Aqui segue um comentário sobre o que filósofos ateus afirmaram sobre a existência de Deus.
Filósofos ateus apelam
para a intersubjetividade para explicar a existência de Deus. Deus seria
criação da intersubjetividade.
A realidade criada pela
intersubjetividade seria uma realidade não empírica, mas real, pois produz
efeitos, tendo consequências empíricas. O ser humano viveria na objetividade,
subjetividade e intersubjetividade, e Deus estaria como criatura da
intersubjetividade.
Entretanto, Deus não
seria a estrutura da realidade no seu aspecto mais fundamental. Nesse caso,
quem seria? O ser humano, é óbvio. Seria o seguinte: os seres humanos criadores
da realidade fundamental por meio da intersubjetividade.
Então, tudo seria
criado pelo cérebro, mas não reduzido ao cérebro.
O exemplo dado, do
ponto desenhado e apagado continuar a existir, seria que o ponto desenhado constitui
apenas a representação do ponto objetivo real mas virtual, ou seja, ideal, e
não o próprio ponto. Vamos analisar esse argumento. Antes, vejamos outro. O
personagem Batman existe na realidade intersubjetiva.
Raciocinando com os
pressupostos apontados acima, quando a humanidade começou a existir, por acaso,
por variados e complexos processos evolutivos, que seguiram leis evolutivas que
teriam trazido à existência corpos complexos a partir de seres simples, não
sabendo como isso ocorreu, de que forma isso veio a ser realidade, como a existência
foi possível. Pois bem.
Nesse tempo não havia o
poder para criar as leis intersubjetivas, nem os personagens virtuais que
transcendem a matéria, pois não havia um número x de indivíduos capazes de criar essa realidade intersubjetiva.
Então não havia ética, moral, bom, belo, justiça, etc. Havia apenas a realidade
com suas leis objetivas naturais, que o ateísmo não sabe explicar de onde se
originam.
O problema é que há uma
inteligência superior por trás do surgimento da humanidade, e não sendo assim,
não há realidade. O surgimento dos dois sexos, a possibilidade de união entre
os dois para a propagação da espécie, implicando uma teleologia, e etc., já é
um obstáculo para o ateísmo.
A intersubjetividade
que cria leis e valores que transcendem os próprios indivíduos e não se reduz
ao cérebro implica a objetividade dessas leis e não a origem dela nos seres
racionais. Se elas são objetivas, não são intersubjetivas na origem. E os
filósofos citados concordam até aqui.
Na verdade os seres
apenas percebem essa realidade através da razão. Não há uma criação das leis,
mas de uma estrutura que suporta e realiza essas leis.
Um personagem fictício
que é criado pela imaginação e está na mente, na memória, e não existe
objetivamente, não é uma realidade física, nem espiritual, mas imaginária,
virtual, ainda que com ela se faça muitas coisas, e a mesma tenha consequências
empíricas na realidade, essas consequências não provem dela, mas dos seres que
a criaram na mente. Assim, essa noção não tem a ver com a verdade de Deus.
Entretanto, os personagens fictícios não são necessários para existir na mente
dos seres humanos. Deus é.
O exemplo do ponto que
foi desenhado e depois apagado. O mesmo passou a existir no desenho, deixou de
existir quando foi apagado, mas continuou a existir na memória e na sua forma
fundamental de ponto. O arquétipo do ponto da mente ou na memória não é o mesmo
que a existência do ponto em algum lugar. O ponto existe objetivamente na ideia
e veio à existência empírica no desenho.
Depois da morte de uma
pessoa, essa pode continuar existindo na memória das outras pessoas e nas suas
consequências no mundo. Isso não tem a ver com a sua existência objetiva, mas
com a existência na recordação. A sua existência na recordação de outros não é
a mesma e nem antecede sua existência empírica. Também, sua inexistência
empírica não tem a ver com uma ideia sua, que não existia antes e que agora
existe na memória de outros.
Entretanto, antes
disso, a pessoa real e empiricamente existiu. Agora, basta provar que a mesma
exista em outra realidade que transcende a física. Ao invés de apelar para a
imaginação, onde a ideia deixada na memória por uma pessoa que existiu, deve-se
utilizar a razão e estabelecer os princípios que demonstram a realidade da
pessoa existindo em seu princípio vital espiritual, que é a alma humana, após a
morte.
A existência ontológica
e intersubjetiva não é a mesma que a existência objetiva. A pessoa deixou de
existir permanecendo a alma, em sentido objetivo.
Exemplo do ponto não
pode ser usado em comparação com a existência de uma pessoa, pois se o ponto
existe idealmente e não é o que é representado graficamente por meio físico,
isso não é o que ocorre com uma pessoa, pois do contrário a sua existência
real, empírica, física, seria um reflexo da sua existência ideal, e sua
existência no mundo seria menor que a existência na ideia.
Menor por estar fadada
ao desaparecimento, enquanto a ideal seria permanente, intocável. Ou seja,
haveria uma pessoa x ideal, sem
consciência, sem estrutura alguma, sem existência real, a não ser a imaginária,
e a mesma pessoa na realidade tangente apenas representando essa idealidade, o
que é um absurdo.
Na verdade, o que se
está tentando substituir com esses raciocínios é a existência da alma, que é
parte da pessoa que sobrevive após a morte da mesma. E também a existência
ideal da pessoa na mente de Deus, antes de criá-la, e sua existência real na
alma, depois da morte. Não se trata de uma existência subjetiva, nem
intersubjetiva, mas objetiva, real, embora espiritual.
Vejamos o caso ainda
mais. Um ponto existe. Existe na ideia. Na realidade ele pode ser desenhado. Após
ser apagado, continua a existir, pois não era o próprio ponto, mas apenas a
representação do ponto.
Uma pessoa existe. Na
realidade, essa pessoa nasceu e morrerá. Após a morte, continuará a existir na
estrutura ontológica, na intersubjetividade.
Mas, o ponto existe
idealmente, e a pessoa, antes de vir à existência estava na ideia de quem?
Uma imagem da pessoa
representaria a pessoa, assim como o ponto desenhado representaria o ponto
ideal. No entanto, o ponto desenhado está na realidade como a pessoa viva, e
não a imagem daquela pessoa viva. Assim, o ponto ideal continua intacto após o
apagamento do ponto no desenho.
Em relação à pessoa,
que é real, física, empírica, após a morte nada idealmente dela está intacto,
pois nem existia. E na realidade também, nada continuou intacto, pois houve
corrupção e a alma se separou.
Isso acontece porque
não é possível que o ser contingente exista sem ter sido criado. Primeiro,
porque sem o Criador não havia ideia daquela pessoa. Segundo, porque na
realidade essa pessoa existe, está viva, e na morte deixa de existir
fisicamente. Não tendo idealidade anterior, pois não foi criada por seres
humanos, nem em suas intersubjetividades, não existe desse modo, ficando a
existir no modo criado após sua existência na intersubjetividade, na memória. A
ideia criada da mesma veio após a sua existência e não antes. Por isso, o
exemplo do ponto é bastante imperfeito.
Ainda, a ideia da
pessoa está na memória e não é uma criação intersubjetiva, mas um dado da
realidade que permaneceu gravado. Por fim, a existência intersubjetiva da
pessoa é apenas a recordação da realidade objetiva da mesma. É o mesmo que
lembrar de qualquer outra coisa, até mesmo de uma coisa imaginária. Não há
nesse ponto a explicação da realidade da pessoa em si.
Portanto, o exemplo do
ponto não é idêntico, e a intenção de provar a realidade intersubjetiva como
criação de Deus na própria intersubjetividade se mostra equívoca.
Sabemos que um fenômeno observado e não explicado,
pode ser explicado por hipóteses, já que existe algo que explique o fenômeno e
é necessário, para conhecê-lo, partir de raciocínios válidos. Esse algo
existente é necessário, por conta do efeito que é real.
Isso estaria na antropologia, sociologia, filosofia: há realidade não observáveis diretamente. Os efeitos são mensuráveis. Para explicar os efeitos observados, é possível retroativamente afirmar o que deveria ser para que o efeito exista.
Essa realidade estudada não tem realidade física, mas tem consequências na mesma, e portanto ela existe objetivamente.
Há realidades que são empíricas, mas não observáveis diretamente. Deus seria essa realidade, com seus efeitos claros, na sociedade religiosa, por exemplo. Deus não seria a estrutura da realidade no seu aspecto mais fundamental, mas é uma realidade intersubjetiva, porque faz diferença, uma diferença empírica, que depende da coletividade.
O filósofo fez tudo isso para provar que Deus não é a realidade objetiva, mas criada intersubjetivamente. No entanto, partindo da sua própria apresentação, com o rigor científico que o mesmo advoga, vejamos:
É fácil ver que o mundo é uma realidade. O mundo é um efeito. Não é razoável crer que o mundo exista desde sempre com toda a complexidade existente, com suas leis objetivas. Postular isso, é apenas uma afirmação, sem prova racional, o que não é nada filosófico.
O mundo, portanto, é o efeito. Para explicar o mundo há que retroativamente encontrar o que poderia tê-lo feito vir à existência. Essa realidade que, não é empírica no sentido material, pode ser conhecida pelos seus efeitos, no mundo que existe. Essa realidade é Deus.
O filósofo parte de outro pressuposto. De fato, olha para a intersubjetividade e vê os efeitos da humanidade no mundo realizados a partir da ideia de Deus e conclui que Deus passou a existir dessa ação intersubjetiva. Mas não explicou a origem da própria humanidade, como feito acima, onde há explicação de toda a criação.
Com isso, se tenta provar a realidade de Deus que transcende a individualidade e subjetividade, ao mesmo tempo que provoca efeitos empíricos no mundo. Tenta-se com isso entender o que é do espírito agindo na realidade empírica.
O problema é que o raciocínio parte do dogma de que o cérebro produz tudo, ainda que reconhecendo que a criação intersubjetiva supera os limites das ideias criadas pelo cérebro. Como pode algo produzido humanamente superar os limites das individualidades humanas, se isso não for espiritual?
Deus seria, de algum modo, independente do ser humano, ao menos subjetivamente, mas estaria acima do controle da mente subjetiva e agiria no mundo material por meio da ação da coletividade humana. Com isso, tem-se a ideia do poder de Deus e de sua ação no mundo. Apenas os meios usados para estabelece-las são errôneos.
Entretanto, esses lampejos da verdade estão no meio de uma estrutura frágil e equivocada de pensamento, pois pressupõe que a humanidade tenha sido originada pela força do acaso, quando na verdade essa mesma realidade humana deve entrar no problema da busca da sua origem. E essa origem, como mostrado acima, é Deus.
Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=srYsJuPoQzk.
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