segunda-feira, 9 de março de 2026

Livro: A Reforma Protestante, uma visão adventista, Glauber Araújo, 2017.

Um cristão no século primeiro, nos dias de Cristo e dos apóstolos, nos quarenta dias em que Cristo ficou na terra após a ressurreição, não tinha ainda a clareza da fé e da doutrina da Igreja como temos hoje. Também, mesmos nos anos posteriores, até o final do século primeiro.

Esse é o primeiro princípio que o cristão católico precisa ter. Os apóstolos criam em Jesus, criam em Sua obra de salvação, criam que Ele é o Filho de Deus, em unidade com o Pai, e criam no Espírito Santo prometido. Criam no Pai, no Filho e no Espírito Santo, e batizavam nesse Nome.

No entanto, se perguntássemos a eles, e aos demais cristãos, o que é a Trindade, não saberiam dizer, porque o termo trindade ainda não havia sido usado. Existia a realidade, mas não o nome. De igual modo, não havia a doutrina sobre Deus toda desenvolvida.

Os apóstolos e primeiros cristãos conheciam os familiares de Jesus. Conheciam de perto a virgem Maria, e sabiam que Jesus era seu filho único. Por isso, na cruz ela foi entregue aos cuidados do discípulo amado, São João apóstolo.

Assim, não tinham tido nenhum problema quanto a esse fato, e ninguém pensava em dizer que Maria teve outros filhos. Chamavam alguns de seus familiares próximos, criados no núcleo familiar de Jesus, de seus irmãos e irmãs, na língua aramaica, mas conheciam as verdadeiras relações parentescas desses com o Senhor.

Dessa forma, se fossem perguntados por algum desavisado se os irmãos de Jesus eram filhos de Maria, diriam que não, obviamente, pois Ele fora filho único. Essas questões não estavam em discussão no primeiro século.

São João recebeu Maria em sua casa, como mãe. Esse sentimento do discípulo amado era o mesmo de todos os demais apóstolos, que nutriam carinho especial pela mãe do Senhor. Então, todos os cristãos tinham amor filial para com a virgem Maria.

Mas, é esperado que não houve uma doutrina completa sobre a pessoa de Maria, já que não havia tido questionamentos que impulsionassem o desenvolvimento nesse campo. A realidade existia, da virgem mãe, mãe dos discípulos, e etc., mas não uma mariologia como mais tarde foi se desenvolvendo no mesmo sentido original.

O mesmo sobre o pecado original, a imaculada conceição, e outras doutrinas, que existiam em seu núcleo e eram cridas, estão na Bíblia, mas não são respondidas todas as dificuldades claramente. Os cristãos criam na santidade total de Cristo, como criam na santidade perfeita da Sua mãe Maria. No entanto, não havia questionamentos a respeito desses temas. Sabiam que Cristo é Deus, que Maria é humana, mas não havia ainda explicação da santidade de Maria, recebida por graça, desde o nascimento, ao mesmo tempo em que todos são salvos por Cristo.

Todos criam que Jesus é o Messias, o Cristo, o Filho de Deus, verdadeiro homem, vindo do céu, igual ao Pai. Mas não tinham toda a doutrina da união hipostática pronta, nem esses termos eram utilizados. Sabiam que não se podia negar que o Cristo veio na carne, mas não tinham o repertório preparado para enfrentar objeções à doutrina das duas naturezas de Cristo, por exemplo, pois essas questões feitas desse modo ainda não haviam surgido.

A respeito da justificação, também era doutrina revelada e conhecida, mas não nos termos que vieram ser desenvolvidos mais tarde. Não poderiam dizer a exata relação entre fé e obras, não podiam falar de justificação forense, como afirmam os protestantes, não tinham fórmulas prontas para explicar a doutrina. No entanto, a mesma já existia.

Se questionássemos sobre o dia de culto cristão, saberiam que se tratava do primeiro dia da semana, dia do Senhor, o dia em que reuniam-se para ler as Escrituras, fazer orações, comer do Corpo e do Sangue de Jesus, como cristãos.

Mas, se colocássemos a questão do sábado e do domingo para discussão, eles não estavam prontos a responder com todo o desenvolvimento apologético que os cristãos católicos possuem hoje em dia. Sabiam falar do sábado da Antiga Aliança como dia de repouso, hoje cumpriam as muitas prescrições legais, e sabiam do dia da ressurreição, que agora festejavam reunindo-se para cumprir o que Cristo disse: Fazei isso em memória de mim, mas não viam uma coisa contra a outra.

Assim, é preciso muita cautela quando se diz que uma doutrina não existia no primeiro século e que não está na Bíblia, porque não se encontra a mesma explícita nas Escrituras, e também não se vê a mesma claramente defendida nos padres da Igreja no período apostólico. Deve-se fazer a justa distinção entre o que é de fato um são desenvolvimento e uma ruptura.

O cristão adventista que lê as linhas acima certamente fica surpreso com o que está acompanhando e, por certo, já entrevê objeções sérias ao que está sendo apresentado. Mas, com calma verá que essas coisas são irrefutáveis.

Pois bem. O autor concorda que a Reforma Protestante fragmentou a cristandade, e apresenta dados de que há 47 mil denominações, algo que incomoda muitos apologistas protestantes. Também afirma que a reforma foi uma verdadeira revolução religiosa.

Enfim, sabendo que os adventistas do sétimo dia vieram trezentos anos depois da reforma, apresenta o livro como reflexão sobre o que une os adventistas ao movimento iniciado pelo padre Martinho Lutero.

O primeiro capítulo é escrito por Jean Rukowski. Nessa apresentação convidamos o leitor adventista a refletir mais, a mergulhar em águas mais profundas, em busca da verdade.

Rukowski afirma que a simples expressão “reforma” já indica que há algo anterior que está sendo reformado. De fato, há a Igreja Católica. Não se trata da Igreja Ortodoxa, já separada de Roma há algum tempo, nem de quaisquer outras igrejas orientais, que também se afastaram da unidade eclesiásticas em 451 d. C., nem de outros grupos heréticos que se opunham à Igreja Católica na Idade Média, como cátaros e valdenses. Nenhum desses tantos partidos estava sendo reformado naquele momento. A Reforma iniciou-se no seio da Igreja Católica Apostólica Romana, por membros insatisfeitos, em sua maioria padres.

Isso já é curioso. Deus está olhando para uma parcela importante do Seu povo. Imagine a Igreja espalhada em toda a terra, mas a Reforma inicia-se no Ocidente, naquela Igreja que tem a sede na cidade de Roma.

Ainda, todos criam que aquela igreja era a mesma que vinha dos tempos apostólicos, mas que havia abusado do seu poder, afastado da sua mensagem em vários pontos, e propunham um retorno às origens, uma volta à piedade da igreja apostólica, como afirma Rukowski.

Portanto, a Igreja Católica é a Igreja verdadeira. Os adventistas dirão que muitos dos membros verdadeiros estão no meio católico, mas que a mesma não seria a Igreja verdadeira, mas apenas uma das igrejas, a maior, a mais importante, a mais influente. No entanto, mesmo essa ideia é problemática, porque Deus estaria lidando com a maior parte do seu povo em um sistema diferente daquele que seria o verdadeiro, o que não faz o menor sentido, uma vez que o Cristianismo já tinha quase quinze séculos de existência. Assim, a tentativa de reforma da Igreja é mais um indício histórico da sua veracidade.

Gledson Meireles.

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