A filosofia cética ensina que o universo é natural e indiferente. E o motivo é o Problema do Mal. Na verdade, Matheus Benites qualifica esse problema apontando para a quantidade do mal, e não ao mal em si, o que já é algo diferente do argumento ateísta tradicional.
A realidade apresenta abundante sofrimento e ausência de manifestação sobrenatural. O que isso significa? Que o mal espalhando em
muitos lugares na realidade é incompatível com a existência de Deus, que é
perfeitamente bom, perfeitamente sábio, e perfeitamente poderoso.
Isso significa que a evidência aqui retirada da realidade está
sendo avaliada pela razão. A existência do mal na realidade é evidente. A ideia
de Deus como perfeitamente bom, sábio e poderoso é contraposta a essa
evidência. Então, conclui-se que não há Deus.
Mas, vejamos um pouco
mais: o filósofo ateu afirma parte do sofrimento pode ter justificativa que nós
desconhecemos, mas não todo o sofrimento. Isso quer dizer que a constatação de
tanto sofrimento no mundo torna certo que Deus não existe. Então, a existência
de pouquíssimo sofrimento não poderia gerar esse sentimento de revolta nem
formular argumento contra a existência de Deus.
A admissão de que pode
haver explicação para muito do sofrimento existente já é algo fenomenal, um
avanço incrível. O que não pode ser concluído com certeza é afirmar que
sofrimento em si, todo ele, não pode
justificado. Por que um pouco do sofrimento é possível de ser razoavelmente
explicado e o sofrimento em si, a sua existência, não pode, por causa da
quantidade? Essa questão fica para o filósofo explicar.
A evidência do
sofrimento e a existência de Deus aponta para a limitação da razão para
entender tudo. Mas esperamos que haja um propósito para tudo o que existe de
mal, porque a nossa própria natureza é contrária a essa existência e exige
justiça.
De fato, essa mesma
exigência natural leva a formular a prova contra a existência de Deus caso o sofrimento
seja inexplicável e desnecessário. A lógica é usada aqui como a única forma de
conceber esse dado da realidade caso o mesmo seja assim.
Dessa forma, se o mal
tem propósito, já não é argumento contra a existência de Deus, mas apenas um
problema bastante difícil para ser resolvido no atual nível de conhecimento da
humanidade.
O outro problema
proposto é o do ocultamento divino, pois se esperaria de Deus ter sua
manifestação clara, pública e inequívoca. Essa é a exigência de que Deus seja
Material, algo que possa ser experimentando pelos sentidos físicos. Não sendo
assim, a prova não é aceita. É colocar regras para a resposta, do contrário não
se admite a resposta.
O problema desse argumento
é que o mesmo não consegue perceber que a própria existência da realidade exige
que concebamos na razão uma causa para tudo o que existe, o que leva
inexoravelmente a Deus.
Portanto, quando o
ateísmo admite que não tem prova de que Deus não existe, talvez esteja com essa
aparente humildade intelectual tentando afirmar que não existe prova para a
existência de Deus, e que as provas dessa existência seriam os chamados “juízos
de plausibilidade”, tidos, porém, como implausíveis.
Ao longo do vídeo o
autor se mostrou como tendo certeza absoluta de que Deus não existe, mas citou
algumas vezes, como exemplo de honestidade intelectual, que apenas adere à
melhor explicação, a mais plausível, já que a explicação teísta não tem esses
sinais e requisitos. Ao mesmo tempo demonstrou certo agnosticismo. Talvez a
filosofia esteja levando o Matheus aos poucos ao teísmo, o que é inevitável.
Gledson Meireles.
Nenhum comentário:
Postar um comentário