Comentário de partes do
debate entre um cristão e um ateu no canal do youtube Cauê Santos.
Serão feitas aqui observações apensas sobre afirmações e argumentos do filósofo ateu.
1) O
filósofo e naturalista ateu, Matheus, afirma o dogma de que nunca houve, não há e jamais haverá qualquer
causa ou ente sobre natural, tudo é natural. O conhecimento objetivo
existe, existe lógica e juízos. A moral faz parte da natureza, ainda que não
seja física, mas é objetiva. É um tipo de ateísmo.
Ainda
que a ciência e as evidências científicas não possam provar que não existe Deus, é aquilo que o filósofo acima afirma e
crê, por assim dizer. Também, ele crê em um dogma, que não pode ser
questionado, resumido como: não existe ente sobrenatural. É então dogmático e
crente no poder da ciência humana, digamos.
A
moral seria objetiva, e poderia formar a base pela qual possamos dizer o que é
certo e o que é errado. Assim, não haveria necessidade de tudo é permitido para
quem não crê na existência de Deus. No entanto, a moral com suas leis objetivas que são percebidas pelo
intelecto humano é assim explicada como proveniente do nada, sem inteligência
alguma. Algo irracional julgando mentes inteligentes. Algo não razoável.
A
ideia de que indivíduos e grupos que creem em Deus e agem como se tudo fosse
permitido comprova que a moral é de fato objetiva e que a única força desse
argumento é que indivíduos livres podem comportar-se de acordo ou não com as
leis morais e ética objetiva. Até esse pondo nada contra a existência de Deus e
uma incoerência no pensamento ateísmo.
O
homem teria conseguido de alguma forma perceber através da observação empírica
as propriedades morais que existem no universo, que não seriam leis, mas fatos
naturais.
De
onde vêem essas propriedades morais que a mente humana percebe? E essas leis
tão sábias que o homem demorou tanto para entender e agir em conformidade
seriam apenas naturais? E mente inteligente, nesse pressuposto ateísta, está
tentando entender o melhor para a humanidade que provém da realidade do mundo e
que teria proveniência irracional, sem causa espiritual, uma lei vindo do nada.
É algo estupendo de se pensar.
De
fato, o homem fraco e imperfeito não alcança toda a profundidade dessa
realidade moral que traz o bem estar almejado pela humanidade. No entanto, esse
fundamento moral teria uma origem puramente natural, sem espiritualidade nem
inteligência, e que, como vimos, está acima da inteligência.
Em
primeiro lugar a moral objetiva é uma verdade da fé cristã é teísta. A posição
do filósofo concordando com isso o coloca em situação pior, já que fica teórica
e praticamente impossível explicar essa incongruência acima apontada. Ponto
positivo para a posição cristã.
2) Como
o suprassensível entra em contato com o sensível? De fato, quando o ateu afasta
o espiritual, o que está acima da
natureza, mas crê que propriedades invisíveis agem no mundo e o governam, por
assim dizer, tendo o homem frágil e débil que perseguir por milênios a
conformação da sua vida para o progresso das culturas, conformação às leis ou
propriedades naturais da moral natural, sendo esse contato perfeitamente
razoável e possível, parece residir aí a resposta à questão que o ateísmo
propõe, uma vez que a criação, física e tangível, com suas leis naturais
objetivas, são obras de Deus e dessa forma a comunicação com a razão humana é
praticamente possível e natural, havendo mesmo a indicação e natural propensão
para ir além, quando se pena no entendimento das coisas sobrenaturais. Sendo
assim, a compreensão da moral, como se percebe, é facilmente feita pelo homem,
e a sua comunicação com o espírito humano é de fato fácil e natural, e tudo
isso nos leva a entender mais uma obra de Deus, inteligente e moral. A crença
na irracionalidade da moral é que é problemática para a mente humana
inteligente. Por outro lado, quando se parte para a mente inteligente humana em
sua fragilidade e debilidade para compreender a mente perfeita de Deus, temos
uma explicação perfeita.
3) Causação
de David Hume. Causa prioritária temporalmente ao efeito, contiguidade espaço-temporal
entre as duas coisas, precisam ser observadas juntas em situações semelhantes. Como
Deus fora do tempo poderia afetar e gerar uma coisa no tempo? Para isso,
bastante pensar que Deus na eternidade é causa do tempo ao cria-lo, sendo que
causa opera no mesmo instante em que o tempo passa a existir, assim como uma
marreta ao quebrar uma vidraça, onde a marreta é a causa da quebra do vidro.
Entretanto, a causa da quebra foi a marreta naquele movimento de força contra a
vidraça, o que é anterior logicamente, mas a quebra, que é o efeito, é
simultâneo ao toque da marreta no vidro. Assim, as rachaduras e decomposição da
vidraça são criadas no mesmo instante em que a marreta entra em contado com o
material do vidro. Assim, Deus na eternidade cria com Seu poder o tempo, onde o
mesmo passa a existir no exato momento em que o pensamento criador divino entra
em operação com vista a produzir esse efeito. Causa e efeito ocorrendo no mesmo
instante, a contiguidade espaço-temporal entre ambos é compreendida e a
observação intelectual dessa realidade é perfeita.
4) Argumento
a partir da ontologia plana. Explicações metafísicas, não morais. Não haveria
ser necessário para sustentar o universo. Os entes partindo do mesmo estatuto ontológico. A capacidade de
afetar outro ente é que determina a ontologia. Parece que a questão não afeta
em nada a existência de Deus. A constatação de que todos os entes existem e a
opinião de que os mesmos possuem igualdade ontológica, parte do pressuposto de
que todos existem, e que isso seria o
fundamento para o mesmo estatuto ontológico, o que é algo posterior à obra de
Deus. Foi Deus quem deu existência aos entes, e assim, a partir disso, toda
observação e reflexão sobre os entes e suas relações estão no campo secundário.
As qualidades, perfeições e imperfeições observadas atestam algo objetivo. E
nessa constatação vemos mais uma vez a razão levar a algo mais perfeito que a
natureza tangível, o modelo, a origem, o fundamento da existência da mesma. A
questão de que unicórnios existem apenas na ideia, na imaginação, na linguagem,
teria nessa teoria a mesma importância de um elefante, que existe na realidade.
O unicórnio fictício tem o mesmo valor ontológico que o elefante real.
Certamente, essa teoria entende que Deus, que seria uma ideia, partindo do
pressuposto ateu, teria o mesmo valor ontológico que qualquer outro elemento da
natureza. O problema é que racionalmente essa igualdade ontológica poderia ser
entendida como a base para a existência de toda a criação no plano original de
Deus, onde tudo o que existe é em relação a Deus infinitamente menor. Claro
que, sendo assim, Deus não é ideia, não é imaginação, não é criação da mente
humana, mas o próprio motor Criador inteligente, espiritual e perfeito da
natureza presente em todo o universo. Eis a diferença básica. A ideia de
gradação de cada ser na natureza pode ser compreendida em ambas as
perspectivas. Cada ser tem um lugar na natureza, e por isso se pode explicar e
entender a importância ontológica nesse sentido. Partindo daí, temos que
ontologicamente Deus e a natureza possuem uma gradação infinita.
5) Deus
é o Sumo Bem. Para o ateísmo naturalista ético, Deus poderia existir como
ideia. Alguém poderia pensar no Deus bom, ou qualquer outro deus com quaisquer
características. A existência desse deus ideial e sua natureza é igual à de qualquer
outra ideia. Assim, também, a bondade nas coisas existem, mas não a bondade em
si. Como a saúde, e etc, existem nas pessoas e não algo imaterial, um ente “saúde”.
Com isso, o ateísmo iguala a idade de bem, de bondade, integridade, coragem, etc.,
à ideia de Deus.
Dessa forma, a teoria ateísta, aí proposta,
crê explicar a realidade. A realidade objetiva dos fatos naturais é desconhecida em sua totalmente pela
mente humana. Somente uma mente onisciente poderia compreender essa objetividade moral. Foi necessário muito para que a humanidade chegasse a compreender
o certo e o errado em cada circunstância no curso do progresso histórico.
Assim, essa perfeição real, por assim dizer, é claro que o filósofo ateu
tentaria afastar qualquer linguagem que se aproximasse da ideia de Deus aqui,
mas não faz a menor importância, quando se faz a devida observação da realidade
e a descreve objetivamente, essa perfeição da realidade, com sua moral
intrínseca e objetiva e não originada, nem dependente da subjetividade humana, mas existente em si, irracional, com sua admitida complexidade,
essa moral está no lugar que Deus deveria ocupar. Assim como o homem aos poucos vai compreendendo Deus, assim vai entendendo a moral objetiva e natural acima descrita. É preciso entender que ao
tentar colocar algo no lugar de Deus, nega-se a força da razão a alcançar
degraus superiores e começa-se a pensar absurdos, ou seja, ideias contrárias às
leis do pensamento racional, como a já apontada moral irracional acima.
A moral não é física, mas natural, afirma o filósofo.
Isso em nada é empecilho para a crença na existência de Deus, já que a criação
de Deus é toda adaptada à mente do homem. Assim, inferir as leis morais na
natureza é apenas uma constatação dessa realidade metafísica na criação. Até o
momento nada que possa ser de dificuldade para a existência de Deus. Ainda, a
mente humana poderia progredir infinitamente no bem, sem que o Sumo Bem
existisse. É algo que de fato esforça-se por tomar o lugar de Deus, mas com
problemas racionais estruturais. A estrutura racional não comporta esse
pensamento, como mostrado antes. De fato, a teoria mostra-se bastante inferior à
explicação cristã católica.
A atestação do bem, da moral, por exemplo, é perfeitamente possível no campo natural, mas não leva a afastar a ideia de Deus criador de toda a realidade.
A busca pelo bem: parece que a posição ateia defendida pelo filósofo é aquela de não estar submissa a qualquer entidade, mas a buscar o bem em si nas realidades tangíveis, e não também para agradar a Deus, e sem a busca da felicidade metafísica. Essa visão está cheia de problemas como já apontado.
1) Deus
comandando a moral. O filósofo ateu afirma que isso não foi provado. Mas, pelo
que o mesmo crê a respeito da moral natural objetiva, a mesma reflete o caráter
de Deus para a humanidade, e uma vez que isso seja constatado é razoável crer
na existência de Deus, inteligente e fonte da moral, e não o contrário. O
argumento vai em direção ao fato da existência de Deus.
2) A
moral evolutiva: a humanidade foi aos poucos crescendo moralmente. Isso também
está de acordo com a fé cristã. Os argumentos contra os pecados da humanidade,
as coisas mais terríveis e maléficas, como sendo praticado pelo povo de Deus no
Antigo Testamento são exemplos usados para argumentar contra a existência de
Deus. Uma vez, porém, que se entende que o povo crescia no entendimento moral,
e evoluía espiritualmente, conformando-se à vontade de Deus, isso vai ficando
menos problemático.
De fato, nenhum mal moral é
proveniente de Deus. Nenhuma passagem bíblica ensina a escravidão, mas endossa
a mesma como costume antigo e integre esse e outros costumes nos planos de Deus
para a salvação do seu povo em nível histórico-político como espiritual. Outra
coisa é entender a vida do povo livre e pecador no caminho revelado por Deus.
Nem tudo o que o povo fez foi do agrado de Deus, e as coisas mais terríveis que
o povo de Deus fez naquelas circunstâncias históricas foram, o mau menor
permitido por Deus. Ainda, nem todas as coisas são compreendidas pela mente
humana, e diante da realidade global somente Deus sabe, e age com sabedoria
infinita intervém, sempre como Lhe apraz, para o bem, ainda que o homem não
entenda isso completamente em determinadas circunstâncias.
O filósofo encontra em muitos
exemplos uma pedagogia falha, mas isso porque não compreende o que acima está
exposto, e que é o caminho para se compreender a realidade complexa da
humanidade. Somente uma mente onisciente compreende tudo. Assim, somente Deus e
quando Ele nos relevar as dos acontecimentos globais.
O fato do ser humano não
compreender a moral e ir aos poucos galgando em direção à perfeição, lembra a
humanidade caminhando para Deus. Os exemplos na Bíblia me que se nota
moralidade imperfeita não é exemplo apenas da humanidade falhando na
compreensão da moral objetiva, mas da humanidade falhando em seguir as normas
de Deus, objetivas e naturais, e também, no caso bíblico, reveladas.
Deus não revelou tudo de uma vez,
mas em Sua pedagogia perfeita e santa, deixou a humanidade em sua liberdade
descobrindo os meios de seguir o caminho do bem, com auxílio da graça,
fundamental para o bem maior e para a salvação. Sem a graça o bem que a
humanidade pode alcançar não é tão elevado, porque o pecado atrai o homem para
os valores mais baixos.
O ateísmo assim, exige que uma
moral perfeita esteja clara em toda a Escritura, ainda que entenda a
imperfeição humana, a pouca compreensão da moral durante milênios, e etc., tendo
dificuldade em entender o modo sábio de Deus ao agir com a humanidade assim, tão
débil, principalmente nas coisas mais elevadas. Essas exigências fazem parte do
debate, da busca pela verdade, das inquietações, e etc., mas devem ser elas
também refletidas. Será que tais exigências não estão encobrindo a recusa em
ver algo claro que está à frente, servindo essas exigências como véus a
encobrir a verdade, como empecilhos para encontrá-la, chegando ao ponto das
árvores estarem atrapalhando a vista da floresta? Muitas vezes os exemplos que
são usados para negar algo são a própria prova para esse algo negado.
Talvez um bem seja visto em
determinada coisa, mas para Deus, e quando objetivamente refletido,
intelectualmente, se descubra que outro bem seja maior que aquele. Assim, o não
escravizarás nas está nos 10 mandamentos, mas é um valor moral importante para
Deus e compreensível para todos. No entanto, Deus permite que o homem livre
siga muitas vezes seus caminhos que negam a própria vontade divina. Assim o foi
com a poligamia, com o governo do povo através dos reis, com o divórcio, e etc.
Entretanto, naqueles tempos e hoje Deus é o mesmo e cuida de nós segundo as
luzes que temos da Sua palavra e da moral objetiva. Somente às vezes intervém
milagrosamente.
O caso de Jó é uma descrição da
realidade. Apenas ali está revelado o que acontecia. Desse modo, Deus dá outros
filhos para Jó, não insistindo com isso que a perda dos seus filhos tenha sido
algo bom, e que tudo estava bem. Da mesma forma, que numa visão natural e
ateísta uma mulher que perdera um filho se alegra com a geração de outro. Nessa
questão, numa visão ateísta, tudo acontece livremente e sem consequências
eternas. Assim, aquele mal foi mais tarde compensado por um bem.
Mas, o mesmo exemplo não é aceito
quando se pensa no Deus bom e soberano que conhece e dirige infalivelmente toda
a história, de modo que pode permitir males que não estão de acordo com sua
moral perfeita para deles tirar o bem, no meio da humanidade imperfeita e
pecadora. Por que isso? Porque no pensamento ateísta descrito com esse exemplo
esses acontecimentos teriam ocorrido sem uma Inteligência como fundamento, e
então estaria tudo certo, deveríamos nos conformar e não nos rebelar, assim
como a mente do filósofo que assim crê se comporta. Agora, quando se pensa que
tal caso ocorra no mundo criado por Deus, então surge uma revolta profunda
contra Ele, de modo a substanciar um argumento contra a Sua existência. Assim,
a moral natural objetiva fica isenta de culpa, pois é impessoal e irracional,
ainda que apresente propriedades tão altas e inteligentes, o que é um absurdo.
Contudo, contra Deus os exemplos de males na humanidade são usados para negar
Sua existência, já que não se consegue conciliar com Sua perfeição. Não seria
isso mais um exemplo da debilidade da mente humana, que deseja compreender
tudo, e não está disposta a aceitar suas próprias limitações e abrir o espaço
para o que a mesma razão aponta, o qual é a fé?
Então, para não lidar com maiores
problemas, o naturalismo entende ser o caminho mais indicado para entender a
questão do mal. Seria como se o mundo não tivesse sido planejando, não sendo
criado por uma inteligência perfeita, não tenho razão nenhuma para os
acontecimentos da humanidade, mas que de uma maneira incompreensível há uma
moral natural objetiva profunda que a mente humana aos poucos vai compreendendo
para viver melhor. Não se pensa mais que o bem natural físico e finito, embora
a razão humana exija naturalmente mais, e mostre que os males devem ser
reparados, a justiça deve ser perfeita, há algo mais que não está contido na
teoria naturalista. Suas repostas não propõem argumentos contra Deus e encerram
contradições, como as já apontadas nas observações acima.
E os males sendo explicados como
meios permitidos para o bem maior?
O fílósofo não pôde compreender.
Como seria chegar no céu e saber que tanto sofrimento teve suas razões e
conhece-las exaustivamente. Seria melhor, pelo que se percebe, que tais
sofrimentos naturais não tenham fim algum e que a justiça para a reparação de
tantos males acumulados na humanidade não exista. Em Deus tudo será entendido e
Sua justiça será exercida, e o bem maior será a salvação e felicidade completa.
Na visão naturalista todo o mal ocorre e acabará sem nenhuma razão última e
também nenhuma justiça será feita. É uma lástima. Preferem crer que o mal não
razão última para existir nem a justiça para tantos males será feita. A
consciência assim é adormecida pelo motivo da crença do fim de todas as coisas
na morte física. A crença na moral natural objetiva impera nessa teoria. No
entanto, é preferível e razoável a fé em Deus, pessoal e inteligente, que dará
a razão de toda a realidade de trará justiça contra todos os males praticados
no mundo, dando oportunidade de felicidade a todos os que O buscam de coração
sincero.
3) Foco na salvação. O motivo de
tantas coisas existirem na criação, como o inseto parasita que devora lagartas?
A imperfeição de toda a criação é explicada pelo pecado original. No fim tudo
voltará à perfeição original. Dessa forma, com a perda da justiça pelo pecado
toda a criação sofre como dores de parte, diz a Escritura. Ainda que a ciência
não consiga explicar tudo, certamente há motivos em cada ato da criação, ainda
que pareçam absurdos. Pneumoidai.
4) O
sofrimento gratuito. E o sofrimento da lagarta, e o da zebra devorada pelo
leão? De fato, tudo isso é consequência do pecado, que atingiu a natureza.
Assim, não é obra original de Deus, mas permissão divina. Então, porque Deus
não criou um sistema onde não haveria isso? A sabedoria divina sabe tirar o bem
ainda que o mal surja pela liberdade humana. No final, tudo será esclarecido. E
o sofrimento na natureza talvez não seja gratuito,
a não ser na visão naturalista, onde o mesmo seria consequência natural e não
será remediado por nada, não tendo nada a ser feito, sendo realmente gratuito.
Mas, com isso, por que é aceita
essa gratuidade do sofrimento pelo filósofo ateu, por ser ela natural e
inevitável, e ao mesmo tempo dessa realidade é formulado argumento contra Deus?
Deus certamente dará sentido a cada coisa que ocorre no mundo. Mas, o
naturalista não espera entender o sentido das coisas que o aflige. Ao invés de
não esperar nada que explique algo (como o sofrimento gratuito) que contraria a
razão ao ponto desse fato ser elevado a argumento contra Deus, por que não
continua a inquietar-se contra tais males da natureza e da humanidade e
ancorar-se em Deus que poderá resolver tudo? Por que não pensar no motivo
último de tais coisas e como o Senhor fará para consertar esses desvios? É algo
que emerge da própria indignação de existir certas coisas que parecem não ter
explicação razoável. Se a zebra morta pelo leão é algo que faz pensar em
injustiça sofrida por aquele animal, porque isso fica justificado no sistema
naturalista, onde casa um é agente da história, mas não é justificado quando se
tem Deus como Criador e dá liberdade a cada um e governa o mundo pela Sua
Palavra, através das leis naturais? Nesse sistema, temos o aval da razão, a
realidade, a esperança de que tudo terá um desfecho justo. No outro, temos que
uma moral natural objetiva nos faz pensar que tais e tais coisas são certas ou
erradas, justas ou injustas, mas no fim, na morte, tudo acabará sem resposta,
não havendo mais esperança. Não é razoável, a inteligência aponta para mais.
Ao tratar de animais cujos chifres
crescem contra a própria cabeça colocando a vida do animal em risco, o filósofo
ateu afirma que isso é um absurdo, ele não encontra propósito nisso. De fato,
não há tal coisa na natureza, pois o fato, talvez tratando-se do babirussa e do
carneiro selvagem, esses são exemplos de casos raros, problemas advindos de
causas desconhecidas, e não algo que a natureza fez assim. Dessa forma, não é
caso de evolução, pois trata-se de deformação, e não atinge a explicação de que
cada obra de Deus tem seu propósito. Essas imperfeições são aceitas se forem
explicadas naturalmente, mas não são aceitas se explicadas naturalmente mas
como causa da imperfeição da natureza advinda do pecado original permitido por
Deus? Por que somente quando se admite a existência de Deus é que a explicação
não é aceita? Diria o filósofo: porque Deus é bom? Sim. Mas tudo está explicado
conforme dito acima, já que tais coisas não são parte do plano original de
Deus, mas deturpações que foram permitidas após o pecado, e no fim tudo será
levado à perfeição. O naturalista prefere ver as mutações, as imperfeições,
sentir a indignação, ver que tais coisas não se adequam ao bem natural, não
esperando nada para além da realidade física, contentando-se com o presente,
não pensando no futuro metafísico. A evolução é cega, diz o filósofo. Mas é
isso justamente o que está ocorrendo nesse exemplo acima, onde as leis da
natureza sofrem deformações.
5) Falta
de evidências, por exemplo, uma filmagem da ressurreição. Obviamente, mais
ainda em tempos de inteligência artificial, muitos não acreditariam na
filmagem, assim como não acreditam na Bíblia, não acreditaram nas testemunhas
oculares, e etc. O problema está em outro lugar. Portanto, as evidências
exigidas assim não demonstram muita prudência. A Bíblia seria arcaica, com
superstição e escrita em tempo remoto.
6) David Hume e os milagres que quebram as leis
da natureza. Deus deveria ser mais claro. Mas, Deus é suficientemente claro nas
leis da natureza, na criação, na razão. Ainda assim, exigências tais podem
esconder problemas no estudo que estão dificultando a aceitação de Deus.
7) O
ateísmo seria o cenário mais razoável. O filósofo não sabe se Deus não existe,
mas crê que está do lado mais razoável. O que está posto acima talvez o ajudará
a pensar nas coisas de Deus.
8) Lacunas
não são evidências do Design Inteligente.
Mais de 90% dos organismos não existem mais. Eficiência e Inteligência. Logo,
Deus não existe? O exemplo do olho: evolução. Mas isso não pode ser testado. E
o olho como criação? Pode? A resposta do filósofo trouxe esse argumento. Assim,
não entra no escrutínio da ciência nenhum dos exemplos, mas crer na criação é o
mais razoável. Estruturas sensíveis à luz muito simples tornando-se mais
complexas, durante milhões de anos é acreditar em algo menos razoável. Deus
permitiu a extinção de várias espécies. Nada disso pode ser objeção contra
Deus, pois faz parte da influência do pecado na humanidade.
9) Deve-se
estar disposto a negar uma teoria para ser filósofo. Obviamente, se algo for
provado errado.
10)
Lacuna de explicação para existência de
Deus? Na verdade, há lacunas de explicações contra a existência de Deus,
enquanto as explicações suficientes provam a existência de Deus.
11)
Olhar para a lua e ver o cavalo de São
Jorge não é o mesmo que perceber Deus a partir da criação. É apenas uma
impressão, onde alguém ver certa forma e julga ser semelhante a algo, mas
sabendo, certamente, que é apenas isso. Falácia retrospectiva. As condições das
quais a vida depende e a ideia de um projetista. O que dizer disso? Partindo da
realidade observada temos as inferências racionais e a formulação da prova para
a existência de Deus.
12)
Não existe revelação, o conhecimento
começa nos sentidos? O que isso prova contra a revelação? São Paulo viu Jesus.
Escreveu cartas inspiradas. A Bíblia tem provas científicas de sua legitimidade.
Crendo naquilo que a Bíblia apresenta, temos acesso à revelação que foi posta
por escrito. Assim, pelos sentidos também chegamos à revelação de Deus.
13)
Fé revelada é algo arcaico, medieval? Na
verdade, parece apenas uma opinião.
14)
O filósofo critica Santo Agostinho por
ensinar a entregar-se a Deus totalmente, a se negar, negar a própria vida, a “única”
em nome de um além. Parece mesmo estar certo de que esta física é a única,
quando não pode provar isso.
15)
O filósofo ateu afirma refutar as três
primeiras vias conjuntamente. As vias do movimento,
da causação e da contingência. Pode ser que haja múltiplas primeiras causas para
diferentes coisas no universo. Cita William Rowe. Um exemplo para provar isso
seria que “O conjunto de todas as coisas que tem causas eficientes pode não ter
causa eficiente”. Um todo que abrange as coisas que têm causas eficientes, mas
ele mesmo, o conjunto, não tem causa eficiente. O ponto básico é que o conjunto
não tem causa eficiente. A pobreza da imaginação deve ser a ideia de que tudo
tem começo. O universo pode ser eterno. Cita o eternalismo. Deus como a causa
de Si mesmo, sendo não-causado. O próprio ser poderia ter isso. Isso seria
tirar a superstição e o mistério. O ser seria não causado. Desse modo, o
filósofo tenta fazer do ser o que somente Deus é. A ideia de que o ser pode não
ser causado é transferir um atributo único de Deus para toda a criação, por
exemplo. Matematicamente as coisas do conjunto possuem causa, mas o conjunto não possuiria. No entanto, a mente humana cria o conjunto abstraindo da totalidade de elementos observados e pensados. Quando o filósofo afirma que a bondade não tem causa, mas somente os atos bons, ele coloca mais uma vez um atributo de Deus em outra coisa, ou vê um atributo divino como algo em separado, uma propriedade do universo.
Outra vez um atributo de Deus é
posto em outro ser. A ideia do conjunto não faz sentido. O conjunto é apenas
uma ideia de determinados elementos. Por exemplo, quando Deus cria o céu e a
terra e tudo o que existe, o conjunto disso é a totalidade da criação. Assim,
Deus criou o céu, também criou o peixe, a árvore, o fogo e todo o conjunto. O
conjunto de toda a natureza é a própria natureza criada. Assim, mesmo a mente
humana, imaginando o conjunto é a criadora do mesmo, que nada mais é que o
reflexo da realidade percebida na mente. Portanto, essa eternidade do conjunto
supõe a eternidade da natureza. Uma vez que a natureza é criação de Deus, Ele é
o criador do conjunto. Se o conjunto em Si é eterno, esse está sendo concebido
como Deus. Outra vez um atributo de Deus é transferido para outra realidade.
21) A ideia que o
filósofo colocou é bastante estranha. Não haveria necessidade no movimento ser
movido por outro. A inércia existencial explicaria que todo ser poderia ser
necessário. E explica ainda que isso não é temporal, pois mesmo morto estaria
existindo ontologicamente. Em primeiro lugar, essa expressão da linguagem não
explicou nada. O ente poderia ser autossuficiente, ou a necessário e bastaria a
si mesmo para existir. No entanto, a realidade não mudou. Uma pessoa viva
difere dela mesma morta, e no entanto, na filosofia cristã, essa pessoa existe
na memória, como existe na criação de Deus, como substancia, vivendo na terra
em determinado período, sendo agora não mais como na eternidade, pois uma vez
que nasceu e passou a existir tem sua parte no universo. Mas, é preciso
concordar que a pessoa morta deixou de ter a mesma consciência, no caso
cristão, pois segundo o ateísmo ela não tem mais consciência, seu corpo não
funciona mais, seus restos se decompõem e nenhuma das suas ações é mais
possível como era antes. E em se tratando de uma filosofia que nega a Deus e a
existência da alma, certamente, essa “existência” da pessoa é apenas uma
memória, um fato conhecido por outros no universo, mas não a mesma existência
de antes. Esse ente que está no lugar daquele que morreu não explica mais do
que a realidade.
Nesse momento aquela
pessoa não mais existe. E se existe, não mais da mesma forma. Do contrário, se
poderia marcar uma reunião com a pessoa em tal hora para que ela pudesse
explicar como se sente agora, em 2026, mesmo que tenha morrido no ano de 1549.
Já que a mesma existe, isso deveria ser possível. Mas dirá o filósofo que isso
é algo não temporal, fora da matéria, em se tratando de uma existência em si
que não depende das categorias da filosofia tomista para ser explicada e etc.
Na realidade, isso não muda nada. A pessoa existe na memória de Deus, de
outros, mas não mais como antes, estando morta, e não pode mais nada do que
antes podia, a não ser na ressurreição da carne. E, caso se tenha essa existência
em substância em mente, essa pessoa não é mais como antes, não tem consciência,
não age, não ocupa lugar no espaço, nem no tempo, e, nela mesma, não é mais
como antes da sua existência física em vida. Assim, a filosofia cristã refuta
essa asserção.
22) Existem coisas que
não têm explicação. De fato, a eternidade de Deus é algo que podemos
compreender sem explicá-la facilmente. Mas isso não é para colocar a eternidade
em outras coisas, como no mundo, e etc.
23) O ser pode não ter
explicação. De fato, o ser tem explicação. Pensar que poderia não ter é algo
imaginário, uma possibilidade criada quando se não aceita a explicação
racional, onde tudo necessariamente tem um princípio. Supondo que existissem vários
princípios teriam de ser “deuses”, na melhor das hipóteses, e as obras
certamente não teriam a mesma regularidade, unidade, complementariedade e
harmonia, visto que seriam provenientes de várias fontes diferentes. Se fossem
forças inconscientes naturais, a situação seria ainda pior.
A respeito do conjunto
de coisas. Um conjunto de morangos é a totalidade dos morangos do conjunto.
Obviamente, é o mesmo que os morangos, a não ser que se esteja tratando da
ideia de conjunto na mente, como abstração da mente racional. Mas ainda, como
foi pensado pelo filósofo ateu no debate, o princípio poderia explicar a origem
do conjunto, o que já vislumbra o entendimento do filósofo para a resolução de
suas dificuldades.
A filosofia naturalista
proposta parece enxergar lacunas em certas explicações, entender que as
conclusões são precipitadas e as premissas são pobres.
A entropia se aplica a
sistemas isolados. Mas, e se isso fosse aplicado da toda a natureza? Não diz
isso respeito à necessidade de um ordenador? É claro que sim. A complexidade do
universo e da vida contraria a tendência ao aumento da entropia. Há uma lei
inteligente que está controlando tudo para a organização geral. Essa lei vem de
Deus. Afirmar que tudo não seria aleatório mas não haveria também ordenador não
é uma conclusão racional e não segue os avanços da ciência. Então ficaria no
pensar que as coisas poderiam ocorrer sem as necessidades que a razão exige, e
pensar de modo irracional, contrariando a ciência e as leis da razão, a mesma
razão que está sendo usada para criar essa teoria. Assim, a base utilizada para
criar um sistema compreensível, e organizado não é usada no interior mesmo
desse sistema, quando se admite que coisas podem ser organizadas sem
organizador, surgirem por si só e serem necessárias, onde as leis que regem
algo são objetivas e existem em si mesmas ou talvez passem a existir quando
aleatoriamente mentes racionais passem a existem, concomitantemente. Assim, um
sistema objetivo de leis surge ao mesmo tempo em que a mente racional aparece
na natureza e é ao mesmo tempo extrínseca e independente dessa mente. Aqui há a
preocupação com a organização, com a objetividade da lei, da moralidade, e de
outros atributos como justiça, bondade, beleza, ao mesmo tempo em que não
aceita a Inteligência que explica todas essas realidades. Esse ponto nega o
fluxo normal da razão.
Ao afirmar que algumas
coisas têm causas naturais, ao passo que outras poderiam não ter, por não serem
conhecidas, talvez. No plano teórico, porém, não ter causa é inadmissível
racionalmente.
As leis são
autoexistentes? Não, pois a razão exige algo externo para a origem das leis. Isso
seria uma “arbitrariedade”, ou, como concordou posteriormente, uma explicação
racional de entes necessários, mas dentro de um fórum plano de
substancialidade, onde todos os seres são iguais, não havendo pirâmide. Sem
isso, não haveria ordenador, e todo ser poderia ser autoexistente, o que também
não é racional. Assim, desistir do avanço na pesquisa em busca de resposta
quando se chega a esse ponto, afirmando não ter resposta, quando a razão aponta
para uma origem todo-poderosa e inteligente para essa realidade, é um exemplo
de desistência de uso de parte do poder racional. O ser humano como capaz de
pensamento abstrato e com responsabilidade moral supõe o espírito e O Espírito
maior, que é Deus. Mas o filósofo afirma que o ser sobrenatural não é razão
para a existência da capacidade do pensar abstrato, ainda que o pensamento não
seria material. Basta pensar na comunicação no material com o não material ou
entre esses diferentes tipos de matéria, poderia ser dito.
As leis existem e assim
são tão reais quanto a matéria. De fato, o pensamento poderia ser assim também:
Deus existe e é tão real quanto a matéria. Ele é o Autor das leis, e por isso elas
refletem uma inteligência, ordem e objetividade.
Isso é muito mais
razoável que pensar em leis, moralidade, informações naturais, autoexistentes,
surgindo em concomitância e independentemente da razão dos seres racionais, o
que supõe uma força que conecte o surgimento de ambos para a origem instantânea,
ou mesmo sendo anterior aos entes, servindo para orientar a existências desses
entes. Que força seria essa que associa a moralidade aos seres racionais morais
no momento do surgimento de ambas as realidades no universo? A razão pede essas
explicações, e pensar que isso não seria apenas um costume da inteligência e
não algo que necessário para o bom senso, seria desistir de bem usar a
ferramenta filosófica fundamental na filosofia, suspendendo as exigências
racionais quando essas levam na contramão do sistema de pensamento que está
sendo construído.
Mas o filósofo chega a
concordar que a moralidade existindo antes dos seres morais faz sentido, mas segue
no pensamento de que o ente pode ser necessário e natural, não crendo que a
exigência racional pela explicação nesse ponto fundamental deva ser admitida.
Ao tratar dos graus de
perfeição acredita que não haveria razão para supor que as qualidades precisem
de um grau absoluto. Mas como seria a percepção da beleza, que reflete ao
objetivo, e a graduação do belo, que está atrelado necessariamente a algo que é
a beleza absoluta, se a beleza fosse apenas algo aberto infinitamente sem a
existência de algo mais belo à frente, apenas na fisicalidade do ser, uma vez
que a beleza em si não existe, o que contraria o platonismo, mas que deve
existir no ser supremo, o que prova a existência de Deus. Afirmar que algo é
mais belo que algo outro fica sem sentido na visão de que a beleza progride
infinitamente, quando no infinito não há beleza, pois essa não existe em si e
não há no infinito os seres com beleza que permitiriam a comparação dos graus
de beleza de algo atual. Há aqui sim, coisas lacunares, conclusão precipitada, pobreza
de premissa. Sim, a qualidade não tem um limite, pois Deus é eterno, infinito,
e é a Suma beleza. Temos algo que conforma a nossa razão. Talvez pensar no “limite”
para a beleza tenha sido a pedra no caminho para o filósofo entender que a
beleza sem limite rumo ao infinito aponta antes para Deus que para a ausência de
beleza e à pura possiblidade de crescimento do belo. A limitação aqui é um
problema para o filósofo em seu raciocínio para pensar no belo em Deus que é a
fonte da beleza sem fim.
Quando se pensa na
bondade, na beleza apenas no ser o problema não se resolve, como visto acima.
Essa filosofia naturalista busca algo no platonismo, o aristotelismo, em Descartes,
negando a causa final, em Hume, com a questão da causalidade, em Kant com a
subjetividade do juízo teleológico (exemplos citados no debate), em Nietzsche,
etc. Kant leva mais para a subjetividade e para o modo de compreender o mundo,
enquanto Santo Tomás mostra o propósito como prova da existência de Deus.
Outra coisa é o propósito.
Coisas que parecem agir em propósito poderiam não ter uma Inteligência por trás
disso.
Quando não se entende
algo, não seria melhor ficar com a resposta atual, aberto a novas respostas, do
que entender essa falta de conhecimento como argumento contra a existência de Deus?
O argumento abdutivo, raciocínio em que se infere uma hipótese como a melhor explicação
para um fenômeno observado. Assim, o que se encaixa melhor nas evidências é a
resposta aceita. A ordem, a complexidade e a finalidade do universo é melhor
explicada pela existência de Deus. No entanto, o filósofo parece usar do
argumento olhando para a ausência de evidências claras do Criador, e imperfeição
do universo, o que seria explicado por um processo natural e sem desígnio
intencional. Pensar que as evidências para o Criador são insuficientes não
cabe, pelo que foi observado nos comentários acima. Desse modo, deve-se ver que
o próprio argumento abdutivo é coerente com a existência de Deus.
Ser dogmático com algo
não significa não estar aberto a algo mais a ser aprendido, já que no caso da
existência de Deus há provas racionais robustas que não permitem a dúvida.
Assim, estar certo dessa conclusão é estar na posse da sabedoria, o que é
esperado do verdadeiro filósofo.
Gledsdon Meireles.