O adventismo do sétimo dia advoga que Isaías 56, 1-8 e 58, 13-14 são textos que tratam da universalidade do sábado e da sua abrangência na vida humana (Timm, 2023). Além disso, o texto de Isaías 66, 22-23 reconheceria a perpetuidade do sábado. Dessa forma, o profeta Isaías teria apresentado a tríplice aplicação do sábado, que se destina a Israel, a toda a humanidade e aos remidos na eternidade, nos novos céus e na nova terra.
Essa é a mesma opinião
de Charlyle B. Raynes, no livro Do Sábado para o Domingo, que afirma que o
sábado será observados pelos salvos, com base no texto de Isaías 66, 23.
Assim, os que forem
leais a Deus nos últimos dias antes da vinda de Cristo seriam observadores do
sábado do sétimo dia. Essa leitura de Isaías 56, 1 mostraria a guarda do sábado
nos últimos dias. Para entender bem essa questão, vejamos o que a Bíblia
afirma.
O profeta Isaías é considerado
o profeta messiânico, e falando dos dias de Cristo revelou muitos cumprimentos proféticos.
Esses cumprimentos são espirituais na era messiânica.
Dessa forma, Is 56, 7
afirma: “eu os conduzirei ao meu monte
santo e os cumularei de alegria na minha casa de oração; seus holocaustos e
sacrifícios serão aceitos sobre meu altar, pois minha casa se chamará casa de
oração para todos os povos”.
Nosso Senhor Jesus
Cristo cumpriu essa palavra em Mateus 21, 13, quando a citou: Minha casa é uma casa de oração. Ele Se
referia ao Templo, que havia se tornado lugar de comércio, e expulsou os
vendilhões com seu zelo e autoridade santa.
Do mesmo modo, em
Isaías 56, 6 está escrito: “Quanto aos
estrangeiros que desejam unir-se ao Senhor, para servi-lo e amar seu nome, para
serem seus servos, e se observarem o sábado sem profana-lo, e se afeiçoarem à
minha aliança”.
O versículo 6 menciona
o sábado na profecia que se refere aos tempos do Messias, e o verso 7, como
mostrado por Jesus, referiu-se ao tempo, a
casa de oração do Senhor.
No entanto, sabemos que
Jesus em João 2, 19.21 afirmou que o Templo é o Seu próprio corpo, e disse à
mulher samaritana que vem a hora em
que os adoradores verdadeiros adoração a Deus em espírito e em verdade, não
mais necessitando do templo de Jerusalém.
Assim, entende-se que o
zelo pelo templo é o ensino espiritual de Jesus que não inclui o templo literal
como duradouro na era messiânica, no templo da Igreja, como se fosse
obrigatório aos cristãos frequentar o templo em Jerusalém.
Também, em Isaías 58,
1-12 o profeta trata do jejum, mostrando o verdadeiro sentido do jejum, algo
que foi aperfeiçoado por Jesus no Sermão da Montanha (cf. Mateus 6, 16-18). Não
é mais costume cristão deitar sobre o saco e a cinza no jejum, como em Is 58,
5.
Então, o sábado em Is
58, 13-14, e em 66, 22-23, está em contexto de sua realização espiritual no
cumprimento da Lei realizado por Cristo. Desse modo, assim como a lua nova não
é mais observada no Novo Testamento, o sábado igualmente é mencionado sem ter
sua permanência literal pressuposta:
“E
assim, cada mês, à lua nova, e cada semana, aos sábados, todos virão prostrar-se
diante de mim, diz o Senhor” (Is 66, 23).
Caso se tratasse de
cumprimento literal, essas palavras estabeleceriam a diferença entre judeus e
gentios, e ensinaria a continuidade do serviço do templo, como sacrifícios,
luas novas e sábados.
Assim, quando trata dos
eunucos e estrangeiros reunidos no povo de Deus, são mencionados o sábado, a
casa de oração, ou seja, o templo, e o atar com os holocaustos e sacrifícios
(cf. Is 56, 6-7). Da mesma forma, na profecia que remete aos novos céus e nova
terra são citados a lua nova e o sábado.
Com isso, está provado
que o Senhor Jesus tratou dessas passagens realidades levando-as ao cumprimento
espiritual, pois doutro modo estaria estabelecida no Novo Testamento a
perpetuidade do templo com o altar de holocaustos e sacrifícios, assim como o
sábado. No entanto, pelo Evangelho é evidente que nenhuma dessas realidades
está em vigor depois que o véu do templo foi rasgado.
Sendo assim, a interpretação
adventista do sétimo dia, que tem a menção do sábado no contexto profético dos
tempos da Igreja e da eternidade como prova de que o mesmo continua imutável
não tem o respaldo bíblico, pois todas as realidades citadas foram levadas à
perfeição pelo Senhor, sendo o templo, o sábado, o jejum, os sacrifícios, os
holocaustos, as luas novas. Nada disso permaneceu como antes, mas forma
cumpridos em Cristo.
Portanto, a Igreja em toda parte, com as construções de igrejas, substitui o Templo, que estava em um único lugar. O jejum foi levado à perfeição, como está na profecia de Isaías 58, assim como o sábado. E os holocaustos e sacrifícios chegaram ao fim no sacrifício de Cristo na cruz. Dessa forma, a interpretação da IASD não está de acordo com a totalidade da Escritura. Nenhuma dessas passagens indicaram que o sábado do sétimo dia deveria continuar, assim como não continuaram os demais elementos indicados acima.
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