domingo, 4 de janeiro de 2026

Refutando alguns rgumentos do filósofo Matheus Benites

Aqui estão comentadas brevemente certas afirmações escolhidas aleatoriamente em vídeos do filósofo.

O rosto projetado numa poça d´água”. A água funciona como um espelho. A forma que se reflete na água remete à realidade física ali na frente da superfície que pode transmitir pelo seu brilho a forma original. Os sentidos podem captar a forma do rosto na água. Assim, o rosto na água existe. Ele é um ser. Esse ser é tão existente quanto o rosto original que o fez ser refletido. Desse modo, o reflexo na água é um ser igual ao ser original existente, se formos pensar em termos da ontologia plana.

Quando se diz que sabemos que não há um rosto ali na poça d´água, mas apenas a projeção do rosto, isso está conforme a filosofia tomista, bastante realista e racional, e fornece meios que enfraquecem a filosofia naturalista.

Em Romanos 1, 19 está escrito: “Porquanto o que se pode conhecer de Deus eles o leem em si mesmos, pois Deus lhes revelou com evidências”. Há evidências no homem e no mundo para provar a existência de Deus. Achar que são ainda fracos os argumentos, e que se precisa de algo mais forte, talvez seja uma exigência infantil nesse quesito.

E no versículo 20: “Desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, o seu sempiterno poder e divindade, se tornam visíveis à inteligência, por suas obras; de modo que não se podem escusar.

Assim, existe a perfeição de Deus que é vista no mundo, e o poder de Deus é também refletido na criação, de modo que são visíveis aos olhos as suas obras, mas o texto afirma que são visíveis à inteligência. É parte da tarefa filosófica, então, buscar entender Deus, e aceitar sua existência é o ponto básico.

Deus não é forçado a revelar-Se mais do que o suficiente. Não é revelação de Deus que o mesmo se revela a todos igualmente e eficazmente. Também não é empiricamente observado que todos creem da mesma forma.

No entanto, é verdade que a maioria absoluta na humanidade crê na existência de Deus. Quando se diz que o Deus cristão está em desvantagem porque o Cristianismo não é a maior religião na terra, está encerrando uma contradição na posição adotada de que o ateísmo se vale da proposição de que não há divindade. Desse modo, a crença em quaisquer divindades não é ateísmo.

Assim, a maior parte da humanidade em todos os tempos creu em Deus. O ateísmo é fenômeno isolado e em crescimento em períodos de crise, como os da era atual. Às vezes às exigências revelam o medo de crer e a vontade de não crer. Assim, encontra-se em qualquer debate o seguinte: “se você me mostrar isso eu fico convencido”, mas antes é feita a apresentação de modo deve ser a prova, que deve conter tal e tal característica, etc.

Por exemplo, me mostre na Bíblia onde está escrito tal coisa, quando a Bíblia afirma a mesma coisa em outras palavras ou de forma tácita, o que não é aceito pelo debatedor, pois o mesmo quer ler da forma exigida.

Em assuntos filosóficos encontra-se o mesmo, e em qualquer debate sobre qualquer assunto. É preciso antes uma abertura do espírito, maior do que se pensa. Refletir no que é proposto, ainda que pareça já conhecido ou que seja muito despropositado aparentemente.

Dessa forma, o Matheus Benites creria na Bíblia se a mesma fosse criada de uma vez, certinha, sem rasuras, sem diferenças textuais, etc., mas o que ele vê através da crítica textual muitas diferenças entre palavras nos evangelhos em seus vários manuscritos. Por que Deus permitiu tantas divergências, ao invés de expressar-se por textos aproveitáveis etc. No entanto, a crítica textual mostra a mesma mensagem com tantas palavras diferentes nos milhares de manuscritos. Ainda que determinado versículo falte em manuscritos ou como citado os 12 versículos do final do evangelho de Marcos faltam em manuscritos, etc., a verdade da ressurreição está em todo o Novo Testamento. Por que não crer? Por que exigir detalhes que se adequem àquela mente individual? A Escritura mostra que o suficiente da revelação de Deus está dado. Assim também na Escritura.

Em Marcos 16, 6 um jovem de roupas brancas é visto no túmulo de Jesus no dia da ressurreição. Em Mateus 28 o anjo fala com as mulheres, no v. 5. Em Lucas 24 aparecem dois personagens, que são os anjos, é claro, no v. 4. Em João 20 dois anjos aparecem e falam com Maria Madalena, no v. 12. Em todas as cenas há aparição, de anjo ou anjos, com vestes brancas. Os detalhes, como ser um jovem, está fora do túmulo ou dentro do mesmo, e outras particularidades estão conforme o modo de escrever dos evangelistas que focam em determinado assunto e compõem a narrativa ao redor para mostrar a cena. A mensagem é a mesma. Desse modo, a Palavra de Deus está sendo apresentada. Cuidado com as exigências colocadas para crer. O estudo nos leva a crescer na fé aos poucos, mas peçamos ao Senhor a fé para crermos na Sua Palavra.

O filósofo fala da limitação do ser: Sem limitação não existe ser, só existe ser pleno.

De fato, somente Deus é pleno. Mas os que isso, a limitação do ser, tem a ver com argumento contra a existência de Deus? Limitação, mudança, possibilidade de sofrer, de tédio, de necessidade, de fazer algo, de obter algo, de sofrer mudanças biológicas, e etc. Isso é querido pelo ateu. Mas qual o motivo? Porque de fato esse pensamento tem encapsulada a ideia de que toda essa mudança possível e essa limitação é passageira e não constante, duradoura e intensa.

Ninguém deseja a limitação a todo momento, nem uma doença incapacitante, nem qualquer outro sofrimento, nem a corrupção ou degeneração biológica. E quanto à abertura à mudança, à posse de algo, e etc., o pensamento é que isso estará sempre ocorrendo, e que a prosperidade virá, e que a felicidade está sempre à porta. Se não, em sã consciência não poderá desejar tal limitação do ser.

Outra instância eterna diferente dessa, que é estimulante e valorosa, seria preferível deixar de ser, diz o filósofo. E qual o motivo? Certamente por se pensar que ao chegar ao limite do ser estará sendo englobado no ser total, morrendo e existindo em outra realidade deixará de crescer em conhecimento, em adquirir, em prosperar, e etc., de modo a atingir um tédio contínuo, um sofrimento, digamos, e isso é algo que a mente humana não deseja. Portanto, o argumento falha de duas formas: pensar que a presente vida é a ideal e que a vida futura como esperada pela fé cristã católica é tediosa. E o filósofo preferiria deixar de ser ao invés de ir para o céu.

Certamente, no fundo do argumento está o medo do tédio, do sofrimento. De fato, pensar em atingir o limite de todo progresso e viver sem mais nada de novo a ser experimentado é algo que a mente humana repele. No entanto, é justamente o contrário que espera a fé cristã, que é a felicidade completa, de modo a não haver mais possibilidade de entediar-se, num progresso infinito, coisa que vai além da compreensão humana, mas está no desejo de afastar o mau e o sofrimento, viver na justiça e felicidade constante. Portanto, o primeiro ponto do filósofo ateu está cheio de problemas, e o mesmo deveria deixar esses argumento logo após entender essa verdade.

Humildade do cientista ateu. O cientista ateu assume que pode estar errado, e faz experimentos e colher evidências. O religioso parte do princípio que já está com a verdade e o livro sagrado contem a verdade absoluta.  Mas a ciência e a fé são duas coisas interligadas mas distintas. A verdade racional aponta para a existência de Deus e o universo fala à inteligência sobre a existência de Deus. Assim, o cientista religioso parte da premissa certa e busca avançar no conhecimento da obra de Deus que é o universo e no próprio universo. Curvar-se diante da verdade é humildade.

 

Parte 1: Deus oculto.

Se fosse provada a existência. Deveria haver evidências científicas para se chegar até Deus. Por que permitir que certas pessoas sejam resistentes e permaneçam no ateísmo? O livre arbítrio explica isso e isso deveria bastar. É preciso notar que o homem é essencialmente religioso e alguns perdem fé racional em Deus e intuem algo em seu lugar. No caso do filósofo Matheus pode-se ver que o mesmo crê na moralidade objetiva, na bondade, em leis naturais objetivas, mas as distinguem de Deus como se as mesmas fossem auto-existentes.

 

Parte II: O problema do mal.

O mal como ausência de bem não resolveria que os seres continuam a ter sofrimento real. Mas talvez o pensamento de que o sofrimento, em qualquer grau, quando existe, é momentâneo. É plano de Deus tirar todo o sofrimento da criação. Deus enxugará toda lágrima, diz a Escritura em Ap 7, 16. Portanto, o pensamento ateísta que sabe do sofrimento real não tem esperança algum de resolvê-lo para sempre, ao mesmo tempo que o desculpa, por concebê-lo como proveniente de causas naturais.

Usa o argumento para culpar uma mente inteligente, mas reconhece o seu mal, o sentimento de injustiça que ele suscita, mas abafa a voz da razão e da intuição humana de que é necessário haver justiça para todo o mal. Dessa forma, o problema do mal fala da existência de Deus. Não haveria esse desejo de felicidade e de justiça se a mesma fosse inalcançável.

Deus é bom, mas permite o mal pela liberdade das criaturas, que praticam o mal contra Sua vontade. Ele é todo-poderoso e garantiu a extinção do mal e a aplicação da Sua justiça. Em certos casos a criação experimenta um pouco da vida paradisíaca que espera a todo o que ama a Deus.

Assim, o mal de fato é contrário à Vontade e natureza de Deus. Sendo assim, a existência do mal relaciona-se ao Seu poder. Portanto, o mal só pode existir se Deus o permitir. Deduzimos que o mal é permitido por Deus, mas sendo contrário ao Seu plano original o mal será extirpado, não podendo existir para sempre, nem a injustiça prevalecer em qualquer lugar da criação.

O ateu acerta em ver o mal como inconciliável com o Ser divino, incompatível com o Seu poder absoluto, mas não percebe que é possível que o Deus bom e todo poderoso tenha razões para permitir o mal, o que é razoável, como provado acima, e que ao invés de impossibilitar a existência do mal, Ele irá extirpá-lo e dar a todos a felicidade eterna, diante da qual o mal passado não poderá perturbar jamais. E esse desejo está no íntimo da mente humana, sendo algo que ultrapassa a resposta irrefletida de que sendo Deus bom e todo poderoso o mal não poderia existir. Por que preferir negar Deus por esse sentimento de injustiça e de ética que flui do raciocínio acima, ao invés de aceitá-Lo na sua inteireza, como mostrado, quando o mesmo é a única alternativa para preencher toda a aspiração legítima da natureza humana, que é a justiça e a felicidade? Portanto, Deus é bom e todo-poderoso, e o mal será com certeza erradicado para sempre. Sendo assim, o problema do mal é bastante razoável no mundo que foi criado por Deus, que é bom e justo, e tem suas explicações satisfatórias.

 

Parte III:  Argumentos a priori e a posteriori para a existência de Deus.

Existência e sustentação do universo. Por que não existe nada? A resposta satisfatória estaria na ciência. Por que Deus estaria imune à regressão? A solução é simples, uma vez que quem criou Deus seria o verdadeiro Deus, e assim por diante, o que a razão não leva a fazer. Uma vez que o criador de Deus seria Deus e assim por diante, haveria a existência infinita de deuses onde nenhuma seria o verdadeiro e inexistiria o mais poderoso, sendo algo que não responde às exigências racionais. Assim, o ato puro é o verdadeiro Deus.

Deus sendo onisciente e onipotente. Não podendo mudar de ideia não seria onipotente. Mas isso é o mesmo que criar uma pedra que não se pode carregar. Deus não age contra Sua própria natureza e não pensa de modo e entrar em conflito com Seu próprio ser. No pensamento simples de Deus não há tal caso de possibilidade de mudança de opinião, e suas decisões são sempre perfeitas. Sabe o que fará e quando o fará sem quaisquer problemas.

O ser inevitável e o nada é impossível por definição. Genial. Esse ser necessário é Deus. As características dos seres que perecem levam-nos a pensar que não são necessários. Vamos pensar um pouco. A intuição das leis de moralidade é inata. A moralidade é objetiva. Percebemos a moralidade como algo real e que afeta a consciência. Assim, racionalmente se prova a existência da moralidade objetiva.

O senso de justiça universal. Também traz o desejo de felicidade completa. Deus é necessário para a vida eterna e para a justiça perfeita ser aplicada a todos os casos do universo. Esse desejo está na natureza humana. A existência desse desejo é uma prova de que a sua realização existe. No ateísmo materialista não há justiça a todos os casos e nem a felicidade eterna. Portanto, pelo mesmo raciocínio chegamos a Deus.


Gledson Meireles.

sábado, 3 de janeiro de 2026

Debate: Paulo Kogos (cristão católico) vs. Matheus Benites (ateu)

Comentário de partes do debate entre um cristão e um ateu no canal do youtube Cauê Santos.

Serão feitas aqui observações apensas sobre afirmações e argumentos do filósofo ateu.

1)   O filósofo e naturalista ateu, Matheus, afirma o dogma de que nunca houve, não há e jamais haverá qualquer causa ou ente sobre natural, tudo é natural. O conhecimento objetivo existe, existe lógica e juízos. A moral faz parte da natureza, ainda que não seja física, mas é objetiva. É um tipo de ateísmo.

Ainda que a ciência e as evidências científicas não possam provar que não existe Deus, é aquilo que o filósofo acima afirma e crê, por assim dizer. Também, ele crê em um dogma, que não pode ser questionado, resumido como: não existe ente sobrenatural. É então dogmático e crente no poder da ciência humana, digamos.

A moral seria objetiva, e poderia formar a base pela qual possamos dizer o que é certo e o que é errado. Assim, não haveria necessidade de tudo é permitido para quem não crê na existência de Deus. No entanto, a moral com suas leis objetivas que são percebidas pelo intelecto humano é assim explicada como proveniente do nada, sem inteligência alguma. Algo irracional julgando mentes inteligentes. Algo não razoável.

A ideia de que indivíduos e grupos que creem em Deus e agem como se tudo fosse permitido comprova que a moral é de fato objetiva e que a única força desse argumento é que indivíduos livres podem comportar-se de acordo ou não com as leis morais e ética objetiva. Até esse pondo nada contra a existência de Deus e uma incoerência no pensamento ateísmo.

O homem teria conseguido de alguma forma perceber através da observação empírica as propriedades morais que existem no universo, que não seriam leis, mas fatos naturais.

De onde vêem essas propriedades morais que a mente humana percebe? E essas leis tão sábias que o homem demorou tanto para entender e agir em conformidade seriam apenas naturais? E mente inteligente, nesse pressuposto ateísta, está tentando entender o melhor para a humanidade que provém da realidade do mundo e que teria proveniência irracional, sem causa espiritual, uma lei vindo do nada. É algo estupendo de se pensar.

De fato, o homem fraco e imperfeito não alcança toda a profundidade dessa realidade moral que traz o bem estar almejado pela humanidade. No entanto, esse fundamento moral teria uma origem puramente natural, sem espiritualidade nem inteligência, e que, como vimos, está acima da inteligência.

Em primeiro lugar a moral objetiva é uma verdade da fé cristã é teísta. A posição do filósofo concordando com isso o coloca em situação pior, já que fica teórica e praticamente impossível explicar essa incongruência acima apontada. Ponto positivo para a posição cristã.

2)   Como o suprassensível entra em contato com o sensível? De fato, quando o ateu afasta o espiritual, o que está acima da natureza, mas crê que propriedades invisíveis agem no mundo e o governam, por assim dizer, tendo o homem frágil e débil que perseguir por milênios a conformação da sua vida para o progresso das culturas, conformação às leis ou propriedades naturais da moral natural, sendo esse contato perfeitamente razoável e possível, parece residir aí a resposta à questão que o ateísmo propõe, uma vez que a criação, física e tangível, com suas leis naturais objetivas, são obras de Deus e dessa forma a comunicação com a razão humana é praticamente possível e natural, havendo mesmo a indicação e natural propensão para ir além, quando se pena no entendimento das coisas sobrenaturais. Sendo assim, a compreensão da moral, como se percebe, é facilmente feita pelo homem, e a sua comunicação com o espírito humano é de fato fácil e natural, e tudo isso nos leva a entender mais uma obra de Deus, inteligente e moral. A crença na irracionalidade da moral é que é problemática para a mente humana inteligente. Por outro lado, quando se parte para a mente inteligente humana em sua fragilidade e debilidade para compreender a mente perfeita de Deus, temos uma explicação perfeita.


3)   Causação de David Hume. Causa prioritária temporalmente ao efeito, contiguidade espaço-temporal entre as duas coisas, precisam ser observadas juntas em situações semelhantes. Como Deus fora do tempo poderia afetar e gerar uma coisa no tempo? Para isso, bastante pensar que Deus na eternidade é causa do tempo ao cria-lo, sendo que causa opera no mesmo instante em que o tempo passa a existir, assim como uma marreta ao quebrar uma vidraça, onde a marreta é a causa da quebra do vidro. Entretanto, a causa da quebra foi a marreta naquele movimento de força contra a vidraça, o que é anterior logicamente, mas a quebra, que é o efeito, é simultâneo ao toque da marreta no vidro. Assim, as rachaduras e decomposição da vidraça são criadas no mesmo instante em que a marreta entra em contado com o material do vidro. Assim, Deus na eternidade cria com Seu poder o tempo, onde o mesmo passa a existir no exato momento em que o pensamento criador divino entra em operação com vista a produzir esse efeito. Causa e efeito ocorrendo no mesmo instante, a contiguidade espaço-temporal entre ambos é compreendida e a observação intelectual dessa realidade é perfeita.

 

4)   Argumento a partir da ontologia plana. Explicações metafísicas, não morais. Não haveria ser necessário para sustentar o universo. Os entes partindo do mesmo estatuto ontológico. A capacidade de afetar outro ente é que determina a ontologia. Parece que a questão não afeta em nada a existência de Deus. A constatação de que todos os entes existem e a opinião de que os mesmos possuem igualdade ontológica, parte do pressuposto de que todos existem, e que isso seria o fundamento para o mesmo estatuto ontológico, o que é algo posterior à obra de Deus. Foi Deus quem deu existência aos entes, e assim, a partir disso, toda observação e reflexão sobre os entes e suas relações estão no campo secundário. As qualidades, perfeições e imperfeições observadas atestam algo objetivo. E nessa constatação vemos mais uma vez a razão levar a algo mais perfeito que a natureza tangível, o modelo, a origem, o fundamento da existência da mesma. A questão de que unicórnios existem apenas na ideia, na imaginação, na linguagem, teria nessa teoria a mesma importância de um elefante, que existe na realidade. O unicórnio fictício tem o mesmo valor ontológico que o elefante real. Certamente, essa teoria entende que Deus, que seria uma ideia, partindo do pressuposto ateu, teria o mesmo valor ontológico que qualquer outro elemento da natureza. O problema é que racionalmente essa igualdade ontológica poderia ser entendida como a base para a existência de toda a criação no plano original de Deus, onde tudo o que existe é em relação a Deus infinitamente menor. Claro que, sendo assim, Deus não é ideia, não é imaginação, não é criação da mente humana, mas o próprio motor Criador inteligente, espiritual e perfeito da natureza presente em todo o universo. Eis a diferença básica. A ideia de gradação de cada ser na natureza pode ser compreendida em ambas as perspectivas. Cada ser tem um lugar na natureza, e por isso se pode explicar e entender a importância ontológica nesse sentido. Partindo daí, temos que ontologicamente Deus e a natureza possuem uma gradação infinita.

 

5)   Deus é o Sumo Bem. Para o ateísmo naturalista ético, Deus poderia existir como ideia. Alguém poderia pensar no Deus bom, ou qualquer outro deus com quaisquer características. A existência desse deus ideial e sua natureza é igual à de qualquer outra ideia. Assim, também, a bondade nas coisas existem, mas não a bondade em si. Como a saúde, e etc, existem nas pessoas e não algo imaterial, um ente “saúde”. Com isso, o ateísmo iguala a idade de bem, de bondade, integridade, coragem, etc.,  à ideia de Deus.

Dessa forma, a teoria ateísta, aí proposta, crê explicar a realidade. A realidade objetiva dos fatos naturais é desconhecida em sua totalmente pela mente humana. Somente uma mente onisciente poderia compreender essa objetividade moral. Foi necessário muito para que a humanidade chegasse a compreender o certo e o errado em cada circunstância no curso do progresso histórico. Assim, essa perfeição real, por assim dizer, é claro que o filósofo ateu tentaria afastar qualquer linguagem que se aproximasse da ideia de Deus aqui, mas não faz a menor importância, quando se faz a devida observação da realidade e a descreve objetivamente, essa perfeição da realidade, com sua moral intrínseca e objetiva e não originada, nem dependente da subjetividade humana, mas existente em si, irracional, com sua admitida complexidade, essa moral está no lugar que Deus deveria ocupar. Assim como o homem aos poucos vai compreendendo Deus, assim vai entendendo a moral objetiva e natural acima descrita. É preciso entender que ao tentar colocar algo no lugar de Deus, nega-se a força da razão a alcançar degraus superiores e começa-se a pensar absurdos, ou seja, ideias contrárias às leis do pensamento racional, como a já apontada moral irracional acima.

A moral não é física, mas natural, afirma o filósofo. Isso em nada é empecilho para a crença na existência de Deus, já que a criação de Deus é toda adaptada à mente do homem. Assim, inferir as leis morais na natureza é apenas uma constatação dessa realidade metafísica na criação. Até o momento nada que possa ser de dificuldade para a existência de Deus. Ainda, a mente humana poderia progredir infinitamente no bem, sem que o Sumo Bem existisse. É algo que de fato esforça-se por tomar o lugar de Deus, mas com problemas racionais estruturais. A estrutura racional não comporta esse pensamento, como mostrado antes. De fato, a teoria mostra-se bastante inferior à explicação cristã católica.

A atestação do bem, da moral, por exemplo, é perfeitamente possível no campo natural, mas não leva a afastar a ideia de Deus criador de toda a realidade.

A busca pelo bem: parece que a posição ateia defendida pelo filósofo é aquela de não estar submissa a qualquer entidade, mas a buscar o bem em si nas realidades tangíveis, e não também para agradar a Deus, e sem a busca da felicidade metafísica. Essa visão está cheia de problemas como já apontado.

1)   Deus comandando a moral. O filósofo ateu afirma que isso não foi provado. Mas, pelo que o mesmo crê a respeito da moral natural objetiva, a mesma reflete o caráter de Deus para a humanidade, e uma vez que isso seja constatado é razoável crer na existência de Deus, inteligente e fonte da moral, e não o contrário. O argumento vai em direção ao fato da existência de Deus.

 

2)   A moral evolutiva: a humanidade foi aos poucos crescendo moralmente. Isso também está de acordo com a fé cristã. Os argumentos contra os pecados da humanidade, as coisas mais terríveis e maléficas, como sendo praticado pelo povo de Deus no Antigo Testamento são exemplos usados para argumentar contra a existência de Deus. Uma vez, porém, que se entende que o povo crescia no entendimento moral, e evoluía espiritualmente, conformando-se à vontade de Deus, isso vai ficando menos problemático.

 

De fato, nenhum mal moral é proveniente de Deus. Nenhuma passagem bíblica ensina a escravidão, mas endossa a mesma como costume antigo e integre esse e outros costumes nos planos de Deus para a salvação do seu povo em nível histórico-político como espiritual. Outra coisa é entender a vida do povo livre e pecador no caminho revelado por Deus. Nem tudo o que o povo fez foi do agrado de Deus, e as coisas mais terríveis que o povo de Deus fez naquelas circunstâncias históricas foram, o mau menor permitido por Deus. Ainda, nem todas as coisas são compreendidas pela mente humana, e diante da realidade global somente Deus sabe, e age com sabedoria infinita intervém, sempre como Lhe apraz, para o bem, ainda que o homem não entenda isso completamente em determinadas circunstâncias.

O filósofo encontra em muitos exemplos uma pedagogia falha, mas isso porque não compreende o que acima está exposto, e que é o caminho para se compreender a realidade complexa da humanidade. Somente uma mente onisciente compreende tudo. Assim, somente Deus e quando Ele nos relevar as dos acontecimentos globais.

O fato do ser humano não compreender a moral e ir aos poucos galgando em direção à perfeição, lembra a humanidade caminhando para Deus. Os exemplos na Bíblia me que se nota moralidade imperfeita não é exemplo apenas da humanidade falhando na compreensão da moral objetiva, mas da humanidade falhando em seguir as normas de Deus, objetivas e naturais, e também, no caso bíblico, reveladas.

Deus não revelou tudo de uma vez, mas em Sua pedagogia perfeita e santa, deixou a humanidade em sua liberdade descobrindo os meios de seguir o caminho do bem, com auxílio da graça, fundamental para o bem maior e para a salvação. Sem a graça o bem que a humanidade pode alcançar não é tão elevado, porque o pecado atrai o homem para os valores mais baixos.

O ateísmo assim, exige que uma moral perfeita esteja clara em toda a Escritura, ainda que entenda a imperfeição humana, a pouca compreensão da moral durante milênios, e etc., tendo dificuldade em entender o modo sábio de Deus ao agir com a humanidade assim, tão débil, principalmente nas coisas mais elevadas. Essas exigências fazem parte do debate, da busca pela verdade, das inquietações, e etc., mas devem ser elas também refletidas. Será que tais exigências não estão encobrindo a recusa em ver algo claro que está à frente, servindo essas exigências como véus a encobrir a verdade, como empecilhos para encontrá-la, chegando ao ponto das árvores estarem atrapalhando a vista da floresta? Muitas vezes os exemplos que são usados para negar algo são a própria prova para esse algo negado.

Talvez um bem seja visto em determinada coisa, mas para Deus, e quando objetivamente refletido, intelectualmente, se descubra que outro bem seja maior que aquele. Assim, o não escravizarás nas está nos 10 mandamentos, mas é um valor moral importante para Deus e compreensível para todos. No entanto, Deus permite que o homem livre siga muitas vezes seus caminhos que negam a própria vontade divina. Assim o foi com a poligamia, com o governo do povo através dos reis, com o divórcio, e etc. Entretanto, naqueles tempos e hoje Deus é o mesmo e cuida de nós segundo as luzes que temos da Sua palavra e da moral objetiva. Somente às vezes intervém milagrosamente.

O caso de Jó é uma descrição da realidade. Apenas ali está revelado o que acontecia. Desse modo, Deus dá outros filhos para Jó, não insistindo com isso que a perda dos seus filhos tenha sido algo bom, e que tudo estava bem. Da mesma forma, que numa visão natural e ateísta uma mulher que perdera um filho se alegra com a geração de outro. Nessa questão, numa visão ateísta, tudo acontece livremente e sem consequências eternas. Assim, aquele mal foi mais tarde compensado por um bem.

Mas, o mesmo exemplo não é aceito quando se pensa no Deus bom e soberano que conhece e dirige infalivelmente toda a história, de modo que pode permitir males que não estão de acordo com sua moral perfeita para deles tirar o bem, no meio da humanidade imperfeita e pecadora. Por que isso? Porque no pensamento ateísta descrito com esse exemplo esses acontecimentos teriam ocorrido sem uma Inteligência como fundamento, e então estaria tudo certo, deveríamos nos conformar e não nos rebelar, assim como a mente do filósofo que assim crê se comporta. Agora, quando se pensa que tal caso ocorra no mundo criado por Deus, então surge uma revolta profunda contra Ele, de modo a substanciar um argumento contra a Sua existência. Assim, a moral natural objetiva fica isenta de culpa, pois é impessoal e irracional, ainda que apresente propriedades tão altas e inteligentes, o que é um absurdo. Contudo, contra Deus os exemplos de males na humanidade são usados para negar Sua existência, já que não se consegue conciliar com Sua perfeição. Não seria isso mais um exemplo da debilidade da mente humana, que deseja compreender tudo, e não está disposta a aceitar suas próprias limitações e abrir o espaço para o que a mesma razão aponta, o qual é a fé?

Então, para não lidar com maiores problemas, o naturalismo entende ser o caminho mais indicado para entender a questão do mal. Seria como se o mundo não tivesse sido planejando, não sendo criado por uma inteligência perfeita, não tenho razão nenhuma para os acontecimentos da humanidade, mas que de uma maneira incompreensível há uma moral natural objetiva profunda que a mente humana aos poucos vai compreendendo para viver melhor. Não se pensa mais que o bem natural físico e finito, embora a razão humana exija naturalmente mais, e mostre que os males devem ser reparados, a justiça deve ser perfeita, há algo mais que não está contido na teoria naturalista. Suas repostas não propõem argumentos contra Deus e encerram contradições, como as já apontadas nas observações acima.

E os males sendo explicados como meios permitidos para o bem maior?

O fílósofo não pôde compreender. Como seria chegar no céu e saber que tanto sofrimento teve suas razões e conhece-las exaustivamente. Seria melhor, pelo que se percebe, que tais sofrimentos naturais não tenham fim algum e que a justiça para a reparação de tantos males acumulados na humanidade não exista. Em Deus tudo será entendido e Sua justiça será exercida, e o bem maior será a salvação e felicidade completa. Na visão naturalista todo o mal ocorre e acabará sem nenhuma razão última e também nenhuma justiça será feita. É uma lástima. Preferem crer que o mal não razão última para existir nem a justiça para tantos males será feita. A consciência assim é adormecida pelo motivo da crença do fim de todas as coisas na morte física. A crença na moral natural objetiva impera nessa teoria. No entanto, é preferível e razoável a fé em Deus, pessoal e inteligente, que dará a razão de toda a realidade de trará justiça contra todos os males praticados no mundo, dando oportunidade de felicidade a todos os que O buscam de coração sincero.

 

3)   Foco na salvação. O motivo de tantas coisas existirem na criação, como o inseto parasita que devora lagartas? A imperfeição de toda a criação é explicada pelo pecado original. No fim tudo voltará à perfeição original. Dessa forma, com a perda da justiça pelo pecado toda a criação sofre como dores de parte, diz a Escritura. Ainda que a ciência não consiga explicar tudo, certamente há motivos em cada ato da criação, ainda que pareçam absurdos. Pneumoidai.

 

4)   O sofrimento gratuito. E o sofrimento da lagarta, e o da zebra devorada pelo leão? De fato, tudo isso é consequência do pecado, que atingiu a natureza. Assim, não é obra original de Deus, mas permissão divina. Então, porque Deus não criou um sistema onde não haveria isso? A sabedoria divina sabe tirar o bem ainda que o mal surja pela liberdade humana. No final, tudo será esclarecido. E o sofrimento na natureza talvez não seja gratuito, a não ser na visão naturalista, onde o mesmo seria consequência natural e não será remediado por nada, não tendo nada a ser feito, sendo realmente gratuito.

 

Mas, com isso, por que é aceita essa gratuidade do sofrimento pelo filósofo ateu, por ser ela natural e inevitável, e ao mesmo tempo dessa realidade é formulado argumento contra Deus? Deus certamente dará sentido a cada coisa que ocorre no mundo. Mas, o naturalista não espera entender o sentido das coisas que o aflige. Ao invés de não esperar nada que explique algo (como o sofrimento gratuito) que contraria a razão ao ponto desse fato ser elevado a argumento contra Deus, por que não continua a inquietar-se contra tais males da natureza e da humanidade e ancorar-se em Deus que poderá resolver tudo? Por que não pensar no motivo último de tais coisas e como o Senhor fará para consertar esses desvios? É algo que emerge da própria indignação de existir certas coisas que parecem não ter explicação razoável. Se a zebra morta pelo leão é algo que faz pensar em injustiça sofrida por aquele animal, porque isso fica justificado no sistema naturalista, onde casa um é agente da história, mas não é justificado quando se tem Deus como Criador e dá liberdade a cada um e governa o mundo pela Sua Palavra, através das leis naturais? Nesse sistema, temos o aval da razão, a realidade, a esperança de que tudo terá um desfecho justo. No outro, temos que uma moral natural objetiva nos faz pensar que tais e tais coisas são certas ou erradas, justas ou injustas, mas no fim, na morte, tudo acabará sem resposta, não havendo mais esperança. Não é razoável, a inteligência aponta para mais.

Ao tratar de animais cujos chifres crescem contra a própria cabeça colocando a vida do animal em risco, o filósofo ateu afirma que isso é um absurdo, ele não encontra propósito nisso. De fato, não há tal coisa na natureza, pois o fato, talvez tratando-se do babirussa e do carneiro selvagem, esses são exemplos de casos raros, problemas advindos de causas desconhecidas, e não algo que a natureza fez assim. Dessa forma, não é caso de evolução, pois trata-se de deformação, e não atinge a explicação de que cada obra de Deus tem seu propósito. Essas imperfeições são aceitas se forem explicadas naturalmente, mas não são aceitas se explicadas naturalmente mas como causa da imperfeição da natureza advinda do pecado original permitido por Deus? Por que somente quando se admite a existência de Deus é que a explicação não é aceita? Diria o filósofo: porque Deus é bom? Sim. Mas tudo está explicado conforme dito acima, já que tais coisas não são parte do plano original de Deus, mas deturpações que foram permitidas após o pecado, e no fim tudo será levado à perfeição. O naturalista prefere ver as mutações, as imperfeições, sentir a indignação, ver que tais coisas não se adequam ao bem natural, não esperando nada para além da realidade física, contentando-se com o presente, não pensando no futuro metafísico. A evolução é cega, diz o filósofo. Mas é isso justamente o que está ocorrendo nesse exemplo acima, onde as leis da natureza sofrem deformações.

 

 

5)   Falta de evidências, por exemplo, uma filmagem da ressurreição. Obviamente, mais ainda em tempos de inteligência artificial, muitos não acreditariam na filmagem, assim como não acreditam na Bíblia, não acreditaram nas testemunhas oculares, e etc. O problema está em outro lugar. Portanto, as evidências exigidas assim não demonstram muita prudência. A Bíblia seria arcaica, com superstição e escrita em tempo remoto.

 

6)    David Hume e os milagres que quebram as leis da natureza. Deus deveria ser mais claro. Mas, Deus é suficientemente claro nas leis da natureza, na criação, na razão. Ainda assim, exigências tais podem esconder problemas no estudo que estão dificultando a aceitação de Deus.

 

7)   O ateísmo seria o cenário mais razoável. O filósofo não sabe se Deus não existe, mas crê que está do lado mais razoável. O que está posto acima talvez o ajudará a pensar nas coisas de Deus.

 

8)   Lacunas não são evidências do Design Inteligente. Mais de 90% dos organismos não existem mais. Eficiência e Inteligência. Logo, Deus não existe? O exemplo do olho: evolução. Mas isso não pode ser testado. E o olho como criação? Pode? A resposta do filósofo trouxe esse argumento. Assim, não entra no escrutínio da ciência nenhum dos exemplos, mas crer na criação é o mais razoável. Estruturas sensíveis à luz muito simples tornando-se mais complexas, durante milhões de anos é acreditar em algo menos razoável. Deus permitiu a extinção de várias espécies. Nada disso pode ser objeção contra Deus, pois faz parte da influência do pecado na humanidade.

 

9)   Deve-se estar disposto a negar uma teoria para ser filósofo. Obviamente, se algo for provado errado.

 

10)                      Lacuna de explicação para existência de Deus? Na verdade, há lacunas de explicações contra a existência de Deus, enquanto as explicações suficientes provam a existência de Deus.

 

11)                      Olhar para a lua e ver o cavalo de São Jorge não é o mesmo que perceber Deus a partir da criação. É apenas uma impressão, onde alguém ver certa forma e julga ser semelhante a algo, mas sabendo, certamente, que é apenas isso. Falácia retrospectiva. As condições das quais a vida depende e a ideia de um projetista. O que dizer disso? Partindo da realidade observada temos as inferências racionais e a formulação da prova para a existência de Deus.

 

12)                      Não existe revelação, o conhecimento começa nos sentidos? O que isso prova contra a revelação? São Paulo viu Jesus. Escreveu cartas inspiradas. A Bíblia tem provas científicas de sua legitimidade. Crendo naquilo que a Bíblia apresenta, temos acesso à revelação que foi posta por escrito. Assim, pelos sentidos também chegamos à revelação de Deus.

 

13)                      Fé revelada é algo arcaico, medieval? Na verdade, parece apenas uma opinião.

 

14)                      O filósofo critica Santo Agostinho por ensinar a entregar-se a Deus totalmente, a se negar, negar a própria vida, a “única” em nome de um além. Parece mesmo estar certo de que esta física é a única, quando não pode provar isso.

 

15)                      O filósofo ateu afirma refutar as três primeiras vias conjuntamente. As vias do movimento, da causação e da contingência. Pode ser que haja múltiplas primeiras causas para diferentes coisas no universo. Cita William Rowe. Um exemplo para provar isso seria que “O conjunto de todas as coisas que tem causas eficientes pode não ter causa eficiente”. Um todo que abrange as coisas que têm causas eficientes, mas ele mesmo, o conjunto, não tem causa eficiente. O ponto básico é que o conjunto não tem causa eficiente. A pobreza da imaginação deve ser a ideia de que tudo tem começo. O universo pode ser eterno. Cita o eternalismo. Deus como a causa de Si mesmo, sendo não-causado. O próprio ser poderia ter isso. Isso seria tirar a superstição e o mistério. O ser seria não causado. Desse modo, o filósofo tenta fazer do ser o que somente Deus é. A ideia de que o ser pode não ser causado é transferir um atributo único de Deus para toda a criação, por exemplo. Matematicamente as coisas do conjunto possuem causa, mas o conjunto não possuiria. No entanto, a mente humana cria o conjunto  abstraindo da totalidade de elementos observados e pensados. Quando o filósofo afirma que a bondade não tem causa, mas somente os atos bons, ele coloca mais uma vez um atributo de Deus em outra coisa, ou vê um atributo divino como algo em separado, uma propriedade do universo.

 

Outra vez um atributo de Deus é posto em outro ser. A ideia do conjunto não faz sentido. O conjunto é apenas uma ideia de determinados elementos. Por exemplo, quando Deus cria o céu e a terra e tudo o que existe, o conjunto disso é a totalidade da criação. Assim, Deus criou o céu, também criou o peixe, a árvore, o fogo e todo o conjunto. O conjunto de toda a natureza é a própria natureza criada. Assim, mesmo a mente humana, imaginando o conjunto é a criadora do mesmo, que nada mais é que o reflexo da realidade percebida na mente. Portanto, essa eternidade do conjunto supõe a eternidade da natureza. Uma vez que a natureza é criação de Deus, Ele é o criador do conjunto. Se o conjunto em Si é eterno, esse está sendo concebido como Deus. Outra vez um atributo de Deus é transferido para outra realidade.

21) A ideia que o filósofo colocou é bastante estranha. Não haveria necessidade no movimento ser movido por outro. A inércia existencial explicaria que todo ser poderia ser necessário. E explica ainda que isso não é temporal, pois mesmo morto estaria existindo ontologicamente. Em primeiro lugar, essa expressão da linguagem não explicou nada. O ente poderia ser autossuficiente, ou a necessário e bastaria a si mesmo para existir. No entanto, a realidade não mudou. Uma pessoa viva difere dela mesma morta, e no entanto, na filosofia cristã, essa pessoa existe na memória, como existe na criação de Deus, como substancia, vivendo na terra em determinado período, sendo agora não mais como na eternidade, pois uma vez que nasceu e passou a existir tem sua parte no universo. Mas, é preciso concordar que a pessoa morta deixou de ter a mesma consciência, no caso cristão, pois segundo o ateísmo ela não tem mais consciência, seu corpo não funciona mais, seus restos se decompõem e nenhuma das suas ações é mais possível como era antes. E em se tratando de uma filosofia que nega a Deus e a existência da alma, certamente, essa “existência” da pessoa é apenas uma memória, um fato conhecido por outros no universo, mas não a mesma existência de antes. Esse ente que está no lugar daquele que morreu não explica mais do que a realidade.

Nesse momento aquela pessoa não mais existe. E se existe, não mais da mesma forma. Do contrário, se poderia marcar uma reunião com a pessoa em tal hora para que ela pudesse explicar como se sente agora, em 2026, mesmo que tenha morrido no ano de 1549. Já que a mesma existe, isso deveria ser possível. Mas dirá o filósofo que isso é algo não temporal, fora da matéria, em se tratando de uma existência em si que não depende das categorias da filosofia tomista para ser explicada e etc. Na realidade, isso não muda nada. A pessoa existe na memória de Deus, de outros, mas não mais como antes, estando morta, e não pode mais nada do que antes podia, a não ser na ressurreição da carne. E, caso se tenha essa existência em substância em mente, essa pessoa não é mais como antes, não tem consciência, não age, não ocupa lugar no espaço, nem no tempo, e, nela mesma, não é mais como antes da sua existência física em vida. Assim, a filosofia cristã refuta essa asserção.

22) Existem coisas que não têm explicação. De fato, a eternidade de Deus é algo que podemos compreender sem explicá-la facilmente. Mas isso não é para colocar a eternidade em outras coisas, como no mundo, e etc.

23) O ser pode não ter explicação. De fato, o ser tem explicação. Pensar que poderia não ter é algo imaginário, uma possibilidade criada quando se não aceita a explicação racional, onde tudo necessariamente tem um princípio. Supondo que existissem vários princípios teriam de ser “deuses”, na melhor das hipóteses, e as obras certamente não teriam a mesma regularidade, unidade, complementariedade e harmonia, visto que seriam provenientes de várias fontes diferentes. Se fossem forças inconscientes naturais, a situação seria ainda pior.

A respeito do conjunto de coisas. Um conjunto de morangos é a totalidade dos morangos do conjunto. Obviamente, é o mesmo que os morangos, a não ser que se esteja tratando da ideia de conjunto na mente, como abstração da mente racional. Mas ainda, como foi pensado pelo filósofo ateu no debate, o princípio poderia explicar a origem do conjunto, o que já vislumbra o entendimento do filósofo para a resolução de suas dificuldades.

A filosofia naturalista proposta parece enxergar lacunas em certas explicações, entender que as conclusões são precipitadas e as premissas são pobres.

A entropia se aplica a sistemas isolados. Mas, e se isso fosse aplicado da toda a natureza? Não diz isso respeito à necessidade de um ordenador? É claro que sim. A complexidade do universo e da vida contraria a tendência ao aumento da entropia. Há uma lei inteligente que está controlando tudo para a organização geral. Essa lei vem de Deus. Afirmar que tudo não seria aleatório mas não haveria também ordenador não é uma conclusão racional e não segue os avanços da ciência. Então ficaria no pensar que as coisas poderiam ocorrer sem as necessidades que a razão exige, e pensar de modo irracional, contrariando a ciência e as leis da razão, a mesma razão que está sendo usada para criar essa teoria. Assim, a base utilizada para criar um sistema compreensível, e organizado não é usada no interior mesmo desse sistema, quando se admite que coisas podem ser organizadas sem organizador, surgirem por si só e serem necessárias, onde as leis que regem algo são objetivas e existem em si mesmas ou talvez passem a existir quando aleatoriamente mentes racionais passem a existem, concomitantemente. Assim, um sistema objetivo de leis surge ao mesmo tempo em que a mente racional aparece na natureza e é ao mesmo tempo extrínseca e independente dessa mente. Aqui há a preocupação com a organização, com a objetividade da lei, da moralidade, e de outros atributos como justiça, bondade, beleza, ao mesmo tempo em que não aceita a Inteligência que explica todas essas realidades. Esse ponto nega o fluxo normal da razão.

Ao afirmar que algumas coisas têm causas naturais, ao passo que outras poderiam não ter, por não serem conhecidas, talvez. No plano teórico, porém, não ter causa é inadmissível racionalmente.

As leis são autoexistentes? Não, pois a razão exige algo externo para a origem das leis. Isso seria uma “arbitrariedade”, ou, como concordou posteriormente, uma explicação racional de entes necessários, mas dentro de um fórum plano de substancialidade, onde todos os seres são iguais, não havendo pirâmide. Sem isso, não haveria ordenador, e todo ser poderia ser autoexistente, o que também não é racional. Assim, desistir do avanço na pesquisa em busca de resposta quando se chega a esse ponto, afirmando não ter resposta, quando a razão aponta para uma origem todo-poderosa e inteligente para essa realidade, é um exemplo de desistência de uso de parte do poder racional. O ser humano como capaz de pensamento abstrato e com responsabilidade moral supõe o espírito e O Espírito maior, que é Deus. Mas o filósofo afirma que o ser sobrenatural não é razão para a existência da capacidade do pensar abstrato, ainda que o pensamento não seria material. Basta pensar na comunicação no material com o não material ou entre esses diferentes tipos de matéria, poderia ser dito.

As leis existem e assim são tão reais quanto a matéria. De fato, o pensamento poderia ser assim também: Deus existe e é tão real quanto a matéria. Ele é o Autor das leis, e por isso elas refletem uma inteligência, ordem e objetividade.

Isso é muito mais razoável que pensar em leis, moralidade, informações naturais, autoexistentes, surgindo em concomitância e independentemente da razão dos seres racionais, o que supõe uma força que conecte o surgimento de ambos para a origem instantânea, ou mesmo sendo anterior aos entes, servindo para orientar a existências desses entes. Que força seria essa que associa a moralidade aos seres racionais morais no momento do surgimento de ambas as realidades no universo? A razão pede essas explicações, e pensar que isso não seria apenas um costume da inteligência e não algo que necessário para o bom senso, seria desistir de bem usar a ferramenta filosófica fundamental na filosofia, suspendendo as exigências racionais quando essas levam na contramão do sistema de pensamento que está sendo construído.

Mas o filósofo chega a concordar que a moralidade existindo antes dos seres morais faz sentido, mas segue no pensamento de que o ente pode ser necessário e natural, não crendo que a exigência racional pela explicação nesse ponto fundamental deva ser admitida.

Ao tratar dos graus de perfeição acredita que não haveria razão para supor que as qualidades precisem de um grau absoluto. Mas como seria a percepção da beleza, que reflete ao objetivo, e a graduação do belo, que está atrelado necessariamente a algo que é a beleza absoluta, se a beleza fosse apenas algo aberto infinitamente sem a existência de algo mais belo à frente, apenas na fisicalidade do ser, uma vez que a beleza em si não existe, o que contraria o platonismo, mas que deve existir no ser supremo, o que prova a existência de Deus. Afirmar que algo é mais belo que algo outro fica sem sentido na visão de que a beleza progride infinitamente, quando no infinito não há beleza, pois essa não existe em si e não há no infinito os seres com beleza que permitiriam a comparação dos graus de beleza de algo atual. Há aqui sim, coisas lacunares, conclusão precipitada, pobreza de premissa. Sim, a qualidade não tem um limite, pois Deus é eterno, infinito, e é a Suma beleza. Temos algo que conforma a nossa razão. Talvez pensar no “limite” para a beleza tenha sido a pedra no caminho para o filósofo entender que a beleza sem limite rumo ao infinito aponta antes para Deus que para a ausência de beleza e à pura possiblidade de crescimento do belo. A limitação aqui é um problema para o filósofo em seu raciocínio para pensar no belo em Deus que é a fonte da beleza sem fim.

Quando se pensa na bondade, na beleza apenas no ser o problema não se resolve, como visto acima. Essa filosofia naturalista busca algo no platonismo, o aristotelismo, em Descartes, negando a causa final, em Hume, com a questão da causalidade, em Kant com a subjetividade do juízo teleológico (exemplos citados no debate), em Nietzsche, etc. Kant leva mais para a subjetividade e para o modo de compreender o mundo, enquanto Santo Tomás mostra o propósito como prova da existência de Deus.

Outra coisa é o propósito. Coisas que parecem agir em propósito poderiam não ter uma Inteligência por trás disso.

Quando não se entende algo, não seria melhor ficar com a resposta atual, aberto a novas respostas, do que entender essa falta de conhecimento como argumento contra a existência de Deus? O argumento abdutivo, raciocínio em que se infere uma hipótese como a melhor explicação para um fenômeno observado. Assim, o que se encaixa melhor nas evidências é a resposta aceita. A ordem, a complexidade e a finalidade do universo é melhor explicada pela existência de Deus. No entanto, o filósofo parece usar do argumento olhando para a ausência de evidências claras do Criador, e imperfeição do universo, o que seria explicado por um processo natural e sem desígnio intencional. Pensar que as evidências para o Criador são insuficientes não cabe, pelo que foi observado nos comentários acima. Desse modo, deve-se ver que o próprio argumento abdutivo é coerente com a existência de Deus.

Ser dogmático com algo não significa não estar aberto a algo mais a ser aprendido, já que no caso da existência de Deus há provas racionais robustas que não permitem a dúvida. Assim, estar certo dessa conclusão é estar na posse da sabedoria, o que é esperado do verdadeiro filósofo.

Gledsdon Meireles.