sábado, 14 de setembro de 2024

Livro: Teologia e Prática da Igreja Católica Romana..., de Gregg Allison

Refutação do Capítulo 5:

A profissão de fé (primeira parte, seção 2, capítulo 3, artigos 10-12)


Gregg Allison enfatiza a associação do perdão dos pecados ao batismo e à penitência. Isso é compreensível, já que é algo muito claro na doutrina católica, é faz parte da apresentação do catecismo, com base bíblica robusta, mas que é negado em praticamente todo o Protestantismo.

Em primeiro lugar, a avaliação de Gregg tende a considerar o que chama de axioma da interdependência natureza-graça onde é necessário que a graça seja conferida de maneira tangível.

Deve-se lembar que ordinariamente essa é a doutrina católica. No entanto, a graça não é “necessariamente” conferida por meio tangível, pois o próprio Catecismo ensina que Deus não está limitado por nada. Assim, alguém pode ser salvo sem o batismo, como o ladrão da cruz, que morreu perdoado por Jesus. Esse pormenor está totalmente de acordo com a doutrina católica, e muitas vezes é lembrado na apologética protestante como se pudesse refutar algo do catolicismo. Isso apenas indica a falta de conhecimento que se tem da doutrina católica por parte dos teólogos e apologistas protestantes.

O outro axioma que é sempre lembrado por Gregg é o da interconexão Cristo-Igreja, onde expressa a mediação entre os dois reinos, o da natureza e o da graça. Como já respondido, essa é a pura doutrina bíblica, indicada já na missão dada por Jesus como a ordem de ensinar e batizar.

A afirmação de que todos os discípulos foram enviados não é correta. Os 120 discípulos batizados pelo Espírito Santo não recebera a mesma missão dos apóstolos. É um fato bíblico que os apóstolos foram distintos dos discípulos desde o início da missão. Todos os que pregavam o evangelho está unidos aos apóstolos. Estêvão e Filipe eram diáconos, e portanto são parte da hierarquia. Os demais podem pregar o evangelho, como sempre foi assim, já que os leigos são igualmente anunciadores do reino dos céus.

Então, todos poderiam perdoar pecados? Isso não pode ser provado biblicamente, mas é apenas uma interpretação ampla do que foi discutido acima.

Não se trata de algo que foi introduzido posteriormente, o que Gregg chama de “realidades institucionais e hierárquicas”. Não foram todos os cristãos que receberam a missão de perdoar pecados. Essa interpretação geral do fato dos 120 discípulos recebendo o Espírito Santo evidência uma exegese fraca diante da robusta doutrina católica.

O exemplo de uma mãe que partilha o evangelho de Jesus ao filho perdido é o seguinte: a mãe prega o evangelho e o filho crê. Arrepende-se dos seus pecados e ouve a confirmação de sua mãe: “Seus pecados estão perdoados”. Sua mãe foi aquela que “perdoou” os pecados do filho, para usar a linguagem católica e estar dentro do assunto referido por Gregg através desse exemplo. Então, com a fé e conversão esses pecados que já foram perdoados por Cristo.

Eis um exemplo que não tem nada a ver com o tema. De fato, qualquer cristão pode partilhar o evangelho, e diante da aceitação pode declarar que sua fé veio de Deus, que o perdão dos seus pecados foi alcançado. Contudo, o que se está dizendo com o poder de perdoar pecados em João 20 não tem nada a ver com essa realidade.

Naquele momento os apóstolos, e somente eles, receberam essa missão. Eles podem perdoar e reter os pecados. Obvimaente, esse pormenor não é entendido se não se admite o sacramento do perdão. O texto não diz sobre a pregação, mas sobre o perdão que os apóstolos podem conferir em Nome de Jesus a outros.

E o catecismo já refuta a interpretação de Gregg quando fala do poder das chaves. Cristo envia os apóstolos a anunciar o arrependimento dos pecados. É o ministério da reconciliação (2 Cor 5, 18). Então, nesse momento, está provado que os apóstolos são ministros da reconciliação, o que é estritamente ligado à salvação, entre Deus e os cristãos. Basta ler todo o capítulo de 2 Coríntios 5 para entender essa doutrina. Não se trata somente do anúncio do perdão e da conversão, mas da comunicação do perdão e reconciliação pelo batismo e o poder das chaves.

 

O batismo

 

As várias vertentes do Protestantismo concordam em parte com a doutrina católica do batismo, e discorda em partes importantes da doutrina. Há variedade “de teologias evangélicas”. Então o leitor protestante deve ficar atento, pois se cada um segue o princípio sola Scriptura e concorda sobre o fato do batismo, por que discorda sobre a doutrina do mesmo? Está a doutrina clara na Bíblia? Se sim, por que a discordância sobre algo claro? Se não, então a doutrina não é parte daquilo que Deus quis revelar, pois segundo o que se diz da clareza da Bíblia é que aquilo que é da vontade de Deus revelar, isso é compreensível.

Portanto, há uma Igreja que está corretamente ensinando o batismo desde o início, e essa Igreja é a Igreja Católica Apostólica Romana.

Há muitos pontos de acordo entre católicos e protestantes quanto ao batismo, mas a diferença é importante.

Primeiro, o autor aponta a questões de base bíblica para a interpretação do batismo constituem uma das diferenças referidas acima. Também a interpretação propriamente dita. E, por final, a importância do desenvolvimento histórico para a teologia e prática do batismo.

Base bíblica

João 3, 5 mostra que é necessário o batismo para a salvação. É preciso nascer de novo, da água e do Espírito. O Protestantismo em geral tende naturalmente a negar essa afirmação.

Gregg admite que “vários segmentos da teologia evangélica” ensinam algo semelhante quanto à água de João 3, 5. Assim, essa interpretação é biblicamente admitida por aqueles que creem no Sola Scriptura.

Dessa forma, não pode ser julgada como algo tradicional, não plausível, sem base bíblica, e etc. Por esse ângulo, vemos a solidez da interpretação católica sendo vislumbrada.

Outro ponto importante é que, sendo a água uma referência ao batismo, a necessidade do batismo está provada. Quando uma igreja protestante admite que o batismo é o ensino de Jesus a Nicodemus em João 3, 5, fica difícil uma posição que “minimize” a necessidade do batismo para a salvação. Trata-se de um desequilíbrio na interpretação. E, assim, mais uma vez, a interpretação católica mantem seu equilíbrio ao afirmar ambos os fatos: a água é o batismo e sua necessidade para a salvação é evidente no texto.

Então, os que afirmam que a interpretação católica é descabida precisam provar sua versão pelas Escrituras.

É certo que a doutrina do batismo teve desenvolvimento, mas a censura de Jesus a Nicodemus se deve ao fato de que ele não se ateve ao sentido espiritual das palavras, interpretando-as materialmente. A segunda objeção se entende quando se admite que o batismo é tudo isso: obra do Espírito, obra do Filho, obra de Deus, sendo feito pela fé. Então, não há necessidade de uma doutrina pormenorizada ao falar da água.

O batismo é obra do Espírito, embora seja executada pela Igreja. Assim, o que ocorre ao batizado é invisível. Assim, entende-se que o Espírito sopra onde quer.

E a quarta objeção é bastante falha, pois o batismo é apresentado no Novo Testamento sempre associado a efeitos espirituais, como perdão, novo nascimento, salvação. Dessa forma, é preciso compreender o teor geral do ensino do Novo Testamento, e não apenas as menções ao Espírito Santo e ao batismo. Além do mais, é preciso partir de João 3, 5, que é o texto que claramente associa água e Espírito Santo para o nascimento espiritual.

Quando Jesus associa o novo nascimento da água e do Espírito para ver o Reino de Deus, ele está ensinando que o batismo é necessário para a salvação.

O novo nascimento é o mesmo que nascer da água e do Espírito. Disso provém a insistência de Jesus sobre o batismo, através das duas expressões.

A profecia do Antigo Testamento que associa água e Espírito cumpre-se no sacramento do batismo. Dessa forma, a interpretação protestante de que o nascimento da água e do Espírito prescinde do batismo não é correta. A purificação do pecado e renovação do ser interior por meio da obra miraculosa do Espírito Santo é operada no batismo.

Quando o autor Gregg acha que a tradição é indigna de confissão ao dar fundamento a chamar o batismo de iluminação, está atestando que a teologia protestante, que procura ser muito bíblica, parece estar exagerando ao evitar um nome porque o mesmo não tem “base bíblica”, ou um uso bíblico direto, para seu emprego. Assim, ainda que a teologia mostre a plausibilidade de denominar o batismo com iluminação, o protestante tende a não aceitar, porque sua teologia o leva a tal.

A água no início da criação é entendida pelos escritores espirituais como prefiguração do batismo. Isso não constitui a prova, nem é um exercício de exegese formal, mas uma leitura espiritual, plausível, seguindo o modelo bíblico de aplicar passagens da Escritura a seu cumprimento no Novo Testamento.

Assim, a travessia do Jodão, embora Gregg não aceite a interpretação, ele admite que autores protestantes reconhecem essa leitura.

Ao afirmar que o batismo, conforme Rm 6, 3.4 e Gl 3, 27 se refere à verdade posicional do indivíduo salvo que não deve andar mais no pecado, mas que isso não tem a ver com purificação nem com justificação e santificação “conforme perspectiva da Igreja Católica”, é uma afirmação bastante inapropriada. De fato, se o pecador é salvo no batismo e se reveste de Cristo, isso se refere à justificação. Toda a diferenção que Gregg, segundo a teologia protestante mais influente, que separa batismo com água e batismo com Espírito, não tem base bíblica, mostrando a fraqueza da sua interpretação.

A respeito do texto de 1 Pedro 1, 23, Gregg afirma que o contexto é a regeneração por meio da Palavra, mas não associa isso ao batismo. Somente a instrumentalidade da Palavra pregada para a salvação é enfatizada, sem qualquer associação ao batismo, afirma o teólogo.

No entanto, uma exegese bem feita mostrará que a regeneração que se dá por meio da Palavra acontece no momento do batismo, o que retoma o tema de João 3, 5.

A ideia do sacramento não é o poder da Palavra comunicando força à água para produzir um efeito, mas o poder da Palavra agindo por meio desse símbolo, que é a água e a Palavra pronunciada. Talvez isso seja o que o protestante não consegue compreender. Ao pensar na capacidade da água transmitir graça, e acreditar que tal é a posição católica, e entender que não é isso que a Bíblia está ensinando, o protestante tende a negar essa doutrina, que é uma compreensão errada da verdadeira doutrina.

É a Palavra de Deus que opera no momento do sacramento, que é o sinal visível. A água é o sinal do que ocorre naquele instante. Não se trata de apenas metáfora para o “lavar com água”, mas uma realidade espiritual.

Assim, se o axioma natureza-graça foi provado correto, resta a correção do pensamento de Gregg Allison sobre o batismo e sobre a própria doutrina ensinada por Santo Agostinho.

 

Desenvolvimento histórico

 

Deve-se questionar que tipo de desenvolvimento a teologia protestante considera indigna.

O batismo era conferido imediatamente após a conversão. Mais tarde, foi necessário um período de catequese antes do batismo.

A razão de questões pragmáticas romperem o padrão bíblico de conversão seguido pelo batismo é, certamente, a autoridade da Igreja. As conveniências exigem assim, e a Igreja tem o direito de encontrar práticas mais adequadas, usando o poder das chaves.

Quando a Igreja entrou em contato e fez aliança com o Estado, os imperadores tornaram-sem cristãos e participavam dos debates teológicos. No entanto, nenhum imperador impôs qualquer doutrina. De fato, os bispos eram os detentores das chaves, e os membros da Igreja deviam seguir as orientações dos líderes. Os imperadores eram leigos na Igreja.

A Igreja tornou-se mais tarde oficial religião do Estado. Assim, outros credos foram banidos. Eram os costumes comuns dos tempos antigos e medievais. Mesmo na era moderna a situação foi assim durante algum tempo.

O batismo infantil teria se iniciado no segundo século, em sua última parte, e se estabelecido no quinto século. No entanto, vemos que a doutrina do batismo leva à certeza de que a Igreja sempre batizou crianças. Basta ver que a circuncisão era feita no oitavo dia. Os judeus tinham o costume de apresentar os infantes no templo, e da circuncisão dos bebês de sexo masculino, como entrando na aliança com Deus. Então, caso os cristãos fossem contrários ao batismo de crianças, pela falta de fé deles, isso deveria ser ensinado claramente na Bíblia, por ser um rompimento com o padrão usado pelo povo de Deus de incluir os filhos na aliança do Senhor.

Quando se fala da água do batismo como tendo poder, isso se deve a um entendimente errôneo sobre a bênção da água. De fato, o batismo ocorre segundo a fé da Igreja, quando se pronunciam as palavras do batismo, com intenção de realizar o que Cristou ensinou, e utilizando água. Então, todo o conjunto de coisas é necessário para haver o batismo. Isso se chama matéria e forma do batismo.

Há protestantes que batizam crianças. Assim, há quem creia no Sola Scriptura e encontre respaldo bíblico para a doutrina e para a prática. Mas Gregg tenta justificar os protestantes afirmando que sua justificativa evangélica é diversa da usada pelo catolicismo.

Os católicos creem que o batismo apaga o pecado original. Gregg afirma que a teologia batismal evangélica, com suas muitas variedades, é bastante diferente. E, mais adiante, ao explicar a teologia de Zwuínglio e de Calvino, ou seja, a teologia reformada, afirma que essa discorda que o batismo purifique a criança de seu pecado original, não ensinando a regeneração.

No entanto, Gregg não diz uma única palavra sobre a teologia batismal luterana, que é anterior à reformada zuingliana e calvinista, e que ensina a regeneração. Os protestantes mais antigos, os luteranos, creem basicamente na mesma doutrina católica sobre o batismo, e o teólogo batista não cita essa importante teologia protestante.

Com isso, a posição defendida por Gregg é enfraquecida ainda mais. De fato, ele cita os anabatistas e mostra como os batistas criaram sua teologia batismal, mostrando o caso negativo no Novo Testamente, onde não há exemplo explícito de crianças sendo batizadas, e o argumento positivo, onde os que se convertiam eram batizados, agregado ao fato de Jesus ter ordenado o ensino e o batismo os que crerem. (P. 249).

Há indicações bíblicas do batismo de crianças, muito mais do que imaginam os protestantes credobatistas. De fato, a doutrina tem uma sólida base escriturística.

Famílias inteiras eram batizadas. Esse fato indica a probabilidade de que crianças tenham sido batizadas.

Essa implicação está na afirmação de que a casa inteira foi batizada. O texto não apenas afirma que aqueles que ouviram o evangelho foram batizados, mas que a família foi batizada. Isso inclui as crianças de todas as idades.

Dessa forma, há um padrão bíblico de batismo de famílias: Foi batizada juntamente com a sua família e fez-nos este pedido: “Se julgais que tenho fé no Senhor, entrai em minha casa e ficai comigo”. E obrigou-nos a isso (Atos 16, 15).

Também, como visto, o carcereiro e sua casa foram batizados (Atos 16, 33). Não há menção de exceções a esse padrão.

Em todos os casos, a fé antecedeu o batismo, pois Lídia e o carcereiro creram, e certamente aqueles que podiam ter fé aceitaram a pregaram também. Contudo, ao afirmar que todos os familiares foram batizados, sem nenhuma exceção, indica que as crianças dessas famílias receberam o batismo.

Portanto, os casos em que os que creram e foram batizados não implica em nada contra o batismo de crianças. Pelo contrário, os exemplos de famílias batizadas é um padrão que evidencia a doutrina do batismo para todos, incluindo as crianças.

Outra evidência é que o batismo é associado à circuncisão, que era praticada em geral nas crianças, sendo os adultos exceção no judaísmo. Assim, os judeus cristão não negariam o batismo aos filhos de pais cristãos, como não negariam a circuncisão de filhos de famílias judias.

E, lembrando a regra geral para o batismo, Jesus ensinou que todos devem ser batizados. Em Mateus 19, 14 está escrito: “Então disse Jesus: "Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino dos céus pertence aos que são semelhantes a elas”.

Em Lucas 18, 15 vemos que pesssoas traziam criancinhas para que fossem tocadas por Jesus, mostrando com isso que eram pequeninas, certamente bebês, que precisavam ser trazidas a ele: Trouxeram-lhe também criancinhas, para que ele as tocasse. Vendo isso, os discípulos as repreendiam. Jesus, porém, chamou-as e disse: “Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais, porque o Reino de Deusé daqueles que se parecem com elas. Nas palavras de Jesus temos o fundamento de que o batismo de crianças está estabelecido.

 

Fé e batismo

Quando Gregg critica a necessidade da Igreja e do batismo para a salvação, não percebe que o axioma aí é o mesmo que está na verdade de que a fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus. Assim, tem-se a necessidade de pregar o evangelho para que os pecadores sejam salvos. Cristo estabeleceu esse critério geral ordinário na Igreja.

Afirmar que Pedro, Filipe outros são servos responsáveis e não representantes de uma igreja que confere fé, é apenas uma tentativa de diminuir a realidade de que a Igreja de Jesus é o instrumento para o anúncio do evangelho que é o poder para salvação daqueles que crêem. São Pedro, São Filipe e outros são representantes da Igreja de Jesus.

A crítica parece não entendido bem a questão. Ao dizer que ser servo é ser instrumento da fé e não repositório da mesma. De fato, essa é a doutrina católica. Sabemos que a Igreja é a guardião do depósito da fé. No entanto, os ministros pregam a fé dada por Jesus, e anuncia o evangelho como ministros, como responsáveis, como instrumentos. Nada há mais do que isso. Portanto, não há a questão de que o pregador seja fundamento da fé de alguém.

No entanto, quando se fundamenta a fé da Igreja para o batismo de crianças, essa é a mesma verdade que fundamenta a circuncisão na Antiga Aliança.

A teologia católica não ensina que o dom da fé é dado pela Igreja, como entnedeu Gregg. Ele critica algo que não está no Catecismo, mas foi uma má compreensão sua. O dom da fé é dado diretamente por Deus. A Igreja tem papel instrumental e não fundacional. Está correto. Mas é justamente essa a doutrina católica.

Gregg entendeu que a Igreja seria o repositório da fé salvadora do indivíduo, a doadora do dom da fé, como fundamento para a fé e salvação, como dispensadora da fé salvífica, o que não se encontra em nenhuma parte do Catecismo. Esse ponto afastou Gregg de reconhecer mais uma verdade católica, que é importante para a conversão.

A doutrina católica ensina que a fé é dom de Deus, uma virtude sobrenatural que Deus infunde no ser humano, para que creia e se converta (CIC, 153). Mesmo a preparação do pecador para receber a graça é uma obra da graça (CIC, 2001). Desse modo, quando se fala da fé da Igreja, a referência é ao depósito da fé, do conjunto de doutrina, que a Igreja mantem e ensina aos fieis.

Quando Gregg afirma que a teologia evangélica não inventa, mas condena o “batismo de sangue”, isso só pode ser considerado como um ataque ao conceito, a um nome, que não faz diferença. De fato, os mártires que morrem por causa de Cristo são salvos, e isso a Igreja considera que foram salvos como que pelo batismo de sangue, algo mais metafórico do que literal. A realidade diz respeito a que a salvação não dependeu do rito do batismo, mas da fé do mártir e da promessa de Jesus.

O mesmo de diz do “batismo de desejo”, que é lamentado pela teologia evangélica. Essa expressão é apenas a realidade de alguém que seria batizado, por sua fé em Cristo, mas morreu antes que o fato ocorresse. Não é louvável lamentar por algo tão correto.

A expiação de Cristo é a única base objetiva para a salvação. No entanto, para os que não conheceram Cristo, a Igreja crê que Deus tem Seus meios de salvar, que são baseados no sacrifício de Jesus. A teologia protestante, como a que Gregg defende, nega essa verdade. Assim, um aborígene que não conheceu o evangelho estaria perdido, independemente de sua vida de fé e prática.

Gregg afirma que isso é uma especulação da teologia e nega oitocentos anos de tradição católica, embora não exponha qualquer argumento sobre isso.

O caso das crianças mortas sem batismo, a Igreja Católica sempre teve uma hipótese teológica, a do limbo. Os protestantes estão divididos em suas doutrinas. Isso mostra que a Bíblia não dirime a questão, e é necessário uma interpretação correta do ensino bíblico.

A Igreja Católica crê na misericórdia divina para a salvação das crianças. Acredita que certamente elas não podem sofrer a pena eterna. Como é algo não revelado explicitamente, essa é a melhor resposta de acordo com os princípios bíblicos.

Na teologia protestante há os que ensinam que todos os bebês mortos estão condenados ao inferno, o que fere a justiça e misericórdia de Deus. Outros dizem que todos estão salvos, o que contraria a doutrina bíblica. Ainda, há os que nada dizem sobre isso. Esses estão mais próximos da fé católica, pois a Igreja crê na justiça e amor de Deus e pede a salvação das crianças mortas sem o batismo.

Alguns tipos de teologia evangélica introduzem a distinção entre o batismo como fundamento ou como instrumento da salvação. O primeiro caso seria a fé no batismo como causa eficiente da salvação, e no segundo como causa instrumental. São tentativas de ensinar a doutrina do Novo Testamento, e quanto mais se aprofundam, mas estão próximas da fé católica.

De fato, o batismo é necessário à salvação por que foi ordenado por Jesus Cristo e está fundamento no Seu sacrifício na cruz. Assim, o batismo é, na doutrina católica, o sacramento da fé, um meio pelo qual a salvação é aplicada.

Por tudo isso, se vê a coerência da doutrina católica, respondendo a todas as objeções.

 

Gledson Meireles.


sexta-feira, 13 de setembro de 2024

Testemunho de conversão de Mike Gendrom


Mike Grendrom é um ex-católico, agora protestante, e apologista do protestantismo. Vejamos o que diz no seu testemunho e as razões que o levaram para longe da Igreja Católica.

Em primeiro lugar ele afirma que certa vez abriu a Bíblia e viu o quanto estava enganado.

Ao mesmo tempo, afirma que era de uma família católica romana “muito devota”. Ele foi coroinha durante sete anos, ensinou a doutrina cristã católica e afirma que era muito devoto e religioso.

Afirma, ainda, que ele acreditava que “precisava merecer” seu caminho para o céu, e fazia o que podia para garantir que chegaria céu. Tinha zelo por Deus, mas não baseado no conhecimento bíblico e não tinha “uma relação com o Senhor Jesus Cristo”.

Era um católico sincero, ia às missas todos os dias por pensar que suas boas obras o salvariam.

Então, percebendo o pecado e sua fraqueza para vencê-lo, e achava que indo às missas e confessando seus pecados poderiam suas obras superar seus pecados.

Afirma também que tinha uma Bíblia, “Bíblia católica”, e nunca havia lido porque os padres diziam que era muito difícil de entender, então ele nem tentava lê-la.

Outra afirmação importante é que ele não tinha evidências para crer na fé católica a não ser que o padre havia dito para acreditar. Ele não tinha convicção própria.

Depois de ter sido convencido que a Bíblia é a única regra em assuntos de fé, começou a lê-la.

Foi assim que começou a ver que as coisas que havia aprendido como católico estavam em conflito com a Bíblia. Doutrinas como o purgatório, pecados veniais e mortais, etc.

E quanto perguntou a um padre, que era seu tio, porque havia discordâncias entre a Bíblia e a Igreja Católica, o padre afirmou que não havia tal coisa, mas também não soube responder sua pergunta sobre as obras em Efésios 2, 8-9.

Mike e Lutero

Pois bem. Podemos afirmar que a vida de Mike foi semelhante à de Lutero. Ele não era um verdadeiro cristão católico. Conforme ele mesmo afirma, nasceu em família católica. Certamente, foi batizando, aprendeu o catecismo, ia às missas. No entanto, individualmente, não havia uma conversão pessoal. Portanto, não podia crer de fato o que ensinava a doutrina católica. Nesse sentido, necessitava de conversão.

 

 

Mike era católico?

Para os protestantes, os católicos não são convertidos, não são nascidos de novo, não estão salvos. Segundo essa opinião protestante, aqueles que encontram a Jesus e permanecem na Igreja Católica deverão deixá-la, pois não podem crer na missa, nos santos, em Maria, não podem usar imagens, etc. Assim, Mike, nessa perspectiva protestante, era um verdadeiro católico.

 

Mike não era católico verdadeiramente

No entanto, como vimos, objetivamente, Mike não pode ter sido católico verdadeiramente. Ele não tinha verdadeira vida espiritual unida a Jesus Cristo, como todo católico precisa ter. Ele mesmo confessa isso.

Ele cria que suas obras eram necessárias para ganhar o céu. Essa não é a doutrina católica, mas é aquilo que dizem ser doutrina católica.

Mike afirmava que tinha pecados e cria que suas obras religiosas deveriam superar os pecados, pois não tinha força para vencê-lo.

Isso é justamente o contrário que ensina a Igreja quanto a uma verdadeira vida espiritual.

Dessa forma, todos os católicos nominais que vivem dessa maneira certamente deixam a Igreja e adotam outra fé. Muitos se tornam protestantes.

 

Mike e a cultura religiosa

Mike afirma que era muito devoto. No entanto, ainda que conhecesse o catecismo, nunca tinha lido a Bíblia. De fato, isso é comum para os católicos, já que não há ênfase e nem a ideia protestante de que é necessário ler a Escritura.

Entretanto, seu conhecimento era precário.

Ele não tinha convicção do que cria.

Dessa forma, foi um católico que não havia compreendido bem a sua fé. Isso é o que ele mesmo afirma no seu testemunho, pois o que aprendeu da fé da Igreja foram doutrinas que a mesma igreja não crê, como salvação pelas obras, penitência para alcançar perdão, etc.

 

Os pecados veniais e mortais

Mike não crê na distinção entre pecados mortais e veniais. Certamente, crendo na justificação pela fé, do modo protestante, todos os pecados são “cobertos” pelo manto de Cristo. Então não haveria tal coisa de pecado venial.

No entanto, a Bíblia afirma que há pecado que leva para a morte, o que implica em que há pecado não mortal.

 

Mediadores

Mike afirma que estava passando por muitos mediadores como católico. Ou seja, se referindo à igreja, aos padres, aos santos, à virgem Maria etc.

No entanto, para o verdadeiro católico, que crê tudo isso, ele sabe que nenhum desses pode salvar, pois o Salvador é somente Jesus Cristo.

Não há nenhuma tensão entre as duas verdades sobre o único Mediador e outros mediadores que agem no corpo místico de Cristo. Se Mike tivesse também entendido isso, seria católico.

 

Dúvidas da fé e medo

            Mike afirma que tinha dúvidas e a doutrina católica lhe causava medo. O mesmo que passou Lutero.

 

A justificação pela fé

            O mesmo que Lutero acreditava sobre a justificação. Uma vez salvo a justiça de Cristo é contada em favor do pecador e esse não teme mais a condenação.

No entanto, todo cristão católico crê na salvação em Cristo, mas também que a justiça de Cristo não é apenas imputada, mas infusa no pecador transformando o pecador em santo.

O cristão católico, convertido, crê em tudo isso e não sairia da Igreja ao ler essa verdade na Bíblia, mas permanece firme na fé de sempre.

 

Arrependimento

Para confessar os pecados é necessário arrependimento sincero. Após isso é preciso confessar os pecados.

Mas, Mike afirma que confessava seus pecados, contudo, como uma das obras para ser salvo.

Então, em outras palavras, era uma confissão mecânica, sem verdadeiro arrependimento. Ele diz que somente depois recebeu o dom da fé e teve arrependimento.

De fato, afirmando que arrependeu-se dos seus pecados após ter a fé encontrada em Cristo pela leitura da Bíblia, não antes, isso prova que durante sua vida como católico ele não havia sido convertido e não poderia ser um católico de fato. Portanto, suas confissões não foram feitas como deveriam ter sido. Isso mostra o motivo de ter saído da Igreja Católica.

 

Penitência para perdão dos pecados

Mike continua não entendendo o que é penitência. Ele diz que a Igreja ensina que os católicos devem fazer penitência para que seus pecados sejam perdoados e absolvidos. Isso não está correto. Isso é o que os protestantes ensinam sobre a penitência católica, e não o que a Igreja Católica ensina.

A Igreja ensina que deve haver arrependimento e confissão para o perdão dos pecados. A penitência vem após a confissão, para a satisfação. A penitência é feita pelo pecador já perdoado. Assim, Mike não entende a doutrina católica até hoje.

No entanto, se ele arrependeu-se dos seus pecados após ter entrado no Protestantismo, foi aí a sua conversão, como ele explica, então foi perdoado.

Deve-se deplorar apenas que não tenha sido antes, quando podia ter aprendido a fé completa e acreditado na verdade ensinada na Igreja Católica, pois no Protestantismo há muito da fé cristã que não é ensinado.

Quando ele diz que somente Deus pode ouvir orações, ele confessa que não conhece bem a doutrina católica da intercessão dos santos.

 

Religião controlando as pessoas

Interessante quando Mike cita doutrinas católicas e afirma que o objetivo é controlar as pessoas.

Isso não é a realidade no catolicismo, na qual há liberdade espiritual.

De fato, exemplos de lavagem cerebral e controle de pessoas e tantos exemplos absurdos não vêm do catolicismo. Basta fazer uma pesquisa cursória para se certificar disso.

Salvação

Como bom protestante, Mike afirma que Jesus o salvou.

Depois disso ele procurou uma igreja. Então, como não era salvo antes, não era de fato um verdadeiro católico, mas um católico por tradição, por nascimento, devido ao costume familiar.

De fato, todo verdadeiro católico é salvo.

Tudo isso explica sua saída da Igreja Católica de uma forma bastante clara. É o mesmo que ocorre aos milhares, como ocorreu com Lutero.

A falta de conversão é uma das razões que levam as pessoas a saírem da Igreja Católica.

Para os protestantes, os cristãos católicos que creem em tudo que a Igreja ensina não são salvos. Se creem em Maria, nos santos, e fazem procissões, e rezam o terço, e creem no purgatório, etc., não poderiam ser salvos.

É justamente o contrário, pois quem crê na verdade ensinada na Igreja Católica é salvo por Jesus Cristo.

 

Muitos estudos bíblicos

Depois de ter se tornado protestante Mike sentiu vontade de aprender mais sobre a Palavra de Deus.

Diga-se de passagem, as conversões que ocorrem no interior da Igreja trazem esse mesmo resultado, o amor à Bíblia.

No entanto, esses cristãos católicos não deixam a Igreja Católica, mas crescem na fé em Jesus, na fé na Bíblia, na fé na Igreja.

 

A Bíblia inteira é lida na Igreja

Mike afirma que não é verdade que a cada três anos a Bíblia é praticamente lida inteiramente na Igreja, pois ele não ouviu a leitura Efésio 2, 8-9 e 2 Cor 5, 21, por exemplo.

Mas isso não é verdade. Esses textos são lidos nas santas missas. Algo de errado ocorreu com Mike nesse âmbito também, é óbvio.

 

Contrapondo a missa e o sacrifício de Cristo

Mike tornou-se anticatólico e crê que a missa é uma blasfêmia. Isso mostra que tornou-se protestante ao nível experimentando por Lutero, Calvino, etc.

Pelo contrário, deve-se dizer, a missa é a celebração litúrgica e sacramental do sacrifício de Cristo. É bastante simples.

Por tudo isso, vemos que o real motivo da conversão de Mike Gendrom foi não ter sido realmente cristão católico.

Como Mike, muitos hoje são católicos de nome, vão à igreja mas não creem de fato. Não conhecem bem a doutrina, e não vivem conforme a doutrina ensinada. São muitos que vivem o catolicismo por tradição.

Fonte: vídeo

Gledson Meireles.


domingo, 1 de setembro de 2024

Livro: Teologia e Pratica da Igreja Católica Romana, de Gregg Allison

Refutação:

 

Capítulo10

 

Celebração do Mistério Cristão, Segunda Parte, seção 2, capítulo 3, artigos 6-7

 

É sabido que uma das principais divergências entre a teologia católica e a teologia protestante é referente ao sacramento da ordem.

Gregg afirma que o primeiro lugar a ser avaliado tem a ver com o que chama de interdependência natureza-graça. Assim, homens consagrados pela ordem, que são os homens ordenados ao sacerdócio ministerial, possuem a capacidade de mediar a graça.

Mas isso é a plena doutrina bíblica. Há alguma palavra de Gregg que possa refutar isso? Não.

De fato, essa doutrina é a do Novo Testamento, não havendo possibilidade de contradizê-la. Quando um ministro do evangelho prega a Palavra de Deus e o pecador se converte, é o Espírito Santo que, por meio da pregação ordinária da Igreja, está conferindo a graça da conversão mudando o coração daquele pecador e abrindo-o para que possa crer e receber a salvação.

Nesse exemplo o homem ordenado, o padre, está sendo meio da graça. É óbvio que se outra pessoa não ordenada pregar o evangelho pode ocorrer o mesmo, já que se trata de uma obra do Espírito de Deus. Mas aqui o exemplo é para mostrar que o sacerdote pode mediar a graça. E o faz também em outras funções do seu ofício, que muitas vezes não é compartilhada com os leigos, mas são próprias do clero.

Principalmente, é claro, quando cumpre o que diz o Senhor no evangelho, para que celebrem a eucaristia: Fazei isto em memória de mim. Essa é uma ordem. De fato, essas palavras instituem o sacrametno da ordem.

Não são todos os membros da Igreja que devem realizar a eucaristia e distribui-las aos demais, mas os apóstolos, os seus sucessores, os homens consagrados a Deus pela ordem.

Depois, o motivo que Gregg apresenta para avaliar o sacramento da ordem é a interconexão Cristo-Igreja.  Que Cristo está presente na Igreja é uma verdade do evangelho. Dessa forma, se o padre age em Nome de Jesus, é claro que é o mesmo Jesus que confere a graça. Também, Gregg não pode refutar nada da doutrina.

Quanto à hierarquia, essa é de origem divina. Talvez possa-se dizer que é natural a toda a ordem criada. Jesus mandou os apóstolos ensinar e batizar. Isso é exemplo de hierarquia, pois há os que aprendem e são batizados. É muito simples e toda igreja aceita essa doutrina na prática. Há realmente princípio bíblico para a hierarquia na Igreja.

Por isso, os três graus da ordem são hierárquicos. De fato, esse é o modelo bíblico, ao mostrar a autoridade dos apóstolos, que conferiam a ordem a outros homens capazes de auxiliá-los. Somente depois, por motivos circunstanciais, ordenaram os diáconos que cuidavam de assuntos diversos, não diretamente da responsabilidade dos apóstolos. Entende-se assim que são de fato três categorias hierárquicas.

Dessa forma, a simples afirmação de Gregg de que é equivocado o sistema católicos no qual o sacramento da ordem se baseia é gratuita.

Em primeiro lugar, o leitor percebe que o mesmo não conseguiu apontar motivos contra a doutrina expressa no Catecismo, a não ser lembrar os dois axiomas que entende ser os pilares da doutrina do sacramento. E os aludidos axiomas apenas são expressões da doutrina bíblica, não podendo ser negados quando entendidos corretamente.

Entretanto, como visto antes, tanto a interdependência natureza e graça quanto a interconexão Cristo e Igreja são doutrinas bíblicas. O que houve é que Gregg não conseguiu entender certas nuances do Catolicismo e construiu uma doturina, uma espécie espantalho, que foi o alvo de suas críticas.

 

 

Governo/ofícios da Igreja

 

A teologia protestante também admite os três ofícios, que são o apostolado, o presbiterato e o diaconato. Os apóstolos estão no mesmo fundamento da Igreja. Isso mostra por si o grau hierárquico do apostolado.

Quanto a dizer que o apostolado não está mais em vigor atualmente, trata-se de uma verdade. É justamente isso que ensina a Igreja Católica, e isso está no Catecismo.

Os presbíteros, que os protestantes chamam bispos ou pastores, devem pregar, orar e pastorear o rebanho. São líderes que agem em nome de Jesus. Está correto.

Quando o novo testamento apresenta igrejas locais com muitos presbíteros, isso está testificando do grau hierárquico do presbiterato, que é o que na Igreja Católica comumente se chama padre. Os padres, em maior número, estão sob a liderança dos bispos, que são aqueles presbíteros maiores, para usar o sentido do termo, designados pelos apóstolos, para pastorear a todos, organizando assim a Igreja.

O diaconato é o grau de serviço ou ministério. Também foi instituído pelos apóstolos. Está correto, conforme reconhece a teologia protestante.

É preciso apenas saber que o apostolado dos apóstolos escolhidos por Cristo terminou, mas não o poder hierárquico que os mesmo desempenharam. Assim é que os apóstolos apontavam homens capacitados para fazerem o que eles faziam na Igreja. Isso é o sacramento da ordem, e também exemplo da sucessão apostólica.

Quando se diz que Essa estrutura de presbíteros e diáconos persistiu em algumas igrejas, isso não é exato. Talvez sirva para isso a carta 146 de São Jerônimo, mas parece ser ambígua.

Pelo entendimento geral os apóstolos organizavam a igreja segundo um modelo único em todos os lugares. Portanto, todos possuíam um presbítero-chefe, chamado bispo, que pastoreava o rebanho, incluindo autoridade, quando assim exigisse, de disciplinar membros do grupo dos presbíteros, outra ordem. Isso significa que bispos estavam acima dos presbíteros, segundo modelo deixado pelos apóstolos.

O modelo citado do congregacionalismo não é o modelo apostólico. Basta ver a hierarquia das igrejas que estavam sob a liderança dos apóstolos e notar que o poder não é da congregação, mas dos líderes. Por isso, outras igrejas protestantes, que também leem a Bíblia e procuram segui-la textualmente, seguindo o princípio Sola Scriptura, interpretam esse caso da organização da igreja entendendo que a autoridade dos bispos era maior.

Assim, discordam a doutrina católica, mas não podem negar que a Igreja Católica fundamenta sua doutrina na Sagrada Escritura para a organização hierárquica da Igreja.

O exemplo de São Tiago, bispo de Jerusalém, no concílio, não mostra que o mesmo o conduziu, pois naquele momeneto a revelação que pôs fim à discussão foi dada a São Pedro, que falou celando a discussão.

Quando Santo Inácio cita a tripla hierarquia, não está inovando, mas testemunhando do que já havia naqueles tempos. Talvez seu testemunho, mais antigo, sirva para esclarecer a opinião de São Jerônimo.

São Jerônimo refutou a ideia de que os diáconos são hierarquicamente superiores aos presbíteros e aos bispos. De fato, parece uma ambiguidade, pois ele afirma que bispos e presbíteros são iguais, mas ele questiona retoricamente que função, “exceto a ordem”, diferencia bispo de presbítero. Então, há uma diferença.

Assim, também, quando diz que os bispos e presbíteros são iguais, ele afirma que dentre eles escolhe-se um para presidir sobre os demais para prevenir o cisma e de que alguém dividisse a Igreja.

Na epístola ao papa Damasus, São Jerônimo, tratando de divisões no Oriente, afirma que é dever consultar a sé de Pedro, cuja fé foi louvada pelo apóstolo São Paulo. Ele procurou alimento espiritual e um tesouro em Roma.

Afirma que “vós somente mantem seu patrimônio intacto”. Ele menciona a heresia no Oriente, enquanto o Ocidente está firme. Isso no contexto em que fala da fé de Roma, solo fértil do evangelho.

Depois disso, diz: Minhas palavras são ditas ao sucesso do pescador, ou seja, ao papa, bispo de Roma, sucessor de São Pedro. Depois disso, ele afirma que não segue outro líder a não ser Cristo. E, ao mesmo tempo, como bom católico, por esse motivo, do seguimento de Cristo, ele se dirige à cátedra de Pedro. A pedra onde a Igreja está construída, escreve São Jerônimo.

Então, bispo e presbítero teriam entre si somente a diferença da ordem. E na função prática, os bispos escolhiam um dos bispos para presidir sobre os demais. No fim da carta ele afirma que bispos, presbíteros e diáconos ocupam a posição de Arão e seus filhos e os levitas no templo.

Doutrinalmente tempos que bispos e presbíteros são duas classes distintas, mas ambos são sacerdotes. Talvez aí está a igualdade afirmada por São Jerônimo. Os diáconos são servidores. Em geral concorda com o que apresenta São Jerônimo, onde presbíteros são sacerdotes, e dentre eles escolhe um para bispo.

Também, outros protestantes, solascripturistas, forjaram o modelo do presbiterianismo, mostando que há autoridade dos presbíteros sobre os demais cristãos na igreja. Ess é apenas um exemplo que toca a verdade católica sobre a autoridade do presbítero-bispo. Há de fato evidências de estrutura da igreja acima da igreja local. No entanto, no concílio de Jerusalém é mostrado o modelo católico. Apóstolos e bispos no topo da hierarquia. São Pedro como aquele que recebeu a revelação que auxiliou no entendimento para dirimir a questão da circuncisão.

Quando os protestantes afirmam que não há sucessão apostólica, estão apenas aderindo ao equívoco de que se os apóstolos são em certo ponto insubstituíveis, então não houve ninguém que os sucedeu. Contra tal erro a Escritura mostra os mesmos apóstolos ordenando homens que os sucederam. Assim o fez o apóstolo São Paulo, ordenado a São Timóteo.

Quanto ao poder do papa, isso se deve mais à organização e para manter a unidade, o que tem se mostrando muito mais eficaz que o congregacionalismo, e o presbiterianismo, e mesmo o episcopalismo protestante. A eficácia da hierarquia católica evidência sua origem divina. É a estrutura da igreja fundada por Jesus Cristo. Assim como os apóstolos eram autoridades máximas em suas igrejas, assim foram os bispos, como São Timóteo. Esse modelo episcopal é instituído por Jesus.

Toda essa discussão mostra o seguinte ponto: a doutrina católica é eminentemente bíblica. Primeiro, por sua evidente origem na organização da igreja antiga. Segundo, por seus sinais compartilhados pelas interpretações protestantes, que são baseadas no texto bíblico, segundo o parecer de cada grupo protestante. Uns escolheram a organização com base na autoridade da congregação. Outros na autoridade dos bispos e outros dos presbíteros. São faces da doutrina católica, que é mais completa e equilibrada.

 

 

Sacerdócio levítico da antiga aliança

 

A Bíblia mostra a descontinuidade entre a antiga e a nova aliança. Assim o faz a teologia católica. Parece que Gregg não entendeu esse ponto.

O sacerdócio levítio não é o precursor bíblico do sacerdócio católico. É um tipo, digamos, uma figura. Assim também, como já citado, o sacerdócio de Melquisedeque é um tipo do sacerdócio de Cristo. Desse modo, Cristo é o único sacerdote, e nEle estão os sacerdotes da nova aliança.

O sacerdócio católico não toma como modelo o sacerdócio levítico que falhou. Essa constatação não é a que ensina o Catecismo.

Quando os protestantes negam que o sacerdócio da nova aliança representa o povo diante de Cristo pela oferta de sacrifício, está apenas esquecendo que a eucaristia é o próprio sacrifício de Jesus, que é celebrada em memória dEle, e é feita pelos ministros do novo testamento. Assim, o sacerdócio da nova aliança representa Cristo perante e Igreja, proclamando o evangelho e pelo chamado às pessoas para que sejam fieis à aliança, e pela celebração da eucaristia e dos demais sacramentos. Esse ponto foi perdido na avaliação de Gregg.

A própria doutrina geral do Novo Testamento mostra que a eucaristia é o sacrifício de Jesus. Não se trata de pão e vinho como sacrifício a Deus, mas o próprio Jesus espiritualmente presente, na memória de Sua morte, que é lembrado e representificado, como sacrifício a Deus. Não há como refutar essa verdade, como foi visto na avaliação de Gregg. O mesmo apresentou certas limitações no entendimento da doutrina, e criticou sua própria equivocada opinião. A crítica de que o povo oferece os sacrifícios perante o altar e o padre os recebe e oferece a Deus, em primeiro lugar deve-se entender que o padre, como cristão, também está na mesma posição do povo. No entanto, como ministro, ele age como ministro de Cristo. Assim, é Cristo o sacerdote que abençoa a todos.

Ainda, se todos oferecem os sacrifícios necessários diante do altar, todos estão exercendo o sacerdócio comum dos fieis em Cristo. Desse modo, é mostrada a verdade católica sobre o sacrametno da ordem.

 

 

Dois aspectos do sacerdócio

 

É muito claro que o sacerdócio batismal ou comum é o mesmo que a teologia protestante ensina sobre o sacerdócio de todos os crentes. No entanto, todos os cristãos podem interceder uns pelos outros. No entanto, não é ensino do Novo Testamento que os cristãos em geral devem ouvir confissão de pecados e assegurar aos arrependidos o perdão divino. Esse ponto doutrinal é do ministério ordenado. São os bispos e os presbíteros os responsáveis por essa prática.

A missão, o ensino e admoestação uns aos outros também devem estar em unidade com a hierarquia na mesma fé.

Não se pode negar a diferença entre clérigos e leigos. O oficío de cada um é diverso. É óbvio que o ofício do ministro ordenado é diferente do ofício do leigo. É basicamente a prova do ministério ordenado. Por isso, trata-se de palavras vazias uma tentativa de equiparar clero e leigo.

Gregg critica a diferença de natureza entre clero e leigo. Afirma a distinção de ofício, de responsabilidade. Mas é justamente isso o que ensina o catecismo, apenas observando que essa diferença é de caráter e é indelével, pois não há no Novo Testamento qualquer idiea de que um homem ordenado tenha perdido seu ofício recebido pela ordem.

 

 

Eficácia ministerial

 

Em nenhum momento o Catecismo ensina que a eficácia no ensino, liderança e administração dos sacramentos depende da santidade pessoal. O poder divino é o responsável pela conversão dos pecadores. Em outras palavras, é a mesma noção de que a santidade do ministro não é base para a graça dos sacramentos. O teólogo protestante não percebe isso em sua avaliação.

Quando diz que a validade das ordenanças, que são os sacramentos, depende de que essas sejam palavras do evangelho postas em prática, é o mesmo que dizer que isso constitui a forma do sacramento. As palavras ordenadas por Cristo. São elas que dão poder ao sacramento.

Então, Gregg Allison, a essa altura, lembra que a teologia evangélica difere da teologia católica no que diz respeito aos sacramentos, na doutrina ex opere operato, afirmando que os sacramentos são válidos se ministrados por um padre. De fato, não é bem assim. O batismo é sacramento, o principal deles, o primeiro e porta de entrada na fé, e pode ser ministrado por qualquer pessoa que tenha intenção cristã e pronuncie as palavras de Jesus Cristo no evangelho para aquele sacramento e faça o que Cristo ordenou.

Depois desse ponto, afirma que a teologia protestante concorda que a santidade ou pecaminosidade do pastor não pode impedir a eficácia do sacramento, ao mesmo tempo em que discorda da doutrina ex opere operato. Pelo que parece, é uma discordância em relação às próprias palavras da doutrina católica, pois o autor está sendo obrigado a cada passo a concordar como Catecismo, até mesmo quando pensa discordar.

Se os sacramentos são eficazes pelo evangelho que representam, isso é o mesmo que dizer que são eficazes por sua própria natureza, por serem atos de Cristo, por serem ordenados por Cristo, que recebem dEle mesmo a sustentação e poder. A Palavra de Deus comunica sustentação e poder nos sacramentos. Isso é dizer que não dependem do ministro, pois são ex opere operato. Eles são eficazes porque são feitos conforme a Palavra de Deus.

 

Celebração e recipientes do sacramento

 

O bispo é o conferente dos sacramentos. Percebe-se isso na prática do Novo Testamento. Há variedade da teologia protestante que não exige esse ponto doutrinal, por não aceitarem o episcopalismo. Trata-se de um equívoco.

Quanto à negação da sucessão apostólica, isso é um erro. De fato, é natural que os apóstolos conferissem a outros as responsabilidades que haviam recebido de Cristo. Não se trata de instituir outros apóstolos, mas de instalar autoridades competentes que cumprirão os deveres que os apóstolos inciaram por ordem de Jesus.

A respeito do celibato, que é de origem divina, sua obrigação é estabelecida pela igreja, que escolhe, conforme autoridade de Jesus, o melhor para o clero. A teologia protestante, não submissa à autoridade católica, rejeita tal decisão mas não pode refutá-la. Afirma que está seguindo instruições da Escritura, mas a própria Escritura ensina que o celibato é de maior dignidade e que a Igreja é sustentáculo da verdade. A Igreja tem autoridade para julgar o que é melhor e apropriado, e o celibato tem sido ao longo dos séculos o costume cristão. O clero não celibatário não apresenta vantagem. De fato, São Paulo inspirado pelo Espírito Santo desejou que os homens seguissem seu exemplo de homem celibatário. Então, a suficiência da Escritura garante a plausibilidade dessa interpretação e prática.

Gregg admite que a Igreja Católcia possui bom argumento para o celibato. Afirma que a teologia evangélica discorda do entusiasmo da teologia católica ao acolher essa instrução apostólica. Mas, menciona o ensino apostólico de 1 Tm 3, 2 e Tt, 1,6 sobre o casamento dos clérigos. É óbvio que o celibato é superior, como seguido por São Paulo. Não sendo norma ainda, claramente o clérigo casado devia seguir aquelas exigências.

A indagação sobre o a realidade do dom do celibato em todos os que se colocam a serviço no clero ordenado é válida, mas não se torna argumento. A infidelidade de alguns não pode ser usada contra a exigência de que bispos e padres sejam celibatários.

Esse tipo de desvio há em pessoas casadas, por exemplo, que encontram dificuldade na fidelidade do matrimônio, o que não pode ser usasdo contra a própria instituição monogâmica, assim como as infidelidades de clérigos não podem ser usadas contra a instituição do celibato.

Se alguns não possuem o autocontrole que o celibato exige, isso foi um equívoco individual, certamente, assim como aquele que não possuem autocontrole para serem monogâmicos no seu casamento.

Certamente não teriam o controle adequado permanecendo solteiros. Portanto, as melhores objeções relativas ao celibato não podem refutá-lo em nada, por tratar-se de doutrina bíblica clara.

São Pedro era casado (cf. 1 Cor 9, 5 é citado), mas certamente ficara viúvo ou deixou tudo para seguir o Senhor Jesus. Isso era um costume dos tempos antigos. O próprio evangelho indica que São Pedro não tinha esposa quando exercia seu ministério apostólico seguindo Jesus e após a instituição da Igreja.

O celibato não é devido à continuidade do sacerdócio levítico, como já explicado. Trata-se de um costume cristão, como está em 1 Cor 7, 7-9.

A objeção de que a Igreja tem o objetio de representar e retratar Cristo para a Igreja é negligenciada quando se tem em contra a imagem bíblica do casamento entre Cristo e a Igreja, é o mesmo que dizer que Cristo teria negligenciado essa figura ao menter-se celibatário, ao ensinar que há celibatários pelo reino dos céus, e inspirar apóstolos celibatários. Trata-se de uma objeção bastante falha.

Por sua vez, a teologia protestante tenta oferecer aos membros da igreja imagens da relação entre Cristo e a Igreja por meio do casamento dos pastores, por exemplo, permitindo e até mesmo incentivado o casamento. A Igreja Católica sempre adotou o modelo bíblico superior, com visto na passagem de São Paulo, bastando para isso ler o capítulo interior de 1 Coríntios 7, onde o celibato é favorecido na doutrina cristã. Mais uma vez a teologia católica mostrasse superior em sua doutrina.

Quanto a oferecer a imagem bíblica da relação entre Cristo e a Igreja é vista na vida de milhares de casais cristãos católicos, e mesmo de diáconos, que entendem essa doutrina espirtual bíblica, conforme expressa de modo especial em Efésios.

Desse modo, o sacramento da ordem conforme ensinado na teologia católica é sumamente bíblico. A teologia protestante mantem muito do que a teologia católica ensina, afastando-se em alguns pontos, mostando nisso certos equívocos. Nada do que apresentou Gregg pode refutar um só ponto da doutrina, e expôs as falhas da teologia protestante, em suas outras variedades.

 

Gledson Meireles.