quinta-feira, 16 de abril de 2026

Livro: Conselhos de Ellen White. Conselhos 57 e 58

Comentário do Livro: Conselhos de Ellen White..., do autor Davi Caldas. 

Conselho 57: O sábado e o Sola Scriptura. Quando se diz que a Igreja modificou o dia de guarda temos que essa mudança foi feita pela Igreja no tempo dos apóstolos, pelos próprios apóstolos, que receberam ordem direta de Cristo e/ou foram instruídos pelo Espírito Santo quanto a isso. Não se pode pensar que foi uma mudança tardia. Não foi uma ordem do papa. A guarda do domingo é parte do depósito de fé, da tradição apostólica. É o mesmo que acontece com outras doutrinas, como a do cânon, da divindade de Cristo, da trindade e outras. Todas essas doutrinas possuem base bíblica. É óbvio que em alguns momentos os defensores de uma doutrina exigem que seja-lhes mostrado um texto bíblico explícito sobre determinada doutrina para que a aceitem. Mas, como podemos ver, a Bíblia ensina muitas coisas explicitamente e outras menos claramente, mas por meio de princípios, e etc., de forma que o estudo bíblico sobre as doutrinas cristãs deve ser meticuloso, sincero, bem orientado e guiado pelo Espírito Santo, segundo a mente da Igreja, que conserva o depósito da fé. E a teologia do sábado como dia de repouso é totalmente clara, e preservada na guarda do domingo cristão. Esse ponto pode ser melhor compreendido quando pensamos nas doutrinas menos explícitas na Escritura. A trindade é uma doutrina bíblica, mantida na tradição, crida como doutrina divina e revelada, definida como tradição apostólica. No entanto, o único Deus do Antigo Testamento é agora revelado como subsistindo em Três Pessoas iguais e distintas, o que não é claro por nenhum texto bíblico, não tem o “Assim diz o Senhor”, como frase literal explicitamente escrita, mas tem o Assim diz o Senhor em princípio, como doutrina revelada na Sagrada Escritura, não possui texto explícito afirmando o nome trindade nem uma passagem clara com o conceito inteiro da doutrina, de modo que um estudioso que crê somente na Bíblia e não tem em consideração a tradição pode chegar a doutrinas divergentes, como acontece com alguns grupos. Por outro lado, os que creem na doutrina da trindade aceitam a autoridade da Igreja Católica. O documento Nisto Cremos afirma: “Embora o Antigo Testamento não ensine explicitamente que Deus é triúno, ele alude à pluralidade interna da Divindade”. É verdade, mas outros grupos que leem a Bíblia, e a aceitam como única regra de fé, discordam dessa “pluralidade interna da Divindade”, que é um dado bíblico. Isso é o mesmo que está afirmando os teólogos quando dizem que os guardadores do domingo estão sob a autoridade da Igreja Católica. Não significa que a doutrina não esteja na Bíblia, mas que, como dizem alguns, não está no sentido de não haver sido escrita de modo claro e inequívoco. Assim, crer na trindade, guardar o domingo, não seguir as leis alimentares do Antigo Testamento é admitir a autoridade da Igreja. Alguns protestantes aceitam umas doutrinas e divergem em relação a outras. O sábado é uma doutrina em que os adventistas discordam do catolicismo, não que a doutrina não seja bíblica, mas porque sua mudança não é explícita como exigem os adventistas nesse pormenor, e por sua adesão à Bíblia somente como regra de fé, e sua confirmação sobre o sétimo dia por meio da profetisa Ellen White, tal doutrina tornou-se dogma para o adventismo. Uma vez que Ellen White a confirma em seus escritos, não é esperado que a IASD tente mudá-la por meio de estudos bíblicos, nem pense que isso seja possível, pois tem a doutrina como indiscutível. O modo de entender o sábado está na Bíblia assim como está o conceito da trindade. Uma vez crendo na autoridade da santa Igreja Católica, como ensinada nas Escrituras, essas doutrinas se tornarão claras ao leitor da Bíblia. Para o cristão católico, a Sagrada Escritura é suficiente para provar a guarda do domingo. A Tradição confirma essa doutrina e prática.

A afirmação que “a igreja tinha autoridade acima das Escrituras” não é correta. O que John Eck estava afirmando a Lutero era que a guarda do domingo não era clara, e a autoridade da Igreja apostólica é que era responsável pela mudança, deixando a prática sem um escrito inspirado explícito sobre a mesma. Com isso ele provava que a autoridade da Igreja era necessária para questões de fé. Nesse ponto, a Igreja está na mesma altura da Escritura pois ensina uma verdade da Escritura. O mesmo pode ser dito das palavras de Reggio, citadas, pois Cristo não disse expressamente para guardar o domingo, mas os apóstolos praticaram esse mandamento e deixaram a observância. Isso prova que Cristo e o Espírito Santo deixou para eles essa prática. Por isso, as palavras de Jonh O. Brien são claras: “e não sobre um texto explícito da Bíblia”. Não significa que não esteja na Bíblia, pois está implicitamente. A citação do livro Ciência e Religião: ensaio de Apologia do Catolicismo, volume 2, tem o mesmo sentido. Não se trata de dizer que o domingo não tem base bíblica, mas não a tem explicitamente, de modo que os protestantes que creem somente na Bíblia não poderiam mostrar a mudança, pois não há lei clara, direta, sobre esse ponto. O que o Cardeal Gibbons afirmou é que a Bíblia não contem todas as verdades necessárias para a salvação e não prescreve explicitamente os deveres, mas ao mesmo tempo conclui que os apóstolos ensinaram a guarda do domingo, mas as Escrituras não estavam nas mãos de todos para se certificarem disso e porque não há clareza em todos os pontos nem as mesmas contem todas as verdades salvíficas. Mas nesse particular a afirmação do cardeal não é correta, pois implicitamente a Bíblia contem todas as verdades necessárias para a salvação. A Bíblia ensina a observância do domingo.

Conselho 58: Os que observam o sábado (repouso) no primeiro dia da semana podem tomar a Bíblia e mostrar que sua posição é correta. Trata-se apenas de um estudo mais aprofundado do texto sagrado. Há doutrinas que não são facilmente encontradas pelo leitor superficial. Assim o é a trindade, a divindade de Cristo, a não obrigatoriedade da circuncisão, que são doutrinas que podem fomentar discussões quando leitores não acostumados com a fé cristã vão à Bíblia e se deparam com textos isolados que podem não levá-los ao entendimento correto da doutrina. As bases para a guarda do domingo estão na Bíblia e podem ser encontradas por um estudioso atento das Escrituras. O fato do sábado ser guardado desde a Antiga Aliança é algo evidente, e está no texto dos 10 mandamentos. Mas a mudança da Lei no Novo Testamento coloca certas questões no campo de discussão para maior aprofundamento e compreensão. Uma dessas é referente ao sábado, o dia de descanso. O Novo Testamento diversas vezes traz o tema, mostrando o Senhor Jesus Cristo ensinando a verdadeira forma de observar o dia de sábado. Mas, nesse ínterim há duas possibilidades, a da reforma do sábado, onde Cristo ensina o modo correto de observar esse dia, e a substituição do dia por outro, o novo dia, feito por Deus, na Nova Aliança. É um fato que o sábado tem foco importante na doutrina do evangelho. O motivo para isso deve ser procurado. A IASD pensa que se trata apenas de uma reforma do sábado não introduzindo mudança do dia, e a ICAR sempre ensinou que de fato há mudança de dia para a observância do sábado (shabbat). A visão de Ellen White é uma confirmação do sábado do sétimo dia para a IASD. Com isso, temos clara autoridade da profetisa sobre a interpretação oficial dos adventistas, de modo que não estão abertos à mudança quanto a esse ponto doutrinal. Há alusão das discussões a respeito do sábado entre os primeiros adventistas, por volta de 1850. Isso prova o que foi mostrado acima, que a Bíblia no Novo Testamento traz as doutrinas eternas de modo perfeito, e essa transição do AT para o NT deve ser compreendida de modo profundo. Não se trata, portanto, de afirmar que o domingo não tem base bíblica e que o sábado é a forma correta e clara apresentada no NT, como o era no AT. De fato não é assim, e o irmão adventista do sétimo dia é convidado e aprofundar-se no tema, ainda que seja difícil abrir-se para essa jornada. As discussões bíblicas sobre esse assunto tendem a levar o estudioso a entender a espiritualidade do sábado, que é cumprida hoje no domingo. Com essa atividade os adventistas poderão ver o quanto os católicos são bíblicos em suas doutrinas. Essa postura no diálogo pode mudar o olhar que o cristão adventista tem para com o catolicismo.

Conselho 59: A Bíblia é nosso guia. Isso pode igualmente ser dito pelo cristão católico. Hoje muitos afirmam na apologética que a Bíblia é território protestante, como se o católico devesse evitar discussões referentes à Bíblia. Nada mais contrário à realidade. A Bíblia é terreno católico por excelência. As doutrinas que dependem da tradição para serem demonstradas estão todas em conformidade com a Bíblia. E uma vez que o adventista do sétimo dia não aceita a sagrada tradição apostólica como norma de fé, por meio da Bíblia é possível mostrar toda a doutrina e prática católica, de forma a fazer entender a profundidade da Palavra de Deus, e não deter-se apenas em leituras superficiais.

Conselho 60: A ICAR também tem essa visão da história, onde Deus está no controle. Santo Agostinho escreveu nesse sentido. Podemos dialogar sobre essas questões, principalmente ao tratarmos eventos escatológicos e ponderarmos o lugar que a ICAR tem nas profecias. Isso pode ajudar muito no entendimento da doutrina bíblica.

Conselho 61: Ellen White escreve que somente a Bíblia deve ser o nosso refúgio. É comum na Igreja Católica afirmar sempre que temos a Bíblia, a Tradição e o Magistério como fontes de autoridade. E o que a Igreja afirma quando o assunto é diretamente a Bíblia Sagrada? Para muitos protestantes, talvez a maioria, o ensino católico coloca a tradição acima da Bíblia, o magistério acima da Bíblia, e etc., de forma que a Escritura Sagrada seria, nesse caso, a menor em autoridade. No entanto, o caso não é tão simples assim. Não é como parece para os desavisados. Nessa tríade importante, quando lemos as afirmações da Igreja em referência à Bíblia, encontramos algo que os protestantes não compreendem: a Bíblia é para os católicos a única fonte de fé inspirada. Não há como acessar a tradição por meio inspirado. Ela não foi registrada por hagiógrafos. Assim, a autoridade da Igreja, que tem as luzes do Espírito Santo, que é o Senhor que guia a Igreja a toda a verdade, ela pode interpretar os dados da tradição e trazê-los à luz. Mas também não é inspirada a escrever. Ela possui a assistência do Espírito Santo para não afastar-se da Palavra de Deus. Assim, a tradição aparece nos escritos patrísticos, nos costumes católicos, na liturgia, na arqueologia, nos documentos dos sínodos e concílios, especialmente nos concílios ecumênicos, e nos documentos papais. E todas as doutrinas da tradição estão em conformidade com o texto bíblico, não podendo uma sequer estar em oposição a uma doutrina revelada. A Sagrada Escritura é a Palavra de Deus. Veja o que afirma um livro católico sobre a Bíblia: “Não conseguiremos ter “os mesmos sentimentos de Cristo” (Fl 2, 5) sem ouvir, ler, meditar, estudar e conhecer a sua santa Palavra.” E, lembrando o que diz São Jerônimo, palavras que são trazidas, também, no Catecismo, quem não conhece o Evangelho não conhece a Jesus Cristo (cf. A Sagrada Escritura, coleção escola da fé II, ed. Cléofas.  No catecismo está da seguinte forma: “Porquanto ignorar as Escrituras é ignorar Cristo” (Catecismo da Igreja Católica, número 133). Não é preciso falar mais nada, por é imprescindível para o cristão católico conhecer a Bíblia.

Gledson Meireles.

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