Há um vídeo curto publicado por um ateu, onde o mesmo afirma que é honestidade intelectual afirmar: eu não sei, ao invés de aceitar as respostas da religião. Resumindo é isso.
Seria difícil para os que saem da
religião aceitar que “não sabem” sobre os mistérios da vida. Ou seja, cada um
dizer: “eu não sei”, porque a religião procura ter resposta para tudo.
As questões: “de onde viemos”? “para onde
vamos”?, são respondidas pelo
ateísmo, que “não sabe”, sobre elas, ou supostamente ensina a dizer que não
sabe, mas afirma: viemos do nada e vamos
para o nada.
E cada ateu tem a certeza de que na
morte não sobra nada, e não há consciência, nem Deus, nem juízo, etc. Ou seja,
ao dizer “não sei” o ateu sabe certamente tudo. Que coisa!
A frase “não sei” não tem o sentido
que tem, e não possui o sentido que pretende defender, porque ao dizer que não
conhece algo, para refutar a religião, ao mesmo tempo afirma que sabe tudo, e
sabe com certeza que aquilo que a religião responde está errado. Ou seja, o
ateísmo é dogmático demais. Ou será que a certeza que o ateísmo tem é somente
contra a doutrina religiosa? Mas não é justamente contra o dogma religioso que
o ateísmo se põe a lutar?
“Por que sofremos”? O mesmo ateísmo
que ensina a frase “não sei”, ao mesmo tempo sabe o motivo do sofrimento: não há propósito algum. O sofrimento é
apenas o sofrimento. Não há razão, na há justiça futura além do mundo físico. É
um dogma. É a resposta.
Mas ao mesmo tempo ensina a afirmar,
contra a religião: “não sei”. Se a religião ensina algo sobre isso, e tenta
explicar o sofrimento, o ateu, que “não sabe” sobre o assunto, deve dizer: isso que você está dizendo é errado, porque
ninguém sabe sobre isso. O certo é admitir a ignorância completa sobre o caso.
Ao mesmo tempo, o ateísmo ensina a certeza
de que não há espírito, não há Deus, não há julgamento, não há recompensa, não
há ser além da imanência. Mas é bonito afirmar: não sei, ainda que dando a
resposta dogmática, que resolve tudo. Que “belo” discurso!
“O que acontece depois da morte”? O
ateísmo ensina a dizer “não sei”, porque isso é melhor que todas as respostas
religiosas.
É essa a “dúvida honesta”, que,
diante desse enigma da morte, o ateísmo ensina enfaticamente: na morte não haverá mais nada. Não há
nada. Mas diga: não sei. Isso é uma certeza embutida na frase que não permite
certeza alguma. Que lógico isso, não acha?
Ser maduro e honesto intelectualmente
é dizer “não sei” diante dessas questões, ao mesmo tempo em que tem toda
certeza, como visto acima. Existe o céu, o paraíso? O ateu afirma: não. Mas em
que caso o “não sei” pode ser usado pelo ateu?
Quando se concebe que tudo é criação
de Deus, para o ateísmo isso não seria suficiente, e o mistério também não
resolveria nada. Deus criou! Tal e tal coisa é mistério! O ateísmo diz: não.
Deus não criou, e tal coisa não existe. Simples assim.
Mas a afirmação “não sei” não é o
mesmo que admitir um mistério ou algo muito próximo disso?
Porém o ateu blinda a sua crença de
que “não há Deus” com essas frases, tipo: “não sei”.
Pergunte: Deus existe?
O ateu responde enfaticamente: não.
Ele não diz não sei.
Quando será que essa frase deve ser
usada? Quando ela tem sentido?
Crer na realidade mesmo que essa seja
desconfortável? Que prova há de que não existe Deus? O ateísmo não tem prova.
Mas ainda assim crê no seu dogma.
E no fim, o autor afirma que não há
céu prometido, não há final mágico e apoteótico, porque a vida sem ilusão seria
a fonte dessa certeza.
Mas, então o ateu sabe que não há
nada? Tem certeza que não há o céu a que esperar? De onde vem essa certeza?
Ou prefere usar a frase “não sei” e
permitir que essa dúvida guie a sua busca pela verdade. Já encontrou a verdade?
Não use a frase: não sei.
Se se quer usá-la, não afirme
categoricamente coisas do tipo: não há céu a que esperar, não há Deus, etc.
Pense.
Gledson Meireles.
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