sexta-feira, 19 de março de 2021

Onisciência e predestinação

O pastor adventista Leandro Quadros trata do assunto da Onisciência de Deus e da Predestinação no seu canal do youtube. Uma boa abordagem, que ajuda a entender esse mistério, e em essência concorda com a teologia católica.

É bom tratarmos dessas realidades espirituais.

Gledson Meireles.

segunda-feira, 15 de março de 2021

Crer em Jesus e na autoridade do papa

Os primeiros cristãos, dos tempos apostólicos, viviam conforme a fé em Jesus Cristo, o Salvador. Para isso, precisavam mudar de vida, adotar nova postura diante de tantas coisas, e crer em muitos ensinamentos que antes não conheciam e não criam.

Podemos afirmar que os cristãos criam em Jesus, e por isso, em primeiro lugar, criam naqueles que anunciavam a Palavra do Evangelho como verdadeiras testemunhas de Jesus, e tinham suas palavras como inspiradas por Deus, como verdadeiros servos de Deus, ministros de Cristo. Por isso, não é exagero afirmar que os primeiros cristãos criam nos apóstolos, porque eram eles os anunciadores da Palavra da vida, do evangelho cristão.

Assim, é nesse sentido que cremos nas autoridades da Igreja, por serem os representantes de Jesus. Do mesmo modo, pode-se afirmar que naturalmente o cristão deveria aceitar a mensagem pregada por São Pedro, São João, São Tiago, São Paulo e etc. Para ser cristão devia crer nos apóstolos.

Nos dias de hoje, transpondo essa mesma realidade, devemos crer nas autoridades que continuam a anunciar o evangelho, no ministério do papa e dos bispos, que são os que continuam a missão iniciada pelos apóstolos. Por tudo isso, a fé em Jesus exige o pertencimento à Igreja e a submissão às autoridades estabelecidas, no espírito do serviço. No entanto, não se confunde o Autor da Fé, Jesus Cristo, com sua obra, a Igreja. Cremos no anúncio da verdade feito pela Igreja por causa de Cristo.

Dessa forma, quando alguém disser que para ser católico é preciso crer no papa, e que isso é crer em homens, e que os outros cristãos não possuem figura alguma humana em que devem crer, e que isso seria uma característica de "seita", deve-se responder conforme acima. É o começo da resposta, o suficiente talvez para boa reflexão.

A Paz de Cristo.

Gledson Meireles.

sábado, 16 de janeiro de 2021

Uma pregação sobre a virgem Maria

Em vídeo recente tratando sobre a pessoa da virgem Maria, o reverendo Augustus Nicodemus, entre outras coisas, afirma que os protestantes devem ser anti-católicos, que o povo católico é mariólatra, que a virgem Maria é pecadora como todos nós, que a oração da Ave- Maria é toda invenção da Igreja, que aquele que já rezou essa oração, ou que ainda faz tal oração, deve saber que ela é totalmente fora da Palavra de Deus, e que Maria não é mais agraciada do que aqueles que ouvem a Palavra de Deus, e que é o Espírito Santo que gera Jesus, e não Maria, que apenas empresta seu útero.

É esse o resumo daquilo que será comentado abaixo. Na pregação há muitas outras coisas, positivas e boas de serem aprendidas, muito conhecimento e valores evangélicos que devem ser preservados. Apenas essas afirmações acima serão dadas alguma atenção, porque não são bíblicas nem cristãs, mas são entendimentos mais recentes que os protestantes tendem a conservar. Aos que desejarem, assistam à pregação inteira.

Ser anti-católico: certamente trata-se de uma forma consciente e respeitadora de discordar veementemente da doutrina católica. Talvez seja somente isso que o pastor tenha afirmado.

Mariolatria: não existe na Igreja Católica, na sua doutrina, mas pode haver nos abusos e desentendimentos relativos à doutrina.

O reverendo esqueceu-se de afirmar que a frase inspirada “Bendita és tu entre as mulheres” é totalmente bíblica, está na Escritura, e não é invenção alguma. Pode não estar no versículo que o pastor leu, mas está em outro, basta continuar a leitura bíblica.

Maria pecadora?: o certo é que Maria é filha de Adão e Eva, mas foi salva, purificada, no momento em que foi concebida, para ser mãe do Salvador. Isso é fé cristã desde o início da Igreja. Quando Santo Agostinho tratava da questão do pecado, afirmou que não ousaria afirmar, quanto a isso, nada em relação à virgem Maria. Grande sabedoria de um grande e reconhecido doutor da Igreja.

A oração da Ave-Maria: é toda bíblica. São apenas versículos bíblicos rezados com muita fé e devoção, seguidos de um pedido de intercessão.

Os bem-aventurados: todos os bem-aventurados reconhecem a grandeza da Maria. Seria oportuno que os leitores refletissem sobre a grandeza de Maria como aquela que viveu na prática da Palavra de Deus. Assim, certamente ela tem o status maior. Imagina que o Jesus afirma que João Batista era o maior dos nascidos até então, e era menor no Reino dos Céus. Agora, pense na virgem Maria, que está toda envolvida no mistério do Reino dos Céus e foi toda obediente ao Senhor.

Sobre o título “portadora de Deus” ao invés do correto Mãe de Deus: a Bíblia afirma que Maria é mãe de Deus. O Espírito Santo veio sobre Maria e gerou Jesus a partir da humanidade de Maria. Não foi um milagre que operou um corpo dentro de Maria e não a partir dela, pois isso seria afirmar que Jesus não tinha verdadeira humanidade. Também, isso seria pressupor que o corpo de Jesus poderia ter sido criado à parte sem necessitar de encarnar-se no ventre de uma mulher. A Bíblia afirma que Jesus foi feito da Mulher, nascido na mulher, em Gálatas 4,4. Assim, negar o título de Mãe de Deus e afirmar que ela apenas emprestou o útero para carregar Deus feito homem, não é ensinar o que está no evangelho. A portadora de Deus é o mesmo que mãe de Deus, pois o título ensina que Maria é mãe de Deus feito homem. É compreensível que faltou no pregador conhecimento da mariologia.

Gledson Meireles.

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Identificando a Igreja: a Igreja nos primeiros dias

Durante quarenta dias, Jesus ressuscitado ensinou aos apóstolos, falando sobre o reino de Deus. Isso mostra, em continuação aos evangelhos, que o colégio apostólico mantem a missão de anunciar a doutrina de Jesus.

O batismo no Espírito Santo, ou melhor, o batismo com o Espírito Santo, foi cumprido no dia de pentecostes, quando o dom do Espírito encheu todos os que estavam esperando essa realização. Os apóstolos e discípulos de Jesus, com a virgem Maria e os parentes de Jesus.

Os apóstolos foram fortalecidos com o poder do Espírito e foram aos confins da terra espalhar a mensagem de Jesus, fazendo crescer a Igreja.

Pedro então inicia o processo de escolha do apóstolo que substituiu Judas Iscariotes. Pedro aparece como líder, como fora posto por Jesus, levantando-se entre os irmãos, da mesma maneira como sua figura é proeminente nos evangelhos.

A escolha da Igreja, sob a liderança de Pedro, de dois discípulos, com o fim de eleger um deles para apóstolo, fez com que todos conhecessem a escolha de Deus. Matias foi o escolhido. Isso mostra que a ação da Igreja, fundada na doutrina de Jesus, conforme ensinada pelos apóstolos, está sob a liderança de Deus. Será importante notar sempre a autoridade dos apóstolos. É o modo estabelecido para o agir de Deus.

É assim que Pedro, como em Atos 1, 15, “levantou-se no meio dos irmãos”, ele “então, de pé, junto com os Onze” profere o primeiro sermão da Igreja. Todos na Igreja receberão o Espírito Santo, para profetizar, ter visões e sonhos. Isso mostra que os dons do Espírito Santo que estão na Igreja fazem todos caminhar diante de Deus para a formação do Corpo de Cristo Espiritual, sob a liderança que Ele colocou, que são os apóstolos, e em especial o apóstolo Pedro, que estava falando naquele momento (cf. Atos 2,1).

Então, falando dos fins dos tempos, quando da Grande Tribulação, ensina que quem invocar o Nome do Senhor será salvo (Atos 2, 21). Isso não significa outro modo de para encontrar a salvação, como se não fosse mais necessária a fé, nem a obediência, nem a profissão de fé.

Não se trata de outra dispensação, na qual haveria para a salvação uma só exigência: invocar o nome do Senhor. Na verdade, a invocação do nome de Jesus sempre é necessária. Quem invoca o Nome de Deus sem fé? Quem invoca o Nome de Jesus verdadeiramente sem a disposição de segui-lo verdadeiramente? Não se pode imaginar essa situação sem imediatamente notar que tal não é ensino bíblico.

Tanto hoje como nos dias finais é necessário invocar o Nome de Jesus para ser salvo. De fato, São Paulo invocou o Nome do Senhor no dia do seu batismo. Afirmou que devemos crer com o coração e professar com a boca para alcançar salvação. Pois, quem crê será salvo. Basta isso? De certa forma sim. Mas a Escritura ainda prossegue ensinando que devemos crer com o coração, no mais íntimo da nossa alma, para obter a justiça, e confessar com a boca para a salvação. Ainda, invocar o Nome de Jesus para ser salvo.

De fato, a invocação do nome do Senhor é para a salvação, desde os dias de Cristo, até o fim dos tempos. Isso está ensinado em Romanos 10, 10-13. Ninguém pode afirmar o que está em um versículo sem considerar o que está em outro. Aliás, essa passagem ensina a fé e a profissão de fé para a salvação, e a invocação do nome do Senhor. É como a fonte que transborda do coração, a partir do momento em que se crê.

Por isso, em Atos 3, 19 está escrito: “Arrependei-vos e convertei-vos, a fim de que sejam apagados os vossos pecados”. Não se diz aí que deve-se ter fé. Não está escrito que devemos crer e confessar para receber a justiça e a salvação. Afirma apenas, nesse verso, que devemos nos arrepender dos pecados e converter-nos, ou seja, mudar de vida, para que tenhamos os pecados perdoados.

Seria uma ignorância terrível ler o versículo isoladamente e ensinar que não seria mais necessária nem a fé, nem a profissão de fé, nem a invocação do nome de Jesus, mas apenas o arrependimento e a conversão!

O leitor deve ter compreendido que a Bíblia ensina em seu todo, e não podemos isolar passagens para ensinar uma doutrina. Por isso, sabemos que é necessário crer para a salvação, também é necessário confessar o nome de Jesus para a salvação, que é necessário invocar o nome de Jesus para ser salvo, que é necessário também arrepender-se dos pecados e de converter-se para termos os pecados perdoados, portanto, para a salvação, mudar de caminho de vida, passar para o caminho de Jesus. É assim que devemos entender o evangelho, em sua inteireza.

Assim, quando alguém afirma que em um tempo basta a fé, noutro são necessárias as obras, noutro será apenas a invocação do nome do Senhor, está dividindo a palavra de Deus, de forma errônea, anti-bíblica. A mesma doutrina que está em Mateus inteiro, também está em Atos e está no Apocalipse, como está em toda a Bíblia. Onde há mudança, a própria Escritura deixa isso bastante claro. Portanto, na dispensação última na qual estamos, somos salvos por Cristo pela fé e boas obras.

O derramamento do Espírito Santo profetizado pelo rei Davi aconteceu no dia de Pentecostes. É o que a Escritura mostra, como São Pedro fala aos judeus ali presentes (cf. Atos 2, 33).

As conversões aconteceram em quantidade naquele dia. O que deveriam fazer? Deverão converter-se e ser batizado em nome de Jesus para o perdão dos pecados, para então receber o Espírito Santo (vv. 37-38). Todos deveriam crer no Cristo, e receber o batismo por meio dos apóstolos. Fé, batismo, dom do Espírito, tudo em harmonia, tudo na sequência estabelecida, onde só Deus pode milagrosamente, e com motivos fundados, fazer de outra forma. Assim é que Cornélio e o seus receberam o Espírito antes do batismo, como algo extraordinário, para mostrar aos judeus convertidos que os gentios são chamados à mesma aliança. No entanto, a forma ordinária do evangelho é fé e conversão, batismo e recebimento do Espírito Santo.

O livre-arbítrio na aceitação do Evangelho é patente. “Salvai-vos desta geração perversa”. E, assim, os que acolheram a Palavra foram batizados (vv. 40-41).

A partir daí, todos obedeciam aos “ensinamentos dos apóstolos”, estavam na comunhão fraterna e partiam o pão diariamente, em ação de graças a Deus, na Eucaristia. Vemos aí que a primeira comunidade formada a partir de Pentecostes, com os dons do Espírito, estava unida e obediente aos apóstolos.

O verso 43 é tremendo. O Senhor mostra a autoridade dos apóstolos, diante da Igreja, e todos estavam tomados de temor. Os apóstolos realizavam prodígios numerosos e imensa quantidade de sinais. Os que seriam salvos eram colocados na Igreja pelo Senhor, ensina a Escritura no verso 47. Eis a soberania de Deus, que já havia incluído o livre-arbítrio nesse mistério salvífico.

Não há aí autonomia de membros, como se todos os cristãos fossem mestres e pudessem por si tomar autoridade, nem dons que dividem, contra a autoridade estabelecida, nem livre-exame para escolher e julgar a pregação apostólica.

Temos a liderança dos apóstolos, a obediência da igreja, os dons carismáticos, distribuídos na igreja, e de forma especial os dons confirmatórios da autoridade dos apóstolos (cf. Atos, 2, 43). Tudo isso é fruto do evangelho de Jesus.

Jesus veio para abençoar e salvar. O homem livre deve afastar-se da maldade, arrepender-se, converter-se, crer em Jesus, ser batizado (cf. dentre os textos citados, ler ainda Atos 3, 26).

Em Atos 4, 32-33 vemos a Igreja crescendo, sob o impulso do Espírito Santo. Era o Senhor liderando através dos apóstolos. A Igreja era unida de coração e alma, e os apóstolos testemunhavam a ressurreição de Jesus, e tratavam, até aquele momento, das administrações econômicas da Igreja, distribuindo e repartindo conforme as necessidades de cada um, os valores e bens que recebiam de doações voluntárias. Eram chefes espirituais, e já tratavam de questões temporais, as que tocam o evangelho, pois se tratava de vestir o nu, dar comida aos famintos, colaborar para a vida digna dos cristãos.

Todos podem constatar que havia uma só Igreja, sob o comando dos apóstolos, guiada pelo Espírito Santo. Em cada localidade será fundada uma comunidade cristã que estará unida na fé e obediência apostólica. Isso ficará claro ao passo em que continuamos a refletir sobre a Igreja, sua autoridade e sua posição ante às divisões e doutrinas diversas e sobre a sua disciplina.

Gledson Meireles.

domingo, 3 de janeiro de 2021

Adão e o livre-arbítrio

O Senhor Deus colocou, de forma especial, duas árvores no Éden. Uma era a árvore da vida. A outra, a do conhecimento do bem e do mal. De todas as árvores podiam o homem e a mulher comerem, exceto de uma: a que estava no meio do jardim, a saber, a do conhecimento do bem e do mal. Deus a criou para testar a obediência das suas criaturas racionais, aquelas que Ele havia criado à sua imagem.

A narrativa é bastante natural. O homem podia agir normalmente, vivendo as delícias do paraíso, governando as criaturas, servindo-se da criação, como mordomo de Deus. Ele deveria cuidar do jardim, alimentar-se, recrear, viver de forma abundante e perfeita, e repousar de seu labor.

Havia, porém, uma limitação, dada por Deus, pelo mandamento. Não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal. Isso pressupõe a possibilidade de obedecer e de desobedecer. Ninguém duvida disso. O homem podia não comer, como também poderia comer a desobedecer a ordem de Deus, pois a árvore estava ali, à sua disposição, e ao seu alcance.

Buscando uma explicação mais profunda, no plano metafísico, alguns apresentaram a teoria de que Deus havia determinado que o homem desobedecesse a sua Lei e caísse no pecado. Isso porque não haveria outra fonte de energia e origem de todo agir que não fosse o próprio Deus. Assim, a criação não poderia estar fora da total soberania de Deus.

Dessa forma, explicam que o pecado foi determinado. No entanto, sabemos que pela narrativa não há necessariamente apenas esse tipo de explicação. Pelo contrário, ela de alguma forma infringe leis da racionalidade humana.

Portanto, sabemos que Deus deu liberdade ao homem, que é o livre-arbítrio, ou seja, a liberdade da vontade, para agir por si mesmo, fazendo ou deixando de fazer. No entanto, essa ação não escapa do conhecimento de Deus, e do Seu exaustivo controle, pois não há realidade fora de Deus. Temos aqui o mistério da relação entre a soberania e o livre-arbítrio.

Que toda a realidade é conhecida por Deus não há como negar. Presente, passado e futuro são para Deus simples de conhecer. Assim, todos os eventos são conhecidos nos seus mínimos detalhes. Se são conhecidos, como isso ocorre? Isso significa que estão determinados e não podem mais mudar? Significa que foi Deus quem determinou todas as ações livres das criaturas racionais?

Essas questões são profundas e difíceis, mas felizmente encontram resposta na Bíblia. Há o sistema que aceita os dados da revelação, como estão desde as primeiras páginas da Bíblia, que mostram o homem e a mulher criados livres, dotados de livre-arbítrio, e responsáveis por suas ações. Esse é o posicionamento da Igreja Católica.

E há o sistema que nega o livre-arbítrio e constrói toda a sua teologia em cima dessa negação, aceitando todas as demais premissas da revelação que relacionam-se com esse tema, exceto o próprio livre-arbítrio. Esse sistema nasceu principalmente por causa da doutrina dos reformadores protestantes, em especial pelo trabalho de João Calvino, por isso conhecido como Calvinismo.

Desse modo, essa teologia precisa explicar inúmeras passagens da Bíblia, que naturalmente contradizem suas afirmações, e, precisa também, tentar harmonizá-las com seus princípios, que procuram a manter afastada doutrina do livre-arbítrio.

Tradicionalmente o calvinismo, também chamado de fé reformada, aceita que Adão possuía o livre-arbítrio. Ensina isso porque define o livre-arbítrio como capacidade de escolher igualmente opções contrárias. Adão podia comer do fruto da árvore da vida como também podia não comê-lo, com a mesma facilidade. Tudo estava em seu poder de escolha. Mas, antes disso, afirma a mesma teologia, estava determinado, no decreto divino, que Adão comeria do fruto da árvore, pecaria, e perderia a graça.

Dessa forma, Adão agiu livremente, mas sem saber estava obedecendo ao decreto divino que determinava que ele comesse do fruto da árvore da vida e fosse causa de perdição para toda a sua descendência.

No entanto, essa explicação não está na Bíblia, nem amolda-se no contexto do Gênesis que revela a criação do mundo. Por isso, o pecado original não estava determinado.

Por isso, antes de pensar em determinação de todos os eventos, Deus criou o mundo e suas criaturas livres sabendo como se comportariam, e incluiu isso no decreto de salvação. Isso quer dizer que Deus viu o pecado de Adão, e não que o determinou. Não que dizer que quis o pecado, nem que determinou que o mesmo ocorresse, nem que viu algo que fugia do Seu controle, como vindo de outra fonte que não o Seu próprio poder e criação, mas que pela criação de criaturas livres, sabia como agiriam, livres como são, e quis assim decretar, levando em conta o livre-arbítrio.

Dessa forma, Adão agiu livremente sem que fosse determinado por isso, e Deus sabia da resposta de Adão, e já havia previsto isso no seu decreto eterno.

O Senhor Deus colocou, de forma especial, duas árvores no Éden. Uma era a árvore da vida. A outra, a do conhecimento do bem e do mal. De todas as árvores podiam o homem e a mulher comerem, exceto de uma: a que estava no meio do jardim, a saber, a do conhecimento do bem e do mal. Deus a criou para testar a obediência das suas criaturas racionais, aquelas que Ele havia criado à sua imagem.

A narrativa é bastante natural. O homem podia agir normalmente, vivendo as delícias do paraíso, governando as criaturas, servindo-se da criação, como mordomo de Deus. Ele deveria cuidar do jardim, alimentar-se, recrear, viver de forma abundante e perfeita, e repousar de seu labor.

Havia, porém, uma limitação, dada por Deus, pelo mandamento. Não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal. Isso pressupõe a possibilidade de obedecer e de desobedecer. Ninguém duvida disso. O homem podia não comer, como também poderia comer a desobedecer a ordem de Deus, pois a árvore estava ali, à sua disposição, e ao seu alcance.

Buscando uma explicação mais profunda, no plano metafísico, alguns apresentaram a teoria de que Deus havia determinado que o homem desobedecesse a sua Lei e caísse no pecado. Isso porque não haveria outra fonte de energia e origem de todo agir que não fosse o próprio Deus. Assim, a criação não poderia estar fora da total soberania de Deus.

Dessa forma, explicam que o pecado foi determinado. No entanto, sabemos que pela narrativa não há necessariamente apenas esse tipo de explicação. Pelo contrário, ela de alguma forma infringe leis da racionalidade humana.

Portanto, sabemos que Deus deu liberdade ao homem, que é o livre-arbítrio, ou seja, a liberdade da vontade, para agir por si mesmo, fazendo ou deixando de fazer. No entanto, essa ação não escapa do conhecimento de Deus, e do Seu exaustivo controle, pois não há realidade fora de Deus. Temos aqui o mistério da relação entre a soberania e o livre-arbítrio.

Que toda a realidade é conhecida por Deus não há como negar. Presente, passado e futuro são para Deus simples de conhecer. Assim, todos os eventos são conhecidos nos seus mínimos detalhes. Se são conhecidos, como isso ocorre? Isso significa que estão determinados e não podem mais mudar? Significa que foi Deus quem determinou todas as ações livres das criaturas racionais?

Essas questões são profundas e difíceis, mas felizmente encontram resposta na Bíblia. Há o sistema que aceita os dados da revelação, como estão desde as primeiras páginas da Bíblia, que mostram o homem e a mulher criados livres, dotados de livre-arbítrio, e responsáveis por suas ações. Esse é o posicionamento da Igreja Católica.

E há o sistema que nega o livre-arbítrio e constrói toda a sua teologia em cima dessa negação, aceitando todas as demais premissas da revelação que relacionam-se com esse tema, exceto o próprio livre-arbítrio. Esse sistema nasceu principalmente por causa da doutrina dos reformadores protestantes, em especial pelo trabalho de João Calvino, por isso conhecido como Calvinismo.

Desse modo, essa teologia precisa explicar inúmeras passagens da Bíblia, que naturalmente contradizem suas afirmações, e, precisa também, tentar harmonizá-las com seus princípios, que procuram a manter afastada doutrina do livre-arbítrio.

Tradicionalmente o calvinismo, também chamado de fé reformada, aceita que Adão possuía o livre-arbítrio. Ensina isso porque define o livre-arbítrio como capacidade de escolher igualmente opções contrárias. Adão podia comer do fruto da árvore da vida como também podia não comê-lo, com a mesma facilidade. Tudo estava em seu poder de escolha. Mas, antes disso, afirma a mesma teologia, estava determinado, no decreto divino, que Adão comeria do fruto da árvore, pecaria, e perderia a graça.

Dessa forma, Adão agiu livremente, mas sem saber estava obedecendo ao decreto divino que determinava que ele comesse do fruto da árvore da vida e fosse causa de perdição para toda a sua descendência.

No entanto, essa explicação não está na Bíblia, nem amolda-se no contexto do Gênesis que revela a criação do mundo. Por isso, o pecado original não estava determinado.

Por isso, antes de pensar em determinação de todos os eventos, Deus criou o mundo e suas criaturas livres sabendo como se comportariam, e incluiu isso no decreto de salvação. Isso quer dizer que Deus viu o pecado de Adão, e não que o determinou. Não que dizer que quis o pecado, nem que determinou que o mesmo ocorresse, nem que viu algo que fugia do Seu controle, como vindo de outra fonte que não o Seu próprio poder e criação, mas que pela criação de criaturas livres, sabia como agiriam, livres como são, e quis assim decretar, levando em conta o livre-arbítrio.

Dessa forma, Adão agiu livremente sem que fosse determinado por isso, e Deus sabia da resposta de Adão, e já havia previsto isso no seu decreto eterno.

Por isso, Adão não perdeu o livre-arbítrio quando pecou. Ele não perdeu a capacidade de fazer escolhas livres. Perdeu a justiça e santidade originais, perdeu aquela neutralidade nas escolhas, perdeu a santidade e ficou sujeito ou pecado, à concupiscência. O livre-arbítrio não é neutralidade nas escolhas, mas a própria capacidade de escolher, sem coerção, de forma livre, por meio de motivos.

Assim, após a queda, o homem continua a poder escolher, mas poderá escolher a salvação somente quando for capacidade para isso pelo auxílio da graça de Deus.

Gledson Meireles.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Pastor é devoto de Santos padroeiros

O pastor Granconato afirmou que Santo Agostinho e Santo Irineu são seus santos padroeiros. Como entender essa afirmação do pastor e como tirar lições para o sentido da nossa devoção aos santos?

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Livro sobre o Catolicismo: comentário - parte 1

Notas sobre o livro:

 

NOGUEIRA, Rafael. O Catolicismo Romano e a Bíblia. São João del Rei-MG, 2012.

 

Introdução

O autor é ex-católico que logo na juventude ouviu uma mensagem que o afastou da Igreja. Afirma que serve a Deus “em uma Igreja Evangélica”, e seu livro tem objetivo de dar oportunidade para os católicos escolherem no que querem crer.

Sua vontade foi de produzir um livro apologético para uso dos protestantes e também para leitura dos católicos, e acredita que o Espírito Santo o auxiliou em sua tarefa, o que mostra sua sinceridade. Nas páginas que seguem abaixo serão estudados os argumentos do autor e mostradas as verdades da doutrina católica.

Certamente, o que o autor afirma é uma verdade: difícil é tomar decisões e fazer escolhas. Imagine o próprio autor lendo as seguintes páginas e revendo sua base de fé e encontrando pelo menos um argumento que o deixe sem resposta, e que se torne ocasião para procurar responde-lo, e que dessa forma prepare sua entrada na santa Igreja Católica? É uma possiblidade. Muito difícil, porém. Para aqueles que não querem pensar e refletir, isso é um obstáculo quase intransponível. Humanamente falando não se pode esperar muito, mas o Espírito Santo sopra onde quer.

Entrar pela porta estreita para trilhar o caminho de Jesus (cf. Mt 7, 13-14) na Igreja Católica é a mais espetacular decisão. Não é fácil, certamente, porque exige carregar a cruz e seguir Jesus de uma forma singular: na Igreja que guarda o depósito da fé. Isso será mostrado no estudo a seguir.

Para os que lerem o breve estudo do livro O Catolicismo Romano e a Bíblia terão oportunidade de examinar os dois lados e certificar-se se está na fé (cf. 2 Cor 13, 5).

De fato, não é apenas uma leitura da Bíblia e de achados cruciais da doutrina salvação que irão decidir o futuro do leitor. Isso é fundamental, mas claramente todos concordam que haverá mudança de parecer e de vida para acomodar-se ao Evangelho. E cada um está certo de que não pode estar em qualquer religião e qualquer igreja. Muito menos permanecer na irreligião. Por isso, a atitude após conhecer a verdade mostra os frutos de arrependimento.

O leitor será capaz de perceber que a doutrina da Igreja Católica é a doutrina de Jesus, é a própria luz para o nosso caminho (cf. Sl 119, 105).

O autor afirma que confrontou a doutrina da Igreja Católica com a Bíblia de forma simples e humilde, e que o uso dos textos bíblicos feito pelos católicos está errado. O leitor terá oportunidade de verificar isso, de forma bastante resumida, mas que o Senhor Jesus queira que seja o suficiente para suscitar o desejo de continuar o estudo da Palavra de Deus.

Esses não são os títulos usados no livro, mas apenas indica o assunto.

 

Capítulo 1: A Sagrada Tradição

A Igreja Católica não ensina que a é permitido propor novas doutrinas, nem que a revelação continua, mas que com a morte do último apóstolo a revelação oficial de Deus foi encerrada e não há mais doutrinas a serem reveladas. Esse ponto é o primeiro que se deve ter em mente, e para quem leu o livro que está sendo analisado aqui verá que ele afirma que a Igreja ensina que tem autoridade de propor novas doutrinas, o que não é correto.

O que a Igreja Católica faz é estudar a Escrituras e tradição apostólica e definir as verdades já reveladas, em tempos que exigem isso, esclarecendo-as. Isso todas as outras igrejas protestantes também o fazem, de alguma forma, pois sempre estão trazendo novas luzes no entendimento de certas verdades. Um exemplo disso é a interpretação feita pelo dispensacionalismo. Algo recente.

Outra divisão é aquela de erros e heresias, onde os erros doutrinais não teriam a gravidade de afetar a salvação, o contrário das heresias. Também recente. Essas coisas não fariam da palavra de homens uma autoridade acima da Palavra de Deus?

Onde está na Bíblia a doutrina do dispensacionalismo que divide a Palavra de Deus aplicando versos bíblicos a Israel e à Igreja como sendo de diferentes dispensações? Onde está escrito que o batismo deve ser feito apenas a partir de certa idade, e que é um testemunho público de conversão? Não são esses entendimentos da tradição protestante? Pense nisso.

Esses entendimentos e interpretações existentes no interior do Protestantismo mostram que todas as igrejas estão de certo modo propondo novas interpretações da Bíblia para os fieis, e que essas formulações têm influências na vida espiritual de salvação daqueles que creem nelas.

Uma correção: os sucessores dos apóstolos não são somente os papas, mas todos os bispos. Isso não significa que todos são apóstolos, mas que levam historicamente e doutrinariamente a mesma mensagem que Jesus e os apóstolos ensinaram.

Para o protestante a tradição está agora escrita na Bíblia e não existe mais outra fonte. Por isso, o que lê em 1 Cor 11, 2 e 2 Ts 2, 15 é entendido por “tradição” como o que já foi escrito. No entanto, toda a revelação suficiente para a salvação está na Bíblia, e o que foi deixando na tradição é uma luz interpretativa das Escrituras, mostrando que o que foi ensinado desde o início permanece hoje. A Bíblia não pode ficar à mercê da interpretação humana, e por isso a tradição mostra como ela foi entendida desde os primeiros dias. As heresias que surgem são facilmente detectadas quando se faz um estudo da fé cristã desde os dias apostólicos. Veja como a Igreja que Jesus fundou ensina o evangelho em todos os séculos. Pense nisso.

A verdade está completa e ao alcance de todos, mas os bispos devem zelar pelo rebanho (cf. Atos 20, 28). Aí está a necessidade do magistério.

Esclarecendo um mal-entendido. O caso do celibato não se trata de nova revelação. Não é uma doutrina recente, mas uma disciplina antiga da Igreja. O autor aponta a data de 1074 como instituição do celibato e pergunta por que não foi aplicado antes? Será que isso surgiu como revelação de doutrina nova em 1074? A resposta simples é não.

A verdade é fundamental, e está na Bíblia, desde o tempo de Jesus. O que a Igreja faz é fazer normas disciplinares que contemplem o ensino do evangelho. E para isso a Igreja tem autoridade, porque faz essas normas baseadas na verdade.

Dessa forma, como Jesus e os apóstolos foram celibatários, e existe o dom do celibato, principalmente para os que ocupam-se com as coisas do Senhor, como revelado nas Escrituras, a Igreja desde o início tem com grande afeição esse estado de vida, e a tradição mostra que a tendência foi de sempre optar pelo clero celibatário.

A Igreja tem autoridade para adotar certas disciplinas, como essa que tem respaldo nas Escrituras e ajuda a melhor servir a Jesus, como fez e aconselhou, inspirado pelo Espírito Santo, o apóstolo São Paulo.

 

Sobre o carisma da verdade

Será que as igrejas protestantes reconhecem que a Igreja Católica possui a verdade do evangelho da mesma forma que elas? Se a resposta for sim, não há porque continuar a análise.

Se a resposta for não, então isso afirma que as igrejas protestantes possuem a verdade. Afirma que só essas igrejas estão cumprindo a missão de zeladoras da verdade cristã. Por isso, não podem afirmar que o Catolicismo é exclusivista.

Quanto à afirmação de que a revelação tem caráter gradativo. Essa afirmação é feita por estudiosos protestantes que estão interpretando documentos católicos, e não pelos próprios documentos católicos, pois a Igreja afirma que a revelação foi fechada com o Apocalipse, o último livro da Bíblia.

Mas, afirmam isso citando o seguinte trecho do documento Dei Verbum: “Com efeito, progride a percepção tanto das coisas como das palavras transmitidas, [...] com a sucessão do episcopado, receberam o carisma da verdade. Isto é, a Igreja, no decurso dos séculos, tende contìnuamente para a plenitude da verdade divina, até que nela se realizem as palavras de Deus.” (Concílio Vaticano II, Dei Verbum, parágrafo 8)

Vamos estudar esse parágrafo, fazer uma exegese dele, e depois voltar à interpretação acima e comparar, vendo se ela está correta ou não.

O documento Dei Verbum, no parágrafo 8, inicia ensinando que a “pregação apostólica” é expressa especialmente na Bíblia. Isso mostra que a verdade que os apóstolos ensinavam oralmente foi escrita! Isso mesmo, foi expressa na Bíblia de modo especial, porque está ali registrada por inspiração do Espírito Santo.

Então, afirma que tudo o que os apóstolos ensinaram contribui para o crescimento da fé do povo de Deus, e que a Igreja continua na sua doutrina, vida e culto a ensinar o que acredita. Muitas coisas que são tidas na liturgia e nos costumes, por exemplo, são de origem apostólica. Não foram escritas na Bíblia, mas praticadas desde o princípio, e foram assim consideradas. Os escritos patrísticos mostram, por exemplo, que o batismo perdoa os pecados, e que as crianças eram batizadas. Isso é um fato. Também é fato o reconhecimento de que isso é de origem apostólica. Portanto, a tradição de batizar os bebês, uma prática que foi deixada por correntes que interpretam diferente o texto bíblico.

Depois, o texto do documento Dei Verbum explica que a tradição apostólica progride. Como entender? É só continuar a ler o documento, que mostra que se trata da progressão da percepção dos crentes, através da contemplação e estudos, por exemplo, dentre mais outras coisas. A plenitude da verdade divina tem a ver com a compreensão da Igreja, e não com o progresso da revelação. Tudo está revelado, mas a Igreja vai crescendo no conhecimento. Alguém nega isso?

Como entender então o dispensacionalismo ensinado por tantos grupos, que não era assim ensinado século atrás? A própria doutrina da salvação pela fé recebeu tantos enfoques e cresceu tanto em entendimento que não é possível que os primeiros cristãos tivessem noção dessa verdade como tem um teólogo protestante, fazendo distinção entre justificação – forense e santificação, por exemplo.

Então, ensina a Constituição Dogmática Dei Verbum que pela tradição conhecemos os livros sagrados, a Bíblia. De fato, para esse conhecimento perfeito foi necessário muito tempo. Não há como negar. E continuar: “e a própria Sagrada Escritura entende-se nela mais profundamente”. Ou seja, a Bíblia é mais entendida enquanto a Igreja caminha na história.

Assim, quando se diz que “introduz os crentes na verdade plena” não se fala de outra revelação, de nova doutrina, mas na maior compreensão de passagens bíblicas.

Muitas coisas podem ser ditas. Por exemplo, há os que creem que os dons do Espírito Santo como foram revelados em Pentecostes continua na Igreja, enquanto outros, usando a Bíblia, afirmam que não. Isso porque seguem tradições diferentes. Se o texto bíblico fosse totalmente claro, não teriam dúvidas. Mas, afirmam que essas coisas não afetam a salvação, mas que as diferenças com o catolicismo afetam! Quem separou as doutrinas que podem ser divergidas, que são erros e não afetam a salvação ou que são heresias e que afetam a salvação? Foram intérpretes, pois a Bíblia não possui tal lista.

Em quem você crê, na Bíblia e na tradição apostólica que mostra o que é importante e o que não é, ou em tradições recentes que interpretam a Bíblia da outra forma como exemplificado acima? Isso serve para mostrar que devemos seguir a Bíblia em sua imutável verdade.

Os cristãos em geral interpretando a Bíblia não possuem a infalibilidade. Assim, caem em muitos erros. Dessa forma, devemos ter maior certeza, como Jesus quer que tenhamos.

Respondendo aos argumentos. O número 1 não é forte, já que o cânon judaico, historicamente comprovado, foi fechado em fins do século 1.

O argumento 2 também não conclui nada, já que para alguém que não crê nas Escrituras, qualquer que seja o livro, encontrará “argumentos” contra supostas lendas, erros e etc.

O argumento 3, de que o anjo mentiu, isso não está conscrito nos parâmetros bíblicos, que não tem a passagem como mentira. De fato, o anjo revela sua identidade depois. Homens de Deus também mentiram, embora não tenham pecado por isso, como Abraão, que mentiu sobre Sara, temendo a morte. Ver as circunstâncias e como fato é tratado pela Escritura. Os demais argumentos são respondidos em bons sites apologéticos (ver: apologistas católicos).

A tradição é o único meio para conhecer o cânon. Como julgar a tradição de ter inserido livros apócrifos quando se adota a tradição para defender um cânon mais restrito?

A respeito da intepretação da Bíblia, é sabido que não há lugar no Protestantismo para interpretar a Bíblia contra o sentido dos cinco solas, por exemplo. Não há como um protestante interpretar a Bíblia e ser aceito se ele vier a ensinar doutrinas que contrariam o Protestantismo histórico.

A Bíblia em si não depende de nada para se manter, pois é a Palavra de Deus. Para a entendermos bem é que a tradição e o magistério funcionam. Assim, a tradição e o magistério protestante estão sempre explicando as Escrituras para os fieis.

 

 

Capítulo 2: Sobre o papado

 

A pedra da Igreja é Cristo. O papa é a pedra em um sentido diferente, e ele não tem pessoalmente o dom da infalibilidade em tudo o que diz. Também não é um apóstolo, nem é inspirado como os apóstolos foram para escrever a Bíblia. Então, a questão do papado é bem diferente do que muitos pensam.

Quanto à intepretação do texto de Mateus 16, 18, ele é bem claro quanto a tratar-se da Pedro. Não há como negar. Por isso, as refutações breves dos argumentos: Jesus não disse “sobre ti edificarei a minha Igreja” porque Ele estava dando um novo nome da Simão, e esse nome era Pedro, que na língua falada por Jesus é Kepha, o mesmo que pedra. Jesus pronunciou duas vezes a mesma palavras: Tu é Kepha e sobre esta Kepha... O grego traduz Petros e Petra, inspirado pelo Espírito Santo, sem introduzir qualquer novidade, apenas modificando Petros para adequar-se à regras gramaticais para nomes em grego, que terminam em regra por as, es, is, os, us. E o termo Petros tem o mesmo sentido de petra em muitos contextos. O termo kephas não está no texto grego porque é uma palavra aramaica, mas está na passagem, porque é o original que Jesus utilizou, que por isso foi algumas vezes transliterado para o grego como Cefas, como está em outros livros do Novo Testamento. Jesus falou em aramaico, e somente depois o evangelho foi escrito em grego trazendo os termos petros e petra para traduzir kephas. Esse argumento é irrefutável.

Jesus é a Pedra em sentido diverso, mais profundo, fundamental, absoluto. Pedro é pedra como chefe da Igreja em seu aspecto ministerial.

O contexto imediato mostra Jesus referindo-Se somente a Pedro, e não a pequena ou grade pedra, já que Ele falava aramaico e somente um termo foi usado no idioma original. Já no grego também tudo se refere a Pedro naquelas palavras de Jesus.

Pode haver duas pedras? Sim, se forem em contextos diferentes. Assim, os apóstolos são o fundamento da Igreja em Ef 2, 20, ao mesmo tempo que Jesus é o fundamento da Igreja em 1 Cor 3, 11, e Pedro é o fundamento da Igreja em Mt 16, 18. São contextos diferentes.

Na interpretação do livro, Pedro seria pedra no sentido de representar os demais cristãos. Isso de alguma forma mantem o fato de que Pedro é pedra, pois contra fato não há argumento. No entanto, o contexto mostra que Jesus chamou Simão de Pedro para edificar Sua Igreja, e não apenas para fazê-lo primeira pedra ou pedra de representação. Tudo isso pode ser entendido a partir do fundamento pedra, que na passagem de Mateus 16, 18 é Pedro.

As chaves do reino são símbolo de autoridade espiritual para governar a Igreja como chefe visível. Pedro, em primeiro, depois o colégio apostólico junto dele. Não se trata de chaves literais para admitir ou expulsar, mas para bem governar a igreja.

O autor reconhece que o Papa não pode fazer doutrina e impor à Igreja. Correto. Reclama, porém, que o poder do papa não pode ser questionado. Claro, pois Jesus afirma que Pedro é o pastor das ovelhas e carneiros, o que mais poderia ser esperado dos cristãos obedientes a Cristo? Se o papa não impõe novidade, ele tem poder na verdade. E assim, deve ser obedecido. Não pode ser obedecido se ensina algo contrário ao que Jesus ensinou. O poder vem de Cristo, mas é exercido pelo colégio apostólico com Pedro, ou seja, os bispos em união como papa.

O papa não pode ensinar nada que não seja bíblico e que tenha respaldo na tradição. Os cristãos nunca foram permitidos escolher o que crer, pois isso é ser herege. Então, analisar tudo e ficar com o que é bom tem a ver com revelações particulares, profecias particulares, e não com a doutrina bíblica pregada pelos apóstolos. Assim, os bereanos de Atos 17, 11 não eram cristãos ainda quando examinavam as Escrituras, mas judeus que ouviam a pregação a respeito de Cristo. Quando converteram-se criam tudo o que os apóstolos pregavam, com obediência.

A infalibilidade da Igreja é entendida como a promessa de Cristo de que as portas do inferno não prevalecerão contra ela. O erro e a heresia são do inferno, e por isso não pode entrar na Igreja Católica e ser estabelecido por ela para todos crerem. Assim, a Igreja é infalível porque está ancorada em Jesus Cristo.

Agora, uma resposta rápida às questões finais do capítulo: o Catolicismo segue o original bíblico para fundamentar a doutrina do primado de Pedro; o apóstolo Pedro inegavelmente tinha primazia entre os apóstolos; o papa tem poder sobre a Igreja como ministro, incumbido dessa missão por Jesus, na pessoa de Pedro; as indulgências não foram consideradas pecado, mas o abuso das indulgências, a venda delas, é que foi pecado grave; a Igreja é infalível, por promessa de Cristo, os apóstolos eram infalíveis, para escrever e pregar o evangelho. Não eram impecáveis, o que é outra questão; o poder das chaves é autoridade de governo espiritual na Igreja.

  

Capítulo 3: Sobre a Igreja

Se o reino de Deus está, hoje, dentro de nós, identificando os cristãos já se tem acesso onde está o reino. Jesus afirmou que esse reino não é temporal, mas espiritual.

Não se pode afirmar que a Igreja seja apenas um sistema, mas que é uma sociedade, pois se trata de pessoas. Isso mesmo. No entanto, há um corpo de verdades que essa sociedade tem, e que deve ser guardada. Quando se fala de Igreja Católica há uma sociedade que professa uma fé, e essa deve ser crida, preservada e anunciada.

Por isso, é inócuo afirmar que não é membro de sistemas, instituições, mas da Igreja viva de Cristo, pois todos temos um credo para professar, regras para viver, e etc., que fazem parte dessa vida cristã.

Por isso, fazer parte do corpo espiritual de Cristo é ser Igreja viva, visível, operante, que vive o evangelho, os mandamentos de Deus e o testemunho de Jesus, nesta dispensação final da Igreja de Jesus.

A Igreja é aquela que se submete à Palavra de Deus. Correto, pois sabemos que a única Igreja foi fundada por Jesus Cristo.

Por que não há uma Igreja de placa, física, visível? A resposta está simplesmente porque a Igreja é única, e sendo assim não há necessidade de placa etc. Nomes servem para identificar, entre iguais, mas a Igreja não recebeu um nome próprio porque é única. Ela tem notas, como a universalidade (católica), santidade (doutrina santa pelo fundador Santo), apostolicidade (pela pregação dos apóstolos) e unidade (unida na mesma fé). As notas são mais eficazes que os nomes. Fazer parte da Igreja de Cristo já é estar na religião de Cristo, no cristianismo histórico, no sistema religioso cristão, na instituição Igreja, etc.

Por isso, quando Jesus deixou a Igreja, que deve aprender do Seu evangelho, ser batizada, orar sem cessar, reunir-se em Seu Nome, celebrar a Ceia do Senhor, obedecer os mandamentos, zelar pelo próximo, cuidando dos órfãos e viúvas, viver em comunhão, esperar a consumação do reino, e etc., já estava mostrando o que era a Igreja: uma sociedade espiritual. Basta entender a pequena semente de mostarda se tornando grande árvore. Aí está o sistema religioso Jesus Cristo. É muito simples.

 

Capítulo 4: Sobre a oração aos santos

Os protestantes não oram aos santos. Caso entendido. No entanto, o que entendem sobre isso? O livro tem a afirmação de que os mortos deixam de fazer parte do corpo de Cristo, mas não da Igreja. O que é problemático é que a expressão corpo de Cristo não quer dizer algo temporal, físico, natural, mas algo sobrenatural, e que significa a Igreja. Então, a afirmação está errada.

Falando de Jeremias 15, 1  e Ap 6, 9, afirma, desse último texto, que os ali referidos não são santos, mas os que chegaram da grande tribulação. Na verdade, o autor esqueceu que todos os cristãos são santos, e de modo especial os que morreram por Cristo. Então, o texto fala de santos.

De forma breve pode-se afirmar que a intercessão dos santos no AT não pode ser igual à do Novo porque os santos estavam no sheol, e não no céu, como estão agora. A morte tinha um destino diferente, por isso o Apocalipse afirma que felizes os que de agora em diante morrem no Senhor. Outra coisa, se não aparece os apóstolos orando aos santos que já haviam falecido no Novo Testamento não é prova contrária, é apenas um silêncio, e do silêncio não se pode formular uma lei. Outros fundamentos na Bíblia mostram a intercessão dos santos.

Para que mais intercessores? Essa pergunta é como se a ajuda dos santos do céu fosse supérfluo. Os santos não são ídolos, mas servos do Deus Altíssimo.

A ideia de que o corpo de Cristo é apenas para os cristãos na terra não tem respaldo bíblico. Da mesma forma a Igreja é chamada de noiva de Cristo, e no Apocalipse a noiva que subiu ao céu desce à terra transformada. Essas imagens e metáforas para se referir à Igreja são válidas, esteja a Igreja na terra ou no céu. Parece que esse argumento usado no livro não é bíblico.

Pelo que foi visto até o momento, o autor ignora muitas coisas da doutrina bíblica, e por isso não as compreende.

Gledson Meireles.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

A virgem Maria: mais comentários

Outro comentário a respeito do livro O papado e o dogma de Maria.

Parte 1: O pastor afirma que o culto a Maria é uma desonra, uma ocasião de pecado, e que foi introduzido na Igreja depois que levas de pessoas não-convertidas entraram no cristianismo. Em primeiro lugar, o culto a Maria é reconhecer sua grandeza como mãe de Cristo, serva de Deus, modelo para a Igreja, que tem-na, a exemplo de Cristo, como mãe. Então, o culto a Maria só pode honrá-la. Ainda, com o Edito de Milão não houve conversão em massa, mas as mudanças que ocorreram foram aos poucos facilitando as conversões, mas não há qualquer alusão de que a mariologia como a conhecemos hoje tenha sido gerada pelos motivos acima.

A respeito do título mãe de Deus como relacionado à frase inspirada e bíblica de mãe do meu Senhor, tudo está muito claro quando se tem em conta que o Senhor ao qual Isabel tinha em mente era o Deus de Israel, e que o Espírito Santo referiu-Se ao Filho do Altíssimo, sendo também da mesma natureza do Pai. É por isso que sendo o Filho o mesmo Deus, Maria é de certa forma Sua mãe. E qual forma é essa? A da natureza, que é o meio da humanidade de Maria em relação a Cristo. Ela não é mãe da natureza de Cristo, mas mãe da Pessoa de Cristo segundo a natureza humana.

A ideia de que Maria ser mãe de Deus implica em que ela precedeu a Deus não é doutrina cristã católica. O autor parece não conhecer isso.

A doutrina da imaculada conceição está de acordo com a Escritura pois ensina que Maria é filha de Adão, e foi preservada do pecado, o que é o mesmo que salvação, e essa salvação foi efetuada pelo sangue de Jesus Cristo. A explicação de que Jesus é semente da mulher por si só não explica o motivo dEle não ter sido gerado com pecado original. Por isso, a Igreja foi tomando consciência de que Deus agiu na pessoa de Maria purificando-a totalmente para afastar qualquer pecado da mãe do Senhor. Ela foi salva por Deus (cf. Lucas 1, 47).

Diz o pastor que os apóstolos não oraram a Maira e nem falaram de Maria. Esse “silêncio” seria uma reprovação ao culto mariano. Mas, pelo contrário, quando há silêncio significa que o assunto em questão era pacífico e não o contrário. Muitas doutrinas que não mereceram atenção são aquelas das quais não havia dúvida alguma. Isso porque a maior parte do Novo Testamento foi escrita para tratar de questões controvérsias.

Interessante que para falar contra a virgindade perpétua de Maria, o pastor usa 1 Coríntios 7, 5, como se não ter relacionamento conjugal fosse “desobediência” a um mandamento divino, quando o texto não diz isso, pois é dito que os casais devem ter momentos de privação do direito conjugal para oração, e não devem ficar assim por muito tempo porque ficariam à mercê das tentações do Demônio, e não porque Deus havia ordenado que devessem voltar a unir-se.

Também, primogênito não significa um entre outros, mas o primeiro gerado, somente isso. Caso seja filho único, continua sendo primogênito.

Por isso, afirmar que “há provas” na Escritura de filhos de Maria não é correto.

Outra questão é que a palavra usada para primo é anepsios, e que isso provaria que os irmãos de Jesus não eram primos, é uma questão inócua. Isso já foi discutido em outro artigo, que prova que Maria não teve outros filhos.

A respeito do dogma da assunção, deve-se entender toda a questão sobre a imaculada conceição e suas implicações, as referências bíblicas a respeito de Maria, e as afirmações históricas. Maria foi elevada ao céu.

 

Parte 2: A primeira observação que o pastor faz da anunciação do anjo Gabriel à virgem Maria (cf. Lucas 1, 28) é que a escolha de Maria teve origem na graça de Deus e não em mérito dela. Essa observação não deve causar nenhuma estranheza para o católico, já que tudo o que a Igreja Católica ensina é justamente que Deus é a fonte de todo o bem e de toda graça, e portanto a virgem Maria foi escolhida por Deus, preparada por Ele, para ser a mãe do Salvador, e não que ela tenha tido mérito para oferecer a Deus para isso. Aliás, o mérito que ela tinha era efeito da graça, que Deus concedeu para fazê-la participante do mistério da redenção, como mãe do Redentor.

Depois, o reverendo chama a atenção de que a ênfase do anjo estava na criança, em Jesus, e não Maria. Essa constatação é tipicamente protestante, e tem como objetivo mostrar ao católico, especialmente, que a Bíblia não oferece base para venerar Maria, e que esse é o ensino bíblico. Não há o que objetar de forma especial sobre isso, já que a mensagem do anjo era a encarnação de Jesus, e nada mais natural que a ênfase seja Jesus em toda a passagem. No entanto, o que a Igreja também observa, e todos os santos doutores falaram disso, é que Maria é chamada por um nome diferente, que é traduzida do latim como cheia de graça, ou como agraciada, como preferem as traduções protestantes e mais modernas, a partir do texto grego.

Isso mostra que esse nome revela uma característica da virgem Maria, mostrando sua singular bênção, recebendo já de início a plenitude da graça. O anjo a saudou, como não havia feito em outras aparições. Por causa de Cristo veneração Maria.

Falando sobre Lucas 1, 38 o pastor lembra que Maria escolheu o título de serva, que não quis ser uma sócia de Deus, nem igual a Deus, mas Sua serva. Para o católico tais palavras não trazem nenhuma novidade, pois cremos que Maria é a serva de Deus por excelência, de serviu o Senhor de modo tão sublime que na Igreja é a primeira cristã, a primeira criatura modelo de fé para os irmãos de Cristo. É ainda a mãe da Igreja, que é espiritualmente o corpo de Jesus.

Por fim, entre outras coisas que não estão em contraste com a doutrina católica, o pastor observa que Maria não é bendita acima das mulheres, mas entre as mulheres. Ele quer dizer com isso que Maria não é diferente das demais mulheres de todo o mundo.

Mas, observe que a Bíblia afirma que Maria é bendita e que Jesus é bendito, e ninguém dirá que por isso Jesus é tão bem-aventurado com todos os homens e não acima de todos os homens! Portanto, antes de expressar opiniões, é preciso ponderar conforme o texto sagrado. Maria é bem-aventurada entre as mulheres, de forma especial e singular, o que a faz ser honrada entre todas as mulheres com maior honra, porque é mãe do bem-aventurado Filho do Altíssimo.

Como segunda razão o pastor afirma que na passagem a ênfase é toda sobre Jesus e não sobre Maria, que Isabel destaca o Filho e não a mãe, que João Batista estremeceu por causa de Jesus e não por causa de Maria, e que o personagem principal do encontro é Jesus e não Maria.

Contudo, para o leitor atento das Escrituras, a passagem mostra que Isabel honrou Maria logo que ficou cheia do Espírito Santo, e mostra que João Batista estremeceu em seu ventre assim que a saudação de Maria foi ouvida. O protestante dificilmente honraria Maria dessa forma, raramente chega a tal ponto. Talvez a teologia protestante previne desse nível de honra que a Bíblia apresenta sobre Maria. Ao invés de trata-la com igual, Isabel a honra como maior. O leitor não deve deixar despercebido que a saudação da virgem foi ocasião para que o Espírito Santo santificasse o precursor e sua mãe Isabel.

No final dessa seção, para enfatizar algo mais católico nas observações do reverendo, é preciso notar que ele escreveu que Maria é campeã entre as mulheres, o que indicar sua maior estatura na graça, embora não seja isso que o pastor tenha querido passar. Ele transparece o desejo de mostrar que o protestante honra Maria, embora pelo que foi expresso acima, essa honra ainda é equiparada àquela que a Escritura oferece à mãe do Senhor.

Continuando, temos que em Lucas 1,48 a virgem Maria proclama, inspirada por Deus, que ela será lembrada em todas as gerações. Certamente, essa lembrança é feita pelos cristãos. No que se refere à teologia protestante mais moderna, pouco lugar tem sido dado à lembrança de Maria, o que se reflete nos cultos, nas pregações, nos livros, nas conversas, e na vida de cristãos protestantes, que lembram de falar de Maria quando pregam para algum católico, lembrando ao católico que ela é uma mulher “qualquer”, (ou como o reverendo escreve eu seu livro “era apenas umas mulher”), pecadora e salva por Deus, que teve filhos além de Jesus, que dorme no pó da terra, que não tem poder, e etc. Essa é a visão popular criada no Protestantismo para combater o culto de veneração à virgem Maria. Por essa via, não se cumpre a profecia de Lucas 1, 48.

Esse cumprimento está na Igreja Católica, onde a virgem Maria é lembrada sempre com os maiores louvores, por um só motivo: ser a mãe Jesus.

Na frase do pastor: “Seguir a orientação de Maria é de fato obedecer a Jesus” ele está seguindo, sem o saber, o espírito da verdadeira Mariologia. O que falta é crer na virgindade perpétua, imaculada conceição, assunção aos céus, e intercessão dos santos. Fazendo isso de forma cristã, como ensina a santa Igreja, está honrando a Maria biblicamente.

A respeito de Lucas 11, 27, onde as relações físicas são menores que as espirituais, deve-se responder que certamente ninguém creu com tanta clareza em Jesus como Maria, e por isso ela é a primeira crente. Portanto, é inevitável que, ao crer que Jesus é o Filho de Deus alguém naturalmente venha a venerar Maria.

Maria era já repleta do Espírito Santo desde sua concepção, com maior ênfase na encarnação de Jesus, e foi mais agraciada com dons do Espírito no dia de pentecostes. Sua vida foi sempre cheia do Espírito Santo, ao contrário dos demais discípulos, que foram santificados depois. E, ainda, deve-se lembrar que Maria não teve outros filhos.

Gledson Meireles.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

A mulher de Apocalipse 12 e algumas doutrinas da fé cristã

A interpretação comum tem sido explicar a mulher como imagem da Igreja. Isso, porém, não exclui a imagem de Maria, pois, como já explicado em outro artigo, a virgem Maria pode ser vista como símbolo e toda a Igreja nessa passagem, já que ela deu à luz o Filho que irá reger todas as nações. Por isso, é muito contra o texto negar isso.

Há uma interpretação protestante que afirma ser Israel a mulher dessa passagem. A Igreja não exclui outros significados, podendo interpretar esse símbolo como Eva, Israel, a Jerusalém Celeste, a Sinagoga espiritual, a Igreja, Maria.

Isso porque os sinais do Apocalipse podem ter mais de um sentido, como está em Ap 17, 9-10, onde as sete cabeças da fera são "sete montanhas" e também "sete reis".

Certamente, porém, a primeira interpretação, a mais natural, leva a Maria, pois ela é a mãe do Messias.

Os símbolos do dragão, da mulher, do filho, estão todos ligados a indivíduos. O dragão é Satanás, a mulher é Maria, o filho é Jesus. Muito simples. Mas, há quem afirme, por exemplo, que o dragão é Satanás, a mulher é Israel e o filho é Jesus, ficando apenas o símbolo da mulher como algo coletivo, o que desequilibra essa intepretação, já que os outros símbolos são individuais. Por isso, é melhor partir do literal para o espiritual, que é a correta interpretação, e que está conforme os dados bíblicos, oferecendo sentidos muito claros desses sinais.

Pode-se notar também que a mulher no céu remete à assunção de Maria. As vestes de sol, a coroa de estrelas, a lua debaixo dos pés, as asas da proteção, tudo lembra a graça de Deus que envolve a virgem Maria, indicando a imaculada conceição, que exclui todo pecado, e a assunção ao céu, depois de sofrer por amor de Cristo na terra.

Outra doutrina que pode ser lembrada, sem muito esforço, é que a mulher tem descendentes, como está no versículo 17. De fato, os filhos da mulher são os que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus, mostrando que a mulher é sua mãe. Assim, temos que Maria é mãe da Igreja.

Gledson Meireles.