sexta-feira, 8 de maio de 2026

Como entender o sábado na era cristã e na eternidade? Permaneceu imutável no sétimo dia?

O adventismo do sétimo dia advoga que Isaías 56, 1-8 e 58, 13-14 são textos que tratam da universalidade do sábado e da sua abrangência na vida humana (Timm, 2023). Além disso, o texto de Isaías 66, 22-23 reconheceria a perpetuidade do sábado. Dessa forma, o profeta Isaías teria apresentado a tríplice aplicação do sábado, que se destina a Israel, a toda a humanidade e aos remidos na eternidade, nos novos céus e na nova terra.

Essa é a mesma opinião de Charlyle B. Raynes, no livro Do Sábado para o Domingo, que afirma que o sábado será observados pelos salvos, com base no texto de Isaías 66, 23.

Assim, os que forem leais a Deus nos últimos dias antes da vinda de Cristo seriam observadores do sábado do sétimo dia. Essa leitura de Isaías 56, 1 mostraria a guarda do sábado nos últimos dias. Para entender bem essa questão, vejamos o que a Bíblia afirma.

O profeta Isaías é considerado o profeta messiânico, e falando dos dias de Cristo revelou muitos cumprimentos proféticos. Esses cumprimentos são espirituais na era messiânica.

Dessa forma, Is 56, 7 afirma: “eu os conduzirei ao meu monte santo e os cumularei de alegria na minha casa de oração; seus holocaustos e sacrifícios serão aceitos sobre meu altar, pois minha casa se chamará casa de oração para todos os povos”.

Nosso Senhor Jesus Cristo cumpriu essa palavra em Mateus 21, 13, quando a citou: Minha casa é uma casa de oração. Ele Se referia ao Templo, que havia se tornado lugar de comércio, e expulsou os vendilhões com seu zelo e autoridade santa.

Do mesmo modo, em Isaías 56, 6 está escrito: “Quanto aos estrangeiros que desejam unir-se ao Senhor, para servi-lo e amar seu nome, para serem seus servos, e se observarem o sábado sem profana-lo, e se afeiçoarem à minha aliança”.

O versículo 6 menciona o sábado na profecia que se refere aos tempos do Messias, e o verso 7, como mostrado por Jesus, referiu-se ao tempo, a casa de oração do Senhor.

No entanto, sabemos que Jesus em João 2, 19.21 afirmou que o Templo é o Seu próprio corpo, e disse à mulher samaritana que vem a hora em que os adoradores verdadeiros adoração a Deus em espírito e em verdade, não mais necessitando do templo de Jerusalém.

Assim, entende-se que o zelo pelo templo é o ensino espiritual de Jesus que não inclui o templo literal como duradouro na era messiânica, no templo da Igreja, como se fosse obrigatório aos cristãos frequentar o templo em Jerusalém.

Também, em Isaías 58, 1-12 o profeta trata do jejum, mostrando o verdadeiro sentido do jejum, algo que foi aperfeiçoado por Jesus no Sermão da Montanha (cf. Mateus 6, 16-18). Não é mais costume cristão deitar sobre o saco e a cinza no jejum, como em Is 58, 5.

Então, o sábado em Is 58, 13-14, e em 66, 22-23, está em contexto de sua realização espiritual no cumprimento da Lei realizado por Cristo. Desse modo, assim como a lua nova não é mais observada no Novo Testamento, o sábado igualmente é mencionado sem ter sua permanência literal pressuposta:

“E assim, cada mês, à lua nova, e cada semana, aos sábados, todos virão prostrar-se diante de mim, diz o Senhor” (Is 66, 23).

Caso se tratasse de cumprimento literal, essas palavras estabeleceriam a diferença entre judeus e gentios, e ensinaria a continuidade do serviço do templo, como sacrifícios, luas novas e sábados.

Assim, quando trata dos eunucos e estrangeiros reunidos no povo de Deus, são mencionados o sábado, a casa de oração, ou seja, o templo, e o atar com os holocaustos e sacrifícios (cf. Is 56, 6-7). Da mesma forma, na profecia que remete aos novos céus e nova terra são citados a lua nova e o sábado.

Com isso, está provado que o Senhor Jesus tratou dessas passagens realidades levando-as ao cumprimento espiritual, pois doutro modo estaria estabelecida no Novo Testamento a perpetuidade do templo com o altar de holocaustos e sacrifícios, assim como o sábado. No entanto, pelo Evangelho é evidente que nenhuma dessas realidades está em vigor depois que o véu do templo foi rasgado.

Sendo assim, a interpretação adventista do sétimo dia, que tem a menção do sábado no contexto profético dos tempos da Igreja e da eternidade como prova de que o mesmo continua imutável não tem o respaldo bíblico, pois todas as realidades citadas foram levadas à perfeição pelo Senhor, sendo o templo, o sábado, o jejum, os sacrifícios, os holocaustos, as luas novas. Nada disso permaneceu como antes, mas forma cumpridos em Cristo.

Portanto, a Igreja em toda parte, com as construções de igrejas, substitui o Templo, que estava em um único lugar. O jejum foi levado à perfeição, como está na profecia de Isaías 58, assim como o sábado. E os holocaustos e sacrifícios chegaram ao fim no sacrifício de Cristo na cruz. Dessa forma, a interpretação da IASD não está de acordo com a totalidade da Escritura. Nenhuma dessas passagens indicaram que o sábado do sétimo dia deveria continuar, assim como não continuaram os demais elementos indicados acima.

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