segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Veneração e adoração: Pastor Yago e Padre José Eduardo, parte 3

O pastor Yago inicia seu vídeo com uma ironia, de que será canonizado pelo milagre de ter mudado a teologia católica, pois os apologistas católicos mudaram o que haviam dito após sua resposta. Já vimos que isso não aconteceu, mas vejamos o motivo do pastor Yago não ter compreendido isso.

A resposta católica seria que a veneração não possui sacrifício, e por isso não é adoração na veneração.

1º Ao ler o início da resposta do padre Eduardo, o pastor Yago afirma que sua esperança é que os católicos não sejam idólatras !!!!!!!!!!!!!!!!. E logo continua dizendo que o católico que não é idólatra é na sua visão um mau católico. Ou seja, ele acredita com toda certeza que o verdadeiro católico é idólatra, contrariamente ao que disse segundos antes. Assim, se ele ele acredita que talvez os católicos não sejam idólatras, então crê que todos os católicos não estão agindo como verdadeiros católicos, pois do contrário ele crê que todos são, e os que não são católicos mas continuam na Igreja Católica são de fato mau católicos. Sua afirmação já tem essa contradição interna. Isso passa despercebido, mas mostra o motivo da incompreensão que o pastor tem da teologia católica.

2º Sua prova de que os católicos seriam idólatras seria que os mesmos dão características  exclusivamente divinas como a mediação a Maria e a intermediação aos santos. Seria a intenção dos católicos que se expressaria nos seus atos externos.  Em primeiro lugar, a mediação e intermediação, que praticamente é a mesma coisa, não é exclusivamente divina quando se trata do que fazem os santos. Alguém que ora por outra pessoa, pedindo a Deus a graça, a bênção, a outra pessoa, está agindo entre Deus e a pessoa, sendo um intermediador, um intercessor. Assim, a fala do pastor Yago já não se sustenta, pois essa ação é humana e não exclusivamente divina. Pedir a Maria e crer que ela pode interceder a Deus não é conceder que ela tem atributo próprio da divindade, mas apenas afirmar que estando no céu e sendo a Mãe de Cristo ela terá condições de pedir com fé a Deus por nós.

3º O pastor Yago esclareceu que seu exemplo da importância do ato interno era para mostrar que haveria idolatria sem sacrifício. Se há ato interno de idolatria, não é necessário sacrifício para o pecado da idolatria existir. Até aqui, nada de novo. 

4º O pastor entende que o sacrifício da missa é repetição, ainda que a teologia católica entenda que não é. Assim, percebe-se mais uma vez um motivo pelo qual o pastor não entende a teologia católica, por não aceitar compreendê-la. A Igreja ensina que não há repetição do sacrifício, mas repete-se o rito para tornar presente o único sacrifício da cruz por meio sacramental. Então o pastor diz que são apenas palavras diferentes e diz que se trata de repetição. Não aceita a explicação da Igreja. É como afirmar que a Igreja ensina a repetição do sacrifício, onde Jesus morre na cruz milhares de vezes, quando a Igreja não ensina isso. É lamentável o resultado dessa postura.

Vejamos: Cristo morreu, ressuscitou e subiu aos céus. Não morre mais. Fato. Cremos nisso.

O pastor explica que há repetição do sacrifício de Jesus na missa, que não é repetição mas o mesmo sacrifício, que é o mesmo mas está sendo novo sacrifício, acontecendo toda missa mas é o mesmo, de novo, mas sendo o mesmo. Assim, as palavras, segundo sua crítica, poderiam significar qualquer coisa. De fato, ele não entendeu nada.

Se o católico crê que Jesus morreu na cruz, ressuscitou, subiu ao céu, está sendo à direita de Deus Pai, então não crê que Jesus morre na cruz na missa. É claro que isso não pode ocorrer de novo. O que ocorre de novo, o que se repete, é o ato da missa, que torna espiritualmente e de forma sacramental o sacrifício presente, como se estivesse ocorrendo naquele ato, com seu poder. Só isso.

Depois ele afirma que o livro de Hebreus ensina que não há sacrifício à parte do único sacrifício, como se a missa fosse outro sacrifício, o que não é o caso, demonstrando que não compreendeu.

A missa é a celebração. Somente isso. O poder da cruz é eterno, e se mostra sacramentalmente ali.

5º O conceito de adoração como sendo a disposição do coração é doutrina católica de sempre, e não uma novidade entre os apologistas católicos proveniente do vídeo do pastor Yago, como pareceu ao pastor.

6º Não há na fé católica nada que atribua características divinas a Maria e aos santos, e portanto os atos externos de veneração aos santos não podem ser adoração de forma alguma.

Houve um desentendimento mútuo. O padre percebeu as incoerências e contradições do pastor, e o pastor entendeu que o padre estava se contradizendo o tempo todo. Portanto, trata-se de uma questão bastante profunda. O padre entende que o pastor tem dificuldade em entender o Catolicismo, e o pastor pensa o mesmo do padre em relação ao Protestantismo.

O pastor Yago fez bem em ler todo o texto do padre José e também em usar partes de vídeos de seus debates. Ele esclareceu bem sua posição, e isso é louvável. O padre certamente pode fazer o mesmo ao ver a resposta do pastor.

O padre afirma "adoração em primeiro lugar é sacrificar". O pastor entendeu que o sacrifício define o que é adoração e o separa de veneração.

Quando o padre afirma que católicos e protestantes estão unido na adoração ao Deus Trino e que os atos são secundários, significa simplesmente que os demais atos não são idolatria já que a adoração ao único Deus já previne desse pecado.

O pastor entende que a fé no único Deus compartilhada por ambos os lados não garante que alguém irá colocar outro em pé de igualdade com Deus e cometer o pecado de idolatria. São exemplos de incompreensões, mas ambos os lados estão afirmando coisas verdadeiras.

Só é adoração se tiver sacrifício OU adoração é intenção do coração e se a intenção não for de adorar igualando a Deus então não é adoração.

A resposta é a segunda, pois mesmo não tendo sacrifício pode haver adoração. Isso não é novidade para os católicos, mas é a própria doutrina católica.

Certamente, o que se está tentando esclarecer é que na Igreja Católica dentre todos os atos externos os atos relacionados ao sacrifício de Cristo celebrado na missa são unicamente oferecidos a Deus e a ninguém mais, caracterizando os cristãos católicos como adoradores do único Deus somente e não que os demais atos não pudessem ser adoração mesmo sem sacrifício segundo a intenção do coração.

Gledson Meireles.

Nenhum comentário:

Postar um comentário