segunda-feira, 21 de junho de 2021

O significado de Corpus Christi: respondendo a uma pregação protestante

Algumas palavras sobre o vídeo ou áudio.

Explicações de quem não crê na eucaristia, na transubstanciação, não são tão precisas quanto esperaríamos que fossem. Ainda mais de alguém que nunca foi católico, que nunca entendeu essa doutrina, e que era de família protestante, crescido no meio em que nunca foi ensinada a doutrina da transubstanciação, e o conhecimento se deu apenas por meio de negações.

Por essas e outras razões, segue um comentário às afirmações feitas na pregação acima referida, no vídeo.

Essas exposições não servem para conhecer a doutrina em sua inteireza, mas servem para aprofundarmos no seu sentido, e para combatermos os erros, as heresias.

Seguem algumas explicações, de coisas que são ditas na pregação, e que para nós, cristãos católicos não são como foram ditas pelo saudoso pastor.

Então:

A tradução de Corpus Christi não é Corpo de Deus, mas, como é fácil de entender, Corpo de Cristo. Deus não tem corpo, mas Cristo tem corpo humano. Melhor entendido agora.

A hóstia não é proibida de ser mastigada. Basta ver que todos os padres mastigam a hóstia. Já os fieis, que recebem pequena porção, pequeno pedaço da hóstia, ou seja, uma pequena hóstia, não precisam preocupar-se com a mastigação, embora não haja nenhuma proibição, porque logo que está na boa o elemento começa a derreter e pode ser comido facilmente.

Se eventualmente grudar do céu da boca, como pode acontecer, basta que o fiel espere que logo está totalmente derretida, sem problemas. Não há motivo para ficar tentando tirar a hóstia do céu da boca, dos dentes, etc. Tal cena nem mesmo adequa-se no ambiente espiritual em que a eucaristia é celebrada.

A conversão do elemento material em Corpo de Cristo não se dá no momento do sino, ou por causa do sino, para não ter qualquer mal-entendido. Ela se dá não na apresentação que o padre faz dos elementos ao mostra-los ao povo, mas quando com fé e intenção de celebrar o que Jesus ordenou, o padre repete as palavras que Cristo ensinou. É nesse momento que Jesus está presente.

Na procissão de Corpus Christi não se usa o hostiário, com as hóstias, mas o ostensório, com uma hóstia consagrada. O hostiário é onde se coloca hóstias não consagradas.

Sobre o fervor intenso do povo cristão católico,  porque ali está literalmente o próprio Jesus Cristo, entendemos que se trata de presença real, literal, mas de uma forma sacramental. Sabemos que Jesus está no céu. Portanto, Sua presença no sacramento não é simbólica, metafórica, mas é de forma espiritual, real, literal.

Também lembramos na celebração da morte, sepultamento e ressurreição, mas sabemos que Jesus está ali em sacramento.

Isto é o meu corpo não significa representação, pois Jesus não está representando ninguém, Ele mesmo é a realidade.

Na Ceia, Jesus entrega Seu corpo no sacramento. Por isso, o pão e o vinho ali distribuído é o Corpo de Jesus, e não outro corpo.

Jesus é o pão, é a videira, é o caminho, é o pastor. Assim como o pão alimenta fisicamente, Jesus alimenta espiritual. Assim como o galho da videira ganha vida unido ao tronco, estamos vivos unidos a Jesus. Assim como o caminho leva a um lugar, Jesus leva ao céu. Assim como o pastor cuida do rebanho, Jesus cuida de nós.

Essas metáforas não desfazem a verdade da transubstanciação, pois Jesus ensinou a comermos com fé Seu Corpo e Sangue, em sentido espiritual, como uso da matéria, do pão e do vinho, portanto, de forma sacramental, para que tenhamos vida.

Por isso, desde os primeiros séculos os cristãos católicos foram acusados de canibalismo, por aqueles que não entendiam a doutrina.

As palavras referentes ao sacramento são literais, não no sentido grosseiro, de material, mas porque trazem o que significam espiritualmente. O Corpo e o Sangue de Cristo vem à nossa alma, não ao corpo material, como se fosse comida física para nutrir o corpo. Ele nutre a alma de forma espiritual.

Não há nada que substitua Jesus em nossa vida, e por isso, o Corpus Christi é o momento de mostrar isso, pois celebrar essa verdade de Cristo não é inventar outra coisa para o lugar de Cristo, mas trazê-lo à memória, ao espírito, ao coração, e adorá-lo.

Nas celebrações da eucaristia sabemos que Jesus está no céu, ressuscitado, sentado à direita do Pai.

Jesus está mesmo no nosso coração, e não somente nos símbolos. Mas, os símbolos não contém nada que os torne proibidos. Aliás, a eucaristia é o sacramento que traz a realidade que Jesus quis ensinar quando instituiu esse sacramento. O sacramento não é somente símbolo, como um crucifixo, uma imagem, uma medalha, uma pintura. No sacramento a Palavra transmite o que significa.

Muito bom o reconhecimento do pastor, ao final da pregação, de que nós católicos temos muito respeito e reverência nas celebrações da eucaristia, servindo de exemplo para os protestantes.

Para os que querem melhor conhecer a doutrina católica, leiam a Bíblia e o Catecismo. Alguns artigos aqui ajudam. Procurem páginas de apologética católica.

Então, ficou melhor explicado sobre o significado de Corpus Christi, sobre a mastigação ou não da hóstia, sobre a memória que é feita na celebração, sobre a presença real e não somente metafórica, pois real, espiritual é também literal, sobre o modo dessa presença como sacramento, sobre a fonte para participar bem do sacramento, que é a fé, em Jesus, no nosso coração e a confissão com nossa boca, o sentido das metáforas e a verdade da eucaristia na frase: Isto é o meu corpo.

Espero que isso ajude a entender melhor a eucaristia.

Gledson Meireles.

quarta-feira, 2 de junho de 2021

A mudança de nome: Simão recebe o nome de Pedro

No debate histórico que houve entre o padre Leonel Franca e o pastor Lysâneas, em obras de grande valor e importância apologética, foi tratada a questão da mudança de nome do apóstolo Simão para Pedro. No presente tópico será avaliada a questão, analisando os dados que os dois debatedores apresentaram.

O pastor Lysâneas afirma que o padre Leonel denota não ser versado na Bíblia, não a conhecendo bem, porque não sabe que Deus mudou mais quatro vezes o nome de pessoas, como o de Sara, Salomão e Tiago e João, nas passagens de Gênesis 17, 15; 2 Samuel 12, 25 e Marcos 3, 17. E ainda, que esses exemplos não significam que foi dada a essas pessoas a chefia sobre outras.

Explicando a mudança do nome de Jacó para Israel, o pastor afirma que não há qualquer paralelo dessa passagem com a da mudança de nome de Simão para Pedro. Então, afirma que Jacó teve o nome mudado, enquanto que o de Pedro foi apenas um acréscimo, um sobrenome, e não houve mudança. Esse argumento, respondo com maior detalhe na resposta ao livro A história não contada de Pedro.

E qual o motivo das mudanças de nomes? O pastor afirma que são as promessas de Deus, a indicação de vocações, a mudança de vida, a posição, os emblemas de caráter e as novas condições. Poderíamos até usar essas palavras e dizer que realmente Simão está em novas condições quando Jesus diz que ele é agora Pedro. Mas, o pastor afirma apenas que o nome Pedro é para assinalar o traço de caráter de Simão.

Jesus chama Simão pelo nome várias vezes, e não lembra de denominá-lo Pedro, ou Cefas. Por quê? O pastor encontra nessas passagens a prova de que Jesus não mudou-lhe o nome e que também não quis dar a ele o sentido de chefia.

No entanto, vemos que essas passagens indicam algo muito curioso, pois nelas Simão está sempre em momento difícil, de queda, de fraqueza. Ao contrário, quando usa do nome Pedro, ou  nome sobrenome que o Senhor lhe dera, pois se foi nome ou sobrenome não há problema quanto a isso, esse aparece como líder, destemido, e possuído de força e autoridade. Parece mesmo a teologia bíblica afirmando que Simão é homem fraco, mas a graça de Deus o sustenta e ergue, como Pedro.

Agora, passemos a ver em pequeno resumo a resposta do padre Leonel aos argumentos do pastor.

Diante da resposta do pastor, o padre Leonel afirma que “baldam-se todas as tentativas sugeridas pelo antipetrinismo protestante”.

Afirma que o nome dado a Tiago e João tratou-se apenas de um apelido ocasional. A segunda coisa é que o nome foi dado a duas pessoas, e não é isso mudança de um nome pessoal.

Terceiro ponto, mais explicado, mostra que o nome Boanerges aparece somente uma vez. A Bíblia e a história da Igreja empregam os nomes Tiago e João, e não Boanerges.

O mesmo com o nome Jedidia, que somente uma vez é dado a Salomão. A Escritura não o chama de Jedidia em nenhum outro lugar.

E o caso de Sara, o padre afirma que não foi contado porque estava listando apenas os exemplos de mudança de nome masculino, e com isso prova que na edição de seu livro em 1928 troca o nome “pessoas” por “homens” para indicar estava tratando dessas mudanças acima referidas em relação a homens.

No entanto, ainda assim Sara tem certa autoridade ao lado do patriarca Abraão, e o nome dado a ele indica, de certa forma, uma prerrogativa.

O pastor afirmou que ao aplicar os critérios bíblicos nesse quesito das mudanças de nome de Sara, Tiago e João, logo verificar-se-ia o completo fracasso da explicação do padre Leonel.

No entanto, o que se viu foi a grandiosa resposta e refutação do padre Leonel, mostrando o que significa mudanças de nomes, o motivo de não ter contado com os exemplos que o pastor indicou e o significado do nome de Pedro. Foi uma grande defesa da verdade. Para mais, leia a Resposta ao livro A história não contada de Pedro, que contém muitos detalhes.

Gledson Meireles.

sábado, 22 de maio de 2021

Livre agência?

A visão calvinista de que a livre agência é a liberdade que homens e mulheres têm para fazer o que querem, mas que em última instância todas as suas ações são determinadas, é problemática.

Gledson Meireles.

sexta-feira, 21 de maio de 2021

Documento da CNBB sobre o Ecumenismo e o diálogo católico-pentecostal

A CNBB publica documento que orienta para a formação sobre o Ecumenismo e o diálogo católico-pentecostal. Ótima live, nesse vídeo explicativo. O Vade mecum foi escrito com base nas experiências relativas ao tema.

Gledson Meireles.

terça-feira, 4 de maio de 2021

Passagens bíblicas referentes à virgem Maria

O Salmo 69 é messiânico. Isso significa que ele trata da Pessoa de Cristo, do Messias. Dessa forma, podemos aprender muito de Jesus ao ler esse Salmo. No entanto, é preciso entender uma coisa básica, e que é esquecida por muitos teólogos protestantes.

A questão é que por ser um salmo messiânico, isso não quer dizer que todas as afirmações contidas em cada verso do Salmo se aplicam a Cristo. De fato, são apenas algumas porções do texto sagrado que referem-se a Jesus, e não o salmo inteiro.

Para ficar mais claro, basta ler o verso 2, e verá que não fala de Jesus: Salvai-me, ó Deus porque as águas me vão submergir. Só uma interpretação bastante metafórica pode ver alguma aplicação para a vida de Jesus nesse verso.

O verso 3 diz: Estou imerso num abismo de lodo, no qual não há onde firmar o pé. Vim a dar em águas profundas, encontrem-me as ondas.

O verso 6 é ainda mais enfático: Vós conheceis, ó Deus, a minha insipiência, e minhas faltas não vos são ocultas. Jesus não era insipiente, não tinha faltas. Portanto, esse verso absolutamente nada tem a ver com Jesus Cristo.

Da mesma forma, tantos outros versos não se aplicam a Jesus. Como o verso 9, que diz: Tornei-me um estranho para meus irmãos, um desconhecido para os filhos de minha mãe. Jesus foi incompreendido por Seus parentes, chamados “irmãos” nos evangelhos, mas não tornou-Se desconhecido deles.

Também, esses não eram filhos de Maria, que só teve um filho, Jesus. Por essa razão, o Novo Testamento não usa esse verso para falar de Jesus, nem mesmo quando São João escreve, no capítulo 7, que os irmãos de Jesus não criam nEle. Seria hora apropriada de lembrar uma profecia, se essa fosse relativa a Cristo, mas não era. O motivo do versículo não ser aplicado a Jesus nos evangelhos é notório: Jesus era filho único.

Interessante, que o verso 10 é usado por São João para falar de Cristo: É que o zelo de vossa casa me consumiu, e os insultos dos que vos ultrajam caíram sobre mim.

Assim, quando os protestantes lembram-se dessa passagem para aplicar a Cristo estão fazendo algo que o contexto bíblico não permite fazer.

Outra questão importante é que a teologia bíblica faz aplicações de passagens de uma porção da Escritura a determinada pessoa, sem necessidade de que o contexto original esteja conectado a isso.

Com isso em mente, temos que os padres da Igreja interpretam várias passagens bíblicas como referentes a Maria, e à Igreja de forma geral, segundo o modelo bíblico referido acima. É o fundamento bíblico posto em prática pelos intérpretes da Igreja.

Dessa forma, os Cânticos 4, 7 falam de Maria. “És toda bela minha amada, e não há mancha em ti.

Essa passagem fala da Igreja, conforme Efésio 5, 27, pois Deus purifica a Igreja e a levará à total santidade para entrar no céu. No entanto, há uma pessoa feminina na qual a passagem tomou forma e cumpriu-se: a virgem Maria. Ela é toda bela, amada de Deus, e não há mancha nela. Ou seja, não há pecado. Por isso a imaculada conceição.

Como a Igreja será toda pura, não terá pecado quando estiver para sempre no céu, Maria já recebeu a graça desde sua criação.

Isso não quer dizer que todas as passagens dos Cânticos dos Cânticos devem falar de Maria, nem que todos os versículos do capítulo 4 devem falar de Maria, mas que essa verdade aí contida, no verso 7, é uma verdade espiritual que aplica-se perfeitamente a ela. É assim que se faz teologia.

Gledson Meireles.

segunda-feira, 3 de maio de 2021

A predestinação de Maria

A Igreja vê na figura de Maria aquilo que será realizado em toda a Igreja. Ela é santa, pura, sem ruga nem mancha. Assim será a Igreja, como ensina Efésios 5, 27. Escolhida desde a eternidade para ser mãe de Jesus, porque os decretos de Deus incluíam a encarnação do verbo. Ele nasceu da mulher (Gálatas 4,4). Por isso, quando se fala da Sabedoria nos Provérbios 8, 22-23, a Igreja volta seu pensamento também à virgem Maria, que estava no plano divino. É uma aplicação feita ao contemplar a eternidade de Jesus Cristo, prevendo a encarnação.

Muitos não sabendo dessa profunda teologia, pensam que a Igreja está atribuindo a Maria as coisas da Sabedoria divina, que é Cristo, em Provérbios e outras passagens. No entanto, não é isso o que ocorre. A teologia católica sabe muito bem distinguir essas coisas. É Cristo o Verbo, o Filho, a Segunda Pessoa de Deus. No entanto, ao saber da Sua encarnação, a figura de Maria é vislumbrada desde a eternidade, para ser o canal por onde o Salvador iria vir ao mundo. E lê-se essa verdade nas passagens que tratam de Cristo.

Assim, ler Provérbios 8, 22 tendo em mente a virgem Maria é reconhecer a predestinação de Maria desde tempos eternos, quando Cristo acompanhava o Pai, e era a Palavra do Pai, criando o mundo. Entender a aplicação dos textos da Bíblia que falam de Cristo à pessoa de Maria é entender a profundidade da Palavra de Deus.

Maria precedeu as criaturas no pensamento de Deus. Ela não existiu antes de todos, não estava na eternidade, não veio antes de todas as criaturas, não foi criada antes, mas na ordenação das coisas relativas à salvação, da obra de redenção de Jesus Cristo, a virgem Maria estava no pensamento de Deus, assim como Cristo encarnado. Maria era aquela que iria ser a mãe do Verbo encarnado. Assim, ela precedeu as criaturas, não na existência, mas nos planos eterno de Deus. Cristo é o Primogênito de toda criatura, como nos ensina Colossenses 1, 15, e Maria é a primogênita no sentido acima esclarecido, juntamente com Cristo. É em união com Jesus que entendemos o papel de Maria.

Todas as criaturas foram predestinadas por Deus, previstas de antemão, desde os tempos da eternidade, e com isso em mente, entendemos que Deus predestinou aquela que formaria com Cristo a nova humanidade, redimida por Seu sangue.

Gledson Meireles.

domingo, 2 de maio de 2021

O culto à virgem Maria é vontade de Deus

Para muitos, especialmente nos dias de hoje, o culto de Maria é pecaminoso, errado, supérfluo, indiferente e etc. Há os que demonizam a atitude de cultuar Maria. Outros veem isso como expressão de pensamento e atitude pueris, como falta de conhecimento teológico, algo que Deus não levaria em conta por causa da infantilidade dos fieis, se esses realmente querem fazer Sua vontade santa.

Mas, na verdade, a Igreja desde seus primórdios, encontrou no culto à mãe de Jesus, por esse meio, uma fonte de santificação e de união com Deus. O Senhor Deus deseja que essa união com Maria seja fundada na nossa união com Jesus Cristo. O cristão tem notavelmente um apreço religioso por Maria.

Deus em Sua eterna Sabedoria pensou em criar o mundo e todas as suas criaturas, e vendo no Seu eterno plano de Salvação a encarnação do Verbo, vislumbrou a criação de uma criatura pela qual desceria à terra o Filho do Altíssimo.

Por essa razão, a primeira criatura no olhar de Deus foi a virgem Maria, antes de Adão, antes de Eva, e de todos os seres criados, por ter sido incluída no plano de salvar a raça decaída, como mãe do Salvador. Pensada de maneira especial por Deus, pois dela nasceria o Salvador da Humanidade.

É por isso que Maria está sempre no culto cristão, como uma peça que eleva nossos olhares a Deus e O glorifica.

Deus fez de Maria a primeira fiel, a primeira a crer em Cristo, a primeira membro da Igreja. Cristãos, todos, adoremos a Deus, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, e tenhamos em nossos corações, o amor que Cristo teve por Sua mãe, quando viveu submisso a ela, como bom filho, honrando-a e respeitando-a.

Por tudo isso, o culto de Maria está intrinsecamente ligado à fé cristã. É parte inseparável do patrimônio cristão. É conforme a vontade de Deus.

Gledson Meireles.

quinta-feira, 25 de março de 2021

Santos e canonização

No artigo que pode ser acessado aqui, é feita uma crítica ao conceito de santidade no Catolicismo, como se o mesmo fosse diferente do conceito correto. De fato, o artigo é inócuo no que tange a isso. O que segue abaixo deve servir para melhor entender o que é a canonização e o que entendemos por ser santo.

Não é por obras que se alcança o céu, mas sem elas dificilmente se chega lá. É óbvio que Madre Teresa de Calcutá tinha a fé em Cristo como Salvador, e sua vida estava apenas mostrando que ela vivia a fé que tinha. Portanto, o processo de canonização tem a ver com a questão da vida de obras em união com a fé.

Por isso, o pastor Natanael concorda que sem a santificação não se vê a face de Deus.

A Madre Teresa era serva de Deus em Cristo, conforme João 14, 6.

Ela cria em Jesus como salvador, conforme João 5, 24 e Atos 4, 12

Ela era testemunha de Jesus nos lugares onde vivia, com virtudes heroicas, conforme Atos 1, 8 e Marcos 10, 32-33.

Ela santificava sua vida, conforme Hebreus 10, 10

Ela era santa, no sentido de separada para servir a Cristo (conforme os textos citados de Rm 1.7; ICo 1.2; ICo 6.2; Ef 5.3; Ef 5.27; Fp 4.21; IPe 1.16), mas em sentido mais estrito, foi santa e deixou um exemplo a ser seguido, de forma muito expressiva, e é isso que a canonização significa.

Santos somos todos nós, cristãos que estão na graça de Cristo, mas ainda imperfeitos, até que atinjamos o fim da caminhada na terra. No céu, todos são aperfeiçoados por Cristo. Portanto, os santos do céu são modelos de fé para nós e perfeitos por não terem mais pecado, e muitos são exemplos de vida, por terem vivido heroicamente com a graça de Deus contra o pecado.

Se alguém conhece o evangelho e a verdadeira história da Igreja Católica, saberá que santo não é somente os que são canonizados (isso é desconhecimento da doutrina católica), mas santos são os que estão no céu. Milhares de milhares, incontáveis, são santos e não estão canonizados para o nosso conhecimento.

Ainda, santo não significa impecável na terra (somos santos, mas ainda pecadores). Os santos são os que são perfeitos por terem chegado ao céu e estão servindo a Deus por toda a eternidade. No céu não podem mais pecar, completaram a sua jornada, foram feitos santos.

E, por fim, santo é geralmente alegre, pois vive a alegria da salvação, muitas vezes é divertido e sempre sorridente, como o era São Felipe Neri.

Assim, pegando o exemplo de São Felipe Neri, ele fez como Jesus, gostava das crianças, vivia em ambientes simples e pobres, participava de festividades, como o autor do artigo fala citando atitudes do Senhor Jesus. Tudo isso é encontrado nos santos de alguma forma.

O que o artigo tentou passar foi, entre outras coisas, que o conceito de santidade no catolicismo estaria equivocado, e o sentido da palavra santo distorcido. O que ficou claro, no entanto, é que as críticas não afetam nem a superfície da doutrina, pois critica praticamente o conceito derivado dos meios administrativos, diríamos, que a Igreja dispõe para identificar uma pessoa santa de modo a propor como modelo e exemplo aos fieis cristãos, para ajudá-los na sua vida diária e seguimento de Jesus. Nada atingiu da verdadeira doutrina católica sobre a santidade.

Gledson Meireles.

terça-feira, 23 de março de 2021

A salvação é obra de Deus: comentando um capítulo do livro A Soberania Banida

Refutação ao capítulo 5 do livro A Soberania Banida, R. K. McGregor Wright. A doutrina de Charles Spurgeon.

Deus salva pecadores. O que Spurgeon quis ensinar com essa frase? É óbvio que a mesma não tem todas as informações sobre o que uma determinada corrente teológica ensina ou não, já que ninguém nega a afirmação de que é Deus quem salva os pecadores. Por isso é preciso destrinchar o que o teólogo protestante realmente desejou ensinar com essa afirmação.

A afirmação de que Deus quis salvar alguns dos pecadores que estavam cativos do pecado originado por Adão e Eva não explica muito. De certo, pode já vislumbrar a diferença essencial entre a doutrina católica e a protestante calvinista nesse quesito. Deus intenciona salvar “alguns” dos pecadores, pois o calvinismo, como está sendo tratado aqui, afirma que a cruz não foi para todos.

Até mesmo a afirmação de Wright, de que “Deus interfere na história” para salvar, é um tanto difícil para a doutrina calvinista, pois parece, com essa fraseologia ortodoxa, ter a história como algo autônomo e que Deus passa em determinado momento a intervir no processo histórico, o que não é o que o calvinismo ensina. Mais abaixo veremos outra frase que respira ares ortodoxos.

De fato, quem fez e colocou a história em processo? Daí deve-se dizer que a própria pergunta já naufraga em seu início quando pretende explicar a doutrina reformada nos termos que a mesma de fato não se sustenta, mas pretende sustentar. E é necessário que assim o faça para manter o discurso ortodoxo.

Nesse ponto, a doutrina católica não encontra dificuldades em afirmar ao mesmo tempo que Deus é o Autor da história e que interfere nela para salvar, como é plenamente certa de que Deus salva pecadores, por pura graça, sem ter que explicar esse palavreado perante a crítica como a que se pretende aqui.

A doutrina arminiana tem lá os seus motivos e respostas para a crítica de que o pecador tem neutralidade de resposta ao evangelho. A doutrina católica, como já visto em outros artigos, não está presa a essa dificuldade, e a supera tranquilamente, e pode não ter que tratar dessa questão quando tudo está bem entendido.

A doutrina reformada ensina que Deus faz tudo para a salvação, sendo passiva toda ação do homem nesse aspecto. Os que são salvos são “obrigados” a entrar na salvação. Embora essa seja uma palavra forte, e que parece dizer realmente o que o calvinismo está ensinando, ela está contida nas críticas à doutrina reformada, e tem dela a devida resposta de que Deus não obriga a ninguém contra a vontade a ser salvo, mas que move a vontade a aceitar de bom grado.

Ainda, além de realçar esse aspecto da doutrina calvinista, a parábola citada de Lucas 14, 21.23, contem a mensagem de que os convidados não são salvos. Obviamente dirão que muitos dos convidados possuem apenas o chamado geral, e não o eficaz, e por isso não foram admitidos à festa. Na verdade, aqueles convidados não foram para a festa porque não quiseram, diz o Evangelho de Jesus, e o convite é idêntico, àquele feito aos demais, ou seja, para o mesmo lugar, para a mesma festa, o que torna a posição reformada defeituosa nessa explicação. Deve-se admitir que Deus faz o convite a todos, mas muitos o rejeitam, como aqueles judeus do tempo de Jesus o fizeram.

Enfim, para contrastar a salvação dos gentios, Jesus utiliza a palavra obrigar, para falar do convite à festa, para deixar clara a gravidade da recusa da salvação feita por muitos, e a desfeita que fizeram a Deus.

De fato, não se deve entender cada palavra da parábola literalmente, porque doutro modo diríamos que Deus salva por ira, e ainda que salva muitos por ainda sobrar espaço no céu e para que outros, os que foram convidados primeiro, não entrem. Isso porque a parábola afirma que o servo saiu e levou muitas pessoas para a festa e avisou ao patrão que ainda havia lugar. Nisso, o senhor ordenou que o servo buscasse mais pessoas e enchesse a casa, obrigando todos a entrar. Ainda, haveria espaço para outro mal-entendido, como se os pobres, aleijados, cegos e coxos, e menos ainda, os que vivam entre caminhos e atalhos, não estivessem no primeiro convite! Obviamente não é esse o sentido da parábola, mas se deve fazer essas reflexões para que não se tome uma palavra qualquer e a torne prova para uma doutrina. Por isso, quando se diz que o senhor mandou o servo “obrigar” a entrar na festa, entenda-se o quadro da parábola literalmente, para somente depois entendermos o sentido espiritual dela.

Outros problemas para a teologia reformada haveria se fizéssemos maiores comparações com a parábola no evangelho de São Mateus 22, 1-14, onde os convidados não foram dignos, e, depois da segunda onda de convidados, um deles entrou na festa e não estava com a veste nupcial, sem contar os “maus e bons” que foram convidados .

Voltando à parábola em Lucas 14, tudo isso está no contexto da ira do senhor pela desfeita daqueles primeiros convidados. Essa parábola está ilustrando o amor de Deus em salvar, convidando a todos, mas recebendo a recusa ao seu convite.

Outra passagem muito usada pela teologia reformada, contra o livre-arbítrio, é a de João 15, 16, que Wright afirma não ter resposta da parte arminiana.

Mas, eis que a seguir, mais uma linguagem de Wright soa bem católica, quando diz que Deus “faz o que é necessário para vencer o eleito”. Essa é a frase aludida antes, que tem ares de doutrina católica.

De fato, Deus chama o pecador, estende o Seu poderoso braço para salvar, dá toda a força ao pecador para agarrar em Sua misericordiosa mão salvadora. Mas, muitos não querem. O eleito é pecador, e está agindo contra a revelação de salvação, mas Deus faz de tudo para salvá-lo. No entanto, o que o calvinismo ensina é que mesmo aquela radical aversão à salvação é parte do plano de Deus, para os não-eleitos, e para os eleitos até determinado tempo, o que não faz sentido a ação de Deus para vencer o coração pecaminoso do homem.

A interpretação de 2 Pedro 1, 10, pelo autor reformado, é de que não devemos fazer segura a nossa salvação, mas que devemos nos tornar seguros dela, da vocação e eleição. Ou seja, o crente não deve fazer certa a sua salvação de algum modo, mas já está salvo, e deve estar certo dessa realidade já confirmada.

Vejamos a passagem inteira, para vermos se podemos concordar ou não com essa explicação, e se nesse texto o calvinismo tem ou não alguma base.

Para isso, como de costume, como é correto, como é a verdadeira exegese bíblica, seguindo os dados da sã hermenêutica, não podemos nos esquecer do contexto, principalmente do contexto imediato, aquele mais próximo, que circunda o texto bíblico em apreço.

Então, vejamos que o verso 3 ensina que Deus deu-nos tudo que contribui para nossa vida e piedade, e nos faz conhecê-Lo, que nos chamou através de Sua glória e virtude. Fomos chamados pela glória e virtude de Deus, e recebemos o poder de Deus para O conhecermos.

Assim, entramos nas posses espirituais, para nos afastarmos da corrupção do mundo (v. 4). Aí, no verso 5, há o esforço do cristão, para unir à fé a virtude, etc., para que assim os cristão não fiquem inativos e sem frutos. Ou seja, há uma atividade do crente para garantir que eles sejam ativos e praticantes dos frutos do evangelho. Isso está nos versos 4-8.

A seguir, o v. 9 afirma que sem essas coisas o cristão é míope e cego e esqueceu-se da purificação dos seus pecados. E então? Ele continua bem espiritualmente, continua salvo e com garantia eterna da salvação, ou há algum problema quanto a isso? Vejamos o que segue na Palavra de Deus.

O v. 10 exorta a assegurar a vocação e eleição. Isso concorda com a lembrança, aludida no verso anterior, de que devemos ter sempre a vocação e eleição divinas, da purificação dos nossos pecados. Até aqui, nada há que possa desabonar a tentativa reformada de garantir a sua intepretação da graça contra o livre-arbítrio nessa passagem. Mas, ela continua assim: “Procedendo desse modo, não tropeçareis jamais.” Então, o verso 12 coroa essa verdade: “Assim vos será aberta largamente a entrada no Reino”.

Isso significa que a lembrança da salvação deve estar presente segundo tudo o que foi dito antes: na vida de uma fé ativa e cheia de frutos, para não tropeçar, ou seja, para não pecar, e então será aberta a porta do céu. Vigilância sempre, como está no verso 13. E os cristãos que estavam recebendo aquela carta estavam instruídos e confirmados (v. 12), estavam vivendo retamente. Dessa forma, a passagem não diz que o ato de estar seguros da salvação recebida é o que importa aos cristãos, em contraste com o conceito de tornar segura a salvação, de forma que os cristãos estavam salvos para sempre, mas, ao contrário, que devemos ser obedientes, para participar da natureza divina, ficando longe das corrupções do mundo, esforçando na fé e outras virtudes, praticando as boas obras (porque quem não tiver essas coisas (cf. v. 8) não está reconhecendo a salvação) e assim assegurar a salvação e eleição, da forma ensinada nos versos anteriores, para que agindo assim não caiamos em pecado e tenhamos a porta do céu aberta.

De fato, o conceito de perseverança em resposta do livre-arbítrio à graça recebida de Deus para a salvação está em toda a passagem, assim como a ideia de que é possível tropeçar e perder essa entrada no Reino. Por tudo isso, essas admoestações são necessárias (vv. 13-15). É o evangelho que a santa Igreja Católica anuncia.

Os reformados poderão dizer que a perseverança, os esforços santos dos eleitos, as admoestações, e etc., já estão no plano de salvação, são resultado da eleição, e que isso não nega o que foi dito da gratuidade da salvação.

O problema é que a passagem bíblica não diz isso, mas deixa o crente com o temor de tropeçar. O verdadeiro reformado tem o temor de tropeçar, mas não de perder a salvação, enquanto que o texto bíblico admoesta sobre o temor de tropeçar e não ter aberta a porta do Reino, ou seja, a perda da salvação, se não agirem da forma como foi exposta. O problema é profundo para a teologia calvinista, abordada por Wright, e o autor não pode negar essa conclusão.

Gledson Meireles.

domingo, 21 de março de 2021

Tiago Cavaco: por que protestantes se tornam católicos?

O artigo que segue é para reflexão sobre os motivos de conversão entre os cristãos católicos e protestantes. É um tema que deve ser pensado pelos cristãos, os que estão nessas fileiras referidas.

O pastor batista, de uma Igreja Batista de Portugal, afirma entender a atração que o catolicismo possui, e afirma também o motivo de protestantes tornarem-se católicos.

Segundo o parecer, o catolicismo é abraçado por muitos protestantes por dar credibilidade e estatuto à pessoa que adere a ele, enquanto que o protestantismo seria a fé dos pobres, o que não seria algo vantajoso e atraente. E cita exemplos com fatos que ocorrem em Portugal.

Por ter um coração narcisista, os protestantes que se tornam católicos o fariam, muitas vezes, na procura de ter sua vaidade apoiada, encontrando aprovação onde está, o que não seria possível no protestantismo.

Com isso, procuram encontrar razões de sua conversão, como a imutabilidade da Igreja, que segundo o pastor não é real, pois é a instituição que mais mudou na História.

Então, as pessoas procurariam a religião mais credível, onde podem pecar, como fumar e falar palavrão, o que não seria possível no meio protestante. Dessa forma, muitos ex-protestantes seriam pessoas que se tornaram católicos porque sabiam que poderiam pecar e ser perdoados, já que na confissão há perdão de pecados.

Esse assunto é bastante complexo, profundo e amplo, e exige acuidade e destreza na sua abordagem. Certamente o pastor Tiago Cavaco tem uma visão abrangente e mais lúcida que grande parte dos pastores que lidam com o tema, assim como exposto acima, mas é de se acreditar que ele não tocou o âmago da questão e por isso há coisas que deveria responder.

Será mesmo que os protestantes se tornam católicos porque encontram ambiente mais propício para continuarem a serem vaidosos e intelectualmente defendidos, e onde poderiam cometer pecados que o Protestantismo proibia de fazer?

Fonte: ARAME FARPADO NO PARAÍSO | BAIXO CLERO #28 - YouTube - Clique no ponto: 1 hora e 34 minutos.

Gledson Meireles.