Um cristão no século primeiro, nos dias de Cristo e dos apóstolos, nos quarenta dias em que Cristo ficou na terra após a ressurreição, não tinha ainda a clareza da fé e da doutrina da Igreja como temos hoje. Também, mesmos nos anos posteriores, até o final do século primeiro.
Esse é o primeiro
princípio que o cristão católico precisa ter. Os apóstolos criam em Jesus,
criam em Sua obra de salvação, criam que Ele é o Filho de Deus, em unidade com
o Pai, e criam no Espírito Santo prometido. Criam no Pai, no Filho e no
Espírito Santo, e batizavam nesse Nome.
No entanto, se
perguntássemos a eles, e aos demais cristãos, o que é a Trindade, não saberiam
dizer, porque o termo trindade ainda não havia sido usado. Existia a realidade,
mas não o nome. De igual modo, não havia a doutrina sobre Deus toda desenvolvida.
Os apóstolos e primeiros
cristãos conheciam os familiares de Jesus. Conheciam de perto a virgem Maria, e
sabiam que Jesus era seu filho único. Por isso, na cruz ela foi entregue aos
cuidados do discípulo amado, São João apóstolo.
Assim, não tinham tido
nenhum problema quanto a esse fato, e ninguém pensava em dizer que Maria teve
outros filhos. Chamavam alguns de seus familiares próximos, criados no núcleo
familiar de Jesus, de seus irmãos e irmãs,
na língua aramaica, mas conheciam as verdadeiras relações parentescas desses
com o Senhor.
Dessa forma, se fossem
perguntados por algum desavisado se os irmãos de Jesus eram filhos de Maria,
diriam que não, obviamente, pois Ele fora filho único. Essas questões não
estavam em discussão no primeiro século.
São João recebeu Maria
em sua casa, como mãe. Esse sentimento do discípulo amado era o mesmo de todos
os demais apóstolos, que nutriam carinho especial pela mãe do Senhor. Então,
todos os cristãos tinham amor filial para com a virgem Maria.
Mas, é esperado que não
houve uma doutrina completa sobre a pessoa de Maria, já que não havia tido questionamentos
que impulsionassem o desenvolvimento nesse campo. A realidade existia, da
virgem mãe, mãe dos discípulos, e etc., mas não uma mariologia como mais tarde
foi se desenvolvendo no mesmo sentido original.
O mesmo sobre o pecado original,
a imaculada conceição, e outras doutrinas, que existiam em seu núcleo e eram
cridas, estão na Bíblia, mas não são respondidas todas as dificuldades claramente. Os cristãos criam na santidade total de
Cristo, como criam na santidade perfeita da Sua mãe Maria. No entanto, não
havia questionamentos a respeito desses temas. Sabiam que Cristo é Deus, que Maria é humana, mas não havia ainda explicação da santidade de Maria, recebida por graça, desde o nascimento, ao mesmo tempo em que todos são salvos por Cristo.
Todos criam que Jesus é
o Messias, o Cristo, o Filho de Deus, verdadeiro homem, vindo do céu, igual ao
Pai. Mas não tinham toda a doutrina da união hipostática pronta, nem esses
termos eram utilizados. Sabiam que não se podia negar que o Cristo veio na
carne, mas não tinham o repertório preparado para enfrentar objeções à doutrina
das duas naturezas de Cristo, por exemplo, pois essas questões feitas desse
modo ainda não haviam surgido.
A respeito da
justificação, também era doutrina revelada e conhecida, mas não nos termos que
vieram ser desenvolvidos mais tarde. Não poderiam dizer a exata relação entre
fé e obras, não podiam falar de justificação forense, como afirmam os
protestantes, não tinham fórmulas prontas para explicar a doutrina. No entanto,
a mesma já existia.
Se questionássemos
sobre o dia de culto cristão, saberiam que se tratava do primeiro dia da
semana, dia do Senhor, o dia em que reuniam-se para ler as Escrituras, fazer
orações, comer do Corpo e do Sangue de Jesus, como cristãos.
Mas, se colocássemos a
questão do sábado e do domingo para discussão, eles não estavam prontos a
responder com todo o desenvolvimento apologético que os cristãos católicos
possuem hoje em dia. Sabiam falar do sábado da Antiga Aliança como dia de
repouso, hoje cumpriam as muitas prescrições legais, e sabiam do dia da
ressurreição, que agora festejavam reunindo-se para cumprir o que Cristo disse:
Fazei isso em memória de mim, mas não
viam uma coisa contra a outra.
Assim, é preciso muita
cautela quando se diz que uma doutrina não existia no primeiro século e que não
está na Bíblia, porque não se encontra a mesma explícita nas Escrituras, e
também não se vê a mesma claramente defendida nos padres da Igreja no período
apostólico. Deve-se fazer a justa distinção entre o que é de fato um são
desenvolvimento e uma ruptura.
O cristão adventista
que lê as linhas acima certamente fica surpreso com o que está acompanhando e,
por certo, já entrevê objeções sérias ao que está sendo apresentado. Mas, com
calma verá que essas coisas são irrefutáveis.
Pois bem. O autor
concorda que a Reforma Protestante fragmentou a cristandade, e apresenta dados
de que há 47 mil denominações, algo que incomoda muitos apologistas
protestantes. Também afirma que a reforma foi uma verdadeira revolução
religiosa.
Enfim, sabendo que os
adventistas do sétimo dia vieram trezentos anos depois da reforma, apresenta o
livro como reflexão sobre o que une os adventistas ao movimento iniciado pelo
padre Martinho Lutero.
O primeiro capítulo é
escrito por Jean Rukowski. Nessa apresentação convidamos o leitor adventista a
refletir mais, a mergulhar em águas mais profundas, em busca da verdade.
Rukowski afirma que a
simples expressão “reforma” já indica que há algo anterior que está sendo
reformado. De fato, há a Igreja Católica. Não se trata da Igreja Ortodoxa, já
separada de Roma há algum tempo, nem de quaisquer outras igrejas orientais, que
também se afastaram da unidade eclesiásticas em 451 d. C., nem de outros grupos
heréticos que se opunham à Igreja Católica na Idade Média, como cátaros e
valdenses. Nenhum desses tantos partidos estava sendo reformado naquele
momento. A Reforma iniciou-se no seio da Igreja Católica Apostólica Romana, por
membros insatisfeitos, em sua maioria padres.
Isso já é curioso. Deus
está olhando para uma parcela importante do Seu povo. Imagine a Igreja
espalhada em toda a terra, mas a Reforma inicia-se no Ocidente, naquela Igreja
que tem a sede na cidade de Roma.
Ainda, todos criam que
aquela igreja era a mesma que vinha dos tempos apostólicos, mas que havia
abusado do seu poder, afastado da sua mensagem em vários pontos, e propunham um
retorno às origens, uma volta à piedade
da igreja apostólica, como afirma Rukowski.
Portanto, a Igreja
Católica é a Igreja verdadeira. Os adventistas dirão que muitos dos membros verdadeiros
estão no meio católico, mas que a mesma não seria a Igreja verdadeira, mas
apenas uma das igrejas, a maior, a mais importante, a mais influente. No
entanto, mesmo essa ideia é problemática, porque Deus estaria lidando com a
maior parte do seu povo em um sistema diferente daquele que seria o verdadeiro,
o que não faz o menor sentido, uma vez que o Cristianismo já tinha quase quinze
séculos de existência. Assim, a tentativa de reforma da Igreja é mais um indício
histórico da sua veracidade.
Gledson Meireles.
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