Quando o assunto é o papado
do apóstolo São Pedro, sempre me vem à mente o tema do desenvolvimento da
doutrina. Isso porque de fato Pedro foi papa, exerceu seu ministério após a
ascensão de Jesus, mas, porém, de um modo diferente, essencialmente o mesmo
de sempre, mas não nos mesmos moldes que o papa Francisco faz atualmente.
Nem mesmo os papas que
viveram alguns séculos depois viveram como Pedro, e não puderam exercer o mesmo
tipo de papado que Pedro exerceu, já que os tempos mudaram, as circunstâncias
exigiram diferentes atitudes. Por isso, o papa Francisco não tem a mesma
autoridade que tinha o papa Inocêncio III, nem teve o papa Lino a mesma
autoridade que o papa Leão I, mas todos eles possuem a mesma autoridade
estritamente papal, que é aquela de apascentar as ovelhas e cordeiros. O que
difere foi o seu poder temporal, e a consciência do alcance e natureza da sua
jurisdição espiritual.
A palavra-chave na discussão
sobre o papado de Pedro parece ser jurisdição. Muitos negam a primazia de
Pedro, mas ultimamente tem havido aceitação geral de que houve uma primazia
petrina de honra apenas, e até mesmo que Pedro foi de fato o líder da Igreja
primitiva, mas que esse papel não era o de um papa, nem que foi transferido a
um sucessor, nem que teve alcance universal, nem que foi essa a intenção de
Jesus quando escolheu os doze, tornando o cargo e função de Pedro apenas
possuindo notoriedade proveniente de sua personalidade ativa e influente, como
parece ter sido essa a posição de Adolf von Harnack, e que muitos defendem hoje
em dia.
Portanto, se alguém
considera “ser papa” a pessoa que mora em um palácio, que fala em rede de
comunicação, que viaja o mundo inteiro, que conhece do dogma solenemente
proclamado da infalibilidade papal, que tem o reconhecimento da Igreja Católica
inteira da sua autoridade jurisdicional, como bispo de Roma, a qual requer que
os demais bispos estejam unidos a ele para resolver questões de ordem moral e
doutrinal, e que possuiu em muitos momentos da história o poder de sagrar reis,
instituir leis, reger com grande influência uma sociedade, e outras coisas
desse teor, então essa pessoa primeiro deverá entender que tudo isso provem do
fato desse alguém ter obtido de Jesus uma autoridade ímpar, e é dela que foi
desenvolvido tudo isso, e depois entender esse tipo de autoridade. Se ainda
essa prerrogativa for negada, então fica mais difícil chegar a um acordo
razoável, já que a raiz da questão não foi admitida.
Pedro foi papa, ainda que
muitas dessas coisas não tenham sido realizadas por ele.
Vamos à Bíblia Sagrada, e
vejamos quais as provas que existem de que Pedro foi papa, e quais os
obstáculos que há (se há algum) para que alguém não creia que Pedro foi papa,
segundo a doutrina oficial da Igreja Católica. Ou seja, considerando a
verdadeira doutrina. O texto de Mateus 16,18 será comentado abaixo.
Muito tem sido publicado
sobre o papado. As Testemunhas de Jeová afirmam que Pedro teve um importante
papel no início do Cristianismo. O artigo trata do primado ou poder supremos, o
que é negado. Interpreta “Pedro” como “pedaço de rocha”. Questiona se a Igreja
é construída sobre Pedro, e se esse é o cabeça de todos os seguidores de Jesus.
Cita a questão de quem seria
o maior, e conclui de tal que se houve um apóstolo maior ninguém teria
discutido isso. O contexto de Mateus 16,16-18 é explicado como elogio, e que
Jesus iria construir a Igreja sobre uma Pedra mais sólida do que Pedro. (https://www.jw.org/pt/publicacoes/revistas/wp20151201/pedro-foi-primeiro-papa/)
Vemos que alguns itens foram
abordados:
1)
A autoridade de Pedro sobre os outros
apóstolos.
2)
O Bispo Romano aceito entre todas as igrejas.
3)
Os seus sucessores
4)
Pedro não clama supremacia papal
5)
Pedro tinha liderança. (Isso é aceito)
(https://www.gotquestions.org/Portugues/Sao-Pedro-primeiro-papa.html)
José Francisco Botelho
afirma: “A origem e a justificativa do papado dependem desse pescador da
Galiléia.”
Sobre o nome Pedro: “Para
muitos, esse apelido é uma investidura de poder.” (...) “Para muitos teólogos,
esse trecho é a prova de que Pedro foi escolhido como o maior representante de
Cristo sobre a Terra”. Revelador é o resumo que o autor mostra de John Meier,
confira.
Botelho afirma: “Sua
importância como líder do cristianismo primitivo foi gigantesca.”
Falando da história
registrada por Eusébio de Cesareia, fundamentada em outros historiadores mais
antigos, afirma: “Verdade ou não, o fato é que, já no século 2, Pedro era tido
pelos líderes católicos como o primeiro bispo de Roma.”
O achado arqueológico da
necrópole do século 1, em Roma, dentro da basílica do Vaticano, com um “grande
mártir” entre os sepultados diz, pelo menos, alguma coisa. Não é apenas uma
crença fraca de que os restos mortais é de Pedro, mas de que a ideia de que uma
confirmação arqueológica de testemunhos bíblicos, (ao menos indiretos de que
Pedro foi a Roma) e históricos não venha a dizer alguma coisa.
A importância do assunto é
refletida nessas palavras: “Esses episódios da vida de Pedro inspiraram nada
menos do que os grandes cismas do catolicismo.” E a origem de outros
movimentos, como a Igreja Ortodoxa e o Protestantismo, afirma Botelho: “Esses
movimentos negavam, antes de mais nada, a autoridade suprema do papado sobre o
cristianismo.” Algo curioso: “Em várias épocas, ortodoxos e protestantes usaram
argumentos idênticos...”
Termina o artigo: “Para
qualquer cristão, esse patriarca ardoroso e contraditório foi, de fato, o
sustentáculo da Igreja em sua fase primitiva – o primeiro líder de uma
revolução espiritual que, nos milênios seguintes, mudaria os rumos do mundo.” (http://super.abril.com.br/historia/sao-pedro-o-primeiro-papa/)
“Ele foi um apóstolo
importante por ser ousado e o seu ministério foi essencial na fundação da
igreja” (https://www.respostas.com.br/pedro-foi-o-primeiro-papa/)
O entendimento de sucessão
também é diferente. No site respostas cristas é afirmado que Matias foi apenas
substituído. Esso seria o caso, e não de sucessão. Sobre Timóteo e Tito serem
bispos, é citado o fato de serem itinerantes, como se isso alterasse em algo a
natureza do papado. O papa poderia ser itinerante, como foi São Pedro, por algum tempo, e ainda
assim ter autoridade reconhecida, como líder cristão. (e não como um chefe
secular, é claro.)
Quanto ao entendimento da monarquia episcopal:
“Quando dizemos que o Bispo de Roma é o infalível guardião da fé,
não queremos dizer que ele está num lugar em que ele possa agir isoladamente do
resto do corpo episcopal.”
Lembrando que as ideias de Wycliffe apregoadas hoje continuam
sob anátema: ““não é necessário acreditar que a Igreja Romana possui supremacia
em relação às outras Igrejas”.
O que é dito da Igreja de Roma está de acordo com a posição reconhecida
que a Sede de Roma tem na Igreja Católica: (http://www.apologistascatolicos.com.br/index.php/apologetica/papado/960-sao-clemente-romano-prova-o-papado-nos-primordios-da-igreja) Alguém sugeriu um
debate sobre esse tema. Este artigo serve para esse fim.
Foi publicado hoje um artigo
irônico sob o título: 50
Provas do primado de Billy Graham com o intuito de desbancar
os raciocínios usados para defender o papado, com base em escrito de Dave
Armstrong, usando sua metodologia, e com isso tentando refutar o mesmo
radicalmente. Certamente, cada item da lista não prova o que supostamente
provaria, dentro desse contexto irônico, porque falta o fundamento.
1. O tópico um só seria mais
apropriado se o mesmo tivesse o fim de mostrar Billy Graham como (supostamente,
é claro) o papa dos batistas, ou de uma Igreja Batistas específica.
2. O item 2 está atrelado ao
número um.
3. Isoladamente esse item
não tem valor, já que missionários podem pregar mais que o papa. Em adição ao
ofício de papa, ele serve para realçar o mesmo.
4. Continua o mesmo que o
item 3.
5. Tem o efeito do mesmo
item 3.
6. Prova apenas que se trata
de um missionário bastante influente.
7. Tem a mesma essência que
os itens tratados anteriormente, a partir do 3.
8. Continua falando,
essencialmente, do mesmo assunto do item 3.
9. Esse item revela o mesmo
que foi dito anteriormente, e ainda propõe um “papado” diverso, onde o papa
auxilia na conversão de pessoas que entram para igrejas diferentes.
10. Contato com reis e
outras autoridades não faz o papa. É certo que o papa tem esses contatos, e por
isso é preciso provar o fundamento, pois essas relações políticas é algo
diretamente fora da questão.
11. A grande fama é parte da
figura do papa, mas provem dela. Para provar é preciso o mesmo que foi indicado
no item 10.
12. Item que só teria
sentido como peso cumulativo.
13. O mesmo que o item 12.
14. Em essência é o mesmo
que foi dito nos itens, por exemplo, 6 a 8.
15 Continua essencialmente o
mesmo do item 14. Aumenta o peso cumulativo.
16. Aumento de peso
cumulativo.
17. Aumento de peso
cumulativo.
18. Aumento de peso
cumulativo.
19. Tem a ver com sua fama.
20. Parece não ter tanta
relevância esse item.
21. Igual ao item 20.
22. Item interessante como
sendo princípio de unidade.
23. Peso cumulativo.
24. Peso cumulativo.
25. Peso cumulativo.
26. Peso cumulativo.
27. Item que tem a mesma
essência de vários anteriores.
28. Peso cumulativo. Esses
itens em si não provam, mas devem ser lidos como parte de comprovação de um
princípio. O que falta é o princípio. (Como, como certa, irão alegar que falta
na lista sobre Pedro).
29. Peso cumulativo.
30. O mesmo peso do item 7,
por exemplo.
31. Não há novidade neste
item.
32. Igual ao anterior.
33. Há relação com itens já
comentados anteriormente. É uma repetição.
34. Peso cumulativo.
35. Peso cumulativo.
36. Mais peso cumulativo.
37. Peso cumulativo.
38. Peso cumulativo.
39. Peso cumulativo
40. Peso cumulativo.
41. Peso cumulativo. Não é
tão grande como proferir o primeiro discurso da Igreja, no dia de sua
inauguração em Pentecostes, mas é cumulativo.
42. Peso cumulativo.
43. Peso cumulativo.
44. Peso cumulativo.
45. Peso cumulativo.
46. Peso cumulativo.
47. Peso cumulativo, e
curioso.
48. Peso cumulativo.
49. Peso cumulativo.
50. Peso cumulativo.
Em todos os itens que, em si
mesmos, não falariam nada ou quase nada, apenas coloquei-os como peso
cumulativo. O que falta para fazer de Billy Graham uma papa, (entendendo que o
artigo é irônico) é uma base forte, que o faça tal. Essa tem a favor de Pedro,
e de ninguém mais. Falta mostrar o mesmo fundamento para continuar as teses a
respeito do pastor Billy Graham, e que não funciona com mais ninguém.
Algumas provas do primado
petrino, como elencadas por Dave Armstrong, são muito fortes, como as primeiras
3, com ênfase nas 2 primeiras, como o Dave mesmo acredita, e dão base ao
princípio do papado, sendo complementadas por outras tantas, que tem o papel de
corroborá-las. Elas não são fortes em si mesmas ou quando lidas fora do
contexto do assunto. É esse o valor geral das 50 provas, chamadas de “argumento
ruim, mas ruim mesmo”, no artigo de crítica à lista do Dave Armstrong.
Dessa forma, o exemplo, do
que o Dr. William Craig usou para refutar o outro debatedor não serve para
refutar o Dave, pois esse usa pontos sólidos, para formar seu argumento, e
somente depois acrescenta evidências que corroboram-no.
O que precisa ser provado, é
claro, é o que está sendo rechaçado nessas palavras: “Nenhuma delas é uma prova
de fato no sentido objetivo de um papado ou de uma primazia de governo, tal
como: “Pedro é o papa dos cristãos”, ou então: “Pedro governa toda a Igreja”. Estamos,
no geral, debatendo uma questão resolvida: “Caso encerrado”, como está no artigo irônico.
Admitindo alguma verdade nas
provas do Dave Armstrong: “É simples: que Pedro era uma figura importante, até central na Igreja do
primeiro século.”
Quando afirmei acima que a
jurisdição é a palavra-chave, veja a comprovação, no mesmo conceito: “Alguém pode ser o mais importante de
um grupo, sem contudo liderar este grupo ou presidi-lo.”
A liderança do papa
refere-se aos pastores cristãos católicos, e não aos de outras denominações. E
como o papa é de uma Igreja, a Católica, e os bispos seus irmãos iguais em
hierarquia, dignidade e atividade, mas menores em extensão desses atributos, por
motivo de um só ser escolhido como princípio visível de unidade, então o caso
de Billy Graham é um tanto falho, mesmo em termos irônicos, já que representa o
Protestantismo ortodoxo, mas em termos mais estritos é membro de uma
denominação, que não tem ligação visível e possui tantas divergências doutrinais
claras, que inviabilizam a devida comparação com o papa na Igreja Católica.
E o poder de
jurisdição-governo-papado é negado ter sido possuído por Pedro, e, a partir
dele, por todos os papas na história. Não adianta escrever muito então. Ah,
sim. Adianta, pois o Espírito Santo guia nossa mente para que abrace a verdade.
É supérfluo em termos meramente humanos, mas não em termos de atividade
espiritual.
A prova para o primado é tão
simples como a prova que o artigo traz apresentando Marcos 10,42. Vejamos.
Dave Armstrong afirma que a
doutrina do papado é derivada da primazia evidente de Pedro. (É o mesmo, em princípio, o que o
artigo sobre Billy Graham chamou de “o principal, o mais importante, mais
influente ou mais destacável”). A primazia é ligada ao governo, é claro, e
ninguém pode negar. O governo sempre tem primazia, mas a primazia nem sempre
governa. Pedro foi papa. Mas, hoje nega-se que Pedro teve poder de liderança. Esse
é o ponto.
Dave afirma ainda, como já
foi comentado acima, que a doutrina do papado, como todas as doutrinas cristãs,
foram desenvolvidas. Esse é outro ponto negado por muitos, que não creem em
desenvolvimento, mesmo que o vejam. E impossível negar, mas há quem dê outro
nome a isso, e depois passe a refutar o desenvolvimento, que é outra coisa.
Há ainda a afirmação da
“liderança e prerrogativas de São Pedro”. O que é chamado de liderança e
prerrogativas está no bojo do que acima foi colocado sob o título de
“principal, importante, de destaque”, mas negam, porém, e de forma mais
contundente, o poder de liderar como o papa fez durante praticamente toda a
história cristã. (http://www.patheos.com/blogs/davearmstrong/2015/10/50-nt-proofs-for-petrine-primacy-the-papacy.html)
Será que o grande apologista
Dave esqueceu de lembrar que o que foi explicado como peso cumulativo das
provas não significaria que cada uma das provas individualmente não serviriam
para nada, e não seriam prova de forma alguma, e que assim a soma de provas
inúteis não faz um sólido argumento, e refutar tal coisa que eventualmente
surgiria nessa inteira questão?
Parece que não. Já nas
primeiras 3 provas, que constituem a verdadeira prova, isso fica de certo modo
evidente.
A prova número 1 condensa
todo o sentido de Mateus 16,18 e fornece as refutações necessárias: Pedro é a
pedra no cenário em que Jesus é o Construtor, portanto é posto como fundamento,
não como fundador, o que significa um administrador, não o Senhor da Igreja, e
o pastor conforme Efésio 4,11, como foi dado pelo Bom Pastor (João 10,11).
Depois, a segunda prova
esclarece que Mateus 16,19 o poder das chaves tem a ver com disciplina
eclesiástica, o que inclui muitas coisas, (fazendo necessário o poder de
exercer essa disciplina), e na prova 3 o poder de ligar e desligar é explicado
que trata-se de termo rabínico para proibir e permitir, e que Pedro foi o único
a receber esse poder por nome e no singular, o que o faz preeminente.
Esses fatos não podem ser
negados. E se a implicação acima referida não é aceita, que seja apresentada
outra melhor.
Essas provas são, como
mostra Dave Armstrong, “as mais explícitas evidências bíblicas para o papado”.
A pedra sobre a qual Jesus
colocou a Igreja é singular. Ele é o construtor nessa passagem, e não a pedra
que está sendo posta.
O poder do papa de ligar e
desligar não é só seu, mas de todos os bispos. O que a Igreja ressalta ao
apresentar o papa como tendo a prerrogativa em pessoa é que Pedro foi o único
que, nomeadamente, recebeu esse poder de Jesus. Os demais receberam após Pedro,
e como grupo, do qual o apóstolo era parte, e por isso unido a Pedro.
A lista apresentada pelo
Dave é construída a partir desse ponto inicial, desse fundamento. Ele mostra
que Paulo é importante, mas quis mostrar o que seria consistente com a doutrina
de que Pedro é o chefe da Igreja¿ Ele não diz que cada ponto é uma prova, mas
que a lista mostra pontos consistentes com o que foi provado, o que é “muito
forte”, segundo sua opinião, sendo assim provas adicionais e de peso
cumulativo. É algo bem diferente, e que não pode ser facilmente refutado, se é
que pode ser.
Para isso, a doutrina em seu
núcleo é admitida, ainda que falte alguma prova explícita de algum ato, por
exemplo, de Pedro “mandando” em algum apóstolo ou outro cristão, ou exercendo
seu poder papal de forma explícita e inequívoca, provando seu poder de
liderança e jurisdição universal.
As provas 30, 38 e 43, da
lista do Dave Armstrong, usadas como exemplo de que não provam nada, cai no
erro que o Dave explicou: elas são parte de uma lista de indicações do primado
de Pedro. Há outros textos que sugerem essa conclusão, e essas provas estão em
consonância com a mesma.
Portanto, para refutar a
lista do apologista Dave Armstrong, deve-se refutar o princípio, o fundamento
dela.
Segue o artigo que publiquei
há algum tempo, sobre Mateus 16,18:
Pedro é a Pedra de Mateus
16,18
Em refutação à explicação do
Lucas Banzoli (apologista protestante no site que tem como objetivo
refutar o Catolicismo: http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/) de que a
pedra de Mateus 16,18, é a confissão de Pedro, segue-se a simples reflexão.
16 E Simão Pedro,
respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.
17 E Jesus, respondendo,
disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne
e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus.
18 Pois também eu te digo
que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do
inferno não prevalecerão contra ela;
(Tradução Corrigida e Fiel,
Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil)
Nos versos anteriores,
13-15, Jesus havia questionado a respeito da opinião do povo sobre Sua Pessoa,
e também o que diziam os apóstolos sobre isso. Pedro responde prontamente: “Tu
és o Cristo, o Filho do Deus vivo.” Então, Jesus dirige-lhe também uma palavra,
dizendo: “tu és Pedro”. Entende-se assim o contexto.
Pedro fez a confissão a
respeito de Jesus como verdadeiro Messias e Filho de Deus, e Jesus mostra-lhe
que por sua fé ele será Pedro. Como entender isso?
O apóstolo Pedro chamava-se
Simão, e era filho de Jonas. Jesus mudou seu nome para Pedro (em grego Petros), nome que vem de Kepha, transliterado na Bíblia como Cefas, e significa pedra. Assim, lemos
em João 1,42: E levou-o a Jesus. E,
olhando Jesus para ele, disse: Tu és Simão, filho de Jonas; tu serás
chamado Cefas (que quer dizer Pedro). Outras traduções, como a King James Version (em inglês) e a
Bíblia de Jerusalém trazem também o termo como significando pedra, mostrando a
unanimidade dos eruditos quanto ao sentido do mesmo.
Temos assim o diálogo entre
Jesus e Pedro. Jesus questiona sobre Sua identidade, Pedro responde por
revelação de Deus, e Jesus mostra a Pedro a missão que devia cumprir, e o
motivo de ter recebido o nome Pedro. De fato, Jesus refere-se em todo o diálogo
a Pedro, e a ninguém mais. Uma leitura atenta evidencia isso:
a) Bem-aventurado és tu
b) porque to não
revelou
c) eu te digo que tu és
Pedro
Assim, a sequência somente
pode ser dirigida a ele, tendo-o como referência: e sobre esta pedra edificarei
a minha igreja. Temos Pedro em a-b-c, por que não estaria também na
sequência normal do texto em d?
Cristo não diria tudo isso
para, sem razão, mudar de objeto quando afirma sobre a pedra. Pedro é
bem-aventurado (feliz), Pedro recebeu a revelação, Pedro foi nomeado pelo
Senhor Jesus, Pedro é a PEDRA nessa passagem. Esse é o motivo de sua mudança de
nome, ele foi encarregado de ser a pedra da Igreja onde Cristo iria construir.
Então, nesse verso Jesus é o Construtor e Pedro o material da construção: a
pedra.
Temos igualmente que prestar
atenção aos dizeres do texto: “Tu és Pedro”. Para quem está familiarizado com o
nome do apóstolo isso parece óbvio, pois ele é Pedro. Mas, o caso não é esse.
Notemos que Pedro não fala: “Tu és Jesus”,
pois ele conhecia o Senhor e sabia do Seu Nome. Ele diz: “Tu és o Cristo”. A palavra Cristo vem do grego, tradução do hebraico
Messias (ungido). Assim, é como afirmar: “Senhor
Jesus, tu é o Cristo”.
Da mesma forma, Jesus não
diria, nesse sentido, ao apóstolo Tiago: “Tu
és Tiago”, ou a Bartolomeu: “Tu és
Bartolomeu”, nem ao mesmo apóstolo Simão: “Tu és Simão”. Diferentemente, ele diz a Simão - filho de
João, para não confundirmos com o outro apóstolo, chamado também de Simão,
o zelota. E, então, diz a Simão: “Tu és
Pedro” (palavra que tem o sentido de pedra), ou seja: “Simão, tu és Pedra”.
Assim, fica claro o sentido:
“Tu és Pedro e sobre esta pedra
edificarei a minha Igreja...” É com toda a certeza que Se refere à pessoa
do apóstolo Simão Pedro.
Gledson Meireles.