quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

A MÃE DOS "IRMÃOS" DE JESUS

As mulheres na cena da crucifixão e sepultamento de Jesus
Estudar a Bíblia, a Palavra de Deus, é maravilhoso. Os ensinamentos são riquíssimos e de natureza eterna. Um dos temas que mais me ensinou verdades profundas da Palavra de Deus foi o estudo sobre a virgindade de Maria. Impressionante é que o tema faz-nos deslocar para outros assuntos que lançam luzes nas verdades que concernem a Jesus Cristo nosso Redentor e Salvador. Esse é o objetivo de toda a Revelação.
Lendo a cena da crucificação, em Mateus 27, 54-57, e depois a do relato do sepultamento e da ressurreição, em Mateus 27,60-61 e Mateus 28,1-14, procurei identificar as mulheres que ali estavam junto à cruz e nos momentos seguintes.
O verso 55 afirma que “algumas mulheres, que de longe olhavam” eram mulheres que tinham vindo da Galileia, seguindo a Jesus, para servi-Lo. Afirma o evangelho: “tinham seguido Jesus desde a Galileia”. (v. 55) Não sabemos se todas eram nascidas ou não na Galileia, ou se todas apenas moravam ali, mas sabemos que a origem do seguimento de Jesus deu-se nessa região. Foi de lá que elas vieram com Jesus a Jerusalém.
O verso 56 nos informa quem eram elas: “Entre elas se achavam Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu.” Temos no relato de São Mateus uma identificação de “algumas mulheres”, não de todas, pois ele continua a narração afirmando: “entre elas”, expressão que nos prepara para termos um relato parcial de quais pessoas estavam ali naquela ocasião. E o evangelista menciona três mulheres. A primeira é Maria Madalena, aquela discípula da região de Magdala. A segunda é a Maria mãe de dois personagens, certamente de vulto, pois é por eles que ela é identificada aqui, os quais são Tiago e José. E a terceira é a mãe dos filhos de Zebedeu, portanto, outros personagens bastante reconhecidos, pelos quais sua mãe era identificada, e que em outras passagens sabemos tratar-se de Tiago e João.
Após a crucificação parece ter ficado naquele local apenas duas mulheres, conforme nos relata São Mateus. Essas duas foram Maria Madalena e a outra Maria, que “ficaram lá, sentadas defronte ao túmulo” (Mateus 27, 61). Então, depreende-se que as outras mulheres, juntamente com a mãe dos filhos de Zebedeu, foram embora, e ficaram em outro lugar. Apenas duas continuaram ali. Isso se fôssemos considerar que o relato exclui a presença de outras pessoas por não tê-las mencionado. Esse caso ficará mais claro durante o estudo.

Identificando as pessoas que foram ao túmulo
Sabemos por Mateus 28, 1 que as duas mesmas mulheres, ao amanhecer, foram ao túmulo. Nessa ocasião São Mateus as descreve como “Maria Madalena e a outra Maria”, as duas mesmas mulheres que foram apresentadas na cena de Mateus 27,56 e 61. Essas duas viram o anjo descer do céu e rolar a pedra que fechava o túmulo, e logo após tiveram a visão de Jesus. Isso está escrito em Mateus 28, 9. Elas aproximaram-se de Jesus, prostraram-se diante dele, e beijaram-Lhe os pés. Depois, continuaram sua caminhada para dar a boa nova aos discípulos.
Todo o contexto dessa cena mostra as duas mulheres como discípulas de Jesus. Vejamos que nos versos 55 e 56 acima citados, está escrito: “Havia ali também algumas mulheres que de longe olhavam; tinham seguido Jesus desde a Galileia para o servir. Entre elas se achavam Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu”.
Esse contexto permite-nos ver com clareza que nessa menção a mãe de Jesus não aparece. Do contrário, o Evangelista teria dito mais naturalmente que dentre as mulheres que haviam seguido Jesus estavam Sua mãe, e etc. Mas, diferentemente, após citar o nome de Jesus no relato, afirma que entre as seguidoras estava uma Maria Madalena, e a outra Maria mãe de Tiago e de José, e não mãe de Jesus, é preciso acentuar, e a mãe dos filhos de Zebedeu. Esse modo de apresentar por si mostra que a Maria citada em segundo lugar nesse versículo não é Maria mãe de Jesus.
Então fica claro, pelo contexto explicado acima, que a acompanhante de Maria Madalena não era a mãe de Jesus, mas outra Maria. Essa designação seria estranha, pelos cânones dos Evangelhos, se caso a “outra Maria” fosse a mãe do Senhor. Na cena a figura de Maria Madalena é sempre citada primeiro, seguida da outra Maria, mãe de dois personagens importantes citados, e que parece ser uma das mais próximas amigas de Maria Madalena.
Essas emocionadas mulheres estiveram de longe, olhando Jesus na cruz, ficaram após a crucificação, esperaram o sepultamento, voltaram pela manhã para embalsamar o corpo, e foram, por isso, aquelas que tiveram a notícia da ressurreição e viram a Jesus ressuscitado. Os apóstolos, e as outras mulheres, portanto os discípulos (v. 7), se lermos o termo incluindo os apóstolos e os outros discípulos em geral, estavam certamente à espera de alguma notícia dentro de Jerusalém.

Alguns detalhes na crucifixão
Na cena da crucifixão que o Espírito Santo também nos deixou, relatada por São Marcos, temos em Marcos 15, 40-41: “Achavam-se ali também umas mulheres, observando de longe, entre as quais Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, o Menor, e de José, e Salomé, que o tinham seguido e o haviam assistido, quando ele estava na Galileia; e muitas outras que haviam subido juntamente com ele a Jerusalém.
Por essa exposição, temos maiores informações sobre as mulheres que estavam em Jerusalém no dia da morte de Cristo. Como São Mateus, também São Marcos não cita todas as mulheres, mas algumas, “umas mulheres”, como escreve, e que essas ficaram “observando de longe”. Dessas a primeira citada é Maria Madalena, como fez o evangelista São Mateus, que pode ter utilizado esse relato de São Marcos, de alguma forma. A segunda é igualmente a Maria, mãe de Tiago e de José, mas São Marcos acrescenta que o Tiago aqui citado é chamado o Menor. É por algum motivo um termo diferencial dado a esse Tiago, e lembrado aqui para maior identificação dele. Por fim, o nome da terceira mulher é revelado, trata-se de Salomé, por certo a mesma que é chamada mãe dos filhos de Zebedeu. Uma vez que ele cita o nome dela, não mencionou os seus filhos. São Mateus usou de forma inversa, mencionado o nome apenas dos filhos, para que por esses a mãe fosse conhecida.
É afirmado também que ainda “muitas outras” mulheres ali estavam, e que seguiam Jesus, assistiam-No, e que vieram com Ele a Jerusalém. Essa é substancialmente a mesma informação que tivemos ao estudar o que nos ensina o Evangelho de Mateus.
Da mesma forma, sabemos do momento do sepultamento que “Maria Madalena e Maria, mãe de José, observaram onde o depositavam”. (Marcos 15, 47) Por essa informação, falando de Jesus, temos que as quatro mulheres citadas eram discípulas de Cristo. O evangelista refere-se a Jesus quatro vezes: “tirou-o da cruz, envolveu-o no pano e depositou-o num sepulcro” e “observaram onde o depositavam”, mas não relaciona aquela Maria a Ele em nenhum momento: “Maria Madalena e Maria, mãe de José, observaram onde o depositavam”. O natural esperado seria afirmar que: Maria Madalena e Maria, Sua mãe, observaram onde O depositavam, mas a Maria é constantemente ligada a outros filhos, que até esse momento foram citados juntos, a saber Tiago e José, ou na forma do evangelho de Marcos: Tiago, o Menor, e José.
Quando São Marcos mostra o que ocorreu no dia da ressurreição, afirma: “Passando o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para ungir Jesus.” (Marcos 16,1) Com essa passagem aprendemos que a não menção de um, ou mais, personagem(ns) não exclui a presença desse(s). De fato, São Mateus restringe-se a citar apenas Maria Madalena e a outra Maria, e São Marcos estende sua apresentação mostrando que Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, que com certeza é a mesma chamada por Mateus de “outra Maria”, e que também tem um filho chamado José, e Salomé estava juntas quando foram ao sepulcro. Em todo o relato de Mateus não vemos Salomé, mas o sabemos pela informação de Marcos que ela também estava presente com as outras duas mulheres.
De fato, são muitos os pormenores que há, e que são levantados por uma boa exegese. Vou restringir-me aqui ao fato que estou tentando, da melhor forma, elucidar. No verso 7 a menção “os discípulos” parece identificar os outros apóstolos, e talvez mais pessoas, sob a presidência de Pedro, que é citado à parte: “Mas, ide, dizei a seus discípulos e a Pedro que ele vos precede na Galileia”. (Marcos 16,7) No verso 9 Marcos afirma que a primeira aparição foi feita a Maria Madalena, não citando a outra Maria, e nem mesmo a Salomé, ainda que saibamos da presença delas ali naquele momento. Ressalta-se aqui o papel importante de Maria Madalena no grupo de mulheres, e na apresentação da Boa Nova da ressurreição de Jesus aos apóstolos.

O número de pessoas que foram ao sepulcro
No Evangelho de São Lucas, no capítulo 24, verso 55, está escrito que: “As mulheres, que tinham vindo com Jesus da Galileia, acompanharam José. Elas viram o túmulo e o modo como o corpo de Jesus ali fora depositado. Elas voltaram e preparam aromas e bálsamos. No dia de sábado, observaram o preceito do repouso.” Pelo que aprendemos no evangelho de São Marcos, essas mulheres não estavam com José de Arimateia enquanto ele levava o corpo de Jesus para O sepultar, mas olhavam a uma certa distância.
De igual modo, não é possível saber o número total de mulheres, mas apenas que dentre elas estavam Maria Madalena, Maria mãe de Tiago e Salomé. Ao voltar para casa, outras certamente puderam auxiliar no preparo dos bálsamos, mas não sabemos a identidade de todas as que foram de madrugada ao sepulcro, apenas temos, até aqui, por certo três delas, como visto acima.
São Lucas fornece ainda mais outros detalhes não encontrados nos outros evangelhos precedentes, de forma a enriquecer a cena, com importantes detalhes. Assim, em Lucas 24, 9, afirma-se que elas contaram da ressurreição “aos Onze, e a todos os demais”. Isso certamente está contido no outro evangelho sob o termo “os discípulos”, contendo os apóstolos e outros seguidores do nosso Senhor Jesus Cristo.
No verso 10, do mesmo capítulo 24, temos os nomes de algumas das mulheres: “Eram elas Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago; as outras suas amigas relataram aos apóstolos a mesma coisa”. Incrivelmente, o conhecimento da cena é ampliado. Temos que, com Maria Madalena, Maria de Tiago e Salomé, ainda encontravam-se no dia da ressurreição, indo ao sepulcro de madrugada, também Joana, e outras mulheres, suas amigas. Com São Lucas o relato fica ainda mais completo, nos informando que muitas mulheres foram ao sepulcro, e voltaram com a notícia aos apóstolos.
Prosseguindo o relato sagrado, temos no verso 18, que um homem chamado Cléofas voltava, com outro discípulo, para Emaús. (cf. Lucas 24,13.18) Certamente, pela ciência de tudo o que havia ocorrido, até mesmo da notícia da ressurreição, que algumas mulheres “dentre nós” haviam passado, esse mesmo Cléofas pode ser o esposo de Maria, mãe de Tiago e de José, mas que não crendo no testemunho das mulheres, ia para o povoado de Emaús. Não sabemos se lá moravam, ou se eram de lá provenientes, como de nascimento, mas a Bíblia apenas afirma que Cleófas e o outro discípulo, “caminhavam para uma aldeia chamada Emaús”. (Lucas 24,13) Se houve contenda entre Maria e Cléofas, ela crente e absolutamente certa do que ocorrera, ele triste e decepcionado com tudo o que vira, e desconfiado da notícia que as mulheres trouxeram, isso é uma possibilidade. Talvez Cléofas (o mesmo que Clopas) e Maria tratava-se de um casal de Emaús, que morava nessa região. Mas, os evangelhos falam que as mulheres serviam a Jesus na Galileia. Não é dito que todas eram da Galileia, mas que vieram com Jesus de lá. Por isso é certo que Cléofas, caso esse ser o mesmo do capítulo em apreço, ou outro de mesmo nome, e sua esposa Maria, ou pelo menos somente Maria, estivesse(m) servindo a Cristo em Sua missão na Galileia. Porém, ao que parece ambos estavam na Galileia.

A virgem Maria aos pés de Jesus na cruz
No Evangelho de São João vemos na cena da crucificação: “Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria mulher de Cléofas, e Maria Madalena. (João 19,25) O detalhe da proximidade da cruz é importante. O evangelista está descrevendo algo bastante próximo de Jesus na cruz, de forma que Ele pudesse conversar com os presentes, como o fez com Maria Sua mãe, nos versos seguintes. Este é um relato das pessoas que ficaram, pelo menos por um tempo, aos pés da cruz.
As mulheres relatadas são Maria, citação claramente que indica “sua mãe”, e a irmã de Sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. Como não há meio de saber com certeza se a passagem mostra três ou quatro mulheres, pois não há sinais de pontuação no original grego, isso deve ser melhor esclarecido pelo contexto encontrado nos evangelhos.
Uma das leituras vê a irmã de Maria como a mulher de Cléofas, de nome Maria também. Outra tese considera que a irmã da mãe de Jesus seria Salomé, a mulher de Zebedeu. O original grego não traz pontuação, não há vírgula, de forma a tornar essa verificação impossível por esse ângulo. O que temos de certo é que a mulher de Cléofas é a mãe de Tiago, o Menor, e de José.
É interessante que, nessa cena, a mãe de Jesus é citada entre as mulheres. E é citada em primeiro lugar. Nos outros relatos, Maria Madalena encabeça a lista, quando não havia a menção de Maria mãe de Jesus.
A Maria de Cléofas vem em segundo lugar, com exceção, como visto neste estudo, do evangelho de Lucas, que traz Joana em segundo lugar. A Maria mãe de Tiago é citada em segundo lugar em João 19,25. Agora em João temos Maria Madalena em último. Pelo contexto vemos que o intuito foi preparar a cena onde Cristo entrega Maria a João, e João a Maria como mãe e filho. E, ainda, o lugar de Maria Madalena, sendo por último citada, mantém certo destaque. Fica evidente, porém, que Maria Madalena não é citada em primeiro lugar quando a cena traz o nome da virgem Maria, mãe de Jesus.

O modo dos evangelhos de contar os fatos
Isso podemos ver no verso 11, onde a aparição a Maria Madalena é mostrada em separado. Como a cena já foi delineada nos outros evangelhos, aprendemos com isso que o evangelista João está apenas enfatizando algo quando faz suas citações. Os personagens principais, envolvidos nos acontecimentos, segundo a vontade de Jesus, são os mais mencionados. E quando Maria mãe de Jesus está na cena, é sistematicamente citada em lugar de destaque.
Em João não encontram-se os pormenores da observação das mulheres no sepultamento de Jesus. São João afirma do dia da ressurreição: “No primeiro dia que se seguia ao sábado, Maria Madalena foi ao sepulcro, de manhã cedo, quando ainda estava escuro”. (João 20,1) Em preparação para a cena da aparição de Cristo a ela, não aparecem as outras mulheres, como o fez os demais evangelistas. Esse é um dado importante no estudo da Bíblia, onde o sentido de um versículo é completado por outro em outras passagens. Observando a cena nos vários evangelhos, a inclinação que temos é que em João 19,25 há a menção de três mulheres, e não quatro. E assim sendo, a Maria mãe de Tiago é irmã de Maria mãe de Jesus. Não é exigido que fosse filha dos mesmos pais, para não termos duas irmãs com nomes iguais, mas significa que são da mesma família, do mesmo clã judaico, de laços próximos, como primas, e por isso tratadas de irmãs. A preposição grega “e” [kai] encontra-se dividindo apenas três mulheres.

 Tiago Maior e Tiago Menor
Os contemporâneos de Jesus ficam conturbados com Sua ação e disseram: “Não é este o filho do carpinteiro? Não é Maria sua mãe? Não são seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas ?” (Mateus 13,55)
Em Marcos 6,3 encontramos o mesmo: “Não é ele o carpinteiro, o filho de Maria, o irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? Não vivem aqui entre nós também suas irmãs?
Em São Mateus, Jesus é o Filho do carpinteiro, e em Marcos é Ele mesmo o carpinteiro. Isso porque Jesus seguiu a profissão de São José. As versões mostram a fala dos contemporâneos a partir da Pessoa de Jesus: “não é Ele...”. E pela referência n´Ele falam de Maria, e depois dos irmãos. Isso quando lemos o texto de Marcos. Em Mateus fala-se de Jesus identificado como o filho do carpinteiro e de Maria, cujos irmãos são aqueles mencionados. Em Marcos não é citado São José, como o fez Mateus, mas trata-se da mesma ocasião. Um relato completa o outro, como aprendemos na Bíblia.
Esses nomes citados com parentesco em relação a Jesus, os Seus irmãos, possuem uma ordem na qual aparecem: primeiro Tiago, depois José. Simão e Judas mudam de lugar, sendo também Judas e Simão.
Lembrando que uma Maria é conhecida no Novo Testamento como a mãe de Tiago e de José, temos evidência fortíssima, e clara, de que trata-se do Tiago e do José citados em Mateus 13,55 e Marcos 6,3. Esses dois são irmãos, como evidenciado pelo contexto, e provavelmente o são também os dois últimos, Simão e Judas. Doutra forma, esses são parentes próximos.
Em Mateus 10,2 encontramos Tiago, filho de Zebedeu, irmão de João. No verso 3 é relatado Tiago, filho de Alfeu e Tadeu. Pela junção de ambos Tiago e João, e Tiago e Tadeu, parece tratar-se de duas duplas de irmãos. A primeira dupla é composta dos filhos de Zebedeu, o que está explícito, e a segunda compõe-se dos filhos de Alfeu, e esse conhecimento é fruto de exegese.
Não é apenas pela relação inferida do uso da preposição que Tiago de Alfeu e Tadeu são irmãos. De fato, Simão e André são irmãos, Tiago e João são irmãos, Filipe e Bartolomeu não sabemos, Tomé e Mateus não sabemos, Simão e Judas Iscariotes certamente não o são, mas igualmente não sabemos com certeza. A preposição “e” na dupla final pode estar referindo-se à terminação da lista com Judas: “e Judas Iscariotes, que foi o traidor”. Os outros que são apresentados pela preposição talvez possuam algum laço comum.
A lista do Evangelho de Marcos traz um agrupamento diferente, mas Tiago aparece como filho de Alfeu, seguido de Tadeu e Simão. (Marcos 3,16-19) Simão e André aparecem separadamente, pois abre-se uma explicação para o nome Pedro, dado a Simão, e o de Boanerges, dado a Tiago e João. Segue então a lista de forma parecida com a anterior de Mateus.
Na relação de São Lucas, há os apóstolos Tiago e João, sem qualquer identificação, e Tiago é mostrado como filho de Alfeu, seguido por Simão e Judas, traduzido por “irmão de Tiago”. O original traz “Judas de Tiago”. (Lucas 6,12-15)
Em Atos dos Apóstolos há uma nova enumeração, mas Tiago filho de Alfeu é seguido por Simão e Judas. Simão é dito o Zelador, e Judas é o irmão de Tiago. (Atos 1,13-14)
Impressionante que na lista dos apóstolos, Tiago é citado primeiro, identificado como filho de Alfeu, ou Tiago de Alfeu, como está no original, depois do qual seguem Judas e Simão. Simão é apresentado como zelota, por ser membro do partido dos zelotes ou por ser um judeu zeloso pela Lei. Judas é também chamado Tadeu, e é em Atos ligado a Tiago: Judas de Tiago. Temos assim, sem as qualificações: Tiago, Simão e Judas, na lista dos apóstolos.
Segundo o costume do evangelho de citar dois irmãos, separando-os por uma explicação ligada a um deles, como feito em Mateus 10,2: “Simão, chamado Pedro, e depois André, seu irmão”, ao invés de apenas Simão e André. E também com Tiago e João: “Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão”, é bastante provável que a especificação: “Tiago, filho de Afleu, e Tadeu” tenha o mesmo sentido, ou seja, “e Tadeu”, seu irmão. (cf. Mateus 10,3) Assim, temos Tiago e Judas como irmãos de fato.

Tiago de Alfeu é o "irmão" de Jesus e foi apóstolo
Sendo que Tiago de Alfeu é um apóstolo, fica claro ainda em outra passagem, em que São Paulo o disse em Gálatas 1,19: “Dos outros apóstolos não vi mais nenhum, a não ser Tiago, irmão do Senhor”. Dessa explicação, sabemos que Tiago é um apóstolo, pois Paulo fala: “Dos outros apóstolos” e “a não ser”, ou seja, ele não tinha visto, além de Pedro, a nenhum outro, somente a Tiago. E esse Tiago é chamado “o irmão do Senhor”.
Temos um conjunto já formado de informações: Tiago é filho de Alfeu, é um apóstolo, e é um irmão de Jesus. Por essa indicação percebe-se que Tiago é um personagem muito conhecido no Novo Testamento. É ele quem encabeça a lista dos irmãos: Tiago, José, Simão, Judas. É por ele que a lista dos apóstolos identifica o parentesco com Alfeu. E por isso, conclui-se que a Maria, citada muitas vezes nos evangelhos como mãe de Tiago, e de José, é a mãe do apóstolo Tiago, filho de Alfeu. É também a ele que São Judas refere-se quando escreve: “Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago”. (Juda 1) Temos assim Tiago, José e Judas plenamente identificados, com uma harmonia incrível.
Quando ao apóstolo Simão, a História Eclesiástica de Eusébio de Cesareia mostra que Hegesipo testemunha que ele é filho de Cléofas e irmão de Tiago, o que faz completa a lista de Mateus 13,55 e Marcos 6,3. De fato, ele foi o sucessor de São Tiago no posto de bispo em Jerusalém. O Tiago Maior, que é irmão de João, é o filho de Zebedeu. O Tiago Menor é o filho de Cléofas, por certo o mesmo Alfeu, esposo da outra Maria.

Aparições de Cristo
Como já vimos, os relatos são normalmente feitos segundo os fatos relevantes que aconteceram, e as pessoas mencionadas são aqueles que mais de perto estiveram ligadas ao fato específico. Assim, em João 20,1-2 está escrito: “No primeiro dia da semana, Maria Madalena vai ao sepulcro, de madrugada, quando ainda estava escuro e, vê que a pedra fora retirada do sepulcro. Corre, então e vai a Simão Pedro e ao outro discípulo, que Jesus amava, e lhes diz: “Retiraram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde o colocaram”.
Sem recorrer aos outros relatos desse acontecimento do dia da ressurreição, teríamos que somente Maria Madalena foi ao túmulo de manhã, e ao notar que Jesus não estava lá, voltou a contou o fato a Pedro e a João. Somente essas pessoas são citadas, e a cena parece clara quanto à presença de somente elas. E percebemos uma ida de Maria Madalena aos discípulos antes que Jesus aparecesse a ela.
E se a leitura continuar, o mesmo segue-se, pois a aparição dos anjos e do Senhor é feita a Maria Madalena, e ninguém mais é citado na cena por São João. (cf. João 2, 11-18)
No verso 19 vemos que ao cair da tarde, no mesmo dia, o domingo, Jesus aparece a todos os apóstolos, com exceção de Tomé. Esse não estava lá, e por isso não creu na ressurreição através do testemunho dos outros. (João 20,24-25) Mas, a misericórdia de Jesus é infinita, e Ele aparece oito dias depois, aos discípulos, e nesse dia Tomé estava presente. (vv. 26-27)
Após alguns dias, Cristo apareceu novamente aos discípulos no mar de Tiberíades. Lá estavam Pedro, Tomé, Natanael, Tiago, João, e mais dois outros, dos quais não são citados os nomes. Nessa aparição ele conversa com Pedro, fazendo-lhe a promessa de apascentar Seus cordeiros e ovelhas. (João 21, 1-3.15-18)
No evangelho de Mateus vemos Maria Madalena acompanhada ao ir ao túmulo pela manhã, e ao ver o anjo e o Senhor ressuscitado. (Mateus 28, 5.9) Por essa passagem, fica ainda mais claro o fato de que os evangelistas podem citar parcialmente um acontecimento, para dar-lhe sua ênfase particular, e que a cena pode ser construída com o auxílio de outras passagens sobre ela.
São Marcos afirma a aparição a Maria Madalena, e depois a dois discípulos que iam ao campo. (Marcos 16, 9.12) Depois, fala da aparição aos Onze. (Marcos 16,13) Portanto, lendo esse relato nos versos 11 e 12 temos a impressão de que após a aparição a Maria Madalena a próxima foi àqueles discípulos que caminhavam para o povoado de Emaús.
Nesse mesmo sentido, São Lucas fala a respeito da visita de Pedro ao sepulcro: “Pedro, contudo, levantou-se e correu ao túmulo. Inclinando-se, porém, viu apenas os lençóis. E voltou para casa, muito surpreso com o que acontecera.” (Lucas 24,12) Não percebemos outras pessoas com São Pedro nesse momento. Mas, pelo relato de São João, isso fica claro, pois ao sair São Pedro, São João corre atrás dele, e o ultrapassa, chegando primeiro ao túmulo, ficando do lado de fora. Pedro chega logo após e entra no sepulcro. (João 20)
E dos dois discípulos, que através de São Marcos não lemos os nomes, em São Lucas um deles é nomeado Cléofas. Depois que viram Jesus ressuscitado, voltam a Jerusalém com a fé restabelecida, e mencionam o fato de que Jesus apareceu a Simão. (Lucas 24,18.34) No verso 24 é relatado que o testemunho das mulheres apenas trazia a aparição angélica, e que ninguém ainda havia visto o Senhor. Então, é narrada a aparição aos discípulos, nos versos 37 a 52.
Escrevendo sobre esses acontecimentos, o apóstolo São Paulo mostra que isso é conteúdo da fé cristã. Em primeiro, ao lembrar as aparições, menciona a aparição a Cefas (Pedro), e depois aos Doze apóstolos. Ainda uma aparição a quinhentos irmãos, uma a Tiago, e depois uma a todos os apóstolos. E por fim fala da aparição a ele mesmo. (1 Coríntios 15,5-8) Pelo visto, São Paulo não está fazendo uma citação com a cronologia completa das aparições, mas manifestando que essas são parte da fé cristã original, oficial, e obrigatória a todo o cristão professo.
Pela descrição dos discípulos de Emaús, e de São Paulo em 1 Coríntios 15,5, teríamos que o primeiro a ver o Senhor foi Simão Pedro, mas que os relatos nos mostram que foi a Maria Madalena, e a outras mulheres com ela, que o Senhor apareceu primeiramente.
Aprendemos que as citações nem sempre revelam, separadamente, toda a cena, e deixam-nos impressões que não condizem com as mesmas, quando fazendo uma exegese cuidadosa, segundo os dados fornecidos. Muito pode fazer parte da nossa imaginação, que tende a completar algo que percebemos estar faltando, ou mesmo à nossa razão que está inclinada a concluir algo apressadamente, e com isso fazemos uma ideia rígida da cena, quando o texto não nos permite mais do que ele mesmo nos revelou e sugeriu.
Diante de tudo isso, alguns exigem que sejam explicados detalhes que a Bíblia não mostra serem de importância para o entendimento do que está posto. Um exemplo é a aparição a São Tiago, como revelada por São Paulo. No mesmo contexto em que as aparições de Cristo ressuscitado são mencionadas, fala-se de uma aparição a Pedro, em particular, e ao grupo em geral depois, como também conta-nos uma aparição a Tiago, e depois aos outros. Os detalhes e objetivos dessas aparições a indivíduos não são de todo revelados.
São Paulo cita a aparição que teve do Senhor como sendo a última, e isso sabemos que foi naquele momento que ocorreu a sua conversão. A Pedro e a Tiago o motivo com certeza não foi converter-lhes, pois os mesmos haviam tido outras aparições quando estavam com os demais apóstolos e discípulos. No caso de São Pedro é interessante ressaltar que na aparição feita quando estavam pescando, foi quando Jesus perguntou se ele O amava mais que os outros. Isso sugeriria que a aparição particular ainda não tivesse ocorrido, se fôssemos pensar que Jesus teria feito esse questionamento logo na primeira oportunidade. De fato, a ordem das manifestações de Jesus não é plenamente conhecida.
Desse modo, a aparição a Maria Madalena e às outras mulheres é seguida daquela aos dois discípulos, ou seja, a Cléofas e ao outro, que dirigiam-se a Emaús. Quando, porém, voltaram aos Onze, os dois contaram tudo o que tinham visto, e testemunharam uma aparição a Simão. (Lucas 24,18s) Pelos dados do evangelho de João teríamos que a aparição a Maria Madalena foi seguida por aquela aos discípulos de Emaús. Porém, ao ler o relato dos mesmos, vemos que uma aparição a Simão pode ter ocorrido nesse intervalo, após a manifestação a Maria Madalena, e antes daquela que eles tiveram a graça de receber.
Mas, há outra possibilidade. O uso da designação os “Onze” pode ser referencial, de forma a não equivaler ao número exato dos onze apóstolos em cada momento em que o termo é empregado, sendo usado apenas para indicar o grupo dos apóstolos, ainda que refira-se a um número menor deles em uma ocasião. Da mesma forma, quando “os discípulos” são indicados, não sabemos quantos deles estavam reunidos, a não ser que um esclarecimento seja dado na Palavra de Deus.
Por esse ângulo, no verso 19 do capítulo 20 de São João está escrito: “Na tarde do mesmo dia, que era o primeiro da semana, os discípulos tinham fechado as portas do lugar onde se achavam, por medo dos judeus. Jesus veio e pôs-se no meio deles. Disse-lhes: “A paz esteja convoco!””. E, mais adiante, no verso 24, há um esclarecimento: “Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus.
Assim, conforme Marcos 16,13, os dois discípulos contaram a aparição aos Onze, e esses não creram: “Eles foram anuncia-lo aos demais. Mas estes tampouco acreditaram”. A expressão “aos demais” poderia indicar todos os outros discípulos, mas não é isso necessário. E pela análise contextual, isso é menos provável. Assim, possivelmente, Pedro não estava ali ainda, e sua aparição foi revelada por Jesus aos discípulos e Emaús. Cristo certamente contou-lhes da Sua aparição a Simão. Isso é reforçado pela informação de que “mas estes tampouco acreditaram”, o que se entendido como incluindo todos os onze, colocaria Pedro e João nessa categoria, o que sabemos não ser o caso.
De fato, em João 20, 7 e 8 está escrito que João chegou ao sepulcro, mas não entrou de pronto. Pedro chegando em seguida, entrou no sepulcro, viu o sudário e os panos. Logo, entrando João, “viu e creu”. Então, o verso 9 mostra a fé de ambos: “Em verdade, ainda não haviam entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dentre os mortos.” A fé foi a eles completada naquele momento. Então, o verso 10 mostra que eles “voltaram para as suas casas”. Essa informação explica o motivo de Pedro não estar entre os “onze” quando os discípulos de Emaús contaram o que havia ocorrido no caminho.
Não compreendendo esse modo bíblico de relatar os fatos, alguns afirmam que a aparição a Tiago provaria tratar-se de um “outro” Tiago que não estava no número dos Doze, pois Jesus já havia aparecido aos apóstolos mais de uma vez, e não haveria razão para, em particular, aparecer a Tiago novamente. Seria essa a ocasião de reavivar ou dar a fé a um incrédulo. Mas, como já pode-se notar neste estudo, Jesus aparece a Pedro em circunstância similar, ainda que já tivesse aparecido a ele noutras ocasiões. Em nenhum momento a Bíblia afirma o motivo dessas aparições. E se o caso da tríplice exigência de da confissão de amor a Cristo foi a primeira aparição a Simão, então temos que a aparição em particular tem outra razão que não seja o testemunho da ressurreição. Esse certamente não foi o motivo em cada vez que aparecia. No entanto, o contexto inteiro é uma prova de que o Senhor está vivo, ressuscitado, e várias vezes apresentou-Se aos discípulos, falou com eles, tomou refeição com eles, partiu o pão, ensinou-lhes. Sabemos que Cristo apareceu durante quarenta dias, falando das coisas do reino. (Atos 1,3) Portanto, foram inúmeras aparições, a grupos de pessoas, a pessoas em particular, em diversos momentos. E, estritamente em concordância com os dados bíblicos, sabemos que nenhum motivo há para levantar qualquer problema quanto à identidade do apóstolo Tiago, que é filho de Maria e Cléofas-Alfeu. O que passa disso é fruto de imaginação.

 Aparição a Tomé
As Escrituras mostram que o apóstolo Tomé foi aquele que não creu na ressurreição do Senhor, e exigiu que para isso devesse primeiro ver e tocar o corpo de Jesus. (João 20,25) Por isso, na cena acima relatada, que está no evangelho de são João, a primeira aparição especifica que Tomé Dídimo não estava com os outros discípulos naquele momento. Isso prepara para entendermos o modo do Senhor tratar aquela questão.
Oito dias depois, no domingo próximo, Jesus aparece aos discípulos. Então, o verso seguinte afirma que “estavam os seus discípulos outra vez no mesmo lugar e Tomé com eles”. (João 20, 26)
Tomé foi aquele que pôs um desafio ao Senhor, e a aparição a ele foi entre os outros discípulos. Se alguém precisava de uma aparição exclusiva, esse foi Tomé. Mas, ainda assim, oito dias transcorreram sem que Jesus fizesse isso. Dirige-se a ele individualmente, sim, mas entre os outros, diante de todos. Portanto, a Bíblia não oferece nenhuma base para que seja fixado um objetivo de Jesus ao revelar-Se a alguém, ou a um grupo. E ainda que o fim seja provar Sua ressurreição, não há motivo de pensar que a aparição seria feita individualmente.

São Pedro e São Tiago
O apóstolo Tiago é um dos mais citados na Igreja primitiva, como sendo de autoridade notória naqueles tempos. Por exemplo, Pedro manda anunciar a Tiago o que havia ocorrido. (Atos 12,17) É São Tiago que fala após Pedro decidir a questão no Concílio de Jerusalém. (Atos 15,13) Localmente, entretanto, era São Tiago o bispo da igreja na cidade de Jerusalém, ainda que São Pedro fosse o primeiro dos apóstolos.
Portanto, a aparição a Tiago em particular está nesse contexto que envolve um dos maiores líderes da igreja local de Jerusalém. São Pedro o chefe do colégio apostólico, e São Tiago o líder da igreja local de Jerusalém, sendo o seu primeiro bispo. E esse Tiago é o filho de Alfeu e Maria, a mesma chamada nos evangelhos de “a outra Maria”, como fica claro pela correta exegese, e comprovado por documentos históricos.
Christopher Wong afirma que provavelmente a outra Maria era cunhada da virgem Maria, mãe de Jesus. Ele cita as informações que Hegesipo conservou, de que Simão era filho de Cléofas, e foi bispo de Jerusalém. Afirma, ainda, que Cléofas era irmão de São José.[1]

Por tudo isso, aprendemos que a Bíblia corrobora a doutrina da virgindade de Maria, e conforme a profundidade exegética aumenta, mais é notória a verdade de que Jesus foi seu Filho único. 

Gledson Meireles.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

O CATOLICISMO ROMANO

O Catolicismo é o Cristianismo, termo referente a sua acepção essencial, pois esse é universal, aberto, público, para todos os povos e nações. O nome cristianismo é oriundo do nome Cristo, é a religião de Cristo, e o Catolicismo é sua característica de universalidade, pois católico quer dizer universal. Portanto, Cristianismo e Catolicismo são o mesmo. O Cristianismo e universal, o Cristianismo é Catolicismo.

A Igreja Católica é governada por um papa e os bispos do mundo inteiro, com seus presbíteros e diáconos. Tendo a sede governamental em Roma, essa é chamada também de Romana, com acepção histórica, visto que desde o apóstolo Pedro todos os papas quiseram viver na capital do Império. Aliás, esse é um dado da Providência de Deus. Visto que Jerusalém foi destruída em 70 d. C. pelo general romano Tito, e São Pedro que já anos atrás havia tido de fugir para “outro lugar” (cf. Atos 12), que é Roma, isso tornou possível levar o evangelho para todos os lugares, partindo da grande capital do Império Romano.

Em uma tese comum no Protestantismo afirma-se que a Igreja no primeiro século não tinha uma rede de governo unificado, mas eram autônomas: “Até aí, as igrejas eram autônomas e não tinham nenhuma forma de governo eclesiástico.” (CABRAL, J. RELIGIÕES, SEITAS E HERESIAS, 1980, COLEÇÃO REINO DE DEUS.) Os textos bíblicos citados em nota de rodapé são 1 Cor 12,13; 2 Cor 3,17; Gl 3,3; Ef 1,3.14, Hb 3,7; 1 Jo 5,6. Mas, a Igreja sempre teve governo unificado, e é heresia afirmar o contrário.

Vale notar que nenhum desses textos, absolutamente nenhum deles, afirma que havia igrejas autônomas. Se um pelo menos indicasse tal coisa, deveríamos investigar, mas não há passagem que possa oferecer uma vaga ideia sobre isso.

Gledson Meireles.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Mais sobre Santo Irineu e a tradição


Precisamos entender o que era a Tradição à qual Santo Irineu mencionou e empregou em sua luta pela verdade contra as heresias de seu tempo. Já escrevi sobre isso, como por exemplo aqui e aqui, e creio que ficou claro.

Nos debate a respeito da doutrina Sola Scriptura, ou do princípio Sola Scriptura, sabemos que temos que entender também o sentido da Sagrada Tradição, o seu devido valor, assim também como a autoridade da Igreja. Vejamos, nesse caso, como Santo Irineu a considerava a Bíblia e a Tradição quando tratava de combater as heresias.

Para muitos, a tradição é somente aquilo que é ensinado nas Escrituras. Quando aparece o termo tradição nos escritos patrísticos, afirmam que deveríamos entender o ensino oral das doutrinas que estão registradas por escrito na Bíblia Sagrada, e não mais do que isso. Por assim dizer, a tradição teria o mesmo conteúdo da Bíblia, e no final das contas poderia ser identificada com a Bíblia. Pregar a Bíblia seria pregar a tradição. Isso é essencialmente o que afirma o seguinte artigo.

Se os ensinos da tradição são os mesmos da Bíblia, no sentido de que não há nenhum dado a tradição que esteja fora da Bíblia, mas que, ainda assim, em consonância com ela, como entendemos, então isso seria o que Santo Irineu estaria afirmando, e nada mais.

Mas não parece com o que Santo Irineu chama de tradição a maioria da vezes. É óbvio que como cristão católico apostólico romano, como mostrei aqui, Santo Irineu cria na mesma doutrina que era a doutrina da Igreja Católica em todo o mundo, como escreve em Contra Heresias, Livro I, capítulo 10. O resumo do credo não mostra, por ser um resumo geral, cada ponto de doutrina. Embora até hoje rezemos o credo na Igreja, não há inclusão de que cremos na imaculada conceição, na infalibilidade papal, na assunção da virgem Maria, e etc., e isso não significa que deixamos de crer nessas versas, mas somente que essas doutrinas estão no rol de ensino da Igreja, dentro do credo apostólico, mas não aparecem no Símbolo que rezamos.

Assim também as duas naturezas de Cristo, o juízo particular, a virgindade perpétua, os dons do Espírito Santo e etc., não estão ditas claramente, mas subentendidas. Portanto, o que Santo Irineu resumiu é o credo, e isso não prova que seu entendimento de tradição não inclua mais nada do que aquilo que está expressamente contido nas Escrituras, de modo o mais explícito possível.

O dogma da divindade de Cristo seria proclamado depois do tempo de Santo Irineu, por exemplo, e no Credo apostólico não está explicito essa doutrina, de forma que não podemos supor que santo Irineu negasse qualquer outra doutrina explícita própria da tradição pelo fato de que em sua exposição essa não foi mencionada.

A tradição é confiada ser o meio seguro de ensinar a verdade salvífica. Obviamente, Santo Irineu acreditava na harmonia de ensino entre a tradição e a Escritura, pois sendo Palavra de Deus não há tensão entre os dois modos de transmissão. No entanto, afirmar que o conteúdo de ambas é igualmente idêntico em sua apresentação, isso é ultrapassar aquilo que foi deixado por Irineu. O conteúdo de ambas as vias são idênticos em sua natureza, e diferentes em sua comunicação. Desse modo, qualquer dado da Tradição pode ser encontrado ao menos implicitamente na Escritura, e nela ter sua sustentação e prova, e nenhum ensino que contradiga à Bíblia pode ser adotado. Somente a Tradição que possui confirmação bíblica é que deve ser mantida. Tal é o que podemos ver em Santo Irineu.

No livro IV, capítulo 32, 1, de Contra as Heresias, Santo Irineu refuta a mentira de que Deus não seria o Autor de ambos os testamentos. Para isso, ao invés de somente endereçar o leitor à Escritura, para que a leiam, e por si mesmo sejam confirmados nessa verdade, ele por uma forma diversa ensina o que deve ser feito.

Para provar a asserção de que Deus é o Autor de todos os testamentos, do Antigo e do Novo Testamento, um presbítero que seja discípulo dos apóstolos, ou seja, que tem a tradição apostólica deve ser ouvido: “E então toda palavra parecerá consistente a ele, se ele ou sua parte diligentemente ler as Escrituras em companhia com aqueles quem são presbíteros na Igreja, entre os quais está a doutrina apostólica, como eu apontei.”

Não significa que o leitor deve procurar um bispo ou padre e sentar-se ao seu lado e ler as Escrituras na sua companhia para que a doutrina seja encontrada. Não é isso. A verdade é que a leitura das Escrituras tem estar conforme o líder da igreja local que é sucessor dos apóstolos. Como uma rede de unidade com toda a Igreja. De fato, Santo Irineu afirma que a doutrina dos apóstolos aí está, onde encontra-se um presbítero, que é um sucessor dos apóstolos.

Ao invés de afirmar que a doutrina está nas Escrituras, como de fato está, e cremos que toda a doutrina está na Bíblia, Santo Irineu afirma que devemos ter a opinião dos presbíteros da Igreja na leitura da Bíblia, pois é aí que está a verdadeira doutrina de Deus.

A doutrina foi ensinada pelos apóstolos, está escrita na Bíblia, e pode ser lida por quem quer que tenha a possibilidade de fazê-lo. Mas o que Santo Irineu aponta é que essa tarefa deve ser feita em companhia, ou seja, em conformidade, em harmonia, em concordância com a doutrina que os presbíteros ensinam na Igreja.

Santo Irineu então ensina em Contra as Heresias, Livro IV, 33, 1, que no advento de Cristo, que muitos estavam negando por sua conduta e fé contaminada, não sabendo que há dois adventos, por exemplo, ou seja, duas vindas de Cristo, uma na carne, quando veio como Homem para sofrer, morrer e ressuscitar, e outra quando virá na glória.

Da primeira vinda Santo Irineu menciona um dado importantíssimo. Ele afirma que Jesus ajuntou os filhos de Seu Pai no Seu rebanho, todos aqueles que estavam dispersos pelo mundo, e lembrou-se dos Seus próprios mortos, que dormiram, “e veio a eles para que pudesse libertá-los.” Essa é a fé na descida aos infernos, que é a mansão dos mortos, o lugar onde estavam as almas dos justos. Cristo foi até eles, diz Santo Irineu, para libertá-los.

Para provar sua asserção, de que Deus é o mesmo em ambos os testamentos, contra a doutrina dos gnósticos, Santo Irineu também menciona a Eucaristia, quando Cristo pegou o pão e reconheceu ser Seu corpo e o cálice Seu sangue, que são elementos da criação, e somente poderiam ser Seus se fossem criados por Deus, Seu Pai. Santo Irineu mostra a fé na identificação do pão e do vinho com o Corpo e Sangue de Cristo assim que Cristo os fez assim.

E, mais adiante, no mesmo capítulo, Santo Irineu ensina isso de forma mais esclarecida:

1.     A verdadeira doutrina vem dos apóstolos.

2.     Vem também da constituição antiga da Igreja.

3.     Alicerçada na sucessão episcopal.

4.     A Igreja em toda parte tem nessa linha sua sustentação.

5.     A doutrina é guardada nas Escrituras com exatidão plena.

6.     A exposição da doutrina deve ser conforme a Escritura.

Por tudo isso, devemos reconhecer que a Tradição está em íntima ligação com a Escritura e a Igreja, e que essa forma de ter a verdade pura do Evangelho foi expressa por Santo Irineu.

Gledson Meireles.

sábado, 2 de janeiro de 2016

Santo Irineu ensina a conformidade com a Igreja de Roma

De acordo com Santo Irineu, todos os cristãos têm possibilidade de ver a verdade por “contemplar a tradição dos apóstolos manifestada em todo o mundo”. Isso quer dizer que cada cristão católico, na igreja em que estiver, pode ver a tradição que ali é mantida, e que vem dos apóstolos de Jesus Cristo Nosso Senhor, e por isso encontrar a verdade nessa tradição.

Afirma também, por isso, a instituição dos bispos, que sucedem aos apóstolos. É um trabalho grandioso mostrar a tradição dos apóstolos em cada igreja, e para colocar os hereges em confusão, ele o faz mostrando a tradição de Roma. De fato, os hereges não podem traçar sua fé até os mesmos apóstolos. A Igreja de Roma é, segundo Santo Irineu, “a maior, a mais antiga, e universalmente conhecida Igreja fundada e organizada em Roma pelos dois mais gloriosos apóstolos, Pedro e Paulo; como também [apontando] a fé pregada aos homens, a qual vem ao nosso tempo por meio das sucessões dos bispos.”

Não tendo espaço para apresentar a tradição em todas as Igrejas, ele mostra a tradição de Roma, e com ela resume toda a autêntica e legítima tradição apostólica, que nos vem através da sucessão dos bispos.

E, continuando, afirma que é necessário ter comunhão com Roma. Ele escreve: “Pois é uma questão de necessidade que toda igreja concorde com esta Igreja, por causa da sua preeminente autoridade, que é, o fiel em toda parte, na medida em que a tradição foi continuamente preservada por aqueles [homens fieis] quem existem em toda parte.

Falando da sucessão apostólica da Igreja de Roma, ele mostra que São Lino sucedeu a São Pedro. Lino recebeu o episcopado das mãos de Pedro e Paulo. Depois sucede Clemente, e desse escreve santo Irineu: “Esse homem, como tinha visto os bem-aventurados apóstolos, e tinha conversado com eles, pode ser dito de ter a pregação dos apóstolos ainda ecoando [em seus ouvidos], e suas tradições diante de seus olhos”.

Assim, santo Irineu traz uma nota para compreendermos a tradição. Ele cita a pregação oral e as tradições visíveis, uma distinção interessante. Certamente, refere-se sob o termo tradição às instituições e costumes que os apóstolos deixaram.[1]

Portanto, ser cristão é guardar a tradição apostólica que vem através da sucessão de bispos da Igreja Católica, e está em conformidade com a Igreja na cidade de Roma. Portanto, devemos ser cristãos católicos apostólicos romanos.

Gledson Meireles.



[1] Santo Irineu, Against Heresies, Livro III, 3.
 

A autoridade do papa Vítor I na controvérsia da Páscoa

A respeito do poder do papa nos primeiros séculos, muita coisa é escrita, e o essencial é negado pelo Protestantismo. De fato, o protestante não está sob a autoridade do papa, e não reconhece a mesma.

O interessante artigo: A controvérsia pascal – um dos primeiros episódios que atestam o primado do bispo de Roma? do blog Conhecereis a Verdade, nega veementemente o primado do papa. Entre as afirmações estão o que resume a argumentação e a conclusão do artigo:

1.    O bispo Vítor não exerceu o imaginário primado.

2.    O bispo extravasou suas funções.

3.    Ataca o argumento católico de que o bispo nunca teve sua autoridade questionada naquela controvérsia.

4.    Argumento “interessante”, mas, não compatível com os fatos.

5.    Argumento importante está em: “Portanto, não necessitavam de ser convencidos nem que se lhes ordenasse que se adaptassem ao uso que já era tradicional para eles; em tais circunstâncias não é de admirar que a posição que já no tempo de Vítor sustentava a maioria dos bispos fosse promulgada como a prática universal em Niceia. O tempo não deu razão a Vítor mais do que deu a Teófilo de Cesareia, Narciso de Jerusalém, Ireneu de Lyon, e tantos outros que observavam a Páscoa no domingo.

6.    O erro, tratando da convocação dos concílios: “Mesmo se Vítor tivesse sido quem solicitou em primeiro lugar que se realizassem sínodos, isso não prova algum primado; antes demonstraria o contrário, ou seja, que não podia impor a sua vontade e necessitava do consenso do resto dos bispos.

7.    Ninguém negou a autoridade de Vítor porque ele não ordenou nada. Foi apenas um pedido.

8.    A autoridade foi negada a Vítor. “Gostaríamos de saber como se chega a esta conclusão de que ninguém questionou a autoridade de Vítor.”

9.    Vítor certamente decretou a excomunhão, que foi ineficaz.

10. Vítor “não tinha a autoridade para proceder como queria”.

11. Se fosse Vítor que tivesse escrito a exortação a Irineu, isso teria sido usado como prova da supremacia papal. (Conhecereis a Verdade citando em comentário George Salmon)

 

O texto pode ser visto neste link. Vou apresentar uma apreciação geral que, acredito, refuta o que foi escrito nos artigos mencionados aqui.

Pensemos que um filho que desobedece o pai, chegando a desrespeitá-lo, em alguma ocasião de sua vida, não estabelece com isso que a autoridade do seu pai seja inexistente. Mostra apenas uma divergência, e o exercício da autoridade do pai, que está sendo balançada, pela rejeição de obediência. O filho poderia até afirmar: “você não tem autoridade sobre mim”, o que mostraria apenas revolta, insubmissão, etc., não provando que aquilo seja fato.

Bem. Pelo que notei no artigo referido acima ensina-se que o papa, bispo romano, Vítor I, foi impelido por um zelo pouco refletido, ultrapassou as devidas fronteiras de sua jurisdição, agiu de forma ilegítima, ninguém submeteu-se a ele por isso, e a autoridade do mesmo foi portanto negada pelo fato de que muitos a ele opuseram-se, e chegaram a combatê-lo com dureza.

A circunstância que, talvez, levou Vítor I a preocupar-se com aquele assunto teria sido uma disseminação de heresia semelhante em Roma. Isso explicaria o modo de proceder de Vítor. Além do mais, o papa Vítor apenas pediu que outros convocassem o Concílio, debatessem a questão, pois não tinha autoridade para ordenar. E quando decidiu excomungar quem não pensou conforme sua decisão, ninguém deu ouvidos, ele recebeu duras repreensões, talvez tenha decretado a excomunhão, mas não tendo alguém para preocupar-se com isso as coisas continuaram como estavam. Isso foi o que ensinou o artigo anterior, e que estaria de acordo com os “fatos”.

Mas, pensemos bem. Uma heresia em Roma que pregava o judaísmo fez com que o bispo de Roma quisesse por fim àquela heterodoxia, sugerindo que os cristãos da Ásia comemorassem a festa da Páscoa na mesma data em que é comemorada em Roma, e que após não ter seu “pedido” atendido ele excomunga a todos os cristãos daquela região.

Se Vítor excomunga uma região inteira por não terem os cristãos submetido-se à sua “petição”, poderíamos considerá-lo louco, pois sabendo que não podia ordenar, apenas pediu, e quando os outros não quiseram atender, como esperava, então os excomungou. Não é isso que os fatos expressam.

Com isso, o bispo de Lyon, que era homem de paz, escreve ao bispo Vítor e leva-o a pensar em sua atitude, mostrando ser aquela questão de pouca importância, e que os bispos antes dele conviveram bem com isso (inferindo que tinha autoridade para fazer o mesmo, se pensassem ser o caso), e também que outros bispos da mesma forma foram duríssimos contra a decisão de Vítor.

A forma com que Santo Irineu interfere na questão mostra que seu desejo era realmente de exortar os irmãos na fé, e procurar a paz, como mostra Eusébio de Cesareia. A atitude de Vítor só teria razão de ser se sua jurisdição alcançasse outras regiões fora daquela de Roma, pois do contrário isso seria acusado pelos demais bispos. Contrariamente, os outros não disseram nada a respeito, apenas opondo-se à intolerância do papa, e não à sua autoridade de fazer o que fez, como filhos que discutem com o pai, conforme analogia apresentada no início.

Ainda em outro artigo que conclui fortemente o mesmo contra a autoridade de Roma afirma-se: “Este artigo é uma continuação ao tema, que abordará a divergência pascoal entre os bispos romanos e asiáticos no século II, divergência essa que é outra prova de que Roma locuta est; causa non finita est.”. Pode ser lido neste link.

Afirma-se que o bispo Vítor era orgulhoso: “Diferente de seu antecessor Aniceto, Vítor era orgulhoso e queria obrigar todo mundo a concordar com ele, chegando até mesmo a ameaçar excomungar os bispos da Ásia(!) na ocasião.

Note ainda que Eusébio diz que até Irineu estava entre os bispos que repreenderam a Vítor.

E concluindo: “O mito papista de que a palavra do bispo romano sempre encerrará qualquer discussão não passa de puro engodo para ludibriar os mais ingênuos e facilmente adestrados por este sistema apóstata e falido.

Em Roma viviam cristãos de origem asiática, e que comemoravam a Páscoa em data diversa daquela observada na igreja de Roma, e em todas as outras localidades, exceto a Ásia. Isso fez com que o papa Vítor escrevesse ao bispo da Ásia.[1]

Realizou em Roma um sínodo para isso, e pediu aos bispos que fizessem o mesmo. De certa forma isso é uma “convocação”. Pode-se lembrar do papa Pio IX ao declarar o dogma da Imaculada Conceição, mas que antes disso pediu opinião de todos os bispos do mundo a respeito da questão. Esse fato refuta radicalmente o item 6 acima.

Então, ao ter a conclusão da questão, o papa Vítor não escreveu aos cristãos da Ásia com termos fracos e apenas convidativos para a discussão ulterior, mas quis que a questão chegasse a um termo, e que esse fosse conforme a prática de Roma, e o costume geral em todos os outros lugares. Somente o papa pode agir assim.

Não fizeram isso nem Teófilo, nem Narciso, nem Irineu. Mas, somente Vítor. Como naturalmente fizeram várias vezes, quando necessário, os outros papas, ou seja, sempre os bispos de Roma.

Essas questões, e outras, mostram um papa zeloso e enérgico, não orgulhoso. Talvez sua severidade naquele momento fosse sem necessidade, mas certamente o papa não pode ser jugado de orgulho por isso. Não sabemos o que ocorreu imediatamente após aquela excomunhão, se foi realmente promulgada, ou se o papa Vítor voltou em sua decisão e permitiu aos cristãos da Ásia continuar sua tradição local. O fato é que anos mais tarde ninguém mais observava o preceito da Ásia. Isso significa que o costume geral chegou ali também, e os cristãos admitiram o que foi apresentado pelo papa Vítor.  Pelo ocorrido, Roma locuta est, causa finita est, de fato.

Escrevi sobre essa questão da controvérsia da páscoa neste artigo.



[1] http://www.newadvent.org/cathen/15408a.htm.