domingo, 8 de fevereiro de 2026

Livro: Os batistas e o resgate da tradição cristã, em direção a uma catolicidade batista, comentário do cap. 9

Comentando: Capítulo 9

Batistas, a ceia do Senhor e a tradição cristã

Ernest A. Payne afirmou que entre os batistas não havia unanimidade quando à Ceia do Senhor, e que não existia uma tradição dominante. Essa afirmação será confrontada por Michael A. G. Haykin, que afirma ser “pouco preciso” a conclusão de Payne e também que tal posição deve ser “seriamente considerada”.

Para nós cristãos católicos, que temos uma tradição milenar, e que essas questões foram debatidas ao longo dos séculos, podendo ser definida no século XIII, ainda que outras tantas divergências tenham surgido após essa definição, nós podemos ficar tranquilos quanto à precisão e veracidade da doutrina clara da eucaristia. Entre nós há unidade e a tradição é clara.

No entanto, para os batistas, que rompem com a tradição no sentido de ter o texto bíblico como autoridade única e final em matéria de fé, lendo os padres da Igreja, concílios e etc., e aceitando somente o que a interpretação vigente na denominação aceita, tem-se que tal opinião de renomados historiadores de que não há unidade de fé entre os batistas ao longo dos séculos de sua existência, que é relativamente recente, do século 17 ao 21, é mais um ponto negativo para essa tradição.

De fato, quanto tempo tivemos para definir questões cruciais para a vida cristã, e uma denominação surge em cena e reinventa a doutrina com intuito de buscar resgatá-la.

À primeira vista isso já parece fora daquilo que Jesus prometeu aos apóstolos, de que o Espírito Santo guiará a Igreja para toda a verdade. Mas no século 17 a questão da eucaristia já havia sido esclarecida satisfatoriamente, pois a Igreja Católica havia trabalhado para isso, em muitas ocasiões, inclusive no Concílio de Trento. Assim, não é prudente abraçar a decisão de um grupo cristão dissidente que destoe da tradição cristã apostólica.

O padre Zwínglio deixou a Igreja e ensinava que a ceia era um memorial. Debates recentes mostraram que na sua opinião a ceia era também algo mais. Disso podemos esperar, já que um padre que cria na transubstanciação e conhecia a grandeza dessa doutrina certamente preservou algo dela.

No entanto, a ideia básica de que a Ceia era um memorial apenas dominou a fé de muitos cristãos dissidentes, e os batistas abraçaram essa doutrina, no século 19. Assim, um padre cristão católico diverge da Igreja e influencia uma tradição cristã protestante surgida no século dezessete.

No século 19 a doutrina batista predominante era zwingliana, ou seja, os elementos da ceia do Senhor eram meramente memoriais.

Haykin mostra que antes dos batistas havia prevalecido no Protestantismo a visão de João Calvino, onde a ceia possui a natureza de sinais e garantia de uma realidade presente. Pela fé é transmitido o que é simbolizado na ceia, o próprio Cristo. Os elementos seriam simbólicos, mas ocorria a realidade espiritual no momento da celebração. Entre os batistas, mais tarde, a opinião de apenas símbolo prevaleceu.

Esse reviver sincero da alma...: Um texto-chave para a compreensão precisa da doutrina batista é a Segunda Confissão de Fé de Londres (1677 e 1689). Assim, temos um testemunho extra-bíblico, uma confissão de fé, um resumo doutrinal, para entender melhor o entendimento de uma doutrina bíblica em determinada denominação. Embora o documento não seja tido como infalível, ele é um testemunho, uma bússola prática, uma expressão da interpretação bíblica ali alcançada.

Assim, para entender como pensam os batistas não basta ler o que o texto bíblico está afirmando, mas ler a confissão denominacional e ver como o texto bíblico é interpretado pelas igrejas batistas. Essa reflexão é importante para entender que a tradição molda a forma de entender a doutrina.

Desse modo, para início de conversa, os cristãos batistas não possuem qualquer vantagem em relação aos cristãos católicos quando esses são criticados por aderirem à tradição. Eles precisariam provar que sua interpretação é melhor, exata e correta para substituir a doutrina católica, e mostrar que a Confissão de Fé acima citada expressa a doutrina fielmente a ponto de suplantar as definições do Concílio de Trento. Se não, deve-se continuar com a definição oficial do Concílio de Trento de 1546.

A declaração de fé batista de 1677 e 1689 tem em consideração confissões de fé presbiteriana e congregacionalista, com concordâncias doutrinárias demonstrando solidariedade fundamental com essas comunidades reformadas, como afirma Haykin.

Assim, os batistas opõem-se à doutrina da Igreja Católica Apostólica Romana em união com a tradição reformada. O corpo e o sangue de Cristo estariam presentes espiritualmente “na fé dos Crentes”.

Outra observação feita por Haykin é que os batistas tratam não mais de sacramento, mas de ordenança. É uma boa observação, já que católicos, luteranos, presbiterianos e congregacionalistas não haviam se oposto ao termo. Os batistas se colocam mais radicalmente nesse sentido. Os batistas negaram até a explanação luterana. Afastam-se da tradição católica e luterana.

Nesse momento, os batistas virtualmente se unem aos reformados, na doutrina desenvolvida por João Calvino. A comunhão com Cristo, que tem o Seu corpo no céu, é feita pelo Espírito, como escreve o pastor batista Hercules Collins, que morreu em 1702.

E é citado o apologeta batista Benjamin Keach, para o qual a ceia transmite ou comunica os méritos de Cristo por meio da fé. E o ensino da Segunda Confissão de Londres é abrangente quanto à ceia: há obrigação de observá-la, ela é uma lembrança perpétua, confirma na fé nos benefícios trazidos por Cristo, nutre e faz crescer espiritualmente, para o compromisso com Cristo e comunhão com ele e uns com os outros, e etc. Isso é apenas um resumo. Vemos que a importância da Ceia é mantida entre as igrejas que se separaram da Igreja Católica, mas depois dos luteranos todos negam a presença física sacramental de Cristo.

Os batistas estavam unidos com os puritanos, e esses contrariavam o pensamento de zwínglio. Assim, os batistas afastaram-se do zwinglianismo nesse ponto, pode-se afirmar. Os batistas ainda criam na doutrina e pensamento reformado, de Calvino. Essa é a doutrina que prevaleceu nos primeiros tempos batistas.

Sua presença, que refrigera a alma. Interessante que Haykin mostra o batista William Mitchel (1662-1705) apresentando a doutrina da ceia em termos calvinistas e enfatizando o caráter memorial. Ele seguia “Calvino e seus antepassados batistas”, onde a ceia é meio de nutrição espiritual e onde há encontro com Cristo. É impressionante como o escritor batista se esforça por enfatizar que a participação do Corpo e Sangue de Jesus não é feita de maneira corporal e carnal, para negar a transubstanciação.

Anne Dutton (1692-1751) escreve que na ceia Jesus se comunica, “tendo seu corpo entregue e seu sangue derramado”, o que tem semelhança com autores católicos e que seria uma frase criticada por batistas se lida fora do contexto. Outros a criticariam de qualquer jeito. Essas observações são feitas para o leitor entender a importância do tema e a profundidade da doutrina cristã católica da eucaristia.

Também é citado o jovem batista Staveley, para o qual, pelas suas palavras, que concordam com a doutrina de Calvino, a ceia do Senhor era mais que um memorial.

Um memorial do Salvador ausente: Os batistas começaram a adotar a doutrina de que a Ceia é primária ou meramente um memorial, um ensino de inspiração zwingliana. Isso se deu no último trimestre do século XIII. Haykin cita Abraham Booth (1734-1086) falando da ceia como memorial.

A visão memorialista da ceia é reconhecida como “mais pobre”. De fato, a visão católica é riquíssima, bíblica, original. As demais vão afastando-se aos poucos, mas há teólogos protestantes que tentam aproximar-se novamente.

A mudança para o memorialismo. Segundo Michael Walker, como reação ao reavivamento do catolicismo inglês os batistas adotaram a visão memorialista, a partir de 1830, reforçando aquilo que iniciara com Stutcliff.

Assim, vemos que a tradição batista tem uma teologia fraca a respeito da ceia do Senhor, e com isso abre-se o apelo ao resgate da tradição cristã, pode-se dizer.

Gledson Meireles.

domingo, 25 de janeiro de 2026

Livro: Revelação de Jesus Cristo: comentário sobre o livro da revelação, de Ranko Stefanovic

Apocalipse 4: A visão do trono celestial

O texto abaixo é um breve estudo com base no Comentário ao Apocalipse, de Carlos Nougué, e também no comentário Revelação de Jesus Cristo, do teólogo adventista Ranko Stefanovic, para um diálogo com os irmãos adventistas do sétimo dia.

O cristão adventista que esteja estudando a doutrina católica encontrará um material importante aqui.

Versículo 1: O comentador cristão católico lembra que alguns supõem ser esse verso uma alusão a 1 Ts 4, 14-17. Podemos assim dizer que seria o arrebatamento da Igreja. Mas, como Ezequiel 1, 1, que escreve: “e eis que os céus se abriram e tive visões de Deus”, as portas dos céus se abrem. Então, trata-se apenas de mais uma visão, em comparação a Ap 1, 9. A porta aberta no céu não necessariamente indica que o arrebatamento do apóstolo signifique o arrebatamento da Igreja, mas que o apóstolo subiu ao céu para ter as visões.

Ranko Stefanovic, comentador adventista, explica que a porta aberta é a do templo celestial. O que concorda com o comentário cristão católico.

Versículo 2: A visão de Deus sem nomeação e em sua essência invisível simbolizada: Alguém sentado. É o Senhor Deus. Na interpretação católica antiga, na Idade Média, houve quem entendesse tratar-se de Cristo sentado aqui, mas isso não é correto, visto que Cristo ainda não entrou em cena nessa visão.

Versículo 3: Deus é apresentado com aparência de pedras preciosas, de jaspe e sardônica. A  Bíblia de Jerusalém traduz jaspe e cornalina. Deus é a luz das criaturas que já habitam ou ainda habitarão no céu, diz o comentador. O texto de Ez 18, 13 e Ap 21 são lembrados. O jaspe pode ser da cor verdade, conforme diz André de Cesareia, e o arco-íris, continua o comentador, simboliza em Gênesis e Ezequiel a misericórdia, é aqui apresentado com a tonalidade verde de esmeralda.

Versículo 4: há muitas interpretações católicas sobre a identidade dos 24 anciãos. O comentador expõe a sua opinião, de que se trata de anjos. Muitos dos antigos comentadores afirmam que os 24 anciões simbolizam todos os eleitos. Ou seriam os 12 patriarcas e os 12 apóstolos. Allo afirma que se trata do senado de Deus, como aparece em Isaías e Daniel, e seriam anjos. Os anciãos são entendidos como anjos, pois em 7, 13 aparecem distintos daqueles que chegam da grande tribulação vestidos de branco. Então seriam os anjos reitores do tempo, da história humana e das revoluções do universo. Mas, aqui creio que podemos continuar com a intepretação antiga em bem fundada de que se trata de um símbolos dos santos eleitos do AT e NT no céu.

Para os adventistas os 24 anciãos representam a humanidade redimida e glorificada. Mas, pergunta-se: como foram aos céus? Isso porque os adventistas não creem na imortalidade da alma, e então para ir ao céu haveria necessidade da ressurreição. No entanto, a ressurreição ainda não ocorreu. Assim, pensam que os santos que foram ressuscitados em Mt 27, 52 teriam ido com Jesus ao céu. E para isso também cita o texto de Efésios 4, 8, onde Jesus tendo subido às alturas levou cativo o cativeiro.

Primeiro, é verdade que na ascensão Jesus levou os santos ao céu.

Segundo, Jesus subiu aos céus em Atos 1, 9, e ninguém foi visto subindo com Ele. Assim, os que subiram com Jesus foram invisivelmente.

Terceiro, antes da ressurreição de Jesus Cristo não há santos glorificados. Se os santos que foram ressuscitados e vistos foram ressuscitados glorificados, estariam glorificados antes de Jesus ressuscitar, o que não é exato. Assim, esses santos ressuscitaram assim como Lázaro, em João 11, em uma ressurreição para a vida física. Eles não subiram ressuscitados ao céu. Subiram em espírito.

Quarto, o texto de Efésios 4, 8 diz respeito aos santos que estavam cativos na morte, santos do Antigo Testamento e todos os que morrem até a ressurreição de Cristo, os quais Jesus levou ao céu em suas almas. Desse modo, eles podem estar no céu na glória em suas almas imortais.

Entretanto, diz Efésios 2, 6: e com ele nos ressuscitou e nos fez assentar nos céus, em Cristo Jesus. Em vida, estamos espiritualmente assentados em Cristo nos céu. Após a morte, os salvos estão com Cristo (cf. Fl 1, 23). Dessa forma, os vinte e quatro anciãos são pessoas redimidas, mas ainda não ressuscitadas, e estão espiritualmente, nas suas almas, no céu.

Veja que Efésios 4, 9 afirma que Cristo desceu às profundezas da terra e depois subiu: Que significa “subiu”, senão que ele também desceu às profundezas da terra?. Isso significa que é após a ressurreição que Jesus levou os cativos salvos, todos eles, e não somente um grupo de cativos. O texto é geral.

Caso contrário, os ressuscitados deveriam ficar à espera de Cristo por três diz para depois subir. Estariam ressuscitados glorificados antes do redentor. E seriam um grupo apenas, e não todos os salvos. Por isso, essa intepretação adventista não tem respaldo bíblico.

Assim, crendo na alma imortal, todos os redimidos que estavam na prisão da morte foram levados ao céu quando Cristo subiu para o céu.

Versículo 5: os relâmpagos, vozes e trovões figuram o poder de Deus. As sete lâmpadas, que são os sete espíritos, já foram entendidos, pelos antigos, como anjos de Deus. Mas a interpretação comum na Igreja Católica é de que se trata do Espírito Santo, como está também em Ap 1, 4. O comentador afirma que mesmo André de Cesareia, que entendia tratar-se de anjos, afirmou que poderia não o ser, e assim seriam as energias do Espírito vivificante. Temos que se trata realmente do Santo Espírito de Deus.

Versículo 6: o mar de vidro é a infinitude do reino espiritual e a imensidão do universo material, afirma o comentador. Comentadores medievais virão a imensidão dos santos nesse símbolo. Poderiam ser também símbolos de qualidades de Cristo, como da realeza, do sacerdócio, da humanidade e da obra de dispensação do Espírito vivificante. Os quatro animais cheios de olhos simbolizam anjos que governam, sob Deus, a criação.

Mas, outras intepretações comuns, como dos quatro animais simbolizando os quatro evangelistas ou os quatro evangelhos, são plausíveis. Nougué afirma que isso “é difícil de aceitar”, visto que é incomum um superior figurar um inferior. Mas, se os evangelhos são tidos em sua acepção real de Palavra de Deus, são assim superiores aos anjos. Portanto, o símbolo tradicional referente aos evangelhos pode manter-se razoavelmente. Também, ainda assim, podem simbolizar o conjunto dos pregadores do Verbo, referida por Allo como a intepretação dos comentadores que estenderam a interpretação dos 4 evangelhos. É importante notar que essas noções lançaram luz sobre o que pensam os cristãos adventistas sobre certas passagens do Apocalipse.

Versículo 7:  os quatro animais são anjos.

Versículo 8: Santo, Santo, Santo é parte da liturgia da missa.

Versículo 9-11: os anciãos falam em nome dos homens, segundo o comentador. Mas, como vimos acima, os anciãos são santos redimidos, e por isso falam da própria salvação. Os santos que morreram já estão no céu.

A respeito do templo celeste e dos templos terrestres. O sacrifício cruento antigo é figura do sacrifício incruento cristão, diariamente celebrado, onde Cristo está presente pela transubstanciação.

O templo antigo é figura do templo novo. A liturgia no templo celestial é o protótipo para a liturgia da missa, que aos domingos principalmente celebra o sacrifício de Cristo até que Ele venha. Nas igrejas há o altar, sob o altar há relíquias muitas vezes, lembrando as almas debaixo no altar no Apocalipse. Sobre o altar há Cristo nas espécies pão e vinho, o Cordeiro imolador, o mediador, e diante do altar há incenso, também usado na liturgia em dias especiais, e prostrações e cânticos. Interessante essas palavras citadas de Bacuez, inclusive quando diz que na liturgia tem também o livre que não é dado a todos ler e compreender. Certamente fala da Escritura, onde a leitura não era comum a todos e a compreensão deve ser conforme o magistério da Igreja. De qualquer forma, mostra a origem bíblica da liturgia cristão católica.

Fonte: NOUGUÉ, Carlos, Comentário ao Apocalipse, Edições Santo Tomás, 2025.

STEFANOVIC, Ranko. Revelation of Jesus Christ, Andrews University Press, Michigan, 2002.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Refutando argumentos contra o Cristianismo, formulados pelo filósofo Matheus Benites

Vamos refletir.

No presente estudo será demonstrada a veracidade do Cristianismo.  As ferramentas usadas serão apenas a razão e a lógica. A razão é a capacidade humana de pensar, com leis intrínsecas que mostram o funcionamento normal do intelecto. Pela razão compreendemos e julgamos proposições. Na lógica operamos na razão com um sistema de regras para construir pensamentos válidos.

Pois bem. O Cristianismo é uma religião. Sendo assim, é algo espiritual, revelado por Deus, superando a razão em suas proposições e ensinos. No entanto, a investigação que será feita partirá da razão, para fundamentar a religião cristã, não apelando para a revelação divina, embora os temas estejam interligados.

Olhando para a realidade humana, vemos que todos os povos são naturalmente religiosos. Há religiões de todas as espécies, mas o fato comum é que o homem tende a conceber o conceito de espiritualidade. É um fato que a religião é parte da vida humana.

Sendo assim, é uma conclusão pobre afirmar que a religião é apenas fruto da mente humana, uma criação como a arte, a cultura e a sociedade, como se nela não houvesse algo sobrenatural. A razão indica que o fenômeno religioso está intrinsecamente radicado em ditames raciocinais. Os ensinamentos da religião em si ou de cada religião está em outro escopo a ser considerado. Basicamente temos que a religião é algo compatível com a racionalidade. E mais, ela segue a razão embora seu desenvolvimento seja a partir daí independente, no campo da fé. Agora fazemos apenas uma investigação racional.

O filósofo ateus Matheus Benites se pôs a analisar o Cristianismo em cinco proposições cristãs essenciais, a saber:

Deus é trino, maximamente amoroso, onipotente, onisciente e autoexistente.

Jesus é a primeira pessoa da trindade, nasceu de uma mãe virgem, morreu e ressuscitou pelos nossos pecados, prometendo uma segunda vinda.

O pecado original e a queda do homem.

A revelação pelas Sagradas Escrituras, a Bíblia é a Palavra revelada, seus escritos são inspirados.

Os milagres, são intervenções de Deus no curso da história.

Essas ideias são sujeitas a serem verdadeiras ou falsas assim como as ideias filosóficas. Então, ainda que estejam no campo da fé as proposições doutrinais, elas são compreensíveis pela mente humana, e a razão pode analisá-las. Como dito acima, o mundo está cheio de religiões, e em cada uma delas há um corpo doutrinal. O cristianismo é uma das maiores religiões do mundo, e por suas proposições sabemos se tratar da verdadeira religião, por sua verdade e conformidade com a realidade. É o que será provado.

A razão é a ferramenta básica para buscar a verdade. Encontramos Deus ao verificar suas obras na natureza, às quais falam à inteligência (cf. Rm 1,19). Assim, a fé está em concordância e relação íntima com a razão. A partir da razão alcançamos coisas espirituais. A fé é o avanço nessas coisas. A razão é o toque nesse sistema espiritual, a chegada aos umbrais da fé. Desse modo, o filósofo sem a fé terá apenas a razão para fazer esse escrutínio. Mas isso é o suficiente para levá-lo a progredir em sua natureza humana que exige mais que a pura razão e suas proposições para uma vida integral.

Deus é trino, maximamente amoroso, onipotente, onisciente e autoexistente.

Quando analisamos essa proposição é praticamente impossível imaginar um Deus em três pessoas. Não é irracional, mas escondido da razão. É compreensível, mas não claro. Há um Deus eterno e todo-poderoso, mas nesse Deus, a sua natureza, não é cabalmente revelada à luz da razão pura.

Vendo a Sagrada Escritura apresentado Jesus, e o Cristianismo propondo que Ele é Deus, em Sua segunda Pessoa, temos algo adicional ao conhecimento racional. Existe um Deus, mas Ele não é uma pessoa somente, mas três.

Em Mateus 27, 46 lemos Jesus gritando: Meus Deus, meus Deus, por que me abandonaste? Ali temos que Jesus fala com Deus. Então, à primeira vista, é lógico que Ele não é a pessoa de Deus com quem Ele está falando. Ele é outro. Essa constatação está de acordo com a proposição cristã de que Deus tem pessoas em si. Jesus é a segunda. Então o “meu Deus” de Jesus é referente ao Pai, como Ele o diz: Eu e o Pai somos um (João 10, 30). Essa constatação mostra que a ideia cristã concorda com essa cena de Jesus falando com Deus e mostrando sua intimidade com Ele.

Assim, Jesus é de fato outro, explicado na teologia como Pessoa, mas é ao mesmo tempo um como o Pai, formando dois em estreitíssima relação.

A razão indica a existência de Deus e exige que haja um só Deus todo-poderoso, no final das contas. E a fé cristã advoga essa unidade de Deus, afirmando que realmente se trata de um só, mas em sua doutrina revela que em Deus há uma sociedade de pessoas. Aliás, vem daí o senso social do homem, inato e natural, mas com essa explicação da fé que segue a reta razão.

Eis que olhando para o Antigo Testamento e o comparando ao Novo Testamento há percepção de uma diferente atitude de Deus em relação ao povo. Como o cristão dissidente Marcião afirmava que havia dois deuses, e que o Deus do Antigo Testamento era mau. Essa divergência cristã é aceita por muitos, inclusive é utilizada pelos ateus para negar a existência de Deus, pois aquele Deus parece não ter a bondade exigida pela natureza de Deus como Sumo bem.

No entanto, o próprio povo judeu, que serve a Deus no Antigo Testamento, entende, percebe, e aceita a bondade de Deus. Por exemplo, Salmos 33, 5: Ele ama a justiça e o juízo, a terra está cheia da bondade do Senhor. Portanto, ver em certos atos de Deus uma maldade é uma opinião, uma perspectiva, uma parcialidade. Deus é muito mais que certas atitudes aparentemente más. A água é H2O, quimicamente, e só isso? Não, a água é o berço da vida, um recurso fundamental para a manutenção da vida, um elemento sagrado nas religiões. A mesma coisa vista sob diferentes pontos de vista. O cientista observando a matéria dos elementos H2O, as religiões lendo e ensinamento a importância da água para a santificação, usando sua simbologia para avivar a fé, a medicina tratando da água para mostrar sua importância para a manutenção da saúde. Não se deve parar na análise científica, assim como não se pode ficar apenas em sua simbologia religiosa, nem restringir o conhecimento apenas do ponto de vista medicinal, mas tudo enriquece o conhecimento.

Pois bem. É claro que o povo de Deus o via como Deus bom. Marcião teve outra opinião. Os ateus seguem muito de Marcião.

Deus deu mandamentos para apedrejar homossexuais, os que não guardavam o sábado, os filhos desobedientes, etc., não condenou a escravidão e a tolerou e endossou em casos de escravos estrangeiros e mandou cometer genocídios contra outros povos. Essas passagens terríveis são usadas contra a revelação, contra o Cristianismo.

Em primeiro lugar, elas atestam a condição sócio-cultural-religiosa na antiguidade. Israel era o povo menos dado a tais excessos, embora os tenha cometido. É um ponto a favor da grandeza de Deus no meio daquele povo, tão ínfimo e tão desenvolvido moralmente. É patente o crescimento moral do povo do Antigo Testamento. Essa constatação condiz com a ideia de que a relação espiritual com o Deus bom santifica e faz bem.

Mas, por que Deus não exprimiu-se de modo a satisfazer as exigências morais mais elevadas e desenvolvidas como, por exemplo, a que temos no século 21? Por que não encontrou outros meios para libertar o povo a não ser mandando guerrear e cometer atrocidades inimagináveis?

De fato, são coisas que causam aversão, repulsa e repugnação. Mas, vemos Deus odiar o divórcio, em passagem explícita, mas ao mesmo tempo tolerou e endossou o divórcio por muito tempo na antiga lei. Ele levou o povo por uma pedagogia sábia, embora não muitas vezes claras e fáceis de explicar para a mente moderna. Isso significa que as atrocidades ali vistas no Antigo Testamento também não estão relacionadas à vontade de Deus nem contrariam sua bondade permanente, mas foram males menores permitidos para atingir determinados fins. Assim, as pragas do Egito sobre uma sociedade opressora foi o único meio para a libertação dos hebreus escravizados. Não tinham exército, foram auxiliados milagrosamente, fugiram do país. Tudo muito bem compreensível.

Do ponto de vista puramente racional, vemos um povo de fé, na prática da sua religião, sendo ajudando pelo Deus a quem serve, usando de meios possíveis e de intervenções milagrosas para atingir o objetivo, que é sempre o bem. A libertação, a formação de uma sociedade feliz que serve a Deus. É o que diz o texto da Escritura.

Mas a hostilidade do mundo, os pecados da humanidade, as traições, os assassinatos, o mal natural, como enchentes, incêndios, rios, tempestades, etc., não seriam melhor explicadas pelo naturalismo que concebe forças e causas puramente impessoais? Não.

Em primeiro lugar essa é a constatação empírica e o entendimento racional da situação do mundo que está inteiramente conforme a fé revelada. Nenhuma dessas coisas depõem contra a existência de Deus e contra a veracidade da religião cristã. Pelo contrário, as causas naturais existem devido a uma fonte todo poderosa e funcionam segundo leis bastante rígidas e as intempéries são certamente reações naturais para intervenções feitas no funcionamento original do universo. O mau moral e o mal natural causam reações de diversas naturezas.

O que tudo isso indica é que essas forças possuem uma origem, essas leis precisam ter sido criadas. Essa exigência racional não é apenas um costume ou fraqueza, mas obedece ao sistema da lógica. Ordem, beleza, leis naturais, ditames morais, e etc., apontam para uma Inteligência poderosa que deu a elas existência e não à noção de que as mesmas são assim naturalmente e autoexistentes. A mente humana reconhece sua limitação e debilidade muitas vezes.

Como as leis impessoais existiriam, como a moralidade tão concebivelmente elevada teria origem por si mesma, refletindo uma perfeição ou alto grau de organização que necessitaria de uma inteligência superior para entendê-la e uma força maior para segui-la e criar uma sociedade perfeita, por assim dizer, se para isso é exigido que uma Inteligência tenha disposto tais realidades para funcionarem assim? É claro que pode haver problemas na realidade natural assim como o há na realidade racional por motivos extrínsecos a cada uma causando males, erros de funcionamento, hostilidades e etc. É o mal no mundo explicado naturalmente e indicando racionalmente sua origem espiritual. A razão exige tudo isso.

Assim, o ateu não ficaria incomodado ao notar todas as coisas na terra se o senso de justiça, que supõe uma justiça perfeita, não o afetasse. Ainda, a indignação contra os males naturais e morais suspiram por uma solução. Racionalmente falando, o ser deseja que as coisas não fossem assim. Antes, deseja mais, que as mesmas não sejam assim. De onde vem tal desejo de todos? Dessa forma, na razão há indicação da existência de Deus todo-poderoso, capaz de criar, origem de toda a criação, e bom e justo para dar uma solução da tudo isso. São ditames racionais.

Quando se para nas explicações naturais o filósofo ateu aceita as contradições do seu pensamento e abre mão do desejo que existe na razão para a solução de todos os males.

É uma busca de melhorar a sua consciência na crença de que tudo é naturalmente assim, e não há o que fazer quanto à maior parte do que existe, e não haverá forma de justiça para toda o mal praticado pela humanidade em geral, nem para  todo o mal natural. Trata-se de uma opinião limitada e limitante da força da razão, suspendendo julgamentos e exigências da razão, colocando de lado pensamentos lógicos e se satisfazendo com a perspectiva natural irracional. Não se trata de escolher entre Deus e a natureza para explicar a realidade, mas quando se escolhe a natureza, os problemas descritos acima surgem e são contrários a sã razão.

A hostilidade e falta de harmonia muitas vezes encontrada na natureza é usada como argumento de que um Deus bom e todo-poderoso não poderia ser criado o munod assim e, portanto, tudo não passa de algo natural que surgiu espontaneamente em razão alguma nem propósito algum. Essa posição possui lacunas e contraria a própria razão, e portanto deve ser rejeitada.

A teoria da evolução é aceita pelo filósofo como fato. No entanto, ainda não é totalmente provada e um consenso dos mais renomados cientistas. A Igreja Católica não se opõe radicalmente à teoria da evolução, desde que a mesma seja de fato científica, e, sendo assim, estará conforme os dados revelados.

Mas o filósofo utiliza da evolução como prova de que Deus inteligente, sábio e bom não poderia ter criado o mundo assim, pelo sofrimento de milhões de anos das espécies em evolução e etc.

Nesse argumento fica subentendido que há algo racional contrário a certas explicações naturais evolucionistas. Ainda, sendo a teoria provada falsa, o argumento cai e será mais uma evidência da criação não-evolucionista, diríamos, já que mesmo na evolução se for real foi de fato Deus que dirigiu todo o processo, mas caso não seja e evolução a teoria correta, o argumento evidencia mais a Deus contra a objeção formulada.

Deus poderia ter criador outros métodos que não a predação, como o marimbondo citado que destrói uma colmeia inteira. Mas eis que na ciência atual é estudado tal caso e dele são tiradas lições. Não será isso mesmo o propósito divino ao mostrar ao homem os efeitos do pecado em toda a terra? Não é o exemplo de algo que suscita indignação da mente que procura o bem e a justiça? Assim, volta-se a pensar que se tal coisa é puramente natural, fruto de processo irracional e não tem nenhum fim, é uma lástima pensar nesse sofrimento de espécies sem finalidade alguma. Mas, uma vez admitindo-se Deus, tudo ganha sentido.

Ainda, o pensamento de que Deus deveria ter outros métodos para dirigir a natureza e criar situações diferentes que evitassem tais deformidades, é uma opinião indignada, válida, por sinal, mas apenas reflete a moralidade que temos diante das injustiças, e tal modo de pensar específico pode ser diferente quando se considera outros fatos na natureza e no mundo criado. Tais processos racionais são plausíveis mas nenhum substancia um argumento contra Deus.

Da mesma forma que a imperfeição encontrada na natureza serve de argumento contra a existência de Deus, anseio por justiça e harmonia no mundo, que só pode ter uma realização por um poder muito grande, estabelece a existência de Deus. O problema é que o primeiro contem falhas racionais, e o segundo segue os ditames da razão.

A volta ao paraíso está alicerçada nos ditames da razão, e por isso tais casos na natureza trazem indignação e clamam por uma solução. Como afirmar que o ataque das vespas asiáticas a abelhas não serve para nenhum propósito? Ao pensar que os seres possuem início e uma explicação, o filósofo já admitiu que isso pode não ser, que há seres que possivelmente não tenham explicação. Porém, no caso desses exemplos da natureza, afirma dogmaticamente que não servem tais coisas a nenhum propósito. Mas isso é incoerente e já demonstrado que provavelmente há sim um propósito para tudo. E, como já demonstrado, já necessidade de explicação para a origem do ser, e na criação não há seres autoexistentes.

E, pela observação racional vemos que o mundo não foi criado totalmente sem nenhuma possibilidade de progresso e evolução, mas de alguma forma foi posto em estado de caminhada, como explica a Igreja. A própria criação em etapas de dias mostra isso, e é também o que diz as teoria científica sobre a origem da vida.

Por fim, pensar que essas coisas na realidade são totalmente incompatíveis com a bondade de Deus e formular argumento contra Sua existência não faz sentido, pois esconde o desejo de que isso deveria ser feito assim e assim e não como realimente é se Deus é o criador, o que nada mais é que uma exigência humana, uma das possibilidades de opinião que podem ser formuladas.

Por tudo isso, aprendemos que de fato a razão nos aponta para Deus, e que o mesmo é o princípio de todas as coisas, que Ele tem poder para realizar o desejo íntimo radicado em nossa natureza, que é Bom, como indica os anseios profundos que aparecem em nós, e é autoexistente, já que não se pode abrir ao infinito a criação de deus em cascata, incorrendo em problema absurdo. Deus é trino, é amoroso, é é onipotente, onisciente e eterno, e tudo isso é tem, pelo menos, respaldo racional.

Jesus é a primeira pessoa da trindade, nasceu de uma mãe virgem, morreu e ressuscitou pelos nossos pecados, prometendo uma segunda vinda.

Jesus é criticado por ser falado do inferno, por ter sido duro com certas pessoas em suas pregações, pela descrição do juízo onde separa ovelha de cabritos, pela expulsão de demônio e suas permissão de que os mesmos entrassem nos porcos, e pela figueira amaldiçoada.

Mais uma vez há a escolha de uma moralidade para ser vivida por certo personagem, com características que mais se adequam à opinião do julgador. Jesus seria menos perfeito em comparação com outros líderes de religiões por esses exemplos citados.

No entanto, isso supõe que Jesus não sabia o que estava dizendo: que não falava do inferno real, mas como que dava sua opinião. Essa observação sugere que Jesus era um ser humano como outro e não divino também. E, partindo disso, julga a doutrina ensinada por Ele. Essa avaliação ultrapassa a razão.

De fato, no budismo há uma consequência cármica. A vida moral é vista como um caminho de libertação, e pelas leis cármicas as consequências incluem renascimento e outro ciclo de existência e sofrimento.

Jesus trata da moralidade com amor, da mesma forma, e fala da justiça de Deus no juízo e do sofrimento do inferno, de modo direto. São duas formas entre duas pessoas de ensinar a necessidade de viver bem moralmente e as consequências das más ações. Fica na subjetividade pensar em que foi nesses exemplos mais moral e perfeito. O argumento parece não ir muito além disso. Seria como se Deus, sendo amoroso, não pudesse falar das consequências do pecado, quando nisso podemos ver a pura atuação do amor, que é prevenir as pessoas do sofrimento.

Quando Jesus amaldiçoa a figueira, certamente usando o exemplo para admoestar o povo de Israel, simbolizado ali, pois sabia que a figueira não estava no tempo de dar frutos, ele exortava à vida espiritual com frutos para Deus. Não se trata de algo puro e simples para fazer uma figueira secar, aquele ato não era para a figueira em si, mas há uma finalidade moral bem elevada no ato.

Da mesma forma, Jesus permite aos espíritos ir para os porcos. Ele não colocou os demônios nos porcos e ordenou que os porcos fossem se afogar no mar, como diz o filósofo. Essas palavras para falar da cena mostram que o filósofo tem indignação grande com essa cena do evangelho, colocando aquilo como exemplo de falha humana. Na verdade, a cena mostra Jesus não destruindo os espíritos, como o filósofo crê que seria o melhor a ser feito. Mas não estamos aqui diante de mais uma opinião do que poderia ser ou não melhor a ser feito sem diminuir em nada a pessoa de Jesus? Como pensava Jesus? E como sabemos que o que julgamos ser o mais correto o é de fato naquela situação? Assim, nada de falho em Jesus nas cenas descritas.

Ainda mais, os porcos sofreram dor e morreram afogados. Por que isso? Mas porque durante milhares de anos porcos não mortos para servirem de alimento à humanidade, sendo a carne mais consumida? Não sofrem eles? Não são a humanidade inteligente que aceita dar tal sofrimento aos porcos para um bem maior que é produzir alimentos? Assim, não sabemos se realmente não teve propósito alguém aquela permissão dos espíritos possuírem os porcos. É valido pensar que se não sabemos exaustivamente sobre o assunto não é possível afirmar categoricamente que não houve propósito. Não há indício de falha alguma, pois toda a cena, bastante forte, chamou atenção de tantos.

Seria possível que o ser humano escreveu como se Deus agisse daquela maneira. Assim acontece com as obras humanas, nas ficções, nos mitos, etc. Não é o caso da Bíblia pelo que sabemos. Ainda, também é possível nas análises, como feitas pelos filósofos ateus a respeito das ações de Cristo, que algo seja projetado naquela análise, de forma a impor o pensamento ou algo do mesmo no objeto analisado.

Quando fala do nascimento virginal de Jesus, certamente é algo incomum, não esperado, extremamente curioso, improvável, e, certamente, impossível. Por isso, sabemos tratar-se de uma intervenção de Deus. Não é razoável pensar que isso é impossível para Deus, mas somente em termos naturais há impossibilidade. Uma vez que sabemos que Deus existe, é totalmente possível o nascimento virginal.

Talvez não se trate de violação das leis naturais, mas a força de Deus agiu criando o processo de concepção justamente como se ocorresse naturalmente no organismo da virgem. Assim o fazem cientificamente com os camundongos, numa comparação imperfeita, mas apenas para mostrar que não há quebra das leis, mas uma intervenção que faz as mesmas funcionarem em outra circunstância para um fim idêntico, que é a geração de um descendente.

A palavra jovem em Isaías é traduzida por uma palavra que também significa jovem e virgem. O contexto mostra que se trata realmente de profecia, pois não é estupendo que uma jovem conceba um filho, mas uma virgem sim. Portanto, o contexto implica que se trata de virgem quando se lê o hebraico original em Isaías.

Os mitos nas outras culturas podem facilmente refletir a tradição antiga da vinda do messias, do salvador, já que a promessa de Deus para esse fato foi feita no início da humanidade. Desse modo, em vários lugares encontram-se a noção de filho de Deus, embora com deturpações. A versão bíblica reflete o original.

Quando os evangelhos tratam do nascimento de Jesus, com textos diferentes, não há contradição na mensagem. São Mateus escreve para os judeus e usa o modo de entender adaptado aos judeus, mas mostra que o nascimento foi por força miraculosa. Lucas se dirige aos gentios e compõe seu livro com linguagem mais compreensível para as nações, e da mesma forma, relata o nascimento de Jesus como filho de Deus gerado sem intervenção humana.

O massacre comandado por Herodes não tendo outras narrativas não implica que não aconteceu. A Bíblia fornece credibilidade história e é uma fonte consistente. Não há razão para negar um relato bíblico apenas pelo fato de não ser encontrada outra fonte com o mesmo relato. Há também a questão de que fatos importantes são contados uma só vez, e não aparecem em outras narrativas. Mas isso também não prova que os fatos são mentira.

No minuto 36 o filósofo chega a dizer “não leiam” a Bíblia quando a intenção foi falar “não leem” a Bíblia, corrigindo imediatamente. Um ato falho? De qualquer forma, deve-se repensar cada argumento usado contra o Cristianismo.

A ler as profecias interpretadas no Novo Testamento temos perfeita compreensão do sentido dos textos e não contrário. Quando se fala do Messias, nunca é limitado a Israel, pois os textos antigos incluem as nações sob a luz da era messiânica, o que concorda com a narrativa do Novo Testamento. Assim, afirmar que se tratam de reinterpretações erradas é um tanto equivocado.

Quando se aceita Deus, cremos na possibilidade de milagres. Se os cientistas, conhecendo as leis naturais, conseguiram induzir a partenogênese em camundongos, como negar que o criador das leis possa fazer isso no ventre da virgem Maria. A Bíblia trata de que foi algo impossível humanamente, possível para Deus, em um equilíbrio fenomenal de apresentação do caso. Assim, é digno de fé o relato bíblico. Naturalmente é impossível sim, mas a fé cristã tem essa proposição por ter ela fidelidade original, legitimidade, guardada nos escritos bíblicos e na tradição de modo a não deixar espaço para dúvida. Nenhum vestígio na crítica textual pode por em dúvida a narrativa do nascimento de Jesus.

O pecado original e a queda do homem.

A evidência do pecado original está na mera observação da própria mente de cada um, na realidade do mundo, do comportamento do ser humano, se imperfeições que assolam a ordem estabelecida. É algo empírico.

O filósofo Nietzshce foi citado. Um exemplo para reflexão é o do papa Leão I foi modelo de homem cristão e líder forte. Homem de fé, grande teólogo, soube governar a Igreja com sabedoria e autoridade. Destemido salvou a cidade de Roma enfrentando sem armas a Átila, rei temido por todos. Nietzsche erra em ver fraqueza, pobreza, doença, negação da vida. Em inúmeros exemplos cristãos, como esse do papa Leão, os valores aí superam e refutam a crítica e Nietzsche.

 

A revelação pelas Sagradas Escrituras, a Bíblia é a Palavra revelada, seus escritos são inspirados.

A crítica textual, nos milhares de manuscritos bíblicos, demonstra cabalmente que a mensagem da Bíblia permaneceu intacta. A verdade religiosa que se aprende lendo a Escritura é clara em seu fundamento e não há o que objetar.

Mas eis que alguém diz: só creio se os originais estivessem preservados! Será mesmo. Obviamente, logicamente, possivelmente, provavelmente esse não creria. Primeiro, se as cópias mais antigas comparadas a cópias recentes, e comparadas a pergaminhos encontrados recentemente testemunham a integralidade da mensagem, é uma evidência fortíssima de que o texto o ensino foi preservado. Não há como não aceitar. E, partir daí, não há como não crer.

 

Os milagres, são intervenções de Deus no curso da história.

Os testemunhos são negados. A violação das leis da natureza é usada como contra-argumento. A experiência firme e inalterável deveria antes estar aberta à possibilidade de que, se as mesmas são até aqui observadas assim, há possibilidade de mudança. Assim, o milagre é possível. Ainda que Hume tenha posto em dúvidas as leis objetivas da realidade, onde a experiência é que estabeleceria firmemente e inalteravelmente as leis da natureza, isso não pode impossibilitar o milagre. Em certo momento pode-se ser pego de surpresa com um funcionamento anormal de determinadas leis naturais.

Ainda, para haver milagre não é necessário que a lei natureza seja mudança, mas que uma força maior seja exercida. Assim, o machado de Eliseu boia na água? Eliseu cortou um pedaço de madeira, jogou-o na água e o machado veio à tona (2 Rs 6, 6).  É necessário suspender as leis da gravidade ou as fazer funcionarem de outra forma? Não. Basta que o poder divino intervenha fazendo aquele objeto subir na água, como uma mão física o faria sem quebrar a lei gravitacional. Assim, racionalmente os milagres são possíveis.

Por causa da existência de tantas fraudes, etc., o filósofo crê que é mais razoável supor que são mentira, fruto de alucinações, de desejos ocultos, etc., do que crer na mensagem bíblica, embora o que se vê, mesmo na análise puramente textual, a partir da crítica textual, é que a Bíblia é um documento sério e legítimo, digno de confiança.

Embora a noção de milagres seja a de que não que ocorre naturalmente, e não é visto aos milhares todos os dias, mas que é uma intervenção de Deus de forma extraordinária, parece que o filósofo acha que o milagre deveria ser corriqueiro. Ponto fraco na sua análise. O milagre é um dos meios pelos quais Deus fala à mente humana. Hoje há várias curas de doenças, vários salvamentos,  fenômenos inexplicáveis, etc. São inúmeros exemplos. Mas normalmente Deus se vale da própria criação, dos estudos, da cultura, da Igreja, da Bíblia, etc., para levar pessoas ao conhecimento da Sua vontade. A filosofia é um dos meios.

Gledson Meireles.

 

domingo, 4 de janeiro de 2026

Refutando alguns rgumentos do filósofo Matheus Benites

Aqui estão comentadas brevemente certas afirmações escolhidas aleatoriamente em vídeos do filósofo.

O rosto projetado numa poça d´água”. A água funciona como um espelho. A forma que se reflete na água remete à realidade física ali na frente da superfície que pode transmitir pelo seu brilho a forma original. Os sentidos podem captar a forma do rosto na água. Assim, o rosto na água existe. Ele é um ser. Esse ser é tão existente quanto o rosto original que o fez ser refletido. Desse modo, o reflexo na água é um ser igual ao ser original existente, se formos pensar em termos da ontologia plana.

Quando se diz que sabemos que não há um rosto ali na poça d´água, mas apenas a projeção do rosto, isso está conforme a filosofia tomista, bastante realista e racional, e fornece meios que enfraquecem a filosofia naturalista.

Em Romanos 1, 19 está escrito: “Porquanto o que se pode conhecer de Deus eles o leem em si mesmos, pois Deus lhes revelou com evidências”. Há evidências no homem e no mundo para provar a existência de Deus. Achar que são ainda fracos os argumentos, e que se precisa de algo mais forte, talvez seja uma exigência infantil nesse quesito.

E no versículo 20: “Desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, o seu sempiterno poder e divindade, se tornam visíveis à inteligência, por suas obras; de modo que não se podem escusar.

Assim, existe a perfeição de Deus que é vista no mundo, e o poder de Deus é também refletido na criação, de modo que são visíveis aos olhos as suas obras, mas o texto afirma que são visíveis à inteligência. É parte da tarefa filosófica, então, buscar entender Deus, e aceitar sua existência é o ponto básico.

Deus não é forçado a revelar-Se mais do que o suficiente. Não é revelação de Deus que o mesmo se revela a todos igualmente e eficazmente. Também não é empiricamente observado que todos creem da mesma forma.

No entanto, é verdade que a maioria absoluta na humanidade crê na existência de Deus. Quando se diz que o Deus cristão está em desvantagem porque o Cristianismo não é a maior religião na terra, está encerrando uma contradição na posição adotada de que o ateísmo se vale da proposição de que não há divindade. Desse modo, a crença em quaisquer divindades não é ateísmo.

Assim, a maior parte da humanidade em todos os tempos creu em Deus. O ateísmo é fenômeno isolado e em crescimento em períodos de crise, como os da era atual. Às vezes às exigências revelam o medo de crer e a vontade de não crer. Assim, encontra-se em qualquer debate o seguinte: “se você me mostrar isso eu fico convencido”, mas antes é feita a apresentação de modo deve ser a prova, que deve conter tal e tal característica, etc.

Por exemplo, me mostre na Bíblia onde está escrito tal coisa, quando a Bíblia afirma a mesma coisa em outras palavras ou de forma tácita, o que não é aceito pelo debatedor, pois o mesmo quer ler da forma exigida.

Em assuntos filosóficos encontra-se o mesmo, e em qualquer debate sobre qualquer assunto. É preciso antes uma abertura do espírito, maior do que se pensa. Refletir no que é proposto, ainda que pareça já conhecido ou que seja muito despropositado aparentemente.

Dessa forma, o Matheus Benites creria na Bíblia se a mesma fosse criada de uma vez, certinha, sem rasuras, sem diferenças textuais, etc., mas o que ele vê através da crítica textual muitas diferenças entre palavras nos evangelhos em seus vários manuscritos. Por que Deus permitiu tantas divergências, ao invés de expressar-se por textos aproveitáveis etc. No entanto, a crítica textual mostra a mesma mensagem com tantas palavras diferentes nos milhares de manuscritos. Ainda que determinado versículo falte em manuscritos ou como citado os 12 versículos do final do evangelho de Marcos faltam em manuscritos, etc., a verdade da ressurreição está em todo o Novo Testamento. Por que não crer? Por que exigir detalhes que se adequem àquela mente individual? A Escritura mostra que o suficiente da revelação de Deus está dado. Assim também na Escritura.

Em Marcos 16, 6 um jovem de roupas brancas é visto no túmulo de Jesus no dia da ressurreição. Em Mateus 28 o anjo fala com as mulheres, no v. 5. Em Lucas 24 aparecem dois personagens, que são os anjos, é claro, no v. 4. Em João 20 dois anjos aparecem e falam com Maria Madalena, no v. 12. Em todas as cenas há aparição, de anjo ou anjos, com vestes brancas. Os detalhes, como ser um jovem, está fora do túmulo ou dentro do mesmo, e outras particularidades estão conforme o modo de escrever dos evangelistas que focam em determinado assunto e compõem a narrativa ao redor para mostrar a cena. A mensagem é a mesma. Desse modo, a Palavra de Deus está sendo apresentada. Cuidado com as exigências colocadas para crer. O estudo nos leva a crescer na fé aos poucos, mas peçamos ao Senhor a fé para crermos na Sua Palavra.

O filósofo fala da limitação do ser: Sem limitação não existe ser, só existe ser pleno.

De fato, somente Deus é pleno. Mas os que isso, a limitação do ser, tem a ver com argumento contra a existência de Deus? Limitação, mudança, possibilidade de sofrer, de tédio, de necessidade, de fazer algo, de obter algo, de sofrer mudanças biológicas, e etc. Isso é querido pelo ateu. Mas qual o motivo? Porque de fato esse pensamento tem encapsulada a ideia de que toda essa mudança possível e essa limitação é passageira e não constante, duradoura e intensa.

Ninguém deseja a limitação a todo momento, nem uma doença incapacitante, nem qualquer outro sofrimento, nem a corrupção ou degeneração biológica. E quanto à abertura à mudança, à posse de algo, e etc., o pensamento é que isso estará sempre ocorrendo, e que a prosperidade virá, e que a felicidade está sempre à porta. Se não, em sã consciência não poderá desejar tal limitação do ser.

Outra instância eterna diferente dessa, que é estimulante e valorosa, seria preferível deixar de ser, diz o filósofo. E qual o motivo? Certamente por se pensar que ao chegar ao limite do ser estará sendo englobado no ser total, morrendo e existindo em outra realidade deixará de crescer em conhecimento, em adquirir, em prosperar, e etc., de modo a atingir um tédio contínuo, um sofrimento, digamos, e isso é algo que a mente humana não deseja. Portanto, o argumento falha de duas formas: pensar que a presente vida é a ideal e que a vida futura como esperada pela fé cristã católica é tediosa. E o filósofo preferiria deixar de ser ao invés de ir para o céu.

Certamente, no fundo do argumento está o medo do tédio, do sofrimento. De fato, pensar em atingir o limite de todo progresso e viver sem mais nada de novo a ser experimentado é algo que a mente humana repele. No entanto, é justamente o contrário que espera a fé cristã, que é a felicidade completa, de modo a não haver mais possibilidade de entediar-se, num progresso infinito, coisa que vai além da compreensão humana, mas está no desejo de afastar o mau e o sofrimento, viver na justiça e felicidade constante. Portanto, o primeiro ponto do filósofo ateu está cheio de problemas, e o mesmo deveria deixar esses argumento logo após entender essa verdade.

Humildade do cientista ateu. O cientista ateu assume que pode estar errado, e faz experimentos e colher evidências. O religioso parte do princípio que já está com a verdade e o livro sagrado contem a verdade absoluta.  Mas a ciência e a fé são duas coisas interligadas mas distintas. A verdade racional aponta para a existência de Deus e o universo fala à inteligência sobre a existência de Deus. Assim, o cientista religioso parte da premissa certa e busca avançar no conhecimento da obra de Deus que é o universo e no próprio universo. Curvar-se diante da verdade é humildade.

 

Parte 1: Deus oculto.

Se fosse provada a existência. Deveria haver evidências científicas para se chegar até Deus. Por que permitir que certas pessoas sejam resistentes e permaneçam no ateísmo? O livre arbítrio explica isso e isso deveria bastar. É preciso notar que o homem é essencialmente religioso e alguns perdem fé racional em Deus e intuem algo em seu lugar. No caso do filósofo Matheus pode-se ver que o mesmo crê na moralidade objetiva, na bondade, em leis naturais objetivas, mas as distinguem de Deus como se as mesmas fossem auto-existentes.

 

Parte II: O problema do mal.

O mal como ausência de bem não resolveria que os seres continuam a ter sofrimento real. Mas talvez o pensamento de que o sofrimento, em qualquer grau, quando existe, é momentâneo. É plano de Deus tirar todo o sofrimento da criação. Deus enxugará toda lágrima, diz a Escritura em Ap 7, 16. Portanto, o pensamento ateísta que sabe do sofrimento real não tem esperança algum de resolvê-lo para sempre, ao mesmo tempo que o desculpa, por concebê-lo como proveniente de causas naturais.

Usa o argumento para culpar uma mente inteligente, mas reconhece o seu mal, o sentimento de injustiça que ele suscita, mas abafa a voz da razão e da intuição humana de que é necessário haver justiça para todo o mal. Dessa forma, o problema do mal fala da existência de Deus. Não haveria esse desejo de felicidade e de justiça se a mesma fosse inalcançável.

Deus é bom, mas permite o mal pela liberdade das criaturas, que praticam o mal contra Sua vontade. Ele é todo-poderoso e garantiu a extinção do mal e a aplicação da Sua justiça. Em certos casos a criação experimenta um pouco da vida paradisíaca que espera a todo o que ama a Deus.

Assim, o mal de fato é contrário à Vontade e natureza de Deus. Sendo assim, a existência do mal relaciona-se ao Seu poder. Portanto, o mal só pode existir se Deus o permitir. Deduzimos que o mal é permitido por Deus, mas sendo contrário ao Seu plano original o mal será extirpado, não podendo existir para sempre, nem a injustiça prevalecer em qualquer lugar da criação.

O ateu acerta em ver o mal como inconciliável com o Ser divino, incompatível com o Seu poder absoluto, mas não percebe que é possível que o Deus bom e todo poderoso tenha razões para permitir o mal, o que é razoável, como provado acima, e que ao invés de impossibilitar a existência do mal, Ele irá extirpá-lo e dar a todos a felicidade eterna, diante da qual o mal passado não poderá perturbar jamais. E esse desejo está no íntimo da mente humana, sendo algo que ultrapassa a resposta irrefletida de que sendo Deus bom e todo poderoso o mal não poderia existir. Por que preferir negar Deus por esse sentimento de injustiça e de ética que flui do raciocínio acima, ao invés de aceitá-Lo na sua inteireza, como mostrado, quando o mesmo é a única alternativa para preencher toda a aspiração legítima da natureza humana, que é a justiça e a felicidade? Portanto, Deus é bom e todo-poderoso, e o mal será com certeza erradicado para sempre. Sendo assim, o problema do mal é bastante razoável no mundo que foi criado por Deus, que é bom e justo, e tem suas explicações satisfatórias.

 

Parte III:  Argumentos a priori e a posteriori para a existência de Deus.

Existência e sustentação do universo. Por que não existe nada? A resposta satisfatória estaria na ciência. Por que Deus estaria imune à regressão? A solução é simples, uma vez que quem criou Deus seria o verdadeiro Deus, e assim por diante, o que a razão não leva a fazer. Uma vez que o criador de Deus seria Deus e assim por diante, haveria a existência infinita de deuses onde nenhuma seria o verdadeiro e inexistiria o mais poderoso, sendo algo que não responde às exigências racionais. Assim, o ato puro é o verdadeiro Deus.

Deus sendo onisciente e onipotente. Não podendo mudar de ideia não seria onipotente. Mas isso é o mesmo que criar uma pedra que não se pode carregar. Deus não age contra Sua própria natureza e não pensa de modo e entrar em conflito com Seu próprio ser. No pensamento simples de Deus não há tal caso de possibilidade de mudança de opinião, e suas decisões são sempre perfeitas. Sabe o que fará e quando o fará sem quaisquer problemas.

O ser inevitável e o nada é impossível por definição. Genial. Esse ser necessário é Deus. As características dos seres que perecem levam-nos a pensar que não são necessários. Vamos pensar um pouco. A intuição das leis de moralidade é inata. A moralidade é objetiva. Percebemos a moralidade como algo real e que afeta a consciência. Assim, racionalmente se prova a existência da moralidade objetiva.

O senso de justiça universal. Também traz o desejo de felicidade completa. Deus é necessário para a vida eterna e para a justiça perfeita ser aplicada a todos os casos do universo. Esse desejo está na natureza humana. A existência desse desejo é uma prova de que a sua realização existe. No ateísmo materialista não há justiça a todos os casos e nem a felicidade eterna. Portanto, pelo mesmo raciocínio chegamos a Deus.


Gledson Meireles.

sábado, 3 de janeiro de 2026

Debate: Paulo Kogos (cristão católico) vs. Matheus Benites (ateu)

Comentário de partes do debate entre um cristão e um ateu no canal do youtube Cauê Santos.

Serão feitas aqui observações apensas sobre afirmações e argumentos do filósofo ateu.

1)   O filósofo e naturalista ateu, Matheus, afirma o dogma de que nunca houve, não há e jamais haverá qualquer causa ou ente sobre natural, tudo é natural. O conhecimento objetivo existe, existe lógica e juízos. A moral faz parte da natureza, ainda que não seja física, mas é objetiva. É um tipo de ateísmo.

Ainda que a ciência e as evidências científicas não possam provar que não existe Deus, é aquilo que o filósofo acima afirma e crê, por assim dizer. Também, ele crê em um dogma, que não pode ser questionado, resumido como: não existe ente sobrenatural. É então dogmático e crente no poder da ciência humana, digamos.

A moral seria objetiva, e poderia formar a base pela qual possamos dizer o que é certo e o que é errado. Assim, não haveria necessidade de tudo é permitido para quem não crê na existência de Deus. No entanto, a moral com suas leis objetivas que são percebidas pelo intelecto humano é assim explicada como proveniente do nada, sem inteligência alguma. Algo irracional julgando mentes inteligentes. Algo não razoável.

A ideia de que indivíduos e grupos que creem em Deus e agem como se tudo fosse permitido comprova que a moral é de fato objetiva e que a única força desse argumento é que indivíduos livres podem comportar-se de acordo ou não com as leis morais e ética objetiva. Até esse pondo nada contra a existência de Deus e uma incoerência no pensamento ateísmo.

O homem teria conseguido de alguma forma perceber através da observação empírica as propriedades morais que existem no universo, que não seriam leis, mas fatos naturais.

De onde vêem essas propriedades morais que a mente humana percebe? E essas leis tão sábias que o homem demorou tanto para entender e agir em conformidade seriam apenas naturais? E mente inteligente, nesse pressuposto ateísta, está tentando entender o melhor para a humanidade que provém da realidade do mundo e que teria proveniência irracional, sem causa espiritual, uma lei vindo do nada. É algo estupendo de se pensar.

De fato, o homem fraco e imperfeito não alcança toda a profundidade dessa realidade moral que traz o bem estar almejado pela humanidade. No entanto, esse fundamento moral teria uma origem puramente natural, sem espiritualidade nem inteligência, e que, como vimos, está acima da inteligência.

Em primeiro lugar a moral objetiva é uma verdade da fé cristã é teísta. A posição do filósofo concordando com isso o coloca em situação pior, já que fica teórica e praticamente impossível explicar essa incongruência acima apontada. Ponto positivo para a posição cristã.

2)   Como o suprassensível entra em contato com o sensível? De fato, quando o ateu afasta o espiritual, o que está acima da natureza, mas crê que propriedades invisíveis agem no mundo e o governam, por assim dizer, tendo o homem frágil e débil que perseguir por milênios a conformação da sua vida para o progresso das culturas, conformação às leis ou propriedades naturais da moral natural, sendo esse contato perfeitamente razoável e possível, parece residir aí a resposta à questão que o ateísmo propõe, uma vez que a criação, física e tangível, com suas leis naturais objetivas, são obras de Deus e dessa forma a comunicação com a razão humana é praticamente possível e natural, havendo mesmo a indicação e natural propensão para ir além, quando se pena no entendimento das coisas sobrenaturais. Sendo assim, a compreensão da moral, como se percebe, é facilmente feita pelo homem, e a sua comunicação com o espírito humano é de fato fácil e natural, e tudo isso nos leva a entender mais uma obra de Deus, inteligente e moral. A crença na irracionalidade da moral é que é problemática para a mente humana inteligente. Por outro lado, quando se parte para a mente inteligente humana em sua fragilidade e debilidade para compreender a mente perfeita de Deus, temos uma explicação perfeita.


3)   Causação de David Hume. Causa prioritária temporalmente ao efeito, contiguidade espaço-temporal entre as duas coisas, precisam ser observadas juntas em situações semelhantes. Como Deus fora do tempo poderia afetar e gerar uma coisa no tempo? Para isso, bastante pensar que Deus na eternidade é causa do tempo ao cria-lo, sendo que causa opera no mesmo instante em que o tempo passa a existir, assim como uma marreta ao quebrar uma vidraça, onde a marreta é a causa da quebra do vidro. Entretanto, a causa da quebra foi a marreta naquele movimento de força contra a vidraça, o que é anterior logicamente, mas a quebra, que é o efeito, é simultâneo ao toque da marreta no vidro. Assim, as rachaduras e decomposição da vidraça são criadas no mesmo instante em que a marreta entra em contado com o material do vidro. Assim, Deus na eternidade cria com Seu poder o tempo, onde o mesmo passa a existir no exato momento em que o pensamento criador divino entra em operação com vista a produzir esse efeito. Causa e efeito ocorrendo no mesmo instante, a contiguidade espaço-temporal entre ambos é compreendida e a observação intelectual dessa realidade é perfeita.

 

4)   Argumento a partir da ontologia plana. Explicações metafísicas, não morais. Não haveria ser necessário para sustentar o universo. Os entes partindo do mesmo estatuto ontológico. A capacidade de afetar outro ente é que determina a ontologia. Parece que a questão não afeta em nada a existência de Deus. A constatação de que todos os entes existem e a opinião de que os mesmos possuem igualdade ontológica, parte do pressuposto de que todos existem, e que isso seria o fundamento para o mesmo estatuto ontológico, o que é algo posterior à obra de Deus. Foi Deus quem deu existência aos entes, e assim, a partir disso, toda observação e reflexão sobre os entes e suas relações estão no campo secundário. As qualidades, perfeições e imperfeições observadas atestam algo objetivo. E nessa constatação vemos mais uma vez a razão levar a algo mais perfeito que a natureza tangível, o modelo, a origem, o fundamento da existência da mesma. A questão de que unicórnios existem apenas na ideia, na imaginação, na linguagem, teria nessa teoria a mesma importância de um elefante, que existe na realidade. O unicórnio fictício tem o mesmo valor ontológico que o elefante real. Certamente, essa teoria entende que Deus, que seria uma ideia, partindo do pressuposto ateu, teria o mesmo valor ontológico que qualquer outro elemento da natureza. O problema é que racionalmente essa igualdade ontológica poderia ser entendida como a base para a existência de toda a criação no plano original de Deus, onde tudo o que existe é em relação a Deus infinitamente menor. Claro que, sendo assim, Deus não é ideia, não é imaginação, não é criação da mente humana, mas o próprio motor Criador inteligente, espiritual e perfeito da natureza presente em todo o universo. Eis a diferença básica. A ideia de gradação de cada ser na natureza pode ser compreendida em ambas as perspectivas. Cada ser tem um lugar na natureza, e por isso se pode explicar e entender a importância ontológica nesse sentido. Partindo daí, temos que ontologicamente Deus e a natureza possuem uma gradação infinita.

 

5)   Deus é o Sumo Bem. Para o ateísmo naturalista ético, Deus poderia existir como ideia. Alguém poderia pensar no Deus bom, ou qualquer outro deus com quaisquer características. A existência desse deus ideial e sua natureza é igual à de qualquer outra ideia. Assim, também, a bondade nas coisas existem, mas não a bondade em si. Como a saúde, e etc, existem nas pessoas e não algo imaterial, um ente “saúde”. Com isso, o ateísmo iguala a idade de bem, de bondade, integridade, coragem, etc.,  à ideia de Deus.

Dessa forma, a teoria ateísta, aí proposta, crê explicar a realidade. A realidade objetiva dos fatos naturais é desconhecida em sua totalmente pela mente humana. Somente uma mente onisciente poderia compreender essa objetividade moral. Foi necessário muito para que a humanidade chegasse a compreender o certo e o errado em cada circunstância no curso do progresso histórico. Assim, essa perfeição real, por assim dizer, é claro que o filósofo ateu tentaria afastar qualquer linguagem que se aproximasse da ideia de Deus aqui, mas não faz a menor importância, quando se faz a devida observação da realidade e a descreve objetivamente, essa perfeição da realidade, com sua moral intrínseca e objetiva e não originada, nem dependente da subjetividade humana, mas existente em si, irracional, com sua admitida complexidade, essa moral está no lugar que Deus deveria ocupar. Assim como o homem aos poucos vai compreendendo Deus, assim vai entendendo a moral objetiva e natural acima descrita. É preciso entender que ao tentar colocar algo no lugar de Deus, nega-se a força da razão a alcançar degraus superiores e começa-se a pensar absurdos, ou seja, ideias contrárias às leis do pensamento racional, como a já apontada moral irracional acima.

A moral não é física, mas natural, afirma o filósofo. Isso em nada é empecilho para a crença na existência de Deus, já que a criação de Deus é toda adaptada à mente do homem. Assim, inferir as leis morais na natureza é apenas uma constatação dessa realidade metafísica na criação. Até o momento nada que possa ser de dificuldade para a existência de Deus. Ainda, a mente humana poderia progredir infinitamente no bem, sem que o Sumo Bem existisse. É algo que de fato esforça-se por tomar o lugar de Deus, mas com problemas racionais estruturais. A estrutura racional não comporta esse pensamento, como mostrado antes. De fato, a teoria mostra-se bastante inferior à explicação cristã católica.

A atestação do bem, da moral, por exemplo, é perfeitamente possível no campo natural, mas não leva a afastar a ideia de Deus criador de toda a realidade.

A busca pelo bem: parece que a posição ateia defendida pelo filósofo é aquela de não estar submissa a qualquer entidade, mas a buscar o bem em si nas realidades tangíveis, e não também para agradar a Deus, e sem a busca da felicidade metafísica. Essa visão está cheia de problemas como já apontado.

1)   Deus comandando a moral. O filósofo ateu afirma que isso não foi provado. Mas, pelo que o mesmo crê a respeito da moral natural objetiva, a mesma reflete o caráter de Deus para a humanidade, e uma vez que isso seja constatado é razoável crer na existência de Deus, inteligente e fonte da moral, e não o contrário. O argumento vai em direção ao fato da existência de Deus.

 

2)   A moral evolutiva: a humanidade foi aos poucos crescendo moralmente. Isso também está de acordo com a fé cristã. Os argumentos contra os pecados da humanidade, as coisas mais terríveis e maléficas, como sendo praticado pelo povo de Deus no Antigo Testamento são exemplos usados para argumentar contra a existência de Deus. Uma vez, porém, que se entende que o povo crescia no entendimento moral, e evoluía espiritualmente, conformando-se à vontade de Deus, isso vai ficando menos problemático.

 

De fato, nenhum mal moral é proveniente de Deus. Nenhuma passagem bíblica ensina a escravidão, mas endossa a mesma como costume antigo e integre esse e outros costumes nos planos de Deus para a salvação do seu povo em nível histórico-político como espiritual. Outra coisa é entender a vida do povo livre e pecador no caminho revelado por Deus. Nem tudo o que o povo fez foi do agrado de Deus, e as coisas mais terríveis que o povo de Deus fez naquelas circunstâncias históricas foram, o mau menor permitido por Deus. Ainda, nem todas as coisas são compreendidas pela mente humana, e diante da realidade global somente Deus sabe, e age com sabedoria infinita intervém, sempre como Lhe apraz, para o bem, ainda que o homem não entenda isso completamente em determinadas circunstâncias.

O filósofo encontra em muitos exemplos uma pedagogia falha, mas isso porque não compreende o que acima está exposto, e que é o caminho para se compreender a realidade complexa da humanidade. Somente uma mente onisciente compreende tudo. Assim, somente Deus e quando Ele nos relevar as dos acontecimentos globais.

O fato do ser humano não compreender a moral e ir aos poucos galgando em direção à perfeição, lembra a humanidade caminhando para Deus. Os exemplos na Bíblia me que se nota moralidade imperfeita não é exemplo apenas da humanidade falhando na compreensão da moral objetiva, mas da humanidade falhando em seguir as normas de Deus, objetivas e naturais, e também, no caso bíblico, reveladas.

Deus não revelou tudo de uma vez, mas em Sua pedagogia perfeita e santa, deixou a humanidade em sua liberdade descobrindo os meios de seguir o caminho do bem, com auxílio da graça, fundamental para o bem maior e para a salvação. Sem a graça o bem que a humanidade pode alcançar não é tão elevado, porque o pecado atrai o homem para os valores mais baixos.

O ateísmo assim, exige que uma moral perfeita esteja clara em toda a Escritura, ainda que entenda a imperfeição humana, a pouca compreensão da moral durante milênios, e etc., tendo dificuldade em entender o modo sábio de Deus ao agir com a humanidade assim, tão débil, principalmente nas coisas mais elevadas. Essas exigências fazem parte do debate, da busca pela verdade, das inquietações, e etc., mas devem ser elas também refletidas. Será que tais exigências não estão encobrindo a recusa em ver algo claro que está à frente, servindo essas exigências como véus a encobrir a verdade, como empecilhos para encontrá-la, chegando ao ponto das árvores estarem atrapalhando a vista da floresta? Muitas vezes os exemplos que são usados para negar algo são a própria prova para esse algo negado.

Talvez um bem seja visto em determinada coisa, mas para Deus, e quando objetivamente refletido, intelectualmente, se descubra que outro bem seja maior que aquele. Assim, o não escravizarás nas está nos 10 mandamentos, mas é um valor moral importante para Deus e compreensível para todos. No entanto, Deus permite que o homem livre siga muitas vezes seus caminhos que negam a própria vontade divina. Assim o foi com a poligamia, com o governo do povo através dos reis, com o divórcio, e etc. Entretanto, naqueles tempos e hoje Deus é o mesmo e cuida de nós segundo as luzes que temos da Sua palavra e da moral objetiva. Somente às vezes intervém milagrosamente.

O caso de Jó é uma descrição da realidade. Apenas ali está revelado o que acontecia. Desse modo, Deus dá outros filhos para Jó, não insistindo com isso que a perda dos seus filhos tenha sido algo bom, e que tudo estava bem. Da mesma forma, que numa visão natural e ateísta uma mulher que perdera um filho se alegra com a geração de outro. Nessa questão, numa visão ateísta, tudo acontece livremente e sem consequências eternas. Assim, aquele mal foi mais tarde compensado por um bem.

Mas, o mesmo exemplo não é aceito quando se pensa no Deus bom e soberano que conhece e dirige infalivelmente toda a história, de modo que pode permitir males que não estão de acordo com sua moral perfeita para deles tirar o bem, no meio da humanidade imperfeita e pecadora. Por que isso? Porque no pensamento ateísta descrito com esse exemplo esses acontecimentos teriam ocorrido sem uma Inteligência como fundamento, e então estaria tudo certo, deveríamos nos conformar e não nos rebelar, assim como a mente do filósofo que assim crê se comporta. Agora, quando se pensa que tal caso ocorra no mundo criado por Deus, então surge uma revolta profunda contra Ele, de modo a substanciar um argumento contra a Sua existência. Assim, a moral natural objetiva fica isenta de culpa, pois é impessoal e irracional, ainda que apresente propriedades tão altas e inteligentes, o que é um absurdo. Contudo, contra Deus os exemplos de males na humanidade são usados para negar Sua existência, já que não se consegue conciliar com Sua perfeição. Não seria isso mais um exemplo da debilidade da mente humana, que deseja compreender tudo, e não está disposta a aceitar suas próprias limitações e abrir o espaço para o que a mesma razão aponta, o qual é a fé?

Então, para não lidar com maiores problemas, o naturalismo entende ser o caminho mais indicado para entender a questão do mal. Seria como se o mundo não tivesse sido planejando, não sendo criado por uma inteligência perfeita, não tenho razão nenhuma para os acontecimentos da humanidade, mas que de uma maneira incompreensível há uma moral natural objetiva profunda que a mente humana aos poucos vai compreendendo para viver melhor. Não se pensa mais que o bem natural físico e finito, embora a razão humana exija naturalmente mais, e mostre que os males devem ser reparados, a justiça deve ser perfeita, há algo mais que não está contido na teoria naturalista. Suas repostas não propõem argumentos contra Deus e encerram contradições, como as já apontadas nas observações acima.

E os males sendo explicados como meios permitidos para o bem maior?

O fílósofo não pôde compreender. Como seria chegar no céu e saber que tanto sofrimento teve suas razões e conhece-las exaustivamente. Seria melhor, pelo que se percebe, que tais sofrimentos naturais não tenham fim algum e que a justiça para a reparação de tantos males acumulados na humanidade não exista. Em Deus tudo será entendido e Sua justiça será exercida, e o bem maior será a salvação e felicidade completa. Na visão naturalista todo o mal ocorre e acabará sem nenhuma razão última e também nenhuma justiça será feita. É uma lástima. Preferem crer que o mal não razão última para existir nem a justiça para tantos males será feita. A consciência assim é adormecida pelo motivo da crença do fim de todas as coisas na morte física. A crença na moral natural objetiva impera nessa teoria. No entanto, é preferível e razoável a fé em Deus, pessoal e inteligente, que dará a razão de toda a realidade de trará justiça contra todos os males praticados no mundo, dando oportunidade de felicidade a todos os que O buscam de coração sincero.

 

3)   Foco na salvação. O motivo de tantas coisas existirem na criação, como o inseto parasita que devora lagartas? A imperfeição de toda a criação é explicada pelo pecado original. No fim tudo voltará à perfeição original. Dessa forma, com a perda da justiça pelo pecado toda a criação sofre como dores de parte, diz a Escritura. Ainda que a ciência não consiga explicar tudo, certamente há motivos em cada ato da criação, ainda que pareçam absurdos. Pneumoidai.

 

4)   O sofrimento gratuito. E o sofrimento da lagarta, e o da zebra devorada pelo leão? De fato, tudo isso é consequência do pecado, que atingiu a natureza. Assim, não é obra original de Deus, mas permissão divina. Então, porque Deus não criou um sistema onde não haveria isso? A sabedoria divina sabe tirar o bem ainda que o mal surja pela liberdade humana. No final, tudo será esclarecido. E o sofrimento na natureza talvez não seja gratuito, a não ser na visão naturalista, onde o mesmo seria consequência natural e não será remediado por nada, não tendo nada a ser feito, sendo realmente gratuito.

 

Mas, com isso, por que é aceita essa gratuidade do sofrimento pelo filósofo ateu, por ser ela natural e inevitável, e ao mesmo tempo dessa realidade é formulado argumento contra Deus? Deus certamente dará sentido a cada coisa que ocorre no mundo. Mas, o naturalista não espera entender o sentido das coisas que o aflige. Ao invés de não esperar nada que explique algo (como o sofrimento gratuito) que contraria a razão ao ponto desse fato ser elevado a argumento contra Deus, por que não continua a inquietar-se contra tais males da natureza e da humanidade e ancorar-se em Deus que poderá resolver tudo? Por que não pensar no motivo último de tais coisas e como o Senhor fará para consertar esses desvios? É algo que emerge da própria indignação de existir certas coisas que parecem não ter explicação razoável. Se a zebra morta pelo leão é algo que faz pensar em injustiça sofrida por aquele animal, porque isso fica justificado no sistema naturalista, onde casa um é agente da história, mas não é justificado quando se tem Deus como Criador e dá liberdade a cada um e governa o mundo pela Sua Palavra, através das leis naturais? Nesse sistema, temos o aval da razão, a realidade, a esperança de que tudo terá um desfecho justo. No outro, temos que uma moral natural objetiva nos faz pensar que tais e tais coisas são certas ou erradas, justas ou injustas, mas no fim, na morte, tudo acabará sem resposta, não havendo mais esperança. Não é razoável, a inteligência aponta para mais.

Ao tratar de animais cujos chifres crescem contra a própria cabeça colocando a vida do animal em risco, o filósofo ateu afirma que isso é um absurdo, ele não encontra propósito nisso. De fato, não há tal coisa na natureza, pois o fato, talvez tratando-se do babirussa e do carneiro selvagem, esses são exemplos de casos raros, problemas advindos de causas desconhecidas, e não algo que a natureza fez assim. Dessa forma, não é caso de evolução, pois trata-se de deformação, e não atinge a explicação de que cada obra de Deus tem seu propósito. Essas imperfeições são aceitas se forem explicadas naturalmente, mas não são aceitas se explicadas naturalmente mas como causa da imperfeição da natureza advinda do pecado original permitido por Deus? Por que somente quando se admite a existência de Deus é que a explicação não é aceita? Diria o filósofo: porque Deus é bom? Sim. Mas tudo está explicado conforme dito acima, já que tais coisas não são parte do plano original de Deus, mas deturpações que foram permitidas após o pecado, e no fim tudo será levado à perfeição. O naturalista prefere ver as mutações, as imperfeições, sentir a indignação, ver que tais coisas não se adequam ao bem natural, não esperando nada para além da realidade física, contentando-se com o presente, não pensando no futuro metafísico. A evolução é cega, diz o filósofo. Mas é isso justamente o que está ocorrendo nesse exemplo acima, onde as leis da natureza sofrem deformações.

 

 

5)   Falta de evidências, por exemplo, uma filmagem da ressurreição. Obviamente, mais ainda em tempos de inteligência artificial, muitos não acreditariam na filmagem, assim como não acreditam na Bíblia, não acreditaram nas testemunhas oculares, e etc. O problema está em outro lugar. Portanto, as evidências exigidas assim não demonstram muita prudência. A Bíblia seria arcaica, com superstição e escrita em tempo remoto.

 

6)    David Hume e os milagres que quebram as leis da natureza. Deus deveria ser mais claro. Mas, Deus é suficientemente claro nas leis da natureza, na criação, na razão. Ainda assim, exigências tais podem esconder problemas no estudo que estão dificultando a aceitação de Deus.

 

7)   O ateísmo seria o cenário mais razoável. O filósofo não sabe se Deus não existe, mas crê que está do lado mais razoável. O que está posto acima talvez o ajudará a pensar nas coisas de Deus.

 

8)   Lacunas não são evidências do Design Inteligente. Mais de 90% dos organismos não existem mais. Eficiência e Inteligência. Logo, Deus não existe? O exemplo do olho: evolução. Mas isso não pode ser testado. E o olho como criação? Pode? A resposta do filósofo trouxe esse argumento. Assim, não entra no escrutínio da ciência nenhum dos exemplos, mas crer na criação é o mais razoável. Estruturas sensíveis à luz muito simples tornando-se mais complexas, durante milhões de anos é acreditar em algo menos razoável. Deus permitiu a extinção de várias espécies. Nada disso pode ser objeção contra Deus, pois faz parte da influência do pecado na humanidade.

 

9)   Deve-se estar disposto a negar uma teoria para ser filósofo. Obviamente, se algo for provado errado.

 

10)                      Lacuna de explicação para existência de Deus? Na verdade, há lacunas de explicações contra a existência de Deus, enquanto as explicações suficientes provam a existência de Deus.

 

11)                      Olhar para a lua e ver o cavalo de São Jorge não é o mesmo que perceber Deus a partir da criação. É apenas uma impressão, onde alguém ver certa forma e julga ser semelhante a algo, mas sabendo, certamente, que é apenas isso. Falácia retrospectiva. As condições das quais a vida depende e a ideia de um projetista. O que dizer disso? Partindo da realidade observada temos as inferências racionais e a formulação da prova para a existência de Deus.

 

12)                      Não existe revelação, o conhecimento começa nos sentidos? O que isso prova contra a revelação? São Paulo viu Jesus. Escreveu cartas inspiradas. A Bíblia tem provas científicas de sua legitimidade. Crendo naquilo que a Bíblia apresenta, temos acesso à revelação que foi posta por escrito. Assim, pelos sentidos também chegamos à revelação de Deus.

 

13)                      Fé revelada é algo arcaico, medieval? Na verdade, parece apenas uma opinião.

 

14)                      O filósofo critica Santo Agostinho por ensinar a entregar-se a Deus totalmente, a se negar, negar a própria vida, a “única” em nome de um além. Parece mesmo estar certo de que esta física é a única, quando não pode provar isso.

 

15)                      O filósofo ateu afirma refutar as três primeiras vias conjuntamente. As vias do movimento, da causação e da contingência. Pode ser que haja múltiplas primeiras causas para diferentes coisas no universo. Cita William Rowe. Um exemplo para provar isso seria que “O conjunto de todas as coisas que tem causas eficientes pode não ter causa eficiente”. Um todo que abrange as coisas que têm causas eficientes, mas ele mesmo, o conjunto, não tem causa eficiente. O ponto básico é que o conjunto não tem causa eficiente. A pobreza da imaginação deve ser a ideia de que tudo tem começo. O universo pode ser eterno. Cita o eternalismo. Deus como a causa de Si mesmo, sendo não-causado. O próprio ser poderia ter isso. Isso seria tirar a superstição e o mistério. O ser seria não causado. Desse modo, o filósofo tenta fazer do ser o que somente Deus é. A ideia de que o ser pode não ser causado é transferir um atributo único de Deus para toda a criação, por exemplo. Matematicamente as coisas do conjunto possuem causa, mas o conjunto não possuiria. No entanto, a mente humana cria o conjunto  abstraindo da totalidade de elementos observados e pensados. Quando o filósofo afirma que a bondade não tem causa, mas somente os atos bons, ele coloca mais uma vez um atributo de Deus em outra coisa, ou vê um atributo divino como algo em separado, uma propriedade do universo.

 

Outra vez um atributo de Deus é posto em outro ser. A ideia do conjunto não faz sentido. O conjunto é apenas uma ideia de determinados elementos. Por exemplo, quando Deus cria o céu e a terra e tudo o que existe, o conjunto disso é a totalidade da criação. Assim, Deus criou o céu, também criou o peixe, a árvore, o fogo e todo o conjunto. O conjunto de toda a natureza é a própria natureza criada. Assim, mesmo a mente humana, imaginando o conjunto é a criadora do mesmo, que nada mais é que o reflexo da realidade percebida na mente. Portanto, essa eternidade do conjunto supõe a eternidade da natureza. Uma vez que a natureza é criação de Deus, Ele é o criador do conjunto. Se o conjunto em Si é eterno, esse está sendo concebido como Deus. Outra vez um atributo de Deus é transferido para outra realidade.

21) A ideia que o filósofo colocou é bastante estranha. Não haveria necessidade no movimento ser movido por outro. A inércia existencial explicaria que todo ser poderia ser necessário. E explica ainda que isso não é temporal, pois mesmo morto estaria existindo ontologicamente. Em primeiro lugar, essa expressão da linguagem não explicou nada. O ente poderia ser autossuficiente, ou a necessário e bastaria a si mesmo para existir. No entanto, a realidade não mudou. Uma pessoa viva difere dela mesma morta, e no entanto, na filosofia cristã, essa pessoa existe na memória, como existe na criação de Deus, como substancia, vivendo na terra em determinado período, sendo agora não mais como na eternidade, pois uma vez que nasceu e passou a existir tem sua parte no universo. Mas, é preciso concordar que a pessoa morta deixou de ter a mesma consciência, no caso cristão, pois segundo o ateísmo ela não tem mais consciência, seu corpo não funciona mais, seus restos se decompõem e nenhuma das suas ações é mais possível como era antes. E em se tratando de uma filosofia que nega a Deus e a existência da alma, certamente, essa “existência” da pessoa é apenas uma memória, um fato conhecido por outros no universo, mas não a mesma existência de antes. Esse ente que está no lugar daquele que morreu não explica mais do que a realidade.

Nesse momento aquela pessoa não mais existe. E se existe, não mais da mesma forma. Do contrário, se poderia marcar uma reunião com a pessoa em tal hora para que ela pudesse explicar como se sente agora, em 2026, mesmo que tenha morrido no ano de 1549. Já que a mesma existe, isso deveria ser possível. Mas dirá o filósofo que isso é algo não temporal, fora da matéria, em se tratando de uma existência em si que não depende das categorias da filosofia tomista para ser explicada e etc. Na realidade, isso não muda nada. A pessoa existe na memória de Deus, de outros, mas não mais como antes, estando morta, e não pode mais nada do que antes podia, a não ser na ressurreição da carne. E, caso se tenha essa existência em substância em mente, essa pessoa não é mais como antes, não tem consciência, não age, não ocupa lugar no espaço, nem no tempo, e, nela mesma, não é mais como antes da sua existência física em vida. Assim, a filosofia cristã refuta essa asserção.

22) Existem coisas que não têm explicação. De fato, a eternidade de Deus é algo que podemos compreender sem explicá-la facilmente. Mas isso não é para colocar a eternidade em outras coisas, como no mundo, e etc.

23) O ser pode não ter explicação. De fato, o ser tem explicação. Pensar que poderia não ter é algo imaginário, uma possibilidade criada quando se não aceita a explicação racional, onde tudo necessariamente tem um princípio. Supondo que existissem vários princípios teriam de ser “deuses”, na melhor das hipóteses, e as obras certamente não teriam a mesma regularidade, unidade, complementariedade e harmonia, visto que seriam provenientes de várias fontes diferentes. Se fossem forças inconscientes naturais, a situação seria ainda pior.

A respeito do conjunto de coisas. Um conjunto de morangos é a totalidade dos morangos do conjunto. Obviamente, é o mesmo que os morangos, a não ser que se esteja tratando da ideia de conjunto na mente, como abstração da mente racional. Mas ainda, como foi pensado pelo filósofo ateu no debate, o princípio poderia explicar a origem do conjunto, o que já vislumbra o entendimento do filósofo para a resolução de suas dificuldades.

A filosofia naturalista proposta parece enxergar lacunas em certas explicações, entender que as conclusões são precipitadas e as premissas são pobres.

A entropia se aplica a sistemas isolados. Mas, e se isso fosse aplicado da toda a natureza? Não diz isso respeito à necessidade de um ordenador? É claro que sim. A complexidade do universo e da vida contraria a tendência ao aumento da entropia. Há uma lei inteligente que está controlando tudo para a organização geral. Essa lei vem de Deus. Afirmar que tudo não seria aleatório mas não haveria também ordenador não é uma conclusão racional e não segue os avanços da ciência. Então ficaria no pensar que as coisas poderiam ocorrer sem as necessidades que a razão exige, e pensar de modo irracional, contrariando a ciência e as leis da razão, a mesma razão que está sendo usada para criar essa teoria. Assim, a base utilizada para criar um sistema compreensível, e organizado não é usada no interior mesmo desse sistema, quando se admite que coisas podem ser organizadas sem organizador, surgirem por si só e serem necessárias, onde as leis que regem algo são objetivas e existem em si mesmas ou talvez passem a existir quando aleatoriamente mentes racionais passem a existem, concomitantemente. Assim, um sistema objetivo de leis surge ao mesmo tempo em que a mente racional aparece na natureza e é ao mesmo tempo extrínseca e independente dessa mente. Aqui há a preocupação com a organização, com a objetividade da lei, da moralidade, e de outros atributos como justiça, bondade, beleza, ao mesmo tempo em que não aceita a Inteligência que explica todas essas realidades. Esse ponto nega o fluxo normal da razão.

Ao afirmar que algumas coisas têm causas naturais, ao passo que outras poderiam não ter, por não serem conhecidas, talvez. No plano teórico, porém, não ter causa é inadmissível racionalmente.

As leis são autoexistentes? Não, pois a razão exige algo externo para a origem das leis. Isso seria uma “arbitrariedade”, ou, como concordou posteriormente, uma explicação racional de entes necessários, mas dentro de um fórum plano de substancialidade, onde todos os seres são iguais, não havendo pirâmide. Sem isso, não haveria ordenador, e todo ser poderia ser autoexistente, o que também não é racional. Assim, desistir do avanço na pesquisa em busca de resposta quando se chega a esse ponto, afirmando não ter resposta, quando a razão aponta para uma origem todo-poderosa e inteligente para essa realidade, é um exemplo de desistência de uso de parte do poder racional. O ser humano como capaz de pensamento abstrato e com responsabilidade moral supõe o espírito e O Espírito maior, que é Deus. Mas o filósofo afirma que o ser sobrenatural não é razão para a existência da capacidade do pensar abstrato, ainda que o pensamento não seria material. Basta pensar na comunicação no material com o não material ou entre esses diferentes tipos de matéria, poderia ser dito.

As leis existem e assim são tão reais quanto a matéria. De fato, o pensamento poderia ser assim também: Deus existe e é tão real quanto a matéria. Ele é o Autor das leis, e por isso elas refletem uma inteligência, ordem e objetividade.

Isso é muito mais razoável que pensar em leis, moralidade, informações naturais, autoexistentes, surgindo em concomitância e independentemente da razão dos seres racionais, o que supõe uma força que conecte o surgimento de ambos para a origem instantânea, ou mesmo sendo anterior aos entes, servindo para orientar a existências desses entes. Que força seria essa que associa a moralidade aos seres racionais morais no momento do surgimento de ambas as realidades no universo? A razão pede essas explicações, e pensar que isso não seria apenas um costume da inteligência e não algo que necessário para o bom senso, seria desistir de bem usar a ferramenta filosófica fundamental na filosofia, suspendendo as exigências racionais quando essas levam na contramão do sistema de pensamento que está sendo construído.

Mas o filósofo chega a concordar que a moralidade existindo antes dos seres morais faz sentido, mas segue no pensamento de que o ente pode ser necessário e natural, não crendo que a exigência racional pela explicação nesse ponto fundamental deva ser admitida.

Ao tratar dos graus de perfeição acredita que não haveria razão para supor que as qualidades precisem de um grau absoluto. Mas como seria a percepção da beleza, que reflete ao objetivo, e a graduação do belo, que está atrelado necessariamente a algo que é a beleza absoluta, se a beleza fosse apenas algo aberto infinitamente sem a existência de algo mais belo à frente, apenas na fisicalidade do ser, uma vez que a beleza em si não existe, o que contraria o platonismo, mas que deve existir no ser supremo, o que prova a existência de Deus. Afirmar que algo é mais belo que algo outro fica sem sentido na visão de que a beleza progride infinitamente, quando no infinito não há beleza, pois essa não existe em si e não há no infinito os seres com beleza que permitiriam a comparação dos graus de beleza de algo atual. Há aqui sim, coisas lacunares, conclusão precipitada, pobreza de premissa. Sim, a qualidade não tem um limite, pois Deus é eterno, infinito, e é a Suma beleza. Temos algo que conforma a nossa razão. Talvez pensar no “limite” para a beleza tenha sido a pedra no caminho para o filósofo entender que a beleza sem limite rumo ao infinito aponta antes para Deus que para a ausência de beleza e à pura possiblidade de crescimento do belo. A limitação aqui é um problema para o filósofo em seu raciocínio para pensar no belo em Deus que é a fonte da beleza sem fim.

Quando se pensa na bondade, na beleza apenas no ser o problema não se resolve, como visto acima. Essa filosofia naturalista busca algo no platonismo, o aristotelismo, em Descartes, negando a causa final, em Hume, com a questão da causalidade, em Kant com a subjetividade do juízo teleológico (exemplos citados no debate), em Nietzsche, etc. Kant leva mais para a subjetividade e para o modo de compreender o mundo, enquanto Santo Tomás mostra o propósito como prova da existência de Deus.

Outra coisa é o propósito. Coisas que parecem agir em propósito poderiam não ter uma Inteligência por trás disso.

Quando não se entende algo, não seria melhor ficar com a resposta atual, aberto a novas respostas, do que entender essa falta de conhecimento como argumento contra a existência de Deus? O argumento abdutivo, raciocínio em que se infere uma hipótese como a melhor explicação para um fenômeno observado. Assim, o que se encaixa melhor nas evidências é a resposta aceita. A ordem, a complexidade e a finalidade do universo é melhor explicada pela existência de Deus. No entanto, o filósofo parece usar do argumento olhando para a ausência de evidências claras do Criador, e imperfeição do universo, o que seria explicado por um processo natural e sem desígnio intencional. Pensar que as evidências para o Criador são insuficientes não cabe, pelo que foi observado nos comentários acima. Desse modo, deve-se ver que o próprio argumento abdutivo é coerente com a existência de Deus.

Ser dogmático com algo não significa não estar aberto a algo mais a ser aprendido, já que no caso da existência de Deus há provas racionais robustas que não permitem a dúvida. Assim, estar certo dessa conclusão é estar na posse da sabedoria, o que é esperado do verdadeiro filósofo.

Gledsdon Meireles.