Aqui
vão algumas considerações do debate. Em geral foi muito bom, respeitoso, rico
em argumentos.
Mas,
vamos mais aos pontos em que o ateu expôs.
O
Daniel fala das suas primeiras dúvidas com relação à Bíblia. Essas revelam algo
importante. Quem escreveu os evangelhos? Tanto tempo depois? É confiável isso?
Talvez a radicalidade da dúvida já se expressa aí, e isso é um sinal do
empecilho que há na mente para procurar a verdade de fato.
Ou
seja, partindo de ideias que são praticamente impossíveis de serem totalmente
explicadas e suficientemente satisfeitas ao espírito que duvida, e assim é
pensado por quem duvida, essas ideias se tornam o “motivo” da rejeição de tudo
aquilo que o indivíduo de fato não pretende ir atrás.
Aqui
se faz uma generalização a partir de um caso concreto, que serve para tal. Não
é dito que foi assim com o Daniel, mas é uma indicação das coisas que se dão na
mente que abraça o ceticismo. E, com isso, se entende as forças que levam ao
ateísmo.
Assim,
como é impossível que se volte no tempo e veja como as coisas aconteceram de
fato, e experimentar certas coisas, como ver Jesus ressuscitando na manhã de
domingo, por exemplo, e sendo isso algo poderoso demais para se crer, é
preferível ao cético crer que os discípulos, na melhor das hipóteses, foram
sinceros mas abraçaram uma fábula, imaginando algo, tendo um delirium, ou algo do tipo, mas não ir
além para resolver o que subjaz à própria dúvida e dificuldade parar crer.
Por
que Deus se esconde? O Daniel, como outros autores, imagina que a experiência
com Deus deveria ser algo bastante “palpável”. A pergunta: por que não responde
a todos que te buscam? Revela isso. O indivíduo pretende sentir algo mais, algo
que satisfaça sua exigência, que é ter uma experiência tal, e de tal modo
material, que não justifique qualquer dúvida em si mesmo. Mas antes disso,
deveria pensar que a experiência espiritual não tem qualquer das
características exigidas. E, assim, nenhuma das exigências será satisfeita, por
se tratar de uma coisa que acontece em um campo diverso daquele que se espera
que aconteça: o espiritual. Negando o espírito e exigindo que o mesmo aja como
matéria é fechar-se ao diferente.
Uma
indicação, que pode ajudar, é começar a aceitar a possibilidade da existência
de Deus, um agnosticismo, podemos dizer, que é algo mais inteligente que o
ateísmo, e a partir daí procurar entender, a partir dos fenômenos, como é a
experiência com o divino na vida de bilhões de seres humanos, a partir daquilo
que é relatado, para que se entenda como o espiritual é sentido pelos seres
humanos, e não exigir que Deus tenha de ser assim ou de outro modo para que se
possa crer em Sua existência. É um ponto de partida interessante.
Por
exemplo, as guerras, as brigas, e etc., o mal em geral, é um motivo usado para
não crer. Os ateus estão utilizando de exemplos e tentando entender através
desses o que é incompatível com a ideia do bom Deus. Certamente estão usando os
dados de forma equivocada, mas o que se pretende aqui é mostrar como se deve
partir de outros elementos, igualmente presentes na vida de inúmeras pessoas,
para certificar-se de como é vivida a espiritualidade na humanidade. Com isso,
pensar: você já viveu isso? É possível isso em sua vida? Por que você não teve
ou tem essas experiências? Elas são apenas produto da matéria, das operações do
cérebro? Que evidências tem para ser dogmático nisso? E etc.
Quando
o Guilherme diz que Deus já se revelou bastante ao Daniel, o suficiente, ele
acertou em cheio. Obviamente não falta a Deus o revelar-Se. É preciso aceitar o
suficiente para ir além.
A
liberdade foi citada. O Daniel já havia afirmado não crer no livre arbítrio. Certamente
sua noção de livre arbítrio está equivocada. O exemplo dado pelo Daniel, sobre
os que nascem em lugares que praticamente impossibilitam ou dificultam o máximo
o conhecimento do Deus verdadeiro, causando a danação eterna daqueles
indivíduos, usado como motivo contra o livre arbítrio, revela problemas na
compreensão do debatedor.
Primeiro,
por que o mesmo usa o exemplo para combater a noção de livre-arbítrio? Por
acreditar que sendo verdadeiro o Deus da Bíblia e sendo quase impossível que
milhões de pessoas que vivem em países não cristãos conheçam esse Deus, único
capaz de salvá-los, isso torna certa a condenação dessas pessoas, o que toca no
senso de justiça que temos. De fato,
seria injusto de assim o fosse. Deus não poderia causar a condenação de ninguém,
condenando inocentes que não o conhecem e não tiveram oportunidade de conhecê-lo.
Esse argumento está correto.
No
entanto, ele está em conformidade com a liberdade e não funciona como pensou o
ateu. Deus é único. O mesmo Deus é acessível à inteligência e revela-Se de
diversas formas. Assim, os que crerem em Deus e viveram se acordo com essa fé,
em sua consciência e liberdade, serão salvos, estejam onde estiverem. Assim,
não será necessário conhecer cada detalhe da revelação divina, mas ter a fé
mínima em Deus.
Desse
modo, na fé cristã a justiça é suficientemente compreendida e a liberdade de
cada uma também. Esse argumento ateu perde esses detalhes e equivoca-se
bastante.
O
Guilherme mostra como se converteu, a bagagem erudita que tem para falar do
tema, e a falta de conhecimento que o ateísmo tem do Cristianismo.
O
Daniel acredita que há autores ateus mais sofisticados, talvez não lidos pelos
Guilherme. Mas o Guilherme afirma que leu Bertrand Russell, David Hume. Só aqui
já não há lugar para dizer que se tratam de ateus pouco sofisticados. Mas, com
certeza o Daniel não ficou satisfeito, pensando que há melhores: vou te dar umas dicas depois, de outros.
Essa frase mostra isso.
Quem
escreveu os evangelho?, foi a dúvida que levou o Daniel para fora da Igreja
Católica. É algo que mostra o quanto o mesmo está no campo da pesquisa
material. Por exemplo, ao dizer que a caridade da Igreja é uma das maiores
virtudes, isso mostra o espírito de amor ao próximo. Essa virtude no ateu pode leva-lo
à fé, quando bem orientado. Mas ao crer que a fé em Deus é algo ilusório, e que
serve para dar uma força à prática da caridade, pensa conforme os ditames
ateístas.
A
questão da fé e da razão surgiu no debate. E a escravidão também, sem maiores
aprofundamentos.
Argumento
ateísta mais difícil e forte seria o problema do mal, segundo o Guilherme,
considerando o ponto de vista emocional, e não lógico.
E
o argumento cristão mais forte ou difícil de ignorar, para o ateu, seria o
argumento do motor imóvel, segundo o Daniel. Ele dá o exemplo de uma refutação,
pois o motor imóvel pode não ser o Deus que o cristão cultua e pode também não
ser um deus, o que validaria o ateísmo.
O
ateu que vive fazendo o bem e o mau que se arrepende no fim da vida. Quem é
salvo? Certamente ambos. É impossível
fazer o bem sem a graça divina. E a graça comum leva o homem que vive segundo a
lei natural ao bem e Deus o salva.
E
quanto ao argumento mais forte de ambos os grupos? O argumento metafísico,
segundo o Guilherme.
O
Daniel acha que a esperança da vida eterna no céu é um consolo, mas não é
razoável. Não houve debate sobre esse ponto.
Quando
o Daniel diz que “gostaria de estar enganado”, isso mostra a razoabilidade
tremenda e maior da fé cristã. De fato, vivendo segundo as suas convicções, e,
portanto, realizado nelas, o ateu perderia muito se o Cristianismo estivesse certo.
O cristão não perderia praticamente nada se o ateísmo fosse a verdade.
Em
resumo, que o leitor peça a graça de Deus e cresça na fé, em Nome de Jesus
Cristo, Nosso Senhor e Salvador.
Gledson
Meireles.
Eu expûs os graves perigos de debates online em um post que fiz no canal "Scholastic Answers":
ResponderExcluirA razão pode servir para expor racionalmente a Trindade e demonstrar que ela não é logicamente contraditória. Recorrer ao recurso de chamá-la de “mistério” e parar por aí toda vez que alguém trava em sua argumentação e se torna incapaz de prosseguir na refutação do oponente é uma atitude imprudente. Ao argumentar a favor da Trindade, especialmente contra muçulmanos e outros antitrinitários, devemos evitar tanto optar por chamá-la de mistério e encerrar a questão — sinalizando ao oponente que não temos argumentos contra ele — quanto racionalizá-la excessivamente a ponto de cair em heresia. Como diz Aristóteles, a virtude está no meio termo entre dois extremos; portanto, não devemos resumir tudo apenas à fé nem apenas à razão. Em vez disso, fé e razão devem caminhar juntas.
Já vi muitos debates entre cristãos e muçulmanos terminarem assim — isto é, com o cristão admitindo que se trata apenas de um “mistério” e que não pode ser compreendido. Isso não ajuda o cristão, mas certamente ajuda o muçulmano a avançar em sua campanha. Cabe perguntar quantos cristãos já cederam aos argumentos muçulmanos. Talvez alguns deles tenham até apostatado. Esta é uma razão central pela qual participar de debates online pode ser um pecado mortal: você pode levar outros ao erro. Você não conhece o público que assiste a você e ao seu oponente, e não pode controlá-lo. Se o oponente vencer o argumento (ou parecer vencê-lo, caso tenha uma boa retórica), o número de pessoas levadas ao erro será aproximadamente refletido por quantas pessoas assistiram ao debate, ou tomaram conhecimento dos argumentos apresentados pelo oponente por outros meios, e que não sabem como refutá-los. O público nunca é uniforme, a menos que tenha sido concebido para ser assim, como em grupos privados. E, além disso, a apologética pode enviar você direto para o Inferno de muitas outras maneiras.
Para mais detalhes, esse vídeo do canal "Vulpes Sepulta" ajuda muito:
https://youtu.be/97b05JzT5dc?si=wjzguB5yR7ZoKOyz
Além disso, eu fico curioso se você pretende refutar também os muçulmanos, indo além de refutações contra protestantes e ateus. Atè agora, não conheço nenhum trabalho (livro, artigo etc.) seu que se preocupa em refutar os ortodoxos também. Os muçulmanos tiveram um pico de crescimento é uma puxada de atenção alguns meses atrás, mas cairam no esquecimento. De qualquer forma, a apologética fora do Brasil lida bastante com o Islã.
No momento apenas estudos sobre o Protestantismo e ateísmo.
ExcluirInteressante seu comentário.