sábado, 15 de fevereiro de 2025

Refutação do artigo do pastor Thomas sobre o termo irmãos em Marcos 6, 3

 Refutação do artigo do pastor Thomas Lopes: A importância do contexto na interpretação bíblica: uma análise do uso de adelphós em Marcos 6, 3

            A Igreja Católica em sua experiência apologética de dois milênios já afirmou várias vezes que as heresias surgem de interpretações mal feitas. Textos tirados dos seus contextos. Agora, os protestantes costumam afirmar o mesmo contra a própria Igreja, o que dá ares de sabedoria. Todos os apologistas acusam os oponentes de estarem fazendo eisegese e de estarem interpretando um texto fora do seu respectivo contexto. Portanto, tal coisa não é novidade.

            O pastor adventista Thomas Lopes escreveu um artigo onde analisa o uso do termo adelphos (irmão) no texto evangélico de Marcos 6, 3. O presente estudo irá lidar com artigo mencionado.

            Simplesmente falando, é patente que a Igreja Católica interpreta a Bíblia usando a mais rigorosa hermenêutica. Cada texto é lido segundo o contexto imediato e amplo, e dentro de toda a tradição cristã. Desse modo, a passagem de Marcos 6, 3 é muito conhecida pelos cristãos católicos. Diga-se de passagem que a interpretação é a mesma em todas as igrejas antigas, católica e igrejas orientais, mesmo as que se separaram da Igreja Católica no Concílio de Calcedônia.

            Em primeiro lugar, a Igreja apostólica conheceu Jesus e os apostólicos. Todos sabiam que Jesus era filho único de Maria, e que Seus parentes mais próximos, que viviam naquele clã judaico, chamados de irmãos, não eram filhos de Maria. Certamente os mais próximos conheciam essa realidade. Esse dado apostólico não foi questão de divergência durante séculos. A primeira vez que a virgindade de Maria foi atacada de forma importante, se deu no século quarto. Outros ataques à sua dignidade já haviam sido feitos pelos adversários da Igreja. Eis que agora até mesmo cristãos adotavam interpretações que negavam fatos da vida de Jesus e Maria.

Assim, muitos negavam a ressurreição. Outros negavam a concepção virginal. Agora passavam a negar a virgindade perpétua. É certo que escritores antigos tentaram interpretar textos referentes a irmãos de Jesus no sentido em que negavam a virgindade de Maria pós-parto. Nesse sentido Tertuliano parece ter-se equivocado, por motivos alheios, embora isso não fosse novidade, já que o prolífico escritor se equivocou outras vezes em outros assuntos doutrinais. Mas ainda assim, Tertuliano não atacou a verdade da virgindade de Maria.

Muitas vezes os intérpretes protestantes usam um literalismo que foge da literalidade católica, causando muitas leituras errôneas e heresias perniciosas.  Ler um texto bíblico literalmente é aceitar o que o mesmo diz em palavras simples e naturais. Não se trata de escolher termos na frase, mas seguir o sentido inteiro da sentença. Muitas vezes os protestantes usam de literalismo, fazendo que um termo mude o sentido da frase.

Assim fazem teólogos do calvinismo e do dispensacionalismo. Leem literalmente palavras em frases causando erro no próprio contexto imediato, por frisarem demasiadamente um sentido ligado a certo termo.

É assim que os dispensacionalistas leem Apocalipse 4, onde São João é chamado a ir ao céu, e interpretam a passagem como significando o “arrebatamento” da Igreja, embora o texto e o contexto geral não indique essa leitura. E ainda, ignoram o fato do contexto bíblico amplo negar tal doutrina.

Também quando em Efésios 3, 5 é afirmado que a inclusão dos gentios não foi revelada nos tempos antigos como foi no Novo Testamento. O texto afirma: como agora, ou seja, como foi revelada agora na nova aliança.

O dispensacionalismo entende que a doutrina não foi revelada antes, de modo algum, mas somente agora, embora os textos no Antigo Testamento tenham diversas vezes tratado dessa doutrina, onde judeus e gentios adorariam a Deus como mesmo Povo.

E assim outras interpretações literalistas que não leem a passagem literalmente, mas apegam-se a uma ou outra característica de termos, e não entendem o que a passagem ensina. Dessa forma, a questão do contexto deve ser bem entendida.

A interpretação de que Marcos 6, 3 não pode se referir a irmãos biológicos de Jesus porque 1 Coríntios 15, 6 usa o termo como irmãos na fé não é base para a doutrina católica. Não se trata de um argumento importante. Talvez tenha sido usado por apologistas católicos, mas tal argumento não faz parte do principal em toda a questão. De fato, palavras podem ter diferentes sentidos a depender do contexto.

No contexto imediato do texto de Marcos 6, 3 os contemporâneos e conterrâneos de Jesus, os habitantes de Nazaré, não creem nEle e mencionam Sua origem natural. Literalmente o texto afirma que Jesus é o Carpinteiro, o Filho de Maria, e irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão, e que possuem irmãs.

Em Mateus 13, 55 temos que Jesus é o Filho do carpinteiro, que Maria é Sua mãe, e Seus irmãos são Tiago, José, Simão e Judas.

Literalmente, sem pensar no contexto bíblico geral, o texto está afirmando que Jesus é Filho de José e Maria e tem vários irmãos. No contexto maior, não nos parágrafos próximos, mas tendo a doutrina bíblica geral, sabemos que a filiação de Jesus em relação a José não é natural. Apenas em relação a Maria. Jesus é filho biológico somente da virgem Maria.

Assim, o texto precisou de algo mais, de outras passagens bíblicas, para ser entendido. O mesmo deve ser feito com relação aos irmãos e irmãs. Serão eles filhos de Maria e de José? Ou somente de José de um casamento anterior? Devemos pensar nessa questão.

No contexto histórico e cultural o termo irmão, como usado entre os judeus, significava outros graus de parentesco também. Portanto, a leitura do termo em si não indica que eles são filhos de Maria. Essa é a primeira constatação que deve ser feita.

Ainda, os evangelistas escreviam em grego e ao citarem as palavras ditas pelo povo de Nazaré, traduziam como foram pronunciados os termos. E com certeza eles usaram a palavra irmãos.

Assim, empregando o termo irmão, que foi dito em aramaico, certamente, os evangelista traduziram para o grego adelphoi. Essa interpretação está conforme o contexto imediato, geral, e histórico-cultural, segundo a sociedade judaica.

E quanto ao contexto teológico-bíblico, é certo que Maria era virgem quando concebeu Jesus. É certo também que permaneceu virgem durante toda a sua gestação. E quanto ao futuro, após o nascimento de Jesus, a Escritura não traz qualquer indício de que isso tenha mudando, já que as expressões usadas para especular tal fato estão no contexto histórico-cultural da época e muitas vezes são entendidos de forma literal, pelos protestantes,  causando erro, e são lidos segundo a cultura de outra época, resultando em um anacronismo.

Assim, para compreender o fato de que Maria não teve outros filhos é certo que a interpretação está conforme a mais rigorosa exegese. A intenção daquele povo ao citar a família de Jesus era frisar sua humanidade. Queriam negar sua origem celestial.

É certo que não sabiam que Maria gerou Jesus pelo poder do Espírito Santo. Ainda, ao citar irmãos e irmãs de Jesus, o fato permanece, pois a linguagem é comum a outros graus de parentesco. Desse modo, o texto irmãos está se referindo a relações consanguíneas, mas o sentido que traz é o de parentes. Jesus tinha irmãos provenientes do mesmo clã judaico, mas não filhos de Maria. A Bíblia sugere que Maria não teve outros filhos, sendo comprovado pela correta exegese, e esclarecido pela tradição.

O pastor cita o Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature (Bauer et al., 2000, p. 17), onde afirma que adelphos significa também primo. Portanto, o que foi posto acima está correto e admitido pelo autor do artigo nesse pormenor.

A afirmação de Wayne Grudem é mais ampla. No entanto, não refuta a questão do sentido de Marcos 6, 3, pois ali não há uso figurado, mas o uso normal do termo previsto na cultura judaica. O contexto mostra que o termo é usado para significar laços de sangue. E como o termo pode significar irmãos e primos, é preciso esclarecer qual o sentido do termo naquela passagem. É certíssimo que não se trata de sentido figurado. E é certíssimo também de que se tratam de parentes próximos.

Entretanto, há boas evidências de que Jesus é filho único. Ele é chamado de “O” carpinteiro, sugerindo ser um carpinteiro bastante famoso na região, a exemplo de São José. De fato, São Mateus afirma que Ele é o filho do carpinteiro, usando o artigo definido no original grego nesses exemplos. Jesus é o carpinteiro, o filho do carpinteiro, o filho de Maria. Tais especificidades mostram que a leitura natural é de que Jesus é filho único de Maria. Não se trata de um argumento isolado, mas lido em contexto fica claro o sentido de que esssa expressão favorece o fato de que Jesus é filho único.

Afirmar que o mais provável é que o termo irmãos signifique em Marcos 6, 3 “irmãos biológicos” não é suficiente. É biológico no sentido de parentesco familiar. Não no sentido de nascido da mesma mãe. Assim também como não o é afirmar que José é pai biológico de Jesus lendo apenas esse versículo. Certamente o leitor entendeu: o texto afirma que Jesus é filho de José, mas sabemos que essa filiação é adotiva. Jesus tem irmãos, mas sabemos que esses não são filhos de Maria. O texto necessita de outras passagens para tornar certa a interpretação.

O termo não é usado em Marcos 6, 3 como irmãos espirituais. Isso é pacífico na doutrina católica.

Quanto às irmãs, o texto fala de todas as irmãs, indicando um número grande de pessoas. Não parece falar de duas ou três apenas, como observava São Jerônimo. Assim, é mais um indicativo de que se trata de parentes próximos de Jesus. São sinais no texto que favorecem a leitura de que se trata de parentes próximos.

O contexto imediato usa o termo irmãos. E isso não requer que sejam filhos de Maria.  Isso é um fato. Da mesma forma não requer que Jesus seja filho biológico de José. Isso já foi explicado acima.

Assim, a leitura natural de que irmãos se referem a parentes de Jesus é certa. Não é provável que sejam filhos de Maria.

A tradição apostólica fornece a base para o fato certo de que Maria não teve outros filhos. Assim, quando houve negação dessa realidade surgiram controvérsias sérias, e a defesa da virgindade de Maria mostrou-se ser uma realidade passada pela tradição dos apóstolos. Desse modo, a Bíblia não tem nada que contrarie essa doutrina.

Há artigos no blog que deixam clara a questão relativa aos irmãos de Jesus, com sólida argumentação bíblica.

Se Tiago era primo do Senhor (chamado na língua aramaica/hebraica de irmão do Senhor, e traduzido assim na tradição, mesmo por todos os que creem na virgindade de Maria), isso é fato suficiente para mostrar sua notoriedade na Igreja primitiva. Ser parente de Jesus explica essa situação. Ele era apóstolo, do grupo dos doze, sempre citado para identificar sua mãe, que era também chamada Maria.

A leitura natural do texto não exige que os irmãos de Jesus sejam filhos de Maria. Os leitores do grego antigo nunca afirmaram isso. O termo literalmente também comporta o sentido de primo. Esses são três fatos, e contra fatos não há argumentos. Então, não há necessidade alguma de mudança de termo, mas apenas o estudo para o entendimento da exata relação de parentesco que o mesmo indica em Marcos 6, 3.

Essa argumentação de que negar que Jesus teve irmãos biológicos pode levar a um afastamento da leitura natural do texto bíblico, com base na leitura do termo irmãos, contradiz o que foi dito, pois exige que o mesmo seja entendido em único sentido, o de filhos de mesma mãe. É uma argumentação errônea. O termo irmãos permite outra leitura, como provado.

A interpretação de Marcos 6, 3 onde irmãos são parentes/primos é a mais antiga. Não se trata de reinterpretação. Mesmo os cristãos orientais falantes do grego sempre creram na virgindade perpétua de Maria.  A análise linguística prova que Jesus foi filho único de Maria. Também a tradição mais antiga.

A interpretação mais nova, pós-reforma, apresenta problemas enormes, em todas as esferas mencionadas, e é facilmente refutada, como já mostrado no presente estudo. Aliás, os reformadores protestantes criam na virgindade perpétua.


Conclusão


A interpretação católica é pautada nos mais rigorosos princípios hermenêuticos.

A interpretação de Marcos 6, 3 onde “irmãos” significa “primos” está conforme o contexto bíblico geral.

O léxico grego prova que o termo literalmente pode significar irmão ou primo, sendo ambos os significados biológicos.

A exegese não se subordina à tradição teológica. Os mais antigos documentos que tratam do tema mostram que Jesus é filho único de Maria. Santo Epifânio, que fala do assunto expressamente, afirma que pensar o contrário é uma blasfêmia.

É absurdo supor que os intérpretes de todos os tempos na Igreja não souberam entender o sentido exato de irmãos em Marcos 6, 3.

Para identificar os chamados irmãos de Jesus é feita uma exegese cuidadosa, e o resultado confirma a tradição. Portanto, a leitura protestante moderna nega fatos e desobedece princípios hermenêuticos, como mostrado no estudo.

O texto de Marcos 6, 3 lido em seu contexto histórico demonstra que o termo irmãos também significa primos. O contexto literário também comprova essa realidade. O contexto teológico mostra que a virgindade de Maria é a forma mais natural para provar a origem divina de Jesus. Assim, chegamos à intenção original dos autores inspirados.

Que o leitor cresça no conhecimento de Jesus Cristo e da Sua Palavra.

Gledson Meireles.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

Refutação do artigo do pastor Thomas sobre o purgatório

 Refutação do artigo do pastor adventista Thomas:

Orígenes e a Influência do Platonismo na Doutrina do Purgatório: Uma Análise da Eisegese Filosófica na Patrística

            É verdade que a doutrina toda desenvolvida, em sua definição final, não aparece explicitamente na Bíblia. Mas está implicitamente. E quando o cristão estuda a Escritura com profundidade essa doutrina se torna clara para ele. Não espere o leitor encontrar qualquer doutrina explicitamente na Escritura. Um adventista não encontra a doutrina do juízo pré-advento na Escritura desenvolvida explicitamente, mas crê que essa está na Bíblia. Então, é preciso cautela no estudo.

            Não foram as interpretações alegóricas e especulativas que fizeram os teólogos para tentar justificar o purgatório. Os meios de explicação da doutrina não são o mesmo que a própria doutrina. Essa está na Bíblia, e nem sempre as formas de expor uma doutrina são corretas em todos os teólogos. Há escritores que cometeram enganos e foram inexatos em suas exposições. Nem por isso a doutrina que defendiam estava errada, mas apenas os meios que usaram para expor a mesma não eram os melhores.

            Como já vimos, foram Tertuliano (160-240), São Cipriano (210-258) e São Clemente de Alexandria (150-215) os grandes autores que expuseram as bases da doutrina do purgatório na antiguidade. Orígenes (182-254) também expôs a doutrina. Assim, é patente que a mesma não foi invenção de Orígenes nem influência pagã, mas uma doutrina cristã exposta na linguagem do grande teólogo do terceiro século. Orígenes não foi canonizado, sua doutrina apresenta erros em vários aspectos, mas quanto ao purgatório ele está de acordo com a Bíblia e a Tradição, como se pode perceber.

            Não é possível afirmar que Orígenes cria na purificação das almas e somente depois é que tentou explicar sua visão através da passagem de 1 Cor 3, 11-15. Outros escritores cristãos explicam a passagem da mesma forma, expondo a mesma doutrina. Desse modo, São Cipriano explica o purgatório de forma cristã, não tendo sua linguagem nada que pudesse supor um empréstimo pagão para a exposição, e muito menos para o próprio tema em questão.

            Teólogos profundos como Joseph Ratzinger mostram que a doutrina do purgatório é eminentemente bíblica. Os que se apegam à tal “influência” do paganismo estão equivocados e supõem a tese por meio da linguagem que encontram em muitos escritores antigos, como se os mesmos estivessem expondo uma doutrina de outra fonte que não a Bíblia. No entanto, os padres da Igreja sempre partem da exposição do texto revelado e não tentam ensinar doutrinas filosóficas.

            Se Orígenes foi mais sistemático na doutrina do purgatório, isso não desfaz o que foi exposto acima. A opinião e Alister McGraph é incorreta. Os autores antigos não moldavam as discussões pelo pensamento platônico nem reinterpretavam a estrutura pagã em contexto cristão como se o elemento em questão fosse alheio à Bíblia. É justamente o contrário: eles expunham a doutrina bíblica muitas vezes em linguagem platônica.

            Philip Schaf afirma que os padres da Igreja foram influenciados pelo platonismo e outras filosofias. No entanto, uma acurada pesquisa demonstra que os padres estavam explicando a Escritura e muitas vezes usavam moldes de pensamento da cultura do seu tempo.

              Lendo a Bíblia, se o adventista não crê na alma imortal, deverá crer que no Dia do Juízo os ressuscitados salvos passarão por essa prova, que o texto de 1 Cor 3, 11-15 alude. Então, alguns passagem ilesos e outros não. Esses perderão o galardão sofrendo detrimento. É algo que ocorre após morte e ressurreição nesse caso. Assim, é preciso perceber que a morte não pôs toda a questão em ordem, já que no juízo muitos dos salvos têm suas obras “queimadas”. É preciso entender bem o que isso significa.

            O que foi explicado acima, e provado em outro texto a partir da citação de Joseph Ratzinger, também está na citação que o pastor Thomas faz de J. N. D. Kelly. O mesmo afirma que: 1º - A oração pelos mortos e 2º - a purificação post-mortem eram crenças dos judeus. Primeiro ponto provado.

            Ele afirma que o “desenvolvimento teológico” é que foi influenciado “por categorias platônicas”. Isso significa que a forma de expor o conceito usou meios filosóficos. Isso não quer dizer que o conceito tenha vindo do platonismo, pois não veio, já que a Bíblia afirma a mesma realidade. Ainda: os autores citados concordam que essas duas crenças possuem “raízes judaicas”. Crendo ou não o adventista nessa afirmação, é um fato de que os estudiosos o afirmam. Dessa forma, tendo uma passagem bíblica que não é bem entendida entre os protestantes e as afirmações dos grandes teólogos e estudiosos sobre o tema provando que a origem judaica, está refutado o argumento do pastor Thomas.

            Do contrário, o mesmo deve provar que a crença na possibilidade de auxiliar os mortos e da purificação não é encontrada entre os judeus. Deve provar também que os eruditos, como Ratzinger e J.N.D. Kelly afirmam que a origem da doutrina é pagã. Como visto, está refutado.

            Como já mostra nos Estudo sobre o purgatório, publicado no blog, a doutrina é bíblica. Há refutação de todas as objeções.

Os protestantes devem repensar sua ideia de que "obras" são queimadas, o que torna essas obras algo literal que passa pelo fogo literal. É o erro que cometem ao ler a Escritura nessa passagem.

            Assim, o texto de 1 Coríntios 3, 11-15 contem elementos certos para a formulação do purgatório:

- o texto traz uma metáfora obras matérias de diversas qualidades indicam as obras praticadas sobre o fundamento que é Jesus Cristo.

- todos os que constroem sobre Jesus são salvos.

- os salvos praticam obras.

- essas obras podem ser de qualidade (ouro, prata, pedras preciosas). Essa linguagem é metafórica e espiritual. São as boas obras.

- também as obras podem ser de má qualidade: madeira, feno, palha. Diante de Deus o que não passa é por ser pecaminoso. Essas obras que não passam no fogo, mas são destruídas são pecados.

- há a imagem de um fogo que testará as obras.

- as obras não existem em si mesmas, mas são aquilo que foi praticado pelo fiel.

- o fogo que purifica as boas obras e destrói as obras imperfeitas, que são pecados, é uma imagem da purificação do salvo.

- Então, o salvo que teve obras destruídas sofre no juízo. Essa conclusão é bíblica e há maiores implicações para a formulação da doutrina do purgatório.

Gledson Meireles.