandamento do sábado em
Êxodo 20, 8-11: Lembra-te do dia de
sábado, para o santificar (...). Não há expressamente uma ordem de Cristo
para que os mesmos não observassem mais o sétimo dia. Ao mesmo tempo, a prática
cristã evidentemente mostra a observância do domingo, com a presença de Jesus
Cristo ressuscitado entre eles.
Por
isso, o sábado do sétimo dia não é renovado no Novo Testamento, não havendo
passagem onde os cristãos se reúnam nesse dia para fins litúrgicos. A ordem
para a guarda do sábado no sétimo dia, dada no Antigo Testamento, não foi
continuada no Novo Testamento. Os primeiros cristãos observavam o domingo.
É
certamente claro que passando os dias depois de Pentecostes, e vencido o medo
que tinham, os cristãos voltaram a frequentar o Templo e a sinagoga, como
judeus cristãos devotos: “Pedro e João
iam subindo ao templo para rezar à hora nona” (Atos 3, 1). Muitos desses
costumes permanecem na Igreja Católica, como essa oração das três da tarde, a
hora nona, na contagem dos judeus.
Então,
como no templo, os mesmos também voltaram às sinagogas, e ali começaram a
anunciar Jesus ressuscitado, o Messias, o único Salvador. Sem medo, São Pedro
disse a eles que é preciso obedecer a Deus antes que aos homens (cf. Atos 4).
Fizeram isso por um tempo, enquanto possível, até que a ruptura com a sinagoga
foi necessária, uma vez que muitos não aceitavam a fé cristã.
Por
essa razão, as igrejas apostólicas observavam o primeiro dia da semana, e
podiam conservar observâncias judaicas, como o sábado, as orações no templo, e
outras. No entanto, não há registros bíblicos de que o sétimo dia continuou a
ser o dia de descanso dos cristãos. E as razões teológicas serão delineadas
neste estudo, como também serão analisadas as informações de fundo histórico que
os adventistas apontam como responsável pela mudança da observância do sábado.
O
escritor adventista Carlyle se pôs a investigar a origem da observância do
sábado para provar que o mesmo não poderia ser substituído pelo domingo, pois
acredita que Deus deu razões para ordenar apenas o sétimo dia para observância
do descanso como exigido nos Dez Mandamentos.
Com
visto acima, nenhuma passagem mostra os cristãos ensinando a observância do sábado,
ao mesmo tempo em que há evidentes reuniões cristãs no domingo. Esse fato será
investigado no presente estudo, e as objeções de Carlyle Haynes serão
devidamente analisadas.
Comentário: A lei proferida e
escrita por Jeová
É
interessante que o nome de Deus usado pelos cristãos católicos é Javé ou Iavé,
e não Jeová. Pois bem. O argumento é que o sábado está entre os dez
mandamentos, a lei escrita pelo dedo de Deus, a lei perfeita. Assim, não
poderia ser mudada. Sendo o sábado um dos deveres do ser humano, não poderia
ser mudado.
No
entanto, é preciso entender que o sábado
(repouso) é um mandamento divino, e ainda que estando atrelado ao sétimo dia,
não é o dia sétimo que faz parte do mandamento, mas o repouso necessário no
período de sete dias, para adoração a Deus e descanso do ser humano. Dessa
forma, o sétimo dia foi abençoado porque nele Deus descansou (cf. Gn 2, 3).
Isso
sugere que após seis dias de trabalho deve-se descansar por um dia, pois na lei
eterna não há o dia fixo para essa observância, pois não é possível conhecer
tal dia pela lei natural inscrita por Deus no coração do ser humano. O sábado como
descanso é, portanto, moral, e é cerimonial quanto ao dia em que é observado.
Comentário: Cristo não mudou a lei
Cristo
cumpriu a Lei e a levou à perfeição (cf. Mt 5, 17). O que é moral na Lei
permanece para sempre, sendo cumprido e não mais necessário o que é cerimonial.
Assim, a lei grande e magnífica (cf.
Is 42, 21) é a do evangelho, a Lei da liberdade. O sábado (repouso) foi aperfeiçoado por Jesus, por deve servir ao homem.
Portanto, há uma mudança em relação a essa lei, como indicado acima.
Cristo
não mudou a lei em sua acepção moral, e por isso os cristãos devem observar o sábado (descanso). E o fazem. No
entanto, os cristãos descansam e celebram a liturgia cristã especialmente no
domingo. A parte moral do sábado permanece.
Quando
São Paulo afirma que a lei é espiritual, santa, justa e boa, e essa lei contem
o sábado (cf. Rm 7, 12.14), isso não implica que nenhuma mudança tenha ocorrido
em questões cerimoniais. Assim, da mesma forma, ele afirma que a circuncisão é
proveitosa em todos os sentidos (Rm 3, 1), embora não deva ser mais praticada
(cf. Gl 5, 1-2).
Quando
se cumprem os Dez Mandamentos, o repouso sabático é observado no primeiro dia
da semana, após seis dias de trabalho, embora muitas vezes o sábado também seja
tomado como descanso semanal. Esse costume tem sua origem na fé bíblica judaica
e cristã.
Comentário: A lei permanece em
vigor
O
autor adventista afirma ser estranho que o preceito do sábado tenha sido
mudado, por não entender essa distinção feita acima. Ele afirma: “Essa lei requer a observância do sétimo dia
da semana”. Mas não é um mandamento bíblico no Novo Testamento para que o
sétimo dia seja preservado para o descanso semanal. O que se nota é que a
Igreja sempre reuniu-se no primeiro dia, desde o domingo de Páscoa.
Por
que a Igreja celebra o domingo especialmente e não o sábado? Por que a maioria
das denominações aceita o domingo como dia de culto? A resposta é que o domingo
é o dia da ressurreição, a nova criação, e aponta para o sábado futuro no reino (cf. Hb 4), enquanto o sábado da primeira
criação foi uma sombra que durou até o repouso de Cristo no sepulcro. A Luz de
Cristo ressuscitado brilhou no primeiro dia da semana. E é evidente que o
sábado não mais foi obrigatório aos cristãos no NT. Por essa razão, mesmo
igrejas que creem somente no Sola
Scriptura observam, de algum modo, o domingo e não o sábado.
Por
sua vez, os adventistas do sétimo dia apegaram-se às passagens do Antigo
Testamento sobre a Lei eterna de Deus, contendo o sábado, como se o dia não pudesse ser mudado. Pelo exposto
anteriormente, já se viu que o sábado moral é o descanso e não o dia em si. E,
também, o dia em que os cristãos se reuniram desde a ressurreição de Jesus é o
primeiro dia da semana. Esse fato será importante para compreender a verdade bíblica
sobre a observância dominical.
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