Capítulo
4
São
Justino é apresentado como falando do sábado com desprezo, e também não tratando da ideia
de mudança do sábado. Andrews afirma que a apostasia
estava avançada em Roma, ainda que os escritos sejam bem próximos do tempo
apostólico, ano 140 d. C.
Quando
São Justino, escrevendo ao imperador, usa “o dia do sol” para tratar do
domingo, não está usando palavras cristãs, mas explicando a um pagão da forma
como lhe era familiar. Da mesma forma ele se refere ao sábado como dia de Saturno. Com
isso, temos que São Justino apenas está explicando a fé cristã a alguém que não
tem ideia do que é o Cristianismo.
Andrews
não comenta isso, e ainda utiliza a fraseologia de Justino para argumentar que
o mesmo não usa da denominação cristã dia
do Senhor. Por isso, o argumento é inválido. São Justino, falando com um
pagão, explica da forma que o pagão entenda, e usa os nomes para o sábado e
para o domingo como era conhecido no paganismo, dia de Saturno e dia do Sol.
Mas, Andrews não concorda com tal resposta, e afirma que em toda a obra Justino
usa dia do Sol para referir-se ao
domingo.
Para
São Justino o sábado era o tipo do descanso de uma vida de santidade, em
Cristo, o sábado perpétuo. Andrews
interpreta esse pensameneto afirmando que para Justino todos os dias são
iguais. Mas, o Dr. Bacchiocchi, que estudou de perto essa questão, afirma que
para São Justino o domingo é superior ao sábado. Portanto, não há esse ensino
da igualdade de todos os dias, pois o domingo é proeminente.
Quando
São Justino afirma das observâncias legais, dadas por causa da dureza de
coração, é devido ao fato de que a Bíblia afirma que a Lei foi dada por causa
do pecado. E ainda afirma que a circuncisão, o sábado e as festas não nos
prejudicam.
A
teologia do domingo, em São Justino, não faz dele um substituto do sábado, já
que afirma que o mesmo não mais é obrigatório.
No
capítulo 27 São Justino afirma que Deus, por causa da dureza de coração e
ingratidão, deu a Lei e continuamente
proclama os mandamentos, e acreditava que antes de Moisés não havia a lei
da circuncisão e do sábado. Muitos ainda mantêm tal argumento.
E
no que é mencionado da resposta de São Justino no capítulo 47, tudo se
harmoniza com a doutrina católica, visto que a Lei, especialmente o sábado,
pode ser guardada, contanto que não seja obrigada ao cristão. Os cristãos que
guardavam o sábado eram parentes e irmãos,
na opinião de são Justino. Mas esses guardavam a circuncisão, o sábado e outras
cerimônias, com piedade.
Para
Andrews, devemos declarar que Justino
defendia a anulação dos dez mandamentos,
que o sábado não era obrigatório depois de Cristo e o domingo era o dia mais
adequado para adoração pública.
De
fato, essa doutrina está em conformidade, em termos gerais, com a doutrina da
Igreja Católica. E, por sua vez, contradiz o adventismo do sétimo dia.
Portanto, sendo essa obra do segundo século, ela testemunha a favor da verdade
católica, e é uma prova contra a interpretação adventista.
Vemos
assim que, como São Justino foi bastante claro em sua posição quanto ao sábado
e o domingo, Andrews o vê com maus olhos, como um apóstata, como alguém que considera
todos os dias iguais, como um que ensina a abolição da Lei dos Dez Mandamentos,
e que adota o domingo como dia de adoração a Deus. É uma forma negativa de
avaliar São Justino.
Quando
no capítulo 29 São Justino afirma que Deus continua a trabalhar, certamente
está apenas usando o argumento de Jesus, no evangelho: “Mas ele lhes disse: “Meu Pai continua agindo até agora, e eu ajo também”
(João 5, 17). Isso não mostra um desrespeito de Justino para com o sábado, e a
refutação de Andrews talvez não se aplique. Somente caso Justino tenha afirmado
como Andrews entendeu sua refutação seria válida.
Por
fim, o ensino de São Justino em relação ao sábado é o mesmo do evangelho.
Assim, também, sua posição quanto ao domingo reflete a tradição apostólica.
Gledson Meireles.
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