Aqui estão comentadas brevemente certas afirmações escolhidas aleatoriamente em vídeos do filósofo.
“O rosto projetado numa poça d´água”. A água funciona como um
espelho. A forma que se reflete na água remete à realidade física ali na frente
da superfície que pode transmitir pelo seu brilho a forma original. Os sentidos
podem captar a forma do rosto na água. Assim, o rosto na água existe. Ele é um
ser. Esse ser é tão existente quanto o rosto original que o fez ser refletido.
Desse modo, o reflexo na água é um ser igual ao ser original existente, se
formos pensar em termos da ontologia plana.
Quando se diz que
sabemos que não há um rosto ali na poça d´água, mas apenas a projeção do rosto,
isso está conforme a filosofia tomista, bastante realista e racional, e fornece
meios que enfraquecem a filosofia naturalista.
Em Romanos 1, 19 está
escrito: “Porquanto o que se pode conhecer de Deus eles o leem em si mesmos,
pois Deus lhes revelou com evidências”. Há evidências no homem e no mundo para
provar a existência de Deus. Achar que são ainda fracos os argumentos, e que se
precisa de algo mais forte, talvez seja uma exigência infantil nesse quesito.
E no versículo 20: “Desde a criação do mundo, as perfeições
invisíveis de Deus, o seu sempiterno poder e divindade, se tornam visíveis à
inteligência, por suas obras; de modo que não se podem escusar.”
Assim, existe a perfeição
de Deus que é vista no mundo, e o poder de Deus é também refletido na criação,
de modo que são visíveis aos olhos as suas obras, mas o texto afirma que são
visíveis à inteligência. É parte da tarefa filosófica, então, buscar entender
Deus, e aceitar sua existência é o ponto básico.
Deus não é forçado a
revelar-Se mais do que o suficiente. Não é revelação de Deus que o mesmo se
revela a todos igualmente e eficazmente. Também não é empiricamente observado que
todos creem da mesma forma.
No entanto, é verdade
que a maioria absoluta na humanidade crê na existência de Deus. Quando se diz
que o Deus cristão está em desvantagem porque o Cristianismo não é a maior
religião na terra, está encerrando uma contradição na posição adotada de que o
ateísmo se vale da proposição de que não há divindade. Desse modo, a crença em
quaisquer divindades não é ateísmo.
Assim, a maior parte da
humanidade em todos os tempos creu em Deus. O ateísmo é fenômeno isolado e em
crescimento em períodos de crise, como os da era atual. Às vezes às exigências
revelam o medo de crer e a vontade de não crer. Assim, encontra-se em qualquer
debate o seguinte: “se você me mostrar isso eu fico convencido”, mas antes é
feita a apresentação de modo deve ser a prova, que deve conter tal e tal característica,
etc.
Por exemplo, me mostre
na Bíblia onde está escrito tal coisa, quando a Bíblia afirma a mesma coisa em
outras palavras ou de forma tácita, o que não é aceito pelo debatedor, pois o
mesmo quer ler da forma exigida.
Em assuntos filosóficos
encontra-se o mesmo, e em qualquer debate sobre qualquer assunto. É preciso
antes uma abertura do espírito, maior do que se pensa. Refletir no que é
proposto, ainda que pareça já conhecido ou que seja muito despropositado
aparentemente.
Dessa forma, o Matheus
Benites creria na Bíblia se a mesma fosse criada de uma vez, certinha, sem
rasuras, sem diferenças textuais, etc., mas o que ele vê através da crítica
textual muitas diferenças entre palavras nos evangelhos em seus vários
manuscritos. Por que Deus permitiu tantas divergências, ao invés de
expressar-se por textos aproveitáveis etc. No entanto, a crítica textual mostra
a mesma mensagem com tantas palavras
diferentes nos milhares de manuscritos. Ainda que determinado versículo falte
em manuscritos ou como citado os 12 versículos do final do evangelho de Marcos
faltam em manuscritos, etc., a verdade da ressurreição está em todo o Novo
Testamento. Por que não crer? Por que exigir detalhes que se adequem àquela
mente individual? A Escritura mostra que o suficiente da revelação de Deus está
dado. Assim também na Escritura.
Em Marcos 16, 6 um jovem de roupas brancas é visto no
túmulo de Jesus no dia da ressurreição. Em Mateus 28 o anjo fala com as
mulheres, no v. 5. Em Lucas 24 aparecem dois personagens, que são os anjos, é
claro, no v. 4. Em João 20 dois anjos aparecem e falam com Maria Madalena, no
v. 12. Em todas as cenas há aparição, de anjo ou anjos, com vestes brancas. Os
detalhes, como ser um jovem, está fora do túmulo ou dentro do mesmo, e outras
particularidades estão conforme o modo de escrever dos evangelistas que focam
em determinado assunto e compõem a narrativa ao redor para mostrar a cena. A
mensagem é a mesma. Desse modo, a Palavra de Deus está sendo apresentada.
Cuidado com as exigências colocadas para crer. O estudo nos leva a crescer na
fé aos poucos, mas peçamos ao Senhor a fé para crermos na Sua Palavra.
O filósofo fala da limitação do ser: Sem limitação não existe ser, só existe ser pleno.
De fato, somente Deus é pleno. Mas os que isso, a limitação do ser, tem a ver com argumento contra a existência de Deus? Limitação, mudança, possibilidade de sofrer, de tédio, de necessidade, de fazer algo, de obter algo, de sofrer mudanças biológicas, e etc. Isso é querido pelo ateu. Mas qual o motivo? Porque de fato esse pensamento tem encapsulada a ideia de que toda essa mudança possível e essa limitação é passageira e não constante, duradoura e intensa.
Ninguém deseja a
limitação a todo momento, nem uma doença incapacitante, nem qualquer outro sofrimento, nem a
corrupção ou degeneração biológica. E quanto à abertura à mudança, à posse de algo, e etc., o
pensamento é que isso estará sempre ocorrendo, e que a prosperidade virá, e que
a felicidade está sempre à porta. Se não, em sã consciência não poderá desejar
tal limitação do ser.
Outra
instância eterna diferente dessa, que é estimulante e valorosa, seria
preferível deixar de ser, diz o filósofo. E qual o motivo? Certamente por se pensar que ao
chegar ao limite do ser estará sendo englobado no ser total, morrendo e existindo em outra realidade deixará de
crescer em conhecimento, em adquirir, em prosperar, e etc., de modo a atingir
um tédio contínuo, um sofrimento, digamos, e isso é algo que a mente humana não
deseja. Portanto, o argumento falha de duas formas: pensar que a presente vida
é a ideal e que a vida futura como esperada pela fé cristã católica é tediosa.
E o filósofo preferiria deixar de ser ao invés de ir para o céu.
Certamente, no fundo do
argumento está o medo do tédio, do sofrimento. De
fato, pensar em atingir o limite de todo progresso e viver sem mais nada de
novo a ser experimentado é algo que a mente humana repele. No entanto, é
justamente o contrário que espera a fé cristã, que é a felicidade completa, de
modo a não haver mais possibilidade de entediar-se, num progresso infinito,
coisa que vai além da compreensão humana, mas está no desejo de afastar o mau e
o sofrimento, viver na justiça e felicidade constante. Portanto, o primeiro
ponto do filósofo ateu está cheio de problemas, e o mesmo deveria deixar esses
argumento logo após entender essa verdade.
Humildade
do cientista ateu. O cientista ateu assume que pode estar
errado, e faz experimentos e colher evidências. O religioso parte do princípio
que já está com a verdade e o livro sagrado contem a verdade absoluta. Mas a ciência e a fé são duas coisas
interligadas mas distintas. A verdade racional aponta para a existência de Deus
e o universo fala à inteligência sobre a existência de Deus. Assim, o cientista
religioso parte da premissa certa e busca avançar no conhecimento da obra de
Deus que é o universo e no próprio universo. Curvar-se diante da verdade é
humildade.
Parte
1: Deus oculto.
Se fosse provada a
existência. Deveria haver evidências científicas
para se chegar até Deus. Por que permitir que certas pessoas sejam resistentes
e permaneçam no ateísmo? O livre arbítrio explica isso e isso deveria bastar. É
preciso notar que o homem é essencialmente religioso e alguns perdem fé racional em Deus e intuem algo
em seu lugar. No caso do filósofo Matheus pode-se ver que o mesmo crê na
moralidade objetiva, na bondade, em leis naturais objetivas, mas as distinguem
de Deus como se as mesmas fossem auto-existentes.
Parte II: O problema do mal.
O
mal como ausência de bem não resolveria que os seres continuam a ter sofrimento
real. Mas talvez o pensamento de que o sofrimento, em qualquer grau, quando
existe, é momentâneo. É plano de Deus tirar todo o sofrimento da criação. Deus enxugará toda lágrima, diz a
Escritura em Ap 7, 16. Portanto, o pensamento ateísta que sabe do sofrimento
real não tem esperança algum de resolvê-lo para sempre, ao mesmo tempo que o
desculpa, por concebê-lo como proveniente de causas naturais.
Usa
o argumento para culpar uma mente inteligente, mas reconhece o seu mal, o
sentimento de injustiça que ele suscita, mas abafa a voz da razão e da intuição
humana de que é necessário haver justiça
para todo o mal. Dessa forma, o problema do mal fala da existência de Deus. Não
haveria esse desejo de felicidade e de justiça se a mesma fosse inalcançável.
Deus
é bom, mas permite o mal pela liberdade das criaturas, que praticam o mal
contra Sua vontade. Ele é todo-poderoso e garantiu a extinção do mal e a
aplicação da Sua justiça. Em certos casos a criação experimenta um pouco da
vida paradisíaca que espera a todo o que ama a Deus.
Assim,
o mal de fato é contrário à Vontade e natureza de Deus. Sendo assim, a
existência do mal relaciona-se ao Seu poder. Portanto, o mal só pode existir se
Deus o permitir. Deduzimos que o mal é permitido por Deus, mas sendo contrário
ao Seu plano original o mal será extirpado, não podendo existir para sempre,
nem a injustiça prevalecer em qualquer lugar da criação.
O
ateu acerta em ver o mal como inconciliável com o Ser divino, incompatível com
o Seu poder absoluto, mas não percebe que é possível que o Deus bom e todo
poderoso tenha razões para permitir o mal, o que é razoável, como provado
acima, e que ao invés de impossibilitar a existência do mal, Ele irá extirpá-lo
e dar a todos a felicidade eterna, diante da qual o mal passado não poderá
perturbar jamais. E esse desejo está no íntimo da mente humana, sendo algo que
ultrapassa a resposta irrefletida de que sendo Deus bom e todo poderoso o mal
não poderia existir. Por que preferir negar Deus por esse sentimento de injustiça e de ética que flui do
raciocínio acima, ao invés de aceitá-Lo na sua inteireza, como mostrado, quando
o mesmo é a única alternativa para preencher toda a aspiração legítima da
natureza humana, que é a justiça e a felicidade? Portanto, Deus é bom e
todo-poderoso, e o mal será com certeza erradicado para sempre. Sendo assim, o
problema do mal é bastante razoável no mundo que foi criado por Deus, que é bom
e justo, e tem suas explicações satisfatórias.
Parte III:
Argumentos a priori e a posteriori para a existência de Deus.
Existência
e sustentação do universo. Por que não existe nada? A resposta satisfatória
estaria na ciência. Por que Deus estaria imune à regressão? A solução é
simples, uma vez que quem criou Deus seria o verdadeiro Deus, e assim por
diante, o que a razão não leva a fazer. Uma vez que o criador de Deus seria
Deus e assim por diante, haveria a existência infinita de deuses onde nenhuma
seria o verdadeiro e inexistiria o mais poderoso, sendo algo que não responde
às exigências racionais. Assim, o ato puro é o verdadeiro Deus.
Deus sendo onisciente e onipotente.
Não podendo mudar de ideia não seria onipotente. Mas isso é o mesmo que criar
uma pedra que não se pode carregar. Deus não age contra Sua própria natureza e
não pensa de modo e entrar em conflito com Seu próprio ser. No pensamento
simples de Deus não há tal caso de possibilidade de mudança de opinião, e suas
decisões são sempre perfeitas. Sabe o que fará e quando o fará sem quaisquer
problemas.
O
ser inevitável e o nada é impossível por definição. Genial. Esse ser necessário
é Deus. As características dos seres que perecem levam-nos a pensar que não são
necessários. Vamos pensar um pouco. A intuição das leis de moralidade é inata.
A moralidade é objetiva. Percebemos a moralidade como algo real e que afeta a
consciência. Assim, racionalmente se prova a existência da moralidade objetiva.
O
senso de justiça universal. Também traz o desejo de felicidade completa. Deus é
necessário para a vida eterna e para a justiça perfeita ser aplicada a todos os
casos do universo. Esse desejo está na natureza humana. A existência desse
desejo é uma prova de que a sua realização existe. No ateísmo materialista não
há justiça a todos os casos e nem a felicidade eterna. Portanto, pelo mesmo
raciocínio chegamos a Deus.
Gledson Meireles.
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