domingo, 5 de julho de 2026

A realidade em 10 minutos (Ateísmo), parte 2

A filosofia cética ensina que o universo é natural e indiferente. E o motivo é o Problema do Mal. Na verdade, Matheus Benites qualifica esse problema apontando para a quantidade do mal, e não ao mal em si, o que já é algo diferente do argumento ateísta tradicional.

A realidade apresenta abundante sofrimento e ausência de manifestação sobrenatural.  O que isso significa? Que o mal espalhando em muitos lugares na realidade é incompatível com a existência de Deus, que é perfeitamente bom, perfeitamente sábio, e perfeitamente poderoso.

Isso significa que a evidência aqui retirada da realidade está sendo avaliada pela razão. A existência do mal na realidade é evidente. A ideia de Deus como perfeitamente bom, sábio e poderoso é contraposta a essa evidência. Então, conclui-se que não há Deus.

Mas, vejamos um pouco mais: o filósofo ateu afirma parte do sofrimento pode ter justificativa que nós desconhecemos, mas não todo o sofrimento. Isso quer dizer que a constatação de tanto sofrimento no mundo torna certo que Deus não existe. Então, a existência de pouquíssimo sofrimento não poderia gerar esse sentimento de revolta nem formular argumento contra a existência de Deus.

A admissão de que pode haver explicação para muito do sofrimento existente já é algo fenomenal, um avanço incrível. O que não pode ser concluído com certeza é afirmar que sofrimento em si, todo ele, não pode justificado. Por que um pouco do sofrimento é possível de ser razoavelmente explicado e o sofrimento em si, a sua existência, não pode, por causa da quantidade? Essa questão fica para o filósofo explicar.

A evidência do sofrimento e a existência de Deus aponta para a limitação da razão para entender tudo. Mas esperamos que haja um propósito para tudo o que existe de mal, porque a nossa própria natureza é contrária a essa existência e exige justiça.

De fato, essa mesma exigência natural leva a formular a prova contra a existência de Deus caso o sofrimento seja inexplicável e desnecessário. A lógica é usada aqui como a única forma de conceber esse dado da realidade caso o mesmo seja assim.

Dessa forma, se o mal tem propósito, já não é argumento contra a existência de Deus, mas apenas um problema bastante difícil para ser resolvido no atual nível de conhecimento da humanidade.

O outro problema proposto é o do ocultamento divino, pois se esperaria de Deus ter sua manifestação clara, pública e inequívoca. Essa é a exigência de que Deus seja Material, algo que possa ser experimentando pelos sentidos físicos. Não sendo assim, a prova não é aceita. É colocar regras para a resposta, do contrário não se admite a resposta.

O problema desse argumento é que o mesmo não consegue perceber que a própria existência da realidade exige que concebamos na razão uma causa para tudo o que existe, o que leva inexoravelmente a Deus.

Portanto, quando o ateísmo admite que não tem prova de que Deus não existe, talvez esteja com essa aparente humildade intelectual tentando afirmar que não existe prova para a existência de Deus, e que as provas dessa existência seriam os chamados “juízos de plausibilidade”, tidos, porém, como implausíveis.

Ao longo do vídeo o autor se mostrou como tendo certeza absoluta de que Deus não existe, mas citou algumas vezes, como exemplo de honestidade intelectual, que apenas adere à melhor explicação, a mais plausível, já que a explicação teísta não tem esses sinais e requisitos. Ao mesmo tempo demonstrou certo agnosticismo. Talvez a filosofia esteja levando o Matheus aos poucos ao teísmo, o que é inevitável.

Gledson Meireles.

Nenhum comentário:

Postar um comentário