sábado, 14 de fevereiro de 2026
domingo, 8 de fevereiro de 2026
Livro: Os batistas e o resgate da tradição cristã, em direção a uma catolicidade batista, comentário do cap. 9
Comentando: Capítulo 9
Batistas, a ceia do
Senhor e a tradição cristã
Ernest
A. Payne afirmou que entre os batistas não havia unanimidade quando à Ceia do
Senhor, e que não existia uma tradição dominante. Essa afirmação será
confrontada por Michael A. G. Haykin, que afirma ser “pouco preciso” a
conclusão de Payne e também que tal posição deve ser “seriamente considerada”.
Para
nós cristãos católicos, que temos uma tradição milenar, e que essas questões
foram debatidas ao longo dos séculos, podendo ser definida no século XIII,
ainda que outras tantas divergências tenham surgido após essa definição, nós
podemos ficar tranquilos quanto à precisão e veracidade da doutrina clara da
eucaristia. Entre nós há unidade e a tradição é clara.
No
entanto, para os batistas, que rompem com a tradição no sentido de ter o texto bíblico
como autoridade única e final em matéria de fé, lendo os padres da Igreja,
concílios e etc., e aceitando somente o que a interpretação vigente na
denominação aceita, tem-se que tal opinião de renomados historiadores de que
não há unidade de fé entre os batistas ao longo dos séculos de sua existência,
que é relativamente recente, do século 17 ao 21, é mais um ponto negativo para
essa tradição.
De
fato, quanto tempo tivemos para definir questões cruciais para a vida cristã, e
uma denominação surge em cena e reinventa a doutrina com intuito de buscar
resgatá-la.
À
primeira vista isso já parece fora daquilo que Jesus prometeu aos apóstolos, de
que o Espírito Santo guiará a Igreja para toda a verdade. Mas no século 17 a
questão da eucaristia já havia sido esclarecida satisfatoriamente, pois a
Igreja Católica havia trabalhado para isso, em muitas ocasiões, inclusive no
Concílio de Trento. Assim, não é prudente abraçar a decisão de um grupo cristão
dissidente que destoe da tradição cristã apostólica.
O
padre Zwínglio deixou a Igreja e ensinava que a ceia era um memorial. Debates
recentes mostraram que na sua opinião a ceia era também algo mais. Disso
podemos esperar, já que um padre que cria na transubstanciação e conhecia a
grandeza dessa doutrina certamente preservou algo dela.
No
entanto, a ideia básica de que a Ceia era um memorial apenas dominou a fé de
muitos cristãos dissidentes, e os batistas abraçaram essa doutrina, no século
19. Assim, um padre cristão católico diverge da Igreja e influencia uma
tradição cristã protestante surgida no século dezessete.
No
século 19 a doutrina batista predominante era zwingliana, ou seja, os elementos
da ceia do Senhor eram meramente memoriais.
Haykin
mostra que antes dos batistas havia prevalecido no Protestantismo a visão de
João Calvino, onde a ceia possui a natureza de sinais e garantia de uma
realidade presente. Pela fé é transmitido o que é simbolizado na ceia, o
próprio Cristo. Os elementos seriam simbólicos, mas ocorria a realidade espiritual
no momento da celebração. Entre os batistas, mais tarde, a opinião de apenas símbolo
prevaleceu.
Esse reviver sincero da alma...:
Um
texto-chave para a compreensão precisa da doutrina batista é a Segunda
Confissão de Fé de Londres (1677 e 1689). Assim, temos um testemunho
extra-bíblico, uma confissão de fé, um resumo doutrinal, para entender melhor o
entendimento de uma doutrina bíblica em determinada denominação. Embora o
documento não seja tido como infalível, ele é um testemunho, uma bússola
prática, uma expressão da interpretação bíblica ali alcançada.
Assim,
para entender como pensam os batistas não basta ler o que o texto bíblico está
afirmando, mas ler a confissão denominacional e ver como o texto bíblico é
interpretado pelas igrejas batistas. Essa reflexão é importante para entender que
a tradição molda a forma de entender a doutrina.
Desse
modo, para início de conversa, os cristãos batistas não possuem qualquer
vantagem em relação aos cristãos católicos quando esses são criticados por
aderirem à tradição. Eles precisariam provar que sua interpretação é melhor,
exata e correta para substituir a doutrina católica, e mostrar que a Confissão
de Fé acima citada expressa a doutrina fielmente a ponto de suplantar as
definições do Concílio de Trento. Se não, deve-se continuar com a definição oficial
do Concílio de Trento de 1546.
A
declaração de fé batista de 1677 e 1689 tem em consideração confissões de fé
presbiteriana e congregacionalista, com concordâncias doutrinárias demonstrando
solidariedade fundamental com essas comunidades reformadas, como afirma Haykin.
Assim,
os batistas opõem-se à doutrina da Igreja Católica Apostólica Romana em união
com a tradição reformada. O corpo e o sangue de Cristo estariam presentes
espiritualmente “na fé dos Crentes”.
Outra
observação feita por Haykin é que os batistas tratam não mais de sacramento,
mas de ordenança. É uma boa observação, já que católicos, luteranos,
presbiterianos e congregacionalistas não haviam se oposto ao termo. Os batistas
se colocam mais radicalmente nesse sentido. Os batistas negaram até a
explanação luterana. Afastam-se da tradição católica e luterana.
Nesse
momento, os batistas virtualmente se unem aos reformados, na doutrina
desenvolvida por João Calvino. A comunhão com Cristo, que tem o Seu corpo no
céu, é feita pelo Espírito, como escreve o pastor batista Hercules Collins, que
morreu em 1702.
E
é citado o apologeta batista Benjamin Keach, para o qual a ceia transmite ou
comunica os méritos de Cristo por meio da fé. E o ensino da Segunda Confissão
de Londres é abrangente quanto à ceia: há obrigação de observá-la, ela é uma
lembrança perpétua, confirma na fé nos benefícios trazidos por Cristo, nutre e
faz crescer espiritualmente, para o compromisso com Cristo e comunhão com ele e
uns com os outros, e etc. Isso é apenas um resumo. Vemos que a importância da
Ceia é mantida entre as igrejas que se separaram da Igreja Católica, mas depois
dos luteranos todos negam a presença física sacramental de Cristo.
Os
batistas estavam unidos com os puritanos, e esses contrariavam o pensamento de
zwínglio. Assim, os batistas afastaram-se do zwinglianismo nesse ponto, pode-se
afirmar. Os batistas ainda criam na doutrina e pensamento reformado, de
Calvino. Essa é a doutrina que prevaleceu nos primeiros tempos batistas.
Sua presença, que refrigera a
alma.
Interessante que Haykin mostra o batista William Mitchel (1662-1705)
apresentando a doutrina da ceia em termos calvinistas e enfatizando o caráter
memorial. Ele seguia “Calvino e seus antepassados batistas”, onde a ceia é meio
de nutrição espiritual e onde há encontro com Cristo. É impressionante como o
escritor batista se esforça por enfatizar que a participação do Corpo e Sangue
de Jesus não é feita de maneira corporal e carnal, para negar a
transubstanciação.
Anne
Dutton (1692-1751) escreve que na ceia Jesus se comunica, “tendo seu corpo
entregue e seu sangue derramado”, o que tem semelhança com autores católicos e
que seria uma frase criticada por batistas se lida fora do contexto. Outros a
criticariam de qualquer jeito. Essas observações são feitas para o leitor
entender a importância do tema e a profundidade da doutrina cristã católica da
eucaristia.
Também
é citado o jovem batista Staveley, para o qual, pelas suas palavras, que
concordam com a doutrina de Calvino, a ceia do Senhor era mais que um memorial.
Um memorial do Salvador ausente:
Os batistas começaram a adotar a doutrina de que a Ceia é primária ou meramente
um memorial, um ensino de inspiração zwingliana. Isso se deu no último
trimestre do século XIII. Haykin cita Abraham Booth (1734-1086) falando da ceia
como memorial.
A
visão memorialista da ceia é reconhecida como “mais pobre”. De fato, a visão
católica é riquíssima, bíblica, original. As demais vão afastando-se aos
poucos, mas há teólogos protestantes que tentam aproximar-se novamente.
A mudança para o memorialismo.
Segundo Michael Walker, como reação ao reavivamento do catolicismo inglês os
batistas adotaram a visão memorialista, a partir de 1830, reforçando aquilo que
iniciara com Stutcliff.
Assim,
vemos que a tradição batista tem uma teologia fraca a respeito da ceia do Senhor,
e com isso abre-se o apelo ao resgate da tradição cristã, pode-se dizer.
Gledson
Meireles.
domingo, 25 de janeiro de 2026
Livro: Revelação de Jesus Cristo: comentário sobre o livro da revelação, de Ranko Stefanovic
Apocalipse 4: A visão do trono celestial
O texto abaixo é um breve
estudo com base no Comentário ao Apocalipse, de Carlos Nougué, e também no
comentário Revelação de Jesus Cristo, do teólogo adventista Ranko Stefanovic, para um
diálogo com os irmãos adventistas do sétimo dia.
O cristão adventista que esteja estudando a doutrina católica encontrará um material importante aqui.
Versículo
1:
O comentador cristão católico lembra que alguns supõem ser esse verso uma alusão a 1 Ts 4,
14-17. Podemos assim dizer que seria o arrebatamento da Igreja. Mas, como
Ezequiel 1, 1, que escreve: “e eis que os céus se abriram e tive visões de
Deus”, as portas dos céus se abrem. Então, trata-se apenas de mais uma visão,
em comparação a Ap 1, 9. A porta aberta no céu não necessariamente indica que o
arrebatamento do apóstolo signifique o arrebatamento da Igreja, mas que o
apóstolo subiu ao céu para ter as visões.
Ranko Stefanovic,
comentador adventista, explica que a porta aberta é a do templo celestial. O
que concorda com o comentário cristão católico.
Versículo 2: A visão de
Deus sem nomeação e em sua essência invisível simbolizada: Alguém sentado. É o Senhor Deus. Na interpretação católica antiga,
na Idade Média, houve quem entendesse tratar-se de Cristo sentado aqui, mas
isso não é correto, visto que Cristo ainda não entrou em cena nessa visão.
Versículo 3: Deus é
apresentado com aparência de pedras preciosas, de jaspe e sardônica. A Bíblia de Jerusalém traduz jaspe e cornalina.
Deus é a luz das criaturas que já habitam
ou ainda habitarão no céu, diz o comentador. O texto de Ez 18, 13 e Ap 21
são lembrados. O jaspe pode ser da cor verdade, conforme diz André de Cesareia,
e o arco-íris, continua o comentador, simboliza em Gênesis e Ezequiel a
misericórdia, é aqui apresentado com a tonalidade verde de esmeralda.
Versículo
4:
há muitas interpretações católicas sobre a identidade dos 24 anciãos. O
comentador expõe a sua opinião, de que se trata de anjos. Muitos dos antigos comentadores
afirmam que os 24 anciões simbolizam todos os eleitos. Ou seriam os 12
patriarcas e os 12 apóstolos. Allo afirma que se trata do senado de Deus, como
aparece em Isaías e Daniel, e seriam anjos. Os anciãos são entendidos como
anjos, pois em 7, 13 aparecem distintos daqueles que chegam da grande
tribulação vestidos de branco. Então seriam os anjos reitores do tempo, da história humana e das revoluções do
universo. Mas, aqui creio que podemos continuar com a intepretação antiga
em bem fundada de que se trata de um símbolos dos santos eleitos do AT e NT no
céu.
Para os adventistas os
24 anciãos representam a humanidade redimida e glorificada. Mas, pergunta-se:
como foram aos céus? Isso porque os adventistas não creem na imortalidade da
alma, e então para ir ao céu haveria necessidade da ressurreição. No entanto, a
ressurreição ainda não ocorreu. Assim, pensam que os santos que foram ressuscitados
em Mt 27, 52 teriam ido com Jesus ao céu. E para isso também cita o texto de
Efésios 4, 8, onde Jesus tendo subido às alturas levou cativo o cativeiro.
Primeiro, é verdade que
na ascensão Jesus levou os santos ao céu.
Segundo, Jesus subiu
aos céus em Atos 1, 9, e ninguém foi visto subindo com Ele. Assim, os que
subiram com Jesus foram invisivelmente.
Terceiro, antes da
ressurreição de Jesus Cristo não há santos glorificados. Se os santos que foram
ressuscitados e vistos foram ressuscitados glorificados, estariam glorificados
antes de Jesus ressuscitar, o que não é exato. Assim, esses santos
ressuscitaram assim como Lázaro, em João 11, em uma ressurreição para a vida
física. Eles não subiram ressuscitados ao céu. Subiram em espírito.
Quarto, o texto de
Efésios 4, 8 diz respeito aos santos que estavam cativos na morte, santos do
Antigo Testamento e todos os que morrem até a ressurreição de Cristo, os quais
Jesus levou ao céu em suas almas. Desse modo, eles podem estar no céu na glória
em suas almas imortais.
Entretanto, diz Efésios
2, 6: e com ele nos ressuscitou e nos fez
assentar nos céus, em Cristo Jesus. Em vida, estamos espiritualmente
assentados em Cristo nos céu. Após a
morte, os salvos estão com Cristo
(cf. Fl 1, 23). Dessa forma, os vinte e quatro anciãos são pessoas redimidas,
mas ainda não ressuscitadas, e estão espiritualmente, nas suas almas, no céu.
Veja que Efésios 4, 9
afirma que Cristo desceu às profundezas da terra e depois subiu: Que significa “subiu”, senão que ele também
desceu às profundezas da terra?. Isso significa que é após a ressurreição
que Jesus levou os cativos salvos, todos eles, e não somente um grupo de
cativos. O texto é geral.
Caso contrário, os
ressuscitados deveriam ficar à espera de Cristo por três diz para depois subir.
Estariam ressuscitados glorificados antes do redentor. E seriam um grupo
apenas, e não todos os salvos. Por isso, essa intepretação adventista não tem
respaldo bíblico.
Assim, crendo na alma
imortal, todos os redimidos que estavam na prisão da morte foram levados ao céu
quando Cristo subiu para o céu.
Versículo
5:
os relâmpagos, vozes e trovões figuram o poder de Deus. As sete lâmpadas, que
são os sete espíritos, já foram entendidos, pelos antigos, como anjos de Deus.
Mas a interpretação comum na Igreja Católica é de que se trata do Espírito
Santo, como está também em Ap 1, 4. O comentador afirma que mesmo André de
Cesareia, que entendia tratar-se de anjos, afirmou que poderia não o ser, e
assim seriam as energias do Espírito
vivificante. Temos que se trata realmente do Santo Espírito de Deus.
Versículo
6:
o mar de vidro é a infinitude do reino espiritual e a imensidão do universo
material, afirma o comentador. Comentadores medievais virão a imensidão dos
santos nesse símbolo. Poderiam ser também símbolos de qualidades de Cristo,
como da realeza, do sacerdócio, da humanidade e da obra de dispensação do
Espírito vivificante. Os quatro animais cheios de olhos simbolizam anjos que governam, sob Deus, a criação.
Mas, outras
intepretações comuns, como dos quatro animais simbolizando os quatro
evangelistas ou os quatro evangelhos, são plausíveis. Nougué afirma que isso “é
difícil de aceitar”, visto que é incomum um superior figurar um inferior. Mas,
se os evangelhos são tidos em sua acepção real de Palavra de Deus, são assim superiores aos anjos. Portanto, o
símbolo tradicional referente aos evangelhos pode manter-se razoavelmente.
Também, ainda assim, podem simbolizar o conjunto
dos pregadores do Verbo, referida por Allo como a intepretação dos
comentadores que estenderam a interpretação dos 4 evangelhos. É importante
notar que essas noções lançaram luz sobre o que pensam os cristãos adventistas
sobre certas passagens do Apocalipse.
Versículo
7:
os quatro animais são anjos.
Versículo
8:
Santo, Santo, Santo é parte da liturgia da missa.
Versículo
9-11:
os anciãos falam em nome dos homens, segundo o comentador. Mas, como vimos
acima, os anciãos são santos redimidos, e por isso falam da própria salvação.
Os santos que morreram já estão no céu.
A respeito do templo
celeste e dos templos terrestres. O sacrifício cruento antigo é figura do
sacrifício incruento cristão, diariamente celebrado, onde Cristo está presente
pela transubstanciação.
O templo antigo é
figura do templo novo. A liturgia no templo celestial é o protótipo para a
liturgia da missa, que aos domingos principalmente celebra o sacrifício de
Cristo até que Ele venha. Nas igrejas há o altar, sob o altar há relíquias
muitas vezes, lembrando as almas debaixo no altar no Apocalipse. Sobre o altar
há Cristo nas espécies pão e vinho, o Cordeiro imolador, o mediador, e diante
do altar há incenso, também usado na liturgia em dias especiais, e prostrações
e cânticos. Interessante essas palavras citadas de Bacuez, inclusive quando diz
que na liturgia tem também o livre que não é dado a todos ler e compreender.
Certamente fala da Escritura, onde a leitura não era comum a todos e a
compreensão deve ser conforme o magistério da Igreja. De qualquer forma, mostra
a origem bíblica da liturgia cristão católica.
Fonte: NOUGUÉ, Carlos, Comentário ao Apocalipse, Edições Santo Tomás, 2025.
STEFANOVIC,
Ranko. Revelation of Jesus Christ, Andrews University Press, Michigan, 2002.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2026
Refutando argumentos contra o Cristianismo, formulados pelo filósofo Matheus Benites
Vamos refletir.
No
presente estudo será demonstrada a veracidade do Cristianismo. As ferramentas usadas serão apenas a razão e
a lógica. A razão é a capacidade humana de pensar, com leis intrínsecas que
mostram o funcionamento normal do intelecto. Pela razão compreendemos e
julgamos proposições. Na lógica operamos na razão com um sistema de regras para
construir pensamentos válidos.
Pois
bem. O Cristianismo é uma religião. Sendo assim, é algo espiritual, revelado
por Deus, superando a razão em suas proposições e ensinos. No entanto, a
investigação que será feita partirá da razão, para fundamentar a religião
cristã, não apelando para a revelação divina, embora os temas estejam
interligados.
Olhando
para a realidade humana, vemos que todos os povos são naturalmente religiosos.
Há religiões de todas as espécies, mas o fato comum é que o homem tende a
conceber o conceito de espiritualidade. É um fato que a religião é parte da
vida humana.
Sendo
assim, é uma conclusão pobre afirmar que a religião é apenas fruto da mente
humana, uma criação como a arte, a cultura e a sociedade, como se nela não
houvesse algo sobrenatural. A razão indica que o fenômeno religioso está
intrinsecamente radicado em ditames raciocinais. Os ensinamentos da religião em
si ou de cada religião está em outro escopo a ser considerado. Basicamente
temos que a religião é algo compatível com a racionalidade. E mais, ela segue a
razão embora seu desenvolvimento seja a partir daí independente, no campo da
fé. Agora fazemos apenas uma investigação racional.
O
filósofo ateus Matheus Benites se pôs a analisar o Cristianismo em cinco
proposições cristãs essenciais, a saber:
Deus
é trino, maximamente amoroso, onipotente, onisciente e autoexistente.
Jesus
é a primeira pessoa da trindade, nasceu de uma mãe virgem, morreu e ressuscitou
pelos nossos pecados, prometendo uma segunda vinda.
O
pecado original e a queda do homem.
A
revelação pelas Sagradas Escrituras, a Bíblia é a Palavra revelada, seus
escritos são inspirados.
Os
milagres, são intervenções de Deus no curso da história.
Essas
ideias são sujeitas a serem verdadeiras ou falsas assim como as ideias
filosóficas. Então, ainda que estejam no campo da fé as proposições doutrinais,
elas são compreensíveis pela mente humana, e a razão pode analisá-las. Como
dito acima, o mundo está cheio de religiões, e em cada uma delas há um corpo
doutrinal. O cristianismo é uma das maiores religiões do mundo, e por suas
proposições sabemos se tratar da verdadeira religião, por sua verdade e
conformidade com a realidade. É o que será provado.
A
razão é a ferramenta básica para buscar a verdade. Encontramos Deus ao
verificar suas obras na natureza, às quais falam à inteligência (cf. Rm 1,19).
Assim, a fé está em concordância e relação íntima com a razão. A partir da
razão alcançamos coisas espirituais. A fé é o avanço nessas coisas. A razão é o
toque nesse sistema espiritual, a chegada aos umbrais da fé. Desse modo, o
filósofo sem a fé terá apenas a razão para fazer esse escrutínio. Mas isso é o
suficiente para levá-lo a progredir em sua natureza humana que exige mais que a
pura razão e suas proposições para uma vida integral.
Deus é trino, maximamente amoroso,
onipotente, onisciente e autoexistente.
Quando
analisamos essa proposição é praticamente impossível imaginar um Deus em três
pessoas. Não é irracional, mas escondido da razão. É compreensível, mas não
claro. Há um Deus eterno e todo-poderoso, mas nesse Deus, a sua natureza, não é
cabalmente revelada à luz da razão pura.
Vendo
a Sagrada Escritura apresentado Jesus, e o Cristianismo propondo que Ele é
Deus, em Sua segunda Pessoa, temos algo adicional ao conhecimento racional.
Existe um Deus, mas Ele não é uma pessoa somente, mas três.
Em
Mateus 27, 46 lemos Jesus gritando: Meus
Deus, meus Deus, por que me abandonaste? Ali temos que Jesus fala com Deus.
Então, à primeira vista, é lógico que Ele não é a pessoa de Deus com quem Ele
está falando. Ele é outro. Essa constatação está de acordo com a proposição
cristã de que Deus tem pessoas em si. Jesus é a segunda. Então o “meu Deus” de
Jesus é referente ao Pai, como Ele o diz: Eu e o Pai somos um (João 10, 30).
Essa constatação mostra que a ideia cristã concorda com essa cena de Jesus
falando com Deus e mostrando sua intimidade com Ele.
Assim,
Jesus é de fato outro, explicado na teologia como Pessoa, mas é ao mesmo tempo um como o Pai, formando dois em
estreitíssima relação.
A
razão indica a existência de Deus e exige que haja um só Deus todo-poderoso, no
final das contas. E a fé cristã advoga essa unidade de Deus, afirmando que
realmente se trata de um só, mas em sua doutrina revela que em Deus há uma
sociedade de pessoas. Aliás, vem daí o senso social do homem, inato e natural,
mas com essa explicação da fé que segue a reta razão.
Eis
que olhando para o Antigo Testamento e o comparando ao Novo Testamento há
percepção de uma diferente atitude de Deus em relação ao povo. Como o cristão
dissidente Marcião afirmava que havia dois deuses, e que o Deus do Antigo
Testamento era mau. Essa divergência cristã é aceita por muitos, inclusive é
utilizada pelos ateus para negar a existência de Deus, pois aquele Deus parece
não ter a bondade exigida pela natureza de Deus como Sumo bem.
No
entanto, o próprio povo judeu, que serve a Deus no Antigo Testamento, entende,
percebe, e aceita a bondade de Deus. Por exemplo, Salmos 33, 5: Ele ama a
justiça e o juízo, a terra está cheia da bondade do Senhor. Portanto, ver em
certos atos de Deus uma maldade é uma opinião, uma perspectiva, uma
parcialidade. Deus é muito mais que certas atitudes aparentemente más. A água é
H2O, quimicamente, e só isso? Não, a água é o berço da vida, um recurso
fundamental para a manutenção da vida, um elemento sagrado nas religiões. A
mesma coisa vista sob diferentes pontos de vista. O cientista observando a
matéria dos elementos H2O, as religiões lendo e ensinamento a importância da
água para a santificação, usando sua simbologia para avivar a fé, a medicina
tratando da água para mostrar sua importância para a manutenção da saúde. Não
se deve parar na análise científica, assim como não se pode ficar apenas em sua
simbologia religiosa, nem restringir o conhecimento apenas do ponto de vista
medicinal, mas tudo enriquece o conhecimento.
Pois
bem. É claro que o povo de Deus o via como Deus bom. Marcião teve outra
opinião. Os ateus seguem muito de Marcião.
Deus
deu mandamentos para apedrejar homossexuais, os que não guardavam o sábado, os
filhos desobedientes, etc., não condenou a escravidão e a tolerou e endossou em
casos de escravos estrangeiros e mandou cometer genocídios contra outros povos.
Essas passagens terríveis são usadas contra a revelação, contra o Cristianismo.
Em
primeiro lugar, elas atestam a condição sócio-cultural-religiosa na
antiguidade. Israel era o povo menos dado a tais excessos, embora os tenha
cometido. É um ponto a favor da grandeza de Deus no meio daquele povo, tão
ínfimo e tão desenvolvido moralmente. É patente o crescimento moral do povo do
Antigo Testamento. Essa constatação condiz com a ideia de que a relação
espiritual com o Deus bom santifica e faz bem.
Mas,
por que Deus não exprimiu-se de modo a satisfazer as exigências morais mais
elevadas e desenvolvidas como, por exemplo, a que temos no século 21? Por que
não encontrou outros meios para libertar o povo a não ser mandando guerrear e
cometer atrocidades inimagináveis?
De
fato, são coisas que causam aversão, repulsa e repugnação. Mas, vemos Deus
odiar o divórcio, em passagem explícita, mas ao mesmo tempo tolerou e endossou
o divórcio por muito tempo na antiga lei. Ele levou o povo por uma pedagogia
sábia, embora não muitas vezes claras e fáceis de explicar para a mente
moderna. Isso significa que as atrocidades ali vistas no Antigo Testamento
também não estão relacionadas à vontade de Deus nem contrariam sua bondade
permanente, mas foram males menores permitidos para atingir determinados fins.
Assim, as pragas do Egito sobre uma sociedade opressora foi o único meio para a
libertação dos hebreus escravizados. Não tinham exército, foram auxiliados
milagrosamente, fugiram do país. Tudo muito bem compreensível.
Do
ponto de vista puramente racional, vemos um povo de fé, na prática da sua
religião, sendo ajudando pelo Deus a quem serve, usando de meios possíveis e de
intervenções milagrosas para atingir o objetivo, que é sempre o bem. A
libertação, a formação de uma sociedade feliz que serve a Deus. É o que diz o
texto da Escritura.
Mas
a hostilidade do mundo, os pecados da humanidade, as traições, os assassinatos,
o mal natural, como enchentes, incêndios, rios, tempestades, etc., não seriam
melhor explicadas pelo naturalismo que concebe forças e causas puramente
impessoais? Não.
Em
primeiro lugar essa é a constatação empírica e o entendimento racional da
situação do mundo que está inteiramente conforme a fé revelada. Nenhuma dessas
coisas depõem contra a existência de Deus e contra a veracidade da religião
cristã. Pelo contrário, as causas naturais existem devido a uma fonte todo
poderosa e funcionam segundo leis bastante rígidas e as intempéries são
certamente reações naturais para intervenções feitas no funcionamento original
do universo. O mau moral e o mal natural causam reações de diversas naturezas.
O
que tudo isso indica é que essas forças possuem uma origem, essas leis precisam
ter sido criadas. Essa exigência racional não é apenas um costume ou fraqueza,
mas obedece ao sistema da lógica. Ordem, beleza, leis naturais, ditames morais,
e etc., apontam para uma Inteligência poderosa que deu a elas existência e não
à noção de que as mesmas são assim naturalmente e autoexistentes. A mente humana
reconhece sua limitação e debilidade muitas vezes.
Como
as leis impessoais existiriam, como a moralidade tão concebivelmente elevada
teria origem por si mesma, refletindo uma perfeição ou alto grau de organização
que necessitaria de uma inteligência superior para entendê-la e uma força maior
para segui-la e criar uma sociedade perfeita, por assim dizer, se para isso é
exigido que uma Inteligência tenha disposto tais realidades para funcionarem
assim? É claro que pode haver problemas na realidade natural assim como o há na
realidade racional por motivos extrínsecos a cada uma causando males, erros de
funcionamento, hostilidades e etc. É o mal no mundo explicado naturalmente e
indicando racionalmente sua origem espiritual. A razão exige tudo isso.
Assim,
o ateu não ficaria incomodado ao notar todas as coisas na terra se o senso de
justiça, que supõe uma justiça perfeita, não o afetasse. Ainda, a indignação
contra os males naturais e morais suspiram por uma solução. Racionalmente
falando, o ser deseja que as coisas não fossem assim. Antes, deseja mais, que
as mesmas não sejam assim. De onde vem tal desejo de todos? Dessa forma, na
razão há indicação da existência de Deus todo-poderoso, capaz de criar, origem
de toda a criação, e bom e justo para dar uma solução da tudo isso. São ditames
racionais.
Quando
se para nas explicações naturais o filósofo ateu aceita as contradições do seu
pensamento e abre mão do desejo que existe na razão para a solução de todos os
males.
É
uma busca de melhorar a sua consciência na crença de que tudo é naturalmente
assim, e não há o que fazer quanto à maior parte do que existe, e não haverá
forma de justiça para toda o mal praticado pela humanidade em geral, nem
para todo o mal natural. Trata-se de uma
opinião limitada e limitante da força da razão, suspendendo julgamentos e
exigências da razão, colocando de lado pensamentos lógicos e se satisfazendo
com a perspectiva natural irracional. Não se trata de escolher entre Deus e a
natureza para explicar a realidade, mas quando se escolhe a natureza, os
problemas descritos acima surgem e são contrários a sã razão.
A
hostilidade e falta de harmonia muitas vezes encontrada na natureza é usada
como argumento de que um Deus bom e todo-poderoso não poderia ser criado o
munod assim e, portanto, tudo não passa de algo natural que surgiu
espontaneamente em razão alguma nem propósito algum. Essa posição possui
lacunas e contraria a própria razão, e portanto deve ser rejeitada.
A
teoria da evolução é aceita pelo filósofo como fato. No entanto, ainda não é
totalmente provada e um consenso dos mais renomados cientistas. A Igreja
Católica não se opõe radicalmente à teoria da evolução, desde que a mesma seja
de fato científica, e, sendo assim, estará conforme os dados revelados.
Mas
o filósofo utiliza da evolução como prova de que Deus inteligente, sábio e bom
não poderia ter criado o mundo assim, pelo sofrimento de milhões de anos das
espécies em evolução e etc.
Nesse
argumento fica subentendido que há algo racional contrário a certas explicações
naturais evolucionistas. Ainda, sendo a teoria provada falsa, o argumento cai e
será mais uma evidência da criação não-evolucionista, diríamos, já que mesmo na
evolução se for real foi de fato Deus que dirigiu todo o processo, mas caso não
seja e evolução a teoria correta, o argumento evidencia mais a Deus contra a
objeção formulada.
Deus
poderia ter criador outros métodos que não a predação, como o marimbondo citado
que destrói uma colmeia inteira. Mas eis que na ciência atual é estudado tal
caso e dele são tiradas lições. Não será isso mesmo o propósito divino ao
mostrar ao homem os efeitos do pecado em toda a terra? Não é o exemplo de algo
que suscita indignação da mente que procura o bem e a justiça? Assim, volta-se
a pensar que se tal coisa é puramente natural, fruto de processo irracional e
não tem nenhum fim, é uma lástima pensar nesse sofrimento de espécies sem
finalidade alguma. Mas, uma vez admitindo-se Deus, tudo ganha sentido.
Ainda,
o pensamento de que Deus deveria ter outros métodos para dirigir a natureza e
criar situações diferentes que evitassem tais deformidades, é uma opinião
indignada, válida, por sinal, mas apenas reflete a moralidade que temos diante
das injustiças, e tal modo de pensar específico pode ser diferente quando se
considera outros fatos na natureza e no mundo criado. Tais processos racionais
são plausíveis mas nenhum substancia um argumento contra Deus.
Da
mesma forma que a imperfeição encontrada na natureza serve de argumento contra
a existência de Deus, anseio por justiça e harmonia no mundo, que só pode ter
uma realização por um poder muito grande, estabelece a existência de Deus. O
problema é que o primeiro contem falhas racionais, e o segundo segue os ditames
da razão.
A
volta ao paraíso está alicerçada nos ditames da razão, e por isso tais casos na
natureza trazem indignação e clamam por uma solução. Como afirmar que o ataque
das vespas asiáticas a abelhas não serve para nenhum propósito? Ao pensar que
os seres possuem início e uma explicação, o filósofo já admitiu que isso pode
não ser, que há seres que possivelmente não tenham explicação. Porém, no caso
desses exemplos da natureza, afirma dogmaticamente que não servem tais coisas a
nenhum propósito. Mas isso é incoerente e já demonstrado que provavelmente há
sim um propósito para tudo. E, como já demonstrado, já necessidade de
explicação para a origem do ser, e na criação não há seres autoexistentes.
E,
pela observação racional vemos que o mundo não foi criado totalmente sem
nenhuma possibilidade de progresso e evolução, mas de alguma forma foi posto em
estado de caminhada, como explica a Igreja. A própria criação em etapas de dias
mostra isso, e é também o que diz as teoria científica sobre a origem da vida.
Por
fim, pensar que essas coisas na realidade são totalmente incompatíveis com a
bondade de Deus e formular argumento contra Sua existência não faz sentido,
pois esconde o desejo de que isso deveria ser feito assim e assim e não como
realimente é se Deus é o criador, o que nada mais é que uma exigência humana,
uma das possibilidades de opinião que podem ser formuladas.
Por
tudo isso, aprendemos que de fato a razão nos aponta para Deus, e que o mesmo é
o princípio de todas as coisas, que Ele tem poder para realizar o desejo íntimo
radicado em nossa natureza, que é Bom, como indica os anseios profundos que
aparecem em nós, e é autoexistente, já que não se pode abrir ao infinito a
criação de deus em cascata, incorrendo em problema absurdo. Deus é trino, é
amoroso, é é onipotente, onisciente e eterno, e tudo isso é tem, pelo menos, respaldo
racional.
Jesus é a primeira pessoa da
trindade, nasceu de uma mãe virgem, morreu e ressuscitou pelos nossos pecados,
prometendo uma segunda vinda.
Jesus
é criticado por ser falado do inferno, por ter sido duro com certas pessoas em
suas pregações, pela descrição do juízo onde separa ovelha de cabritos, pela
expulsão de demônio e suas permissão de que os mesmos entrassem nos porcos, e
pela figueira amaldiçoada.
Mais
uma vez há a escolha de uma moralidade para ser vivida por certo personagem,
com características que mais se adequam à opinião do julgador. Jesus seria
menos perfeito em comparação com outros líderes de religiões por esses exemplos
citados.
No
entanto, isso supõe que Jesus não sabia o que estava dizendo: que não falava do
inferno real, mas como que dava sua opinião. Essa observação sugere que Jesus
era um ser humano como outro e não divino também. E, partindo disso, julga a
doutrina ensinada por Ele. Essa avaliação ultrapassa a razão.
De
fato, no budismo há uma consequência cármica. A vida moral é vista como um
caminho de libertação, e pelas leis cármicas as consequências incluem
renascimento e outro ciclo de existência e sofrimento.
Jesus
trata da moralidade com amor, da mesma forma, e fala da justiça de Deus no
juízo e do sofrimento do inferno, de modo direto. São duas formas entre duas
pessoas de ensinar a necessidade de viver bem moralmente e as consequências das
más ações. Fica na subjetividade pensar em que foi nesses exemplos mais moral e
perfeito. O argumento parece não ir muito além disso. Seria como se Deus, sendo
amoroso, não pudesse falar das consequências do pecado, quando nisso podemos
ver a pura atuação do amor, que é prevenir as pessoas do sofrimento.
Quando
Jesus amaldiçoa a figueira, certamente usando o exemplo para admoestar o povo
de Israel, simbolizado ali, pois sabia que a figueira não estava no tempo de
dar frutos, ele exortava à vida espiritual com frutos para Deus. Não se trata
de algo puro e simples para fazer uma figueira secar, aquele ato não era para a
figueira em si, mas há uma finalidade moral bem elevada no ato.
Da
mesma forma, Jesus permite aos espíritos ir para os porcos. Ele não colocou os
demônios nos porcos e ordenou que os porcos fossem se afogar no mar, como diz o
filósofo. Essas palavras para falar da cena mostram que o filósofo tem
indignação grande com essa cena do evangelho, colocando aquilo como exemplo de
falha humana. Na verdade, a cena mostra Jesus não destruindo os espíritos, como
o filósofo crê que seria o melhor a ser feito. Mas não estamos aqui diante de
mais uma opinião do que poderia ser ou não melhor a ser feito sem diminuir em
nada a pessoa de Jesus? Como pensava Jesus? E como sabemos que o que julgamos
ser o mais correto o é de fato naquela situação? Assim, nada de falho em Jesus nas
cenas descritas.
Ainda
mais, os porcos sofreram dor e morreram afogados. Por que isso? Mas porque
durante milhares de anos porcos não mortos para servirem de alimento à
humanidade, sendo a carne mais consumida? Não sofrem eles? Não são a humanidade
inteligente que aceita dar tal sofrimento aos porcos para um bem maior que é
produzir alimentos? Assim, não sabemos se realmente não teve propósito alguém
aquela permissão dos espíritos possuírem os porcos. É valido pensar que se não
sabemos exaustivamente sobre o assunto não é possível afirmar categoricamente
que não houve propósito. Não há indício de falha alguma, pois toda a cena, bastante
forte, chamou atenção de tantos.
Seria
possível que o ser humano escreveu como se Deus agisse daquela maneira. Assim
acontece com as obras humanas, nas ficções, nos mitos, etc. Não é o caso da
Bíblia pelo que sabemos. Ainda, também é possível nas análises, como feitas
pelos filósofos ateus a respeito das ações de Cristo, que algo seja projetado
naquela análise, de forma a impor o pensamento ou algo do mesmo no objeto
analisado.
Quando
fala do nascimento virginal de Jesus, certamente é algo incomum, não esperado,
extremamente curioso, improvável, e, certamente, impossível. Por isso, sabemos
tratar-se de uma intervenção de Deus. Não é razoável pensar que isso é
impossível para Deus, mas somente em termos naturais há impossibilidade. Uma
vez que sabemos que Deus existe, é totalmente possível o nascimento virginal.
Talvez
não se trate de violação das leis naturais, mas a força de Deus agiu criando o
processo de concepção justamente como se ocorresse naturalmente no organismo da
virgem. Assim o fazem cientificamente com os camundongos, numa comparação
imperfeita, mas apenas para mostrar que não há quebra das leis, mas uma
intervenção que faz as mesmas funcionarem em outra circunstância para um fim
idêntico, que é a geração de um descendente.
A
palavra jovem em Isaías é traduzida por uma palavra que também significa jovem
e virgem. O contexto mostra que se trata realmente de profecia, pois não é estupendo
que uma jovem conceba um filho, mas uma virgem sim. Portanto, o contexto
implica que se trata de virgem quando se lê o hebraico original em Isaías.
Os
mitos nas outras culturas podem facilmente refletir a tradição antiga da vinda
do messias, do salvador, já que a promessa de Deus para esse fato foi feita no início
da humanidade. Desse modo, em vários lugares encontram-se a noção de filho de
Deus, embora com deturpações. A versão bíblica reflete o original.
Quando
os evangelhos tratam do nascimento de Jesus, com textos diferentes, não há
contradição na mensagem. São Mateus escreve para os judeus e usa o modo de
entender adaptado aos judeus, mas mostra que o nascimento foi por força
miraculosa. Lucas se dirige aos gentios e compõe seu livro com linguagem mais
compreensível para as nações, e da mesma forma, relata o nascimento de Jesus
como filho de Deus gerado sem intervenção humana.
O
massacre comandado por Herodes não tendo outras narrativas não implica que não
aconteceu. A Bíblia fornece credibilidade história e é uma fonte consistente.
Não há razão para negar um relato bíblico apenas pelo fato de não ser
encontrada outra fonte com o mesmo relato. Há também a questão de que fatos
importantes são contados uma só vez, e não aparecem em outras narrativas. Mas
isso também não prova que os fatos são mentira.
No
minuto 36 o filósofo chega a dizer “não leiam” a Bíblia quando a intenção foi
falar “não leem” a Bíblia, corrigindo imediatamente. Um ato falho? De qualquer
forma, deve-se repensar cada argumento usado contra o Cristianismo.
A
ler as profecias interpretadas no Novo Testamento temos perfeita compreensão do
sentido dos textos e não contrário. Quando se fala do Messias, nunca é limitado
a Israel, pois os textos antigos incluem as nações sob a luz da era messiânica,
o que concorda com a narrativa do Novo Testamento. Assim, afirmar que se tratam
de reinterpretações erradas é um tanto equivocado.
Quando
se aceita Deus, cremos na possibilidade de milagres. Se os cientistas,
conhecendo as leis naturais, conseguiram induzir a partenogênese em
camundongos, como negar que o criador das leis possa fazer isso no ventre da
virgem Maria. A Bíblia trata de que foi algo impossível humanamente, possível
para Deus, em um equilíbrio fenomenal de apresentação do caso. Assim, é digno
de fé o relato bíblico. Naturalmente é impossível sim, mas a fé cristã tem essa
proposição por ter ela fidelidade original, legitimidade, guardada nos escritos
bíblicos e na tradição de modo a não deixar espaço para dúvida. Nenhum vestígio
na crítica textual pode por em dúvida a narrativa do nascimento de Jesus.
O pecado original e a queda do
homem.
A
evidência do pecado original está na mera observação da própria mente de cada
um, na realidade do mundo, do comportamento do ser humano, se imperfeições que
assolam a ordem estabelecida. É algo empírico.
O
filósofo Nietzshce foi citado. Um exemplo para reflexão é o do papa Leão I foi modelo
de homem cristão e líder forte. Homem de fé, grande teólogo, soube governar a
Igreja com sabedoria e autoridade. Destemido salvou a cidade de Roma
enfrentando sem armas a Átila, rei temido por todos. Nietzsche erra em ver
fraqueza, pobreza, doença, negação da vida. Em inúmeros exemplos cristãos, como
esse do papa Leão, os valores aí superam e refutam a crítica e Nietzsche.
A revelação pelas Sagradas
Escrituras, a Bíblia é a Palavra revelada, seus escritos são inspirados.
A
crítica textual, nos milhares de manuscritos bíblicos, demonstra cabalmente que
a mensagem da Bíblia permaneceu intacta. A verdade religiosa que se aprende
lendo a Escritura é clara em seu fundamento e não há o que objetar.
Mas
eis que alguém diz: só creio se os originais estivessem preservados! Será
mesmo. Obviamente, logicamente, possivelmente, provavelmente esse não creria.
Primeiro, se as cópias mais antigas comparadas a cópias recentes, e comparadas
a pergaminhos encontrados recentemente testemunham a integralidade da mensagem,
é uma evidência fortíssima de que o texto o ensino foi preservado. Não há como
não aceitar. E, partir daí, não há como não crer.
Os milagres, são intervenções de
Deus no curso da história.
Os
testemunhos são negados. A violação das leis da natureza é usada como
contra-argumento. A experiência firme e inalterável deveria antes estar aberta
à possibilidade de que, se as mesmas são até aqui observadas assim, há
possibilidade de mudança. Assim, o milagre é possível. Ainda que Hume tenha
posto em dúvidas as leis objetivas da realidade, onde a experiência é que
estabeleceria firmemente e inalteravelmente as leis da natureza, isso não pode impossibilitar
o milagre. Em certo momento pode-se ser pego de surpresa com um funcionamento anormal
de determinadas leis naturais.
Ainda,
para haver milagre não é necessário que a lei natureza seja mudança, mas que
uma força maior seja exercida. Assim, o machado de Eliseu boia na água? Eliseu cortou um pedaço de madeira, jogou-o
na água e o machado veio à tona (2 Rs 6, 6). É necessário suspender as leis da gravidade ou
as fazer funcionarem de outra forma? Não. Basta que o poder divino intervenha
fazendo aquele objeto subir na água, como uma mão física o faria sem quebrar a
lei gravitacional. Assim, racionalmente os milagres são possíveis.
Por
causa da existência de tantas fraudes, etc., o filósofo crê que é mais razoável
supor que são mentira, fruto de alucinações, de desejos ocultos, etc., do que
crer na mensagem bíblica, embora o que se vê, mesmo na análise puramente
textual, a partir da crítica textual, é que a Bíblia é um documento sério e
legítimo, digno de confiança.
Embora
a noção de milagres seja a de que não que ocorre naturalmente, e não é visto
aos milhares todos os dias, mas que é uma intervenção de Deus de forma
extraordinária, parece que o filósofo acha que o milagre deveria ser
corriqueiro. Ponto fraco na sua análise. O milagre é um dos meios pelos quais
Deus fala à mente humana. Hoje há várias curas de doenças, vários salvamentos, fenômenos inexplicáveis, etc. São inúmeros
exemplos. Mas normalmente Deus se vale da própria criação, dos estudos, da
cultura, da Igreja, da Bíblia, etc., para levar pessoas ao conhecimento da Sua
vontade. A filosofia é um dos meios.
Gledson Meireles.
domingo, 4 de janeiro de 2026
Refutando alguns rgumentos do filósofo Matheus Benites
Aqui estão comentadas brevemente certas afirmações escolhidas aleatoriamente em vídeos do filósofo.
“O rosto projetado numa poça d´água”. A água funciona como um
espelho. A forma que se reflete na água remete à realidade física ali na frente
da superfície que pode transmitir pelo seu brilho a forma original. Os sentidos
podem captar a forma do rosto na água. Assim, o rosto na água existe. Ele é um
ser. Esse ser é tão existente quanto o rosto original que o fez ser refletido.
Desse modo, o reflexo na água é um ser igual ao ser original existente, se
formos pensar em termos da ontologia plana.
Quando se diz que
sabemos que não há um rosto ali na poça d´água, mas apenas a projeção do rosto,
isso está conforme a filosofia tomista, bastante realista e racional, e fornece
meios que enfraquecem a filosofia naturalista.
Em Romanos 1, 19 está
escrito: “Porquanto o que se pode conhecer de Deus eles o leem em si mesmos,
pois Deus lhes revelou com evidências”. Há evidências no homem e no mundo para
provar a existência de Deus. Achar que são ainda fracos os argumentos, e que se
precisa de algo mais forte, talvez seja uma exigência infantil nesse quesito.
E no versículo 20: “Desde a criação do mundo, as perfeições
invisíveis de Deus, o seu sempiterno poder e divindade, se tornam visíveis à
inteligência, por suas obras; de modo que não se podem escusar.”
Assim, existe a perfeição
de Deus que é vista no mundo, e o poder de Deus é também refletido na criação,
de modo que são visíveis aos olhos as suas obras, mas o texto afirma que são
visíveis à inteligência. É parte da tarefa filosófica, então, buscar entender
Deus, e aceitar sua existência é o ponto básico.
Deus não é forçado a
revelar-Se mais do que o suficiente. Não é revelação de Deus que o mesmo se
revela a todos igualmente e eficazmente. Também não é empiricamente observado que
todos creem da mesma forma.
No entanto, é verdade
que a maioria absoluta na humanidade crê na existência de Deus. Quando se diz
que o Deus cristão está em desvantagem porque o Cristianismo não é a maior
religião na terra, está encerrando uma contradição na posição adotada de que o
ateísmo se vale da proposição de que não há divindade. Desse modo, a crença em
quaisquer divindades não é ateísmo.
Assim, a maior parte da
humanidade em todos os tempos creu em Deus. O ateísmo é fenômeno isolado e em
crescimento em períodos de crise, como os da era atual. Às vezes às exigências
revelam o medo de crer e a vontade de não crer. Assim, encontra-se em qualquer
debate o seguinte: “se você me mostrar isso eu fico convencido”, mas antes é
feita a apresentação de modo deve ser a prova, que deve conter tal e tal característica,
etc.
Por exemplo, me mostre
na Bíblia onde está escrito tal coisa, quando a Bíblia afirma a mesma coisa em
outras palavras ou de forma tácita, o que não é aceito pelo debatedor, pois o
mesmo quer ler da forma exigida.
Em assuntos filosóficos
encontra-se o mesmo, e em qualquer debate sobre qualquer assunto. É preciso
antes uma abertura do espírito, maior do que se pensa. Refletir no que é
proposto, ainda que pareça já conhecido ou que seja muito despropositado
aparentemente.
Dessa forma, o Matheus
Benites creria na Bíblia se a mesma fosse criada de uma vez, certinha, sem
rasuras, sem diferenças textuais, etc., mas o que ele vê através da crítica
textual muitas diferenças entre palavras nos evangelhos em seus vários
manuscritos. Por que Deus permitiu tantas divergências, ao invés de
expressar-se por textos aproveitáveis etc. No entanto, a crítica textual mostra
a mesma mensagem com tantas palavras
diferentes nos milhares de manuscritos. Ainda que determinado versículo falte
em manuscritos ou como citado os 12 versículos do final do evangelho de Marcos
faltam em manuscritos, etc., a verdade da ressurreição está em todo o Novo
Testamento. Por que não crer? Por que exigir detalhes que se adequem àquela
mente individual? A Escritura mostra que o suficiente da revelação de Deus está
dado. Assim também na Escritura.
Em Marcos 16, 6 um jovem de roupas brancas é visto no
túmulo de Jesus no dia da ressurreição. Em Mateus 28 o anjo fala com as
mulheres, no v. 5. Em Lucas 24 aparecem dois personagens, que são os anjos, é
claro, no v. 4. Em João 20 dois anjos aparecem e falam com Maria Madalena, no
v. 12. Em todas as cenas há aparição, de anjo ou anjos, com vestes brancas. Os
detalhes, como ser um jovem, está fora do túmulo ou dentro do mesmo, e outras
particularidades estão conforme o modo de escrever dos evangelistas que focam
em determinado assunto e compõem a narrativa ao redor para mostrar a cena. A
mensagem é a mesma. Desse modo, a Palavra de Deus está sendo apresentada.
Cuidado com as exigências colocadas para crer. O estudo nos leva a crescer na
fé aos poucos, mas peçamos ao Senhor a fé para crermos na Sua Palavra.
O filósofo fala da limitação do ser: Sem limitação não existe ser, só existe ser pleno.
De fato, somente Deus é pleno. Mas os que isso, a limitação do ser, tem a ver com argumento contra a existência de Deus? Limitação, mudança, possibilidade de sofrer, de tédio, de necessidade, de fazer algo, de obter algo, de sofrer mudanças biológicas, e etc. Isso é querido pelo ateu. Mas qual o motivo? Porque de fato esse pensamento tem encapsulada a ideia de que toda essa mudança possível e essa limitação é passageira e não constante, duradoura e intensa.
Ninguém deseja a
limitação a todo momento, nem uma doença incapacitante, nem qualquer outro sofrimento, nem a
corrupção ou degeneração biológica. E quanto à abertura à mudança, à posse de algo, e etc., o
pensamento é que isso estará sempre ocorrendo, e que a prosperidade virá, e que
a felicidade está sempre à porta. Se não, em sã consciência não poderá desejar
tal limitação do ser.
Outra
instância eterna diferente dessa, que é estimulante e valorosa, seria
preferível deixar de ser, diz o filósofo. E qual o motivo? Certamente por se pensar que ao
chegar ao limite do ser estará sendo englobado no ser total, morrendo e existindo em outra realidade deixará de
crescer em conhecimento, em adquirir, em prosperar, e etc., de modo a atingir
um tédio contínuo, um sofrimento, digamos, e isso é algo que a mente humana não
deseja. Portanto, o argumento falha de duas formas: pensar que a presente vida
é a ideal e que a vida futura como esperada pela fé cristã católica é tediosa.
E o filósofo preferiria deixar de ser ao invés de ir para o céu.
Certamente, no fundo do
argumento está o medo do tédio, do sofrimento. De
fato, pensar em atingir o limite de todo progresso e viver sem mais nada de
novo a ser experimentado é algo que a mente humana repele. No entanto, é
justamente o contrário que espera a fé cristã, que é a felicidade completa, de
modo a não haver mais possibilidade de entediar-se, num progresso infinito,
coisa que vai além da compreensão humana, mas está no desejo de afastar o mau e
o sofrimento, viver na justiça e felicidade constante. Portanto, o primeiro
ponto do filósofo ateu está cheio de problemas, e o mesmo deveria deixar esses
argumento logo após entender essa verdade.
Humildade
do cientista ateu. O cientista ateu assume que pode estar
errado, e faz experimentos e colher evidências. O religioso parte do princípio
que já está com a verdade e o livro sagrado contem a verdade absoluta. Mas a ciência e a fé são duas coisas
interligadas mas distintas. A verdade racional aponta para a existência de Deus
e o universo fala à inteligência sobre a existência de Deus. Assim, o cientista
religioso parte da premissa certa e busca avançar no conhecimento da obra de
Deus que é o universo e no próprio universo. Curvar-se diante da verdade é
humildade.
Parte
1: Deus oculto.
Se fosse provada a
existência. Deveria haver evidências científicas
para se chegar até Deus. Por que permitir que certas pessoas sejam resistentes
e permaneçam no ateísmo? O livre arbítrio explica isso e isso deveria bastar. É
preciso notar que o homem é essencialmente religioso e alguns perdem fé racional em Deus e intuem algo
em seu lugar. No caso do filósofo Matheus pode-se ver que o mesmo crê na
moralidade objetiva, na bondade, em leis naturais objetivas, mas as distinguem
de Deus como se as mesmas fossem auto-existentes.
Parte II: O problema do mal.
O
mal como ausência de bem não resolveria que os seres continuam a ter sofrimento
real. Mas talvez o pensamento de que o sofrimento, em qualquer grau, quando
existe, é momentâneo. É plano de Deus tirar todo o sofrimento da criação. Deus enxugará toda lágrima, diz a
Escritura em Ap 7, 16. Portanto, o pensamento ateísta que sabe do sofrimento
real não tem esperança algum de resolvê-lo para sempre, ao mesmo tempo que o
desculpa, por concebê-lo como proveniente de causas naturais.
Usa
o argumento para culpar uma mente inteligente, mas reconhece o seu mal, o
sentimento de injustiça que ele suscita, mas abafa a voz da razão e da intuição
humana de que é necessário haver justiça
para todo o mal. Dessa forma, o problema do mal fala da existência de Deus. Não
haveria esse desejo de felicidade e de justiça se a mesma fosse inalcançável.
Deus
é bom, mas permite o mal pela liberdade das criaturas, que praticam o mal
contra Sua vontade. Ele é todo-poderoso e garantiu a extinção do mal e a
aplicação da Sua justiça. Em certos casos a criação experimenta um pouco da
vida paradisíaca que espera a todo o que ama a Deus.
Assim,
o mal de fato é contrário à Vontade e natureza de Deus. Sendo assim, a
existência do mal relaciona-se ao Seu poder. Portanto, o mal só pode existir se
Deus o permitir. Deduzimos que o mal é permitido por Deus, mas sendo contrário
ao Seu plano original o mal será extirpado, não podendo existir para sempre,
nem a injustiça prevalecer em qualquer lugar da criação.
O
ateu acerta em ver o mal como inconciliável com o Ser divino, incompatível com
o Seu poder absoluto, mas não percebe que é possível que o Deus bom e todo
poderoso tenha razões para permitir o mal, o que é razoável, como provado
acima, e que ao invés de impossibilitar a existência do mal, Ele irá extirpá-lo
e dar a todos a felicidade eterna, diante da qual o mal passado não poderá
perturbar jamais. E esse desejo está no íntimo da mente humana, sendo algo que
ultrapassa a resposta irrefletida de que sendo Deus bom e todo poderoso o mal
não poderia existir. Por que preferir negar Deus por esse sentimento de injustiça e de ética que flui do
raciocínio acima, ao invés de aceitá-Lo na sua inteireza, como mostrado, quando
o mesmo é a única alternativa para preencher toda a aspiração legítima da
natureza humana, que é a justiça e a felicidade? Portanto, Deus é bom e
todo-poderoso, e o mal será com certeza erradicado para sempre. Sendo assim, o
problema do mal é bastante razoável no mundo que foi criado por Deus, que é bom
e justo, e tem suas explicações satisfatórias.
Parte III:
Argumentos a priori e a posteriori para a existência de Deus.
Existência
e sustentação do universo. Por que não existe nada? A resposta satisfatória
estaria na ciência. Por que Deus estaria imune à regressão? A solução é
simples, uma vez que quem criou Deus seria o verdadeiro Deus, e assim por
diante, o que a razão não leva a fazer. Uma vez que o criador de Deus seria
Deus e assim por diante, haveria a existência infinita de deuses onde nenhuma
seria o verdadeiro e inexistiria o mais poderoso, sendo algo que não responde
às exigências racionais. Assim, o ato puro é o verdadeiro Deus.
Deus sendo onisciente e onipotente.
Não podendo mudar de ideia não seria onipotente. Mas isso é o mesmo que criar
uma pedra que não se pode carregar. Deus não age contra Sua própria natureza e
não pensa de modo e entrar em conflito com Seu próprio ser. No pensamento
simples de Deus não há tal caso de possibilidade de mudança de opinião, e suas
decisões são sempre perfeitas. Sabe o que fará e quando o fará sem quaisquer
problemas.
O
ser inevitável e o nada é impossível por definição. Genial. Esse ser necessário
é Deus. As características dos seres que perecem levam-nos a pensar que não são
necessários. Vamos pensar um pouco. A intuição das leis de moralidade é inata.
A moralidade é objetiva. Percebemos a moralidade como algo real e que afeta a
consciência. Assim, racionalmente se prova a existência da moralidade objetiva.
O
senso de justiça universal. Também traz o desejo de felicidade completa. Deus é
necessário para a vida eterna e para a justiça perfeita ser aplicada a todos os
casos do universo. Esse desejo está na natureza humana. A existência desse
desejo é uma prova de que a sua realização existe. No ateísmo materialista não
há justiça a todos os casos e nem a felicidade eterna. Portanto, pelo mesmo
raciocínio chegamos a Deus.
Gledson Meireles.
sábado, 3 de janeiro de 2026
Debate: Paulo Kogos (cristão católico) vs. Matheus Benites (ateu)
Comentário de partes do debate entre um cristão e um ateu no canal do youtube Cauê Santos.
Serão feitas aqui observações apensas sobre afirmações e argumentos do filósofo ateu.
1) O
filósofo e naturalista ateu, Matheus, afirma o dogma de que nunca houve, não há e jamais haverá qualquer
causa ou ente sobre natural, tudo é natural. O conhecimento objetivo
existe, existe lógica e juízos. A moral faz parte da natureza, ainda que não
seja física, mas é objetiva. É um tipo de ateísmo.
Ainda
que a ciência e as evidências científicas não possam provar que não existe Deus, é aquilo que o filósofo acima afirma e
crê, por assim dizer. Também, ele crê em um dogma, que não pode ser
questionado, resumido como: não existe ente sobrenatural. É então dogmático e
crente no poder da ciência humana, digamos.
A
moral seria objetiva, e poderia formar a base pela qual possamos dizer o que é
certo e o que é errado. Assim, não haveria necessidade de tudo é permitido para
quem não crê na existência de Deus. No entanto, a moral com suas leis objetivas que são percebidas pelo
intelecto humano é assim explicada como proveniente do nada, sem inteligência
alguma. Algo irracional julgando mentes inteligentes. Algo não razoável.
A
ideia de que indivíduos e grupos que creem em Deus e agem como se tudo fosse
permitido comprova que a moral é de fato objetiva e que a única força desse
argumento é que indivíduos livres podem comportar-se de acordo ou não com as
leis morais e ética objetiva. Até esse pondo nada contra a existência de Deus e
uma incoerência no pensamento ateísmo.
O
homem teria conseguido de alguma forma perceber através da observação empírica
as propriedades morais que existem no universo, que não seriam leis, mas fatos
naturais.
De
onde vêem essas propriedades morais que a mente humana percebe? E essas leis
tão sábias que o homem demorou tanto para entender e agir em conformidade
seriam apenas naturais? E mente inteligente, nesse pressuposto ateísta, está
tentando entender o melhor para a humanidade que provém da realidade do mundo e
que teria proveniência irracional, sem causa espiritual, uma lei vindo do nada.
É algo estupendo de se pensar.
De
fato, o homem fraco e imperfeito não alcança toda a profundidade dessa
realidade moral que traz o bem estar almejado pela humanidade. No entanto, esse
fundamento moral teria uma origem puramente natural, sem espiritualidade nem
inteligência, e que, como vimos, está acima da inteligência.
Em
primeiro lugar a moral objetiva é uma verdade da fé cristã é teísta. A posição
do filósofo concordando com isso o coloca em situação pior, já que fica teórica
e praticamente impossível explicar essa incongruência acima apontada. Ponto
positivo para a posição cristã.
2) Como
o suprassensível entra em contato com o sensível? De fato, quando o ateu afasta
o espiritual, o que está acima da
natureza, mas crê que propriedades invisíveis agem no mundo e o governam, por
assim dizer, tendo o homem frágil e débil que perseguir por milênios a
conformação da sua vida para o progresso das culturas, conformação às leis ou
propriedades naturais da moral natural, sendo esse contato perfeitamente
razoável e possível, parece residir aí a resposta à questão que o ateísmo
propõe, uma vez que a criação, física e tangível, com suas leis naturais
objetivas, são obras de Deus e dessa forma a comunicação com a razão humana é
praticamente possível e natural, havendo mesmo a indicação e natural propensão
para ir além, quando se pena no entendimento das coisas sobrenaturais. Sendo
assim, a compreensão da moral, como se percebe, é facilmente feita pelo homem,
e a sua comunicação com o espírito humano é de fato fácil e natural, e tudo
isso nos leva a entender mais uma obra de Deus, inteligente e moral. A crença
na irracionalidade da moral é que é problemática para a mente humana
inteligente. Por outro lado, quando se parte para a mente inteligente humana em
sua fragilidade e debilidade para compreender a mente perfeita de Deus, temos
uma explicação perfeita.
3) Causação
de David Hume. Causa prioritária temporalmente ao efeito, contiguidade espaço-temporal
entre as duas coisas, precisam ser observadas juntas em situações semelhantes. Como
Deus fora do tempo poderia afetar e gerar uma coisa no tempo? Para isso,
bastante pensar que Deus na eternidade é causa do tempo ao cria-lo, sendo que
causa opera no mesmo instante em que o tempo passa a existir, assim como uma
marreta ao quebrar uma vidraça, onde a marreta é a causa da quebra do vidro.
Entretanto, a causa da quebra foi a marreta naquele movimento de força contra a
vidraça, o que é anterior logicamente, mas a quebra, que é o efeito, é
simultâneo ao toque da marreta no vidro. Assim, as rachaduras e decomposição da
vidraça são criadas no mesmo instante em que a marreta entra em contado com o
material do vidro. Assim, Deus na eternidade cria com Seu poder o tempo, onde o
mesmo passa a existir no exato momento em que o pensamento criador divino entra
em operação com vista a produzir esse efeito. Causa e efeito ocorrendo no mesmo
instante, a contiguidade espaço-temporal entre ambos é compreendida e a
observação intelectual dessa realidade é perfeita.
4) Argumento
a partir da ontologia plana. Explicações metafísicas, não morais. Não haveria
ser necessário para sustentar o universo. Os entes partindo do mesmo estatuto ontológico. A capacidade de
afetar outro ente é que determina a ontologia. Parece que a questão não afeta
em nada a existência de Deus. A constatação de que todos os entes existem e a
opinião de que os mesmos possuem igualdade ontológica, parte do pressuposto de
que todos existem, e que isso seria o
fundamento para o mesmo estatuto ontológico, o que é algo posterior à obra de
Deus. Foi Deus quem deu existência aos entes, e assim, a partir disso, toda
observação e reflexão sobre os entes e suas relações estão no campo secundário.
As qualidades, perfeições e imperfeições observadas atestam algo objetivo. E
nessa constatação vemos mais uma vez a razão levar a algo mais perfeito que a
natureza tangível, o modelo, a origem, o fundamento da existência da mesma. A
questão de que unicórnios existem apenas na ideia, na imaginação, na linguagem,
teria nessa teoria a mesma importância de um elefante, que existe na realidade.
O unicórnio fictício tem o mesmo valor ontológico que o elefante real.
Certamente, essa teoria entende que Deus, que seria uma ideia, partindo do
pressuposto ateu, teria o mesmo valor ontológico que qualquer outro elemento da
natureza. O problema é que racionalmente essa igualdade ontológica poderia ser
entendida como a base para a existência de toda a criação no plano original de
Deus, onde tudo o que existe é em relação a Deus infinitamente menor. Claro
que, sendo assim, Deus não é ideia, não é imaginação, não é criação da mente
humana, mas o próprio motor Criador inteligente, espiritual e perfeito da
natureza presente em todo o universo. Eis a diferença básica. A ideia de
gradação de cada ser na natureza pode ser compreendida em ambas as
perspectivas. Cada ser tem um lugar na natureza, e por isso se pode explicar e
entender a importância ontológica nesse sentido. Partindo daí, temos que
ontologicamente Deus e a natureza possuem uma gradação infinita.
5) Deus
é o Sumo Bem. Para o ateísmo naturalista ético, Deus poderia existir como
ideia. Alguém poderia pensar no Deus bom, ou qualquer outro deus com quaisquer
características. A existência desse deus ideial e sua natureza é igual à de qualquer
outra ideia. Assim, também, a bondade nas coisas existem, mas não a bondade em
si. Como a saúde, e etc, existem nas pessoas e não algo imaterial, um ente “saúde”.
Com isso, o ateísmo iguala a idade de bem, de bondade, integridade, coragem, etc.,
à ideia de Deus.
Dessa forma, a teoria ateísta, aí proposta,
crê explicar a realidade. A realidade objetiva dos fatos naturais é desconhecida em sua totalmente pela
mente humana. Somente uma mente onisciente poderia compreender essa objetividade moral. Foi necessário muito para que a humanidade chegasse a compreender
o certo e o errado em cada circunstância no curso do progresso histórico.
Assim, essa perfeição real, por assim dizer, é claro que o filósofo ateu
tentaria afastar qualquer linguagem que se aproximasse da ideia de Deus aqui,
mas não faz a menor importância, quando se faz a devida observação da realidade
e a descreve objetivamente, essa perfeição da realidade, com sua moral
intrínseca e objetiva e não originada, nem dependente da subjetividade humana, mas existente em si, irracional, com sua admitida complexidade,
essa moral está no lugar que Deus deveria ocupar. Assim como o homem aos poucos vai compreendendo Deus, assim vai entendendo a moral objetiva e natural acima descrita. É preciso entender que ao
tentar colocar algo no lugar de Deus, nega-se a força da razão a alcançar
degraus superiores e começa-se a pensar absurdos, ou seja, ideias contrárias às
leis do pensamento racional, como a já apontada moral irracional acima.
A moral não é física, mas natural, afirma o filósofo.
Isso em nada é empecilho para a crença na existência de Deus, já que a criação
de Deus é toda adaptada à mente do homem. Assim, inferir as leis morais na
natureza é apenas uma constatação dessa realidade metafísica na criação. Até o
momento nada que possa ser de dificuldade para a existência de Deus. Ainda, a
mente humana poderia progredir infinitamente no bem, sem que o Sumo Bem
existisse. É algo que de fato esforça-se por tomar o lugar de Deus, mas com
problemas racionais estruturais. A estrutura racional não comporta esse
pensamento, como mostrado antes. De fato, a teoria mostra-se bastante inferior à
explicação cristã católica.
1) Deus comandando a moral. O filósofo ateu afirma que isso não foi provado. Mas, pelo que o mesmo crê a respeito da moral natural objetiva, a mesma reflete o caráter de Deus para a humanidade, e uma vez que isso seja constatado é razoável crer na existência de Deus, inteligente e fonte da moral, e não o contrário. O argumento vai em direção ao fato da existência de Deus.
2) A
moral evolutiva: a humanidade foi aos poucos crescendo moralmente. Isso também
está de acordo com a fé cristã. Os argumentos contra os pecados da humanidade,
as coisas mais terríveis e maléficas, como sendo praticado pelo povo de Deus no
Antigo Testamento são exemplos usados para argumentar contra a existência de
Deus. Uma vez, porém, que se entende que o povo crescia no entendimento moral,
e evoluía espiritualmente, conformando-se à vontade de Deus, isso vai ficando
menos problemático.
De fato, nenhum mal moral é
proveniente de Deus. Nenhuma passagem bíblica ensina a escravidão, mas endossa
a mesma como costume antigo e integre esse e outros costumes nos planos de Deus
para a salvação do seu povo em nível histórico-político como espiritual. Outra
coisa é entender a vida do povo livre e pecador no caminho revelado por Deus.
Nem tudo o que o povo fez foi do agrado de Deus, e as coisas mais terríveis que
o povo de Deus fez naquelas circunstâncias históricas foram, o mau menor
permitido por Deus. Ainda, nem todas as coisas são compreendidas pela mente
humana, e diante da realidade global somente Deus sabe, e age com sabedoria
infinita intervém, sempre como Lhe apraz, para o bem, ainda que o homem não
entenda isso completamente em determinadas circunstâncias.
O filósofo encontra em muitos
exemplos uma pedagogia falha, mas isso porque não compreende o que acima está
exposto, e que é o caminho para se compreender a realidade complexa da
humanidade. Somente uma mente onisciente compreende tudo. Assim, somente Deus e
quando Ele nos relevar as dos acontecimentos globais.
O fato do ser humano não
compreender a moral e ir aos poucos galgando em direção à perfeição, lembra a
humanidade caminhando para Deus. Os exemplos na Bíblia me que se nota
moralidade imperfeita não é exemplo apenas da humanidade falhando na
compreensão da moral objetiva, mas da humanidade falhando em seguir as normas
de Deus, objetivas e naturais, e também, no caso bíblico, reveladas.
Deus não revelou tudo de uma vez,
mas em Sua pedagogia perfeita e santa, deixou a humanidade em sua liberdade
descobrindo os meios de seguir o caminho do bem, com auxílio da graça,
fundamental para o bem maior e para a salvação. Sem a graça o bem que a
humanidade pode alcançar não é tão elevado, porque o pecado atrai o homem para
os valores mais baixos.
O ateísmo assim, exige que uma
moral perfeita esteja clara em toda a Escritura, ainda que entenda a
imperfeição humana, a pouca compreensão da moral durante milênios, e etc., tendo
dificuldade em entender o modo sábio de Deus ao agir com a humanidade assim, tão
débil, principalmente nas coisas mais elevadas. Essas exigências fazem parte do
debate, da busca pela verdade, das inquietações, e etc., mas devem ser elas
também refletidas. Será que tais exigências não estão encobrindo a recusa em
ver algo claro que está à frente, servindo essas exigências como véus a
encobrir a verdade, como empecilhos para encontrá-la, chegando ao ponto das
árvores estarem atrapalhando a vista da floresta? Muitas vezes os exemplos que
são usados para negar algo são a própria prova para esse algo negado.
Talvez um bem seja visto em
determinada coisa, mas para Deus, e quando objetivamente refletido,
intelectualmente, se descubra que outro bem seja maior que aquele. Assim, o não
escravizarás nas está nos 10 mandamentos, mas é um valor moral importante para
Deus e compreensível para todos. No entanto, Deus permite que o homem livre
siga muitas vezes seus caminhos que negam a própria vontade divina. Assim o foi
com a poligamia, com o governo do povo através dos reis, com o divórcio, e etc.
Entretanto, naqueles tempos e hoje Deus é o mesmo e cuida de nós segundo as
luzes que temos da Sua palavra e da moral objetiva. Somente às vezes intervém
milagrosamente.
O caso de Jó é uma descrição da
realidade. Apenas ali está revelado o que acontecia. Desse modo, Deus dá outros
filhos para Jó, não insistindo com isso que a perda dos seus filhos tenha sido
algo bom, e que tudo estava bem. Da mesma forma, que numa visão natural e
ateísta uma mulher que perdera um filho se alegra com a geração de outro. Nessa
questão, numa visão ateísta, tudo acontece livremente e sem consequências
eternas. Assim, aquele mal foi mais tarde compensado por um bem.
Mas, o mesmo exemplo não é aceito
quando se pensa no Deus bom e soberano que conhece e dirige infalivelmente toda
a história, de modo que pode permitir males que não estão de acordo com sua
moral perfeita para deles tirar o bem, no meio da humanidade imperfeita e
pecadora. Por que isso? Porque no pensamento ateísta descrito com esse exemplo
esses acontecimentos teriam ocorrido sem uma Inteligência como fundamento, e
então estaria tudo certo, deveríamos nos conformar e não nos rebelar, assim
como a mente do filósofo que assim crê se comporta. Agora, quando se pensa que
tal caso ocorra no mundo criado por Deus, então surge uma revolta profunda
contra Ele, de modo a substanciar um argumento contra a Sua existência. Assim,
a moral natural objetiva fica isenta de culpa, pois é impessoal e irracional,
ainda que apresente propriedades tão altas e inteligentes, o que é um absurdo.
Contudo, contra Deus os exemplos de males na humanidade são usados para negar
Sua existência, já que não se consegue conciliar com Sua perfeição. Não seria
isso mais um exemplo da debilidade da mente humana, que deseja compreender
tudo, e não está disposta a aceitar suas próprias limitações e abrir o espaço
para o que a mesma razão aponta, o qual é a fé?
Então, para não lidar com maiores
problemas, o naturalismo entende ser o caminho mais indicado para entender a
questão do mal. Seria como se o mundo não tivesse sido planejando, não sendo
criado por uma inteligência perfeita, não tenho razão nenhuma para os
acontecimentos da humanidade, mas que de uma maneira incompreensível há uma
moral natural objetiva profunda que a mente humana aos poucos vai compreendendo
para viver melhor. Não se pensa mais que o bem natural físico e finito, embora
a razão humana exija naturalmente mais, e mostre que os males devem ser
reparados, a justiça deve ser perfeita, há algo mais que não está contido na
teoria naturalista. Suas repostas não propõem argumentos contra Deus e encerram
contradições, como as já apontadas nas observações acima.
E os males sendo explicados como
meios permitidos para o bem maior?
O fílósofo não pôde compreender.
Como seria chegar no céu e saber que tanto sofrimento teve suas razões e
conhece-las exaustivamente. Seria melhor, pelo que se percebe, que tais
sofrimentos naturais não tenham fim algum e que a justiça para a reparação de
tantos males acumulados na humanidade não exista. Em Deus tudo será entendido e
Sua justiça será exercida, e o bem maior será a salvação e felicidade completa.
Na visão naturalista todo o mal ocorre e acabará sem nenhuma razão última e
também nenhuma justiça será feita. É uma lástima. Preferem crer que o mal não
razão última para existir nem a justiça para tantos males será feita. A
consciência assim é adormecida pelo motivo da crença do fim de todas as coisas
na morte física. A crença na moral natural objetiva impera nessa teoria. No
entanto, é preferível e razoável a fé em Deus, pessoal e inteligente, que dará
a razão de toda a realidade de trará justiça contra todos os males praticados
no mundo, dando oportunidade de felicidade a todos os que O buscam de coração
sincero.
3) Foco na salvação. O motivo de
tantas coisas existirem na criação, como o inseto parasita que devora lagartas?
A imperfeição de toda a criação é explicada pelo pecado original. No fim tudo
voltará à perfeição original. Dessa forma, com a perda da justiça pelo pecado
toda a criação sofre como dores de parte, diz a Escritura. Ainda que a ciência
não consiga explicar tudo, certamente há motivos em cada ato da criação, ainda
que pareçam absurdos. Pneumoidai.
4) O
sofrimento gratuito. E o sofrimento da lagarta, e o da zebra devorada pelo
leão? De fato, tudo isso é consequência do pecado, que atingiu a natureza.
Assim, não é obra original de Deus, mas permissão divina. Então, porque Deus
não criou um sistema onde não haveria isso? A sabedoria divina sabe tirar o bem
ainda que o mal surja pela liberdade humana. No final, tudo será esclarecido. E
o sofrimento na natureza talvez não seja gratuito,
a não ser na visão naturalista, onde o mesmo seria consequência natural e não
será remediado por nada, não tendo nada a ser feito, sendo realmente gratuito.
Mas, com isso, por que é aceita
essa gratuidade do sofrimento pelo filósofo ateu, por ser ela natural e
inevitável, e ao mesmo tempo dessa realidade é formulado argumento contra Deus?
Deus certamente dará sentido a cada coisa que ocorre no mundo. Mas, o
naturalista não espera entender o sentido das coisas que o aflige. Ao invés de
não esperar nada que explique algo (como o sofrimento gratuito) que contraria a
razão ao ponto desse fato ser elevado a argumento contra Deus, por que não
continua a inquietar-se contra tais males da natureza e da humanidade e
ancorar-se em Deus que poderá resolver tudo? Por que não pensar no motivo
último de tais coisas e como o Senhor fará para consertar esses desvios? É algo
que emerge da própria indignação de existir certas coisas que parecem não ter
explicação razoável. Se a zebra morta pelo leão é algo que faz pensar em
injustiça sofrida por aquele animal, porque isso fica justificado no sistema
naturalista, onde casa um é agente da história, mas não é justificado quando se
tem Deus como Criador e dá liberdade a cada um e governa o mundo pela Sua
Palavra, através das leis naturais? Nesse sistema, temos o aval da razão, a
realidade, a esperança de que tudo terá um desfecho justo. No outro, temos que
uma moral natural objetiva nos faz pensar que tais e tais coisas são certas ou
erradas, justas ou injustas, mas no fim, na morte, tudo acabará sem resposta,
não havendo mais esperança. Não é razoável, a inteligência aponta para mais.
Ao tratar de animais cujos chifres
crescem contra a própria cabeça colocando a vida do animal em risco, o filósofo
ateu afirma que isso é um absurdo, ele não encontra propósito nisso. De fato,
não há tal coisa na natureza, pois o fato, talvez tratando-se do babirussa e do
carneiro selvagem, esses são exemplos de casos raros, problemas advindos de
causas desconhecidas, e não algo que a natureza fez assim. Dessa forma, não é
caso de evolução, pois trata-se de deformação, e não atinge a explicação de que
cada obra de Deus tem seu propósito. Essas imperfeições são aceitas se forem
explicadas naturalmente, mas não são aceitas se explicadas naturalmente mas
como causa da imperfeição da natureza advinda do pecado original permitido por
Deus? Por que somente quando se admite a existência de Deus é que a explicação
não é aceita? Diria o filósofo: porque Deus é bom? Sim. Mas tudo está explicado
conforme dito acima, já que tais coisas não são parte do plano original de
Deus, mas deturpações que foram permitidas após o pecado, e no fim tudo será
levado à perfeição. O naturalista prefere ver as mutações, as imperfeições,
sentir a indignação, ver que tais coisas não se adequam ao bem natural, não
esperando nada para além da realidade física, contentando-se com o presente,
não pensando no futuro metafísico. A evolução é cega, diz o filósofo. Mas é
isso justamente o que está ocorrendo nesse exemplo acima, onde as leis da
natureza sofrem deformações.
5) Falta
de evidências, por exemplo, uma filmagem da ressurreição. Obviamente, mais
ainda em tempos de inteligência artificial, muitos não acreditariam na
filmagem, assim como não acreditam na Bíblia, não acreditaram nas testemunhas
oculares, e etc. O problema está em outro lugar. Portanto, as evidências
exigidas assim não demonstram muita prudência. A Bíblia seria arcaica, com
superstição e escrita em tempo remoto.
6) David Hume e os milagres que quebram as leis
da natureza. Deus deveria ser mais claro. Mas, Deus é suficientemente claro nas
leis da natureza, na criação, na razão. Ainda assim, exigências tais podem
esconder problemas no estudo que estão dificultando a aceitação de Deus.
7) O
ateísmo seria o cenário mais razoável. O filósofo não sabe se Deus não existe,
mas crê que está do lado mais razoável. O que está posto acima talvez o ajudará
a pensar nas coisas de Deus.
8) Lacunas
não são evidências do Design Inteligente.
Mais de 90% dos organismos não existem mais. Eficiência e Inteligência. Logo,
Deus não existe? O exemplo do olho: evolução. Mas isso não pode ser testado. E
o olho como criação? Pode? A resposta do filósofo trouxe esse argumento. Assim,
não entra no escrutínio da ciência nenhum dos exemplos, mas crer na criação é o
mais razoável. Estruturas sensíveis à luz muito simples tornando-se mais
complexas, durante milhões de anos é acreditar em algo menos razoável. Deus
permitiu a extinção de várias espécies. Nada disso pode ser objeção contra
Deus, pois faz parte da influência do pecado na humanidade.
9) Deve-se
estar disposto a negar uma teoria para ser filósofo. Obviamente, se algo for
provado errado.
10)
Lacuna de explicação para existência de
Deus? Na verdade, há lacunas de explicações contra a existência de Deus,
enquanto as explicações suficientes provam a existência de Deus.
11)
Olhar para a lua e ver o cavalo de São
Jorge não é o mesmo que perceber Deus a partir da criação. É apenas uma
impressão, onde alguém ver certa forma e julga ser semelhante a algo, mas
sabendo, certamente, que é apenas isso. Falácia retrospectiva. As condições das
quais a vida depende e a ideia de um projetista. O que dizer disso? Partindo da
realidade observada temos as inferências racionais e a formulação da prova para
a existência de Deus.
12)
Não existe revelação, o conhecimento
começa nos sentidos? O que isso prova contra a revelação? São Paulo viu Jesus.
Escreveu cartas inspiradas. A Bíblia tem provas científicas de sua legitimidade.
Crendo naquilo que a Bíblia apresenta, temos acesso à revelação que foi posta
por escrito. Assim, pelos sentidos também chegamos à revelação de Deus.
13)
Fé revelada é algo arcaico, medieval? Na
verdade, parece apenas uma opinião.
14)
O filósofo critica Santo Agostinho por
ensinar a entregar-se a Deus totalmente, a se negar, negar a própria vida, a “única”
em nome de um além. Parece mesmo estar certo de que esta física é a única,
quando não pode provar isso.
15)
O filósofo ateu afirma refutar as três
primeiras vias conjuntamente. As vias do movimento,
da causação e da contingência. Pode ser que haja múltiplas primeiras causas para
diferentes coisas no universo. Cita William Rowe. Um exemplo para provar isso
seria que “O conjunto de todas as coisas que tem causas eficientes pode não ter
causa eficiente”. Um todo que abrange as coisas que têm causas eficientes, mas
ele mesmo, o conjunto, não tem causa eficiente. O ponto básico é que o conjunto
não tem causa eficiente. A pobreza da imaginação deve ser a ideia de que tudo
tem começo. O universo pode ser eterno. Cita o eternalismo. Deus como a causa
de Si mesmo, sendo não-causado. O próprio ser poderia ter isso. Isso seria
tirar a superstição e o mistério. O ser seria não causado. Desse modo, o
filósofo tenta fazer do ser o que somente Deus é. A ideia de que o ser pode não
ser causado é transferir um atributo único de Deus para toda a criação, por
exemplo. Matematicamente as coisas do conjunto possuem causa, mas o conjunto não possuiria. No entanto, a mente humana cria o conjunto abstraindo da totalidade de elementos observados e pensados. Quando o filósofo afirma que a bondade não tem causa, mas somente os atos bons, ele coloca mais uma vez um atributo de Deus em outra coisa, ou vê um atributo divino como algo em separado, uma propriedade do universo.
Outra vez um atributo de Deus é
posto em outro ser. A ideia do conjunto não faz sentido. O conjunto é apenas
uma ideia de determinados elementos. Por exemplo, quando Deus cria o céu e a
terra e tudo o que existe, o conjunto disso é a totalidade da criação. Assim,
Deus criou o céu, também criou o peixe, a árvore, o fogo e todo o conjunto. O
conjunto de toda a natureza é a própria natureza criada. Assim, mesmo a mente
humana, imaginando o conjunto é a criadora do mesmo, que nada mais é que o
reflexo da realidade percebida na mente. Portanto, essa eternidade do conjunto
supõe a eternidade da natureza. Uma vez que a natureza é criação de Deus, Ele é
o criador do conjunto. Se o conjunto em Si é eterno, esse está sendo concebido
como Deus. Outra vez um atributo de Deus é transferido para outra realidade.
21) A ideia que o
filósofo colocou é bastante estranha. Não haveria necessidade no movimento ser
movido por outro. A inércia existencial explicaria que todo ser poderia ser
necessário. E explica ainda que isso não é temporal, pois mesmo morto estaria
existindo ontologicamente. Em primeiro lugar, essa expressão da linguagem não
explicou nada. O ente poderia ser autossuficiente, ou a necessário e bastaria a
si mesmo para existir. No entanto, a realidade não mudou. Uma pessoa viva
difere dela mesma morta, e no entanto, na filosofia cristã, essa pessoa existe
na memória, como existe na criação de Deus, como substancia, vivendo na terra
em determinado período, sendo agora não mais como na eternidade, pois uma vez
que nasceu e passou a existir tem sua parte no universo. Mas, é preciso
concordar que a pessoa morta deixou de ter a mesma consciência, no caso
cristão, pois segundo o ateísmo ela não tem mais consciência, seu corpo não
funciona mais, seus restos se decompõem e nenhuma das suas ações é mais
possível como era antes. E em se tratando de uma filosofia que nega a Deus e a
existência da alma, certamente, essa “existência” da pessoa é apenas uma
memória, um fato conhecido por outros no universo, mas não a mesma existência
de antes. Esse ente que está no lugar daquele que morreu não explica mais do
que a realidade.
Nesse momento aquela
pessoa não mais existe. E se existe, não mais da mesma forma. Do contrário, se
poderia marcar uma reunião com a pessoa em tal hora para que ela pudesse
explicar como se sente agora, em 2026, mesmo que tenha morrido no ano de 1549.
Já que a mesma existe, isso deveria ser possível. Mas dirá o filósofo que isso
é algo não temporal, fora da matéria, em se tratando de uma existência em si
que não depende das categorias da filosofia tomista para ser explicada e etc.
Na realidade, isso não muda nada. A pessoa existe na memória de Deus, de
outros, mas não mais como antes, estando morta, e não pode mais nada do que
antes podia, a não ser na ressurreição da carne. E, caso se tenha essa existência
em substância em mente, essa pessoa não é mais como antes, não tem consciência,
não age, não ocupa lugar no espaço, nem no tempo, e, nela mesma, não é mais
como antes da sua existência física em vida. Assim, a filosofia cristã refuta
essa asserção.
22) Existem coisas que
não têm explicação. De fato, a eternidade de Deus é algo que podemos
compreender sem explicá-la facilmente. Mas isso não é para colocar a eternidade
em outras coisas, como no mundo, e etc.
23) O ser pode não ter
explicação. De fato, o ser tem explicação. Pensar que poderia não ter é algo
imaginário, uma possibilidade criada quando se não aceita a explicação
racional, onde tudo necessariamente tem um princípio. Supondo que existissem vários
princípios teriam de ser “deuses”, na melhor das hipóteses, e as obras
certamente não teriam a mesma regularidade, unidade, complementariedade e
harmonia, visto que seriam provenientes de várias fontes diferentes. Se fossem
forças inconscientes naturais, a situação seria ainda pior.
A respeito do conjunto
de coisas. Um conjunto de morangos é a totalidade dos morangos do conjunto.
Obviamente, é o mesmo que os morangos, a não ser que se esteja tratando da
ideia de conjunto na mente, como abstração da mente racional. Mas ainda, como
foi pensado pelo filósofo ateu no debate, o princípio poderia explicar a origem
do conjunto, o que já vislumbra o entendimento do filósofo para a resolução de
suas dificuldades.
A filosofia naturalista
proposta parece enxergar lacunas em certas explicações, entender que as
conclusões são precipitadas e as premissas são pobres.
A entropia se aplica a
sistemas isolados. Mas, e se isso fosse aplicado da toda a natureza? Não diz
isso respeito à necessidade de um ordenador? É claro que sim. A complexidade do
universo e da vida contraria a tendência ao aumento da entropia. Há uma lei
inteligente que está controlando tudo para a organização geral. Essa lei vem de
Deus. Afirmar que tudo não seria aleatório mas não haveria também ordenador não
é uma conclusão racional e não segue os avanços da ciência. Então ficaria no
pensar que as coisas poderiam ocorrer sem as necessidades que a razão exige, e
pensar de modo irracional, contrariando a ciência e as leis da razão, a mesma
razão que está sendo usada para criar essa teoria. Assim, a base utilizada para
criar um sistema compreensível, e organizado não é usada no interior mesmo
desse sistema, quando se admite que coisas podem ser organizadas sem
organizador, surgirem por si só e serem necessárias, onde as leis que regem
algo são objetivas e existem em si mesmas ou talvez passem a existir quando
aleatoriamente mentes racionais passem a existem, concomitantemente. Assim, um
sistema objetivo de leis surge ao mesmo tempo em que a mente racional aparece
na natureza e é ao mesmo tempo extrínseca e independente dessa mente. Aqui há a
preocupação com a organização, com a objetividade da lei, da moralidade, e de
outros atributos como justiça, bondade, beleza, ao mesmo tempo em que não
aceita a Inteligência que explica todas essas realidades. Esse ponto nega o
fluxo normal da razão.
Ao afirmar que algumas
coisas têm causas naturais, ao passo que outras poderiam não ter, por não serem
conhecidas, talvez. No plano teórico, porém, não ter causa é inadmissível
racionalmente.
As leis são
autoexistentes? Não, pois a razão exige algo externo para a origem das leis. Isso
seria uma “arbitrariedade”, ou, como concordou posteriormente, uma explicação
racional de entes necessários, mas dentro de um fórum plano de
substancialidade, onde todos os seres são iguais, não havendo pirâmide. Sem
isso, não haveria ordenador, e todo ser poderia ser autoexistente, o que também
não é racional. Assim, desistir do avanço na pesquisa em busca de resposta
quando se chega a esse ponto, afirmando não ter resposta, quando a razão aponta
para uma origem todo-poderosa e inteligente para essa realidade, é um exemplo
de desistência de uso de parte do poder racional. O ser humano como capaz de
pensamento abstrato e com responsabilidade moral supõe o espírito e O Espírito
maior, que é Deus. Mas o filósofo afirma que o ser sobrenatural não é razão
para a existência da capacidade do pensar abstrato, ainda que o pensamento não
seria material. Basta pensar na comunicação no material com o não material ou
entre esses diferentes tipos de matéria, poderia ser dito.
As leis existem e assim
são tão reais quanto a matéria. De fato, o pensamento poderia ser assim também:
Deus existe e é tão real quanto a matéria. Ele é o Autor das leis, e por isso elas
refletem uma inteligência, ordem e objetividade.
Isso é muito mais
razoável que pensar em leis, moralidade, informações naturais, autoexistentes,
surgindo em concomitância e independentemente da razão dos seres racionais, o
que supõe uma força que conecte o surgimento de ambos para a origem instantânea,
ou mesmo sendo anterior aos entes, servindo para orientar a existências desses
entes. Que força seria essa que associa a moralidade aos seres racionais morais
no momento do surgimento de ambas as realidades no universo? A razão pede essas
explicações, e pensar que isso não seria apenas um costume da inteligência e
não algo que necessário para o bom senso, seria desistir de bem usar a
ferramenta filosófica fundamental na filosofia, suspendendo as exigências
racionais quando essas levam na contramão do sistema de pensamento que está
sendo construído.
Mas o filósofo chega a
concordar que a moralidade existindo antes dos seres morais faz sentido, mas segue
no pensamento de que o ente pode ser necessário e natural, não crendo que a
exigência racional pela explicação nesse ponto fundamental deva ser admitida.
Ao tratar dos graus de
perfeição acredita que não haveria razão para supor que as qualidades precisem
de um grau absoluto. Mas como seria a percepção da beleza, que reflete ao
objetivo, e a graduação do belo, que está atrelado necessariamente a algo que é
a beleza absoluta, se a beleza fosse apenas algo aberto infinitamente sem a
existência de algo mais belo à frente, apenas na fisicalidade do ser, uma vez
que a beleza em si não existe, o que contraria o platonismo, mas que deve
existir no ser supremo, o que prova a existência de Deus. Afirmar que algo é
mais belo que algo outro fica sem sentido na visão de que a beleza progride
infinitamente, quando no infinito não há beleza, pois essa não existe em si e
não há no infinito os seres com beleza que permitiriam a comparação dos graus
de beleza de algo atual. Há aqui sim, coisas lacunares, conclusão precipitada, pobreza
de premissa. Sim, a qualidade não tem um limite, pois Deus é eterno, infinito,
e é a Suma beleza. Temos algo que conforma a nossa razão. Talvez pensar no “limite”
para a beleza tenha sido a pedra no caminho para o filósofo entender que a
beleza sem limite rumo ao infinito aponta antes para Deus que para a ausência de
beleza e à pura possiblidade de crescimento do belo. A limitação aqui é um
problema para o filósofo em seu raciocínio para pensar no belo em Deus que é a
fonte da beleza sem fim.
Quando se pensa na
bondade, na beleza apenas no ser o problema não se resolve, como visto acima.
Essa filosofia naturalista busca algo no platonismo, o aristotelismo, em Descartes,
negando a causa final, em Hume, com a questão da causalidade, em Kant com a
subjetividade do juízo teleológico (exemplos citados no debate), em Nietzsche,
etc. Kant leva mais para a subjetividade e para o modo de compreender o mundo,
enquanto Santo Tomás mostra o propósito como prova da existência de Deus.
Outra coisa é o propósito.
Coisas que parecem agir em propósito poderiam não ter uma Inteligência por trás
disso.
Quando não se entende
algo, não seria melhor ficar com a resposta atual, aberto a novas respostas, do
que entender essa falta de conhecimento como argumento contra a existência de Deus?
O argumento abdutivo, raciocínio em que se infere uma hipótese como a melhor explicação
para um fenômeno observado. Assim, o que se encaixa melhor nas evidências é a
resposta aceita. A ordem, a complexidade e a finalidade do universo é melhor
explicada pela existência de Deus. No entanto, o filósofo parece usar do
argumento olhando para a ausência de evidências claras do Criador, e imperfeição
do universo, o que seria explicado por um processo natural e sem desígnio
intencional. Pensar que as evidências para o Criador são insuficientes não
cabe, pelo que foi observado nos comentários acima. Desse modo, deve-se ver que
o próprio argumento abdutivo é coerente com a existência de Deus.
Ser dogmático com algo não significa não estar aberto a algo mais a ser aprendido, já que no caso da existência de Deus há provas racionais robustas que não permitem a dúvida. Assim, estar certo dessa conclusão é estar na posse da sabedoria, o que é esperado do verdadeiro filósofo.
Gledsdon Meireles.