domingo, 22 de novembro de 2015

Sobre um artigo a respeito do milenarismo

O apologista Lucas Banzoli, escreve um blog contra as doutrinas cristãs católicas, as quais considera heresias. O último publicado até o momento é o artigo O milenarismo dos Primeiros Pais da Igreja onde afirma haver, de forma evidente, para “qualquer um que estude com atenção os escritos destes primeiros Pais”, o “consenso unânime pelo pré-milenismo.” (ênfase no artigo original)

Começando pelo documento Didaquê (60-90), que fala da herança da terra aos santos, passando por Policarpo (69-155), que diz: “Aquele que o ressuscitou dos mortos também nos ressuscitará, se fizermos a sua vontade, se caminharmos em seus mandamentos,” (ênfase no artigo original), Santo Irineu (130-202), São Justino (100-165), Pápias (70-155), com a confirmação dessa realidade por São Jerônimo e Eusébio de Cesaréia, no século IV, o autor mostra o que encontrou em seu estudo.

Mas, como pede o seguinte favor: “Se alguém tiver um testemunho contrário que remeta a algum Pai da Igreja do século I ou II, por favor, me informe, para que eu possa incluir alguma coisa nos outros quadros. O resultado, até agora, é esmagador em favor do pré-milenismo.”, o que escrevi pode servir de ajuda. Ajuda essa não para apenas enriquecer o quadro com novas informações, mas para mudar essencialmente o que foi dito no artigo, se possível.

 O autor afirma ter estudado todos os primeiros padres da Igreja e não encontrado um único deles que não advogasse o milenarismo.

Após estudar todos os escritos dos primeiros Pais, não tive acesso a absolutamente nenhum que cresse em outra coisa que não o milenarismo, o que torna enormemente improvável que essa doutrina não tenha vindo dos apóstolos, a não ser que todos os primeiros Pais tivessem sido facilmente enganados por Papias (conforme a teoria fracassada de Eusébio), ou se entraram em conluio para corromper a doutrina apostólica (teoria igualmente fracassada).

Sendo assim, é pouco provável que eu inclua alguma novidade para o autor aqui, embora eu acredito que posso fazer isso. O autor explica a razão da mudança da visão pré-milenista para o amilenismo do seguinte modo: “Um fenômeno que ocorreu progressivamente na medida em que os Pais da Igreja do início do terceiro século foram abandonando a doutrina da mortalidade natural e adotando o ponto de vista imortalista foi a substituição do pré-milenismo pelo amilenismo, e da eternidade na terra pela eternidade no Céu.” (fonte indicada no artigo)

Pois bem. Iniciando por São Justino, esse afirma que era de opinião de que haveria um reino milenar literal com a reconstrução de Jerusalém, mas que muitos cristãos de fé pura e piedosa não pensavam assim. Essa informação não o tira do grupo dos milenaristas, mas introduz uma informação essencialmente diferente, pois mostra que opinião diversa da que advogava era mantida por cristãos de correta doutrina.[1] Veja a afirmação: “muitos que pertencem à pura e piedosa fé, e são verdadeiros cristãos, pensam de outra forma”. Ou seja, muitos cristãos verdadeiros não criam no mileranismo, e não são rejeitados por São Justino, pois essa opinião pessoal dele não era percebida como de essência herética, nem a dos demais.

Dessa forma, São Justino não demonstra uma opinião robusta, como se fosse de origem apostólica, de forma a não aceitar outros pontos de vista. Esse dado mostra que a posição de São Justino não advoga uma tradição apostólica para aquilo que ensina. Era  o que podemos afirmar que uma interpretação plausível.

Por essa razão, está errado afirmar que todos os cristãos criam da mesma forma que Justino, ou seja, no reino milenar ou milênio literal na terra: “Justino (100-165) não apenas mostra sua opinião pessoal do assunto, como também afirma que todos os cristãos de bem estavam convictos de que haveria um milênio literal na terra.>” (ênfase no artigo original) Foi uma leitura errada do que escreveu São Justino no final do capítulo 80 em seu Diálogo com Trifão.[2] Ele diz que ele e outros cristãos que estavam corretos em todos os pontos criam no milenarismo, e não que todos os cristãos corretos criam assim.

São Justino, Santo Ireneu, discípulos de São Policarpo, e tantos outros cristãos fieis, mas também os hereges, criam na fase de 1000 anos literais do reino de Cristo na Terra.

Porém, São Clemente de Roma cita a habitação dos salvos na terra, mas isso não prova que advogasse o milênio.

Hegesipo (170) também não era milenarista. Ele escreveu que Cristo viria no fim dos tempos, em glória, para julgar os vivos e os mortos e dar recompensa a todos conforme as obras.[3] Essa não é uma posição pré-milenista. De fato, ele não menciona os mil anos, e afirma que o reino começa a partir do juízo final, com a recompensa dada aos salvos. Essa é a posição da Igreja Católica.

O Pastor de Hermas foi uma obra considerada inspirada por muitos nos primeiros séculos. Por isso, é de uma autoridade inegável. Foi escrita no início do segundo século, e não há nela a doutrina do pré-milenarismo.

Além disso, alguns fatos devem nos auxiliar a pensar que o pré-milenarismo não foi a visão totalmente mantida desde a era apostólica. Por exemplo, Tertuliano foi milenarista, mas Orígenes não. Na mesma época Hipólito adotava o milenarismo, assim como consta o mesmo de São Cipriano.

Assim também parece ter sido o caso, comparando Lactâncio, milenarisa, e Eusébio, contrário a essa doutrina, ambos vivendo no mesmo período. Foi assim que, anos mais tarde, Santo Agostinho forneceu uma crítica ampla sobre o tema, explicando como original a doutrina do amilenismo. A Igreja nunca favoreceu a posição milenarista.

Gledson Meireles.


[1]  “I am not so miserable a fellow, Trypho, as to say one thing and think another. I admitted to you formerly, that I and many others are of this opinion, and [believe] that such will take place, as you assuredly are aware; but, on the other hand, I signified to you that many who belong to the pure and pious faith, and are true Christians, think otherwise.” (Dialogue with Trypho, 80)
[2] “But I and others, who are right-minded Christians on all points, are assured that there will be a resurrection of the dead, and a thousand years in Jerusalem, which will then be built, adorned, and enlarged, [as] the prophets Ezekiel and Isaiah and others declare.” (site www.newadvent.org)
[3] Being then asked concerning Christ and His kingdom, what was its nature, and when and where it was to appear, they returned answer that it was not of this world, nor of the earth, but belonging to the sphere of heaven and angels, and would make its appearance at the end of time, when He shall come in glory, and judge living and dead, and render to every one according to the course of his life.” (ênfase dada para o artigo no site pesquisado.)

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Os primeiros batismos da Igreja Católica

Os que receberam a sua palavra foram batizados. E naquele dia elevou-se a mais ou menos três mil o número de adeptos. (Atos 2,41)

Depois do primeiro sermão cristão, feito por São Pedro em Jerusalém, 3000 pessoas aproximadamente são batizadas. Esse batismo foi feito por aspersão ou infusão, ou seja, aspergindo ou derramando a água sobre a pessoa.

Continuando o caminho, encontraram água. Disse então o eunuco: Eis aí a água. Que impede que eu seja batizado? (Atos 8, 36)

O original grego afirma que foi encontrado um pouco de água, ou alguma água. Na região entre Jerusalém e Gaza não existem rios ou lagos, mas pequenas nascentes. O que era necessário já havia: água. Então, o batismo do eunuco foi por aspersão ou infusão.

No mesmo instante, caíram dos olhos de Saulo umas como escamas, e recuperou a vista. Levantou-se e foi batizado. (Atos 9, 18)

O batismo de São Paulo foi feito em uma casa, no mesmo instante em que recuperou a vista, levantando-se e recebendo o batismo por aspersão ou infusão.

Então, naquela mesma hora da noite, ele cuidou deles e lavou-lhes as chagas. Imediatamente foi batizado, ele e toda a sua família. (Atos 16,33)

O batismo do carcereiro e de todos os seus foi feito à noite, em casa, por aspersão ou infusão.

Os primeiros batismos foram feitos por aspersão ou infusão e não por imersão.
 
Aprofundamento: vídeo do apologista Paulo Leitão.
https://www.youtube.com/watch?v=YHT5ZAccHlc&noredirect=1
Gledson Meireles.

sábado, 14 de novembro de 2015

As formas e a natureza do batismo na Igreja primitiva

A forma comum de batismo na Igreja Católica  hoje é a infusão. Mas as formas de imersão e aspersão são igualmente válidas. Essa é a doutrina da Igreja, conforme explícita no Catecismo da Igreja Católica, e praticada durante toda a história cristã. São assim explicados os dois primeiros modos citados acima:

O batismo é realizado da maneira mais significativa pela tríplice imersão na água batismal. Mas desde a antigüidade ele pode também ser conferido derramando-se, por três vezes, a água sobre a cabeça do candidato”. (CIC, 1239)

Depreende-se do exposto que a maneira que melhor significa o batismo, exteriormente, é a imersão. Mas que a infusão pode igualmente ser usada. Ainda que em muitos lugares essa forma é uma possibilidade diante de circunstâncias que impedem o uso da imersão, a Igreja escolhe por usar o segundo modo em geral, desde que a doutrina permaneça intacta.

A forma usual entre a maioria dos protestantes é a imersão. Ou seja, é justamente o contrário, na prática, do que acontece no Catolicismo ocidental. Mas, não é a forma a única diferença, pois de outro modo não haveria problema, como não há entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa, quanto a isso, onde as três formas podem ser aplicadas, segundo as circunstâncias, sem problema. O significado do batismo é o mesmo nas duas igrejas. Diferentemente, o que difere a posição católica daquela adotada em grande parte do Protestantismo gira em torno de outra coisa: a própria essência do batismo.

Não adianta brigar por algo que não é motivo de briga. Pelo menos quanto a alguns grupos, pois é claro que a tradição batista tem ordinariamente o batismo de crentes e por imersão a única forma válida. Nesse caso, o debate é inevitável.

No entanto, a forma de batismo por imersão não é anatematizada pela igreja, como visto acima. Não é também motivo importante frisar que a Igreja atual, no Ocidente, prefere a forma menos usada durante séculos em vários lugares. Isso não supõe mudança na essência da doutrina, mas apenas uma escolha entre formas lícitas. A forma mais próxima do simbolismo batismal é a imersão, e a Igreja crê nisso, e o admite no próprio Catecismo. Alguém poderia perguntar: Por que então não usar a forma mais indicada simbolicamente? Trata-se, a meu ver, por questões práticas, por uma escolha da Igreja.

Mas, tendo que o batismo possui uma simbologia e uma realidade, a parte real não pode ser mudada de forma alguma, assim também as formas exteriores possuem cada uma sua característica.

Uma pessoa batizada por aspersão, num lugar onde não foi possível fazê-lo de outra forma, é igualmente sepultada com Cristo e ressurgida para uma vida nova, em realidade, perdendo apenas a simbologia do ato de imersão, que faltou na forma conferida no seu batismo. Não faltou, porém, a efetivação da ação do Espírito Santo.

Mas, ao que parece, o artigo O batismo por imersão na igreja primitiva reclama o fato da Igreja Católica adotar hoje justamente a forma que era usada em caso de impossibilidade da forma padrão ser aplicada. Isso é o que entende-se da publicação acima.

Por que os cristãos da época teriam “piscinas” em seus templos, se para realizar o batismo era necessário apenas um pouquinho de água jogada na cabeça do batizado?” (citação do artigo acima)

Essa questão não cria problema algum, pois parece supor que o batismo somente era por imersão, sendo a infusão uma forma ilícita. O autor não quis dizer isso no artigo, é apenas o que pode-se deduzir desse questionamento em particular.

Ainda, a presença de piscinas-batistérios nas igrejas é prova arqueológica daquilo que sabemos, ou seja, de que o batismo era feito por imersão em grande escala.

No entanto, ao final do artigo o autor critica a escolha católica de um modo não-padrão em comparação com aquele usado nos tempos antigos, e fecha o assunto assim:

Nada novo debaixo do sol para uma igreja bastante conhecida por inovações doutrinárias travestidas de “desenvolvimento da doutrina”.

Por isso, e sendo um tema de extrema importância, resolvi escrever algo que contribua para o entendimento do que é mais importante nesse assunto, e que é a doutrina do batismo.

Sabemos que a forma da imersão é mais apropriada para simbolizar a descida às profundezas da morte (ao sheol) e a subida para a vida (a ressurreição) como Cristo fez. Mas, esse simbolismo não é o essencial do batismo. A realidade do mesmo o é: ainda que pela infusão ou aspersão, há o efeito igual do batismo, ficando somente sua forma exterior destituída dessa simbologia. A parte real permanece intacta.

Em Romanos 6,3-4 o batismo é mostrado como para o sepultamento na morte com Cristo e para a ressurreição, e em Colossenses 2,12 São Paulo afirma que fomos sepultados no batismo e ressuscitamos com Cristo mediante a fé. Não há simbologia aqui, mas o tratamento do efeito interior do batismo. O texto afirma o efeito do batismo.

Certamente, o protestante tem outra opinião, e não lê literalmente o que está posto acima. Mas, isso não afeta o caso que proponho refletir, que é a unidade de fé sobre o batismo que há entre os cristãos católicos hoje e aqueles dos séculos anteriores.

O autor critica a ‘inovação’ da Igreja Católica em mudar a forma usual, aplicada durante séculos na Igreja, para adotar mais comumente uma das formas menos usadas, que é a infusão. Isso foi o que entendi.  Mas, uma coisa merece ser lembrada: as três formas foram usadas, as três possuem, então, a mesma eficácia, e as três são reconhecidas até os dias de hoje pela Igreja Católica, sendo muitas vezes usadas no Ocidente, e mesmo no Brasil, e que o sentido do batismo permanece o mesmo, sem qualquer mudança.

Não é preciso muito esforço para ensinar a um cristão católico que a forma antiga de batismo na Igreja foi naturalmente a imersão. O Catecismo, em seu número 1214, explica que o sentido de batizar é “mergulhar”, “imergir”, e que “o “mergulhosimboliza o sepultamento do catecúmeno na morte de Cristo.”

Se alguém estudar o Catecismo verá que a mensagem é, em resumo, que o batismo sepulta na morte de Cristo, e chama-se “banho” porque realmente lava. Para essa explicação o Catecismo cita São Gregório de Nazianzo. Não se trata, portanto, de uma simbologia apenas, mas de uma simbologia atrelada a uma realidade efetivada no instante mesmo do ato batismal.

São Barnabé escreve que descemos às águas batismais cheios de pecado e subimos para dar frutos, ou seja, limpos e transformados. É o que devemos entender.[1]

Usando a versão citada no artigo que citei: “Isso significa que descemos para a água carregados de pecados e poluição, mas subimos dela para dar frutos em nosso coração, tendo no Espírito o temor e a esperança em Jesus. ‘Quem comer deles viverá eternamente’, quer dizer: quem escutar, quando tais palavras são ditas, e crer nelas, viverá eternamente

A descida para o batismo é feita repleta de pecados, enquanto que na saída da água já não há mais pecado, pois afirma Barnabé que “subimos dela para dar frutos em nosso coração”. O perdão ocorreu no batismo, segundo ensina Barnabé. O Catecismo Romano explica o batismo, no mesmo sentido: “Por natureza, nascemos de Adão como filhos da ira, mas o Batismo nos faz renascer em Cristo como filhos da misericórdia.

São Justino (100-165) explica a forma com que os cristãos dedicam-se a Deus, quando os cristãos são “feitos novos através de Cristo”. E continua afirmando: “Então eles são trazidos por nós aonde há água, e são regenerados na mesma maneira na qual nós mesmos fomos regenerados.” (1ª Apologia 61,3.10)

Como citado no artigo que comento, Tertuliano escreve o mesmo sobre o significado correto do batismo:

O ato do batismo em si é carnal, pois estamos mergulhados na água, mas o efeito é espiritual, pois somos libertados do pecado”. (ênfase acrescentada no artigo citado)

Aqui podemos enfatizar não somente a forma do batismo, que é a imersão, mas o efeito, que é a libertação do pecado. Vamos ler novamente com essa ênfase:

O ato do batismo em si é carnal, pois estamos mergulhados na água, mas o efeito é espiritual, pois somos libertados do pecado”.

Tertuliano faz a distinção do ato material de batizar, e o efeito interno conferido por Deus, que é a libertação do pecado.

Tertuliano sabia disso muito bem. Por esse motivo, havia sugerido que fossem batizados aqueles que tivessem realmente o desejo para tal, e que devessem pedir o batismo, para não ocorrer que uma vez assim lavados dos pecados, voltassem à iniquidade. Conferir o batismo aos bebês seria um ‘perigo’, digamos, pois sem o saber, sem conhecer a grandiosidade desse sacramento, talvez pudessem negligenciá-lo em sua vida. Essa é portanto a opinião de Tertuliano.

Ele escreve que “a demora do batismo é preferível, principalmente, portanto, no caso de crianças pequenas”. (tradução do autor) E por isso aconselhava que esperasse que as crianças fossem “capazes de conhecer a Cristo”. Os motivos não são que o batismo fosse “simbólico”, ou que somente a fé individual seria a base para a realização do mesmo, mas que por ser o momento de remissão dos pecados, adoção de filho de Deus, alguém não fosse batizado sem a devida preparação, e para que não ocorra o “desenvolvimento de uma má disposição” no batizado quando esse tiver em uma certa idade. O período de inocência poderia esperar para que o mesmo pedisse a salvação. Esse é o argumento de Tertuliano, que não enquadra-se perfeitamente nos argumentos dos fautores do batismo de crentes, mas que mantém a essência da doutrina católica.[2]

São Cirilo de Jerusalém ensina que o batismo purifica a alma: “Pois assim como o homem é de natureza dupla, alma e corpo, a purificação também é dupla, uma incorpórea para a parte incorpórea, e a outra corporalmente para o corpo: a água limpa o corpo, e o Espírito sela a alma, para que possamos aproximar de Deus, tendo nosso coração aspergidos pelo Espírito, e nosso corpo lavados com a pura água.[3] (tradução do autor). E para provar essa asserção, de que o batismo é necessário para a salvação, São Cirilo cita João 3,3.[4] A teologia batismal ensinada por São Cirilo é magnífica.

Na outra citação de São Cirilo, feita no artigo comentado, que havia enfatizado o fato do batismo por imersão, podemos fazer uma comparação à doutrina católica do batismo que afirma serem as águas santificadas no momento do batismo de Cristo no Jordão.

Primeiro a ênfase na forma de imersão:

Ele [Jesus], quando banhado no rio Jordão e comunicando às águas a força da Divindade, delas saiu e se produziu sobre ele a vinda substancial do Espírito Santo, pousando igual sobre igual. Também a vós, ao sairdes das águas sagradas da piscina, se concede a unção, figura daquela com que Cristo foi ungido” (citação usada no artigo comentado)

Agora, com a ênfase nesse outro aspecto:

Ele [Jesus], quando banhado no rio Jordão e comunicando às águas a força da Divindade, delas saiu e se produziu sobre ele a vinda substancial do Espírito Santo, pousando igual sobre igual. Também a vós, ao sairdes das águas sagradas da piscina, se concede a unção, figura daquela com que Cristo foi ungido

O efeito do batismo é também ratificado por São Cirilo, quando ensina que recebemos o Espírito Santo como Cristo recebeu em Seu batismo: “ao sairdes das águas sagradas da piscina, se concede a unção”. Assim, também, quanto a um dos efeitos do batismo, São Justino escreve: “possamos obter na água a remissão dos pecados anteriormente cometidos”.

Aprendemos com isso que a Igreja Católica ensina o mesmo que todos esses documentos citados ensinam, ainda que esses testemunham a norma familiar, naquele momento, como sendo o modo de imersão do batismo.

É interessante o ataque por motivo de mudança na forma exterior adotada no batismo, e o silêncio e a aceitação quanto à profunda transformação da doutrina em sua acepção invisível adotada hoje em muitas igrejas. Não falo do fato de muitas igrejas ensinarem diferentemente do que ensinam os documentos citados neste artigo, mas sim do fato de que há mudança entre o que ensinam hoje, quanto ao efeito do batismo, e o que ensinaram, por exemplo, a Didaqué, Tertuliano, São Justino, São Cirilo de Jerusalém,  Santo João Crisóstomo.

Nada de novo debaixo do sol do que discutir por questões superficiais (não que isso não seja edificante também) deixando aquelas de cunho mais profundo de lado.
Obs.: em contato com o autor do artigo que comentei, soube que ele crê na remissão dos pecados no batismo e que o batismo lava os pecados. Portanto, o que está escrito acima dirige-se particularmente a quem nega esses efeitos batismais.

Gledson Meireles.
 
Comentário do artigo: <http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2015/11/o-batismo-por-imersao-na-igreja.html>


[1] This means, that we indeed descend into the water full of sins and defilement, but come up, bearing fruit in our heart, having the fear [of God] and trust in Jesus in our spirit. And whosoever shall eat of these shall live for ever, This means: Whosoever, He declares, shall hear you speaking, and believe, shall live for ever.

[2] Do Batismo, c. 18
[3] For since man is of twofold nature, soul and body, the purification also is twofold, the one incorporeal for the incorporeal part, and the other bodily for the body: the water cleanses the body, and the Spirit seals the soul; that we may draw near unto God, having our heart sprinkled by the Spirit, and our body washed with pure water.
 
[4] For, in the name of God, the Father and Lord of the universe, and of our Saviour Jesus Christ, and of the Holy Spirit, they then receive the washing with water. For Christ also said, Unless you be born again, you shall not enter into the kingdom of heaven. John 3:5
 

sábado, 3 de maio de 2014

Comentário


Comentário das palavras do Reverendo Anatote Lopes:

Peço que, o reverendo, e a todos os leitores, em Cristo, tenha a paciência de refletir um pouco o que está comentado abaixo:

O reverendo Anatote Lopes não percebeu que critica algo ilusório. A Igreja Católica reconhece, define e canoniza aqueles que mostraram os frutos de santidade que somente Deus poderia dar. Ao fazer isso, apresenta um exemplo de santidade no seguimento de Jesus. E o motivo é para que os santos vivos sejam edificados e vivam a santidade. Portanto, não existe qualquer sentido em acusar o sepultamento ou transformação da santidade em memorial como se estivesse separada da vida cotidiana dos cristãos vivos. Pelo contrário, é para nós que o memorial é endereçado, para que vivamos o chamado à santidade.

Por essa razão afirmo a verdade: ninguém pode ser santo depois da morte no sentido da santidade útil ao povo devoto como acreditam os papistas.

Que “sentido de santidade útil ao povo devoto” é esse¿ Aliás, essa afirmação não está acompanhada de prova, e por enquanto é gratuita.

Quando uma tradição cristã diz que uns são santos e os outros não, está dizendo que uns são verdadeiros e os outros são falsos cristãos

Nesse momento há algo verdadeiro. Por isso, é preciso saber que a Igreja Católica não considera santos somente os que foram e estão canonizados, mas a todos os que têm fé e seguem a Jesus Cristo.

uns são santos no mundo e os outros não vivem em santidade, conseguintemente e infelizmente endeusam os que julgam ser obedientes, por terem conseguido algo que não é para todas as pessoas.

É deplorável esse entendimento. E o autor ao criticar essa falsa atitude está fazendo um bem, e está em concordância com a Igreja Católica.

A canonização de um santo não tem base bíblica e nem lógica,

Eis mais uma afirmação sem prova.

primeiro porque sabemos que ela não tem autoridade para tornar uma pessoa santa,

Agora, uma afirmação equivocada. Alguém pode dizer: o papa João Paulo II vai tornar-se santo no dia 27 de abril! Mas, tornou-se ele santo naquele dia, ou já o era antes em vida¿ É óbvio que a última alternativa é a correta. É bastante pueril, e revela profundo desconhecimento da doutrina católica sobre o assunto. É triste ver alguém criticar isso, não pelo fato de fazer a crítica, mas quando uma vez esclarecido não mude sua opinião e corrija-a publicamente, ou volte a criticar da mesma forma. Espero que haja mudança.

Se por um lado reconhecer que uma pessoa viveu em santificação é necessário, é bom para nos lembrar o mandamento do Senhor, para nos estimularmos a nós mesmos a viver em santidade como os santos que são exemplos que, apontam para Cristo (Fl 3:17; I Co 11:1; Ef 5:1),

Nesse ponto, o autor toca a verdade. É essa a base bíblica que a Igreja Católica tem para apresentar os exemplos de santidade a todo o povo de Deus. Mas, como é comum no Protestantismo, toca-se na verdade e passa-se despercebidamente como se não tivesse nada ocorrido, e continua a crítica em pressupostos anteriores e fora dela.

por outro lado, as canonizações se fundamentam em estórias, lendas e crendices do povo que, faz dos santos deuses ou semi deuses,

Não é bem assim. O povo aclama o santo, mas há os sinais que identificam que verdadeiramente é santo. É tais sinais estão biblicamente exarados.

atribuem-lhes poderes exclusivamente divino como por exemplo: o poder de conhecer todas as coisas (onisciência)

Somente num muito mal-entendido!

o poder de fazer o que bem quiserem e atender às súplicas do povo e de indivíduos por milagres (onipotência)

Outra inverdade. Se alguém assim acredita, não é da Igreja que está recebendo o ensino.

e estarem presentes nos diversos continente ouvindo e socorrendo às orações do mundo católico (onipresença).

O mesmo dos anteriores.

A santidade não pode ser transformada em uma instituição, oficio, honraria ou qualquer coisa distante da piedade popular, do povo comum, apresentada como um sacrifício humano e uma exceção ou que se faça com ela uma confusão e distorção do verdadeiro culto que deve ser prestado somente a Deus.

Essas palavras têm o sentido que a Igreja Católica ensina. Mas, o autor está cônscio de que a santidade não é dada a todos, e que ser santo sempre será características dos servos de Cristo. Portanto, o mundo continuará a ver a santidade como algo em “exceção”, e não o normal da vida. É normal ao cristão, mas não ao mundo.

Outro ponto é o culto dos santos. Esse nada mais é que a homenagem da Igreja aos servos de Deus, num culto todo voltado à adoração única devida a Deus.

A santidade está na graça de obedecer a Deus vivendo o aperfeiçoamento em santidade.

O autor não crê, ao certo, que indistintamente todo professo cristão viva isso. É óbvio que os verdadeiros e sinceros cristãos o façam, mas é igualmente verdadeiro que há exemplos notáveis. Esses são apresentados nas listas dos santos para exemplo, conforme a Bíblia.

Ser um santo não é uma benção realizada por um ato canônico político religioso de um colegiado de políticos eclesiástico (sic),

E não é mesmo. Ninguém no Catolicismo, que esteja devidamente esclarecido, assim o crê.
 
Gledson Meireles.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

PENTECOSTALISMO E A ASSEMBLEIA DE DEUS: REFLEXÕES SOBRE ALGUNS FATOS

Assembleia de Deus

Características problemáticas na sua origem. A origem da Igreja Assembleia de Deus é mais um exemplo da ação do espírito sectário, um paradoxo que depõe contra a natureza inerente do Cristianismo. Esse fato dá-se pela forma em que ocorreu o nascimento da denominação: uma união de pastores de várias igrejas, nos Estados Unidos, forma uma nova denominação. Aquilo que parecia um lampejo de unidade torna-se mais um exemplo de sectarismo.

De fato, não contribuiu para a união de denominações, mas constituiu o aparecimento de mais uma. E, ainda, uma denominação que esfacelou-se com o tempo.

No Brasil, a história dessa denominação está ligada aos nomes de dois missionários suecos. Daniel Berg e Gunnar Vingren eram batistas, e continuaram na mesma denominação em terras brasileiras. No entanto, a doutrina do novo batismo e das línguas estranhas logo causou estranheza para a Igreja Batista, à qual pertenciam. Tal fenômeno, pelo que consta, iniciou-se com William Joseph Seymon, na Rua Azuza, em Los Angeles, em 1906. Em 1910 chegaram ao Brasil, e em 1911 fundaram a Missão da Fé Apostólica. Daniel e Gunnar foram desligados da Igreja Batista, ou seja, sofreram o que se pode chamar de excomunhão daquela denominação. Em 1918, aquela Missão da Fé Apostólica passou a ser chamada de Assembleia de Deus.

Uma das doutrinas pregadas pela Assembleia de Deus diz respeito a “a atualidade do Batismo no Espírito Santo e dos dons espirituais.” O surgimento da denominação foi no ano de 1914, nos Estados Unidos, quando pastores uniram-se em Assembleia.


A CGADB tornou-se em 1946 um órgão representante da Igreja Assembleia de Deus perante as autoridades governamentais do Brasil. Dos seus objetivos, esses são simplesmente interessantes: “promover a união e incentivar o progresso moral e espiritual das Assembleias de Deus; manter e propugnar o desenvolvimento da Casa Publicadora das Assembleias de Deus” (...) “Nenhuma Assembleia de Deus poderá viver isoladamente, sendo obrigatória a interligação das Assembleias de Deus no Brasil, com a finalidade de determinar a responsabilidade perante a Convenção Geral e perante as autoridades constituídas”. Portanto, busca-se unidade. E procurar-se melhorar o povo moral e espiritualmente. Mas, sempre surgem divisões. Embora Daniel e Gunnar não tivessem intenção de dividir a denominação, suas doutrinas foram consideradas heréticas e os mesmos foram expulsos da Igreja Batista.

Pelos frutos se conhece a árvore: Que os homens são pecadores, falhos, e fracos, não é novidade alguma. No entanto, para aqueles que ufanam-se para todos os cantos serem iluminados pelo Espírito Santo, e pregadores da Palavra de Deus, e iniciadores de movimentos, e fundadores de igrejas, missionários, e tantos outros atributos, uma vez que esses vivam em pecado e cometam escândalos que caracterizam suas vidas, são fatos que provam a origem humana de suas reivindicações. Os “grosseiros pecados” que teimaram em acalentar, e a vida em constante afundamento nesses pecados, é uma lástima.

David Cloud afirma que Oral Roberts afirmava ter visões de Jesus, e que era orientado quanto à sua obra. A obra que, mais tarde, foi à falência. Jim Bakker, preso em 1989, vivia em tanto luxo que até a casa do cachorro tinha ar condicionado. Cometeu adultério com Jéssica Hahn, secretária da igreja.

E os membros da Assembleia de Deus possuem passado de heresias segundo a ótica dos próprios protestantes. Afirmar que uma pessoa morreu, foi ao inferno, e ressuscitou “convertida” é uma das heresias mais patentes. (Segundo o autor, a publicação foi feita em edição oficial. Carta da Rússia, publicação de A SEARA, n. 172, de Julho de 1979, ano XXIII, páginas 10 e 11, pela CPAD.) Essa doutrina não é ensinada pela denominação, mas o fato publicado traz esse ensino, inculcando tal heresia nos leitores, por fonte oficial.

Laurence Anson Justice é formado pela Universidade Batista de Oklahoma e pelo Seminário Teológico Batista do Sudoeste, é autor do livrinho: Uma Igreja deve abraçar o Pentecostalismo¿ O pastor Laurence afirma que as igrejas batistas que denominam-se pentecostais são desonestas, por não serem batistas e afirmarem ser. Além de outras atitudes graves.

Charles Fox Parham. Pastor pentecostal, falava em línguas e pregava muito. Segundo informações insuspeitas, pois são protestantes, os pastor Parham era racista, violentou sexualmente um garoto. Acreditava que os seguidores de Cristo não deviam ter doenças. O próprio Parham ficou doente várias vezes, o que impossibilitava suas viagens e pregações. Por exemplo, ficou doente de dezembro de 1904 a fevereiro de 1905 (conforme livre: “"Fields White Unto Harvest, página 94, autor:James Goff Jr.” Certa vez, orou sobre um lenço e vendia cópias idênticas do mesmo, a alto custo, pelo correio. Pelo que consta, seu racismo durou toda a sua vida.

Esse homem foi o iniciador do movimento pentecostal. Pregava cura, libertação, os vários dons do Espírito Santo, e liderava igrejas. Era responsável pela vida espiritual de milhares de pessoas. Sua vida possui elementos de uma inspiração não condizente com o Espírito Santo, pecados que contrariam uma iluminação e qualquer aprovação de Deus para liderar uma obra como a que encabeçava.

Sobre Aimee McPherson, é dito: “Aimee Mc Pherson, era histérica, nervosa, negligente, preguiçosa. Além de tudo, traiu o seu infeliz marido.” Tinhas vários amantes. E sua obra de pregação prosseguia, crescendo o número de seguidores. Também bebia muito e participava de festas, e dançava. Casou-se várias vezes, experimentando o divórcio. Agrediu fisicamente a própria mãe. Morreu de overdose em 1944. Informações de Robert Barth.

O pastor Allen era alcoólatra, batia na mulher, foi preso em 1955 por dirigir bêbado, em tempo de retiro espiritual.

Efeitos do Pentecostalismo: os pentecostais consideram obra de Deus o crescimento espantoso de sua denominação. Acreditam que os milagres que se vêem têm a mão do Senhor. No entanto, encontram-se divisões costumeiras na denominação. E explicações naturais são compreensíveis diante da expansão dos pentecostais: pouca formação. Cada membro mais influente e “batizado no Espírito Santo”, como poderia ser dito, e que tenha revelações, já é um potencial iniciador de novo ministério, sem muitas barreiras. Assim, é notável o número de igrejas que espalham-se em tantos lugares. Há mesmo aqueles líderes que, para justificarem sua pouca formação, são contrários aos estudos teológicos.

No entanto, a denominação Assembleia de Deus possui cultos de doutrina, publicações para estudos sérios entre os seus membros, como a promoção de revistas trimestrais que auxiliam esses estudos.

Visões: os pentecostais vivem de visões. Muitas vezes, os líderes inculcam como “Palavra de Deus” os sentimentos que surgem nos membros. Não raro, informalmente, aquelas experiências são tidas como revelações diretas de Deus ao crente. O subjetivismo é enormemente ressaltado.

Cultos: é dito que nas reuniões pentecostais há ênfase nas experiências e testemunhos dos crentes. A pregação não poucas vezes tem um verso bíblico como ponto de partida, e o pastor discorre contando experiências, fornecendo exemplos práticos, (também é comum usar de humor), etc., chegando a esquecer-se daquilo que a passagem realmente expressa.

Os pentecostais enfatizam os dons e a experiência pessoal. Há quem afirme abertamente não discutir doutrina, nem “falar de religião”, mas apenas anunciar o poder salvador e a benção de cura proporcionados por Jesus Cristo. No entanto, o que concomitante a isso fazem, por exemplo, ao falar aos católicos, constitui em pura e basicamente pôr-se a atacar doutrinas cristãs católicas e fazer convites para os cultos nas igrejas pentecostais.

Antropocentrismo: Obviamente nenhum pentecostal concordará com isso. Os cultos teriam o Nome de Jesus como centro. Porém, sob essa aparente realidade, há um serviço ao homem, à libertação, à cura, ao auxílio para a prosperidade e etc. As músicas revelam isso. Um cântico católico diz: “Na beleza do que vemos, Deus nos fala ao coração, tudo canta: “Deus é grande, Deus é bom e Deus é Pai, É Seu Filho Jesus Cristo que nos une pelo Amor, LOUVEMOS AO SENHOR.”

Os pentecostais, ou neo-pentecostais, ao que parece, costumam cantá-lo assim: “Na beleza do que vemos, Deus nos fala ao coração, tudo canta: “Deus é grande, Deus é bom e Deus é Pai, É Seu Filho Jesus Cristo que nos une pelo Amor, VENCEMOS EM JESUS.”

É natural que nessas palavras não contem um erro intrínseco, mas revelam a mudança de tônica entre a doutrina cristã católica e a doutrina pentecostal. O louvor a Deus como base de todo o cântico foi substituído pelo direcionamento à experiência dos crentes, para suas vidas em Jesus. O interesse em viver a experiência, também, de sucesso material certamente é ressaltado aí. É sutil, mas diferente da ênfase cristã católica.

Um protestante batista escreveu: “Amado leitor, quando Deus for justamente exaltado e o homem humilhado, você não terá o Pentecostalismo em sua igreja”. Existem pentecostais reformados que se esforçam para manter o centro doutrina em Cristo. Embora vivam uma fé que em sua natureza possui elementos contraditórios, visto que as duas tradições (reformada e pentecostal) possuem ênfases e características distintas, é comum nos dias de hoje homens viverem uma contradição sem a perceber. Enfim, Laurence oferece antídotos da Palavra de Deus contra as investidas pentecostais, e chama o Pentecostalismo de “grande erro”.

Sendo assim, as raízes do pentecostalismo são bastante frágeis, segundo consta na obra de Dalton C. Rocha. Se alguém dissesse que os pecados dos membros não afetariam a veracidade da causa do Senhor, poderia ser dito que Deus nunca levantou homens que não tornasse santos para iniciar Sua obra. Essas pessoas, citadas, não eram membros de alguma igreja, mas líderes, expoentes iniciadores de uma obra. Por eles estava originando-se um movimento espiritual. A fonte deveria ser bastante diversa, de acordo com os princípios bíblicos.
ESSE TEXTO PODE SER EDITADO.



http://solascriptura-tt.org/Seitas/Pentecostalismo/QEstranhosPastoresPentecostais-DCRocha.htm

domingo, 20 de abril de 2014

O livre exame católico


  

Lucas [apologista protestante, e que trata do Catolicismo no blog heresiascatolicas], peço que esteja aberto a uma mudança de pensamento, a ver o que escrevo abaixo, segundo o que apresento, e não como você pensa que estou pensando. Peço que, antes de mais nada, antes de discordar ou concordar, permita-me mostrar-lhe o modo como pensam, de forma geral, os cristãos católicos diante de um texto como o seu. Entendi seu pensamento, mostrando que o livre-exame é característico dos cristãos que pensam por si mesmos, livremente, e buscam a verdade pessoalmente, sem estar coagidos por qualquer autoridade. Mas, devo mostrar-lhe o modo certo pelo qual esse princípio deve agir verdadeiramente. De fato, o católico não crê no livre exame, como é apresentando pelo Protestantismo. Mas, de forma especial, vamos pensar um pouco sobre isso, e verá que há algo que nem sempre fica patente.

O livre exame católico. Artigo de 18 de abril de 2014. Lucas Banzoli. Em seu blog: heresiascatolicas.blogspot.com.br.

Uma das maiores críticas dos romanistas contra os cristãos é que estes praticam o livre exame e interpretação da Bíblia.

Em primeiro lugar: “romanistas” é um termo usado pelo anti-catolicismo contra os cristãos católicos. Portanto, o correto é afirmar que os cristãos católicos criticam os cristãos protestantes por fazerem livre-exame das Escrituras.

Para eles, coisa nenhuma pode ser interpretada na Bíblia fora da expressa declaração oficial da Igreja de Roma, seja no catecismo católico ou em alguma declaração “infalível” do papa em ex cathedra.

O princípio é que: nada de herético pode ser adotado. E não há na doutrina católica nenhuma heresia, por esse motivo. Nem tudo foi declarado oficialmente, e ex-catedra, e ainda assim o que está nas Escrituras é de fé divina, são dogmas para todo cristão católico. O protestante tem de agir da mesma forma: nada que seja bíblico pode ser negado, e não há espaço para intepretações individuais. Dessa forma, o livre-exame é um meio para instruir-se, cada crente, da verdade salvadora em sua fonte, e não de inventar doutrinas. Há, portanto, uma doutrina revelada, que não pode ser negada, mudada, o mínimo que seja, e cada fiel está preso a essa corrente santa da Palavra de Deus. E para evitar os desvios há denominações que fazem o papel do magistério, exortando, ensinando, defendendo a verdade segundo sua tradição específica e própria.

Qualquer coisa que seja interpretada na Bíblia, mas que não seja o parecer oficial da Igreja Romana, deve ser rejeitada porque constitui-se em um “livre exame”, o que, para eles, é condenável.

O mesmo pode-se afirmar que qualquer protestante, pois cada intepretação que alguém vier a fazer e que negue algum dogma fundamental do Protestantismo seja rejeitado, não porque o fiel foi à Bíblia por si mesmo e exerceu seu direito de examiná-la, mas por que errou em sua conclusão, o que é condenável. Essa posição da Igreja Católica é idêntica, no nível prático, à posição de quaisquer ramos legítimo do Protestantismo.

Não entrarei mais uma vez no mérito da questão se a Bíblia pode ou não pode ser interpretada livremente pelo leitor, pois este assunto já foi tratado nestes artigos:

 


 


 


A questão, portanto, não é se a Bíblia pode ser interpretada individualmente, examinada por cada cristão, mas se cada um está livre para inventar doutrinas. Esse última alternativa está fora de cogitação.

Este artigo, diferentemente dos demais, não busca provar que o livre exame é bíblico, mas demonstrar a inconsistência dos católicos que negam o livre exame.

Se o livre exame significasse a liberdade total de construir o próprio credo à revelia das verdades bíblicas, seria totalmente negado. Mas, se é um instrumento para estudo e averiguação das coisas santas de Deus, para instrução na fé revelada e infalível, então não há nada de errado. O fiel cristão católico não pode negar qualquer artigo de fé por sua interpretação da Bíblia, assim como o cristão protestante não pode fazer contra qualquer verdade fundamental do Protestantismo quando vai à Bíblia para examiná-la e instruir-se.

A questão é simples: se o livre exame/interpretação da Bíblia é proibido, então por que os “apologistas” católicos interpretam livremente a Bíblia?

Para quem já acompanha essas linhas desde o início a resposta está patente: cada livre exame é para certificar-se das verdades de Deus na Bíblia conforme ensinadas pela Igreja.

Por exemplo: um certo sujeito com ares de psicopata e com sobrenome de livro apócrifo mantém um site católico na internet que, basicamente, existe para defender a interpretação preterista do Apocalipse.

Deixando de lado os ataques e adjetivos, deve-se saber que não há pronunciamento da Igreja contra a interpretação preterista do Apocalipse, creio. O que não pode haver é que de uma dada interpretação surja algo contrário à fé em qualquer ponto.

Ele possui vários artigos que corrompem grotescamente o livro do Apocalipse com interpretações livres da parte dele que jamais foram ditas oficialmente em nenhum documento católico.

Se isso acontece, deve-se seguir os ensinamentos e princípios oficiais, que são bíblicos.

Por incrível que pareça, a Igreja Romana não tem uma interpretação oficial do Apocalipse.

Foi o que escrevi acima. Mas, há limites que o bom senso e a fé impõem a cada interpretação.

Na parte referente à escatologia no catecismo, não há nada que fale expressamente em uma crença pré-milenista, amilenista ou pós-milenista.

Mas há um princípio, segundo o qual Cristo virá julgar os vivos e os mortos e levará à consumação todas as coisas na Parusia, o que impede a crença pré-milenista e pos-milenista. O amilenismo, segundo as linhas da doutrina cristã católica, é a intepretação aceitável.

Eles não dizem que a grande tribulação é referente a um acontecimento passado, na batalha entre Jerusalém e Roma em 70 d.C, como este insano defende.

De fato, o que ocorreu em 70 d. C. indica o que acontecerá no tempo do fim, antes da Parusia. A destruição de Jerusalém foi como que um prelúdio do cumprimento escatológico.

Em outras palavras: a Igreja Romana não possui uma interpretação oficial clara sobre posições escatológicas.

Talvez deve-se expor mais a posição oficial da Igreja, o que o Catecismo e obras católicas, bem como pregações na Igreja evitam transcorrer com maior detalhe.

Mesmo assim, este indivíduo insiste em criar artigos defendendo com unhas e dentes que a tribulação já aconteceu, deturpando a Bíblia e os escritos de Flávio Josefo.

Então, o problema talvez seja desse apologista.

O que é isso que ele faz? Simples: livre interpretação da Bíblia.

E a Igreja não o proíbe, mas se for confrontado um artigo de fé, então o mesmo apologista perde sua autoridade.

 

É por isso que entre os católicos é comum encontrar preteristas e futuristas, e até mesmo pessoas que não tem posicionamento nenhum ou que alegorizam todo o livro.

Por isso, é bom dialogar bastante e ver como lidam com tantas linhas divergentes em sua base e harmonizam com a doutrina oficial.

Ela não tem uma posição escatológica que defenda, mas eles têm. Se isso não é livre interpretação exatamente igual ocorre entre os cristãos (evangélicos), eu não sei mais o que é.

A Igreja tem sua mensagem sobre esse ponto, e fornece princípios. Os apologistas lidam com os mesmos como lhes parecem corretos. Mas, é bom verificar. Se você, Lucas, converter-se ao Evangelho cristão católico, pois creio que já está convertido a Cristo, e tem agora de aprender TUDO o que Ele ensinou, então você poderá continuar seus estudos do Apocalipse segundo as linhas sãs da interpretação cristã. Irá progredir em suas pesquisas.

Na verdade, se eu quiser trazer ainda mais fogo ao debate, poderia citar esta parte do catecismo que indica o oposto ao que ele defende, e que diz:

 

“Antes do advento de Cristo, a Igreja deve passar por uma provação final que abalar a fé de muitos crentes. A perseguição que acompanha a peregrinação dela na terra desvendará o "mistério de iniquidade" sob a forma de uma impostura religiosa que há de trazer aos homens uma solução aparente a seus problemas, à custa da apostasia da verdade” (§675 do Catecismo Católico)

Isso mesmo. O princípio acima não permite que algum católico creia que esse mundo terá uma transformação para o bem levada a cabo pelas autoridades políticas, ou de forma natural, ou de qualquer outra forma que não seja pelo poder de Deus. Também, impede que alguém creia que não haverá tribulação como nunca houve na terra, antes de Cristo voltar. Proíbe que alguém não creia na vinda do Anticristo.

Ela situa a tribulação como um acontecimento futuro, e diz que, neste momento futuro, o mistério da iniquidade será (no futuro, e não como um acontecimento passado) desvendado. Isso é claramente futurista, e o oposto do que ensina este sujeito católico, que é ferrenhamente contra a livre interpretação, mas interpreta a Bíblia livremente.

Se ele traz qualquer doutrina que negue o que está na Bíblia, e explicado no Catecismo, não podemos deixar suas opiniões de lado.

Não é a toa que não vemos sequer um único documento oficial da Igreja Romana presente no site deste indivíduo que mostre a posição oficial da Igreja dele a este respeito.

Por isso, vamos aos estudos.

Ele sabe que não existe. Ele sabe que o que ele faz é fruto puro do livre exame. E eu suponho que ele deveria agradecer os evangélicos por lhe darem a oportunidade de interpretar a Bíblia livremente.

Na verdade, essa atitude não é de origem Protestante. De qualquer forma, se ele está errado, e não quiser submeter-se à verdade sempre ensinada na Igreja, por ordem de Cristo, então sim, poderá agradecer aos protestantes que assim fizeram várias vezes na história. Mas, se interpretar a Bíblia livremente para dela alimentar-se da Palavra de Deus e crescer na fé, na sã doutrina, então, isso é natural aos cristãos católicos.

Incrivelmente, este mesmo cidadão interpreta livremente também o livro de Cantares. Como se fosse uma piada de 1º de Abril, ele chegou até mesmo a afirmar que Maria é a mulher de Cantares(!), dizendo que o trecho de Cantares 6:9-10 se refere a Maria. E eu pergunto: de onde ele descobriu isso? De um documento oficial da Igreja dele ou de uma livre interpretação particular da parte dele? Qualquer um pode ir consultar o catecismo católico na parte referente a Maria, clicando aqui, e não irá encontrar nada, absolutamente nada, que diga que Maria é a mulher de Cantares ou que aquele texto seja uma referência à Maria. Ele chegou a essa conclusão através de uma interpretação livre da parte dele, o mesmo que ele condena nos evangélicos.

Nesse ponto, Lucas, você mostra desconhecimento. Certamente, esse apologista católico conhece comentários do texto que aplicam-no à virgem Maria. Não foi algo que surgiu da mente dele, mas que é patrimônio da Igreja Católica. E faz sentido. Pela doutrina da Igreja, a virgem Maria é modelo da Igreja, e já recebeu privilégios que toda a Igreja receberá quando estiver totalmente consumada na glória. A interpretação livre do apologista não nega um ponto doutrinal.

O mesmo ocorre aos milhares em diversos outros textos. Um católico chamado Antônio que se auto-intitula “Demapro” nas redes sociais (um fake criado por ele, que não tem coragem de debater com sua conta pessoal), descobriu maravilhosamente que o texto de Hebreus 9:11, que diz que “quando Cristo veio como sumo sacerdote dos benefícios agora presentes, ele adentrou o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito pelo homem, isto é, não pertencente a esta criação” (Hb.9:11), se refere à Maria, que seria um tabernáculo não feito pelo homem e não pertencente a esta criação.

Bem, essa “alegoria” parece ser nova. Não conheço. O que sei é que a Igreja entende Hb 9,11 como o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito pelo homem, O PRÓPRIO CÉU, o Santo dos Santos nos céu, à direita do Pai. Essa é a fé cristã católica.

Perfeito. Maravilhoso. Extraordinário. É de se aplaudir de pé. Só tem um problema: a Igreja Romana não afirma oficialmente isso em lugar nenhum. Então, ele chegou a esta conclusão através da livre interpretação pessoal da parte dele.

Lucas, também concordo ser perfeito, maravilhoso, extraordinário. Mas afirmo isso pelo fato de que você está aprendendo a ser cristão católico, a fazer distinção daquilo que a Igreja realmente ensina, e daquilo que outros dizem ser doutrina católica. Talvez você diria que isso é característica de um cristão comprometido com a verdade de Deus, e é isso mesmo que estou afirmando. Continue estudando, e espero tê-lo como apologista, defendendo toda a verdade, na santa Igreja Católica Apostólica Romana.

Ele não é capaz de mostrar isso no catecismo católico ou em alguma declaração em ex cathedra de um papa. Portanto, paradoxalmente, ele valida um dogma evangélico (livre interpretação) para tentar invalidar uma outra crença evangélica.

Mas, você concorda que a livre-interpretação não dá direitos aos crentes formularem doutrinas contrárias àqueles que Deus revelou, não é mesmo¿ Então, temos que esse dogma evangélico, bem compreendido, é mesmo evangélico, não como de origem protestante, mas cristão católico, visto ser o modo que os cristãos sempre adotaram para aprender de Deus.

Ele defende a livre interpretação e não sabe. Se ele fosse mesmo um católico romano, deveria ficar simplesmente calado naquilo que a Igreja dele se cala. Aliás, calado ele realmente seria mais útil, de qualquer forma.

Mas, certamente ele é católico mesmo. O que talvez aconteça é que suas intepretações podem necessitar de correção, não sei. A Igreja dá direito aos teólogos estudarem e auxiliarem no aprofundamento da verdade de Deus.

Poderíamos adentrar às centenas de textos bíblicos examinados livremente pelos católicos, mas cabe aqui apenas resumir mais um ponto que o catecismo não esclarece. Uma das maiores discussões ao longo dos séculos diz respeito a quem é o “iníquo” de 2ª Tessalonicenses 2:8.

O iníquio é o Anticristo, aquele que virá no final, o último, antes da Parusia. É a fé cristã católica. Continue estudando Lucas.

Alguns católicos afirmam que é Nero, mas a Igreja de Roma nunca afirmou isso oficialmente. Qualquer católico que se arrisque a citar alguém ou alguma coisa está incorrendo em livre interpretação e, consequentemente, condenando a si mesmo.

Provavelmente a besta, de número de homem: 666, é César Nero. No entanto, isso não limita o cumprimento da profecia em Nero, no século I, mas aponta para o acontecimento final, que se dará com o aparecimento do Anticristo, com aquelas características de Nero, mas levadas ao máximo, que será o ataque final à Igreja Católica na terra.

Neste e em outros aspectos, o católico tem uma consciência que lhe aponta uma interpretação como sendo a verdadeira, mas se vê forçado a negar e suprimir sua própria consciência para levá-la cativa à interpretação de outro.

Quando isso acontece, o melhor é orar, ter humildade, pedir mais fé e humildade, estudar, fazer o exame das Escrituras, questionar, estudar mais, etc., e submeter-se à verdade, que não é originada em nós, e não vem pela força do homem, mas de Deus.

O católico tem certa opinião sobre um certo texto, mas ele não pode crer nesta sua opinião, tem que crer no que a instituição romana diz.

Voltamos ao marco inicial. Lembre-se que o protestante pode ter em mente uma intepretação de um texto que não harmoniza-se com a fé cristã oficial do protestantismo, que nega algum princípio da Reforma, e ainda que ninguém diga a ele que deve retratar-se, a autoridade da Igreja, na respectiva denominação protestante-reformada, reivindicará a correta intepretação segundo seu entendimento. Assim, ele tem de crer no que a denominação diz, pois ninguém está livre para desobedecer a Deus, mas para viver a liberdade dos filhos de Deus.

Se a instituição romana não diz, deve ficar calado e suprimir sua própria consciência.

Não, caro Lucas. Se a instituição não diz, talvez a contribuição daquele estudioso pode suscitar um pronunciamento, aprovando ou não aquilo que foi dito. Até então, todos estão livres para apresentar suas opiniões. Uma vez definido algo, todos devem acatar. Obviamente, não de forma mecânica e contra consciência, mas responsável e conscientemente.

Deve decidir ficar preso ao invés de procurar a Verdade. E se a consciência dele lhe diz coisa diferente do catecismo, deve suprimi-la ainda mais!

Pelo que escrevi, creio que você entenderá. A conclusão acima foi sua, não da Igreja. A Igreja nunca diria para um pesquisador calar-se onde ela não disse nada, nem que não deva procurar a verdade, mas apenas para não ensinar o erro aos outros, e submeter-se à autoridade legítima quando for o caso.

Assim, os evangélicos são livres para pensarem, sem suprimir ou reprimir sua própria consciência, buscando encontrar a verdade sem nenhum conceito a priori que o obrigue a crer em outra coisa.

Provei o que escrevi acima. Agora, você está apto a entender essa distinção: quando alguém procura a verdade, sabe que há algo que existe absolutamente e que não está sob nossos caprichos. Por exemplo, a Bíblia é a Palavra de Deus, e vamos a ela para aprender, não para criar teorias errôneas. Nesse ponto, cristãos católicos e cristãos protestantes são iguais, estão na mesma realidade. O que nos separam são as doutrinas que cada um abraçou por crer ser ela verdadeira. Vamos à Bíblia, à história cristã, ao bom senso, estuando cada ponto em seu respectivo mundo e sentido, e analisando-o segundo a Palavra de Deus. Só assim você tornar-se-á cristão católico, e poderá usar do seu livre-exame para glorificar a Deus na Igreja dEle.

O católico, ao contrário, é obrigado a priori a crer em uma interpretação que não é a dele, independentemente se ele concordaria ou não com essa interpretação se não lhe fosse vedado o direito de pensar.

O mesmo diga-se do protestante, que para ser fiel e sincero, deve crer de coração numa interpretação protestante que não é sua, não tem nele sua origem, mas que é apresentada como verdadeira, em consciência sã diante de Deus. Ele poderá, mas não contrariamente ao que for ensinado, no que diz respeito aos princípios da Reforma, e às verdades fundamentais, que caracterizam um verdadeiro protestante.

É por isso que os evangélicos são livres para conhecerem a verdade e serem libertos por ela, enquanto os católicos estão presos no erro e não podem sair dele.

Mais uma vez, você deve parar e pensar no que foi provado acima. Estamos todos na mesma situação, o que nos separa são muitas doutrinas que essencialmente divergem-se nos dois campos: católico e protestante. Não há essa coisa de uma não poder pensar e outro ser livre pensador, mas ambos estão, e devem estar, submetidos ao mesmo tipo de autoridade respectiva.

É como afirmou certo beneditino católico, dizendo:

 

“Temos que nos submeter às determinações da Santa Igreja. Embora nossa razão rejeite algum dogma, nossa submissão deve ser incondicional. Se isto é branco e a Santa Igreja diz que é preto, devo-lhe acatar a decisão e renunciar à lógica”

Aprendi isso do Protestantismo, quando esse critica a Igreja Católica, como você faz no seu artigo, mas nunca ouvi, nem li em fontes oficiais, algo parecido. Pelo que escrevi, creio que ficou clara a posição cristã.

 

Um católico, sim, pode discordar deste texto. Apenas tome cuidado para não discordar pela sua própria interpretação diferente do que foi dito. Se você fizer isso, cuidado: estará sendo um “protestante”.

Não, caro protestante. Se ele discordar, porque notou algo errado no texto, estará sando cristão católico. Se for provado que o texto é verdadeiro, sua atitude deverá ser a de acatar a verdade, senão será protestante. Digo isso no sentido de que muitos protestantes não submeteram-se, e não se submetem,  à verdade quando essa lhes foi e é apresentada, e preferiram e preferem suas opiniões. Mas, quando um protestante conhece a doutrina do Protestantismo e discorda pela sua própria interpretação diferente daquilo que aprendeu, então estará sendo herege, pelos próprios princípios do Protestantismo.

Em Cristo.

Gledson Meireles.