domingo, 4 de janeiro de 2026

Refutando alguns rgumentos do filósofo Matheus Benites

Aqui estão comentadas brevemente certas afirmações escolhidas aleatoriamente em vídeos do filósofo.

O rosto projetado numa poça d´água”. A água funciona como um espelho. A forma que se reflete na água remete à realidade física ali na frente da superfície que pode transmitir pelo seu brilho a forma original. Os sentidos podem captar a forma do rosto na água. Assim, o rosto na água existe. Ele é um ser. Esse ser é tão existente quanto o rosto original que o fez ser refletido. Desse modo, o reflexo na água é um ser igual ao ser original existente, se formos pensar em termos da ontologia plana.

Quando se diz que sabemos que não há um rosto ali na poça d´água, mas apenas a projeção do rosto, isso está conforme a filosofia tomista, bastante realista e racional, e fornece meios que enfraquecem a filosofia naturalista.

Em Romanos 1, 19 está escrito: “Porquanto o que se pode conhecer de Deus eles o leem em si mesmos, pois Deus lhes revelou com evidências”. Há evidências no homem e no mundo para provar a existência de Deus. Achar que são ainda fracos os argumentos, e que se precisa de algo mais forte, talvez seja uma exigência infantil nesse quesito.

E no versículo 20: “Desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, o seu sempiterno poder e divindade, se tornam visíveis à inteligência, por suas obras; de modo que não se podem escusar.

Assim, existe a perfeição de Deus que é vista no mundo, e o poder de Deus é também refletido na criação, de modo que são visíveis aos olhos as suas obras, mas o texto afirma que são visíveis à inteligência. É parte da tarefa filosófica, então, buscar entender Deus, e aceitar sua existência é o ponto básico.

Deus não é forçado a revelar-Se mais do que o suficiente. Não é revelação de Deus que o mesmo se revela a todos igualmente e eficazmente. Também não é empiricamente observado que todos creem da mesma forma.

No entanto, é verdade que a maioria absoluta na humanidade crê na existência de Deus. Quando se diz que o Deus cristão está em desvantagem porque o Cristianismo não é a maior religião na terra, está encerrando uma contradição na posição adotada de que o ateísmo se vale da proposição de que não há divindade. Desse modo, a crença em quaisquer divindades não é ateísmo.

Assim, a maior parte da humanidade em todos os tempos creu em Deus. O ateísmo é fenômeno isolado e em crescimento em períodos de crise, como os da era atual. Às vezes às exigências revelam o medo de crer e a vontade de não crer. Assim, encontra-se em qualquer debate o seguinte: “se você me mostrar isso eu fico convencido”, mas antes é feita a apresentação de modo deve ser a prova, que deve conter tal e tal característica, etc.

Por exemplo, me mostre na Bíblia onde está escrito tal coisa, quando a Bíblia afirma a mesma coisa em outras palavras ou de forma tácita, o que não é aceito pelo debatedor, pois o mesmo quer ler da forma exigida.

Em assuntos filosóficos encontra-se o mesmo, e em qualquer debate sobre qualquer assunto. É preciso antes uma abertura do espírito, maior do que se pensa. Refletir no que é proposto, ainda que pareça já conhecido ou que seja muito despropositado aparentemente.

Dessa forma, o Matheus Benites creria na Bíblia se a mesma fosse criada de uma vez, certinha, sem rasuras, sem diferenças textuais, etc., mas o que ele vê através da crítica textual muitas diferenças entre palavras nos evangelhos em seus vários manuscritos. Por que Deus permitiu tantas divergências, ao invés de expressar-se por textos aproveitáveis etc. No entanto, a crítica textual mostra a mesma mensagem com tantas palavras diferentes nos milhares de manuscritos. Ainda que determinado versículo falte em manuscritos ou como citado os 12 versículos do final do evangelho de Marcos faltam em manuscritos, etc., a verdade da ressurreição está em todo o Novo Testamento. Por que não crer? Por que exigir detalhes que se adequem àquela mente individual? A Escritura mostra que o suficiente da revelação de Deus está dado. Assim também na Escritura.

Em Marcos 16, 6 um jovem de roupas brancas é visto no túmulo de Jesus no dia da ressurreição. Em Mateus 28 o anjo fala com as mulheres, no v. 5. Em Lucas 24 aparecem dois personagens, que são os anjos, é claro, no v. 4. Em João 20 dois anjos aparecem e falam com Maria Madalena, no v. 12. Em todas as cenas há aparição, de anjo ou anjos, com vestes brancas. Os detalhes, como ser um jovem, está fora do túmulo ou dentro do mesmo, e outras particularidades estão conforme o modo de escrever dos evangelistas que focam em determinado assunto e compõem a narrativa ao redor para mostrar a cena. A mensagem é a mesma. Desse modo, a Palavra de Deus está sendo apresentada. Cuidado com as exigências colocadas para crer. O estudo nos leva a crescer na fé aos poucos, mas peçamos ao Senhor a fé para crermos na Sua Palavra.

O filósofo fala da limitação do ser: Sem limitação não existe ser, só existe ser pleno.

De fato, somente Deus é pleno. Mas os que isso, a limitação do ser, tem a ver com argumento contra a existência de Deus? Limitação, mudança, possibilidade de sofrer, de tédio, de necessidade, de fazer algo, de obter algo, de sofrer mudanças biológicas, e etc. Isso é querido pelo ateu. Mas qual o motivo? Porque de fato esse pensamento tem encapsulada a ideia de que toda essa mudança possível e essa limitação é passageira e não constante, duradoura e intensa.

Ninguém deseja a limitação a todo momento, nem uma doença incapacitante, nem qualquer outro sofrimento, nem a corrupção ou degeneração biológica. E quanto à abertura à mudança, à posse de algo, e etc., o pensamento é que isso estará sempre ocorrendo, e que a prosperidade virá, e que a felicidade está sempre à porta. Se não, em sã consciência não poderá desejar tal limitação do ser.

Outra instância eterna diferente dessa, que é estimulante e valorosa, seria preferível deixar de ser, diz o filósofo. E qual o motivo? Certamente por se pensar que ao chegar ao limite do ser estará sendo englobado no ser total, morrendo e existindo em outra realidade deixará de crescer em conhecimento, em adquirir, em prosperar, e etc., de modo a atingir um tédio contínuo, um sofrimento, digamos, e isso é algo que a mente humana não deseja. Portanto, o argumento falha de duas formas: pensar que a presente vida é a ideal e que a vida futura como esperada pela fé cristã católica é tediosa. E o filósofo preferiria deixar de ser ao invés de ir para o céu.

Certamente, no fundo do argumento está o medo do tédio, do sofrimento. De fato, pensar em atingir o limite de todo progresso e viver sem mais nada de novo a ser experimentado é algo que a mente humana repele. No entanto, é justamente o contrário que espera a fé cristã, que é a felicidade completa, de modo a não haver mais possibilidade de entediar-se, num progresso infinito, coisa que vai além da compreensão humana, mas está no desejo de afastar o mau e o sofrimento, viver na justiça e felicidade constante. Portanto, o primeiro ponto do filósofo ateu está cheio de problemas, e o mesmo deveria deixar esses argumento logo após entender essa verdade.

Humildade do cientista ateu. O cientista ateu assume que pode estar errado, e faz experimentos e colher evidências. O religioso parte do princípio que já está com a verdade e o livro sagrado contem a verdade absoluta.  Mas a ciência e a fé são duas coisas interligadas mas distintas. A verdade racional aponta para a existência de Deus e o universo fala à inteligência sobre a existência de Deus. Assim, o cientista religioso parte da premissa certa e busca avançar no conhecimento da obra de Deus que é o universo e no próprio universo. Curvar-se diante da verdade é humildade.

 

Parte 1: Deus oculto.

Se fosse provada a existência. Deveria haver evidências científicas para se chegar até Deus. Por que permitir que certas pessoas sejam resistentes e permaneçam no ateísmo? O livre arbítrio explica isso e isso deveria bastar. É preciso notar que o homem é essencialmente religioso e alguns perdem fé racional em Deus e intuem algo em seu lugar. No caso do filósofo Matheus pode-se ver que o mesmo crê na moralidade objetiva, na bondade, em leis naturais objetivas, mas as distinguem de Deus como se as mesmas fossem auto-existentes.

 

Parte II: O problema do mal.

O mal como ausência de bem não resolveria que os seres continuam a ter sofrimento real. Mas talvez o pensamento de que o sofrimento, em qualquer grau, quando existe, é momentâneo. É plano de Deus tirar todo o sofrimento da criação. Deus enxugará toda lágrima, diz a Escritura em Ap 7, 16. Portanto, o pensamento ateísta que sabe do sofrimento real não tem esperança algum de resolvê-lo para sempre, ao mesmo tempo que o desculpa, por concebê-lo como proveniente de causas naturais.

Usa o argumento para culpar uma mente inteligente, mas reconhece o seu mal, o sentimento de injustiça que ele suscita, mas abafa a voz da razão e da intuição humana de que é necessário haver justiça para todo o mal. Dessa forma, o problema do mal fala da existência de Deus. Não haveria esse desejo de felicidade e de justiça se a mesma fosse inalcançável.

Deus é bom, mas permite o mal pela liberdade das criaturas, que praticam o mal contra Sua vontade. Ele é todo-poderoso e garantiu a extinção do mal e a aplicação da Sua justiça. Em certos casos a criação experimenta um pouco da vida paradisíaca que espera a todo o que ama a Deus.

Assim, o mal de fato é contrário à Vontade e natureza de Deus. Sendo assim, a existência do mal relaciona-se ao Seu poder. Portanto, o mal só pode existir se Deus o permitir. Deduzimos que o mal é permitido por Deus, mas sendo contrário ao Seu plano original o mal será extirpado, não podendo existir para sempre, nem a injustiça prevalecer em qualquer lugar da criação.

O ateu acerta em ver o mal como inconciliável com o Ser divino, incompatível com o Seu poder absoluto, mas não percebe que é possível que o Deus bom e todo poderoso tenha razões para permitir o mal, o que é razoável, como provado acima, e que ao invés de impossibilitar a existência do mal, Ele irá extirpá-lo e dar a todos a felicidade eterna, diante da qual o mal passado não poderá perturbar jamais. E esse desejo está no íntimo da mente humana, sendo algo que ultrapassa a resposta irrefletida de que sendo Deus bom e todo poderoso o mal não poderia existir. Por que preferir negar Deus por esse sentimento de injustiça e de ética que flui do raciocínio acima, ao invés de aceitá-Lo na sua inteireza, como mostrado, quando o mesmo é a única alternativa para preencher toda a aspiração legítima da natureza humana, que é a justiça e a felicidade? Portanto, Deus é bom e todo-poderoso, e o mal será com certeza erradicado para sempre. Sendo assim, o problema do mal é bastante razoável no mundo que foi criado por Deus, que é bom e justo, e tem suas explicações satisfatórias.

 

Parte III:  Argumentos a priori e a posteriori para a existência de Deus.

Existência e sustentação do universo. Por que não existe nada? A resposta satisfatória estaria na ciência. Por que Deus estaria imune à regressão? A solução é simples, uma vez que quem criou Deus seria o verdadeiro Deus, e assim por diante, o que a razão não leva a fazer. Uma vez que o criador de Deus seria Deus e assim por diante, haveria a existência infinita de deuses onde nenhuma seria o verdadeiro e inexistiria o mais poderoso, sendo algo que não responde às exigências racionais. Assim, o ato puro é o verdadeiro Deus.

Deus sendo onisciente e onipotente. Não podendo mudar de ideia não seria onipotente. Mas isso é o mesmo que criar uma pedra que não se pode carregar. Deus não age contra Sua própria natureza e não pensa de modo e entrar em conflito com Seu próprio ser. No pensamento simples de Deus não há tal caso de possibilidade de mudança de opinião, e suas decisões são sempre perfeitas. Sabe o que fará e quando o fará sem quaisquer problemas.

O ser inevitável e o nada é impossível por definição. Genial. Esse ser necessário é Deus. As características dos seres que perecem levam-nos a pensar que não são necessários. Vamos pensar um pouco. A intuição das leis de moralidade é inata. A moralidade é objetiva. Percebemos a moralidade como algo real e que afeta a consciência. Assim, racionalmente se prova a existência da moralidade objetiva.

O senso de justiça universal. Também traz o desejo de felicidade completa. Deus é necessário para a vida eterna e para a justiça perfeita ser aplicada a todos os casos do universo. Esse desejo está na natureza humana. A existência desse desejo é uma prova de que a sua realização existe. No ateísmo materialista não há justiça a todos os casos e nem a felicidade eterna. Portanto, pelo mesmo raciocínio chegamos a Deus.


Gledson Meireles.

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