sexta-feira, 16 de agosto de 2024

LIVRO: Teologia e prática da Igreja Católica Romana: A doutrina da ressurreição: “desceu à mansão dos mortos, ressuscitou ao terceiro dia”

 

A doutrina da ressurreição: “desceu à mansão dos mortos, ressuscitou ao terceiro dia”.

Como funciona o Sola Scriptura para os protestantes? Ao analisar a doutrina da descida de Cristo à mansão dos mortos, pensemos um pouco sobre isso.

De fato, ela trata de uma das passagens mais difíceis de serem interpretadas nas Escrituras. Assim, aquela postura protestante sobre a clareza Bíblica, e sobre a afirmação de que as coisas que Deus quis revelar, são aqui demonstradas de modo mais prático. Esse assunto foi revelado? É importante para a salvação? A resposta cristã catálica para ambas as perguntas é sim.

Cristo continuou existindo em Sua Pessoa divina entre a Sua morte e Sua ressurreição. É claro que não poderia ser diferente? E quanto à Sua humanidade? Não há outra pessoa de Cristo, mas uma só. É Sua Pessoa divina. Então, não morte, a humanidade de Cristo sofre a morte e a Sua Pessoa experimenta esse estado por meio da Sua humanidade.

Por outra perspectiva, diríamos que Cristo assumiu a natureza humana para morrer, e assim conheceu a morte. Desse ponto de vista, está certo que a morte não é inexistência, pois Cristo não pode deixar de existir. Também é fato que a natureza em si não é algo capaz de experimentar a morte se não for consciente, uma pessoa. Portanto, Cristo experimentou a morte porque tornou-Se homem.

Há protestantes que concordam com a doutrina da descida de Jesus à mansão dos mortos, e outros não, conforme diz Gregg. Isso mostra a diferença que há entre a fé católica e a fé protestante. Católicos e protestantes possuem a Bíblia, ambos podem interpretá-la.

O protestante afirma que há clareza bíblica, e que pode descobrir o que Deus quis revelar. No entanto, muitas vezes interpreta diferentemente da tradição e do magistério da Igreja Católica.

Então, para não encontrar-se em situação desconfortável, deve afirmar que essa doutrina não é essencial para a salvação, para poder continuar com sua interpretação particular, ou do seu grupo, contra a doutrina geral claramente explicada pela Igreja Católica e confirmada em toda a tradição.

Mas, alguns dirão, contra a interpretação tradicional, que a expressão desceu à mansão dos mortos desenvolveu-se na história de um modo duvidoso, pois não estava nas versões mais antigas do Credo. Então, duvidam da origem apostólica da expressão e da interpretação bíblica, afirmando que a Bíblia não fala do assunto de forma explícita.

No entanto, quando o leitor examina a Escritura e fica com outra opinião e não a posição oficial da Igreja, ele não tem a certeza de sua posição, e ainda assim se recusa a deixá-la, e afirma estar interpretando a Bíblia e seguindo seu ensinamento. Isso mostra que autoridade interpretativa particular ou coletiva, de um grupo cristão, está acima de tudo, o que é um fato, já que a posição consagrada pela Igreja, equilibrada, clara, sólida, é descartada.

E quando se apresentam objeções à posição oficial, a Igreja possui respostas satisfatórias. Basta estudar a colocar-se sob a autoridade da Escritura, que afirma que a Igreja é coluna e sustentáculo da verdade. Então, o princípio Sola Scriptura estará sendo corretamente seguido, pelo cristão católico, pois uma vez ouvindo a Igreja temos o fundamento para essa obediência vindo claramente da própria Escritura Sagrada. Ou seja, há uma doutrina clara e revelada, que é a de ouvir a Igreja, e outra que está sendo examinada por ser menos clara. A Igreja possui a resposta. E o católico a encontra por ser comportar biblicamente ouvindo Bíblia e a Igreja.


Gledson Meireles.

segunda-feira, 12 de agosto de 2024

Livro: Teologia e Prática da Igreja Católica Romana

Refutação a respeito do cânon bíblico e da interpretação bíblica oficial

O cânon da Escritura

 

Não é possível afirmar que os livros da tradução dos LXX, a Septuaginta, não estavam contidos na Bíblia hebraica, e que nunca fizeram parte dela, simplesmente porque o cânon não estava fechado no tempo de Cristo, no primeiro século.

Essa afirmação de Gregg Allison é gratuita. Se não havia cânon, não se pode afirmar que tal livro nunca fez parte de uma lista. É o primeiro ponto refutado.

Ainda, se a Igreja usou a Septuaginta e não fez qualquer crítica a seus livros no primeiro século, é outra evidência de que o cânon estava em aberto.

Existem evidências a favor de ambas as posições? Vejamos. A lista de Melito em 170 d. C. não contém Ester. E Ester é um livro inspirado. Ele não era reconhecido em toda a Igreja da época. Então, o cânon estava em aberto.

Orígenes, no século III, inclui a cara de Jeremias, o que prova que o cânon estava em aberto.

Santo Atanásio, no ano 367 d. C., inclui a Carta de Jeremias e Baruque. Também, Santo Atanásio não inclui Sabedoria, Eclesiástico, Ester, Judite e Tobias. Então o próprio livro de Ester estava sendo rejeitado por muitos, e certamente não poderia ser usados para fundamentar doutrina, o que mostra que o cânon estava em aberto.

São Cirilo optou pelo cânon hebraico. A falta dos Deuterocanônicos na maioria dos escritores dessa época não mostra que eram rejeitados sempre, assim como a rejeição de Ester e a aprovação de Baruque não prova que sempre foi assim. Eram tempos de discernimento.

E mais. A contagem dos livros divergia entre os escritores cristãos.

Gregg fala da intervenção decisiva de Santo Agostinho ao aceitar o cânon com os deuterocanônicos, seguindo os apóstolos.

A lista dos livros inspirados, conforme aceito por Santo Agostinho, foi também definida em Concílios regionais, como o de Hipona em 383, o terceiro de Cartado em 397 e o quarto de Cartago em 419.

Isso evidencia que a questão havia sido fechada, pois em todos esses concílios o cânon era idêntico, com os 46 livros par ao Antigo Testamento e 27 para o Novo Testamento.

Santo Agostinho não poderia ser o influenciador de todo esse consenso, mas a decisão dos concílios é testemunho histórico da unidade da Igreja da época sobre o cânon, e que Santo Agostinho refletia essa unidade.

Assim, o teólogo protestante mostra que essa decisão foi adotada sem contestação significativa até o século 16. Essa constatação comprova a verdade do cânon católico.

É evidente que o cânon cristão estava fechado, pelo que se pode notar nas decisões anteriores, mas que ainda surgiam algumas dúvidas, talvez pela falta de comunicação e pelas dificuldades existentes na época, e porque a Igreja não havia sido plenamente clara nesse ponto ainda.

Fica claro também que o Protestantismo rejeitou os deuterocanônicos por motivos doutrinais, e pelo equívoco de que o cânon de 22 livros hebraicos estava fechado no primeiro século. Essa decisão dos judeus foi feita mais tarde. E quando o Protestantismo adere a essa decisão e não a da Igreja, está agindo equivocadamente, mostrando sua cisão com a tradição bem desenvolvida.

Gregg Allison cita um argumento de Peter Kreeft. Esse afirma que a Bíblia foi escrita pelos apóstolos e santos e definidas pelos bispos que os sucederam, ou seja, a Igreja escreveu a Bíblia e a Igreja definiu a Bíblia.

Mas Gregg afirma que isso é uma perspectiva equivocada. E para provar sua asserção, afirma que essa visão de Kreeft não considera o real desenvolvimento do cânon.

Seria uma negligência não reconhecer que Santo Agostinho “rompeu com uma tradição bem desenvolvida”, que era adotada por São Jerônimo. E qual seria essa tradição? A tradição de não incluir os escritos deuterocanônicos, que são chamados pelos protestantes de apócrifos. No entanto, como citado acima, em pleno século IV Santo Atanásio reconhecia a inspiração de Baruque. Então, não existe tal tradição aludida por Gregg.

Entretanto, conforme mostrado pelo próprio Gregg, havia divergência desde o início, e a Carta de Jeremias e Baruque foram reconhecidos por alguns escritores cristãos, assim como o livro de Ester foi rejeitado por muitos. Isso mostra ignorância, pois tanto uma posição como a outra não é encontrada no cânon protestante. Assim, não há uma tradição bem desenvolvida.

De fato, Santo Atanásio fala de 22 livros da Bíblia, o que sugere o cânon idêntico ao protestante, mas a contagem que faz desses livros inclui Jeremias, Baruque, Lamentações e a Carta de Jeremias em um só livro. Essa tradição à qual alude Gregg não existe.

Também, ao afirmar que os concílios que definiram o cânon, como citado acima, eram concílios regionais que refletiam a influência de Santo Agostinho, não ajuda o argumento. Pense bem. O Protestantismo nega a unanimidade da Igreja antiga sobre o cânon bíblico. De fato, é inegável que a prova está do lado do cânon católico.

Primeiro, não há unanimidade na rejeição dos deuterocanônicos, como provado acima.

Segundo, a posição de Santo Agostinho menciona a posição dos apóstolos, o que é digno de nota.

Terceiro, os concílios da antiguidade foram unânimes na definição dos livros do cânon católico, o que mostra que o consenso da Igreja na época.

Quarto, deve-se lembrar que o próprio São Jerônimo concede traduzir os livros que Santo Agostinho propôs, o que mostra que sua posição não era ratificada pela Igreja da época.

Tudo na direção que evidencia a autenticidade do cânon católico. Se o protestante não puder refutar cada argumento acima, que aceite a verdade do cânon católico.

Ainda, refutando a segunda objeção de Gregg, a autoridade da Igreja leva em conta a Escritura redigida anteriormente, de modo que essa foi reconhecida pela Igreja. Essa Escritura contem 73 livros.

O fato é que não havia cânon judaico no tempo dos apóstolos, e quando a Igreja definiu os livros inspirados ela o fez sem a participação dos judeus, pois esses não seguiram Jesus e não aceitavam o evangelho.

É claro que a Palavra de Deus precede a Igreja. A Igreja reconheceu o cânon.

O que está sendo discutido é a definição dos livros para os fieis, que foi produto da Igreja, o que não torna a Igreja acima da Bíblia, mas continua mostrando que a Igreja é serva da Palavra. A Bíblia está acima da Igreja, ela é seu alimento e força.

Portanto, a perspectiva protestante para o cânon que rejeita os deuterocanônicos possui essas dificuldades insolúveis. Deve-se, portanto, reconhecer que o cânon foi fechado após o século primeiro.

Na Igreja não havia unanimidade para rejeitar ou adotar os deuterocanônicos em geral.

Não há tradição que sugira que os sete livros deuterocanônicos devessem ser rejeitados como inspirados.

Os concílios da Igreja definiram o cânon que continua até hoje na Igreja Catolica.

São Jerônimo cedeu ao pedido de Santo Agostinho para traduzir os outros livros, e não o faria se tivesse certeza que a posição oficial os rejeitava. Portanto, a opinião anterior de São Jerônimo era particular.

E, como Gregg não mencionou, concílios ecumênicos posteriores confirmaram o mesmo cânon daqueles antigos concílios regionais, inclusive o Concílio de Trento, que usou da máxima clareza ao definir novamente os mesmo livros.

Esse dado histórico inegável e irrefutável, refuta o que Gregg tentou provar, ou seja, que o cânon curto já existia no primeiro século. Ele partiu dessa suposição para apresentar toda a questão, que fez de modo interessante, e que contraria a suposição do autor.

Foi a única prova que o mesmo sugeriu em sua apresentação. As demais objeções fluem dela. Sendo essa prova refutada, e cada objeção também, não fica de pé a posição de Gregg Allison.

As objeções que apresentou foram todas refutadas. Desse modo, basta que, uma vez provado historicamente, e racionalmente, que o protestante aceite o cânon com todos os 73 livros inspirados.


A interpretação oficial da Escritura

 

Quando a Igreja afirma que tem o direito exclusivo de interpretar a Bíblia, está agindo razoavelmente. De fato, o protestante também não pode interpretar a Bíblia contra a interpretação oficial do Protestantismo.

Gregg afirma que os protestantes não possuem um magistério para julgar se a intepretação da Escritura é autêntica e autorizada. As igrejas protestantes insistem que cada crente utilize princípios sólidos de interpretação, sob a orientação do Espírito Santo e com ajuda dos líderes divinamente ordenados e capacitados. Ou seja, os protestantes possuem o mesmo que os católicos nesse quesito. O que resta saber é se os lideres protestantes são ordenados por Deus como os líderes católicos. Ainda, Gregg não afirmou, mas é preciso lembrar, que a interpretação dos crentes protestantes só será autêntica e autorizada se estiverem conforme as doutrinas aceitas pelo Protestatnismo geral. Caso não, serão desconsideradas. Nesse ponto, agem como a Igreja Católica.

Os protestantes afirmam a clareza da Escritura. Gregg também afirma que o quádruplo sentido da Escritura gera desconfiança entre os protestantes por causa da clareza bíblica mencionada.

Ao dizer que as palavras da Escritura apresentam sentidos ocultos que podem comunicar graça, é algo desconhecido na teologia católica. Falando a protestantes, Gregg ensina algo que não se encontra na doutrina católica.

Conforme a doutrina católica, expressa no Catecismo, todo sentido da Escritura é fundamentado no literal. Então, quando os protestantes propõem uma interpretação para chegar a um sentido simples, verdadeiro e gramatical do texto, está agindo como católico.

Em resumo, os princípios de interpretação bíblica de Lutero e Calvino, elencados por Gregg Allison, são: 1.falimiaridade com a carta aos Romanos. Os cristãos católicos estudiosos da Bíblia têm essa familiaridade. Todos os católicos podem e deveriam estudar a Bíblia, segundo suas possibilidades.  2. Sólida estrutura teológica. Todos os católicos são aconselhados a isso. 3. Visão Cristocêntrica. Essa visão é essencialmente católica. O catecismo ensina que toda a Escritura fala de Cristo. 4. Contexto. É tipicamente católica a interpretação que tem apreço primordial pelo contexto. 5. Analogia da fé. Essa analogia do ensino de toda a Escritura. 6. Humildade, etc. Isso é parte da prática católica. Assim, todos esses conselhos são compartilhados por católicos e protestantes.

Foi refutado o sola scriptura e mostra a importância da tradição. A interpretação literal é preeminente, e a espiritual é fundada no literal. Os quatro sentidos mostram a riqueza da interpretação católica. Basta notar o quanto é superior quando se compara a interpretação católica e a protestante. Para uma constatação dessa realidade, que o leitor leia o livro sobre a imortalidade da alma.

Quanto ao cânon, a Igreja Católica recebeu de Cristo e dos apóstolos os livros inspirados e os definiu nos concílios regionais e ecumênicos.


Gledson Meireles.


domingo, 11 de agosto de 2024

Livro: Teologia e Prática da Igreja Católica Romana: uma avaliação evangélica

Avaliação do tópico:

A doutrina da revelação: Deus vem ao encontro do ser humano

A Sagrada Escritura, artigo 3

Gregg explica que pelo processo interpretativo deve-se buscar os quatro sentidos da Escritura. Os dois sentidos, de que fala o Catecismo, que se tornam seu significado quádruplo.

É um meio de explicar o que o Catecismo afirma em outras palavras. Mas, parece que a exatidão não está sendo total. De fato, o Catecismo fala da uma antiga tradição que distingue dois sentidos (literal e espiritual) da Escritura, onde o sentido espiritual se divide em alegórico, moral e anágogico, e que a concordância entre os quatro sentidos garante a riqueza da leitura vida da Escritura na Igreja. Não afirma que se deve buscar os quatro sentidos mas que tradicionalmente esses quatro garantem uma riqueza para a leitura da Bíblia na Igreja. É algo que não tem implicações sérias, mas parece não ter ficado exposto o sentido que o catecismo traz.

Também, quando se explica o sentido espiritual, Gregg explica como “o sentido não das palavras da Escritura, mas das coisas... No entanto, o Catecismo afirma que não somente o texto da Escritura, mas também as realidades e os acontecimentos. Assim, o Catecismo afirma que o sentido espiritual está nas palavras e nas coisas, e Gregg entendeu que está apenas nas coisas, e não no sentido das palavras. É algo bastante sutil, mas que pode trazer diferenças quando à exatidão da exposição da doutrina católica.

São somente essas observações mais importantes na apresentação de Gregg Allison. Agora, vejamos sua avaliação evangélica do artigo sobre a Sagrada Escritura.

Gregg nota que a revelação divina é a revelação especial, no jargão evangélico. E em geral ele nota concordância com a doutrina protestante.

Quanto à transmissão da revelação divina/Solacriptura, Gregg Allison afirma que  há grande distanciamento entre as duas posições, católica e evangélica. O Protestismo afirma somente a Escritua, e nesse ponto não há tradição. Não seria Escritura mais Tradição, mas a Escritura seria formalmente suficiente. Esse é o princípio fundacional do Prostantismo quanto à Bíblia.

E o teólogo apresenta as razões que o Protestantismo tem para rejeitar a tradição como meio distinto de revelação. A primeira razão é a ideia da Tradição como suplemento ao texto da Escritura.

Pode-se dar uma resposta da teologia católica a isso, mostrando o erro da teologia protestante. Jesus disse em João 16, 12 que ainda tinha muitas coisas a dizer, e que os apóstolos não podiam suportar ainda. Com isso, tem que é de suma importância o que Jesus tinha a dizer.

Então, Calvino afirma que quando os apóstolos puseram por escrito eles escreveram tudo, de modo a não ter mais lugar para lembrar algo relativo a isso de viva voz, todo “o conhecimento perfeito e específico da doutrina evangélica”.

Há um problema aqui que a teologia protestante não consegue resolver. Jesus afirma que há algo mais a ser dito por Ele, o que presume-se que é de suma importância, pois vem de Jesus Cristo, o Filho de Deus, o próprio Deus Filho. Ainda, os apóstolos não podiam suportar naquele momento, o que demostra ser algo de importância real.

Então, mais tarde puderam aprender e suportar, pois o Espírito Santo os guiou a toda a verdade. No entanto, há uma diferença entre ensinar toda a verdade e “deixar registrado por escrito” toda essa verdade. Esse suposição não está no texto, e é algo que a teologia evangélica acrescenta.

São Paulo escreveu: “Assim, pois, irmãos, ficai firmes e conservai os ensinamentos que de nós aprendestes, seja por palavras, seja por carta nossa” (2 Ts 2, 15).

Nesse momento o apóstolo estava inspirado, e ensinada toda a verdade, guiado pelo Espírito Santo. Contudo, ele não o fez por escrito todo o ensinamento, mas parte por escrito e em parte por palavras. E por que não colocou tudo por escrito? Porque tal ordem nunca existiu. Jesus mandou ensinar, mas não indicou o meio obrigatório.

A melhor forma de revelação escolhida foi a escrita, e assim nasceu a Bíblia. No entanto, há espaço para outros modos de ensinar, e Jesus deixou essa possibilidade na Sua Igreja.

Entende-se assim, que algumas coisas ficaram no modo de viver da Igreja, de forma que são palavra de Deus, guardada pelos apóstolos e conservada na Tradição, mas que viveram por meio das práticas da Igreja, conservadas na liturgia, conhecida através dos escritos dos santos padres, etc., que indicam a origem apostólica.

Dessa forma, os apóstolos conheceram toda a verdade salvífica, e a ensinaram de fato. O meio que fizeram foi primordialmente por palavras, mas conservadas soberanamente por escrito enquanto outros dados da revelação eventualmente permaneceram por palavras, e foram mais tarde registradas pelos cristãos. Portanto, a forma que a Palavra oral foi conversada não é inspirada como o texto bíblico, mas é Palavra de Deus igualmente. Nenhum escrito patrístico é inspirado, mas testemunha de algo que veio dos apóstolos.

Dessa forma, o texto de 2 Ts 2, 15 tem implicação importante. Ele mostra que naquele instante o apóstolo inspirado os manda guardar algo que não havia sido escrito, o que implica que toda a revelação não foi obrigatoriamente posta por escrito.

E, caso o leitor não percebeu, o que está sendo feito para provar a existência da Tradição é a leitura do texto bíblico. Assim, a Igreja Católica segue, de certa forma, o Sola Scriptura que é distinto do protestante. Enquanto o protestante crê que essas coisas que são Paulo alude como ensinadas por palavras foram todas escritas de alguma forma depois, enquanto que a Igreja Católica sempre entendeu que de fato houve elementos que não forma escritos pelos autores inspirados, mas que foram ensinados por eles de viva voz e ficaram na tradição da Igreja. E o texto bíblico sugere a compreensão católica, pois São Paulo não deixaria algo importante para ser escrito se isso fosse obrigatório, de modo que perdesse a oportunidade de escrever, apenas ordenando que os leitores se lembrassem também do seu ensino oral. É uma prova de que essa parte do ensino, igualmente importante, por ser Palavra de Deus, não foi e nem necessitava ser escrita.

Afirmar que não havia “necessidade de nenhum corpo complementar de tradição de comunicação oral”, não está no texto bíblico. Pelo contrário, o mesmo indica a tradição oral. Essa é a refutação do primeiro ponto posto pelo teólogo Gregg Allison.

A segunda razão por que os protestantes rejeitam tradição seria a demora por que passou o desenvolvimento do conceito.

O próprio texto de 2 Ts 2, 15 é evidente de que o ensino escrito era complementado pelo oral. Alguns ensinamentos por palavra e por carta não seria razoável citar se ambos fossem iguais. São Paulo apenas mencionaria um. Mas não. O texto firma que é necessário ficar firmes no ensinamento que aprendestes. E o modo pelo qual aprenderam, foram dois, por palavras ou por cartas. Há complementariedade.

Em grande parte, o que foi posto por escrito foi aquilo que estava sendo motivo de controvérsia. Entende-se assim as epístolas, por exemplo. Não havia um plano de ensinar a doutrina geral por escrito, mas os autores ensinavam oralmente e escreviam para as comunidades aquilo que era necessário no momento. Ambas as coisas deviam ser conservadas, as tradições e os escritos.

Santo Ireneu fala do plano de salvação conservado por escrito. O que foi escrito é perfeito, não há nada errado. E o que foi deixado oralmente e conservado, segundo fontes fidedignas, é igualmente importante. Santo Ireneu não está ali tratando da tradição e da Escritura, e por isso não se refere aos dois modos ou duas fontes de revelação.

E Gregg admite que para defender a fé contra os hereges que ensinavam possuir a tradição que corrigiria a Escritura, Santo Ireneu fala da tradição que foi ensinada pelos apóstolos e conservada na sucessão apostólica, e cita o texto de Santo Ireneu se referindo à Escritura e à Tradição. Quando o mesmo afirma que a doutrina está preservada nas igrejas apostólicas, isso não é o mesmo que os hereges estavam afirmando. Para os hereges a sua tradição não era a dos apóstolos e nem de Cristo.

Quando Santo Tomás distingue as Escrituras dos escritos dos doutores, isso é o mesmo que a Igreja Católica faz oficialmente, pois não há revelação feita aos padres da Igreja. Eles apenas conservam em seus escritos o que é da tradição. A ideia da tradição desenvolveu-se, não houve mudança, como Gregg entende.

Ver tomás de aquino nota 38

O terceiro motivo que os protestantes apresentam contra a tradição é que essa seria mantida infalivelmente pela Igreja sem a Escritura. Mas isso não é exato. A Igreja é guiada pelo Espírito Santo e isso é feito majoritariamente pela Escritura.

Se a Igreja não é infalível para preservar a verdade, então ela pode ser perdida. É isso que o Protestantismo afirma que ocorreu, e isso é absurdo. A coluna e sustentáculo da verdade não teria serventia.

Em nenhum momento a Igreja alega a infalibilidade para promover doutrinas fora da Escritura. Isso é um equívoco da teologia protestante ao afirmar isso da teologia católica. Deus ilumina a Igreja para guardar a sua Palavra, e não as mentes de todos os fieis. De fato, os hereges surgem no seio da Igreja, e a autoridade eclesiástica é instada pelo Espírito Santo para defender a fé. Esse é o ensino de João 16, 13 e 14, 26. O Espírito Santo está unido à Palavra de Deus, e o faz grandemente por meio do magistério da Igreja. O que a teologia evangélica pensa sobre a iluminação das mentes individuais é praticamente o que a Bíblia está afirmando em relação à autoridade da Igreja docente. De fato, o Espírito Santo lembra à Igreja o que já foi ensinado por Cristo e pelos apóstolos, e não novas revelações.

A quarte razão que a teologia evangélica apresenta contra a tradição é que a Escritura mais Tradição seria estrutura inerentemente instável. E afirma que na prática quando as duas entra em conflito prevalece a tradição: “a autoridade da Tradição sobrepuja a da Escritura”. É o mesmo que dizer que “na prática”, como ensinado pela teologia evangélica, quando a Bíblia e a interpretação particular entram em conflito, “a autoridade particular sobrepuja a da Escritura”. Por isso, a interpretação de uma pessoa é contraposta à da Igreja com sua interpretação oficial, e o membro da igreja se recusa a aceitar a autoridade da mesma, prevalecendo sua interpretação da Palavra.

Se a crítica é que não haveria harmonia entre a Bíblia e a Tradição, isso acontece de fato entre a Bíblia e a intepretação particular de quem acredita ter a mente iluminada pelo Espírito Santo. Se a “promoção” da doutrina da imaculada conceição de Maria é exemplo de que a Tradição é elevada em detrimento da Escritura, o que não dizer das muitas interpretações particulares dos reformadores e muitos outros protestantes que entram em conflito com a Escritura, mas que prevalecem nas tradições das denominações.

Para ensinar a imaculada conceição, a Igreja entende perfeitamente que conforme a Bíblia não há exceções, todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus. Então, em Adão Maria pecou, por direito, por natural herança, por ser filha natural de Adão e Eva  por meio de sua concepção advinda da conjunção de seus pais. Somente Jesus, gerando pelo Espírito Santo, foi exceção nesse ponto. No entanto, entende-se que a salvação da virgem Maria se deu na concepção, fazendo com que de fato ela não herdasse o pecado, pelo mérito do sacrifício de Cristo. Essa doutrina está conforme a revelação bíblica.

Maria não pecou em palavras, ações, pensamentos e intenções, etc., como sugere Gregg. Ela foi isenta do pecado por graça de Cristo. Maria tinha a mesma natureza que todos, mas sua culpa foi removida, ela foi salva, e foi gerada na amizade de Deus. Assim, o dado da Tradição está conforme ao da Escritura.

A observação de Warnick serve para fontes humanas. Mas a tradição não é humana, é Palavra de Deus. O que Warnick observa aplica-se às interpretações particulares. De fato, quando uma interpretação entra em conflito com outro dado da revelação, geralmente a interpretação pessoal se ergue contra a Escritura entendendo que está correta, e confronta a autoridade da Igreja. O intérprete se torna autoridade de facto apesar de dizer o contrário. Apesar de afirmar estar seguindo a Bíblia.

Desse modo, a instabilidade Escritura e intérprete individual em seu livre exame é que deve ser rejeitada. O modelo de revelação como somente a Bíblia cria essa estrutura da forma com que a revelação chegará ao coração do pecador, que seria sua interpretação pessoal, entendida como sendo percebida por sua mente iluminada pelo Espírito Santo. Essa estrutura é falha.

E, por fim, a Tradição como revelação divina como mostrada acima é um acréscimo vindo do início da Igreja, dos tempos apostólicos, e a contradição com a posição protestante do século 16 convida a escolher o modelo anterior, pois a Bíblia sozinha diante do intérprete causa o que foi aludido acima.

A suficiência da Escritura está correta, mas pela perspectiva material, pois ela será interpretada. Se o intérprete pode errar, o ensino que terá não é o da Escritura, mas o próprio erro, e então não saberá o leitor o que é preciso para ser salvo e viver de modo que agrade a Deus. Assim, a Lei do Senhor é perfeita (Sl 19, 7), mas deve ser bem entendida. O cristão tem pleno preparo para fazer isso, conforme 2 Tm 3, 16-17? Não tem, pois deve obedecer à autoridade da Igreja que é autêntica para interpretar a Bíblia e mostrar o que a mesma ensina para sua salvação e para que agrade a Deus.

A Igreja Católica não formula doutrina ou prática fora da Escritura, mas tudo está em total consonância com a Escritura, visto ter vindo de Deus, através de Cristo, e por meio da inspiração do Espírito Santos aos escritores do Novo Testamento ao mesmo tempo, pois ensinavam por palavras e por escrito.

De fato, a Igreja não deriva a certeza das verdade apenas da Bíblia, mas também da Tradição, pelos motivos já expostos. Isso não nega que a Bíblia seja suficiente. Seria o mesmo que afirmar que para interpretar a Bíblia não é preciso iluminação da mente pelo Espírito Santo, pois a Bíblia seria suficiente. O protestante pode raciocinar dessa forma, e entender que o papel da tradição é quase que totalmente para fazer entender melhor a Escritura.

Quanto ao argumento de que a Igreja existia sem a Escritura, pela Tradição, esse foi usado por Santo Ireneu contra os hereges. De fato, a Escritura é necessária para o bem e o ser da Igreja, mas a questão é que o Espírito Santo não deixa a Igreja desviar-se. Também, como inspirador da Escritura, não deixa que essa se perca. É simples. O argumento é apenas para mostrar o poder de Deus na defesa da Sua Igreja. E, também, na preservação da Sua Palavra.

Como provado, somente a Escritura é uma estrutura errônea. A Escritura, Tradição e Magistério mantem a verdade da suficiência da Escritura, como já mostrado acima.

A questão das outras autoridades, tradição e Igreja, com falíveis, é problemática. A suficiência da Escritura funciona como provado antes, ou seja, no seio da Igreja. Isso é o que foi entendido sempre, e é afirmado pelos pais da Igreja. O mesmo se entende de 2 Tm 3, 15-17. A Bíblia interpretada corretamente transmite a verdade que que suficiente para ensinar, repreender, corrigir, instruir em justiça, etc. Se mal interpretada, seu ensino não chega ao pecador e esse não pode fazer nada do que foi elencado antes.

A ideia de que o Antigo Testamento era já suficiente para os cristãos, e que os escritos adicionais do Novo Testamento continuam nesse todo suficiente é uma ideia absurda. Para que acréscimo ao que já é suficiente? Esse se tornaria supérfluo.

O princípio Sola Scriptura é entendido como resumo de várias passagens bíblicas, mas como visto, da forma como o Protestantismo concebe, está equivocado. O que Peter Kreeft certamente disse foi que o Sola Scriptura não é um resumo ou decorrência da Escritura ou de outras crenças.

           

A Escritura e sua interpretação

A respeito da importância, inspiração e verdade da Escritura há concordância maior entre a teologia católica e a teologia evangélica, segundo Gregg Allison.

O fundamento da importância da Escritura é distinto. E qual é essa distinção? Allison afirma que a teologia católica associa a Escritura à Eucaristia. Por sua vez, a teologia evangélica apela à inspiração, à autoridade, à suficiência, à necessidade, à clareza, ao poder e à veracidade. E ambas consideram o papel vital da Bíblia na Igreja.

Essa avaliação é interessante é um pouco obscura. Talvez superficial demais. Certamente, bem incompleta. O autor afirma que o fundamento para a importância da Bíblia tem sua associação com a eucaristia no Catolicismo, e no Protestantismo apela à inspiração e etc.

Mas, podemos questionar isso. Para a Igreja Católica o fundamento da importância da Escritura é sua inspiração divina. Ela é importante porque é a Palavra de Deus. E a Escritura é a forma suprema de revelação.

Por isso, é certo afirmar que Gregg não comenta o artigo 3 satisfatoriamente, pois no número 102 do mesmo, o Catecismo afirma que em toda a Escritura há somente uma Palavra: Cristo, que é o “Verbo único” que Deus pronuncia. Então, a Igreja sempre venera a Bíblia como também o Corpo do Senhor.

De fato, aqui, a Igreja está afirmando que a Bíblia fala inteiramente, em todo o seu conteúdo, de Jesus Cristo, e por isso ela é venerada. Também, que a Igreja venera a Eucaristia. São duas coisas. Mas Gregg afirma que o fundamento da importância da Bíblia seria sua associação à Eucaristia, ao passo que o Protestantismo fundamenta a importância da Escritura na inspiração e etc, o que é um assunto totalmente diverso. E o Catecismo ensina no número 104 que a Igreja encontra alimento e força na Sagrada Escritura. Esse então é o alimento e a força necessária para a exisência da Igreja, o ser da Igreja. Afirma também que para que a Escritura não permaneça letra morta é preciso que Crsto nos abra o espírito para compreendermos a Escritura (n. 108).

Afirma ainda que a teologia evangélica concorda em parte com a teologia católica, pois há diferenças quanto à interpretação. A diferença principal se dá no fundamento da abordagem adotado para interpretar a Escritura. O Protestantismo afirma a clareza da Escritura, então ela é compreensível aos cristãos e esses são responsáveis e capazes de interpretar a Bíblia.

Esse ponto é importante. De fato, a Igreja Católica não se exprime oficialmente dessa maneira. Como pode qualquer pessoa ser capaz de interpretar a Bíblia? Em que sentido? Allison explica. Cita Deuteronômio 30, 11-14, quando Moisés disse que o mandamento que Deus ordena não é difícil demais. E afirma que a palavra está perto, na boca e no coração.

De fato, ali não se deve entender toda a Bíblia, mas o mandamento moral que Deus estava ensinando. Esse é um ponto que mostra o equívoco da teologia evangélica ao tentar tirar dessa passagem implicações maiores. De fato, nem a teologia evangélica afirma que toda a Bíblia é clara, mas apenas os pontos necessários à salvação.

Depois, cita Dt 31, 9-13, onde está escrito que a Lei deveria ser lida para que o povo a ouvisse. A leitura da Lei para que todos ouçam e obedeçam.

De fato, se trata da clareza geral, e não da interpretação da Bíblia feita por cada um dos israelitas, que ouviam a leitura, nem para os cristãos de hoje. Então, existe uma inteligibilidade contínua. Se bem explicado, esse ponto não é negado pela Igreja Católica.

A Bíblia é lida e compreendida por todos. Gregg cita, entre outros versículos, Neemias 8 e Atos 17, 10-12. Há coisas obscuras, mas o que Deus quis revelar está suficiente claro (Dt 29, 29). A Escritura é acessível e inteligível para o Povo de Deus, e isso é a clareza da Escritura.

Ainda assim, não está clara essa doutrina. De fato, é notório que nem todos compreendem a Bíblia quando a leem ou ouvem sua leitura. Nem todos os cristãos a compreendem assim.

Então, o autor afirma que essa doutrina é uma das razões que fizeram os reformadores traduziram a Bíblia, também é motivo para que os protestantes distribuam Bíblias, e incentivem a leitura pessoal e estudos bíblicos em família.

Menciona o Concílio Vaticano II que incentivou a leitura e o estudo da Bíblia, mas que isso empalidece quando se compara isso ao que há entre os protestantes.

De fato, se a Bíblia é clara, não deve haver tanto estudo para procurar fazer entender seu sentido. Portanto, a clareza está em certas coisas e não em todas. Então, esse tópico de Gregg não explica que a doutrina protestante sobre a clareza ensina que a Bíblia é clara nas verdades fundamentais, que levam à fé em Jesus Cristo e à salvação.

Nesse ponto nenhum cristão católico discorda. Quanto aos estudos protestantes sobre o conteúdo a Escritura, esses estudos indicam que há dificuldade imensa, de modo a fazer surgir escolas teológicas diversas, aparecerem muitas interpretações, muitas vezes conflitantes, mostrando que se trata de um terreno vasto e de uma dificuldade evidente. Assim, Deus quis revelar essas coisas, e ainda assim elas são difíceis de compreender. Esse ponto refuta a afirmação categórica da teologia protestante acima, pelo menos da forma como foi colocada.

Ainda, a leitura da Lei em Neemias 8, a todo o povo, afirma que Josué, Bani, Serebias, Jamin, Acub, Sabatai, Hodias, Maasias, Celita, Azarias, Jozabad, Hanã, Falaías e outros levita explicavam o sentido, de maneira que se pudesse compreender a leitura. Havia necessidade de explicação da leitura da Lei ao povo.

A exposição de Gregg sobre a clareza da Escritura no respectivo tópico do seu livro é insuficiente para provar seu argumento e é facilmente refutada. Se a Escritura é compreensível a todos os cristãos, então os cristãos católicos a compreendem quando leem e ouvem sua leitura na Igreja. Todos já entendem o pontos fundamentais. Se há necessidade de estudo e explicação, então entra aí a autoridade da Igreja. Essa questão não é mostrada por Gregg Allison nesse tópico.

Gledson Meireles.

sábado, 10 de agosto de 2024

A respeito do vídeo: Certezas do Catolicismo?

               Um apologista protestante  fez um vídeo sobre um motivo (a busca por certeza) que ele considera relevante para que os protestantes se interessem pelo catolicismo, sendo um vídeo diretamente dedicado aos protestantes, e não aos católicos. E acredita que a "aparente certeza" do catolicismo é desastroso para a vida espiritual.

O primeiro é a interpretação bíblica. Se o protestante tem que verificar se o que está sendo pregado no púlpito é o correto, por sua interpretação individual da Bíblia, o católico também o faz, comparando com o ensino que a Igreja sempre ensinou a respeito da Bíblia e da tradição. Assim, ele tem certeza da sua fé, que o que está sendo pregado é Palavra de Deus. E isso não é tão simples de se fazer.

E o exemplo de Bereia: o apologista afirma que os membros da igreja de Bereia estavam examinando a Bíblia e julgando o ensino do apóstolo São Paulo, e ainda foram elogiados por ele. Ou seja, em resumo, pelo que o apologista disse, os bereanos foram na Bíblia para saber se o ensino do evangelho do apóstolo estava certo.

Na verdade, os beranos eram judeus, não convertidos ainda. Não eram membros da Igreja, mas judeus. Então, quando ouviram falar de Cristo, foram examinar nas Escrituras para saber que aquilo de fato havia sido preanunciado. Certificando-se disso, converteram-se. Isso é bom.

É como um não cristão, membro de alguma religião não cristã, que ouve o ensino do evangelho e procura saber, nos seus conhecimentos prévios, se aquilo que estão lhe anunciando faz sentido. Ele não conhece o novo ensino, mas tem algo que pode servir de suporte para mostrar se aquilo é razoável ou não.

Uma vez que se converte à fé cristã, ele deve agora aprender a nova fé, e não julgar, o que não sabe.

E então, os bereanos, continuaram julgando o ensino do apóstolo? Obviamente que não. Eles tinham o Antigo Testamento, que usaram para saber se Jesus Cristo era o Messias anunciado pelos apóstolos. Mas, quanto ao Novo Testamento, eles deviam receber dos apóstolos inspirados e infalíveis, pois o apóstolo era infalível e devia ser acreditado em seu anúncio do evangelho. Os bereanos deviam obedecer e crer no que estava sendo ensinado.

Para saber o que é a Palavra de Deus não é apenas um membro da Igreja ir à Bíblia e certificar-se do ensino, pois estaria apenas interpretando a Bíblia contra a interpretação que recebeu da igreja. O que o cristão católico faz é também um exercício bastante árduo, que é certificar-se qual é a verdadeira interpretação, se essa é a posição oficial da Igreja, e assim ter a certeza da fé.

A respeito do 2º exemplo: A aparente certeza que a Igreja Católica oferece, mas que vai ter consequências desastrosas na sua fé é a certeza da Infalibilidade papal.

É só obedecer, não precisa conferir se está certo ou se está errado, diz o apologista.

E qual o exemplo bíblico que o apologista protestante utiliza para fundamentar sua posição contra a certeza da infalibilidade papal: ele apresenta o exemplo de Gálatas 1, 8.

E diz que pessoas poderiam entrar na Igreja tentando pregar outro evangelho. Ou o próprio apóstolo ou mesmo um anjo descido do céu poderia tentar pregar um outro evangelho. E disse: mas vocês devem ser anátemas (sic). Nesse ponto, outro equívoco do apologista, pois anátema deve ser o que pregou o falso evangelho e não o povo fiel.

E como os gálatas saberiam que o próprio São Paulo estaria ensinando coisas equivocadas do evangelho?

Ele disse: Olhando nas Escrituras (!!!). Será mesmo?

E continua o apologista: Eles só tinham as Escrituras para saber se o que o apóstolo estava ensinando estava certo ou errado.

E mais. O apóstolo não disse: fiquem tranquilos que eu jamais vou ensinar pra vocês coisa errada, eu jamais vou ensinar alguma coisa equivocada.

Mas, poderia ser que o apóstolo viesse a se desviar da fé em algum momento tentando ensinar algo equivocado. E disse: Vocês possuem uma forma para verificar se o que estou ensinando está de acordo ou não!. Verifiquem, não confiem cegamente em mim.

E disse mais: Não dê atenção àquilo que estou pregando a não ser que aquilo bata exatamente com as Escrituras.

Essa é a forma que o protestante tem para fundamentar sua posição solascripturista, utilizando a Bíblia. Trata-se de um erro bastante rebuscado. Para refutá-lo, vamos à Bíblia. A confusão acima é bastante profunda, e não é fácil ver onde está o erro.

Em Gálatas 1, 8 está escrito: Mas, ainda que alguém – nós ou um anjo baixado do céu – vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que ele seja anátema.

Qual é o raciocínio do apóstolo São Paulo? Vejamos numa simples exegese do texto:

Mas, ainda que alguém, nós ou um anjo baixado do céu – vos anunciasse um evangelho diferente: isso é uma hipótese, usada para frisar que aquilo que os apóstolos e seus colaboradores anunciaram era inspirado, infalível, correto, sem sombra de dúvidas, imutável.

E continua: que ele seja anátema, ou seja, amaldiçoado.

Portanto, o que São Paulo estava afirmando é que o evangelho que ele anunciou é infalível. Desse modo, mesmo se o próprio apóstolo vier a mudar de opinião, e a ensinar algo diferente do que ele mesmo ensinou, que seja anátema, pois a primeira anunciação do evangelho foi perfeita, infalível, e não pode ser mudada.

Ainda que um anjo celestial ensine algo diferente daquilo que o apóstolo e seus colaboradores ensinaram, que esse anjo seja anátema.

Essa posição é totalmente diferente daquilo que o apologista protestante explicou acima. Lá, o mesmo afirmou que o apostolo disse que caso ele mesmo ensinasse algo diferente, os cristão gálatas poderiam ir à Escritura para conferir se tudo estava correto, e que não deveriam confiar no apóstolo, mas examinar as Escrituras.

Não foi isso que o apóstolo disse. De fato, a mensagem é que eles devem confiar totalmente no que o apóstolo ensinou. Somente no caso do apóstolo passar a ensinar algo novo, que eles não aceitem, pois o mesmo apóstolo já havia dito que se isso ocorresse eles deveriam ficar com o que foi anunciado primeiro. Assim, até nesse conselho apostólico São Paulo está mostrando sua infalibilidade: o que ensinou é a verdade imutável, e os mesmos devem em toda e qualquer circunstância crer no que foi ensinado.

Fica refutada a posição protestante.

E mais um dado deve ser levado em conta. A carta aos Gálatas foi escrita por volta do ano 50 a 52. O primeiro livro do Novo Testamento foi a Epístola de São Paulo aos Tessalonicenses, escrita no ano 50.

Os evangelhos foram escritos mais tarde: Lucas em 56 a 58 d. C.; Marcos em 60-65 d. C. e João no ano 98 d. C. Talvez o evangelho de São Mateus existisse em hebraico, mas não terminado no ano 41 d. C, como se pensou. É certo que a redação final do evangelho de São Mateus se deu perto do ano 70 d. C.

Portanto, não havia nenhum evangelho do Novo Testamento quando São Paulo escreveu aos gálatas. Nenhuma outra epístola, a não ser a dos tessalonicenses, que haviam recebido uma carta. Nenhum outro livro. Tudo mais era o Antigo Testamento.

Dessa forma, nenhum cristão poderia ir às Escrituras para certificar-se se o que São Paulo estava pregando era correto ou não, porque não existiam essas Escrituras com o ensino do evangelho do Novo Testamento ainda.

E, como dito acima, não havia essa incumbência dada a ninguém, pois o ensino do apóstolo era infalível, e uma vez proclamado foi ratificado pelos mesmos apóstolos como digno de fé e imutável.

Parafraseando o exemplo que o apologista protestante utilizou, com a devida correção feita acima, seria o seguinte: fiquem tranquilos que eu nunca ensinei pra vocês coisa errada, eu nunca ensinei alguma coisa equivocada.

Dessa forma, esse estudo ajuda a compreender a infalibilidade papal que o apologista criticou.

Outro ponto é a certeza analítica de salvação: no Protestantismo não existe uma questão muito objetiva a respeito da sua salvação.

Esse ponto é muito importante. De fato, o que o apologista explicou é justamente o contrário. Isso mesmo. Ele coloca o problema do lado católico, quando o mesmo sempre ficou, tradicionalmente, do lado protestante.

Resumindo, ele diz que se o católico fizer tudo o que deve ser feito, pode ficar tranquilo que ele é um salvo.

E para o protestante, seria mais difícil, porque é preciso sondar o coração, para saber se foi regenerado por Cristo.

Ou seja, para o protestante é algo subjetivo, pois se alguém diz que sua fé é inabalável em Cristo, como salvador suficiente, sondando seu próprio coração então há certeza de salvação.

A certeza católica: fazer tudo direito e ter certeza que fez. No final dirá: sou um salvo.

A certeza protestante: saber que o coração está em Cristo, que a fé é inabalável em Cristo como salvador. É salvo e sempre salvo.

Qual é a certeza que o coração humano corrompido pelo pecado prefere? Obviamente aquela certeza que ele mesmo se dá: a subjetiva.

A questão da certeza da salvação sempre foi um ponto debatido, onde a Igreja Católica afirma que nunca se tem a certeza absoluta que o protestante afirma que existe. Assim, mesmo que o católico cumpra tudo o que deve cumprir, ele ainda tem a certeza da esperança da salvação, que é moralmente válida, mas não é aquela absoluta que o Protestantismo sempre ensinou.


Gledson Meireles.

sábado, 3 de agosto de 2024

Livro: Nenhum caminho leva a Roma: refutação do capítulo 9

Refutando o

Capítulo 9: O sacerdote tem poder para perdoar pecados?

 

A resposta a essa pergunta é: sim. O sacerdote age como ministro de Jesus Cristo, e pode perdoar pecados pronunciando o perdão em Nome de Jesus Cristo.

O ministro (padre, bispo) não tem poder próprio, é claro, e nem pode perdoar seus próprios pecados. No entanto, ele pode agir in persona Christi, que é na pessoa de Cristo, para perdoa os pecados de outros. E Cristo que perdoa.

A doutrina protestante nega essa doutrina católica, e se opõe a essa prática de confissão auricular. Essa prática faz parte da doutrina, e não é a doutrina em si. Portanto, ao falar de uma coisa não se deve confundir com outra.

É verdade que a Igreja tem o poder para perdoar os pecados, e pode fazê-lo da melhor forma que encontrar. Para que possa exercer esse poder, deve antes conhecer os pecados e saber do arrependimento.

Conclui-se que a confissão é a melhor forma. Ainda, para que a confissão não cause escândalos, que seja feita reservadamente, de forma auricular. É mais indicada do que a confissão pública. Tudo faz muito sentido.

Vemos agora uma crítica a essa doutrina católica, feita no livro que está sendo estudado. Notam-se muitos erros na apresentação do autor, que não consegue fazer uma boa exegese bíblica e não conhece bem a doutrina católica.

Então, o apologista protestante afirma que: “Existem inúmeros problemas com a confissão auricular”. Afirma ainda que devemos confessar somente a Deus.

Em primeiro lugar, toda a confissão é feita a Deus. Mesmo a confissão ao sacerdote é feita a Deus.  De fato, cremos que o sacerdote é ministro de Deus. No entanto, nessa confissão se faz por meio do sacerdote, e por crer nesse ministério que Jesus outorgou-lhe. De modo que, a confissão auricular é feita a Deus.

Ainda, a Escritura não diz que devemos confessar somente diretamente a Deus. Talvez essa distinção possa servir para entender melhor a questão. É preciso fazer certas distinções para compreender mais a doutrina.

Quando a Bíblia traz exemplos e mandamento de se confessar a Deus, ela não está mostrando toda a doutrina, de modo que o leitor possa ler literalmente um texto e concluir que somente a Deus deve ser feita a confissão e a ninguém mais. Esse modo de entender é errôneo. A confissão é somente a Deus. No entanto, não há mandamento que a confissão deve ser feita somente diretamente a Deus seu o ministério da Igreja.

O texto de Esdras é citado: Agora confessem ao Senhor, o Deus dos seus antepassados, e façam a vontade dele (Esdras 10, 11). Também são citados outros textos: Sl 32, 5; 1 João 1, 1.9).

Assim, o protestante conclui que somente a Deus deve ser feita a confissão de pecados e que é errado confessar ao padre. No final, o apologista conclui que somente o pecado que cometemos contra o próximo, esse pode perdoar, e os que cometemos contra Deus, somente Deus pode perdoar.

Mais uma vez, é preciso lembrar, que o padre perdoa como ministro de Cristo. Os pecados feitos contra Deus são perdoados por Deus. No entanto, nesse sacramento, ou nessa ordenança, como preferir, é Deus mesmo quem perdoa por intermédio do sacramento instituído por Jesus. E o padre está pronunciando o perdão que Deus está conferindo.

Não se trata de pecado pessoalmente cometido contra alguém apenas, mas algo que é pecado contra a Lei de Deus.

Pois bem. Já tendo respondido a essa dificuldade, vejamos o que diz o apologista e solucionemos os problemas que o mesmo coloca sobre o tema.

Eis que então o autor tenta refutar a interpretação de Tiago 5, 16, que é o texto que os católicos utilizam “Na esperança de validar a confissão auricular”.

O texto diz: “Portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e orem uns pelos outros para serem curados. A oração de um justo é poderosa e eficaz.”

Primeiro vejamos o que diz o apologista protestante, depois façamos a exegese do texto, e solucionemos o problema que o apologista deixou.

Ele afirma que o texto diz claramente para “confessarmos uns aos outrose não para um sacerdote em específico. Afirma também que o ato de confessar aí é ajuda espiritual ao próximo, visando ajudá-lo a vencer o pecado. Não seria o confessionário que os irmãos usam com poder para perdoar pecados cometidos contra Deus.

Em nenhum lugar no texto afirma que a confissão ali é o ato de ajudar o próximo espiritualmente para que vença o pecado. É uma conclusão feita da doutrina protestante já formulada e subentendida nessa interpretação, e não o que o texto bíblico citado ensina.

O apologista cita também 2 Coríntios 2, 10-11 onde ressalta o ponto: “Se vocês perdoam a alguém, eu também perdôo.”

E escreve depois: “Ele não disse: “se o sacerdote perdoou, eu também perdôo”, mas sim: “se vocês perdoaram, eu também perdôo”.

Mas, deve-se ter em mente que o sacerdote ali é o próprio São Paulo. Ele é apóstolo, ministro do evangelho. Ele é o sacerdote.

Ainda, o contexto não é de confissão de pecados contra Deus, não é do sacramento da confissão, mas trata-se de um ato disciplinar da Igreja contra alguém que estava se colocando contra o apóstolo.

Então, o pecador arrependido desse ato devia ser acolhido novamente na comunidade. Se todos perdoaram, São Paulo também o perdoou. E diz o apóstolo: foi por amor de vós, sob o olhar de Cristo (2 Cor 2, 10). Isso não é o mesmo que é tratado na epístola de São Tiago.

Ademais, o apologista afirma que Jesus nunca pediu indulgências quando perdoou pecados e logo escreve sobre rezar 25 Ave-Marias para ser perdoado.

O erro, porém, está na confusão entre o perdão e a satisfação. O pecador perdoado faz uma penitência, não para ser perdoado, mas para satisfazer a Deus. O perdão é dado antes da penitência. O perdoado deve cumprir a penitência.

Então cita o texto de Tg 5, 15: “E a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados.

E afiram: “Aqui claramente quem cura e perdoa é Deus.” De fato, como dito acima, Deus perdoa por intermédio da Igreja, através do ministério da Igreja.

Depois escreve o apologista: “e a única condição exposta para isso é a oração da fé”. Cita depois Mt 5, 34. E contrapõe fé e penitência. Isso não faz sentido, já que a própria fé não salvou o doente sozinha, mas foi o instrumento de Deus para curar. Em Mt 5, 34 Jesus cura uma pessoa que exerceu fé. Não estava no mesmo contexto de São Tiago que trata da unção dos enfermos.

E escreve: “O único pecado que um irmão cristão tem o poder de perdoar, são os pecados cometidos contra a pessoa dele.

Essa é a doutrina protestante, resumida, é claro, para contrapor-se à doutrina católica. No entanto, está completamente equivocada, não é extraída da Bíblia.

Agora, façamos a exegese do texto de Tiago 5, 13-16 e refutemos cada uma das objeções que o apologista apresentou. Há muita confusão aí.

Os versículos 13-14 afirmam que se há algum doente na Igreja, chame os sacerdotes da Igreja, e esse façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. Pois bem. Não é qualquer membro da Igreja que deve fazer o que está aí, mas devem chamar os sacerdotes (presbíteros).

Ou seja, devem chamar os sacerdotes (presbítero) para orar pelo doente e ungi-lo com óleo em nome de Jesus. Isso é o rito da unção dos enfermos, que é feita pelos ministros. Eles o fazem em nome do Senhor.

O versículo 15 diz: A oração da fé salvará o enfermo e o Senhor o restabelecerá. Ou seja, a oração feita pelos sacerdotes sobre o doente “   salvará o enfermo” e o Senhor o restabelecerá.

Isso mostra que Deus foi Quem realizou a cura, mas o fez através do rito que instituiu na Igreja.

E continua o texto sagrado: Se ele cometeu pecados, lhe serão perdoados. Essa é a explicação do que aconteceu no rito. Ou seja, não diz que se cometeu pecados contra os sacerdotes ou contra alguém da comunidade, nem diz para chamar o ofendido para perdoar, e etc., o que não é o assunto, já que se trata da unção dos enfermos pelos presbíteros. Então, na unção há cura e perdão. E quem o faz é o sacerdote.

E o texto sagrado continua: Confessai os vossos pecados uns aos outros. Isso mostra como foi realizado o rito do perdão.

O doente confessa ao sacerdote (uns aos outros) que fez a oração sobre ele e o ungiu com óleo.

Veja que o texto já havia falado da cura e do perdão, e agora esclarece que esse perdão veio após a confissão uns aos outros, que no contexto é doente e sacerdote e não à comunidade inteira.

De fato, no início foi dito que chamassem os presbíteros. Assim, o doente confessa seus pecados aos sacerdotes (presbíteros). No fim, Deus é que perdoa, pelo ministério instituído por Ele.

Depois o texto deixa mais claro essa verdade: e orai uns pelos outros para serdes curados. Todo o contexto mostrou que quem ora pelo doente para a cura são os sacerdotes. Essa é “a condição exposta” que Deus institui no sacramento e que é feito pelo sacerdote (não a oração de qualquer pessoa, naquele momento, pois o contexto é da oração feita pelos presbíteros).

Conclui-se que a oração e a unção e a confissão são realizadas pelo ministério dos sacerdotes. É bastante claro.

E diz ainda o texto de São Tiago: “A oração do justo tem grande eficácia.”.  Isso se refere à oração do sacerdote, como mostra o contexto.

Por tudo isso, deve-se crer na Bíblia que Deus cura e perdoa pelo ministério da Igreja. Portanto, o sacerdote em poder para perdoar pecados.

Gledson Meireles.