Vamos refletir.
No
presente estudo será demonstrada a veracidade do Cristianismo. As ferramentas usadas serão apenas a razão e
a lógica. A razão é a capacidade humana de pensar, com leis intrínsecas que
mostram o funcionamento normal do intelecto. Pela razão compreendemos e
julgamos proposições. Na lógica operamos na razão com um sistema de regras para
construir pensamentos válidos.
Pois
bem. O Cristianismo é uma religião. Sendo assim, é algo espiritual, revelado
por Deus, superando a razão em suas proposições e ensinos. No entanto, a
investigação que será feita partirá da razão, para fundamentar a religião
cristã, não apelando para a revelação divina, embora os temas estejam
interligados.
Olhando
para a realidade humana, vemos que todos os povos são naturalmente religiosos.
Há religiões de todas as espécies, mas o fato comum é que o homem tende a
conceber o conceito de espiritualidade. É um fato que a religião é parte da
vida humana.
Sendo
assim, é uma conclusão pobre afirmar que a religião é apenas fruto da mente
humana, uma criação como a arte, a cultura e a sociedade, como se nela não
houvesse algo sobrenatural. A razão indica que o fenômeno religioso está
intrinsecamente radicado em ditames raciocinais. Os ensinamentos da religião em
si ou de cada religião está em outro escopo a ser considerado. Basicamente
temos que a religião é algo compatível com a racionalidade. E mais, ela segue a
razão embora seu desenvolvimento seja a partir daí independente, no campo da
fé. Agora fazemos apenas uma investigação racional.
O
filósofo ateus Matheus Benites se pôs a analisar o Cristianismo em cinco
proposições cristãs essenciais, a saber:
Deus
é trino, maximamente amoroso, onipotente, onisciente e autoexistente.
Jesus
é a primeira pessoa da trindade, nasceu de uma mãe virgem, morreu e ressuscitou
pelos nossos pecados, prometendo uma segunda vinda.
O
pecado original e a queda do homem.
A
revelação pelas Sagradas Escrituras, a Bíblia é a Palavra revelada, seus
escritos são inspirados.
Os
milagres, são intervenções de Deus no curso da história.
Essas
ideias são sujeitas a serem verdadeiras ou falsas assim como as ideias
filosóficas. Então, ainda que estejam no campo da fé as proposições doutrinais,
elas são compreensíveis pela mente humana, e a razão pode analisá-las. Como
dito acima, o mundo está cheio de religiões, e em cada uma delas há um corpo
doutrinal. O cristianismo é uma das maiores religiões do mundo, e por suas
proposições sabemos se tratar da verdadeira religião, por sua verdade e
conformidade com a realidade. É o que será provado.
A
razão é a ferramenta básica para buscar a verdade. Encontramos Deus ao
verificar suas obras na natureza, às quais falam à inteligência (cf. Rm 1,19).
Assim, a fé está em concordância e relação íntima com a razão. A partir da
razão alcançamos coisas espirituais. A fé é o avanço nessas coisas. A razão é o
toque nesse sistema espiritual, a chegada aos umbrais da fé. Desse modo, o
filósofo sem a fé terá apenas a razão para fazer esse escrutínio. Mas isso é o
suficiente para levá-lo a progredir em sua natureza humana que exige mais que a
pura razão e suas proposições para uma vida integral.
Deus é trino, maximamente amoroso,
onipotente, onisciente e autoexistente.
Quando
analisamos essa proposição é praticamente impossível imaginar um Deus em três
pessoas. Não é irracional, mas escondido da razão. É compreensível, mas não
claro. Há um Deus eterno e todo-poderoso, mas nesse Deus, a sua natureza, não é
cabalmente revelada à luz da razão pura.
Vendo
a Sagrada Escritura apresentado Jesus, e o Cristianismo propondo que Ele é
Deus, em Sua segunda Pessoa, temos algo adicional ao conhecimento racional.
Existe um Deus, mas Ele não é uma pessoa somente, mas três.
Em
Mateus 27, 46 lemos Jesus gritando: Meus
Deus, meus Deus, por que me abandonaste? Ali temos que Jesus fala com Deus.
Então, à primeira vista, é lógico que Ele não é a pessoa de Deus com quem Ele
está falando. Ele é outro. Essa constatação está de acordo com a proposição
cristã de que Deus tem pessoas em si. Jesus é a segunda. Então o “meu Deus” de
Jesus é referente ao Pai, como Ele o diz: Eu e o Pai somos um (João 10, 30).
Essa constatação mostra que a ideia cristã concorda com essa cena de Jesus
falando com Deus e mostrando sua intimidade com Ele.
Assim,
Jesus é de fato outro, explicado na teologia como Pessoa, mas é ao mesmo tempo um como o Pai, formando dois em
estreitíssima relação.
A
razão indica a existência de Deus e exige que haja um só Deus todo-poderoso, no
final das contas. E a fé cristã advoga essa unidade de Deus, afirmando que
realmente se trata de um só, mas em sua doutrina revela que em Deus há uma
sociedade de pessoas. Aliás, vem daí o senso social do homem, inato e natural,
mas com essa explicação da fé que segue a reta razão.
Eis
que olhando para o Antigo Testamento e o comparando ao Novo Testamento há
percepção de uma diferente atitude de Deus em relação ao povo. Como o cristão
dissidente Marcião afirmava que havia dois deuses, e que o Deus do Antigo
Testamento era mau. Essa divergência cristã é aceita por muitos, inclusive é
utilizada pelos ateus para negar a existência de Deus, pois aquele Deus parece
não ter a bondade exigida pela natureza de Deus como Sumo bem.
No
entanto, o próprio povo judeu, que serve a Deus no Antigo Testamento, entende,
percebe, e aceita a bondade de Deus. Por exemplo, Salmos 33, 5: Ele ama a
justiça e o juízo, a terra está cheia da bondade do Senhor. Portanto, ver em
certos atos de Deus uma maldade é uma opinião, uma perspectiva, uma
parcialidade. Deus é muito mais que certas atitudes aparentemente más. A água é
H2O, quimicamente, e só isso? Não, a água é o berço da vida, um recurso
fundamental para a manutenção da vida, um elemento sagrado nas religiões. A
mesma coisa vista sob diferentes pontos de vista. O cientista observando a
matéria dos elementos H2O, as religiões lendo e ensinamento a importância da
água para a santificação, usando sua simbologia para avivar a fé, a medicina
tratando da água para mostrar sua importância para a manutenção da saúde. Não
se deve parar na análise científica, assim como não se pode ficar apenas em sua
simbologia religiosa, nem restringir o conhecimento apenas do ponto de vista
medicinal, mas tudo enriquece o conhecimento.
Pois
bem. É claro que o povo de Deus o via como Deus bom. Marcião teve outra
opinião. Os ateus seguem muito de Marcião.
Deus
deu mandamentos para apedrejar homossexuais, os que não guardavam o sábado, os
filhos desobedientes, etc., não condenou a escravidão e a tolerou e endossou em
casos de escravos estrangeiros e mandou cometer genocídios contra outros povos.
Essas passagens terríveis são usadas contra a revelação, contra o Cristianismo.
Em
primeiro lugar, elas atestam a condição sócio-cultural-religiosa na
antiguidade. Israel era o povo menos dado a tais excessos, embora os tenha
cometido. É um ponto a favor da grandeza de Deus no meio daquele povo, tão
ínfimo e tão desenvolvido moralmente. É patente o crescimento moral do povo do
Antigo Testamento. Essa constatação condiz com a ideia de que a relação
espiritual com o Deus bom santifica e faz bem.
Mas,
por que Deus não exprimiu-se de modo a satisfazer as exigências morais mais
elevadas e desenvolvidas como, por exemplo, a que temos no século 21? Por que
não encontrou outros meios para libertar o povo a não ser mandando guerrear e
cometer atrocidades inimagináveis?
De
fato, são coisas que causam aversão, repulsa e repugnação. Mas, vemos Deus
odiar o divórcio, em passagem explícita, mas ao mesmo tempo tolerou e endossou
o divórcio por muito tempo na antiga lei. Ele levou o povo por uma pedagogia
sábia, embora não muitas vezes claras e fáceis de explicar para a mente
moderna. Isso significa que as atrocidades ali vistas no Antigo Testamento
também não estão relacionadas à vontade de Deus nem contrariam sua bondade
permanente, mas foram males menores permitidos para atingir determinados fins.
Assim, as pragas do Egito sobre uma sociedade opressora foi o único meio para a
libertação dos hebreus escravizados. Não tinham exército, foram auxiliados
milagrosamente, fugiram do país. Tudo muito bem compreensível.
Do
ponto de vista puramente racional, vemos um povo de fé, na prática da sua
religião, sendo ajudando pelo Deus a quem serve, usando de meios possíveis e de
intervenções milagrosas para atingir o objetivo, que é sempre o bem. A
libertação, a formação de uma sociedade feliz que serve a Deus. É o que diz o
texto da Escritura.
Mas
a hostilidade do mundo, os pecados da humanidade, as traições, os assassinatos,
o mal natural, como enchentes, incêndios, rios, tempestades, etc., não seriam
melhor explicadas pelo naturalismo que concebe forças e causas puramente
impessoais? Não.
Em
primeiro lugar essa é a constatação empírica e o entendimento racional da
situação do mundo que está inteiramente conforme a fé revelada. Nenhuma dessas
coisas depõem contra a existência de Deus e contra a veracidade da religião
cristã. Pelo contrário, as causas naturais existem devido a uma fonte todo
poderosa e funcionam segundo leis bastante rígidas e as intempéries são
certamente reações naturais para intervenções feitas no funcionamento original
do universo. O mau moral e o mal natural causam reações de diversas naturezas.
O
que tudo isso indica é que essas forças possuem uma origem, essas leis precisam
ter sido criadas. Essa exigência racional não é apenas um costume ou fraqueza,
mas obedece ao sistema da lógica. Ordem, beleza, leis naturais, ditames morais,
e etc., apontam para uma Inteligência poderosa que deu a elas existência e não
à noção de que as mesmas são assim naturalmente e autoexistentes. A mente humana
reconhece sua limitação e debilidade muitas vezes.
Como
as leis impessoais existiriam, como a moralidade tão concebivelmente elevada
teria origem por si mesma, refletindo uma perfeição ou alto grau de organização
que necessitaria de uma inteligência superior para entendê-la e uma força maior
para segui-la e criar uma sociedade perfeita, por assim dizer, se para isso é
exigido que uma Inteligência tenha disposto tais realidades para funcionarem
assim? É claro que pode haver problemas na realidade natural assim como o há na
realidade racional por motivos extrínsecos a cada uma causando males, erros de
funcionamento, hostilidades e etc. É o mal no mundo explicado naturalmente e
indicando racionalmente sua origem espiritual. A razão exige tudo isso.
Assim,
o ateu não ficaria incomodado ao notar todas as coisas na terra se o senso de
justiça, que supõe uma justiça perfeita, não o afetasse. Ainda, a indignação
contra os males naturais e morais suspiram por uma solução. Racionalmente
falando, o ser deseja que as coisas não fossem assim. Antes, deseja mais, que
as mesmas não sejam assim. De onde vem tal desejo de todos? Dessa forma, na
razão há indicação da existência de Deus todo-poderoso, capaz de criar, origem
de toda a criação, e bom e justo para dar uma solução da tudo isso. São ditames
racionais.
Quando
se para nas explicações naturais o filósofo ateu aceita as contradições do seu
pensamento e abre mão do desejo que existe na razão para a solução de todos os
males.
É
uma busca de melhorar a sua consciência na crença de que tudo é naturalmente
assim, e não há o que fazer quanto à maior parte do que existe, e não haverá
forma de justiça para toda o mal praticado pela humanidade em geral, nem
para todo o mal natural. Trata-se de uma
opinião limitada e limitante da força da razão, suspendendo julgamentos e
exigências da razão, colocando de lado pensamentos lógicos e se satisfazendo
com a perspectiva natural irracional. Não se trata de escolher entre Deus e a
natureza para explicar a realidade, mas quando se escolhe a natureza, os
problemas descritos acima surgem e são contrários a sã razão.
A
hostilidade e falta de harmonia muitas vezes encontrada na natureza é usada
como argumento de que um Deus bom e todo-poderoso não poderia ser criado o
munod assim e, portanto, tudo não passa de algo natural que surgiu
espontaneamente em razão alguma nem propósito algum. Essa posição possui
lacunas e contraria a própria razão, e portanto deve ser rejeitada.
A
teoria da evolução é aceita pelo filósofo como fato. No entanto, ainda não é
totalmente provada e um consenso dos mais renomados cientistas. A Igreja
Católica não se opõe radicalmente à teoria da evolução, desde que a mesma seja
de fato científica, e, sendo assim, estará conforme os dados revelados.
Mas
o filósofo utiliza da evolução como prova de que Deus inteligente, sábio e bom
não poderia ter criado o mundo assim, pelo sofrimento de milhões de anos das
espécies em evolução e etc.
Nesse
argumento fica subentendido que há algo racional contrário a certas explicações
naturais evolucionistas. Ainda, sendo a teoria provada falsa, o argumento cai e
será mais uma evidência da criação não-evolucionista, diríamos, já que mesmo na
evolução se for real foi de fato Deus que dirigiu todo o processo, mas caso não
seja e evolução a teoria correta, o argumento evidencia mais a Deus contra a
objeção formulada.
Deus
poderia ter criador outros métodos que não a predação, como o marimbondo citado
que destrói uma colmeia inteira. Mas eis que na ciência atual é estudado tal
caso e dele são tiradas lições. Não será isso mesmo o propósito divino ao
mostrar ao homem os efeitos do pecado em toda a terra? Não é o exemplo de algo
que suscita indignação da mente que procura o bem e a justiça? Assim, volta-se
a pensar que se tal coisa é puramente natural, fruto de processo irracional e
não tem nenhum fim, é uma lástima pensar nesse sofrimento de espécies sem
finalidade alguma. Mas, uma vez admitindo-se Deus, tudo ganha sentido.
Ainda,
o pensamento de que Deus deveria ter outros métodos para dirigir a natureza e
criar situações diferentes que evitassem tais deformidades, é uma opinião
indignada, válida, por sinal, mas apenas reflete a moralidade que temos diante
das injustiças, e tal modo de pensar específico pode ser diferente quando se
considera outros fatos na natureza e no mundo criado. Tais processos racionais
são plausíveis mas nenhum substancia um argumento contra Deus.
Da
mesma forma que a imperfeição encontrada na natureza serve de argumento contra
a existência de Deus, anseio por justiça e harmonia no mundo, que só pode ter
uma realização por um poder muito grande, estabelece a existência de Deus. O
problema é que o primeiro contem falhas racionais, e o segundo segue os ditames
da razão.
A
volta ao paraíso está alicerçada nos ditames da razão, e por isso tais casos na
natureza trazem indignação e clamam por uma solução. Como afirmar que o ataque
das vespas asiáticas a abelhas não serve para nenhum propósito? Ao pensar que
os seres possuem início e uma explicação, o filósofo já admitiu que isso pode
não ser, que há seres que possivelmente não tenham explicação. Porém, no caso
desses exemplos da natureza, afirma dogmaticamente que não servem tais coisas a
nenhum propósito. Mas isso é incoerente e já demonstrado que provavelmente há
sim um propósito para tudo. E, como já demonstrado, já necessidade de
explicação para a origem do ser, e na criação não há seres autoexistentes.
E,
pela observação racional vemos que o mundo não foi criado totalmente sem
nenhuma possibilidade de progresso e evolução, mas de alguma forma foi posto em
estado de caminhada, como explica a Igreja. A própria criação em etapas de dias
mostra isso, e é também o que diz as teoria científica sobre a origem da vida.
Por
fim, pensar que essas coisas na realidade são totalmente incompatíveis com a
bondade de Deus e formular argumento contra Sua existência não faz sentido,
pois esconde o desejo de que isso deveria ser feito assim e assim e não como
realimente é se Deus é o criador, o que nada mais é que uma exigência humana,
uma das possibilidades de opinião que podem ser formuladas.
Por
tudo isso, aprendemos que de fato a razão nos aponta para Deus, e que o mesmo é
o princípio de todas as coisas, que Ele tem poder para realizar o desejo íntimo
radicado em nossa natureza, que é Bom, como indica os anseios profundos que
aparecem em nós, e é autoexistente, já que não se pode abrir ao infinito a
criação de deus em cascata, incorrendo em problema absurdo. Deus é trino, é
amoroso, é é onipotente, onisciente e eterno, e tudo isso é tem, pelo menos, respaldo
racional.
Jesus é a primeira pessoa da
trindade, nasceu de uma mãe virgem, morreu e ressuscitou pelos nossos pecados,
prometendo uma segunda vinda.
Jesus
é criticado por ser falado do inferno, por ter sido duro com certas pessoas em
suas pregações, pela descrição do juízo onde separa ovelha de cabritos, pela
expulsão de demônio e suas permissão de que os mesmos entrassem nos porcos, e
pela figueira amaldiçoada.
Mais
uma vez há a escolha de uma moralidade para ser vivida por certo personagem,
com características que mais se adequam à opinião do julgador. Jesus seria
menos perfeito em comparação com outros líderes de religiões por esses exemplos
citados.
No
entanto, isso supõe que Jesus não sabia o que estava dizendo: que não falava do
inferno real, mas como que dava sua opinião. Essa observação sugere que Jesus
era um ser humano como outro e não divino também. E, partindo disso, julga a
doutrina ensinada por Ele. Essa avaliação ultrapassa a razão.
De
fato, no budismo há uma consequência cármica. A vida moral é vista como um
caminho de libertação, e pelas leis cármicas as consequências incluem
renascimento e outro ciclo de existência e sofrimento.
Jesus
trata da moralidade com amor, da mesma forma, e fala da justiça de Deus no
juízo e do sofrimento do inferno, de modo direto. São duas formas entre duas
pessoas de ensinar a necessidade de viver bem moralmente e as consequências das
más ações. Fica na subjetividade pensar em que foi nesses exemplos mais moral e
perfeito. O argumento parece não ir muito além disso. Seria como se Deus, sendo
amoroso, não pudesse falar das consequências do pecado, quando nisso podemos
ver a pura atuação do amor, que é prevenir as pessoas do sofrimento.
Quando
Jesus amaldiçoa a figueira, certamente usando o exemplo para admoestar o povo
de Israel, simbolizado ali, pois sabia que a figueira não estava no tempo de
dar frutos, ele exortava à vida espiritual com frutos para Deus. Não se trata
de algo puro e simples para fazer uma figueira secar, aquele ato não era para a
figueira em si, mas há uma finalidade moral bem elevada no ato.
Da
mesma forma, Jesus permite aos espíritos ir para os porcos. Ele não colocou os
demônios nos porcos e ordenou que os porcos fossem se afogar no mar, como diz o
filósofo. Essas palavras para falar da cena mostram que o filósofo tem
indignação grande com essa cena do evangelho, colocando aquilo como exemplo de
falha humana. Na verdade, a cena mostra Jesus não destruindo os espíritos, como
o filósofo crê que seria o melhor a ser feito. Mas não estamos aqui diante de
mais uma opinião do que poderia ser ou não melhor a ser feito sem diminuir em
nada a pessoa de Jesus? Como pensava Jesus? E como sabemos que o que julgamos
ser o mais correto o é de fato naquela situação? Assim, nada de falho em Jesus nas
cenas descritas.
Ainda
mais, os porcos sofreram dor e morreram afogados. Por que isso? Mas porque
durante milhares de anos porcos não mortos para servirem de alimento à
humanidade, sendo a carne mais consumida? Não sofrem eles? Não são a humanidade
inteligente que aceita dar tal sofrimento aos porcos para um bem maior que é
produzir alimentos? Assim, não sabemos se realmente não teve propósito alguém
aquela permissão dos espíritos possuírem os porcos. É valido pensar que se não
sabemos exaustivamente sobre o assunto não é possível afirmar categoricamente
que não houve propósito. Não há indício de falha alguma, pois toda a cena, bastante
forte, chamou atenção de tantos.
Seria
possível que o ser humano escreveu como se Deus agisse daquela maneira. Assim
acontece com as obras humanas, nas ficções, nos mitos, etc. Não é o caso da
Bíblia pelo que sabemos. Ainda, também é possível nas análises, como feitas
pelos filósofos ateus a respeito das ações de Cristo, que algo seja projetado
naquela análise, de forma a impor o pensamento ou algo do mesmo no objeto
analisado.
Quando
fala do nascimento virginal de Jesus, certamente é algo incomum, não esperado,
extremamente curioso, improvável, e, certamente, impossível. Por isso, sabemos
tratar-se de uma intervenção de Deus. Não é razoável pensar que isso é
impossível para Deus, mas somente em termos naturais há impossibilidade. Uma
vez que sabemos que Deus existe, é totalmente possível o nascimento virginal.
Talvez
não se trate de violação das leis naturais, mas a força de Deus agiu criando o
processo de concepção justamente como se ocorresse naturalmente no organismo da
virgem. Assim o fazem cientificamente com os camundongos, numa comparação
imperfeita, mas apenas para mostrar que não há quebra das leis, mas uma
intervenção que faz as mesmas funcionarem em outra circunstância para um fim
idêntico, que é a geração de um descendente.
A
palavra jovem em Isaías é traduzida por uma palavra que também significa jovem
e virgem. O contexto mostra que se trata realmente de profecia, pois não é estupendo
que uma jovem conceba um filho, mas uma virgem sim. Portanto, o contexto
implica que se trata de virgem quando se lê o hebraico original em Isaías.
Os
mitos nas outras culturas podem facilmente refletir a tradição antiga da vinda
do messias, do salvador, já que a promessa de Deus para esse fato foi feita no início
da humanidade. Desse modo, em vários lugares encontram-se a noção de filho de
Deus, embora com deturpações. A versão bíblica reflete o original.
Quando
os evangelhos tratam do nascimento de Jesus, com textos diferentes, não há
contradição na mensagem. São Mateus escreve para os judeus e usa o modo de
entender adaptado aos judeus, mas mostra que o nascimento foi por força
miraculosa. Lucas se dirige aos gentios e compõe seu livro com linguagem mais
compreensível para as nações, e da mesma forma, relata o nascimento de Jesus
como filho de Deus gerado sem intervenção humana.
O
massacre comandado por Herodes não tendo outras narrativas não implica que não
aconteceu. A Bíblia fornece credibilidade história e é uma fonte consistente.
Não há razão para negar um relato bíblico apenas pelo fato de não ser
encontrada outra fonte com o mesmo relato. Há também a questão de que fatos
importantes são contados uma só vez, e não aparecem em outras narrativas. Mas
isso também não prova que os fatos são mentira.
No
minuto 36 o filósofo chega a dizer “não leiam” a Bíblia quando a intenção foi
falar “não leem” a Bíblia, corrigindo imediatamente. Um ato falho? De qualquer
forma, deve-se repensar cada argumento usado contra o Cristianismo.
A
ler as profecias interpretadas no Novo Testamento temos perfeita compreensão do
sentido dos textos e não contrário. Quando se fala do Messias, nunca é limitado
a Israel, pois os textos antigos incluem as nações sob a luz da era messiânica,
o que concorda com a narrativa do Novo Testamento. Assim, afirmar que se tratam
de reinterpretações erradas é um tanto equivocado.
Quando
se aceita Deus, cremos na possibilidade de milagres. Se os cientistas,
conhecendo as leis naturais, conseguiram induzir a partenogênese em
camundongos, como negar que o criador das leis possa fazer isso no ventre da
virgem Maria. A Bíblia trata de que foi algo impossível humanamente, possível
para Deus, em um equilíbrio fenomenal de apresentação do caso. Assim, é digno
de fé o relato bíblico. Naturalmente é impossível sim, mas a fé cristã tem essa
proposição por ter ela fidelidade original, legitimidade, guardada nos escritos
bíblicos e na tradição de modo a não deixar espaço para dúvida. Nenhum vestígio
na crítica textual pode por em dúvida a narrativa do nascimento de Jesus.
O pecado original e a queda do
homem.
A
evidência do pecado original está na mera observação da própria mente de cada
um, na realidade do mundo, do comportamento do ser humano, se imperfeições que
assolam a ordem estabelecida. É algo empírico.
O
filósofo Nietzshce foi citado. Um exemplo para reflexão é o do papa Leão I foi modelo
de homem cristão e líder forte. Homem de fé, grande teólogo, soube governar a
Igreja com sabedoria e autoridade. Destemido salvou a cidade de Roma
enfrentando sem armas a Átila, rei temido por todos. Nietzsche erra em ver
fraqueza, pobreza, doença, negação da vida. Em inúmeros exemplos cristãos, como
esse do papa Leão, os valores aí superam e refutam a crítica e Nietzsche.
A revelação pelas Sagradas
Escrituras, a Bíblia é a Palavra revelada, seus escritos são inspirados.
A
crítica textual, nos milhares de manuscritos bíblicos, demonstra cabalmente que
a mensagem da Bíblia permaneceu intacta. A verdade religiosa que se aprende
lendo a Escritura é clara em seu fundamento e não há o que objetar.
Mas
eis que alguém diz: só creio se os originais estivessem preservados! Será
mesmo. Obviamente, logicamente, possivelmente, provavelmente esse não creria.
Primeiro, se as cópias mais antigas comparadas a cópias recentes, e comparadas
a pergaminhos encontrados recentemente testemunham a integralidade da mensagem,
é uma evidência fortíssima de que o texto o ensino foi preservado. Não há como
não aceitar. E, partir daí, não há como não crer.
Os milagres, são intervenções de
Deus no curso da história.
Os
testemunhos são negados. A violação das leis da natureza é usada como
contra-argumento. A experiência firme e inalterável deveria antes estar aberta
à possibilidade de que, se as mesmas são até aqui observadas assim, há
possibilidade de mudança. Assim, o milagre é possível. Ainda que Hume tenha
posto em dúvidas as leis objetivas da realidade, onde a experiência é que
estabeleceria firmemente e inalteravelmente as leis da natureza, isso não pode impossibilitar
o milagre. Em certo momento pode-se ser pego de surpresa com um funcionamento anormal
de determinadas leis naturais.
Ainda,
para haver milagre não é necessário que a lei natureza seja mudança, mas que
uma força maior seja exercida. Assim, o machado de Eliseu boia na água? Eliseu cortou um pedaço de madeira, jogou-o
na água e o machado veio à tona (2 Rs 6, 6). É necessário suspender as leis da gravidade ou
as fazer funcionarem de outra forma? Não. Basta que o poder divino intervenha
fazendo aquele objeto subir na água, como uma mão física o faria sem quebrar a
lei gravitacional. Assim, racionalmente os milagres são possíveis.
Por
causa da existência de tantas fraudes, etc., o filósofo crê que é mais razoável
supor que são mentira, fruto de alucinações, de desejos ocultos, etc., do que
crer na mensagem bíblica, embora o que se vê, mesmo na análise puramente
textual, a partir da crítica textual, é que a Bíblia é um documento sério e
legítimo, digno de confiança.
Embora
a noção de milagres seja a de que não que ocorre naturalmente, e não é visto
aos milhares todos os dias, mas que é uma intervenção de Deus de forma
extraordinária, parece que o filósofo acha que o milagre deveria ser
corriqueiro. Ponto fraco na sua análise. O milagre é um dos meios pelos quais
Deus fala à mente humana. Hoje há várias curas de doenças, vários salvamentos, fenômenos inexplicáveis, etc. São inúmeros
exemplos. Mas normalmente Deus se vale da própria criação, dos estudos, da
cultura, da Igreja, da Bíblia, etc., para levar pessoas ao conhecimento da Sua
vontade. A filosofia é um dos meios.
Gledson Meireles.