sábado, 16 de maio de 2026

LIVRO: Do Sábado para o Domingo, de Carlyle B. Haynes, capítulo 1

Estudo do capítulo 1 do livro:

Do Sábado para o Domingo: a mudança indevida do dia de adoração

do escritor adventista do sétimo dia Carlyle B. Haynes.

1

Comentário: A mudança da observância do sábado

 

Já nos dias dos apóstolos foi instituída a observância do domingo. O sábado antigo era também guardado com zelo e amor pelos antigos judeus que abraçaram a fé em Cristo. Em nenhum momento houve uma contraposição radical entre sábado e domingo, nessa circunstância dos primeiro dias, embora os cristãos observassem as práticas próprias do evangelho no primeiro dia da semana e não mais no sábado.

Dessa forma, não foi após o tempo apostólico que o domingo começou a ser guardado, mas foi instituição seguida pelos próprios apóstolos e primeiros cristãos.

“No primeiro dia que se seguia ao sábado, Maria Madalena foi ao sepulcro, de manhã cedo, quando ainda estava escuro. Viu a pedra removida do sepulcro” (João 20, 1).

“Na tarde do mesmo dia, que era o primeiro da semana, os discípulos tinham fechado as portas do lugar onde se achavam, por medo dos judeus. Jesus veio e pôs-se no meio deles. Disse-lhes eles: “A paz esteja convosco!” (João 20,19).

“Oito dias depois estavam os seus discípulos outra vez no mesmo lugar e Tomé com eles. Estando trancadas as portas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco!” (João 20, 26).

“Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar” (Atos 2, 1).

Desde o dia da ressurreição os textos sagrados dos evangelhos indicam os discípulos reunidos. Jesus aparece a eles. Na primeira semana, a passagem indica que os apóstolos reuniram-se de novo no segundo domingo, quando São Tomé viu Jesus.

Esse fato é importante, pois sugere uma reunião dominical no dia da ressurreição, e oito dias depois, no mesmo lugar, inferindo que, ainda que os discípulos tenham repousado no sábado, conforme o costume judaico, estavam nas sinagogas com os demais judeus que não criam no evangelho. Somente no domingo, Cristo veio até eles em sua assembleia cristã.

Naquela primeira semana não haviam se reunido entre a segunda e a sexta-feira, mas o fizeram o primeiro dia, quando Jesus apareceu a Tomé, pois no primeiro domingo esse discípulo, ainda duvidando da ressurreição, não estava presente: “Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus” (João 20, 24).

Essas passagens mostram o costume cristão de reunir-se para celebrar a fé em Cristo no primeiro dia da semana, e a confirmação de Jesus ao aparecer nessas primeiras reuniões. Se no primeiro sábado após a ressurreição de Cristo os discípulos estavam temerosos, é certo que não foram à sinagoga, embora possam ter observado o descanso sábado em outro lugar.

Certamente, já cheios de fé, os discípulos, ainda com exceção de Tomé, almejavam que os demais irmãos judeus e prosélitos ouvissem o evangelho. Mas, não é certo que pregassem nas sinagogas nesses primeiros dias, pois temiam a reação dos judeus. Não se sabe onde passaram o primeiro sábado.

Assim, é forte a passagem da Escritura que revela a aparição de Jesus desde o primeiro domingo, dia em que os apóstolos estavam todos reunidos. Eles não se reuniram em outros dias, e o Senhor não escolheu os outros dias para ir até eles. Essas passagens, então, sugerem a observância dominical pelos apóstolos.

Contudo, veremos o que os discípulos pensavam a respeito do mandamento do sábado em Êxodo 20, 8-11: Lembra-te do dia de sábado, para o santificar (...). Não há expressamente uma ordem de Cristo para que os mesmos não observassem mais o sétimo dia. Ao mesmo tempo, a prática cristã evidentemente mostra a observância do domingo, com a presença de Jesus Cristo ressuscitado entre eles.

Por isso, o sábado do sétimo dia não é renovado no Novo Testamento, não havendo passagem onde os cristãos se reúnam nesse dia para fins litúrgicos. A ordem para a guarda do sábado no sétimo dia, dada no Antigo Testamento, não foi continuada no Novo Testamento. Os primeiros cristãos observavam o domingo.

É certamente claro que passando os dias depois de Pentecostes, e vencido o medo que tinham, os cristãos voltaram a frequentar o Templo e a sinagoga, como judeus cristãos devotos: “Pedro e João iam subindo ao templo para rezar à hora nona” (Atos 3, 1). Muitos desses costumes permanecem na Igreja Católica, como essa oração das três da tarde, a hora nona, na contagem dos judeus.

Então, como no templo, os mesmos também voltaram às sinagogas, e ali começaram a anunciar Jesus ressuscitado, o Messias, o único Salvador. Sem medo, São Pedro disse a eles que é preciso obedecer a Deus antes que aos homens (cf. Atos 4). Fizeram isso por um tempo, enquanto possível, até que a ruptura com a sinagoga foi necessária, uma vez que muitos não aceitavam a fé cristã.

Por essa razão, as igrejas apostólicas observavam o primeiro dia da semana, e podiam conservar observâncias judaicas, como o sábado, as orações no templo, e outras. No entanto, não há registros bíblicos de que o sétimo dia continuou a ser o dia de descanso dos cristãos. E as razões teológicas serão delineadas neste estudo, como também serão analisadas as informações de fundo histórico que os adventistas apontam como responsável pela mudança da observância do sábado.

O escritor adventista Carlyle se pôs a investigar a origem da observância do sábado para provar que o mesmo não poderia ser substituído pelo domingo, pois acredita que Deus deu razões para ordenar apenas o sétimo dia para observância do descanso como exigido nos Dez Mandamentos.

Com visto acima, nenhuma passagem mostra os cristãos ensinando a observância do sábado, ao mesmo tempo em que há evidentes reuniões cristãs no domingo. Esse fato será investigado no presente estudo, e as objeções de Carlyle Haynes serão devidamente analisadas.

Comentário: A lei proferida e escrita por Jeová

É interessante que o nome de Deus usado pelos cristãos católicos é Javé ou Iavé, e não Jeová. Pois bem. O argumento é que o sábado está entre os dez mandamentos, a lei escrita pelo dedo de Deus, a lei perfeita. Assim, não poderia ser mudada. Sendo o sábado um dos deveres do ser humano, não poderia ser mudado.

No entanto, é preciso entender que o sábado (repouso) é um mandamento divino, e ainda que estando atrelado ao sétimo dia, não é o dia sétimo que faz parte do mandamento, mas o repouso necessário no período de sete dias, para adoração a Deus e descanso do ser humano. Dessa forma, o sétimo dia foi abençoado porque nele Deus descansou (cf. Gn 2, 3).

Isso sugere que após seis dias de trabalho deve-se descansar por um dia, pois na lei eterna não há o dia fixo para essa observância, pois não é possível conhecer tal dia pela lei natural inscrita por Deus no coração do ser humano. O sábado como descanso é, portanto, moral, e é cerimonial quanto ao dia em que é observado.

 

Comentário: Cristo não mudou a lei

Cristo cumpriu a Lei e a levou à perfeição (cf. Mt 5, 17). O que é moral na Lei permanece para sempre, sendo cumprido e não mais necessário o que é cerimonial. Assim, a lei grande e magnífica (cf. Is 42, 21) é a do evangelho, a Lei da liberdade. O sábado (repouso) foi aperfeiçoado por Jesus, por deve servir ao homem. Portanto, há uma mudança em relação a essa lei, como indicado acima.

Cristo não mudou a lei em sua acepção moral, e por isso os cristãos devem observar o sábado (descanso). E o fazem. No entanto, os cristãos descansam e celebram a liturgia cristã especialmente no domingo. A parte moral do sábado permanece.

Quando São Paulo afirma que a lei é espiritual, santa, justa e boa, e essa lei contem o sábado (cf. Rm 7, 12.14), isso não implica que nenhuma mudança tenha ocorrido em questões cerimoniais. Assim, da mesma forma, ele afirma que a circuncisão é proveitosa em todos os sentidos (Rm 3, 1), embora não deva ser mais praticada (cf. Gl 5, 1-2).

Quando se cumprem os Dez Mandamentos, o repouso sabático é observado no primeiro dia da semana, após seis dias de trabalho, embora muitas vezes o sábado também seja tomado como descanso semanal. Esse costume tem sua origem na fé bíblica judaica e cristã.

Comentário: A lei permanece em vigor

O autor adventista afirma ser estranho que o preceito do sábado tenha sido mudado, por não entender essa distinção feita acima. Ele afirma: “Essa lei requer a observância do sétimo dia da semana”. Mas não é um mandamento bíblico no Novo Testamento para que o sétimo dia seja preservado para o descanso semanal. O que se nota é que a Igreja sempre reuniu-se no primeiro dia, desde o domingo de Páscoa.

Por que a Igreja celebra o domingo especialmente e não o sábado? Por que a maioria das denominações aceita o domingo como dia de culto? A resposta é que o domingo é o dia da ressurreição, a nova criação, e aponta para o sábado futuro no reino (cf. Hb 4), enquanto o sábado da primeira criação foi uma sombra que durou até o repouso de Cristo no sepulcro. A Luz de Cristo ressuscitado brilhou no primeiro dia da semana. E é evidente que o sábado não mais foi obrigatório aos cristãos no NT. Por essa razão, mesmo igrejas que creem somente no Sola Scriptura observam, de algum modo, o domingo e não o sábado.

Por sua vez, os adventistas do sétimo dia apegaram-se às passagens do Antigo Testamento sobre a Lei eterna de Deus, contendo o sábado, como se o dia não pudesse ser mudado. Pelo exposto anteriormente, já se viu que o sábado moral é o descanso e não o dia em si. E, também, o dia em que os cristãos se reuniram desde a ressurreição de Jesus é o primeiro dia da semana. Esse fato será importante para compreender a verdade bíblica sobre a observância dominical.

 

Gledson Meireles.

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