quarta-feira, 25 de março de 2026

Tradição e Ellen White

Sola Scriptura


A Igreja Católica ensina que há três fontes de autoridade, sendo a Bíblia Sagrada, a Tradição Apostólica e o Magistério da Igreja. Esse ensino é claro, direto, e unânime.

A Igreja Adventista do Sétimo Dia ensina que somente a Bíblia Sagrada é fonte de autoridade de fé e prática.

Como já estudado em outros artigos no blog, a doutrina adventista tem sua fonte na interpretação bíblica e há uma instância que serve de autoridade bastante importante para a confirmação da doutrina, ou de testemunho sobre a mesma.

Esse é o papel de Ellen Gould White, que para os adventistas, embora não saibam disso, e ensinem que a profetiza tem uma autoridade menor, que é orientadora nos pressupostos, confirmadora da doutrina, e não julgadora e nem fonte da mesma, essa autoridade é, não obstante, semelhante ao lugar que a Tradição Apostólica tem na Igreja Católica Romana.

Vejamos nas palavras de um pastor adventista qual a autoridade de Ellen White e comparemos com o que há na Igreja Católica em relação à Tradição no rol de autoridade doutrinal.

Já foi explicado aqui que Ellen White não é como o Magistério eclesiástico, não é também como o papa. Essa comparação é feita muito comumente quando protestantes debatem com adventistas do sétimo dia. É uma incompreensão do que é tradição católica e do que é Ellen White no adventismo.

No entanto, há a Tradição Apostólica, que é um autoridade para a Igreja Católica que tem certa semelhança com a autoridade de Ellen White para a Igreja Adventista do Sétimo Dia.

O pastor usa a doutrina da imortalidade da alma para mostrar a força de pressuposições diferentes que levam a lugares diferentes.

A pressuposição platônica de que a alma é inerentemente imortal seria preciso forçar o texto bíblico a dizer isso. Mas se se sai do pressuposto de que o texto bíblico tem que dizer o que a alma é, você chega em lugar diferente. Esse é o pressuposto bíblico.

Há um problema grave acima. De fato, nunca se pode partir de um pressuposto extrabíblico e forçar na exegese para que algo se adeque ao que a Bíblia ensina. Assim, não se deve partir da doutrina da imortalidade da alma em Platão e procurar textos na Bíblia que falem de alma imortal ou forçar textos para que pareçam com o que Platão ensinou.

No entanto, procurar o ensino da palavra alma na Bíblia e afirmar que o sentido de alma é totalmente diverso do que o platonismo ensina, como se a Bíblia não ensinasse nada com algum ponto de contato com a doutrina da alma imortal em Platão, é um erro fundamental. De fato, o sentido do termo alma na cultura grega é diferente daquele que tem alma na cultura hebraica. Mas o que a Igreja Católica ensina a respeito da alma não é platônico, mas bíblico. E o uso do termo alma, que vem mais comumente do helenismo, apenas descreve o que a Bíblia ensina sobre a parte imaterial do ser humano.

Desse modo, a imortalidade da alma é doutrina bíblica, mas não é a mesma doutrina platônico. O estudante da doutrina católica deve partir desse pressuposto para entender o catecismo.

Assim, não é simplesmente dizer que a Igreja Católica tem outras fontes de autoridade e que a Igreja Adventista somente tem a Bíblia, e que a doutrina sobre a alma vem da Bíblia somente, como se a doutrina católica sobre a alma viesse de outro pressuposto que não o bíblico.

Como afirmado acima, pode-se afirmar que o que a IASD faz é um estudo do termo nephesh na Bíblia de certa forma que encontra o conceito de que esse termo é geralmente mortal e com isso afirma que não há dualismo na Bíblia e que a alma morre.

Aqui não é o lugar para mostrar que isso não é tão simples é está equivocado. Há um livro que faz um estudo exaustivo desse tema e responde a todas as objeções e prova cabalmente que a Bíblia tem o ensino sobre a espiritualidade imortal de parte da natureza humana, a qual sobrevive na morte, o que é semelhante ao que a alma é no conceito helenístico. O livro é A imortalidade da alma não é lenda. O texto está sendo revisado para melhor apresentação do tema, mas já pode ser livro no scribd e no blog.

1º A Igreja Católica não usa a filosofia de Platão e Aristóteles para provar a alma. O uso da terminologia ou da linguagem filosófica em alguma parte da teologia católica não significa que a doutrina seja de origem alheia à Bíblia, mas que a terminologia serve de ferramenta para veicular conceitos de forma mais exata e compreensível.

Isso pode parecer chocante para o protestante adventista. E o leitor é convidado a estudar o tema. Leia o livro mencionado acima.

2º Os referenciais bíblicos usados pela IASD são como ditos acima, pois a Igreja Adventista parte do que o termo alma geralmente significa no texto bíblico original e conclui que a alma morre. No entanto, não encontra na Bíblia o que realmente a Igreja Católica fundamenta a doutrina da alma no texto bíblico, por usar um pressuposto bíblico equivocado, que não se aprofunda no sentido do texto, como faz a Igreja Católica, mas usa-se mais os termos que o texto emprega de forma geral e os compara com sentido do mesmo termo em outra cultura, o que leva a equívocos.

O livro resolve esse problema, e tantos outros, apresentando uma refutação formal sobre o tema.

E, por fim, o que o pastor diz sobre Ellen White é essencialmente o que um apologista católico responde a um apologista adventista sobre o papel da Tradição.

Vamos analisar cada afirmação e concluir a partir da mesma.

A Bíblia é suficiente. Todo protestante concorda. Disso, os protestantes concluem que não há necessidade de Ellen White para trazer testemunhos proféticos extracanônicos.

Então, o pastor afirma:

Já que a Bíblia é suficiente e nós não precisaríamos de nada nem ninguém pra desenvolver a exegese, pra dialogar sobre exegese, para poder apresentar, para ensinar, para corrigir e fazer todas as outras funções que um profeta tem pra fazer, então nós também não precisaríamos de nenhum teólogo, não precisaríamos de nenhum pastor, nós não precisaríamos de nenhum líder de igreja que gosta de estudar e fazer exegese porque no final das contas a Bíblia é suficiente

A suficiência da Bíblia não nega ou não minimiza a necessidade ou a vitalidade e a importância de um ministério profético, e num grau obviamente diferente, de um ministério pastoral, de um ministério de um teólogo...esses outros agentes usados por Deus ele têm suas respectivas funções de reforço doutrinário, de reforço de testemunho”.

Pois bem. A Tradição Apostólica é no catolicismo fonte de doutrina, onde os apóstolos ensinaram a doutrina cristã. Contudo, a Bíblia é suficiente para provar toda a doutrina, mas isso não quer dizer que minimiza a autoridade da Tradição.

A Igreja Católica também responde que se a Bíblia é suficiente para que servem a autoridade das igrejas, as tradições respectivas, os teólogos? Então, em primeiro lugar deve-se afirmar que para os demais protestantes a tradição tem papel semelhante à tradição apostólica no catolicismo, ainda que ensinem que a tradição é falível. Para os adventistas a questão que se compara aqui é sobre a autoridade de Ellen White.

De fato, aqui o pastor fazer diferenciação do dom profético com os outros ministérios que possuem grau diferente, como os pastores, os teólogos, etc. Isso é o mesmo que a Tradição é na Igreja Católica, que tem obviamente grau diferente das interpretações dos padres e dos teólogos. Algo reconhecidamente como parte da Tradição é doutrina revelada.

Ellen White não é fonte de doutrina para os adventistas, e a Tradição é fonte de doutrina para os católicos. No entanto, vemos que, conforme explicado, com as devidas qualificações, o ministério profético de Ellen White para o adventismo é comparável à autoridade da Tradição no catolicismo. De fato, sendo Ellen White considerada inspirada uma doutrina confirmada com sua autoridade se torna inquestionável pelos adventistas do sétimo dia.

 

FONTE: Vídeo. Como as doutrinas adventistas foram realmente formadas. Foi invenção profética ou exegese? (Pastor adventista Ricardo Nogarotto).


Gledson Meireles.

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